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MedVet6 PeríodoCirurgia de Cães e Gatos IP2

Paralisia de Laringe em Pequenos Animais

Na paralisia de laringe bilateral a laringe permanece estática, impedindo o fluxo de ar de forma significativa; o paciente apresenta esforço respiratório intenso, estridor inspiratório marcante, cianose, respiração ofegante, hipoxemia<

Duracao: 11 min

Topicos da aula

  • Paralisia de Laringe

Overview

Visão Geral da Paralisia de Laringe

A paralisia de laringe difere do colapso por ser uma falha de inervação que imobiliza as cartilagens, enquanto o colapso resulta de flacidez por esforço crônico; a forma mais comum é a GOLPP, polineuropatia geriátrica que afeta o Labrador e cursa com megaesôfago. Na emergência o paciente apresenta estridor inspiratório, hipoxemia, hipertermia e risco de morte, exigindo sequência imediata: ambiente calmo, oxigênio, sedação com butorfanol e corticoterapia ( dexametasona ); se falhar, intubação ou traqueostomia de resgate. O diagnóstico definitivo é a laringoscopia sob propofol dose‑efeito, e o tratamento cirúrgico padrão é a lateralização unilateral (tie‑back), evitando a bilateralização que eleva a pneumonia aspirativa a quase 100%; alternativa é a traqueostomia permanente. No pós‑operatório a prevenção de regurgitação e a alimentação em almôndegas são essenciais, e o espirro reverso deve ser diferenciado por ser benigno e autolimitado.

Fisiopatologia e Etiologia

Diferenciando Colapso de Laringe e Paralisia

A laringe é composta por diversas cartilagens interligadas e sustentadas por bandas musculares finas, cuja função principal é abrir a glote durante a inspiração e fechá la durante a deglutição, protegendo as vias aéreas. Distúrbios respiratórios nas vias aéreas superiores podem resultar em dois quadros distintos que geram sinais clínicos semelhantes de obstrução e dispneia: o colapso de laringe e a paralisia de laringe.

O colapso de laringe é uma evolução decorrente de afecções crônicas em vias aéreas anteriores. O esforço inspiratório crônico (devido a tosse severa, por exemplo) sobrecarrega os músculos e as cartilagens, levando à flacidez e consequente desabamento estrutural da laringe. Por outro lado, a paralisia de laringe ocorre quando há uma falha na inervação ou na musculatura, impedindo o movimento de abdução e adução das cartilagens, mantendo as estáticas (abertas, fechadas ou lateralizadas) e obstruindo a passagem de ar.

Principais Causas e Etiologias da Paralisia

A paralisia de laringe pode ser desencadeada por diversas causas. Fatores iatrogênicos ou traumáticos incluem a remoção traumática de corpos estranhos ou lesões cirúrgicas. Além disso, traumas como intubação agressiva ou manipulação do nervo laríngeo recorrente em cirurgias podem levar à paralisia de laringe. Cirurgias torácicas, como a correção da Persistência do Ducto Arterioso (PDA), podem causar lesão direta ao nervo laríngeo recorrente, resultando na paralisia. Além disso, distúrbios sistêmicos como o hipotireoidismo são ocasionalmente associados à afecção. No entanto, a causa mais frequente na rotina clínica de emergência possui origem degenerativa e neurológica progressiva.

Polineuropatia Geriátrica e a Síndrome GOLPP

A apresentação mais clássica é a Polineuropatia Associada à Paralisia de Laringe de Início Geriátrico, conhecida pelo acrônimo GOLPP. Trata se de uma degeneração neurológica progressiva que afeta cães idosos de raças de grande porte. A raça Labrador Retriever, em especial o Labrador Chocolate, apresenta notável predisposição para esta condição. Por ser uma polineuropatia, a paralisia laríngea frequentemente não é o único sinal: os pacientes podem apresentar déficits motores e proprioceptivos nos membros pélvicos, frequentemente confundidos com distúrbios ortopédicos ou de coluna, e dismotilidade esofágica ou megaesôfago, manifestando se clinicamente através de engasgos, pigarro crônico e regurgitação antes mesmo do agravamento do quadro respiratório.

Apresentação Clínica e Quadro Emergencial

Sinais Clínicos e Identificação da Crise

Na paralisia de laringe bilateral a laringe permanece estática, impedindo o fluxo de ar de forma significativa; o paciente apresenta esforço respiratório intenso, estridor inspiratório marcante, cianose, respiração ofegante, hipoxemia (oximetria podendo atingir 87% ) e hipercapnia. Esse esforço respiratório excessivo causa atrito na mucosa das vias aéreas anteriores, levando à inflamação e ao edema, o que estreita ainda mais a passagem do ar. O esforço respiratório contínuo e a impossibilidade de dissipar calor eficientemente levam rapidamente a um quadro de hipertermia severa. É importante observar também que a paralisia de laringe pode ocorrer em conjunto com o megaesôfago, resultando em episódios de engasgos e regurgitação.

Manejo e Estabilização Emergencial

Estabilização Emergencial e Manejo com Oxigênio

Neste contexto, a estabilização emergencial do paciente respiratório inclui o manejo em ambiente calmo e fresco. A prioridade absoluta é interromper o ciclo de esforço respiratório e hipertermia antes de qualquer procedimento diagnóstico.

  1. Priorizar estabilização emergencial sobre diagnóstico e histórico detalhado.
  2. Alocar paciente em ambiente calmo e fresco para minimizar estresse e auxiliar no controle térmico.
  3. A oxigenioterapia deve ser instituída imediatamente (via máscara, flow by ou gaiola de oxigênio).
  4. Além disso, o uso de gaiola de oxigênio é uma forma de oferecer suporte de oxigênio ao paciente estabilizado.
  5. Complementarmente, o manejo clínico pós crise consiste em manter o animal sem estresse e sem estímulos.

Protocolo de Sedação e Uso do Butorfanol

A sedação é um passo mandatório na emergência para reduzir ansiedade e frequência respiratória. O fármaco de eleição é o butorfanol, devido à sua segurança, efeito teto e ausência de depressão respiratória significativa, sendo ideal para pacientes obstrutivos.

Na indisponibilidade do butorfanol, a acepromazina pode ser utilizada em baixas doses para sedação, embora possa causar efeitos como hipotensão e hipotermia. Em situações de crise respiratória, o protocolo de emergência deve associar essa sedação à oxigenoterapia.

Controle do Edema com Corticosteroides

O turbilhonamento do ar forçado pela fenda laríngea estenosada gera atrito significativo, resultando em inflamação severa e edema da mucosa local, o que estreita ainda mais a via aérea. O uso imediato de um corticosteroide de ação rápida, como a dexametasona em dose anti inflamatória, é imperativo para reduzir o edema de glote na emergência, o que auxilia na melhora clínica ao diminuir significativamente o esforço respiratório.

Caso o paciente faça uso crônico de anti inflamatórios não esteroidais (AINEs) para comorbidades ortopédicas, deve se avaliar o risco benefício, priorizando o uso do corticoide para a sobrevivência respiratória, recomendando a suspensão temporária do AINE e instituindo proteção gástrica.

Intubação e Traqueostomia de Emergência

Se as medidas clínicas conservadoras (oxigênio, sedação e corticoterapia) não resultarem em melhora ou se o paciente apresentar apneia ou colapso iminente, procedimentos de resgate devem ser instituídos imediatamente. Estes incluem a intubação orotraqueal de emergência sob indução anestésica ou, em casos onde a intubação é impossível devido ao edema estrutural massivo, a realização de uma traqueostomia de emergência para garantir a permeabilidade da via aérea e permitir a ventilação.

A traqueostomia é o procedimento de emergência indicado quando as vias aéreas estão totalmente obstruídas. É importante ressaltar que a estabilização temporária do paciente não resolve o problema mecânico da paralisia de laringe.

Diagnóstico

Fundamentos Clínicos e Diagnóstico Definitivo

A investigação da paralisia de laringe segue uma sequência lógica: da avaliação clínica à confirmação por endoscopia.

  • Abordagem Clínica Inicial: baseada em anamnese, histórico, resenha e exame físico do paciente
  • Estabilização Prévia: qualquer procedimento cirúrgico só deve ser realizado após a plena estabilização clínica do animal
  • Exames Complementares: necessários após a estabilização do quadro clínico inicial para fechar o diagnóstico
  • Diagnóstico Definitivo: requer obrigatoriamente a laringoscopia para observação direta das cartilagens laríngeas
  • Laringoscopia Diagnóstica: inspeção visual da laringe com o paciente sedado permite identificar a maioria dos problemas obstrutivos
  • Equipamento Portátil: dispositivos portáteis de endoscopia acoplados ao celular podem ser usados para realizar a laringoscopia

Protocolo Anestésico e Interpretação Visual

O exame definitivo exige sedação controlada e observação sistemática da motilidade laríngea.

  1. Etapa 1: Induzir anestesia leve com propofol titulado, evitando planos profundos que mascarem a motilidade.
  2. Etapa 2: Realizar laringoscopia e identificar a epiglote; na laringe saudável, observa se a movimentação rítmica de abertura e fechamento das cartilagens aritenoides.
  3. Etapa 3: Comparar com achados da paralisia: cartilagens paradas e, por vezes, bordas edemaciadas.
  4. Etapa 4: Usar butorfanol com cautela, pois pode dificultar a avaliação da motilidade laríngea por aprofundar a sedação.
  5. Etapa 5: Caso o plano anestésico induza apneia temporária ou a sedação fique profunda, administrar doxapram para estimular a respiração e forçar ciclos inspiratórios.
  6. Etapa 6: Avaliar o movimento das cartilagens durante o esforço respiratório provocado, confirmando paralisia bilateral ou unilateral.

Exames Complementares e Investigação de Comorbidades

Antes da cirurgia definitiva, é obrigatório descartar doenças concomitantes: realizam se radiografias torácicas para excluir metástases, pneumonia aspirativa ou alterações cardiopulmonares, além de radiografias cervicais e ultrassonografia para investigar massas tireoidianas, e exames de sangue completos (hemograma e bioquímico).

A radiografia torácica não permite diagnosticar a paralisia de laringe, pois é um exame estático.

Por isso, é fundamental incluir a avaliação da função tireoidiana. Existe uma linha de raciocínio que associa a paralisia de laringe ao hipotireoidismo.

Tratamento Cirúrgico e Manejo

Fundamentos e Acesso da Lateralização

O tratamento para paralisia de laringe é a lateralização cirúrgica da cartilagem aritenóide. A cirurgia de lateralização da laringe envolve a cartilagem aritenóide e a cartilagem cricóide.

A cirurgia é realizada por acesso cervical externo com afastamento da musculatura. Durante a cirurgia, a cartilagem aritenóide é descolada e fixada na cartilagem cricóide para manter a via aérea aberta.

A cirurgia de lateralização da laringe é considerada complexa e baseada em grande parte na palpação devido à visibilidade limitada.

Protocolo Unilateral e Gestão de Riscos

A lateralização da aritenoide deve ser obrigatoriamente unilateral; a abordagem bilateral eleva a incidência de pneumonia por aspiração a patamares inaceitáveis, próximos de 100%. Evite tração excessiva (pregueamento agressivo), pois isso predispõe à formação de falsa via no pós operatório imediato. Apesar do alto índice de intercorrências da técnica, o risco de óbito por insuficiência respiratória em pacientes não operados supera os riscos cirúrgicos.

Controle de Êmese e Cuidados Perioperatórios

No período perioperatório, a administração de antieméticos e corticoides deve ser feita antes do início da cirurgia. Essa medida é vital para prevenir náuseas, vômitos e regurgitação, pois as vias aéreas do paciente estarão permanentemente abertas após a fixação da cartilagem.

Contudo, deve se estar atento pois, no pós operatório imediato, o animal ainda pode apresentar náuseas e vômitos exacerbados, representando um risco crítico de aspiração.

Traqueostomia Permanente como Alternativa Cirúrgica

Em casos onde não há equipe com expertise cirúrgica para a lateralização da aritenoide, ou em cenários específicos, a traqueostomia permanente pode ser adotada. Esta técnica desvia o fluxo de ar permanentemente, aliviando o sintoma respiratório.

Contudo, ela introduz novos desafios clínicos substanciais, incluindo a necessidade de manutenção diária rigorosa do estoma para evitar obstruções por muco e as limitações na natação e banho do animal. Além disso, embora essa alternativa elimine o risco de pneumonia por aspiração decorrente da ingestão, ela impõe o risco clínico de entrada direta de corpos estranhos na traqueia. Dessa forma, o manejo de um paciente com traqueostomia definitiva deve ser cuidadoso para evitar complicações.

Manejo Pós Operatório e Prevenção de Complicações

Prevenção da Pneumonia Aspirativa Pós Operatória

Devido à fixação permanente de uma via aérea aberta e ao potencial acometimento neurológico esofágico prévio, como o megaesôfago na GOLPP, o risco de pneumonia por aspiração é extremamente alto no pós operatório, representando o maior desafio do período. É fundamental ressaltar que animais submetidos à cirurgia de laringe podem ter uma sobrevida curta se desenvolverem essa pneumonia.

Para mitigar esse risco, recomenda se a administração de medicação para diminuir a acidez gástrica uma hora antes da cirurgia. O uso de metoclopramida é indicado tanto no pré quanto no pós operatório, sendo útil no manejo desses pacientes para o controle da motilidade gastrointestinal e da náusea. Além disso, é importante notar que pacientes braquicefálicos também podem apresentar náuseas importantes no pós operatório de procedimentos de vias aéreas.

A utilização da cisaprida, um pró cinético que acelera o esvaziamento gástrico para prevenir o refluxo, é descrita na literatura, embora seu uso no pós operatório de laringe seja controverso e não recomendado por alguns pesquisadores atuais.

Manejo Nutricional e Cuidados de Longo Prazo

Após a lateralização da aritenoide, o paciente precisa reaprender a deglutir devido à alteração mecânica da laringe. Água e alimentos possuem potencial para desvio de falsa via, por isso a alimentação deve ser reiniciada através de pequenas porções moldadas (almôndegas), evitando dietas puramente líquidas ou secas esfareladas, que apresentam maior facilidade de penetrar as vias aéreas desprotegidas.

evitar o estresse, a agitação intensa, a exposição a altas temperaturas e o uso de coleiras cervicais, sendo mandatório o uso exclusivo de peitorais.

Considerações Adicionais: Espirro Reverso

Diferencial Importante: O Espirro Reverso

O espirro reverso é um reflexo nasofaríngeo benigno e autolimitado, caracterizado pela extensão cervical e intensas inspirações ruidosas. Trata se de uma condição benigna, autolimitante, mais comum em cães de pequeno porte, e que raramente requer intervenção medicamentosa contínua ou cirúrgica, diferentemente da paralisia de laringe, que representa risco iminente de asfixia.

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas
Na laringoscopia para diagnóstico de paralisia de laringe, recomenda se o uso de doxapram para estimular a respiração.

Reflexão Sion

Quando o sintoma revela o sistema

A paralisia laríngea geriátrica (GOLPP) não é um defeito isolado da laringe, mas a ponta visível de uma polineuropatia degenerativa que já silenciosamente compromete o esôfago e os membros posteriores. Da mesma forma, nossas crises espirituais — ansiedade, vazio, quebras de relacionamento — raramente são o problema raiz; elas expõem um sistema interno desconectado do seu Designer. Jesus não oferece apenas um 'tie back' paliativo para aliviar o sintoma; Ele propõe uma regeneração completa, restaurando a comunhão que sustenta todo o ser.

Cura me, Senhor, e serei curado; salva me, e serei salvo, porque tu és o meu louvorJeremias 17:14

Leia Jeremias 17 e veja como o Grande Médico trata a raiz, não apenas o ruído.

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