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MedVet6 PeríodoMedicina de Cães e GatosP3

Princípios e Práticas da Fluidoterapia em Pequenos Animais

A água corporal total e sua compartimentação seguem proporções previsíveis que servem de base para o planejamento da fluidoterapia.

Duracao: 47 min

Topicos da aula

  • Fluidoterapia em Pequenos Animais

Overview

Visão Geral da Fluidoterapia Veterinária

A fluidoterapia veterinária baseia se na distribuição hídrica — 60% do peso vivo ( 40% intracelular, 20% extracelular ) — e na classificação da desidratação em hipotônica, isotônica ou hipertônica. A graduação clínica ( 5–15% ) usa turgor, TPC e enoftalmia; exames mostram hemoconcentração e azotemia pré renal. A escolha do fluido — cristaloides (Ringer lactato para acidose, NaCl 0,9% para vômito agudo) ou coloides — e da via ( IV em graves, SC em leves, IO em neonatos) respeita limites: 10 ml/kg/h (estáveis), 4 ml/kg/h (cardiopatas/nefropatas), bolus de choque 60–90 ml/kg (cães) ou 40–60 ml/kg (gatos) na 1ª hora. O cálculo soma reposição (A), manutenção (B: 40–60 ml/kg/dia) e perdas (C), monitorado por diurese ( 1–2 ml/kg/h ) e peso. Aditivos — KCl ( máx. 0,5 mEq/kg/h ), bicarbonato (dose fracionada), salina hipertônica 7,5% ( 4–6 ml/kg cães, 2 ml/kg gatos ) — exigem bombas, equipes microgotas e vigilância contra flebite e sobrecarga.

Distribuição da Água Corporal e Compartimentos Hídricos

Proporções Hídricas e Compartimentação Corporal

A água corporal total e sua compartimentação seguem proporções previsíveis que servem de base para o planejamento da fluidoterapia.

  • Água corporal total (adultos): aproximadamente 60% do peso corporal
  • Água corporal total (neonatos): até 80% do peso corporal
  • Líquido intracelular: 40% do peso corporal, maior compartimento
  • Líquido extracelular: 20% do peso corporal
  • Líquido intersticial: 14% do peso corporal, entre as células e fora dos vasos
  • Líquido intravascular (plasmático): cerca de 5% do peso corporal
  • Líquido transcelular: cerca de 1% do peso corporal, movimenta se entre os compartimentos

Gradiente Osmótico e Movimentação entre Espaços

Dinâmica osmótica e desidratação hipertônica

O movimento da água entre os meios intracelular e extracelular depende da osmolalidade entre os dois lados da membrana celular. Íons e proteínas são os principais responsáveis por ditar o gradiente osmótico entre os compartimentos celulares.

Desse modo, a distribuição hídrica e eletrolítica do organismo é impactada pela concentração diferencial de íons entre os meios intra e extracelular. O movimento da água entre os compartimentos depende da concentração de eletrólitos nesses ambientes, e o desequilíbrio eletrolítico é favorecido por condições que alteram a movimentação da água entre os compartimentos orgânicos.

Nesse contexto, a desidratação hipertônica é caracterizada por uma perda hídrica que é superior à perda de eletrólitos.

Distribuição de Eletrólitos e Pressão Osmótica

Disparidade iônica e proteção celular

Do ponto de vista eletrolítico, há uma disparidade significativa entre os compartimentos: no líquido intracelular, os íons mais abundantes são o potássio e o fósforo, enquanto no meio extracelular predominam o sódio e o cloreto.

O sódio exerce forte atração osmótica sobre a água, e a regulação rigorosa da concentração de sódio extracelular é vital para prevenir o influxo excessivo de água para o interior das células, o que resultaria em degeneração e ruptura celular.

O desequilíbrio hídrico manifesta se tipicamente quando há redução na ingestão de água ou aumento nas perdas corporais, superando a capacidade de compensação fisiológica.

Uso Clínico de Fluidos Glicosados e Dextrose

Dextrose 5%: água livre e limite calórico

A solução de dextrose a 5% é o fluido de escolha para pacientes com desidratação hipertônica e hipernatremia, pois fornece água livre após a metabolização da glicose.

Contudo, é fundamental ressaltar que seu uso não visa o suporte nutricional pleno, visto que a solução glicosada a 5% supre apenas 15% das necessidades calóricas fisiológicas do paciente.

Além do manejo de desequilíbrios hídricos, a infusão de fluidos é vital em contextos perioperatórios: durante procedimentos cirúrgicos e anestésicos, a fluidoterapia é utilizada para garantir a manutenção da taxa de filtração glomerular e evitar a hipoperfusão renal, mitigando riscos de lesão aguda no paciente estável ou crítico.

Etiologia e Fisiopatologia da Desidratação

Barreiras à Ingestão e Perdas Gastrointestinais

A desidratação ocorre quando a ingestão não supre as perdas. Causas externas, como abandono ou confinamento, restringem o acesso à água. Causas internas incluem doenças neurológicas ou ortopédicas que impedem o animal de buscar água, além da letargia severa que reduz a ingestão assistida.

As perdas aumentadas são comuns em doenças gastroentéricas ( vômito e diarreia ) e em queimaduras extensas, que geram exsudação. Notavelmente, cães e gatos não apresentam sudorese intensa como cavalos e humanos, pois são praticamente desprovidos de glândulas sudoríparas.

Impacto da Poliúria e Sequestro de Fluidos

A poliúria é definida como produção urinária superior ao volume fisiológico de 1 a 2 ml/kg/hora; por exemplo, 4 ml/kg/hora já é considerado patológico. A febre também contribui ao aumentar a filtração glomerular e a perda de água pura.

Outro mecanismo crítico é o sequestro em terceiro espaço (compartimentos como a caixa torácica ou abdominal ). O fluido acumulado nesses locais, como na ascite (abdominal) ou efusão pleural (torácica), não contribui para a volemia efetiva e é considerado uma perda funcional.

Compensação Hemodinâmica e Tipos de Azotemia

Diante da hipovolemia, o organismo realiza vasoconstrição seletiva para priorizar órgãos nobres, gerando hipoperfusão em tecidos como o muscular, subcutâneo e esplâncnico. Essa baixa perfusão renal reduz a filtração glomerular e causa azotemia (acúmulo de ureia e creatinina ).

A azotemia pode ser pré renal (por falta de perfusão), renal ou pós renal (por obstruções como cálculos, plugues uretrais ou neoplasias ). As repercussões são mais graves em filhotes pelo alto percentual de água corporal. Sem correção, o déficit hídrico grave progride inevitavelmente para o óbito.

Desequilíbrio Eletrolítico e Expansão Intracelular

A classificação da desidratação baseia se na proporção de água e eletrólitos perdidos. Nesse cenário, a quantidade de eletrólitos perdida é superior à quantidade de água perdida, o que caracteriza a perda de um fluido hipertônico pelo organismo.

Esse déficit de íons resultando em hiponatremia torna o meio extracelular hipotônico em relação ao interior das células. A hipotonicidade do meio extracelular força a migração osmótica da água remanescente para o interior das células (que estão relativamente hipertônicas).

Como consequência, o volume circulante nos vasos sanguíneos é reduzido, exacerbando a depleção de volume vascular.

Fatores Etiológicos e Riscos da Reposição Hídrica

Condições deflagradoras incluem a diurese farmacológica por agentes saluréticos como a furosemida (visto que a maioria dos diuréticos usuais provoca a saída de água acompanhando a saída de eletrólitos), a peritonite e a pancreatite (ambas associadas à perda de fluido hipertônico) e a iatrogenia, como a reposição exclusiva com água livre ou solução de dextrose a 5% em casos que demandam eletrólitos.

Essa reposição inadequada dilui os eletrólitos remanescentes e gera hipotonicidade artificial, um erro de manejo que deve ser evitado.

Hemoconcentração e Alterações no Hematócrito

A perda volumétrica, comum em quadros de vômito e diarreia, resulta em hemoconcentração e elevação do hematócrito, culminando em intensa hemoconcentração.

Laboratorialmente, observa se hiperproteinemia plasmática devido à saída de água do leito vascular, embora esse achado possa estar ausente em casos de hemorragia ou hipoproteinemia prévia; isso é referido como hiperproteinemia laboratorial.

Em pacientes previamente anêmicos, a hemoconcentração severa pode mascarar a anemia, fazendo com que o hematócrito apresente valores aparentemente normais mesmo diante de uma desidratação grave, culminando em intensa hemoconcentração, que eleva o hematócrito em casos de perda hídrica por vômito ou diarreia; em pacientes previamente anêmicos, essa hemoconcentração pode fazer com que o hematócrito pareça normal mesmo em estado de desidratação.

Mecanismos da Desidratação Isotônica

A desidratação isotônica é definida pela perda proporcional de água e íons, sem alteração na tonicidade extracelular; por isso, não há transposição hídrica entre os compartimentos intracelular e extracelular. As causas mais frequentes incluem hemorragias, vômitos e diarreias comuns, situações em que o fluido perdido tem composição semelhante ao plasma.

No hipoadrenocorticismo, a deficiência de mineralocorticoide e aldosterona compromete a reabsorção tubular pareada de sódio e água no néfron; na falta de aldosterona, o sódio e a água são eliminados na mesma proporção, gerando um quadro de desidratação isotônica.

Devido à proporcionalidade da perda, indicadores laboratoriais como hematócrito e proteínas plasmáticas permanecem inalterados, o que diferencia esse tipo dos quadros hipotônico e hipertônico.

Fisiopatologia do Estado Hipertônico

Na desidratação hipertônica, a perda de água supera a de eletrólitos, resultando em hipernatremia. A alta tonicidade no compartimento vascular força a migração da água de dentro das células para o meio extracelular; esse mecanismo preserva o volume circulante, mas desidrata as células.

Clinicamente, essa compensação pode mascarar o aumento do hematócrito e das proteínas totais. Em resposta ao déficit hídrico, rins saudáveis aumentam a reabsorção de água para elevar a densidade urinária.

A privação hídrica e certas variações de vômito e diarreia que geram perda de fluido hipotônico são gatilhos clássicos para esse estado de hipertonicidade.

Causas Endócrinas e Metabólicas

As causas endócrinas e metabólicas de perda de fluido hipotônico levam à desidratação hipertônica, pois a perda de água excede a de eletrólitos. A tabela resume as principais etiologias, seus mecanismos e o tipo de fluido perdido.

CondiçãoMecanismo FisiopatológicoTipo de PerdaObservação Clínica
Diabetes mellitusExcesso de glicose no filtrado glomerular ultrapassa o limiar de reabsorção tubular; a glicose é osmoticamente ativa e provoca diurese osmóticaFluido hipotônico (água eletrólitos)Causa desidratação hipertônica por perda de água sem perda proporcional de eletrólitos
Diabetes insipidusProdução inadequada de ADH (vasopressina) impede a reabsorção de água pura pelos rinsFluido hipotônico (água pura)Déficit de ADH resulta em menor reabsorção de água, gerando perda de água pura
Estresse térmico / HiperventilaçãoPerda hídrica por evaporação respiratória e cutânea aumentadaFluido hipotônicoPerda hídrica significativa sem perda proporcional de solutos
Febre persistentePerda hídrica por evaporação cutânea e respiratória contínuaFluido hipotônicoPerda hídrica sem perda proporcional de solutos
QueimadurasPerda hídrica por evaporação através de pele lesionadaFluido hipotônicoPerda hídrica significativa sem perda proporcional de solutos

Todas as condições resultam em perda de fluido hipotônico, favorecendo o desenvolvimento de desidratação hipertônica.

Comprometimento Renal e Riscos em Gatos

Na insuficiência renal crônica, pacientes em estágios avançados de insuficiência renal perdem a capacidade de concentrar a urina devido à substituição do tecido tubular por fibrose, e a perda hídrica pode ocorrer mesmo que ainda exista reabsorção de eletrólitos pelas células tubulares; a azotemia renal é causada por alterações no funcionamento intrínseco dos rins. É crucial monitorar distúrbios da glândula adrenal, como o hipo ou o hiperadrenocorticismo, que comprometem a capacidade dos rins de reter água durante a desidratação. Em gatos, o estado de déficit volêmico acelera a progressão da doença renal.

Equipamentos e Bombas para Controle de Infusão

Após a identificação do tipo de desidratação e do déficit volêmico, a implementação da fluidoterapia exige equipamentos que permitam um controle rigoroso do volume administrado. A escolha do equipo é um dos primeiros passos práticos nesse processo.

O equipo microgotas é indicado especialmente para o uso em animais menores e filhotes, visto que esses pacientes possuem uma margem de segurança menor para variações na taxa de infusão. Contudo, para uma segurança terapêutica máxima, métodos mecânicos são preferíveis ao gotejamento gravitacional.

O uso de bomba de infusão é a melhor técnica para garantir a precisão da taxa de infusão de fluidos, sendo fundamental para evitar complicações como a sobrecarga hídrica, especialmente em casos onde a fisiopatologia renal já está comprometida.

Avaliação e Graduação Clínica da Desidratação

Avaliação Clínica e Desidratação de Graus Iniciais

A quantificação do déficit hídrico é clínica e requer avaliação de parâmetros específicos.

  • Quantificação do déficit hídrico: A quantificação do déficit hídrico é clínica e requer avaliação de parâmetros específicos, culminando em uma estimativa percentual da perda de peso vivo
  • Grau inaparente (<5%): Um grau inaparente de desidratação ocorre quando a perda hídrica é inferior a 5% e não há sinais clínicos evidentes, sendo baseada apenas na história de privação
  • 5% a 7% (Leve): Uma perda hídrica nesta faixa é classificada como grau leve e apresenta menor elasticidade cutânea (exicose discreta) e mucosas menos úmidas
  • Turgor cutâneo: A redução da elasticidade cutânea pode ser avaliada puxando a pele do dorso do paciente e observando o tempo de retorno
  • Constante de reposição para 4%: Para fins de cálculo de reposição hídrica em um paciente com 4% de desidratação, a constante utilizada é 40

Sinais em Desidratação Moderada e Grave

  • 8% a 9% (Moderada): Demora evidente no retorno da prega cutânea, tempo de preenchimento capilar (TPC) estendido (acima de 2 segundos) e enoftalmia perceptível
  • 10% a 12% (Grave): Turgor cutâneo ausente (a prega não desfaz), TPC de 3 segundos, mucosas secas, acompanhadas de sinais iniciais de choque

Choque Hipovolêmico e Falha na Compensação Cardiovascular

Perdas hídricas superiores a 12% caracterizam o choque hipovolêmico, definindo o intervalo de 12% a 15% (Choque Hipovolêmico). Inicialmente, o organismo entra em fase compensatória, usando a taquicardia para tentar manter o débito cardíaco e o volume circulante; essa taquicardia compensatória que falha em manter o débito cardíaco é a marca da transição para a fase descompensatória.

Na fase descompensatória do choque, o organismo não consegue mais garantir o débito cardíaco mínimo através do aumento da frequência cardíaca. sinais iniciais de choque, como taquicardia, hipotermia e pulsos fracos. pulso filiforme (hipocinético) e hipotermia grave antecedem o óbito sem intervenção imediata.

Alterações Laboratoriais e Resposta Compensatória Renal

A perda de fluido isenta de eritrócitos ou proteínas provoca hemoconcentração, elevando o hematócrito e a proteína plasmática total, salvo em pacientes previamente anêmicos ou hipoproteinêmicos. Como resposta compensatória, a densidade urinária aumenta para reter água, mas essa capacidade é anulada em doença renal progressiva, disfunção adrenal, uso de diuréticos ou glicocorticoides, e também pela terapia fluida intravenosa ultrarrápida, que cria uma falsa percepção renal de hipervolemia.

Além disso, instala se uma azotemia pré renal com elevação de ureia e creatinina séricas decorrente da queda da taxa de filtração glomerular por hipoperfusão. A hemogasometria frequentemente revela aumento da PaCO2 venosa tecidual, refletindo a estase do fluxo sanguíneo em tecidos periféricos secundária à vasoconstrição seletiva compensatória.

Ferramentas de Precisão para Pacientes de Pequeno Porte

Após a definição do grau de desidratação e análise dos parâmetros laboratoriais, o manejo terapêutico exige ferramentas precisas para a infusão. As bombas peristálticas são comumente utilizadas na rotina hospitalar para fluidoterapia por serem fáceis de manusear, assegurando que o volume planejado seja entregue no tempo correto.

Contudo, em pacientes veterinários muito pequenos, podem ser utilizadas bombas de seringa para a fluidoterapia, o que confere maior segurança em taxas de infusão reduzidas. Alternativamente, para o controle manual rigoroso, equipos que possuem bureta acoplada permitem a titulação adequada do volume de fluido para pacientes muito pequenos, auxiliando na prevenção de iatrogenias por sobrecarga hídrica.

Fluidos Terapêuticos e Indicações Específicas

Fundamentos e Uso dos Cristaloides

Na fluidoterapia, os fluidos são classificados basicamente em cristaloides e coloides, sendo os cristaloides a maioria dos fluidos utilizados na clínica. Suas principais indicações são a correção da desidratação e a manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico, inclusive para manejar distúrbios como hipocalemia ou hiperkalemia.

Os cristaloides podem ser eletrolíticos ou não e movimentam se livremente entre os compartimentos vascular, intersticial e intracelular. Exemplos comuns incluem a solução fisiológica (cloreto de sódio 0,9%), soluções de Ringer (simples ou com lactato) e a solução de glicose 5% (dextrose).

A glicose 5% em água é um cristaloide não eletrolítico empregado para fornecer água livre e corrigir a hipoglicemia do paciente.

Mecanismos e Tipos de Coloides

Diferente dos cristaloides, os coloides possuem substâncias de alto peso molecular (carboidratos ou proteínas) e são osmoticamente ativos, permanecendo no leito vascular onde são infundidos exclusivamente por via intravenosa.

Eles são indicados em emergências para rápida expansão volêmica, pois mobilizam fluido do interstício para dentro do vaso. A permanência do coloide na circulação e a manutenção da osmolalidade dependem do seu peso molecular: quanto maior, mais tempo ele permanece circulando.

O plasma é o único coloide natural efetivo; as opções sintéticas incluem o Hetastarch (baseado em amido) e os dextranos. Adicionalmente, a glicose em soluções glicosadas ajuda a equalizar a osmolalidade para evitar a hemólise.

Riscos, Hemocomponentes e Nutrição Parenteral

O uso de coloides tem diminuído devido a associações com desfechos ruins e complicações renais ou de coagulação, além de reações alérgicas.

O sangue total é um fluido antigenicamente ativo com risco de hipersensibilidade, embora a medicina moderna permita seu fracionamento em hemácias, plasma e plaquetas; há também substitutos como a Oxyglobin para transporte de oxigênio.

Para suporte calórico, utiliza se a nutrição parenteral (proteínas, carboidratos e lipídios), que exige infusão intravenosa rigorosa. Devido ao potencial irritante, a solução lipídica da nutrição parenteral deve ser administrada obrigatoriamente através de uma veia central.

A Regra de Ouro na Escolha do Fluido

Os princípios da fluidoterapia regem a escolha do fluido apropriado para suprir as necessidades individuais de cada paciente, sendo fundamental para manter a hidratação em quadros de vômitos, diarreia ou poliúria. A regra de ouro é que o fluido infundido deve espelhar a natureza do fluido perdido, evitando assim novos distúrbios eletrolíticos.

Por isso, o Ringer com lactato é o cristaloide de eleição rotineira, sendo o fluido de escolha sempre que seu uso for possível, pois sua composição eletrolítica é a que mais se aproxima do plasma sanguíneo. Vale lembrar que o plasma possui uma composição muito mais complexa do que a solução fisiológica (cloreto de sódio 0,9%), que contém apenas sódio, cloro e água.

Metabolismo do Lactato e Restrições Hepáticas

A solução de Ringer com lactato contém água, sódio, cloro, potássio e cálcio. Ela é indicada para corrigir estados de acidemia porque o lactato atua como precursor de bicarbonato, sendo biotransformado predominantemente no fígado e conferindo perfil alcalinizante.

No entanto, seu uso exige cautela: é contraindicada em casos de vômito agudo e insuficiência hepática grave, pois a incapacidade de conversão do lactato acaba perpetuando a acidemia. Pacientes hepatopatas que não apresentam insuficiência hepática podem utilizar o fluido com segurança.

Manejo de Distúrbios Ácido Base Digestivos

A fluidoterapia é essencial para corrigir distúrbios ácido base específicos. No vômito agudo, a perda de ácido clorídrico (íons H+ e Cl ) induz alcalose metabólica severa, sendo tratada com fluidos de caráter levemente acidificante, como a solução de Ringer simples ou a solução de cloreto de sódio 0,9%.

Já em quadros de diarreia ou vômito crônico com conteúdo biliar, a excreção massiva de bicarbonato entérico sobrepuja a perda ácida, culminando em acidemia; isso ocorre porque o pH intestinal é mais alcalino devido à secreção de bicarbonato pelo pâncreas. Em casos de vômito e diarreia concomitantes, a perda de íons alcalinos como o bicarbonato costuma ser a mais relevante, mantendo o paciente acidêmico e reforçando a indicação de soluções alcalinizantes como o Ringer com lactato ou, na sua falta, fluidos compostos apenas por sódio e cloro como alternativa.

Riscos de Posicionamento e Manutenção do Cateter

O manejo inadequado é a causa mais comum de dificuldade na reidratação de pacientes: cateteres intravenosos devem ser inseridos longe das articulações para reduzir o risco de oclusão do lúmen durante movimentos articulares, pois o fluxo posicional por dobra da pata pode obstruir o lúmen do cateter e reduzir o volume de fluido infundido; o dobramento contínuo do cateter próximo a articulações pode levar à sua fragmentação e consequente formação de êmbolos ou trombos. Para a finalização do acesso, plugs ou adaptadores PRN são utilizados para vedar o cateter e prevenir refluxos ou sangramentos.

Vias de Administração de Fluidoterapia

Vantagens e Indicações da Via Intravenosa

A via intravenosa (IV) é o padrão‑ouro na fluidoterapia de pequenos animais quando se busca controle volêmico preciso e expansão imediata do espaço intravascular, pois os fluidos entram diretamente na circulação sem fase de absorção. Por isso a IV é imperativa em pacientes graves, instáveis, em choque ou que não podem ingerir água. Cristaloides podem ser administrados por via intravenosa ou subcutânea, distribuindo‑se pelo organismo após a absorção.

Além da reidratação, a via pode ser mantida apenas em taxa de manutenção para garantir acesso vascular para medicamentos frequentes. Como o fluido segue direto para a circulação, exige maior controle da velocidade de infusão para evitar sobrecarga.

Seleção de Acesso e Dispositivos Periféricos

  • Veia auricular externa (coelho): A veia auricular externa pode ser utilizada para acesso venoso em coelhos.
  • Cateter flexível de polipropileno: Cateteres flexíveis de polipropileno podem permanecer no vaso por até 72 horas se mantida a técnica asséptica.
  • Preparo do local para cateterismo: A colocação de cateteres exige preparação cirúrgica do local, incluindo tricotomia e antissepsia.
  • Cateter periférico flexível: Um cateter periférico flexível pode permanecer no paciente por até 72 horas.
  • Cateter venoso em condições adequadas: Um cateter venoso pode permanecer na mesma veia por até 72 horas se estiver em condições adequadas.
  • Mandril cortante interno do cateter flexível: Os cateteres flexíveis possuem um mandril cortante interno (agulha) que é retirado após a inserção na veia, permanecendo apenas a parte flexível de plástico no paciente.
  • Escolha da veia e risco de contaminação: A escolha da veia para cateterismo deve considerar o risco de contaminação por vômitos ou diarreia.
  • Cateter agulhado tipo scalp: Cateteres agulhados do tipo scalp são traumáticos para a veia e associados a maiores riscos de inflamação vascular.
  • Tempo de permanência do cateter intravenoso: O cateter intravenoso pode permanecer na mesma veia por até 72 horas, devendo ser alternado após esse período para prevenir flebite e infecções.

Cateterismo Central e Monitoramento Crítico

Cateteres venosos centrais são geralmente instalados na veia jugular, posicionando a extremidade no átrio direito. Devido ao custo e invasividade, são reservados para pacientes críticos em UTI, permitindo a infusão de volumes maiores e mais rápidos.

Suas grandes vantagens incluem a possibilidade de coleta ágil de sangue e o monitoramento da Pressão Venosa Central (PVC) através de monitores multiparamétricos com linha de pressão invasiva, o que não é recomendado em acessos periféricos.

Rotina de Manutenção e Manejo do Acesso

A manutenção adequada do acesso venoso garante patência e previne complicações. Siga a sequência abaixo:

  1. Etapa 1: Preparar a solução heparinizada com 0,5 ml de heparina para 1 litro de NaCl 0,9%.
  2. Etapa 2: Realizar a irrigação com solução fisiológica heparinizada sempre que não houver infusão contínua, totalizando 3 a 4 vezes ao dia para prevenir obstruções e riscos de trombos.
  3. Etapa 3: Observar o posicionamento e possíveis sangramentos ao menos três vezes ao dia.
  4. Etapa 4: Posicionar o cateter longe de articulações para evitar oclusão por fluxo posicional quando o animal dobra o membro.
  5. Etapa 5: Manter supervisão contínua para evitar danos ao equipo ou autotrauma pelo paciente.

Sistemas de Infusão e Riscos de Complicações

Existem dois tipos básicos de equipo de fluidoterapia: o macrogotas, onde cada ML contém 20 gotas, e o microgotas, com cerca de 60 gotas por ML. O equipo de macrogotas é calibrado para que cada 1 ml de volume de fluido corresponda a 20 gotas. O equipo de microgotas, onde cada 1 ml corresponde a 60 gotas, é utilizado preferencialmente em filhotes e animais menores. O uso de bombas de infusão é superior à contagem manual de gotas por permitir maior precisão na taxa de infusão determinada por ml/hora ou ml/minuto.

O excesso de volume na via intravenosa pode causar superhidratação e edema pulmonar no paciente. As complicações da via intravenosa incluem trombose, flebite, infecção, sepse e embolia gasosa. A infusão excessivamente rápida de fluidos pode causar hipervolemia transitória e edema pulmonar por aumento da pressão hidrostática. Complicações relacionadas ao uso de cateter venoso incluem flebites e infecções que podem evoluir para sepse.

Vias Oral e Subcutânea: Indicações e Manejo

A via oral é considerada a via mais fisiológica para a hidratação de pacientes. A via oral é a mais fisiológica para fluidoterapia, mas é pouco prática no ambiente hospitalar por depender da cooperação do paciente. A via oral é preferível quando o paciente não apresenta episódios de vômito ou diarreia. O uso de sonda esofágica permite o controle total do volume de fluidos administrados via oral no trato gastrointestinal. A fluidoterapia parenteral pode ser interrompida se o paciente conseguir manter o aporte hídrico por via oral, sem vômitos ou diarreia.

A via subcutânea é reservada para casos de desidratação branda. A fluidoterapia subcutânea crônica é comumente indicada para gatos nefropatas para compensar a poliúria. A via subcutânea é especialmente indicada para a administração de soluções isotônicas. A via subcutânea pode ser utilizada como uma transição entre a fluidoterapia intravenosa e a via oral.

Riscos e Limites das Vias Extravasculares

A via subcutânea é contraindicada em desidratação grave, hipotermia ou vasoconstrição periférica intensa, pois a absorção fica obstruída; soluções sem eletrólitos (dextrose 5%), hipertônicas ou hipercalêmicas não devem ser usadas pela pele devido ao risco de necrose tecidual. A via intraperitoneal, apesar de permitir absorção muito rápida pelas fenestras peritoneais, apresenta risco substancial de peritonite e caiu em desuso. Já as vias oral, subcutânea e peritonial reduzem o risco de sobrecarga volêmica transitória pela absorção gradativa para o leito vascular.

Acesso Intraósseo em Emergências e Neonatos

A via intraóssea é útil para pacientes filhotes ou muito desidratados nos quais não se consegue realizar a venopunção. A medula óssea possui capilares que permitem uma absorção rápida dos fluidos para o leito vascular.

A crista ilíaca é considerada o local preferencial para a realização do acesso intraósseo pelo palestrante. A via intraóssea é dolorosa e causa desconforto ao passar pela área inervada do periósteo e através do córtex ósseo (corrigido pelo professor após menção equivocada ao córtex femoral).

A via intraóssea pode resultar em osteomielite se não houver higiene e assepsia rigorosas.

Cálculo das Necessidades de Fluidos

A Estrutura do Cálculo de Fluidoterapia

O cálculo simplificado A+B+C é um método para determinar o volume de fluidoterapia, onde A é a reposição, B é a manutenção e C são as perdas continuadas. A quantidade total de fluido necessária para um paciente ao longo do dia é calculada somando a reposição (A), a manutenção (B) e as perdas continuadas (C). A quantidade total de fluido diário para o paciente é a soma da reposição (A), manutenção (B) e perdas continuadas (C).

A primeira etapa da fluidoterapia consiste na reidratação do paciente para tratar o déficit de fluidos existente. A reposição hídrica é o volume necessário para sanar o déficit hídrico já existente no paciente. O volume de reposição (A) é calculado multiplicando se uma constante pelo peso do paciente. No cálculo de reposição (A), multiplica se a constante (ex: 80 para 8% de desidratação) pelo peso corporal.

A constante para o cálculo de reposição depende diretamente do percentual de desidratação do paciente. A constante de reposição é obtida adicionando um zero ao valor do percentual de desidratação. Para um paciente com 8% de desidratação, utiliza se a constante 80 no cálculo de reposição.

Cálculo do Déficit e Necessidades Básicas

O volume de déficit é calculado multiplicando se o percentual de desidratação estimado pelo peso corporal do paciente e por mil. Um paciente com 10 quilos e 4% de desidratação necessita de 400 ml apenas para reposição do déficit.

A manutenção representa o volume necessário para o funcionamento fisiológico normal do organismo e independe da doença. O volume de manutenção na fluidoterapia é o volume fisiológico necessário para o organismo, independente de perdas extras. A manutenção hídrica baseia se na necessidade intrínseca do estado fisiológico do paciente. O componente de manutenção da fluidoterapia (B) permanece constante porque depende do estado fisiológico do paciente e não de condições patológicas. O volume de manutenção é a única parte do cálculo de fluidoterapia que permanece constante, pois independe de condições patológicas.

O volume de manutenção inclui água pura, água presente nos alimentos e perdas insensíveis. As perdas insensíveis correspondem ao volume de água que não pode ser quantificado, como vapor na respiração e saliva.

Constantes de Manutenção por Faixa Etária

A manutenção fisiológica varia entre 40 e 60 ml/kg/24h, dependendo da faixa etária e condição corporal. Para um paciente de 10 kg, isso corresponde a 400 a 600 ml por dia.

Faixa EtáriaDefiniçãoConstante (ml/kg/dia)Exemplo 10 kg (ml/24h)
NeonatoAté 2 meses de idade60600
Jovem / ObesoMais de 2 meses de idade ou obeso50500
AdultoAdulto (não obeso)40400

Valores de referência para cálculo da manutenção hídrica.

Mensuração de Perdas Continuadas e Diurese

As perdas contínuas, ou perdas continuadas, referem se a condições como diarreia, vômito e poliúria que levam à desidratação extra durante o tratamento. Vômito, diarreia e poliúria são exemplos de condições que geram perdas contínuas de fluidos. A diurese fisiológica, que varia de 1 a 2 ml por quilo por hora, está incluída no volume de manutenção; porém, uma produção de urina de 4 ml por quilo por hora caracteriza poliúria e ultrapassa o volume fisiológico de manutenção, devendo ser computada em 'C'.

A fluidoterapia deve considerar o volume das perdas contínuas geradas pela condição clínica do paciente. O cálculo das perdas contínuas (C) serve para repor o volume perdido em episódios de vômito ou diarreia; o resultado do cálculo das perdas contínuas representa o volume necessário para antagonizar as perdas por episódios eméticos e diarreicos. Para episódios estritos de vômito, a constante utilizada para o cálculo de perdas contínuas em pacientes apenas com vômito é 40, multiplicada pelo peso.

Precisão Clínica e Ajustes do Volume Final

Ao calcular as perdas contínuas (C), aplique a constante 50 para diarreia isolada e a constante 60 para episódios concomitantes de vômito e diarreia. O volume total (A+B+C) deve ser fornecido em 24 horas; erros matemáticos ou falhas na avaliação clínica, como subestimar a desidratação, comprometem severamente a reidratação. Por exemplo, um cão de 10 kg requer 400 ml para manutenção (constante 40), valor que deve ser somado corretamente ao déficit e às perdas.

Velocidades de Infusão Conforme o Status Clínico

Ajuste da velocidade conforme gravidade

A velocidade de infusão de fluidos depende do grau de desidratação do paciente e da gravidade do quadro clínico. Pacientes com perda hídrica branda possuem menor tolerância a infusões rápidas de fluidos, enquanto pacientes em estado de desidratação grave toleram velocidades de infusão de fluidos mais rápidas do que pacientes minimamente desidratados.

Para quadros estabilizados ou sem choque, a velocidade máxima padrão de infusão para pacientes desidratados que não estão em choque é de 10 ml/kg/hora. Já pacientes em estado de choque toleram velocidades de infusão de fluidos muito mais altas do que pacientes sem déficit hídrico grave, exigindo ressuscitação agressiva na primeira hora.

Para cães em choque hipovolêmico, a taxa de fluidoterapia agressiva pode chegar a 90 ml/kg na primeira hora, enquanto para gatos em choque hipovolêmico, a taxa de fluidoterapia agressiva pode chegar a 60 ml/kg na primeira hora.

Restrições em Pacientes de Alto Risco

Infusão excessiva ou rápida demais está associada a hiperidratação sistêmica e edema pulmonar; cardiopatas possuem baixa tolerância à infusão de fluidos devido ao risco de agravamento da congestão, e nefropatas oligúricos ou anúricos exigem velocidade não superior a 4 ml/kg/hora para evitar congestão, enquanto nefropatas poliúricos toleram bem a fluidoterapia, mas nefropatas anúricos ou oligúricos apresentam baixa tolerância; o excesso de volume e velocidades excessivamente rápidas estão associados a hiperidratação sistêmica e a hiperidratação causada por volume ou velocidade excessivos pode resultar em edema pulmonar; se o volume teórico exigir taxa acima desse limite de segurança, a terapia deve ser obrigatoriamente estendida por vários dias para proteger o paciente de falência circulatória.

Monitoramento da Integridade Venosa e Riscos Mecânicos

A manutenção da integridade venosa é essencial durante a fluidoterapia prolongada para evitar o esgotamento de sítios de infusão. A alternância de veias para cateterização permite a reorganização do tecido vascular, reduzindo o risco de esclerose e perda do acesso. Entre as complicações inflamatórias comuns, a flebite mecânica é causada pela irritação da veia pelo próprio cateter, sendo muitas vezes prevenida pela escolha do calibre adequado. Além disso, a vigilância contra contaminações é vital, pois infecções decorrentes de cateterismo podem ser locais ou sistêmicas devido à solução de continuidade entre o meio externo e o vascular.

Monitoramento e Avaliação da Resposta à Terapia

Dinâmica da Reidratação e Exame Físico

O monitoramento da fluidoterapia deve ser contínuo e dinâmico, exigindo que o cálculo e o volume de fluidos sejam revisados e recalculados cotidianamente conforme o paciente normaliza seu estado hidroeletrolítico e melhora sua hidratação. O exame físico configura se como a maneira mais objetiva de avaliar a resposta à reidratação. Indicativos de sucesso incluem a restituição da cor rosada das mucosas, redução do TPC para menos de 2 segundos, recuperação da elasticidade cutânea ( turgor ) e a presença de pulsos femorais normocinéticos e cheios. Além disso, a melhora da perfusão reduz o estímulo simpático, revertendo quadros de taquicardia. Quando o paciente estabiliza, a redução do volume da fluidoterapia deve ser feita de forma gradativa ao longo de 24 a 48 horas.

Resposta Urinária e Equilíbrio Homeostático

O débito urinário é um indicador vital: rins saudáveis conservam água na desidratação, reduzindo o fluxo, mas a reidratação deve estabilizá lo entre 1 a 2 ml/kg/hora. Pacientes nefropatas poliúricos têm dificuldade extra por não conservarem água, embora a terapia ajude na excreção de potássio em casos de hiperkalemia. Internamente, a terapia pode causar um pequeno ganho de peso pelo preenchimento do meio intracelular e normaliza parâmetros laboratoriais como o hematócrito e proteínas totais. Deve se observar também o equilíbrio ácido básico: a acidose gera taquipneia e taquicardia compensatória, enquanto a alcalemia causa redução dessas frequências e prostração. Para casos críticos, a pressão venosa central (PVC) via cateter jugular auxilia no ajuste volêmico fino.

Avaliação Quantitativa via Oximetria de Pulso

A oximetria de pulso oferece uma abordagem quantitativa para monitorar a saturação periférica (SPO2); a desidratação e a hipoperfusão periférica podem resultar em hipoxemia, e a normalização da SPO2 indica que a perfusão tecidual foi restaurada; em pacientes acordados que não toleram o sensor na língua, a medição pode ser realizada na orelha, região interdigital, lábio ou mucosas peniana e vaginal.

Cuidados com Acessos Centrais e Fluidos Irritantes

Além da resposta clínica e fisiológica, o monitoramento deve abranger a integridade do sítio de infusão para prevenir danos vasculares. A flebite química ocorre devido à infusão de substâncias irritantes aos vasos, o que exige cuidado redobrado na escolha da via de administração. Para substâncias com maior osmolaridade ou causticidade, a veia jugular é preferencial para a instalação de cateter venoso central. Nesse contexto, a solução lipídica da nutrição parenteral deve ser administrada apenas em veia central devido ao seu potencial irritante, garantindo maior hemodiluição e menor risco de danos à camada íntima do vaso.

Suplementação de Aditivos Concentrados

Origens da Hipocalemia e Perfil dos Fluidos

O organismo animal depende exclusivamente da ingestão para obter potássio, tornando pacientes em jejum ou com ingestão inadequada propensos à hipocalemia. Perdas excessivas por vias gastrointestinais (vômito e diarreia) ou urinárias (poliúria) reduzem drasticamente a concentração sanguínea do íon. Pacientes que não ingerem alimentos adequadamente possuem maior probabilidade de ficarem hipocalêmicos. Pacientes com poliúria, vômito ou diarreia apresentam maior risco de perda excessiva de potássio e redução de sua concentração sanguínea. Na rotina clínica, os fluidos mais utilizados são o Ringer com lactato e o cloreto de sódio 0,9%. Estes fluidos de manutenção são pobres ou isentos de potássio. A solução fisiológica (NaCl 0,9%) não contém potássio. O Ringer com lactato fornece apenas 4 mEq de potássio por litro.

Aditivos e Necessidades Diárias de Potássio

Os principais pontos para suplementação de potássio na fluidoterapia.

  • Aditivos concentrados: utilizados para modificar a composição fixa dos fluidos comerciais e atender necessidades individuais
  • Cloreto de potássio (KCl) a 19,1%: aditivo concentrado mais comum para suplementação de potássio
  • Indicação do KCl: reposição de potássio em pacientes não hipercalêmicos
  • Concentração do KCl 19,1%: fornece 2,56 mEq de potássio por mililitro
  • Necessidade diária de manutenção de potássio: varia entre 15 e 30 mEq

Cálculo e Planejamento da Suplementação

A seguir, o passo a passo para padronizar a adição de KCl 19,1% aos fluidos isotônicos.

  1. Etapa: Definir o objetivo de atingir 20 mEq/L de potássio na solução final.
  2. Etapa: Para NaCl 0,9%, adicionar 20 mEq de potássio, correspondentes a 7,8 ml de KCl 19,1% por litro.
  3. Etapa: Para Ringer com lactato, que já contém 4 mEq/L, adicionar 16 mEq residuais, equivalentes a 6,25 ml de KCl 19,1% por litro.
  4. Etapa: Ajustar o volume total do fluido conforme o paciente; o cálculo é padronizado e varia apenas o volume total.
  5. Etapa: Planejar a infusão contínua da solução suplementada ao longo de 24 horas.

Segurança e Velocidade Crítica de Infusão

A suplementação de potássio exige controle rigoroso: a velocidade de infusão jamais deve exceder 0,5 mEq/kg/hora. Infusões rápidas ou excesso de potássio interferem na atividade elétrica cardíaca, podendo causar bradicardia, arritmias graves e parada cardíaca hipercalêmica. A única contraindicação absoluta para esta reposição é a presença prévia de hipercalemia no paciente.

Indicações para o Uso de Bicarbonato

A solução de Ringer com Lactato é o fluido de escolha para alcalinizar o meio interno, pois o lactato é biotransformado em bicarbonato no fígado e nas hemácias conforme a necessidade metabólica do paciente, minimizando o risco de transformar a acidose em alcalose iatrogênica.

Quando há insuficiência hepática grave, a biotransformação do lactato é prejudicada, o que contraindica o uso de Ringer com Lactato e torna necessária a correção direta com tampão alcalino, administra se bicarbonato de sódio a 8,4%.

Cálculo da Dose de Reposição Precisa

O aditivo concentrado mais comum para reposição é o bicarbonato de sódio na concentração de 8,4%, e cada 1 ml dessa solução fornece 1 miliequivalente (mEq) de bicarbonato.

Existem duas formas de calcular a suplementação de bicarbonato: por dose precisa (baseada em exames) ou por dose de segurança.

Para a dose precisa, aplica se a fórmula: bicarbonato necessário (mEq) = 0,5 × peso (kg) × (bicarbonato esperado – bicarbonato do paciente), sendo o valor esperado habitualmente 24 a 25 mEq/L, enquanto o intervalo normal varia entre 20 e 29 mEq/L.

Por exemplo, em um cão de 10 kg com bicarbonato dosado de 19 mEq/L e esperado de 24 mEq/L, o cálculo resulta em 25 mEq de bicarbonato necessário; se optasse pela dose de segurança de 0,5 a 1,0 mEq/kg, o volume total de bicarbonato a 8,4% seria de 5 a 10 ml.

Estratégia de Dose de Segurança

Na ausência de gasometria, utilize estritamente a dose de segurança de 0,5 a 1,0 mEq/kg de bicarbonato de sódio 8,4% para evita a indução de alcalose iatrogênica; não se recomenda o uso de doses maiores de bicarbonato sem medição prévia para evitar transformar uma acidose em alcalose, pois o fornecimento direto de bicarbonato de sódio apresenta risco de causar alcalose por excesso, diferentemente do lactato. A probabilidade de causar alcalose ao utilizar a dose de segurança é muito pequena: em um paciente de 10 kg o volume total de bicarbonato a 8,4% seria de 5 a 10 ml. Lembre se de que a alteração de pH urinário é um sinal de alcalemia que não é percebido clinicamente sem análise laboratorial; por isso, fracione a dose: metade em bolus lento (15 a 20 minutos) e a outra metade diluída no fluido de manutenção por 24 horas.

Protocolo de Administração Fracionada

Para evitar alcalose metabólica por infusão rápida, mesmo em dose de segurança, o bicarbonato de sódio não deve ser ofertado totalmente de uma vez para evitar alcalose. A infusão rápida de bicarbonato de sódio pode causar alcalose no paciente. A administração recomendada consiste em oferecer metade do bicarbonato em bolus lento e a outra metade diluída em solução para 24 horas. A regra de infundir metade da dose em bolus lento e a outra metade em 24 horas minimiza o risco de alcalose. A administração segura de bicarbonato envolve infundir metade da dose de forma lenta em bolus (15 a 20 minutos) e a outra metade diluída no fluido de 24 horas.

  1. Etapa 1: Infundir a primeira metade da dose total em bolus lento, com duração de 15 a 20 minutos.
  2. Etapa 2: Diluir a segunda metade no fluido de manutenção para administração ao longo de 24 horas.

Incompatibilidades e Diluentes Seguros

Principais regras de compatibilidade do bicarbonato de sódio e opções de diluentes para a fluidoterapia.

  • Diluentes seguros: O bicarbonato deve ser diluído em soluções que não contenham cálcio.
  • Incompatibilidade com Ringer simples: O bicarbonato de sódio não pode ser adicionado à solução de Ringer simples porque este fluido contém cálcio.
  • Formação de quelatos: O bicarbonato de sódio não deve ser adicionado a fluidos que contenham cálcio, pois ocorre a formação de quelatos.
  • Ringer simples como diluente: A solução de Ringer simples não deve ser usada como diluente para o bicarbonato por conter cálcio.
  • Ligação irreversível: O bicarbonato se liga irreversivelmente ao cálcio.
  • Diluentes alternativos: Solução glicosada ou solução fisiológica podem ser utilizadas como diluentes para o bicarbonato.
  • Recomposição ácido base: A solução de cloreto de sódio 0,9% (solução fisiológica) e a solução de Ringer simples podem ser utilizadas para recompor o equilíbrio ácido base.

Manejo Emergencial com Solução Salina Hipertônica

A solução salina hipertônica a 7,5% é preparada misturando uma parte de cloreto de sódio 20% com duas partes de cloreto de sódio 0,9%, indicada para emergências que exigem recomposição aguda da volemia; a dose é de 4 a 6 ml/kg em cães e estritos 2 ml/kg em gatos, infundida em bolus lento, pois pacientes em estado de choque possuem uma peculiaridade na velocidade de infusão de fluidos. O alto teor de sódio mobiliza água do meio intersticial para o meio vascular devido ao alto teor de sódio, promovendo a expansão da volemia por meio da atração de água para o leito vascular, porém a rápida natriurese compensatória de sódio via fisiologia renal faz com que a janela circulatória do efeito perfusional extingue se a curto tempo, reclamando subsequente continuidade fluida com soluções isotônicas.

Transição para Via Oral e Riscos de Infecção

Após a estabilização hemodinâmica, a continuidade do tratamento deve priorizar a via menos invasiva. A via oral é considerada a via mais fisiológica para o aporte hídrico, sendo a escolha ideal para pacientes com reflexo de deglutição preservado. O momento ideal para retirar a fluidoterapia parenteral ocorre quando o paciente demonstra ingestão espontânea e satisfatória de água, marcando a transição segura para a hidratação enteral.

Manter o acesso venoso além do necessário eleva o risco de complicações iatrogênicas. A flebite infecciosa é considerada grave por poder resultar em um quadro sistêmico de sepse, exigindo a troca imediata do dispositivo e terapia antimicrobiana adequada. Por isso, a remoção precoce do cateter assim que a via oral se mostra viável é uma medida de segurança fundamental.

Modelos de Casos Práticos de Reestruturação Fluidoterápica

Fisiopatologia e Seleção de Fluidos

No vômito agudo, a perda predominante de ácido clorídrico (H+ e Cl ) induz a um quadro de alcalemia. Para corrigi lo, os fluidos de escolha são acidificantes, como a solução fisiológica (NaCl 0,9%) ou o Ringer simples. O Ringer simples é preferível à solução fisiológica por conter outros eletrólitos como potássio e cálcio em sua composição, o que favorece a reposição equilibrada.

O planejamento terapêutico deve ocorrer concomitantemente ao tratamento da causa primária da desidratação. O volume total de fluido para 24 horas é calculado somando se a reposição (A), a manutenção (B) e as perdas continuadas (C). O volume total de fluidoterapia em 24 horas é a soma dos volumes de reposição, manutenção e perdas contínuas. O volume total de fluidoterapia em 24 horas é calculado pela fórmula A (reposição) + B (manutenção) + C (perdas continuadas). O volume total de fluido para 24 horas é calculado somando as necessidades de Reposição (A), Manutenção (B) e Perdas Contínuas (C). Esse cálculo é uma ferramenta clínica essencial e transversal a várias especialidades.

Em contraste, no vômito crônico ou com conteúdo intestinal (bilioso), ocorre perda de bicarbonato, o que pode levar o paciente à acidose, exigindo conduta distinta com fluidos alcalinizantes.

Cálculo dos Componentes da Fluidoterapia

Para estruturar o volume diário, cada componente usa constantes específicas multiplicadas pelo peso corporal. O volume de reposição (item A) é o cálculo do que já foi perdido pelo paciente, obtido multiplicando se uma constante (percentual de desidratação) pelo peso; por exemplo, 7% de desidratação usa a constante 70. O cálculo do volume de reposição (A) é feito multiplicando se a constante de desidratação pelo peso do paciente.

Para o cálculo de manutenção (item B), a constante para animais neonatos (até 2 meses) é 60 ml/kg, enquanto para animais adultos é 40 ml/kg. O cálculo do volume de manutenção (B) é obtido multiplicando se a constante de manutenção pelo peso do paciente. Por fim, a constante para o cálculo de perdas continuadas (item C) em casos de apenas vômito é 40 ml/kg. O cálculo do volume de perdas contínuas em fluidoterapia é feito multiplicando se uma constante pelo peso do animal. A constante utilizada para o cálculo de perdas contínuas quando o paciente apresenta apenas vômito é 40. A constante para o cálculo de perdas continuadas é 40 se houver apenas vômito. O cálculo das perdas continuadas refere se aos fatores que estão provocando a desidratação ativa do paciente.

Vazão de Infusão e Monitoramento

Ao dividir essa infusão linear contínua resulta vazão em 62,5 ml por hora, obtendo a velocidade real de infusão. Essa vazão em 62,5 ml por hora, enquadrando o montante sem complicações sob a contenção do limiar impeditivo de teto para este grupo normovolêmico basal de até 100 ml/hora (referencial de segurança imposto por no máximo até 10 ml/kg/hora tolerados), respeita o limite máximo de 10 ml/kg/hora para pacientes sem comorbidades graves.

Para um paciente canino de 10 kg, adulto, a constante de manutenção 40 resulta em 400 ml (constante 40 x 10 = 400 ml), o que reforça o referencial de segurança imposto por no máximo até 10 ml/kg/hora tolerados.

Ademais, a demanda por volume na reposição diminui à medida que o déficit hídrico é corrigido e as perdas cessam, sendo a taxa de manutenção a única parte do cálculo que permanece indispensável após a estabilização hídrica. O domínio desse cálculo de fluidoterapia é um conteúdo importante para a prática clínica e avaliação acadêmica, constituindo uma ferramenta essencial e transversal a várias especialidades.

Acidemia e Seleção do Cristaloide

A perda por diarreia massiva e vômito por dias gera uma acidemia profusa orgânica primária, pois a perda por diarreia massiva leva à perda de bicarbonato e bases, resultando em acidemia profusa orgânica primária. Pela acidemia profusa orgânica primária estipula se o reparo alcalinizante, e pela acidemia profusa orgânica primária estipula se o reparo alcalinizante imperativo.

estipula se o reparo alcalinizante imperativo pela entrada de cristaloides de Ringer com lactato, sendo o Ringer com lactato o fluido de escolha para promover a alcalinização do meio.

Fisiologia Pediátrica e Volume de Manutenção

Conceitos chave sobre água corporal e volume de manutenção em animais jovens.

  • Percentual de água corporal (neonatos): Animais neonatos possuem um percentual de água no organismo maior do que animais adultos.
  • Percentual de água corporal (adultos): Animais adultos possuem um menor percentual de água no organismo em comparação a animais jovens.
  • Volume de manutenção (definição): A fluidoterapia de manutenção repõe o volume que um animal normal precisaria ao longo do dia, obtido habitualmente por água ingerida e alimentos.
  • Volume de manutenção (necessidade fisiológica): O volume de manutenção representa a necessidade hídrica fisiológica do paciente, independentemente de seu estado de doença.
  • Volume de manutenção (intrínseco): O volume de manutenção atende às necessidades fisiológicas intrínsecas do organismo, independente da desidratação.
  • Constante de manutenção (jovens/obesos): A constante utilizada para o cálculo da manutenção (item B) em animais jovens (de dois meses a um ano) ou obesos é 50 ml/kg.
  • Constante de manutenção (jovens 2 12 meses): A constante de manutenção para animais jovens (entre 2 meses e 1 ano de idade) é 50.

Estimativa de Perdas Gastrointestinais

Como calcular perdas continuadas conforme sinais clínicos.

  • Objetivo do cálculo de perdas continuadas: O cálculo das perdas continuadas visa repor o volume que o animal continua perdendo por sintomas ativos.
  • Constante para diarreia isolada: A constante para o cálculo de perdas continuadas é 50 se houver apenas diarreia.
  • Constante para vômito e diarreia concomitantes (item C): A constante para o cálculo de perdas continuadas (item C) em casos de vômito e diarreia concomitantes é 60 ml/kg.
  • Constante para vômito e diarreia concomitantes (simples): A constante utilizada para o cálculo de perdas continuadas quando há vômito e diarreia concomitantes é 60.
  • Constante para perdas contínuas com vômito e diarreia simultâneos: A constante utilizada para o cálculo de perdas contínuas quando o paciente apresenta vômito e diarreia simultâneos é 60.
  • Exemplo prático (cão 4 kg): O volume de perdas contínuas para um cão de 4kg com vômito e diarreia é de 240ml.

Protocolo de Expansão no Choque Hipovolêmico

Protocolo de expansão volêmica no choque hipovolêmico:

  1. Etapa 1: Um paciente com 12% de desidratação é classificado como estando em choque hipovolêmico.
  2. Etapa 2: No estado de choque hipovolêmico, a prioridade absoluta é a expansão da volemia para evitar o óbito por hipoperfusão, tornando o pH do fluido secundário.
  3. Etapa 3: Em cães com choque hipovolêmico, a velocidade de infusão na primeira hora para expansão volêmica rápida é de 60 a 90 ml por quilo; em gatos com choque hipovolêmico, a velocidade de infusão na primeira hora para expansão volêmica rápida é de 40 a 60 ml por quilo.
  4. Etapa 4: A expansão volêmica rápida na primeira hora melhora a perfusão tecidual comprometida por falta de volume.
  5. Etapa 5: Para pacientes acidêmicos, recomenda se a utilização de fluidos alcalinizantes, como o Ringer com Lactato.
  6. Etapa 6: Após a primeira hora de expansão volêmica em choque, a velocidade de infusão deve ser reduzida para evitar excesso de volume.
  7. Etapa 7: O cálculo da velocidade real é obtido dividindo o volume restante pelo tempo restante em horas.
  8. Etapa 8: Em um exemplo de cão com choque, se a primeira hora consome 360ml de um total de 920ml, restam 560ml para as próximas 23 horas.

Cálculo da Demanda Volumétrica Inicial

Para um cão de 15 kg com desidratação moderada de 8%, o cálculo de reposição utiliza a constante 80 no cálculo de reposição, gerando um volume de reposição de 1.200 ml.

O volume de manutenção de 600 ml soma se às perdas contínuas de 750 ml em 24 horas, calculadas com a constante 50 ml/kg para perdas contínuas de diarreia, ou seja, a constante 50 multiplicada pelo peso; a constante 50 para perdas contínuas de diarreia é aplicada, resultando em um volume total de 2.550 ml em 24 horas.

Em condições normais, a velocidade de infusão de aproximadamente 106,2 ml/h seria necessária para administrar esse volume em um único dia.

Desafios das Comorbidades e Manejo Metabólico

Pontos chave para individualizar a fluidoterapia em pacientes com cardiopatia, hepatopatia e perdas gastrointestinais.

  • Cardiopatia grave: Pacientes cardiopatas graves possuem menor tolerância à fluidoterapia e maior risco de edema pulmonar.
  • Hepatopatia grave: Em pacientes hepatopatas graves, deve se ter cautela com o uso de Ringer com lactato pois não se sabe se o fígado metabolizará o lactato em bicarbonato.
  • Alternativa para hepatopatas acidêmicos: Uma alternativa para pacientes hepatopatas em acidemia é o uso de solução de cloreto de sódio 0,9% acrescida de bicarbonato de sódio.
  • Cardiopatia tolerância reduzida: Pacientes cardiopatas são menos tolerantes à fluidoterapia e apresentam maior risco de edema pulmonar.
  • Diarreia e bicarbonato: A diarreia leva à perda de bicarbonato no organismo do paciente.
  • Avaliação clínica em cardiopatas: A avaliação clínica de um paciente cardiopata exige atenção redobrada para evitar quadros congestivos durante a fluidoterapia.
  • Individualização da fluidoterapia: A fluidoterapia deve ser individualizada com base nas comorbidades do paciente para evitar quadros de hiperidratação.
  • Correção de distúrbios hidroeletrolíticos: A correção de distúrbios hidroeletrolíticos em pacientes com baixa tolerância a volume é considerada um desafio clínico.

Protocolo de Restrição e Teto de Segurança

O protocolo define como limitar a infusão em pacientes com baixa tolerância volêmica.

  1. Etapa: Identificar pacientes com baixa tolerância volêmica ( cardiopatas e nefropatas anúricos ou oligúricos ) que exigem limitação da velocidade de infusão. Pacientes com cardiopatia ou nefropatia anúrica ou oligúrica apresentam menor tolerância ao volume de fluido. Nefropatas anúricos ou oligúricos são exemplos de pacientes com baixa tolerância a volumes de fluido.
  2. Etapa: Aplicar o teto de segurança de 4 ml/kg/h para evitar eventos adversos por excesso de volume. Em pacientes cardiopatas, a velocidade máxima de infusão recomendada é de 4 ml por quilo por hora. A velocidade de infusão de fluidos deve ser limitada em pacientes com condições que facilitem a ocorrência de eventos adversos por excesso de volume.
  3. Etapa: Calcular a velocidade máxima para o cão de 15 kg: 60 ml/h (4 ml/kg/h × 15 kg). Para um cão cardiopata de 15 kg, a velocidade máxima de infusão é de 60 ml por hora.
  4. Etapa: Converter a velocidade em volume diário máximo: 60 ml/h × 24 h = 1.440 ml em 24 horas. Um volume de infusão de 60 ml por hora totaliza 1.440 ml ao longo de 24 horas. Ao limitar a infusão à velocidade de 60 ml por hora, o volume possível de ser administrado em 24 horas é de 1.440 ml.
  5. Etapa: Comparar com o volume teórico calculado ( 2.550 ml ) e reduzir a infusão ao máximo tolerado, alongando a terapia por vários dias. Se a velocidade real calculada ultrapassa a tolerância máxima do paciente (ex: 106,2 ml/h vs 60 ml/h), deve se limitar a infusão ao máximo tolerado.

Riscos de Sobrecarga e Progressão Terapêutica

Ultrapassar o limite máximo de infusão de fluidos pode causar hipervolemia e edema pulmonar no paciente. Ultrapassar o limite máximo de infusão de fluidos, especialmente se exceder 10 ml/kg/h, eleva a pressão hidrostática, mobilizando fluido para o interstício e causando edema pulmonar; ultrapassar a velocidade máxima de infusão em pacientes sensíveis pode provocar edema pulmonar ou congestão. O aumento da pressão hidrostática por excesso de volemia pode causar edema pulmonar ao mobilizar fluido para o espaço intersticial pulmonar. Pacientes menos tolerantes a fluidos, como cardiopatas e nefropatas anúricos, demoram mais tempo para atingir o estado de normovolemia; o alcance do estado de normovolemia e hidratação plena em pacientes cardiopatas ou nefropatas leva mais tempo devido à restrição na velocidade de infusão. No segundo dia de tratamento, o volume de reposição tende a diminuir devido à reidratação prévia, devendo ser reavaliado e geralmente diminuído. Se a velocidade real de infusão calculada para o tempo restante ultrapassar o limite máximo de 10 ml/kg/h, o volume deve ser reduzido.

Dicas Para Provas

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O cálculo de fluidoterapia é um conteúdo importante para a prática clínica e avaliação acadêmica.

Reflexão Sion

A Sede que a Ciência Não Mata

A fluidoterapia exige precisão milimétrica no equilíbrio entre água e eletrólitos, pois até 15% de perda hídrica leva ao choque irreversível e à morte. Da mesma forma, nossa alma entra em colapso quando tentamos viver sem a "água viva" que sustenta a vida eterna, substituindo a por soluções paliativas que não suprem a sede profunda. Jesus disse que quem beber da água que Ele dá nunca mais terá sede, pois ela se tornará fonte a jorrar para a vida eterna.

Quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.João 4:14

Leia João 4 e descubra como a sede da alma encontra seu fim em Cristo.

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