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Paralisia de Laringe em Pequenos Animais
Na paralisia de laringe bilateral a laringe permanece estática, impedindo o fluxo de ar de forma significativa; o paciente apresenta esforço respiratório intenso, estridor inspiratório marcante, cianose, respiração ofegante, hipoxemia<
Topicos da aula
- Paralisia de Laringe
Overview
Visão Geral da Paralisia de Laringe
A paralisia de laringe difere do colapso por ser uma falha de inervação que imobiliza as cartilagens, enquanto o colapso resulta de flacidez por esforço crônico; a forma mais comum é a GOLPP, polineuropatia geriátrica que afeta o Labrador e cursa com megaesôfago. Na emergência o paciente apresenta estridor inspiratório, hipoxemia, hipertermia e risco de morte, exigindo sequência imediata: ambiente calmo, oxigênio, sedação com butorfanol e corticoterapia ( dexametasona ); se falhar, intubação ou traqueostomia de resgate. O diagnóstico definitivo é a laringoscopia sob propofol dose‑efeito, e o tratamento cirúrgico padrão é a lateralização unilateral (tie‑back), evitando a bilateralização que eleva a pneumonia aspirativa a quase 100%; alternativa é a traqueostomia permanente. No pós‑operatório a prevenção de regurgitação e a alimentação em almôndegas são essenciais, e o espirro reverso deve ser diferenciado por ser benigno e autolimitado.
Fisiopatologia e Etiologia
Diferenciando Colapso de Laringe e Paralisia
A laringe é composta por diversas cartilagens interligadas e sustentadas por bandas musculares finas, cuja função principal é abrir a glote durante a inspiração e fechá la durante a deglutição, protegendo as vias aéreas. Distúrbios respiratórios nas vias aéreas superiores podem resultar em dois quadros distintos que geram sinais clínicos semelhantes de obstrução e dispneia: o colapso de laringe e a paralisia de laringe.
O colapso de laringe é uma evolução decorrente de afecções crônicas em vias aéreas anteriores. O esforço inspiratório crônico (devido a tosse severa, por exemplo) sobrecarrega os músculos e as cartilagens, levando à flacidez e consequente desabamento estrutural da laringe. Por outro lado, a paralisia de laringe ocorre quando há uma falha na inervação ou na musculatura, impedindo o movimento de abdução e adução das cartilagens, mantendo as estáticas (abertas, fechadas ou lateralizadas) e obstruindo a passagem de ar.
Principais Causas e Etiologias da Paralisia
A paralisia de laringe pode ser desencadeada por diversas causas. Fatores iatrogênicos ou traumáticos incluem a remoção traumática de corpos estranhos ou lesões cirúrgicas. Além disso, traumas como intubação agressiva ou manipulação do nervo laríngeo recorrente em cirurgias podem levar à paralisia de laringe. Cirurgias torácicas, como a correção da Persistência do Ducto Arterioso (PDA), podem causar lesão direta ao nervo laríngeo recorrente, resultando na paralisia. Além disso, distúrbios sistêmicos como o hipotireoidismo são ocasionalmente associados à afecção. No entanto, a causa mais frequente na rotina clínica de emergência possui origem degenerativa e neurológica progressiva.
Polineuropatia Geriátrica e a Síndrome GOLPP
A apresentação mais clássica é a Polineuropatia Associada à Paralisia de Laringe de Início Geriátrico, conhecida pelo acrônimo GOLPP. Trata se de uma degeneração neurológica progressiva que afeta cães idosos de raças de grande porte. A raça Labrador Retriever, em especial o Labrador Chocolate, apresenta notável predisposição para esta condição. Por ser uma polineuropatia, a paralisia laríngea frequentemente não é o único sinal: os pacientes podem apresentar déficits motores e proprioceptivos nos membros pélvicos, frequentemente confundidos com distúrbios ortopédicos ou de coluna, e dismotilidade esofágica ou megaesôfago, manifestando se clinicamente através de engasgos, pigarro crônico e regurgitação antes mesmo do agravamento do quadro respiratório.
Apresentação Clínica e Quadro Emergencial
Sinais Clínicos e Identificação da Crise
Na paralisia de laringe bilateral a laringe permanece estática, impedindo o fluxo de ar de forma significativa; o paciente apresenta esforço respiratório intenso, estridor inspiratório marcante, cianose, respiração ofegante, hipoxemia (oximetria podendo atingir 87% ) e hipercapnia. Esse esforço respiratório excessivo causa atrito na mucosa das vias aéreas anteriores, levando à inflamação e ao edema, o que estreita ainda mais a passagem do ar. O esforço respiratório contínuo e a impossibilidade de dissipar calor eficientemente levam rapidamente a um quadro de hipertermia severa. É importante observar também que a paralisia de laringe pode ocorrer em conjunto com o megaesôfago, resultando em episódios de engasgos e regurgitação.
Manejo e Estabilização Emergencial
Estabilização Emergencial e Manejo com Oxigênio
Neste contexto, a estabilização emergencial do paciente respiratório inclui o manejo em ambiente calmo e fresco. A prioridade absoluta é interromper o ciclo de esforço respiratório e hipertermia antes de qualquer procedimento diagnóstico.
- Priorizar estabilização emergencial sobre diagnóstico e histórico detalhado.
- Alocar paciente em ambiente calmo e fresco para minimizar estresse e auxiliar no controle térmico.
- A oxigenioterapia deve ser instituída imediatamente (via máscara, flow by ou gaiola de oxigênio).
- Além disso, o uso de gaiola de oxigênio é uma forma de oferecer suporte de oxigênio ao paciente estabilizado.
- Complementarmente, o manejo clínico pós crise consiste em manter o animal sem estresse e sem estímulos.
Protocolo de Sedação e Uso do Butorfanol
A sedação é um passo mandatório na emergência para reduzir ansiedade e frequência respiratória. O fármaco de eleição é o butorfanol, devido à sua segurança, efeito teto e ausência de depressão respiratória significativa, sendo ideal para pacientes obstrutivos.
Na indisponibilidade do butorfanol, a acepromazina pode ser utilizada em baixas doses para sedação, embora possa causar efeitos como hipotensão e hipotermia. Em situações de crise respiratória, o protocolo de emergência deve associar essa sedação à oxigenoterapia.
Controle do Edema com Corticosteroides
O turbilhonamento do ar forçado pela fenda laríngea estenosada gera atrito significativo, resultando em inflamação severa e edema da mucosa local, o que estreita ainda mais a via aérea. O uso imediato de um corticosteroide de ação rápida, como a dexametasona em dose anti inflamatória, é imperativo para reduzir o edema de glote na emergência, o que auxilia na melhora clínica ao diminuir significativamente o esforço respiratório.
Caso o paciente faça uso crônico de anti inflamatórios não esteroidais (AINEs) para comorbidades ortopédicas, deve se avaliar o risco benefício, priorizando o uso do corticoide para a sobrevivência respiratória, recomendando a suspensão temporária do AINE e instituindo proteção gástrica.
Intubação e Traqueostomia de Emergência
Se as medidas clínicas conservadoras (oxigênio, sedação e corticoterapia) não resultarem em melhora ou se o paciente apresentar apneia ou colapso iminente, procedimentos de resgate devem ser instituídos imediatamente. Estes incluem a intubação orotraqueal de emergência sob indução anestésica ou, em casos onde a intubação é impossível devido ao edema estrutural massivo, a realização de uma traqueostomia de emergência para garantir a permeabilidade da via aérea e permitir a ventilação.
A traqueostomia é o procedimento de emergência indicado quando as vias aéreas estão totalmente obstruídas. É importante ressaltar que a estabilização temporária do paciente não resolve o problema mecânico da paralisia de laringe.
Diagnóstico
Fundamentos Clínicos e Diagnóstico Definitivo
A investigação da paralisia de laringe segue uma sequência lógica: da avaliação clínica à confirmação por endoscopia.
- Abordagem Clínica Inicial: baseada em anamnese, histórico, resenha e exame físico do paciente
- Estabilização Prévia: qualquer procedimento cirúrgico só deve ser realizado após a plena estabilização clínica do animal
- Exames Complementares: necessários após a estabilização do quadro clínico inicial para fechar o diagnóstico
- Diagnóstico Definitivo: requer obrigatoriamente a laringoscopia para observação direta das cartilagens laríngeas
- Laringoscopia Diagnóstica: inspeção visual da laringe com o paciente sedado permite identificar a maioria dos problemas obstrutivos
- Equipamento Portátil: dispositivos portáteis de endoscopia acoplados ao celular podem ser usados para realizar a laringoscopia
Protocolo Anestésico e Interpretação Visual
O exame definitivo exige sedação controlada e observação sistemática da motilidade laríngea.
- Etapa 1: Induzir anestesia leve com propofol titulado, evitando planos profundos que mascarem a motilidade.
- Etapa 2: Realizar laringoscopia e identificar a epiglote; na laringe saudável, observa se a movimentação rítmica de abertura e fechamento das cartilagens aritenoides.
- Etapa 3: Comparar com achados da paralisia: cartilagens paradas e, por vezes, bordas edemaciadas.
- Etapa 4: Usar butorfanol com cautela, pois pode dificultar a avaliação da motilidade laríngea por aprofundar a sedação.
- Etapa 5: Caso o plano anestésico induza apneia temporária ou a sedação fique profunda, administrar doxapram para estimular a respiração e forçar ciclos inspiratórios.
- Etapa 6: Avaliar o movimento das cartilagens durante o esforço respiratório provocado, confirmando paralisia bilateral ou unilateral.
Exames Complementares e Investigação de Comorbidades
Antes da cirurgia definitiva, é obrigatório descartar doenças concomitantes: realizam se radiografias torácicas para excluir metástases, pneumonia aspirativa ou alterações cardiopulmonares, além de radiografias cervicais e ultrassonografia para investigar massas tireoidianas, e exames de sangue completos (hemograma e bioquímico).
A radiografia torácica não permite diagnosticar a paralisia de laringe, pois é um exame estático.
Por isso, é fundamental incluir a avaliação da função tireoidiana. Existe uma linha de raciocínio que associa a paralisia de laringe ao hipotireoidismo.
Tratamento Cirúrgico e Manejo
Fundamentos e Acesso da Lateralização
O tratamento para paralisia de laringe é a lateralização cirúrgica da cartilagem aritenóide. A cirurgia de lateralização da laringe envolve a cartilagem aritenóide e a cartilagem cricóide.
A cirurgia é realizada por acesso cervical externo com afastamento da musculatura. Durante a cirurgia, a cartilagem aritenóide é descolada e fixada na cartilagem cricóide para manter a via aérea aberta.
A cirurgia de lateralização da laringe é considerada complexa e baseada em grande parte na palpação devido à visibilidade limitada.
Protocolo Unilateral e Gestão de Riscos
A lateralização da aritenoide deve ser obrigatoriamente unilateral; a abordagem bilateral eleva a incidência de pneumonia por aspiração a patamares inaceitáveis, próximos de 100%. Evite tração excessiva (pregueamento agressivo), pois isso predispõe à formação de falsa via no pós operatório imediato. Apesar do alto índice de intercorrências da técnica, o risco de óbito por insuficiência respiratória em pacientes não operados supera os riscos cirúrgicos.
Controle de Êmese e Cuidados Perioperatórios
No período perioperatório, a administração de antieméticos e corticoides deve ser feita antes do início da cirurgia. Essa medida é vital para prevenir náuseas, vômitos e regurgitação, pois as vias aéreas do paciente estarão permanentemente abertas após a fixação da cartilagem.
Contudo, deve se estar atento pois, no pós operatório imediato, o animal ainda pode apresentar náuseas e vômitos exacerbados, representando um risco crítico de aspiração.
Traqueostomia Permanente como Alternativa Cirúrgica
Em casos onde não há equipe com expertise cirúrgica para a lateralização da aritenoide, ou em cenários específicos, a traqueostomia permanente pode ser adotada. Esta técnica desvia o fluxo de ar permanentemente, aliviando o sintoma respiratório.
Contudo, ela introduz novos desafios clínicos substanciais, incluindo a necessidade de manutenção diária rigorosa do estoma para evitar obstruções por muco e as limitações na natação e banho do animal. Além disso, embora essa alternativa elimine o risco de pneumonia por aspiração decorrente da ingestão, ela impõe o risco clínico de entrada direta de corpos estranhos na traqueia. Dessa forma, o manejo de um paciente com traqueostomia definitiva deve ser cuidadoso para evitar complicações.
Manejo Pós Operatório e Prevenção de Complicações
Prevenção da Pneumonia Aspirativa Pós Operatória
Devido à fixação permanente de uma via aérea aberta e ao potencial acometimento neurológico esofágico prévio, como o megaesôfago na GOLPP, o risco de pneumonia por aspiração é extremamente alto no pós operatório, representando o maior desafio do período. É fundamental ressaltar que animais submetidos à cirurgia de laringe podem ter uma sobrevida curta se desenvolverem essa pneumonia.
Para mitigar esse risco, recomenda se a administração de medicação para diminuir a acidez gástrica uma hora antes da cirurgia. O uso de metoclopramida é indicado tanto no pré quanto no pós operatório, sendo útil no manejo desses pacientes para o controle da motilidade gastrointestinal e da náusea. Além disso, é importante notar que pacientes braquicefálicos também podem apresentar náuseas importantes no pós operatório de procedimentos de vias aéreas.
A utilização da cisaprida, um pró cinético que acelera o esvaziamento gástrico para prevenir o refluxo, é descrita na literatura, embora seu uso no pós operatório de laringe seja controverso e não recomendado por alguns pesquisadores atuais.
Manejo Nutricional e Cuidados de Longo Prazo
Após a lateralização da aritenoide, o paciente precisa reaprender a deglutir devido à alteração mecânica da laringe. Água e alimentos possuem potencial para desvio de falsa via, por isso a alimentação deve ser reiniciada através de pequenas porções moldadas (almôndegas), evitando dietas puramente líquidas ou secas esfareladas, que apresentam maior facilidade de penetrar as vias aéreas desprotegidas.
evitar o estresse, a agitação intensa, a exposição a altas temperaturas e o uso de coleiras cervicais, sendo mandatório o uso exclusivo de peitorais.
Considerações Adicionais: Espirro Reverso
Diferencial Importante: O Espirro Reverso
O espirro reverso é um reflexo nasofaríngeo benigno e autolimitado, caracterizado pela extensão cervical e intensas inspirações ruidosas. Trata se de uma condição benigna, autolimitante, mais comum em cães de pequeno porte, e que raramente requer intervenção medicamentosa contínua ou cirúrgica, diferentemente da paralisia de laringe, que representa risco iminente de asfixia.
Dicas Para Provas
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
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| Na laringoscopia para diagnóstico de paralisia de laringe, recomenda se o uso de doxapram para estimular a respiração. |
Reflexão Sion
Quando o sintoma revela o sistema
A paralisia laríngea geriátrica (GOLPP) não é um defeito isolado da laringe, mas a ponta visível de uma polineuropatia degenerativa que já silenciosamente compromete o esôfago e os membros posteriores. Da mesma forma, nossas crises espirituais — ansiedade, vazio, quebras de relacionamento — raramente são o problema raiz; elas expõem um sistema interno desconectado do seu Designer. Jesus não oferece apenas um 'tie back' paliativo para aliviar o sintoma; Ele propõe uma regeneração completa, restaurando a comunhão que sustenta todo o ser.
Cura me, Senhor, e serei curado; salva me, e serei salvo, porque tu és o meu louvorJeremias 17:14
Leia Jeremias 17 e veja como o Grande Médico trata a raiz, não apenas o ruído.