Sion Academy

Ciclo Básico4 PeríodoPropedêutica IICapítulo 1

Aula 1 Introdução Sinais Vitais

Veja os principais aspectos do rastreamento neonatal:

Duracao: 12 min

Topicos da aula

  • Introdução

Overview

Visão Geral de Propedêutica Médica e Sinais Vitais

A presente aula oferece uma visão panorâmica e integrada da propedêutica médica, conectando a triagem neonatal do hipotireoidismo congênito e a evolução epidemiológica das doenças aos pilares fundamentais da avaliação clínica e dos sinais vitais. Ao longo do estudo, serão detalhadas as técnicas padronizadas para a aferição da frequência cardíaca, da pressão arterial e da frequência respiratória, incluindo o manejo de achados semiológicos essenciais como a taquicardia e o hiato auscultatório. Adicionalmente, examinam se os padrões respiratórios patológicos, a fisiopatologia da coarctação da aorta e os cuidados com a termometria e o monitoramento farmacológico.

1. Manifestações Clínicas e Triagem Neonatal

Manifestações Clínicas do Hipotireoidismo Congênito Neonatal

Ademais, a suplementação com ácido fólico atua no fechamento do tubo neural. Historicamente, o hipotireoidismo neonatal também é associado historicamente ao termo cretinismo, termo associado à alta prevalência do distúrbio em populações isoladas, como na Ilha de Creta.

O hipotireoidismo congênito manifesta se com rarefação capilar (cabelos esparsos). A falta de hormônios tireoidianos causa prejuízo severo e irreversível ao desenvolvimento do sistema nervoso central, culminando em déficit intelectual permanente. O diagnóstico mais brilhante decorre de um achado elementar.

Triagem Neonatal e Cobertura do Teste do Pezinho

Veja os principais aspectos do rastreamento neonatal:

  • Painel de Triagem: O teste do pezinho simplificado detecta fibrose cística, fenilcetonúria, galactosemia e hipotireoidismo neonatal.
  • Prevalência Atual: O hipotireoidismo neonatal é uma doença que raramente é vista hoje em dia devido ao teste realizado no Brasil.
  • Conduta Terapêutica: O diagnóstico precoce do hipotireoidismo congênito permite a reposição hormonal imediata, assegurando o desenvolvimento neurológico e físico normal da criança.
  • Momento da Coleta: deve ser realizada obrigatoriamente após 48 horas de vida do recém nascido.

2. Evolução Temporal e Epidemiologia das Doenças

Transição Epidemiológica e Reemergência de Doenças Infecciosas

O perfil epidemiológico das doenças apresenta variações temporais marcantes. Enquanto enfermidades como a varíola foram erradicadas globalmente no final do século XX, outras como a sífilis sofreram reafloramentos devido a alterações do comportamento sexual quanto a episódios históricos de desabastecimento de penicilina benzatina.

Paralelamente, observa se um aumento sustentado na incidência de neoplasias malignas, refletindo modificações nos hábitos de vida, maior exposição a fatores ambientais e aumento da idade parental ao conceber, o que eleva a taxa de mutações genéticas de linha germinativa. Em populações indígenas isoladas com reprodução consanguínea, certas doenças tornam se mais prevalentes.

Riscos da Exposição Ionizante em Métodos Diagnósticos

Estima se que aproximadamente 10% dos casos de neoplasia nos Estados Unidos podem estar relacionados à exposição excessiva à radiação ionizante de exames diagnósticos solicitados inadvertidamente. Uma única tomografia computadorizada abdominal expõe o paciente a uma dose de radiação equivalente a quatro anos de radiação natural de fundo. Nos Estados Unidos, a tomografia é considerada um exame muito barato, custando menos que o ultrassom. Além disso, exames como o PET CT equivalem a cerca de dez anos de radiação ambiental, tornando indispensável o uso criterioso dos métodos diagnósticos.

3. Propedêutica dos Sinais Vitais

Parâmetros e Sinais Vitais Primários

Os sinais vitais primários compreendem a frequência cardíaca, a frequência respiratória e a pressão arterial. A frequência cardíaca normal varia entre 60 e 100 batimentos por minuto. A saturação de oxigênio é considerada um índice adicionado aos quatro sinais vitais, exigindo o uso de um oxímetro para sua aferição. Na hipertensão arterial sistêmica com perfil hiperdinâmico, o coração bate com intensidade.

Anatomia Vascular e Técnica de Palpação

O pulso radial é utilizado para a aferição da pulsação. Do tronco braquiocefálico originam se duas artérias principais: a artéria subclávia e a artéria carótida, sendo que a artéria subclávia é a estrutura responsável pela irrigação do membro superior. Um erro propedêutico clássico consiste em medir a frequência cardíaca ao utilizar o próprio polegar, uma vez que o polegar possui uma pulsação própria que pode confundir o examinador durante o exame.

Avaliação Propedêutica dos Ritmos e Arritmias Cardíacas

A bradicardia pode ser fisiológica, ocorrendo em atletas de alta performance com frequências de repouso entre 38 e 40 bpm, ou induzida por fármacos como betabloqueadores e digitálicos. Uma frequência cardíaca acima de 100 bpm também pode ser fisiológica. Analisando o ritmo cardíaco, é possível supor diagnósticos arrítmicos, como na fibrilação atrial, em que o ritmo é irregularmente irregular. A extrassístole caracteriza se por um batimento cardíaco precoce seguido de pausa compensadora. Na presença de arritmia, a contagem do pulso deve ser mantida obrigatoriamente por 60 segundos completos.

Resposta de Cushing e Frequência Cardíaca no Trauma

Algo frequentemente cobrado em provas é o comportamento da frequência cardíaca no trauma, situação que pode decorrer de eventos como um acidente de carro com traumatismo cranioencefálico, tendo ou não alteração na escala de Glasgow, associado à hipertensão intracraniana (decorrente de contusão ou sangramento encefálico). A identificação de bradicardia em um contexto traumático constitui um sinal de alarme para hipertensão intracraniana grave. Em pacientes hipovolêmicos perdendo sangue, o coração compensa batendo mais rápido. Essa atenção à bradicardia no trauma é um conceito fundamental e recorrente em provas de atendimento ao trauma, como o ATLS.

4. Aferição e Dinâmica da Pressão Arterial

Passos Fundamentais para Medição da Pressão Arterial

Para a medição da pressão arterial, o paciente deve estar confortavelmente sentado, com o braço apoiado na altura do coração. O esfigmomanômetro é o aparelho utilizado para aferir a pressão arterial, geralmente na artéria braquial. O manguito deve ser posicionado mantendo se dois a três centímetros acima da fossa cubital.

Durante a insuflação do manguito, estima se o nível da pressão sistólica pela palpação do pulso radial durante a insuflação do manguito; no momento em que o pulso radial desaparece, determina se a estimativa da pressão sistólica palpada. Em seguida, para a ausculta da pressão arterial, utiliza se a campânula do estetoscópio na porção medial da prega cubital. A campânula deve apenas acoplar suavemente na pele, sem compressão excessiva, pois a pressão do estetoscópio estica a pele subjacente, fazendo a atuar como um diafragma e atenuando os sons de baixa frequência.

Sons de Korotkoff e Hiato Auscultatório

Após inflar o manguito cerca de 20 a 30 mmHg acima do ponto de desaparição do pulso radial, os sons de Korotkoff são ouvidos durante a aferição. Desse modo, o primeiro som auscultado na aferição da pressão arterial corresponde à pressão sistólica (Fase I de Korotkoff).

O último som auscultado corresponde à pressão diastólica. A pressao diastolica e o ultimo som ouvido, nao devendo ser confundida com o hiato auscultatório, que ocorre em pacientes com esclerose vascular acentuada. O hiato auscultatório é um espaço onde o som some para voltar a aparecer depois. Assim, o hiato auscultatório pode ser registrado entre parênteses após a medida da pressão arterial.

Alterações Pressóricas e Contraindicações no Membro

Se houver diferença na pressão arterial de um braço para o outro, deve se usar como parâmetro a maior medida. Diferenças de pressão sistólica superiores a 15 mmHg entre os membros superiores indicam estenose da artéria subclávia ou doença aórtica. Leituras diastólicas que persistem até o valor zero sugerem insuficiência da valva aórtica. A fístula de diálise e a linfadenectomia da região axilar são contraindicações para a medida da pressão arterial no membro correspondente.

Estadiamento Clínico da Hipertensão e Hipotensão Ortostática

Parâmetro ClínicoCritérios e LimiaresAchados e Conduta
Hipotensão OrtostáticaQueda sistólica 20 mmHgA hipotensão postural pode ser avaliada medindo se a pressão arterial com o paciente deitado e em pé, associada à Síndrome da Taquicardia Postural Ortostática (POTS).
Fisiologia do DecúbitoMenor esforço cardíacoEm decúbito, o coração realiza menor esforço para bombear o sangue devido à menor distância hidrostática.
Hipertensão Estágio 1130 139 ou 80 89 mmHgNo estágio 1 de hipertensão, a terapia anti hipertensiva isolada geralmente é suficiente, enquanto no estágio 2 há necessidade de início de terapia medicamentosa. Em pacientes diabéticos ou com doença microvascular, almeja se níveis pressóricos mais baixos em comparação à população geral.
Pressão Arterial NormalSistólica ≤ 120 e Diastólica ≤ 80Valores de referência considerados normais para adultos na avaliação clínica rotineira.

Resumo dos parâmetros hemodinâmicos e estadiamento pressórico.

Abordagem Propedêutica Global no Exame Cardiovascular

O atendimento clínico envolve a realização de uma anamnese completa e um exame físico cardiovascular completo para a correta investigação dos distúrbios pressóricos e estratificação de risco do paciente.

5. Coarctação da Aorta e Hipertensão Secundária

Fisiopatologia Hemodinâmica da Coarctação da Aorta

A coarctação da aorta é um estreitamento congênito do lúmen aórtico, situado logo após o arco aórtico, localizado tipicamente na aorta torácica descendente. Essa alteração representa uma causa importante de hipertensão arterial secundária, onde um nível pressórico colossal em uma criança ajuda a conferir convicção ao diagnóstico de que há algo gravemente errado.

A malformação divide o organismo em duas hemodinâmicas distintas: um território pré coarctação (membros superiores e sistema nervoso central) submetido a um fluxo normográvido ou hiperdinâmico, e um território pós coarctação (membros inferiores e vísceras abdominais) submetido a hipoperfusão sistêmica com consequente redução de pressão e fluxo.

Ativação do SRAA e Assimetria de Pulsos

A hipoperfusão renal crônica resulta da diminuição do fluxo sanguíneo na aorta descendente. A redução da perfusão renal provocada pela coarctação da aorta dispara a ativação do sistema renina angiotensina aldosterona (SRAA). A secreção maciça de renina desencadeia vasoconstrição sistêmica e retenção hídrica com o objetivo de restaurar a pressão de perfusão renal.

Como consequência, o indivíduo desenvolve hipertensão arterial grave nos membros superiores, acompanhada por pulsos débeis ou ausentes nos membros inferiores (como na artéria femoral, poplítea, tibial posterior e dorsal do pé). O exame físico inclui a avaliação de pulsos, como o pulso radial, artéria ulnar, pulso dorsal do pé e tibial posterior. O quadro é refratário ao tratamento farmacológico convencional, sendo necessária a correção cirúrgica ou endovascular do estreitamento aórtico.

6. Semiologia do Padrão Respiratório

Técnica de Aferição Discreta da Frequência Respiratória

A avaliação da frequência respiratória deve ser realizada de forma discreta, sem que o paciente perceba a contagem. O valor fisiológico normal varia de 16 a 21 incursões respiratórias por minuto em adultos. O aviso prévio induz o indivíduo a alterar voluntariamente a profundidade e o ritmo da respiração, invalidando a aferição. Durante o exame, deve se prestar atenção no uso de musculatura acessória, aerofagia, batimento de asas do nariz e tiragem.

O ciclo respiratório divide se em fases de inspiração e expiração, categorizadas em subfases proto, meso e tele (inicial, média e final). No registro gráfico da respiração, a linha superior representa a inspiração, a linha inferior representa a expiração e a linha horizontal representa o período de apneia.

Padrões Respiratórios de Cheyne Stokes, Biot e Kussmaul

A taquipneia caracteriza se pelo aumento do número de movimentos respiratórios por minuto, enquanto a hiperpneia caracteriza se por uma respiração mais profunda. A respiração mais lenta (bradipneia) também pode ocorrer.

  1. Identificar DPOC: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) apresenta como característica comum a dificuldade do paciente esvaziar os pulmões e expirar, sendo um conjunto de sinais e problemas com dificuldade de eliminar o ar.
  2. Reconhecer Cheyne Stokes: Respiração de Cheyne Stokes: É caracterizada por uma polipneia ascendente e descendente, seguida de apneia. Ocorre em insuficiência cardíaca grave, acidentes vasculares encefálicos e lesões do sistema nervoso central.
  3. Analisar Biot: Respiração de Biot (ou Atáxica): Também conhecida como respiração atáxica, apresenta ritmo completamente irregular na amplitude e na frequência, sem padrão definido, associado a severo dano bulbar e hipertensão intracraniana.
  4. Identificar Kussmaul: Composta por inspirações amplas e profundas seguidas de uma breve pausa, com expirações rápidas e novas pausas apneicas. É clássica da cetoacidose diabética e ocorre em situações de acidose, como na acidose metabólica decorrente de complicações do diabetes ou pelo uso de certas medicações (como na intoxicação por ácido acetilsalicílico).

7. Termometria e Monitoramento Farmacológico

Ritmo Circadiano Térmico e Termometria Corporal

A aferição da temperatura corporal retal é a medida central mais precisa do ponto de vista fisiológico. Atualmente, utiliza se rotineiramente a temperatura axilar. Em contrapartida, o cortisol apresenta pico pela manhã e níveis mais baixos ao final da tarde.

O organismo humano exibe um ritmo térmico circadiano acoplado à regulação endócrina, apresentando nadir térmico matinal e variações diárias de até 1 °C.

Farmacovigilância de Antiagregantes Plaquetários e Anticoagulantes Orais

O ácido acetilsalicílico (AAS) é um antiagregador plaquetário que atua impedindo a tromboxano sintetase e alterando a função primária da coagulação. Além disso, a intoxicação por ácido acetilsalicílico (AAS) pode causar quadros de acidose e respiração de Kussmaul. O uso de antiagregadores plaquetários pode causar hematomas e hemorragias, assim como o emprego de anticoagulantes orais como varfarina, dabigatrana e rivaroxabana.

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas
Na hipertensão intracraniana em pacientes politraumatizados, deve se atentar para sinais como a bradicardia, sendo um conceito cobrado em provas de atendimento ao trauma como o ATLS.
É preciso tomar cuidado em situações de gravidade ao realizar provas de atendimento ao trauma (ATLS).

Reflexão Sion

O Fôlego da Graça

Na acidose metabólica, o paciente apresenta a respiração de Kussmaul como um esforço exaustivo para expelir a toxicidade e restaurar o equilíbrio do sangue. Da mesma maneira, muitas vezes tentamos criar mecanismos próprios e desgastantes na tentativa de corrigir nossos erros e aliviar a consciência. Contudo, é a obra de Jesus que nos concede o perdão definitivo, substituindo o peso dos nossos esforços humanos pelo fôlego leve da graça imerecida.

Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.Efésios 2:8 9

Descubra o alívio do perdão.

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