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Aula 3 Operações Fundamentais em Cirurgia
A sequência cirúrgica organiza as operações fundamentais em uma progressão integrada.
Topicos da aula
- Operações Fundamentais
Overview
Operações Fundamentais em Cirurgia
As operações fundamentais formam a base de procedimentos cirúrgicos complexos e seguem uma sequência lógica: diérese, hemostasia e síntese. A diérese promove o acesso e a separação dos tecidos; a hemostasia controla o sangramento e deve acompanhar a abertura do campo; e a síntese reorganiza os planos e favorece a cicatrização. Ao longo da aula, você verá como escolher instrumentos, respeitar os limites anatômicos, preservar estruturas vasculonervosas e selecionar técnicas de fechamento conforme a tensão, o tecido e a contaminação. O princípio central é executar cada etapa com precisão, mantendo a exposição adequada, reduzindo lesões e preparando o campo para a fase seguinte.
Conceito e sequência das operações fundamentais
Definição e sequência das operações
As operações fundamentais são as etapas cirúrgicas essenciais e constituem as partes cirúrgicas mais importantes do procedimento. Atos cirúrgicos simples associados permitem realizar operações complexas. As operações fundamentais incluem diérese, hemostasia e síntese. Essa sequência é seguida durante o procedimento.
A diérese compreende o acesso, a incisão e a separação dos tecidos. A hemostasia consiste no controle do sangramento, que pode ser discreto e ainda assim interferir na visualização do campo operatório. A corresponde ao rearranjo e à reconstrução dos tecidos, com fechamento das estruturas abertas, reconexão dos planos e favorecimento da cicatrização.
Princípios da ordem cirúrgica
A sequência cirúrgica organiza as operações fundamentais em uma progressão integrada.
- Etapa: As operações fundamentais devem obedecer a princípios rigorosos para manter a harmonia durante o procedimento.
- Etapa: Inicie pela diérese, que inclui o acesso e a incisão.
- Etapa: Realize a hemostasia simultaneamente à abertura dos tecidos.
- Etapa: Finalize com a síntese, etapa final da sequência cirúrgica.
- Etapa: Execute adequadamente cada fase para melhorar a exposição do campo, reduzir complicações, favorecer o fechamento das feridas e contribuir para uma evolução cirúrgica mais organizada.
Diérese
Instrumentos básicos de diérese
Os instrumentos de diérese realizam as primeiras incisões e os acessos cirúrgicos. Entre eles estão o cabo do bisturi e as lâminas 11, 15 e 23.
A lâmina 11 é indicada para incisões mais pontuais, enquanto as lâminas 15 e 23 podem ser escolhidas conforme a necessidade técnica. A seleção do bisturi considera a profundidade, a extensão e a precisão exigidas.
Tesouras por delicadeza e função
A tesoura de Metzenbaum é delicada e destinada principalmente ao corte e à dissecção de tecidos, podendo apresentar formato reto ou curvo. A tesoura de Mayo é mais grosseira e costuma ser utilizada para cortar fios, materiais e estruturas de maior resistência.
A tesoura de Potts possui uma extremidade angulada e é frequentemente empregada em cirurgia vascular para abrir vasos arteriais e venosos. Portanto, a tesoura delicada deve ser preservada para tecidos, enquanto a tesoura grosseira deve ser reservada para materiais mais resistentes.
Bisturi frio versus elétrico
A incisão pode ser realizada com bisturi frio ou bisturi elétrico. O bisturi elétrico apresenta, de modo geral, os modos de corte e coagulação. Na pele, o modo de coagulação deve ser evitado quando não for necessário, pois pode produzir marcas e queimaduras; por isso, o modo de corte é preferível para a abertura da pele.
O bisturi frio costuma ser utilizado na primeira incisão porque produz bordas mais regulares e facilita o fechamento posterior. Recomenda se que a pele e a primeira camada do tecido subcutâneo sejam abertas inicialmente com bisturi, pois o bisturi elétrico pode deixar sinais de queimadura.
Traçado e regularidade das incisões
A incisão deve ter traçado retilíneo, bom afastamento dos tecidos e bordas regulares. Essas características favorecem a coaptação no fechamento, a cicatrização e o resultado estético. A incisão biselada pode ser empregada na retirada de lesões cutâneas ou superficiais, com leve angulação da lâmina.
A incisão denteada pode surgir quando há dificuldade técnica nos primeiros cortes. Quando as bordas estão irregulares, pode ser necessária a retirada adicional de tecido durante a correção, com possibilidade de pior resultado estético.
Acessos extensos e secção óssea
Em laparotomias amplas e situações de emergência, a incisão em arco de violino pode proporcionar acesso rápido, embora seja mais incisiva e menos precisa. Para a secção óssea, a serra de Gigli, manual ou elétrica, permite corte rápido e é utilizada principalmente em amputações.
Após a secção óssea, emprega se uma lima para regularizar a extremidade e remover possíveis espículos ósseos. De modo geral, as serras são utilizadas principalmente em cirurgias ortopédicas e em algumas neurocirurgias.
Diferenças entre secção e dissecção
A secção é o ato de cortar com tesoura, serra, lâmina afiada ou instrumento elétrico. Já a dissecção consiste em separar e individualizar as partes, especialmente os tecidos e seus planos, antes do corte. Para a dissecção tecidual, deve se utilizar a tesoura de Metzenbaum, que é delicada e de fácil manuseio. Ela permite deslocar tecidos, separar camadas e individualizar os planos antes do corte.
A tesoura de Mayo não é indicada para dissecção, pois é grosseira e pode danificar o tecido.
Separação tecidual e afastamento
Na divulsão, as fibras dos tecidos são separadas com ruptura dos elementos interfasciculares. Essa separação pode ser feita cuidadosamente com afastadores, que ajudam a abrir, divulsionar e expor os planos teciduais sem causar lesões.
Em cirurgias de hérnia inguinal, o tecido subcutâneo pode ser afastado até a identificação das fáscias. Assim, os planos são separados sem cortes repetidos, queimaduras ou manipulação excessiva com tesouras, favorecendo a exposição do campo e reduzindo lesões desnecessárias.
Punção, Veress e trocarte
Os instrumentos perfurantes podem ser usados para drenar coleções líquidas, coletar fragmentos e líquidos ou injetar contraste. Na laparoscopia, a agulha de Veress é especialmente empregada na primeira punção da técnica fechada; o trocarte também é utilizado durante o procedimento.
Pode se conectar à agulha uma seringa de 10 ou 20 mL com pequena quantidade de soro fisiológico. Se o líquido descer por gravidade, sem necessidade de força, considera se que a agulha está na cavidade abdominal, permitindo o início da laparoscopia.
Dilatação endoscópica de estenoses
A dilatação é observada principalmente em procedimentos endoscópicos. Após a ingestão de substâncias cáusticas, pacientes podem desenvolver estenose importante do esôfago, com estreitamento acentuado.
Nesses casos, utilizam se dilatadores endoscópicos para aumentar o diâmetro de canais e orifícios fisiológicos que sofreram estreitamento. A estenose também pode estar relacionada à ingestão de álcool ou de outros materiais capazes de produzir lesões.
Princípios técnicos do acesso cirúrgico
Extensão adequada do acesso
A via de acesso deve ter extensão suficiente para proporcionar boa visibilidade e permitir o trabalho adequado no campo operatório, mas não deve ser maior do que o necessário. Incisões extensas produzem lesão tecidual mais ampla. Quanto maior a incisão, maior a lesão tecidual e maior a resposta endócrino metabólica ao trauma.
No início do treinamento, a dificuldade técnica pode levar à realização de incisões maiores. Com a experiência, os acessos tendem a ser reduzidos, com melhora da técnica cirúrgica e da cicatrização.
Abertura cirúrgica plano a plano
A abertura cirúrgica deve avançar de forma organizada, acompanhando cada plano anatômico.
- Etapa: Abra os tecidos plano a plano, respeitando os limites anatômicos.
- Etapa: Não aprofunde uma extremidade da incisão até a fáscia ou a aponeurose enquanto a extremidade oposta ainda permanece no tecido subcutâneo.
- Etapa: Realize a diérese e a hemostasia simultaneamente, mantendo o campo operatório mais limpo, melhorando a visualização e reduzindo o risco de lesão das estruturas profundas.
Proteção do feixe vasculonervoso
É necessário conhecer bem a anatomia para evitar lesões dos feixes vasculonervosos. Na toracocentese, a agulha deve ser introduzida junto à borda superior da costela inferior, pois o feixe vasculonervoso percorre a região inferior da costela superior.
A introdução pela borda inferior da costela superior pode lesar vasos e nervos, causando dor intensa e sangramento. Embora o procedimento seja usado para drenar um empiema ou derrame pleural, a entrada inadequada pode produzir hemotórax.
Toracocentese e entrada segura
A toracocentese é um procedimento em que uma agulha é introduzida para alcançar a pleura. Durante a entrada, o instrumento deve acompanhar a borda superior da costela inferior.
A dissecção deve ser progressiva, com secagem contínua dos tecidos e respeito aos limites anatômicos. A lesão do feixe vasculonervoso pode explicar a dor e o sangramento após o procedimento; por isso, durante o treinamento, é essencial compreender os planos anatômicos e a direção correta da entrada para reduzir complicações previsíveis.
Linhas de força e deiscência
As incisões devem respeitar as linhas de força da pele. Quando essas linhas são ignoradas, a tensão exercida sobre a ferida pode levar à abertura da sutura. Por isso, uma incisão horizontal não deve ser fechada verticalmente quando a orientação das forças favorecer a abertura.
Essa preocupação é particularmente relevante nas costas, onde os movimentos dos braços podem aumentar a tensão sobre a ferida. A deiscência pode provocar dor, necessidade de reestruturação da sutura e restrição dos movimentos por aproximadamente 15 dias.
Direção das fibras e evisceração
As aponeuroses devem ser seccionadas na direção de suas fibras. Ignorar essa orientação favorece cicatrização inadequada e abertura dos planos.
O conhecimento das linhas de tensão da pele, do tecido subcutâneo e da aponeurose é essencial tanto para a abertura quanto para o fechamento correto. Após uma laparotomia, a perda de tensão do fio pode causar evisceração, com exteriorização das vísceras.
Hemostasia
Hemostasia durante a diérese
A hemostasia é a segunda etapa das operações fundamentais, mas ocorre em contato permanente com a diérese: a abertura dos tecidos deve ser acompanhada pelo controle do sangramento. A hemostasia é um processo complexo destinado a limitar a perda sanguínea decorrente de lesões vasculares.
Ela não é necessária apenas em lesões vasculares complexas ou em sangramentos intensos. Quando adequada, melhora a visualização do campo cirúrgico, aumenta o rendimento do procedimento, favorece uma cirurgia mais rápida e reduz intercorrências.
Condições clínicas que dificultam hemostasia
A qualidade da hemostasia não depende apenas da habilidade, da rapidez ou da destreza do cirurgião; a condição clínica do paciente também interfere. Uremia, alterações plaquetárias, distúrbios da coagulação e doenças hematológicas podem dificultar o controle do sangramento e a cicatrização.
Em cirurgias eletivas, as alterações da coagulação devem ser controladas previamente. Doenças do fibrinogênio, plaquetopenia, alargamento do TAP e o uso de rivaroxabana, varfarina ou clopidogrel influenciam o processo hemostático.
Pinças fundamentais para hemostasia
Entre os instrumentos hemostáticos mais utilizados estão as pinças mosquito de Halsted, Kelly e Crile. Em questões de prova, podem ser cobrados os nomes das pinças relacionadas à hemostasia. A pinça mosquito de Halsted é utilizada para hemostasia, enquanto Kelly e Crile estão entre as mais usadas para esse fim.
A pinça mosquito é delicada e pode ser empregada para reparo, manejo de fios e hemostasia de vasos pequenos. A pinça Allis é utilizada principalmente para apreender ou apoiar tecidos e geralmente não é utilizada para pinçar vasos. As pinças podem realizar pinçamentos temporários, que eventualmente se transformam em ligaduras definitivas; a escolha depende do calibre do vaso, da intensidade do sangramento e da possibilidade de reconstrução.
Diferenças entre pinças hemostáticas
As pinças Kelly apresentam ranhuras até aproximadamente a metade da parte funcional e podem ser usadas em vasos finos ou em situações mais grosseiras, embora permaneçam relativamente delicadas. A pinça de Crile tem ranhuras ao longo de toda a parte funcional e também pode ser utilizada para apreensão e hemostasia.
A pinça Halsted é mais delicada e possui versões retas e curvas: a mosquito reta é utilizada para reparo de fios, enquanto a curva é empregada principalmente para hemostasia. Já as pinças K.E.M.S. possuem ranhuras até o final da pinça.
Pinçamento vascular temporário
Os pinçamentos vasculares temporários interrompem provisoriamente o fluxo para permitir a visualização ou a reconstrução do vaso e são utilizados principalmente em cirurgia vascular. Podem ser realizados com pinças vasculares, incluindo Pindog e Satinsky; esta última é uma pinça vascular grande e curva.
Esse procedimento deve ser executado com cuidado, pois pode ser traumático e causar lesão vascular. Durante o pinçamento vascular temporário, deve se evitar tracionar os vasos. As artérias podem apresentar maior facilidade de reconstrução em razão da camada média, enquanto a anastomose venosa pode ser tecnicamente difícil. Quando ela não é possível, a veia pode precisar ser ligada, resultando em edema persistente do membro e dificuldade de reconstrução posterior.
Compressão como controle temporário
A compressão é uma forma simples de hemostasia temporária. Enquanto se aguardam materiais, comprimir o tecido com uma compressa reduz o sangramento e o hematoma, melhora a dor, diminui o edema pós operatório e ajuda a manter o campo mais seco. Ela também pode ser digital, quando um dedo é colocado diretamente sobre um vaso pequeno.
O sangramento venoso tende a cessar com compressão, enquanto o sangramento arterial pode exigir clampeamento, ligadura ou outro método definitivo.
Tamponamento aplicado à epistaxe
O tamponamento é um método de hemostasia utilizado em situações de sangramento e pode ser empregado em casos de epistaxe intensa. A epistaxe pode ser tratada com compressão utilizando gaze ou compressa; quando os recursos são limitados, também pode ser usado material improvisado, como um dedo de luva.
A área de Kiesselbach, localizada na região anterior do nariz, costuma responder à compressão direta, compressa fria e tamponamento. Em sangramentos mais intensos ou posteriores, pode ser necessária uma sonda; uma sonda de Foley pode ser utilizada para tamponar sangramentos mais profusos. Sangramentos posteriores, traumáticos ou relacionados a procedimentos cirúrgicos podem ser mais difíceis de controlar.
Exames e história do sangramento
Na avaliação pré operatória, combine a história clínica com os exames laboratoriais para investigar distúrbios hemorrágicos.
- Exames: A avaliação laboratorial da hemostasia inclui TTPa, TAP e contagem de plaquetas.
- Epistaxe: A história clínica deve investigar epistaxe sem causa definida.
- Hematomas e petéquias: Devem ser investigados quando recorrentes.
- Sangramento prolongado: Deve ser investigado após ferimentos ou cirurgias.
- História hemorrágica: Deve incluir sangramento em procedimentos odontológicos e menorragia.
- Medicamentos: A história clínica deve investigar o uso de medicamentos.
- Varfarina: Pacientes em uso de varfarina podem apresentar aumento do tempo de protrombina, dado relevante para decidir se o procedimento pode ser realizado.
Torniquete e risco de isquemia
O manguito ou torniquete pode proporcionar hemostasia temporária em situações de trauma, especialmente quando o campo está muito contaminado por sangue. A compressão permite visualizar melhor o campo, identificar o vaso e realizar sua ligadura ou encaminhar o paciente a um cirurgião vascular ou geral. O método deve ser cuidadosamente controlado devido ao risco de isquemia do membro e lesão nervosa; seu uso é temporário e não deve ser mantido por muito tempo.
Adrenalina na epistaxe grave
A adrenalina pode ser utilizada para hemostasia farmacológica, especialmente na epistaxe muito grave, por meio de um tampão embebido na substância.
Em pacientes cardiopatas, deve se ter cautela, pois a absorção na área tratada pode provocar taquiarritmias e outros efeitos adversos.
Vasoconstritor e necrose periférica
A lidocaína com vasoconstritor pode ser utilizada como medida auxiliar e aplicada no tampão para auxiliar na hemostasia. Entretanto, deve se evitar seu uso indiscriminado em regiões periféricas, como pontas dos dedos, nariz e orelhas, pois a vascularização dificultada pode favorecer isquemia e necrose. A aplicação direta de lidocaína com norepinefrina pode causar necrose.
Passos da ligadura definitiva
- Etapa: Obtenha a hemostasia definitiva pela ligadura completa do vaso.
- Etapa: Inicialmente, realiza se o pinçamento temporário com uma pinça hemostática.
- Etapa: Em seguida, passa se o fio ao redor do vaso e confecciona se o nó cirúrgico.
- Etapa: Pode se utilizar fio agulhado ou não agulhado; o fio sem agulha facilita a passagem ao redor do vaso, especialmente quando a pinça permanece segurando temporariamente a estrutura.
- Etapa: Confirme o resultado visualizando diretamente o vaso e verificando se o sangramento cessou.
Fios para ligar vasos
Na ligadura, pode se usar um fio de algodão não absorvível multifilamentar, como o número 2 0. Também é possível realizar a ligadura com fio absorvível, como o categute, utilizando a agulha para passar ao redor do vaso e confeccionar o nó. Outra opção é o fio de Vicryl.
Após a passagem do fio por trás ou por baixo do vaso, realiza se o nó e, posteriormente, libera se a pinça. Assim, a ligadura permite o controle direto do vaso e constitui uma das formas mais eficientes de hemostasia definitiva.
Cauterização e selamento vascular
A cauterização constitui outra forma de hemostasia definitiva. O bisturi elétrico pode realizar coagulação nos modos monopolar ou bipolar. Também existem pinças que promovem o selamento dos vasos e, simultaneamente, realizam sua secção.
Esses dispositivos tornam a hemostasia mais rápida durante a diérese e são importantes em diferentes procedimentos cirúrgicos.
Clipes e grampos em cirurgia
Os clipes são utilizados principalmente em cirurgias da vesícula e do cólon. Podem ser metálicos ou plásticos e são particularmente empregados em cirurgias por vídeo, embora também possam ser usados em operações abertas. Geralmente, não são utilizados clipes absorvíveis.
O grampo mostrado é um Hem o lok, de plástico e usado para vasos mais calibrosos, aplicado com pinça específica. O Ligaclip 300 é frequentemente utilizado em cirurgias da vesícula, onde pode ser usado para clampear o ducto cístico e a artéria cística. Embora a artéria cística não seja muito calibrosa, seu sangramento pode produzir hematoma e instabilidade clínica.
Síntese
Princípios para escolher a síntese
A síntese é a última etapa das operações fundamentais. Para escolher o material, considere a biocompatibilidade, a possibilidade de alergia, pois alguns pacientes podem apresentar resposta desfavorável, a força tênsil e a elasticidade do material.
A decisão também depende do sítio anatômico, da tensão a que a sutura será submetida e do grau de contaminação da ferida, que também orienta essa escolha. O fio deve manter força suficiente durante o período necessário para a cicatrização do tecido; por isso, não se deve selecionar o mesmo material para estruturas submetidas a forças diferentes.
Força tênsil e seleção do fio
A escolha do fio deve considerar o tecido a ser suturado e o tempo necessário de sustentação. O categute, cuja força tênsil permanece aproximadamente por 5 a 7 dias, pode ser adequado para determinados tecidos, mas não para regiões submetidas a tensão prolongada.
Também devem ser consideradas a reação inflamatória, a qualidade do fio, o custo e a facilidade de manuseio. Além disso, avaliam se a facilidade de interiorização e a maleabilidade do fio. O fio ideal mantém força suficiente pelo período apropriado, provoca mínima reação tecidual e apresenta custo compatível com o procedimento e com o paciente.
Agulhas e porta agulhas
A síntese utiliza fios, agulhas, porta agulhas e pinças auxiliares, incluindo pinças de dente de rato e pinças de ponta. A escolha das agulhas deve considerar a angulação: as agulhas mais anguladas são indicadas para tecidos profundos, pois facilitam a passagem e a recuperação da ponta dentro da cavidade abdominal.
Agulhas menos anguladas podem ser empregadas em tecidos superficiais. A agulha reta é pouco utilizada, mas pode ser observada em procedimentos de suspensão do ovário. Agulhas retas também podem ser utilizadas em cirurgias de endometriose que exigem suspensão do ovário.
Comparação entre tipos de fios
| Classificação | Exemplos ou características | Manuseio e efeitos teciduais |
|---|---|---|
| Absorvíveis | Categute e Monocryl | Monocryl: absorvível, sintético e monofilamentar; apresenta absorção relativamente rápida e baixa reação tecidual |
| Inabsorvíveis | Nylon frequentemente utilizado na pele | — |
| Monofilamentares | Fios sintéticos monofilamentares: maior memória e podem ser mais difíceis de manusear | Fios monofilamentares são menos maleáveis; apresentam menor adesão bacteriana e menor reação inflamatória |
| Multifilamentares | Mais maleáveis; permitem melhor fixação dos nós | Podem favorecer maior retenção de microrganismos e provocam maior reação inflamatória |
Comparação das principais características dos fios cirúrgicos.
Controle manual do porta agulha
O porta agulha convencional deve ser segurado com os dois dedos apropriados, permitindo estabilização da mão e controle do movimento. Esse controle facilita a passagem regular da agulha e reduz traumatismos nos tecidos.
O porta agulha de Mathieu abre e fecha diretamente na mão e pode ser útil em campos cirúrgicos difíceis, especialmente em cirurgias delicadas, nas quais a movimentação manual é limitada.
Organização e segurança do nó
O nó cirúrgico deve seguir um padrão organizado: se o fio estiver orientado para a frente, o movimento do nó deve acompanhar a orientação correspondente; se estiver para trás, o movimento deve ser ajustado em sentido contrário.
Quando o fio e o nó são tracionados para o mesmo lado, a execução inadequada pode produzir um nó falso. Para manter a segurança sem compressão excessiva, o nó deve ser travado por movimentos alternados.
Ponto como unidade da síntese
O ponto cirúrgico é a unidade da síntese. Ele corresponde ao segmento de fio entre duas passagens pela estrutura e proporciona fixação e sustentação à ferida operatória.
O nó comum é o primeiro nó utilizado. Já o nó duplo apresenta uma laçada adicional e maior segurança, sendo particularmente útil na hemostasia definitiva de sangramentos arteriais, pois permite realizar dois nós antes do travamento final.
Nó de sapateiro sob tensão
O nó de sapateiro é indicado quando existe tensão entre as bordas da ferida. Ele melhora o travamento quando o tecido tende a se afastar, desde que a direção da tensão seja considerada e a aproximação dos tecidos seja mantida.
Assim, deve ser lembrado como alternativa para feridas submetidas a maior força de tração.
Nó com auxílio de pinças
Quando o fio é muito curto, há dificuldade para realizar o nó. Nesse cenário, duas pinças hemostáticas podem ser utilizadas como extensão das mãos: cada uma prende uma extremidade do fio, permitindo sua manipulação e a formação do nó.
A técnica exige maior habilidade do cirurgião ou do acadêmico em treinamento, mas facilita a sutura quando o comprimento reduzido impede a manipulação direta adequada.
Coaptação sem compressão excessiva
A sutura deve respeitar os tecidos e incluir a mesma profundidade em ambos os lados. Se um lado for apreendido superficialmente e o outro profundamente, o tecido assumirá aspecto irregular, semelhante a uma escada.
O nó deve aproximar e travar as bordas, sem ser apertado excessivamente. A compressão exagerada pode produzir uma depressão do tecido ou um abaulamento invertido, comprometendo a coaptação e a vascularização local.
Ponto simples separado
O ponto simples separado é o tipo de sutura habitual e mais comum, por isso deve ser dominado durante a formação cirúrgica. Mesmo profissionais de áreas clínicas podem precisar realizá lo em plantões, acessos venosos centrais ou situações de urgência.
Embora pareça simples, sua execução exige treino, destreza e conhecimento dos planos anatômicos. Cada ponto deve aproximar adequadamente as bordas, sem produzir tensão excessiva.
Ponto em U vertical
O ponto em U vertical é realizado com passagens que formam a configuração de um U. A agulha passa pelo tecido e retorna em posição correspondente, permitindo maior sustentação das bordas.
Sua execução é relativamente simples quando a profundidade e a direção das passagens são compreendidas. A escolha deve considerar a tensão da ferida e a necessidade de suporte adicional.
Resistência em Alta Tensão
O ponto de Donati é escolhido quando a linha de tensão é muito grande, especialmente em cirurgias grandes com elevada tensão na linha de sutura. Em comparação com o ponto simples, é mais forte.
Além disso, o ponto de Donati é geralmente muito firme e hemostático. A característica hemostática é reforçada quando o ponto é descrito como longe longe e perto perto, sendo bem hemostático.
Técnica e Indicação Clínica
O ponto de Donati é realizado com a sequência longe longe e depois perto perto. A agulha passa inicialmente longe da borda, retorna e realiza passagens mais próximas, formando o travamento; o nó fica na mesma linha.
O ponto é geralmente hemostático e muito firme, sendo mais forte que o nó simples. Sua principal indicação é o sangramento intenso no tecido subcutâneo; o tipo de cirurgia associado permanece incerto.
Medidas e espaçamento dos pontos
Como referência, considera se aproximadamente 0,5 cm de distância de cada lado da borda, usando o porta agulha para estimar a medida. Em algumas situações, utiliza se cerca de 1 cm entre os pontos.
Essas medidas devem ser adaptadas à espessura do tecido, à tensão da ferida e ao objetivo da sutura. A regularidade favorece a distribuição equilibrada das forças e um melhor aspecto do fechamento.
Ponto horizontal em feridas contaminadas
O ponto horizontal segue princípio semelhante ao do ponto em U habitual, mas é realizado no sentido horizontal. Também pode apresentar efeito hemostático. Na pele, seu uso é menos frequente em determinadas práticas, nas quais se prefere o ponto intradérmico ou a sutura contínua.
Em feridas com possibilidade de contaminação, utilizam se pontos separados, pois um segmento pode ser removido seletivamente para drenagem, lavagem ou limpeza do subcutâneo. Na infecção do tecido subcutâneo ou do sítio cirúrgico, pode ser necessário abrir a sutura para drenar, lavar ou limpar a região.
Execução da sutura contínua
A sutura contínua simples combina fixação inicial e passagem repetida do fio para aproximar as bordas da ferida.
- Etapa: Inicie a sutura contínua simples, também denominada chuleio simples, com um ponto habitual que fixa o fio.
- Etapa: Conduza o fio repetidamente pelas bordas, como em uma costura.
- Etapa: Utilize o método quando for necessário fechar rapidamente uma ferida da face, do braço ou da perna em situações emergenciais.
- Etapa: Considere o chuleio simples para cortes lineares com bordas bem definidas e regulares, avaliando adequadamente a contaminação e a tensão.
- Etapa: Um corte por faca com bordas bem definidas pode ser tratado com chuleio simples.
Chuleio ancorado sob tensão
O chuleio ancorado é uma sutura contínua na qual o fio passa sucessivamente pelo tecido e é travado durante o percurso. Assim, cada segmento permanece preso enquanto o fechamento avança.
É especialmente útil em feridas submetidas a tensão elevada. A indicação depende da configuração da ferida, da tensão e da necessidade de rapidez no fechamento.
Sutura intradérmica e estética
A sutura intradérmica é realizada na camada mais interna da pele e apresenta resultado estético favorável. É frequentemente utilizada em cirurgias plásticas e em feridas nas quais se busca melhor aparência da cicatriz.
Em geral, utiliza se fio monofilamentar. A técnica exige adequada aproximação das bordas e controle da tensão, pois o resultado depende da passagem regular do fio dentro do plano dérmico.
Momento adequado para retirar fios
O período de permanência dos fios varia conforme o local, a tensão, o tipo de ferida e a evolução da cicatrização. Como referência, menciona se a retirada em aproximadamente 10 a 15 dias.
Quando necessário, os fios podem ser mantidos por um período um pouco maior para reduzir o risco de deiscência. A decisão deve acompanhar a resistência da ferida e a possibilidade de outras complicações relacionadas à retirada precoce.
Grampos mecânicos para fechamento
Os grampeadores mecânicos permitem o fechamento rápido da pele com grampos metálicos. O dispositivo é semelhante a um grampeador comum e produz fechamento ágil, com resultado estético adequado.
Esse método pode reduzir o consumo de fios e manter elevada força de tensão. É utilizado com maior frequência em alguns locais, incluindo os Estados Unidos, mas pode não estar igualmente disponível em todos os serviços.
Fitas adesivas em cortes selecionados
As fitas adesivas para síntese apresentam baixa reação tecidual e podem ser utilizadas em cortes delicados. Sua indicação depende da qualidade do corte, da estabilidade das bordas e da necessidade de sustentação.
Não são apropriadas para feridas grosseiras, submetidas a tensão elevada ou com bordas irregulares. Quando corretamente aplicadas, podem complementar ou substituir outros métodos de fechamento em situações selecionadas.
Dicas Para Provas
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
|---|
| Os nomes das pinças relacionadas à hemostasia podem ser cobrados em questões de prova. |
| É importante memorizar os nomes das pinças relacionadas aos tempos cirúrgicos para a prova. |
| A avaliação laboratorial da hemostasia pode ser cobrada em prova. |
| A avaliação laboratorial da hemostasia inclui o TTPa, o TAP e a contagem de plaquetas. |
| Geralmente, não são utilizados clipes absorvíveis. |
| A escolha do fio deve considerar a facilidade de interiorização e a maleabilidade. |
| A classificação e as características dos fios cirúrgicos são questões que caem em prova. |
| O chunk menciona, como exemplos de fios cobrados em prova, termos cuja identificação está parcialmente ambígua. |
Reflexão Sion
Cuidado que restaura
Na cirurgia, diérese, hemostasia e síntese precisam seguir uma sequência cuidadosa: abrir, controlar o sangramento e reconstruir para favorecer a cicatrização. Isso nos lembra que restauração verdadeira exige atenção às feridas, contenção do dano e cuidado paciente com cada parte da vida. Em Jesus, encontramos esperança porque ele não ignora nossas feridas, mas se aproxima para cuidar e restaurar.
Ele cura os de coração quebrantado e cuida das suas feridas.Salmos 147:3
Leia e reflita: o que precisa ser tratado e reconstruído em você?