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Aula 13 Distúrbios Hemodinâmicos II Parte 2
A embolia pode ser classificada como sistêmica ou pulmonar, dividindo se clinicamente nessas duas vias principais.
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- Distúrbios Hemodinâmicos II Parte 2
Overview
Visão Geral dos Distúrbios Hemodinâmicos Sistêmicos
Os distúrbios hemodinâmicos sistêmicos representam falhas críticas no transporte de oxigênio e na integridade vascular. Processos como a embolia obstruem o fluxo sanguíneo, culminando frequentemente em infarto, caracterizado pela necrose tecidual isquêmica. Paralelamente, a hemorragia expõe a perda da integridade dos vasos, gerando extravasamento sanguíneo local ou sistêmico. Quando esses mecanismos ocorrem de forma descontrolada, como na coagulação intravascular disseminada, o consumo de fatores gera um cenário paradoxal de trombose e sangramento. Na via final de todas essas disfunções, o choque se estabelece como um estado de hipoperfusão tecidual profunda, no qual a incapacidade circulatória sistêmica compromete diretamente a sobrevivência das células.
Embolia
Definição de Embolia e suas Consequências Isquêmicas
A embolia ocorre quando uma massa física sólida, líquida ou gasosa se desloca pela corrente sanguínea, a partir de seu local de origem até um ponto distante no sistema vascular. A embolia de origem trombótica, ou seja, proveniente de um coágulo ou trombo previamente formado, é chamada de tromboembolia.
A principal consequência fisiopatológica da impactação de um êmbolo é a oclusão parcial ou total do lúmen vascular. A obstrução vascular causada pela embolia pode levar a isquemia e subsequente necrose tecidual no território afetado devido à redução do fluxo sanguíneo no leito vascular. Estatisticamente, a vasta maioria dos casos de embolia (aproximadamente 99%) decorre do desprendimento e migração de fragmentos de trombos localizados no sistema venoso ou arterial.
Vias de Disseminação da Tromboembolia Pulmonar
A embolia pode ser classificada como sistêmica ou pulmonar, dividindo se clinicamente nessas duas vias principais.
- Propagação arterial: Na embolia sistêmica, o êmbolo propaga se predominantemente através da circulação arterial.
- Acometimento de órgãos: Originados comumente no coração esquerdo ou em grandes artérias, esses êmbolos na circulação sistêmica podem atingir órgãos como o rim, baço, fígado e a região cerebral, comprometendo a perfusão tecidual.
- Origem na TVP: A embolia pulmonar, a apresentação mais comum de embolia, origina se em geral de uma trombose venosa profunda nos membros inferiores.
- Trajeto e oclusão: O fragmento desprendido trafega pela veia cava até as cavidades direitas do coração, sendo subsequentemente ejetado na circulação pulmonar, onde se aloja de acordo com o calibre do vaso.
Gravidade Extrema do Tromboembolismo em Sela
Pacientes acometidos podem apresentar hipóxia devido ao prejuízo na hematose e à menor circulação do sangue; o êmbolo se aloja em uma região significativa do pulmão, deixando a área afetada sem receber sangue e sem realizar trocas gasosas. Adicionalmente, pode ocorrer hipotensão arterial porque a pressão arterial pode não ser mantida devido à má circulação do sangue pelos vasos, provocada pela redução do retorno venoso ao coração esquerdo e consequente queda do débito cardíaco. A obstrução mecânica aguda ao fluxo sanguíneo gera sobrecarga de pressão nas cavidades direitas do coração, culminando em insuficiência cardíaca direita aguda e congestão venosa sistêmica. Adicionalmente, pode ocorrer infarto pulmonar ou hemorragia pulmonar. Em casos de oclusão de grandes vasos, como na bifurcação do tronco da artéria pulmonar por um tromboembolismo pulmonar em sela, o bloqueio maciço do fluxo sanguíneo resulta em colapso cardiovascular súbito e morte súbita; esse tipo de tromboembolismo em regiões de bifurcação é considerado bem mais grave, ocorrendo a morte quando o êmbolo obstrui uma área de um segmento pulmonar de grande volume.
Embolia Adiposa Após Fraturas de Ossos Longos
Embora a maioria das embolias tenha origem trombótica, causas não trombóticas apresentam grande relevância clínica. Uma fratura de ossos longos, como o fêmur, decorrente de acidente automobilístico, é uma causa comum de embolia. Nesses cenários de forte impacto, a medula óssea amarela sofre disrupção e libera gotículas de gordura na circulação venosa, caracterizando a embolia adiposa.
Traumas na medula óssea podem fazer com que fragmentos ósseos ou gordurosos se desloquem na corrente sanguínea. Desse modo, um fragmento de osso ou de gordura (popularmente conhecida como tutano) pode se deslocar e provocar embolia após uma fratura, demonstrando como processos traumáticos facilitam o desprendimento de massas físicas sólidas.
Mecanismo da Embolia de Líquido Amniótico
A embolia líquida caracteriza se pela penetração de fluidos não miscíveis na corrente sanguínea. Nesse cenário, a embolia do tipo líquida é comum de acontecer em pacientes gestantes. O líquido amniótico não deve entrar em contato com a circulação sanguínea da gestante em condições normais. Sob condições patológicas, as membranas placentárias ou as veias uterinas sofrem laceração, permitindo que o líquido amniótico acesse a circulação materna.
Durante o parto ou em casos de aborto, o líquido amniótico pode invadir a corrente sanguínea, gerando embolia líquida. Esse evento também pode se manifestar em procedimentos obstétricos invasivos. O risco vai além da obstrução de capilares pulmonares: a embolia por líquido amniótico pode causar uma reação inflamatória intensa na gestante e ativar a cascata de coagulação, tornando se potencialmente letal.
Embolia Gasosa e a Doença de Descompressão
A embolia gasosa ocorre devido à introdução de bolhas de ar ou de outros gases no sistema cardiovascular. A embolia gasosa é muito comum de acontecer em processos cirúrgicos, quando uma quantidade maior de gases circula pela corrente sanguínea. Além disso, a formação de bolhas de ar na aplicação de medicamentos por via intravenosa pode obstruir a passagem do sangue porque a bolha se expande. Existe um limite tolerável de até mais ou menos 100ml de ar na circulação, sendo que valores maiores podem causar uma obstrução e morte rápida.
Outro cenário clássico envolve a prática de mergulho. A alteração de pressão atmosférica no mergulho pode formar bolhas de ar no sangue do indivíduo devido à redução na solubilidade do nitrogênio. Se um mergulhador retorna à superfície verticalmente muito rápido, as bolhas de ar se expandem no sangue. Por essa razão, o retorno do mergulho deve ser lento e em posição ideal do corpo para evitar a expansão das bolhas. Para reverter o quadro, o paciente com embolia gasosa decorrente de mergulho pode ser colocado em uma câmara hiperbárica. A câmara hiperbárica diminui a pressão dentro dos vasos e dissolve as bolhas de ar.
Coagulação Intravascular Disseminada (CID)
Fisiopatologia da Coagulação Intravascular Disseminada
O Paradoxo de Trombose e Consumo Hemostático
A coagulação intravascular disseminada (CID) é uma desordem clínica importante. De forma geral, a Coagulação Intravascular Disseminada (CID) é uma condição patológica caracterizada pela formação de microtrombos que se espalham por toda a circulação sanguínea. O termo 'intravascular' refere se a algo que ocorre dentro do sistema vascular, enquanto o termo 'disseminado' refere se a algo espalhado pelo corpo. Na Coagulação Intravascular Disseminada (CID), toda a microcirculação fica preenchida por trombos bem pequenos.
A formação generalizada de microtrombos na corrente sanguínea leva a um evento chamado de coagulopatia de consumo. A coagulação disseminada por todo o corpo gera um elevado consumo de plaquetas, fibrinogênio e fibrina. A coagulopatia de consumo ocorre quando há um elevado gasto de plaquetas, fibrinogênio, fibrina e fatores de coagulação devido à formação disseminada de coágulos.
Embora cada microtrombo individual seja de tamanho reduzido, a extensão sistêmica da sua formação esgota rapidamente os recursos hemostáticos do organismo, propiciando um ambiente favorável ao surgimento de sangramentos graves. Dessa forma, a coagulopatia de consumo leva a condições de distúrbios hemorrágicos graves devido ao esgotamento de todos os componentes envolvidos na coagulação.
Ativação Fibrinolítica e Consumo de Fatores
O Papel da Fibrinólise e as Repercussões Clínicas
Paralelamente ao processo de microtrombose, ocorre a ativação do sistema fibrinolítico como mecanismo de defesa para degradar a fibrina depositada. A plasmina cliva a fibrina, gerando um aumento substancial de produtos de degradação da fibrina (PDF) na corrente sanguínea. Nesse contexto, a formação de trombos ativa a plasmina, que quebra o trombo e inicia a fibrinólise. Na coagulopatia de consumo, o sistema fibrinolítico é ativado simultaneamente ao gasto de componentes de coagulação, degradando os trombos e aumentando os produtos de degradação da fibrina.
Além disso, a fibrinólise leva à formação de produtos que bloqueiam a cascata de coagulação, como o ativador de plasminogênio. O aumento dos produtos de degradação do trombo aumenta a tendência do paciente a apresentar sangramento, uma vez que esses fragmentos solúveis atuam como anticoagulantes endógenos, bloqueando etapas adicionais da cascata de coagulação.
Consequentemente, o paciente com coagulação intravascular disseminada apresenta uma coexistência paradoxal de fenômenos trombóticos obstrutivos na microcirculação e episódios hemorrágicos graves devido à depleção de fatores de coagulação e plaquetas. Na coagulopatia de consumo, o paciente apresenta tanto uma condição de trombose por microtrombos quanto uma tendência a hemorragia devido ao consumo de fatores de coagulação.
Gatilhos Físicos e Inflamatórios da CID
Gatilhos Físicos, Térmicos e Infecciosos
A síndrome de coagulação intravascular disseminada pode ser desencadeada por traumas graves e acidentes automobilísticos significativos. Traumas intensos, choques mecânicos ou impactos podem iniciar o processo de coagulação do sangue onde houve lesão. Além disso, queimaduras graves causam lesões teciduais e musculares em várias camadas, gerando perda de líquidos, perda de sangue e alterações vasculares.
No âmbito sistêmico, na hipotermia, a diminuição da temperatura corporal torna o sangue mais viscoso e lento, favorecendo a ocorrência de processos de coagulação. Ademais, a septicemia, caracterizada como uma infecção generalizada, gera estase sanguínea e pode desencadear microcoagulação disseminada. Em suma, processos inflamatórios podem levar à microcoagulação disseminada devido à estase, ao aumento da permeabilidade vascular e à vasodilatação.
Gatilhos Biológicos e Agentes Tóxicos da CID
Além de causas físicas diretas, a coagulação intravascular disseminada (CID) pode ser desencadeada por fatores biológicos complexos. Na esfera obstétrica, a retenção de um feto morto pode desencadear uma reação inflamatória e levar à formação de microcoágulos. Já no contexto oncológico, o câncer, especialmente a leucemia, pode causar coagulação exagerada por meio de alterações vasculares e do dano endotelial provocado por substâncias produzidas pelas células tumorais.
Outros fatores importantes envolvem agentes exógenos e toxinas. O envenenamento por picada de serpentes está associado ao desencadeamento de distúrbios de coagulação, como a Coagulação Intravascular Disseminada (CID). Ademais, a ingestão de raticidas, como o veneno de rato, bloqueia a cascata de coagulação ao inibir os fatores dependentes de vitamina K. Esse bloqueio gera sangramentos severos, sendo este o mesmo mecanismo clássico pelo qual o veneno de rato mata o gato por hemorragia.
Vias de Ativação por Lesão Endotelial
A coagulação intravascular disseminada (CID) é iniciada por duas vias principais de ativação hemostática que convergem para a deposição sistêmica de microtrombos:
- Início tecidual: A destruição tecidual maciça decorrente de traumas, queimaduras ou complicações obstétricas libera fator tecidual na circulação.
- Cascata enzimática: Essa liberação do fator tecidual pelo tecido danificado ativa a trombina e faz o fibrinogênio ser convertido em fibrina, o que por sua vez ativa a trombose generalizada.
- Dano vascular: Paralelamente, ocorre a lesão direta do endotélio vascular (induzida por endotoxinas bacterianas na sepse ou por complexos imunes).
- Formação de trombos: Neste processo, a lesão endotelial ativa a agregação plaquetária, levando à formação de trombos.
- Oclusão sistêmica: A deposição de microtrombos gera oclusão vascular periférica e isquemia tecidual generalizada.
- Danos finais: As consequências da coagulopatia de consumo incluem hemorragia, insuficiência cerebral, insuficiência pulmonar e o acometimento de órgãos como o coração e os rins.
Hemorragia
Definição e Mecanismos da Hemorragia
A hemorragia é definida como o extravasamento do sangue de dentro do vaso para o exterior. O destino desse extravasamento pode ser o interstício, uma cavidade corporal ou o próprio meio externo.
Fisiopatologicamente, a hemorragia geralmente se inicia pela ruptura de vasos, chamada de ruptura por rhexis, que constitui a sua principal causa. No entanto, ela também pode ocorrer por diapedese, que consiste na migração ativa das células de dentro para fora do vaso através de junções interendoteliais alargadas, sem descontinuidade macroscópica.
Cabe notar que o termo diabetes em certas transcrições clínicas costuma ser apenas uma confusão fonética com o termo diapedese.
Manifestações Clínicas e Terminologia
Uma hemorragia interna pode ser eliminada para o exterior posteriormente, como urinar sangue após um trauma renal. Termos clínicos comuns incluem a epistaxe (hemorragia nasal), a melena (sangue nas fezes) e a menstruação, que é descrita como um sangramento fisiológico e cíclico. Em quadros de dengue, podem surgir micro hemorragias na pele chamadas petéquias. Além disso, a diátese hemorrágica refere se a uma tendência ao sangramento por falta de plaquetas, falta de fatores de coagulação ou lesão vascular, enquanto a hemorroida é uma congestão por dilatação de microvasos na região esfincteriana anal.
- Epistaxe: hemorragia nasal.
- Melena: presença de sangue nas fezes.
- Menstruação: sangramento fisiológico e cíclico.
- Petéquias: micro hemorragias na pele que podem surgir na dengue.
- Diátese hemorrágica: tendência ao sangramento por falta de plaquetas, falta de fatores de coagulação ou lesão vascular.
- Hemorroida: congestão decorrente da dilatação de microvasos na região esfincteriana anal.
Classificação Anatômica das Hemorragias Cavitárias
As hemorragias internas que ocorrem no interior de cavidades serosas recebem denominações anatômicas específicas. O acúmulo de sangue na cavidade pleural, também referida como cavidade ou região torácica, é designado hemotórax; no saco pericárdico ou região do pericárdio, hemopericárdio; na cavidade peritoneal ou região do peritônio, hemoperitônio; e no espaço intra articular ou região das articulações, caracteriza se a hemartrose. Clinicamente, o padrão do sangramento varia conforme o tipo de vaso lesado. A hemorragia arterial caracteriza se por um fluxo pulsátil, sob alta pressão e coloração vermelho rutilante, devido à espessa camada muscular das artérias e à pressão hidrostática elevada. O sangramento venoso apresenta fluxo contínuo, lento e sob baixa pressão, enquanto a hemorragia capilar manifesta se como um gotejamento lento e difuso em pequenas proporções teciduais.
- Hemotórax: acúmulo de sangue na região torácica (cavidade pleural).
- Hemopericárdio: acúmulo de sangue na região do pericárdio.
- Hemoperitônio: acúmulo de sangue na região do peritônio.
- Hemartrose: acúmulo de sangue na região das articulações.
- Hemorragia arterial: fluxo pulsátil sob alta pressão devido à maior camada muscular do vaso.
- Hemorragia venosa: sangramento de fluxo contínuo sob baixa pressão.
- Hemorragia capilar: gotejamento lento de sangue em pequena quantidade.
Etiologia e Fatores de Risco da Hemorroida
As causas de hemorragia são multifatoriais e incluem traumatismos mecânicos, processos inflamatórios erosivos e infiltração neoplásica. Células neoplásicas malignas frequentemente degradam as paredes vasculares, predispondo a sangramentos severos de difícil controle. Outro fator importante é a congestão crônica passiva (onde a estase eleva a pressão hidrostática intrínseca), que eleva a pressão e força a saída do sangue.
Além disso, fatores estruturais e hemodinâmicos sistêmicos determinam essa perda de sangue. A ocorrência de aterosclerose, aneurismas arteriais e a hipertensão arterial sistêmica (que eleva a pressão hidrostática) são causas importantes. Adicionalmente, a trombocitopenia (ou plaquetopenia) reduz a quantidade de plaquetas e o tampão plaquetário, fazendo com que o sangue extravase com mais facilidade, além de deficiências qualitativas ou quantitativas dos fatores de coagulação. Por fim, o escorbuto, que é causado pela falta de vitamina C, compromete a síntese de colágeno, fragilizando a membrana basal dos vasos e facilitando o extravasamento hemático.
Diferenciação por Extensão de Petéquias e Equimoses
As hemorragias teciduais são classificadas de acordo com as dimensões macroscópicas do sangramento. As petéquias são micro hemorragias que se manifestam como pequenas pintinhas vermelhas de 1 a 2 milímetros de tamanho, comumente associadas à trombocitopenia ou disfunção capilar local. A púrpura caracteriza se por uma extensão hemorrágica avermelhada maior, de cerca de 3 milímetros. A equimose caracteriza se por focos hemorrágicos teciduais difusos decorrentes de contusões ou traumas subcutâneos, nos quais o sangue se infiltra no interstício sem formar coleção fluida; a coloração evolui progressivamente de vermelho azulada para verde e amarela devido à degradação enzimática da hemoglobina em biliverdina e bilirrubina.
| Tipo de Lesão | Tamanho / Extensão | Mecanismo e Coloração |
|---|---|---|
| Petéquias | 1 a 2 milímetros | Micro hemorragias associadas à trombocitopenia ou disfunção capilar. |
| Púrpura | Cerca de 3 milímetros | Extensão hemorrágica avermelhada maior. |
| Equimose | Focos difusos | Decorrente de contusões ou traumas subcutâneos, infiltrando o interstício sem formar coleção fluida. Cor evolui para verde e amarela devido à degradação enzimática. |
Tabela comparativa das manifestações hemorrágicas de acordo com o tamanho e características fisiopatológicas.
Impacto Clínico do Hematoma Subdural Traumático
A diferença principal entre hematoma e equimose é que o hematoma forma um acúmulo de líquido e sangue concentrado em maior volume. Diferentemente das equimoses, o hematoma consiste em uma coleção de sangue tridimensional localizada que se acumula no interior de tecidos ou cavidades teciduais decorrente da ruptura de vasos de maior calibre, provocando tumefação ou efeito de massa local. O hematoma gera uma tumoração no sentido de edema devido ao sangue concentrado, e não no sentido de tumor de células ou tecidos. Em termos fisiopatológicos, o hematoma ocorre quando o sangue se acumula em uma determinada cavidade ou local, geralmente envolvendo vasos maiores.
Um exemplo crítico de gravidade extrema é o hematoma subdural, resultante de trauma cranioencefálico com ruptura de veias pontes. Este tipo de hematoma subdural é decorrente de um impacto na região craniana, formando um coágulo que pressiona o encéfalo. O acúmulo de sangue sob a duramadre gera uma tumoração progressiva que comprime o parênquima encefálico contra as paredes ósseas rígidas do crânio. Essa compressão contínua resulta em isquemia secundária, herniação cerebral e sério comprometimento neurológico, exigindo frequentemente intervenção neurocirúrgica de urgência para descompressão e drenagem.
Complicações Graves das Hemorragias em Órgãos
As manifestações clínicas das hemorragias dependem do volume de sangue perdido e da localização do sangramento. O hemopericárdio volumoso pode desencadear o tamponamento cardíaco, situação em que o acúmulo de sangue no saco pericárdico pressiona o coração e impede o enchimento diastólico adequado, dificultando o bombeamento e resultando em choque cardiogênico devido à diminuição da perfusão geral. O hemotórax pode comprometer gravemente a expansibilidade pulmonar, levando à dificuldade respiratória e insuficiência restritiva.
Outros sítios anatômicos também apresentam gravidade importante. O sangramento nas articulações, ou hemartrose, provoca dor intensa, edema e limitação funcional articular; esse derrame é uma das causas de bastante dor quando ocorre. A hemorragia subconjuntival, decorrente de picos hipertensivos ou trauma, caracteriza se pelo acúmulo visível de sangue sob a conjuntiva. No parênquima cerebral, o extravasamento hemático leva à hipertensão intracraniana e necrose liquefativa por isquemia, enquanto a hemorragia pulmonar maciça pode ocasionar asfixia fatal devido ao preenchimento dos espaços alveolares por sangue.
Infarto
Definição e Resposta Inflamatória no Infarto
O infarto consiste em uma área de necrose tecidual isquêmica ou coagulativa, decorrente da interrupção súbita do suprimento arterial ou da drenagem venosa de um determinado território vascular. A principal causa de infarto é a falta de circulação sanguínea e a consequente diminuição da oxigenação. A privação crítica de oxigênio celular resulta na perda de integridade das membranas celulares e morte tecidual.
Após a instalação da necrose, o organismo desencadeia uma resposta inflamatória local, manifestada como uma hiperemia reativa nas margins da lesão que promove a chegada de mais sangue ao local. O processo de reparo subsequente envolve a remoção dos detritos celulares por fagocitose e a substituição do tecido infartado por cicatrização fibrosa em órgãos que não possuem capacidade de regeneração, como o miocárdio. Dessa forma, após um infarto, caso o paciente não vá a óbito, ocorre um processo de cura tecidual por regeneração ou por cicatrização, sendo o infarto no tecido do coração curado especificamente pelo processo de cicatrização.
Classificação dos Infartos e Circulação Terminal
Classificação Morfológica e o Padrão de Irrigação
Na patologia, os infartos são amplamente classificados como brancos (também denominados infartos anêmicos ou isquêmicos ) ou vermelhos. O infarto branco ocorre tipicamente em órgãos que apresentam um padrão de fluxo sanguíneo terminal e em regiões que contam com uma baixa circulação colateral.
O fluxo terminal caracteriza se pelo fato de o órgão ser irrigado por apenas um vaso, possuindo assim um único sistema vascular. Diante disso, nesses órgãos, qualquer obstrução impede totalmente a passagem de sangue arterial, uma vez que não há outra via ou rota de irrigação colateral para suprir a demanda de oxigênio do tecido.
Mecanismo, Órgãos Afetados e Gravidade
Órgãos Sólidos e Manifestações Clínicas
O infarto branco decorre exclusivamente de uma obstrução arterial, impedindo a chegada de sangue oxigenado e conferindo ao tecido afetado uma palidez característica. Essa necrose de caráter isquêmico geralmente se apresenta com coloração esbranquiçada devido à severa falta de sangue.
Esse processo ocorre predominantemente por falta de circulação em órgãos sólidos, tais como o coração, o baço, o rim e o cérebro. Como exemplos clássicos desses processos de infarto, destacam se o infarto cerebral e a perda de membros por necrose isquêmica.
A gravidade do acometimento varia de acordo com a região afetada: o infarto em órgãos como o rim, o baço e o fígado normalmente se apresenta em menor proporção espacial e normalmente não é fatal.
Mecanismos de Torção e Infarto Vermelho
Aspectos Fisiopatológicos do Infarto Hemorrágico
O infarto vermelho (ou hemorrágico) ocorre tipicamente em tecidos mais moles e frouxos, como o pulmão, ovário, testículo e intestino. Esses tecidos propensos possuem dupla circulação (circulação colateral ou suprimento vascular duplo) com mais de um segmento vascular irrigando a região. A obstrução causadora do infarto vermelho pode ser de origem venosa (como na oclusão venosa ) ou arterial (com a persistência parcial de influxo arterial ). O extravasamento de hemácias no parênquima necrótico confere uma coloração avermelhada. No pulmão, essa coloração vermelha decorre de processos hemorrágicos em um órgão de intensa circulação sanguínea.
Além disso, o infarto em tecidos como pulmão, ovário, testículo e intestino é comum em órgãos previamente congestos; assim, o ovário e o testículo podem sofrer infarto. Um exemplo disso é a torção testicular ou ovariana, na qual ocorre obstrução do retorno venoso. A torção testicular interrompe o fluxo sanguíneo do segmento afetado, levando à congestão, isquemia, necrose do órgão e muita dor, podendo causar a perda do testículo.
Quatro Fatores Determinantes da Gravidade Isquêmica
A ocorrência e a gravidade de um infarto dependem da interação de fatores anatômicos e fisiológicos fundamentais:
- Suprimento vascular: A natureza do suprimento vascular, seja ele terminal ou colateral, influencia a propensão de formação de um infarto. Quanto mais sangue chega a uma região, menor é a propensão de se formar um infarto.
- Velocidade da oclusão: A taxa de desenvolvimento de oclusão de um vaso influencia a ocorrência de um infarto. Pacientes com placas ateromatosas maiores possuem maior propensão de ocorrência de infarto em comparação com aquelas menores.
- Vulnerabilidade à hipóxia: A vulnerabilidade de um tecido à hipóxia influencia a possibilidade de infartar. Tecidos com intensa atividade metabólica e que são altamente suscetíveis à diminuição de oxigênio têm maior possibilidade de infartar. O cérebro e o tecido muscular cardíaco possuem intensa atividade metabólica e necessitam de grande quantidade de oxigênio.
- Nível de oxigenação: A menor concentração de oxigênio circulante em um órgão facilita a ocorrência de um infarto. A redução na oxigenação do tecido cardíaco, altamente dependente de oxigênio, pode causar infarto e necrose. O infarto em órgãos como coração e cérebro pode ser fatal e levar o paciente a óbito.
Gênese do Infarto Séptico e Abscessos
Fisiopatologia do Infarto Séptico
O infarto séptico ocorre quando uma área necrosada é colonizada e infectada por bactérias. Esse processo pode ser desencadeado pela fragmentação e migração de vegetações bacterianas originadas de uma endocardite infecciosa, atuando como êmbolos sépticos que transportam microrganismos diretamente para o local da oclusão vascular. Microrganismos como bactérias e parasitas presentes em uma área de infarto podem se deslocar e provocar embolização. Esse tipo de infecção em tecido necrótico ocorre com frequência na região cardíaca, especificamente na região mural.
A presença bacteriana no tecido necrótico atrai um grande contingente de neutrófilos, transformando o infarto em uma reação inflamatória purulenta. O abscesso, que se define patologicamente como o acúmulo de pus no interior de uma cavidade, pode se desenvolver em uma região tecidual previamente infartada, sendo esta uma ocorrência comum em casos de infarto séptico. A progressão desse quadro pode resultar na liquefação do tecido afetado e na propagação da infecção para a circulação sistêmica.
Choque
Fisiopatologia da Hipoperfusão Tecidual Sistêmica
Definição de Choque e Suas Consequências
O choque é definido como um estado de hipoperfusão tecidual sistêmica profunda, decorrente da incapacidade do sistema circulatório em fornecer oxigênio e nutrientes essenciais em níveis adequados para atender às demandas metabólicas celulares. Além disso, o choque é definido como uma condição de hipoperfusão na qual o volume de sangue circulante se torna insuficiente. Esse distúrbio hemodinâmico é caracterizado pela diminuição do volume efetivo de sangue circulante, o que acarreta a queda da pressão arterial sistêmica (hipotensão).
Deve se notar que a maior circulação de volume de sangue diminui a pressão arterial em contextos específicos. A redução da pressão hidrostática intravascular compromete a microcirculação periférica, resultando em hipóxia celular, disfunção metabólica com desvio para a via anaeróbica e, se não revertida precocemente, em lesão celular irreversível e falência de múltiplos órgãos.
Classificação dos Cinco Principais Tipos de Choque
O choque pode ser classificado nos tipos cardiogênico, hipovolêmico, séptico, anafilático e neurogênico, sendo estas cinco categorias principais definidas conforme o mecanismo fisiopatológico primário. Em todas as variantes, o desfecho comum é a perfusão tecidual inadequada. Nesse processo, independentemente da origem do choque, ocorre insuficiência da contração do coração e do bombeamento de sangue. Contudo, os mecanismos desencadeantes diferem significativamente.
- Falha de bomba: Refere se à falha intrínseca da bomba cardíaca.
- Perda de fluidos: Refere se a perdas massivas de fluidos corporais.
- Respostas imunes: Envolve respostas inflamatórias imunes descontroladas.
- Disfunção autonômica: Causa a perda súbita do tônus vasomotor por disfunção autonômica.
Mecanismos e Causas do Choque Cardiogênico
Falha Primária de Bombeamento
Dentre as diversas apresentações clínicas, os tipos de choque mais graves são o cardiogênico e o hipovolêmico. No choque cardiogênico, o coração não consegue bombear o sangue necessário, o que decorre da falha primária de bombeamento do órgão e reduz drasticamente o débito cardíaco.
Esse quadro decorre de condições específicas. Suas causas incluem o infarto agudo do miocárdio extenso, que causa necrose de uma área cardíaca impedindo a contração muscular necessária, e as miocardites agudas severas, caracterizadas por uma inflamação que torna o miocárdio inativo e incapaz de realizar o bombeamento. Além disso, o tamponamento cardíaco gera acúmulo de líquidos no pericárdio e impede a expansão do coração para o bombeamento sanguíneo, enquanto a embolia pulmonar maciça impede que o sangue chegue ao coração, impossibilitando sua circulação adequada pelo corpo.
Choque Hipovolêmico e Perda de Fluidos
Perda do Volume Intravascular
O choque hipovolêmico desenvolve se devido à perda aguda e substancial do volume intravascular de sangue ou fluidos. Assim, o estado de choque pode ocorrer quando há hemorragia com perda significativa de volume de sangue, além de diarreia intensa ou vômitos incoercíveis (vômito em excesso e de grande proporção).
Outros fatores críticos que desencadeiam esse estado de choque são a desidratação grave decorrente de acidentes e as queimaduras extensas (que queimaduras de nível intenso provocam pela perda contínua de plasma através da barreira cutânea lesada, levando à perda de volume sanguíneo). Como consequência fisiológica em ambos os tipos de choque (cardiogênico e hipovolêmico), ocorre a redução drástica do retorno venoso e do débito cardíaco.
Mediadores Inflamatórios e Vasodilatação no Choque Séptico
Disfunção Hemodinâmica e Imunológica
A sepse é caracterizada por uma infecção não controlada ou resistente, que desencadeia uma inflamação intensa. No choque séptico, uma infecção grave gera uma resposta inflamatória com liberação massiva de mediadores, resultando em vasodilatação sistêmica, aumento acentuado da permeabilidade vascular e tendência à trombose. O aumento da vasodilatação causa estase e reduz o volume de sangue circulante em um segmento ou sistemicamente; no estado de choque, o número de vasos sanguíneos permanece o mesmo, mas a quantidade de sangue circulando por eles é menor.
Essa acentuada vasodilatação reduz a resistência vascular periférica de forma extrema, gerando estase sanguínea e hipotensão refratária, o que prejudica a velocidade de circulação e a perfusão. Além disso, o aumento da permeabilidade vascular causa o extravasamento de líquidos para o espaço intersticial, o que reduz o volume circulante efetivo, agravando a hipoperfusão sistêmica e gerando disfunções metabólicas celulares. Adicionalmente, a supressão imune, decorrente de uma grande resposta inflamatória, leva ao agravamento do choque.
Disfunção Vasomotora no Choque Anafilático e Neurogênico
O choque anafilático ocorre quando há uma reação de hipersensibilidade sistêmica imediata. Nessa condição, a reação de hipersensibilidade leva a uma maior produção de histamina por mastócitos e basófilos. A liberação de histamina provoca vasodilatação, estase sanguínea e redução da perfusão, gerando hipotensão grave e risco iminente de asfixia por edema de glote. Além disso, a liberação massiva de histamina e outros vasodilatadores aumenta o calibre do vaso, fazendo com que o sangue circule com menor facilidade. O choque anafilático também pode ser desencadeado por transfusão de sangue, ingestão de toxinas peçonhentas (como picada de cobra) e alimentos. Sabe se ainda que anestésicos e medicamentos podem desencadear um choque anafilático em pacientes com hipersensibilidade.
Por outro lado, o choque neurogênico resulta de traumas medulares ou encefálicos que interrompem as vias simpáticas responsáveis pelo tônus vasomotor. O choque neurogênico é causado por uma lesão nervosa grave que resulta na perda de comunicação do sistema nervoso com os tecidos. Devido a esse comprometimento da perfusão, o choque neurogênico pode levar principalmente a uma lesão aguda e a uma lesão cerebral. Sem os estímulos simpáticos normais, ocorre uma vasodilatação generalizada. De modo geral, as reações anafiláticas ou neurogênicas reduzem o volume de sangue circulante e geram incapacidade de manter a pressão arterial.
Três Estágios Evolutivos da Progressão do Choque
O estado de choque não é um evento estático, mas sim um processo que progride classicamente através de três estágios evolutivos de gravidade crescente.
- Fase Inicial: Ocorre a ativação de mecanismos compensatórios reflexos (como ativação barorrecetora e liberação de hormônios vasoconstritores) que conseguem manter a perfusão dos órgãos vitais.
- Fase Intermediária: Os limites compensatórios são superados, instalando se a hipóxia tecidual generalizada, metabolismo anaeróbico com acúmulo de ácido lático (acidose metabólica) e vasodilatação arteriolar reflexa. Essa diminuição de oxigênio é a principal causa de lesão celular, podendo resultar em isquemia e morte celular.
- Fase Final: As lesões tornam se tão severas e disseminadas que a restauração hemodinâmica torna se clinicamente incapaz de reverter o dano celular, culminando em necrose tecidual generalizada e óbito.
Dicas Para Provas
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
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| A síndrome de coagulação intravascular disseminada pode ser desencadeada por traumas graves e acidentes automobilísticos significativos. |
| A septicemia, caracterizada como uma infecção generalizada, gera estase sanguínea e pode desencadear microcoagulação disseminada. |
| Processos inflamatórios podem levar à microcoagulação disseminada devido à estase, ao aumento da permeabilidade vascular e à vasodilatação. |
| A retenção de um feto morto pode desencadear uma reação inflamatória e levar à formação de microcoágulos. |
| Queimaduras graves causam lesões teciduais e musculares em várias camadas, gerando perda de líquidos, perda de sangue e alterações vasculares. |
| Na hipotermia, a diminuição da temperatura corporal torna o sangue mais viscoso e lento, favorecendo a ocorrência de processos de coagulação. |
| O câncer, especialmente a leucemia, pode causar coagulação exagerada por meio de alterações vasculares e do dano endotelial provocado por substâncias produzidas pelas células tumorais. |
| O envenenamento por picada de serpentes está associado ao desencadeamento de distúrbios de coagulação, como a Coagulação Intravascular Disseminada (CID). |
| O esquema que mostra a fisiopatologia do choque não será cobrado na prova. |
Reflexão Sion
O Fluxo da Vida
O bloqueio do fluxo vital por um êmbolo ou pelo estado de choque priva tecidos essenciais de oxigênio, levando à falência e à morte do organismo. Espiritualmente, quando acumulamos mágoas ou nos isolamos, interrompemos o fluxo de amor e graça que deveria nutrir nossa alma. Jesus se apresenta como a fonte ininterrupta de água viva, desobstruindo nossos corações para restaurar a vida plena e abundante.
Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.João 7:38
Abra o Evangelho de João e descubra o caminho para uma vida sem bloqueios espirituais.