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Ciclo Básico4 PeríodoFarmacologiaCapítulo 1

Aula 3 Parte 1 Farmacodinâmica I

A farmacodinâmica organiza a compreensão dos efeitos dos fármacos e de suas respostas no organismo ou no patógeno.

Duracao: 24 min

Topicos da aula

  • Farmacodinâmica Parte 1

Overview

Como os fármacos produzem respostas

A farmacodinâmica estuda os efeitos bioquímicos e fisiológicos dos medicamentos e os mecanismos que os produzem — em outras palavras, descreve o que o fármaco faz no organismo. Essa compreensão relaciona o fármaco ao seu receptor, sítio de ação e resposta clínica, incluindo benefícios e efeitos indesejados. A especificidade dessa ligação pode gerar amplificação do sinal, tolerância ou redução da resposta ao uso prolongado. Dose, potência, eficácia, afinidade e formas de agonismo ou antagonismo ajudam a explicar por que medicamentos diferentes produzem respostas distintas. No caso clínico, essa lógica orienta a substituição do propranolol pelo metoprolol diante da asma, considerando a seletividade pelos receptores beta 1 e beta 2.

Aplicação clínica da farmacodinâmica

Caso clínico: raciocínio inicial

Um paciente apresenta início súbito de dificuldade respiratória, ausência de febre, taquicardia e respiração curta e rápida. Na ausculta torácica, observam se sibilos difusos, levando à hipótese inicial de asma brônquica, ainda estabelecida apenas provisoriamente.

O médico administra epinefrina ou adrenalina por via intramuscular, e a respiração melhora. Essa via não produz efeito tão imediato quanto a intravenosa, indicada em situações específicas, como parada cardiorrespiratória. Também foram realizadas radiografia de tórax e eletrocardiograma para investigar outras possibilidades diagnósticas.

Escolha do betabloqueador na asma

O histórico registra hipertensão arterial leve, em tratamento com propranolol. Diante do quadro asmático, o propranolol é suspenso e substituído por metoprolol. A escolha é fundamentada na ação dos fármacos sobre receptores específicos: o propranolol bloqueia receptores beta 1 e beta 2, enquanto o metoprolol apresenta maior seletividade pelos receptores beta 1.

Por isso, o metoprolol constitui opção mais adequada entre os betabloqueadores para o controle da hipertensão nesse paciente. Ainda assim, a escolha definitiva depende da avaliação individual das condições clínicas.

Conceito de farmacodinâmica

O que a farmacodinâmica explica

A farmacodinâmica organiza a compreensão dos efeitos dos fármacos e de suas respostas no organismo ou no patógeno.

  • Farmacodinâmica: estudo dos efeitos bioquímicos e fisiológicos dos fármacos, sejam eles benéficos ou maléficos, e dos mecanismos responsáveis por esses efeitos.
  • Objeto de estudo: descreve o que o fármaco faz no organismo ou no patógeno.
  • Respostas avaliadas: inclui o efeito farmacológico, a resposta farmacoterapêutica e a resposta clínica, com resultados desejados ou indesejados.
  • Finalidade: permite compreender a ação do medicamento.

Do sítio de ação à resposta

O fármaco atua em um sítio de ação específico, geralmente determinado pela indústria farmacêutica durante o desenvolvimento do medicamento. Um analgésico não atua necessariamente em qualquer estrutura relacionada à dor, e diferentes fármacos podem ter locais de ação distintos no tratamento da cefaleia.

O efeito farmacológico pode ser benéfico ou indesejado, enquanto a resposta clínica pode ser favorável ou desfavorável. Por isso, a análise deve considerar simultaneamente o fármaco, seu sítio de ação e a resposta produzida.

Ação biológica e receptores

Formação do complexo fármaco receptor

A ação biológica de um fármaco depende diretamente de suas características químicas. Os fármacos ligam se aos receptores, formando um complexo que altera o funcionamento celular; essa ligação provoca uma alteração conformacional que produz sua ação.

Cada fármaco apresenta sítios de ação próprios, e o efeito de um fármaco é o resultado da combinação do fármaco com seu receptor. Os receptores pertencem ao organismo, e diferentes tecidos podem expressar estruturas capazes de interagir com o mesmo fármaco, contribuindo para efeitos indesejados.

Especificidade como encaixe molecular

A especificidade explica por que um fármaco não se liga indistintamente a qualquer sítio ou receptor.

  • Especificidade: É fundamental para a produção de uma resposta farmacológica e determinante para a resposta do fármaco.
  • Encaixe molecular: A molécula sinalizadora deve apresentar conformação compatível com o sítio de ligação do receptor.
  • Complementaridade: Moléculas sem conformação complementar não se encaixam adequadamente e não produzem o mesmo estímulo, como ocorre no encaixe entre formas geométricas complementares.

Cascata e amplificação do sinal

A sinalização farmacológica pode transformar um sinal inicial em uma resposta muito maior.

  1. Etapa: A resposta farmacológica não ocorre necessariamente na proporção de uma molécula para uma resposta.
  2. Etapa: Uma molécula sinalizadora ativa uma enzima, que estimula três outras enzimas, e cada uma delas ativa mais três, resultando em resposta relacionada a nove unidades efetoras.
  3. Etapa: Assim, a sinalização farmacológica pode envolver amplificação.
  4. Etapa: Esse mecanismo permite que pequenas quantidades de fármaco produzam efeitos intensos.

Adrenalina e liberação amplificada

Uma molécula de adrenalina pode estimular o tecido hepático a liberar grande quantidade de glicose. Isso ocorre porque a cascata de sinalização amplifica o estímulo: uma única sinalização pode resultar na liberação de aproximadamente 10.000 moléculas de glicose.

Levotiroxina em microgramas

No tratamento do hipotireoidismo, a levotiroxina é administrada em microgramas. Apesar da pequena quantidade, ela sensibiliza seu sítio alvo e produz efeito significativo. Essa característica de amplificação do organismo explica como pequenas quantidades de determinados fármacos podem produzir resposta terapêutica intensa.

Quando antimicrobianos exigem mais dose

A amplificação não se aplica igualmente a todos os medicamentos, e os antimicrobianos frequentemente exigem doses maiores. Em pacientes graves, o meropenem pode ser administrado na dose de 2 g, equivalente a 2.000 mg, a cada 8 horas. Essa quantidade contrasta com a dose de levotiroxina, administrada em microgramas; como um grama corresponde a 1.000 mg, a quantidade necessária depende das características específicas de cada fármaco.

Desensibilização dos receptores

Dessensibilização no uso crônico

O uso crônico de determinados fármacos pode causar dessensibilização dos receptores. Como esses medicamentos utilizam receptores fisiológicos do organismo, essa adaptação pode reduzir progressivamente sua capacidade de ação e levar à falha terapêutica. Pode ocorrer dessensibilização dos receptores aos fármacos, inclusive com o uso continuado de opioides.

A dessensibilização dos receptores contribui para o desenvolvimento de tolerância.

Internalização e perda de receptores

Os receptores pertencem ao organismo, enquanto os fármacos são substâncias exógenas. Quando um receptor é estimulado de modo contínuo ou excessivo, o organismo pode reduzir sua sensibilidade, diminuir o número de receptores disponíveis ou internalizá los para o interior da célula.

Com menor quantidade de receptores expostos à medicação, a resposta terapêutica diminui.

Betabloqueio e progressão da hipertensão

Em alguns pacientes, o uso prolongado de betabloqueadores pode reduzir a resposta terapêutica depois de aproximadamente dois anos. Porém, a elevação da pressão arterial também pode decorrer da progressão da própria doença.

Em adultos jovens, a hipertensão pode estar relacionada ao estresse e a fases de maior envolvimento emocional. Com o envelhecimento, os vasos sanguíneos perdem parte de sua elasticidade, o que também pode contribuir para o aumento da pressão arterial. Em pessoas com mais de 40 anos que usam betabloqueadores cronicamente, também podem surgir picos de hipertensão.

Investigando a falha terapêutica

Diante do aumento da pressão arterial, organize as possíveis causas antes de ajustar o tratamento.

  1. Etapa: Avalie se o aumento da pressão arterial está relacionado à diminuição da resposta farmacológica, à progressão da doença ou a ambas.
  2. Etapa: Aumente a dose se ela ainda não estiver no limite máximo.
  3. Etapa: Considere associar um segundo fármaco.
  4. Etapa: Individualize a decisão conforme a necessidade clínica e a avaliação médica.

Platô terapêutico, mais efeitos adversos

Os receptores responsáveis pelo efeito terapêutico não são necessariamente os mesmos envolvidos nos efeitos indesejados. Ao aumentar progressivamente a dose, pode se atingir um platô no efeito terapêutico, enquanto os efeitos adversos continuam aumentando. A resposta máxima é atingida quando o aumento da dose não produz uma resposta melhor. Nesse momento, podem surgir efeitos indesejados marcantes, indicando a necessidade de substituir o fármaco ou associar outro medicamento.

Adrenalina e perda de receptores

A exposição contínua à adrenalina em receptores beta adrenérgicos pode alterar o receptor, reduzindo sua disponibilidade e modificando sua estrutura. Em alguns casos, essas alterações podem incluir o desaparecimento dos receptores beta adrenérgicos. Esse processo ajuda a explicar a perda de resposta em alguns tratamentos prolongados, mas a desensibilização não ocorre com todos os medicamentos.

Quando a tolerância não predomina

  • Exemplos sem tolerância significativa: Os medicamentos utilizados para disfunção erétil, como sildenafila e tadalafila, constituem exemplos de fármacos que podem manter seu efeito durante o uso prolongado sem desenvolvimento relevante de tolerância.
  • Uso contínuo: O uso contínuo não implica necessariamente perda de ação.
  • Envelhecimento: Pode haver maior dificuldade de resposta por alterações próprias da idade, mas isso não corresponde obrigatoriamente à desensibilização do sistema farmacológico.

Alvos farmacológicos

Quatro alvos farmacológicos

  • Quatro alvos principais: Receptores, enzimas, transportadores e material genético.
  • Alvos no organismo: Esses alvos podem estar presentes no organismo humano ou em patógenos, como bactérias e fungos.
  • Antimicrobianos: O objetivo principal é atingir o patógeno, embora os fármacos também possam interagir com estruturas humanas e produzir toxicidade.
  • Material genético: O material genético também pode ser alvo de fármacos antimicrobianos.
  • Alvos dos fármacos: Assim, os alvos dos fármacos incluem receptores, enzimas e transportadores.

Classes de receptores

Proteína G e segundos mensageiros

As principais classes de receptores incluem receptores tirosina quinase, receptores associados à proteína G, canais iônicos, receptores de adesão e receptores nucleares. A ativação de um receptor associado à proteína G ativa uma proteína intracelular ligada ao GTP, que regula uma enzima. Essa proteína regula uma enzima, que gera um segundo mensageiro responsável por desencadear o efeito celular.

A concentração de GABA pode aumentar durante o período de sono. O diazepam liga se ao receptor do GABA e aumenta a passagem de cloreto. A função de um fármaco pode ser estimular mais do que o ligante fisiológico ou bloquear a ação fisiológica nos receptores. Fármacos agonistas ativam receptores e produzem o efeito fisiológico. As substâncias químicas que possuem afinidade por determinado receptor podem ser classificadas como agonistas ou antagonistas. Um antagonista não produz o efeito inverso do agonista; ele impede o efeito fisiológico do organismo.

Agonista versus antagonista

Agonismo intensifica uma função fisiológica; antagonismo impede sua ativação.

  • Agonista: sensibiliza o receptor e intensifica uma função fisiológica.
  • Antagonista: ocupa o receptor sem ativá lo, impede a ligação do agonista fisiológico e bloqueia a ação da substância que o estimularia.
  • Aplicação: esses princípios podem ocorrer em diferentes classes de receptores e ajudam a compreender os efeitos dos medicamentos.

Tirosina quinase e síntese proteica

Nos receptores tirosina quinase, a ligação do fármaco aos locais correspondentes promove ativação por autofosforilação e inicia uma cascata de quinases. Essa cascata pode estimular o DNA a produzir RNA mensageiro.

O RNA mensageiro orienta os ribossomos na síntese de proteínas. Quando a proteína produzida está relacionada à doença, o bloqueio do receptor pode impedir sua formação.

Ciclase, relaxamento e fluxo

Nos receptores associados à ciclase, o ligante se une ao domínio extracelular e estimula a formação de um segundo mensageiro cíclico. A liberação de mensageiros cíclicos pode produzir relaxamento da musculatura lisa.

Quando o músculo liso está presente nos vasos sanguíneos, ocorre redução da pressão. Quando está presente nas artérias coronárias, há aumento do fluxo sanguíneo coronariano.

Nitratos no contexto da angina

Pacientes com angina podem usar nitratos, como o dinitrato de isossorbida, em tratamento regular. Durante uma crise de angina relacionada ao esforço, pode se administrar um comprimido sublingual de nitrato.

Durante a atividade física, o coração precisa aumentar seu trabalho para oxigenar os músculos. Quando as artérias coronárias estão comprometidas por placas, a irrigação do músculo cardíaco torna se insuficiente. A falta de oxigênio produz dor torácica e pode evoluir para infarto quando a demanda supera a oferta.

Via sublingual e GMP cíclico

O comprimido sublingual de nitrato é absorvido rapidamente e alcança os vasos, incluindo as artérias coronárias. A ativação da via do GMP cíclico promove dilatação coronariana e também produz vasodilatação sistêmica. Essa via ajuda a compreender a ação dos nitratos e de outros fármacos, cuja aplicação prática depende do conhecimento específico de cada medicamento.

GABA e inibição central

Os receptores do GABA, o ácido gama aminobutírico, estão relacionados ao sistema nervoso central. O GABA é um neurotransmissor inibitório e participa da regulação do ciclo circadiano. Durante o período destinado ao sono, sua concentração e atividade contribuem para reduzir a atividade do sistema nervoso central; durante o dia, ele permanece presente em quantidade que não compromete a vigília.

Receptores nucleares e expressão gênica

Os receptores nucleares atuam no DNA. Para alcançá los, o fármaco precisa penetrar na célula. A ligação ao receptor nuclear pode modificar a produção de RNA mensageiro e, consequentemente, a síntese de proteínas. Se a proteína produzida estiver relacionada a um processo patológico, o bloqueio do receptor poderá impedir sua formação.

Ação versus efeito farmacológico

A ação de um fármaco é a combinação do fármaco com seu receptor, enquanto o efeito farmacológico é o resultado dessa combinação. A simples presença do fármaco não basta: é necessária a interação com o receptor apropriado, seguida da ativação ou inibição da função celular.

Relação entre dose e efeito

Dose, resposta e teto terapêutico

A dose corresponde à quantidade adequada de um fármaco necessária para produzir determinado grau de resposta em um paciente. Também pode ser entendida como a quantidade unitária administrada ao paciente e deve ser adequada para produzir o grau de resposta desejado.

A resposta depende do fármaco, do receptor, da concentração alcançada e das características individuais do paciente. Por exemplo, a vancomicina pode ser administrada por via intravenosa, na dose de 500 mg a cada 30 minutos. No gráfico, a eficácia máxima é representada por um valor de 0 a 1, sendo 1 a eficácia máxima.

Durante o desenvolvimento de tolerância, a dose de tramadol pode ser aumentada até atingir um teto de efeito. Em contrapartida, a redução excessiva da dose pode resultar em ausência de resposta terapêutica.

GABA, álcool e depressão central

O álcool atua sobre o receptor do GABA e favorece a passagem de íons cloreto. Quanto maior essa passagem, maior a depressão do sistema nervoso central, com sonolência e relaxamento.

Os benzodiazepínicos, como diazepam e lorazepam, também se ligam ao receptor relacionado ao GABA e aumentam a passagem de cloreto, de modo semelhante ao álcool. Por isso, esses fármacos podem produzir depressão do sistema nervoso central.

Elementos essenciais da posologia

Use a posologia para organizar as informações necessárias à administração do fármaco.

  • Posologia: A posologia informa a dose do fármaco e inclui a frequência diária, a forma e a via de administração; esses elementos compõem a posologia.
  • Prescrição de dipirona: Deve especificar a quantidade e intervalo entre as doses.
  • Informações adicionais: A posologia também pode indicar administração em jejum, horário e duração do tratamento.

Montando prescrições completas

Uma prescrição pode indicar dipirona, na dose de 1 g, a cada 6 horas, se houver dor. Para pacientes com risco de irritação ou lesão gástrica, pode se prescrever um protetor gástrico, como omeprazol, pantoprazol ou esomeprazol, especificando a dose, a frequência e o momento da administração. Um exemplo é o esomeprazol 20 mg uma vez ao dia, em jejum, uma hora antes do café da manhã.

Formulação de ação rápida

A Novalgina Flash é absorvida mais rapidamente e administrada em dose única de 1 g, estando relacionada a sono e relaxamento. Em pacientes com problema de estômago, pode apresentar uma complicação gastrointestinal com o uso da Novalgina.

Infusão e prescrição da vancomicina

A vancomicina é um antimicrobiano que pode ser administrado por via intravenosa. Uma dose de 500 mg pode ser infundida durante 30 minutos, enquanto uma dose de 1 g, equivalente a 1.000 mg, deve ser infundida durante aproximadamente uma hora. Uma prescrição pode indicar vancomicina de 6 em 6 horas, por via intravenosa, com diluição do frasco de 1 g em 10 mL de água destilada e infusão durante uma hora, com ou sem bomba de infusão. Todas essas especificações integram a posologia.

Dose terapêutica e indicações

Aspirina em diferentes objetivos

A dose de um fármaco deve ser definida conforme a resposta clínica desejada, pois o mesmo medicamento pode ter doses diferentes para objetivos terapêuticos distintos. A aspirina pode ser usada em dose analgésica de 0,3 a 0,6 g por dia. Para efeito anti inflamatório, a dose pode variar de 3 a 6 g por dia, valor consideravelmente maior e reservado a indicações específicas, como algumas doenças inflamatórias e determinados casos de artrite reumatoide.

Baixa dose para antiagregação

Na ação antiagregante plaquetária, o ácido acetilsalicílico é um antiagregante plaquetário que dificulta a união das plaquetas e pode ser usado em baixa dose diária, especialmente em idosos ou pacientes hipertensos com fatores de risco cardiovascular. A dose pode ser de aproximadamente 75 mg por dia, após a refeição, ou até 300 mg em dias alternados, conforme a indicação. O objetivo é reduzir a formação de trombos sem bloquear completamente a função plaquetária; isso aumentaria o risco de sangramento, especialmente intestinal.

Cefazolina no tratamento da infecção

Na presença de infecção instalada, a cefazolina, uma cefalosporina de primeira geração, pode ser administrada em doses totais de 3 a 12 g por dia, frequentemente entre 6 e 8 g por dia, durante períodos como 7 ou 10 dias.

A dose terapêutica é diferente da dose profilática. Assim, os fármacos podem ser utilizados em doses terapêuticas ou profiláticas. A dose necessária depende do objetivo do tratamento, da gravidade da infecção e das condições clínicas do paciente.

Cronograma da profilaxia cirúrgica

A profilaxia cirúrgica organiza a cefazolina conforme o momento do procedimento, a dose e a duração da cirurgia.

  1. Etapa: Utilize a cefazolina, muito utilizada para profilaxia de infecções, para prevenir infecção pós operatória.
  2. Etapa: Administre a cefazolina aproximadamente 30 minutos antes do procedimento, ainda no centro cirúrgico.
  3. Etapa: Em adultos, pode se utilizar 1 a 2 g: para pacientes com até 70 kg, considera se 1 g; acima de 70 kg, 2 g.
  4. Etapa: Durante procedimentos prolongados, a dose pode ser repetida a cada 4 horas durante o ato operatório.
  5. Etapa: Após o procedimento, mantenha a profilaxia por curto período em situações específicas.

Concentração efetiva e potência

CE50 e margem terapêutica

A dose tóxica é capaz de produzir uma concentração acima da margem terapêutica. Já a CE50 é a concentração do fármaco necessária para produzir 50% de sua resposta máxima; portanto, não corresponde a 100% da resposta, mas à concentração capaz de alcançar metade do efeito máximo.

Potência versus eficácia no gráfico

ComparaçãoPotênciaEficácia
Dois fármacos com a mesma resposta máximaO que necessita de menor concentração tem maior potênciaAmbos apresentam eficácia semelhante
Um fármaco pode alcançar determinada resposta com menor quantidade do que outro.
Entre os fármacos A e B, o fármaco A tem maior potência porque atinge a mesma eficácia com menor quantidade de fármaco; já os fármacos C e D não atingem a mesma eficácia que o fármaco A.A é mais potente que BC e D não igualam a eficácia de A

A resposta aumenta com a concentração até atingir um platô.

Potência dos opioides na prática

Ao avaliar a potência de um anestésico opioide, a afirmação deve ser acompanhada por um gráfico de concentração e resposta. A comparação mostra a quantidade necessária para alcançar determinada resposta: o fentanil é aproximadamente 100 vezes mais potente que a morfina, e a sufentanila pode apresentar potência ainda maior.

Remifentanil e fentanil podem apresentar perfis semelhantes, enquanto outro fármaco pode exigir maior concentração para produzir efeito equivalente.

Agonistas e antagonistas

Afinidade define a interação

  • Afinidade: tendência de um fármaco a se combinar com um tipo particular de receptor.
  • Agonista: intensifica ou reproduz uma ação fisiológica.
  • Antagonista: bloqueia uma ação indesejada do organismo, como a elevação da pressão arterial.

Agonismo pleno nos receptores opioides

Os agonistas plenos produzem resposta máxima ao ocupar todos os receptores disponíveis ou uma quantidade suficiente deles. A morfina ativa o receptor μ e atua como agonista desse receptor; por isso, a morfina é agonista dos receptores opioides μ.

O fentanil também pertence à classe dos opioides. Os receptores opioides são receptores do próprio organismo e normalmente são estimulados por endorfinas, substâncias endógenas liberadas em situações como atividade física e experiências relacionadas ao prazer. As endorfinas atuam nos receptores μ, δ e κ, principalmente nos receptores μ.

Agonismo parcial e eficácia menor

Os agonistas parciais produzem resposta inferior à máxima, mesmo quando ocupam todos os receptores. A diferença não está apenas na ocupação do receptor, mas na capacidade da molécula de produzir ativação. Por isso, um agonista parcial pode ocupar todos os receptores, mas não consegue produzir o efeito máximo.

A buprenorfina, por exemplo, apresenta menor eficácia que um agonista pleno. O tramadol também atua como agonista parcial dos receptores opioides e possui menor capacidade de produzir resposta analgésica máxima. Assim, ele atua nos mesmos receptores que um agonista pleno, mas não produz a mesma eficácia.

Buspirona versus benzodiazepínicos

A buspirona é um fármaco ansiolítico. Os benzodiazepínicos também são ansiolíticos e produzem efeito mais rápido e intenso. Em contraste, a buspirona apresenta efeito ansiolítico menos potente e pode levar aproximadamente 15 dias para iniciar sua ação.

Um benzodiazepínico administrado no dia atual pode produzir efeito no mesmo dia, enquanto a buspirona exige período maior para alcançar resposta clínica. A buspirona não causa dependência nem tolerância.

Antagonismo neutro dos betabloqueadores

Os antagonistas neutros ligam se ao receptor sem produzir resposta. Ao ocupá lo, impedem a ação da substância fisiológica ou do agonista. Os betabloqueadores são um exemplo: bloqueiam a ação da adrenalina sobre os receptores beta, sem necessariamente produzir o efeito inverso; apenas impedem a ação do agonista.

Agonismo inverso e naloxona

Os agonistas inversos ligam se aos receptores e produzem efeito contrário ao da substância agonista. Na intoxicação por opioides, como fentanil ou morfina, pode ocorrer depressão respiratória, que é revertida pela naloxona.

A naloxona reverte os efeitos produzidos pela morfina e produz efeito oposto ao dos opioides, especialmente em relação à parada ou à dificuldade respiratória.

Quatro padrões de resposta

PadrãoRespostaExemplo ou efeito
Atividade natural do organismoReferência no gráfico
Agonista plenoProduz a resposta máxima
Agonista parcialProduz resposta favorável, porém incompleta
Antagonista neutroNão produz efeito próprio, mas bloqueia a ação fisiológica
Agonista inversoProduz resposta contrária à do agonista
BetabloqueadorImpede que a adrenalina ative o receptor beta 1 cardíaco, reduzindo a frequência e a força de contração do coraçãoA redução da ação cardíaca contribui para diminuir a pressão arterial

A atividade natural do organismo serve como referência no gráfico de resposta.

Antagonistas competitivos e alostéricos

Competição pelo mesmo sítio

Os antagonistas competitivos ligam se ao mesmo sítio de ligação do agonista no receptor, por meio de uma ligação reversível. Enquanto permanece ligado ao receptor, o antagonista impede a ligação ou a ação do agonista.

A intensidade da resposta depende da afinidade, da concentração e da capacidade de ativação de cada substância.

Tramadol versus morfina

Em uma crise renal intensa, o tramadol pode ser administrado inicialmente, mas nem sempre produz resposta suficiente. O tramadol é um agonista parcial: liga se aos mesmos receptores que a morfina, mas não alcança a mesma eficácia.

A morfina é um agonista pleno e apresenta maior capacidade analgésica. Por isso, o uso racional recomenda iniciar com fármacos de menor potência quando forem suficientes, especialmente porque a exposição contínua aos opioides pode favorecer tolerância e dessensibilização.

Escalonamento da analgesia

A analgesia pode avançar gradualmente conforme a resposta e a evolução da doença.

  1. Etapa: Em pacientes com câncer, considere a evolução da doença e a possibilidade de necessidade futura de fármacos mais potentes.
  2. Etapa: Pode se iniciar com tramadol em doses menores, aumentando progressivamente conforme a resposta.
  3. Etapa: Quando o limite é alcançado e os receptores opioides se tornam menos disponíveis, pode ser necessário utilizar morfina e, em fases posteriores, fentanil.
  4. Etapa: A estratégia deve evitar a antecipação desnecessária de etapas, sem comprometer o controle adequado da dor.

Butilescopolamina bloqueia muscarínicos

A butilescopolamina, também chamada butilbrometo de escopolamina, atua como antagonista dos receptores de acetilcolina; o Buscopan contém esse fármaco. O butilbrometo de escopolamina antagoniza competitivamente os receptores muscarínicos da acetilcolina, competindo com ela pelo mesmo local.

Em cólicas abdominais, musculares ou uterinas, a acetilcolina participa da contração da musculatura lisa. Quando ocupa o receptor em concentração suficiente, a butilescopolamina reduz essa contração: o bloqueio promove relaxamento da musculatura lisa e alívio da dor de cólica. A resposta depende da causa da dor e das características individuais do paciente. A menção ao ácido mefenâmico como opção para dor uterina está parcialmente corrompida.

Eliminação do antagonista

Com a filtração sanguínea e a eliminação do fármaco, a concentração de butilescopolamina diminui. A eliminação renal contribui para a remoção do butilbrometo de escopolamina do organismo.

À medida que o antagonista deixa de ocupar os receptores, a acetilcolina pode voltar a exercer sua função fisiológica em quantidade normal. Como ela permanece presente no intestino, mas a condição que produzia a contração foi controlada, a função fisiológica pode ser mantida sem a dor anterior.

Sítio alostérico e conformação

O antagonista alostérico atua em um sítio diferente daquele ocupado pelo agonista. Assim, o receptor apresenta dois locais de ligação: o agonista liga se a um deles, enquanto o antagonista ocupa outro.

A ligação do antagonista modifica a conformação do receptor e impede ou reduz a ação do agonista. Quando o antagonista é eliminado, o receptor pode recuperar sua conformação, permitindo que o agonista volte a exercer sua função.

Organofosforados e ligação persistente

Os antagonistas não competitivos podem ligar se de modo irreversível ao receptor ou ocupar o mesmo sítio do agonista por uma ligação que não se desfaz facilmente. O antagonista substitui o agonista e permanece ligado ao receptor. A intoxicação por inseticidas organofosforados constitui exemplo de exposição capaz de produzir ligação persistente a enzimas, especialmente em situações ocupacionais ou de tentativa de suicídio, com manifestações como sudorese intensa.

Receptores beta adrenérgicos

Distribuição dos receptores beta

As catecolaminas incluem adrenalina e noradrenalina. Entre os receptores adrenérgicos, destacam se alfa 1, alfa 2, beta 1 e beta 2. Os receptores beta 1 são abundantes no coração, enquanto os beta 2 estão presentes especialmente no pulmão.

A estimulação beta 1 por adrenalina e noradrenalina aumenta a frequência e a força de contração do coração. Esse aumento da atividade cardíaca eleva o débito cardíaco. Nos vasos, a adrenalina ativa receptores alfa e causa vasoconstrição.

Beta 2 e broncodilatação

No pulmão, a estimulação dos receptores beta 2 por adrenalina e noradrenalina promove relaxamento da musculatura lisa e broncodilatação. Assim, essas catecolaminas podem aumentar a passagem de ar pelas vias respiratórias.

O bloqueio desses receptores pode impedir a broncodilatação promovida pelas catecolaminas e precipitar broncoconstrição em pacientes com doença pulmonar clínica ou subclínica.

Propranolol e broncoconstrição

O propranolol é um betabloqueador não seletivo: bloqueia receptores beta 1 e beta 2. O bloqueio beta 1 reduz a frequência e a força cardíaca, diminuindo o débito cardíaco e a pressão arterial. Entretanto, o bloqueio beta 2 impede a broncodilatação e pode desencadear crise de insuficiência respiratória em pacientes com asma, bronquite ou predisposição pulmonar, mesmo quando não existe história respiratória claramente reconhecida. O propranolol também pode precipitar broncoconstrição em pacientes com doença pulmonar clínica ou subclínica.

Metoprolol e seletividade beta 1

O metoprolol é um betabloqueador mais seletivo para os receptores beta 1, com bloqueio mínimo dos receptores beta 2. Por essa razão, é uma opção mais adequada para o controle da hipertensão do paciente com quadro asmático, embora permaneça algum bloqueio beta 2.

Entre os betabloqueadores, o atenolol também apresenta seletividade, embora menor que a do metoprolol. Foi mencionada uma seletividade aproximada de 91% para beta 1 e inferior a 10% para beta 2.

Alternativas ao betabloqueio

Em alguns pacientes, mesmo um betabloqueador seletivo pode não ser a opção mais segura. Nesses casos, podem ser considerados fármacos de outras classes, como enalapril e captopril, que são inibidores da enzima conversora de angiotensina, e losartana, que é antagonista do receptor AT1 da angiotensina II.

A seleção depende das condições clínicas, das contraindicações e das características individuais do paciente.

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas
A estimulação excessiva pode levar o organismo a diminuir o número de receptores.
A menor eficácia de um agonista parcial está relacionada à sua menor capacidade de ativar o receptor em comparação com um agonista pleno.
O propranolol é um fármaco beta bloqueador não seletivo.

Reflexão Sion

Cuidado que enxerga o todo

Na farmacodinâmica, o efeito depende do encaixe entre fármaco e receptor: bloquear beta 2 com propranolol pode piorar a respiração de quem tem asma. Isso nos lembra que cuidado verdadeiro exige atenção à pessoa inteira, porque uma escolha aparentemente útil pode atingir outro lugar e causar dano. Jesus oferece vida plena e nos convida a buscar um cuidado atento, responsável e cheio de esperança.

Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.João 10:10

Leia e reflita sobre o cuidado que considera o todo.

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