Sion Academy
Aula 06 Frangos de Corte: Manejo, Qualidade da Água, Cama e Práticas Pré Abate
A preparação da pinteira organiza a ambiência antes do alojamento e orienta a observação das falhas que podem afetar o lote.
Topicos da aula
- Frangos de Corte: Manejo de Arraçoamento, Qualidade da Água, Cama e Práticas Pré Abate
Overview
Panorama do manejo do lote
O manejo do lote começa pela observação do lote, integrando comportamento, postura, conformação e homogeneidade a dados objetivos como peso, idade, mortalidade, desempenho e necropsia. A partir dessa representação, a condução deve seguir uma sequência coerente: preparar a pinteira, ajustar alimentação e água, manter ambiência e cama adequadas, escolher estratégias de vacinação e acompanhar indicadores. Ao final do ciclo, o pré abate exige decisões sobre jejum, apanha, transporte e condições climáticas. Depois, a retirada da cama, a limpeza, a desinfecção e o vazio sanitário reduzem o desafio para o próximo lote, enquanto a biosseguridade e os registros contínuos sustentam a prevenção, a rastreabilidade e a correção dos problemas.
Princípios gerais de manejo e diagnóstico
Observação comportamental das aves
A observação atenta do comportamento e da postura das aves fornece indícios sobre as medidas necessárias e orienta o diagnóstico do lote. No rebanho avícola, o comportamento fornece indícios para o diagnóstico e para as ações necessárias de manejo. As características biológicas naturais da ave podem favorecer ou limitar a ocorrência de problemas; reconhecê las ajuda a estabelecer caminhos de solução. As características visuais das excretas também fornecem elementos para avaliar a situação do lote. A necropsia constitui ferramenta fundamental na avicultura, e é indispensável conhecer a sequência dos órgãos.
Avaliação da conformação das aves
A avaliação clínica deve considerar a conformação das aves e a homogeneidade de características que se desenvolvem ao longo da criação, incluindo crista, barbela e empenamento. A análise da situação do lote avalia a conformação e a homogeneidade do desenvolvimento de características como crista, brinco e barbelas. No frango de corte, o manejo da primeira idade é fundamental, pois influencia o ganho de peso, o crescimento e a eficiência produtiva. A gestão deve ser orientada por objetivos, considerando a idade e a linhagem presentes no galpão para estabelecer os primeiros elementos de diagnóstico, em conjunto com a avaliação das instalações e dos equipamentos.
Indicadores objetivos do diagnóstico
Problemas observados no final do ciclo podem ter origem no incubatório ou no matrizeiro. Os fatores de qualidade presentes no primeiro dia, com origem no incubatório ou no matrizeiro, podem impactar toda a produção. Por isso, as primeiras 24 horas de vida são decisivas: manejos simples realizados inadequadamente nesse período podem desencadear problemas importantes nas fases posteriores.
O diagnóstico não deve ser baseado em inferências, mas na coleta de elementos objetivos, como peso, idade, mortalidade, desempenho e achados de necropsia. Na granja, o peso, a idade, a mortalidade e a necropsia são ferramentas empregadas para um diagnóstico assertivo.
Manejo inicial e preparação da pinteira
Sequência da ambiência inicial
A preparação da pinteira organiza a ambiência antes do alojamento e orienta a observação das falhas que podem afetar o lote.
- Etapa: Antes do alojamento, prepare a pinteira considerando as condições de ambiência, os sistemas de ventilação, a intensidade de alojamento e o programa de iluminação.
- Etapa: Na fase de aquecimento inicial, esses cuidados incluem a densidade de alojamento, a abertura do círculo de proteção (pinteira) e o programa de iluminação.
- Etapa: A ventilação no aviário é uma das principais formas de circular o ar e retirar o excesso de umidade.
- Etapa: Na fase inicial, mantenha o aquecimento; posteriormente, o manejo passa a exigir medidas de resfriamento.
- Etapa: Avalie a qualidade da preparação inicial antes do alojamento, porque falhas nessa etapa comprometem o desenvolvimento do lote e podem favorecer o aparecimento de aves refugadas entre a segunda e a terceira semana.
- Etapa: Entre a segunda e a terceira semana podem surgir aves de refugo, que não se alimentam nem bebem adequadamente, tornando se porta de entrada de patologias no lote.
- Etapa: O procedimento de preparação da pinteira é conteúdo passível de cobrança em avaliação sobre manejo avícola.
Refugos e medidas sanitárias
A ave refugada apresenta dificuldade para comer e beber, tornando se mais vulnerável à ocorrência de patologias. Como medida sanitária, pode ser necessária a retirada ou o descarte dessas aves.
A presença de refugos pode estar relacionada ao manejo, às condições sanitárias do município ou a fatores anteriores ao alojamento. Por isso, a investigação deve considerar idade, peso, mortalidade, homogeneidade, comportamento e resultados de necropsia, evitando conclusões baseadas exclusivamente em suposições.
Manejo dos comedouros
Parâmetros da alimentação inicial
Os sistemas de alimentação são componentes essenciais do manejo, embora frequentemente sejam tratados com indiferença por parecerem óbvios. Em sistemas metálicos, a ração é conduzida para dentro do galpão e distribuída ao longo dos comedouros.
Nos comedouros de prato, a regulagem baseia se em dois parâmetros: a altura do prato em relação à ave e a profundidade da coluna de ração no prato. A ave tende a ocupar o alimento disponível no comedouro e impedir o acesso das outras aves. A altura do comedouro está correta quando a ave consegue comer apenas de pé e sem fazer esforço para acessar o prato. Durante a primeira semana, o objetivo é permitir acesso fácil à alimentação; a partir do oitavo dia, o prato deve ser elevado em relação à cama e o nível de ração reduzido gradualmente.
Altura e nível durante o ciclo
A partir de aproximadamente 19 dias, o nível de ração deve ser reduzido, mantendo se a altura do comedouro em uma posição confortável para a ave. O nível deve ser suficientemente baixo para reduzir o desperdício, sem dificultar o acesso.
A regulagem da tampa ou do mecanismo do comedouro automático determina a altura e a profundidade da ração no prato. Quando a ave consegue comer deitada ao lado do comedouro, o equipamento está baixo ou inadequadamente regulado; quando precisa permanecer em postura desconfortável para alcançar a ração, também há erro de regulagem. Em particular, se a ave deita e consegue comer, a altura do comedouro está baixa demais.
Postura como evidência de regulagem
A inspeção da postura das aves deve partir da observação direta, especialmente do comportamento junto ao comedouro. A ave não deve deitar se para alcançar o alimento nem ocupar espaço excessivo junto ao comedouro. Quando uma ave permanece deitada e consome a ração, reduz a disponibilidade de acesso para as demais.
À medida que as aves crescem, a regulagem precisa ser ajustada continuamente. A entrada da ave no comedouro pode ocorrer quando ele está baixo ou alto demais; por isso, a verificação da postura é essencial para identificar o problema e corrigir a regulagem.
Impacto econômico do desperdício
O nível de ração no prato tem impacto direto sobre as perdas. Observe como um pequeno desperdício diário se transforma em uma perda expressiva ao longo do lote e do ano.
| Indicador | Cálculo ou período | Resultado |
|---|---|---|
| Nível de ração no prato | Relação com o desperdício | Quanto maior o nível de ração no prato, maior tende a ser o desperdício. |
| Desperdício diário | 4 g por ave por dia × 25.000 aves | 100 kg de ração |
| Período considerado | Entre 22 e 42 dias de idade | 21 dias |
| Desperdício por lote | 100 kg por dia × 21 dias | 2.100 kg de ração |
| Ciclo total | 42 dias de criação e 14 dias de vazio sanitário | 56 dias |
| Lotes por ano | Com 42 dias de criação e 14 dias de vazio sanitário | cada galpão pode realizar aproximadamente 6,5 lotes por ano |
| Desperdício anual | 2.100 kg por lote × aproximadamente 6,5 lotes | cerca de 13,65 toneladas de ração |
Os valores consideram 4 g de desperdício por ave por dia em um galpão com 25.000 aves.
Regulagem pelo prato sensor
As linhas de comedouro automático para aves possuem um prato sensor. Divisórias podem delimitar a área onde ele está localizado no galpão. Nessa área, uma densidade maior de aves faz com que elas consumam primeiro a ração e mantenham os demais pratos da linha sempre cheios. Assim, o procedimento induz o sensor a manter os comedouros abastecidos e constitui uma regulagem importante do sistema de alimentação.
Programas de alimentação
Comparação das fases nutricionais
A comparação do número de fases ajuda a relacionar a organização do programa ao ajuste do fornecimento de nutrientes às exigências nutricionais da ave.
| Aspecto | Descrição | Implicação |
|---|---|---|
| Número de fases | Os programas de alimentação podem ser organizados em três, quatro ou cinco fases. | A organização varia conforme o programa adotado. |
| Programa de cinco fases | Um programa de cinco fases pode incluir as etapas pré inicial, inicial, crescimento 1, crescimento 2, final 1 e final 2, conforme a organização adotada. | A composição das etapas depende da organização adotada. |
| Programas com mais fases | Programas com mais fases podem incluir dietas pré inicial, inicial, crescimento 1, crescimento 2 e, em alguns casos, final 1 e final 2. | O aumento do número de fases permite aproximar o fornecimento de nutrientes das exigências nutricionais da ave. |
| Efeito econômico | Dessa forma, reduz se a quantidade de nutrientes fornecida em excesso e diminui se o desperdício, tornando o programa potencialmente mais econômico. | O programa pode se tornar potencialmente mais econômico. |
Limites logísticos do programa
A elaboração de um programa com mais fases é simples do ponto de vista teórico, pois envolve o cálculo das exigências nutricionais e a formulação das dietas. O cálculo das exigências nutricionais para formular programas com mais fases de alimentação pode ser realizado com base nas tabelas brasileiras.
Na prática, porém, a decisão depende da capacidade da fábrica. Entretanto, a fábrica de ração precisa ter capacidade operacional para produzir, registrar, embalar, rotular e transportar as diferentes dietas. Antes da implementação, deve se verificar com o gerente da fábrica quantas formulações podem ser produzidas e distribuídas, pois um programa economicamente vantajoso no papel pode ser inviável quando determinada dieta é produzida em quantidade pequena demais para ser transportada adequadamente.
Processamento e consumo da ração
A programação nutricional deve considerar a logística de processamento e distribuição. Para o frango macho da linhagem Cobb, o consumo previsto é de aproximadamente 4,6 kg por ave até a idade de abate, valor que serve de base para programar as distribuições.
Quanto à forma física, parte da produção utiliza ração farelada, mas a maior parte utiliza ração peletizada. Para pintainhos, a ração peletizada precisa ser triturada, transformando se em partículas menores adequadas ao consumo na primeira idade.
Manejo dos bebedouros e qualidade da água
Aferição da vazão do nipple
Siga esta sequência para avaliar o funcionamento da linha e aferir a vazão do nipple.
- Etapa: Verifique periodicamente se a linha permanece abastecida e funcionando adequadamente, pois um bebedouro vazio não contribui para o desempenho do lote.
- Etapa: Observe a ave: quando a ave encosta e abre o bico no nipple, a água escorre do bebedouro para dentro dele.
- Etapa: Acione o pino com o dedo, colete a água até completar 50 ml em um copo graduado e cronometre o tempo gasto.
- Etapa: Calcule a vazão em mililitros por minuto para verificar se a pressão de operação está adequada.
Altura confortável do bebedouro
A regulagem dos bebedouros depende da altura em relação à ave. Nos bebedouros pendulares (sino), use o dorso da ave como linha de referência. No primeiro dia, o sistema deve permitir que o pintainho alcance a água sem dificuldade; a partir do segundo dia, a altura deve aproximar se do topo da cabeça e, depois, formar uma inclinação confortável.
A ave deve beber mantendo postura natural, sem esticar excessivamente o pescoço ou deitar se para alcançar o nipple. A postura de conforto deve ser observada tanto no acesso à água quanto no acesso à ração. Em bebedouros tipo nipple, o acesso ao bico ocorre com ângulo de 75 a 85 graus.
Pressão de operação da linha
O segundo parâmetro da regulagem é a pressão de operação, avaliada pela vazão da água em mililitros por minuto. A pressão de operação da linha de bebedouros determina essa vazão e, por isso, influencia o atendimento hídrico do lote.
Existem equipamentos de baixa e de alta pressão. A diferença prática está no número de aves que pode ser atendido por nipple, pois equipamentos de maior vazão repõem a água mais rapidamente. As referências de regulagem devem considerar o tipo de bebedouro e a postura da ave durante o consumo.
Efeitos da restrição hídrica
Quando a ave precisa deitar se ou dobrar excessivamente o pescoço para beber, o acesso está inadequado. A ave que permanece abaixo da altura correta não consegue beber de modo eficiente. Por isso, a regulagem deve considerar a altura do bebedouro em relação à ave e a pressão hidrostática responsável pela vazão.
A restrição do consumo de água reduz também o consumo de ração, pois ambos estão intimamente relacionados. Vazamentos devem ser corrigidos imediatamente, pois prejudicam a qualidade da cama.
Cloro residual no final da linha
- Periodicidade: A periodicidade da análise da qualidade da água deve ser estabelecida no memorial descritivo e nos registros do sistema.
- Parâmetros: São semelhantes aos utilizados para a água destinada ao consumo humano, embora possam apresentar padrão um pouco menos rigoroso para coliformes e turbidez.
- Cloração: Constitui medida simples e relevante.
- Medidor eletrônico: Permite avaliar a cloração com um eletrodo colocado na água.
- Kit com reagente: Permite avaliar a cloração por meio de reagente.
- Cloro residual: A concentração de cloro residual na amostra coletada no último nipple, ao final da linha de água, deve atingir pelo menos 3 ppm.
Flushing e temperatura da água
A temperatura da água depende da proteção da caixa d’água e da renovação adequada ao final da linha.
- Etapa: Mantenha a caixa d’água em local protegido e evite que a água fornecida aos pintainhos permaneça excessivamente aquecida.
- Etapa: Abra a válvula no final da linha para realizar o flushing e renovar a água. Linhas modernas podem possuir recirculação automática, melhorando a temperatura.
- Etapa: Assim, o flushing ou a recirculação automática ao final da linha são utilizados para melhorar a temperatura da água fornecida às aves.
- Etapa: Evite que a água retirada forme lamaçal do lado externo do galpão, pois a umidade, o abrigo e a presença de matéria orgânica favorecem a proliferação de moscas e outras pragas. Nesse contexto, o abrigo e o alimento, no qual a água está incluída, são elementos essenciais para a ocorrência de infestações por pragas.
Vacinação
Vacinas obrigatórias e opcionais
Em grande parte das granjas integradas, há vacinas obrigatórias e vacinas opcionais aplicadas no incubatório. A vacinação pode incluir bronquite infecciosa e, conforme a região e os problemas epidemiológicos, Newcastle, leucose, salmonelose e outras enfermidades.
Em aves de reprodução, o uso de pistolas de vacinação manual representa um risco para a transmissão de leucose. Assim, algumas medidas são obrigatórias, enquanto outras são adotadas de acordo com as condições epidemiológicas locais e as características de cada integração.
Vacinação durante a incubação
A sequência combina o momento da incubação com as possibilidades de vacinação no incubatório.
- Etapa: O período de incubação do ovo é de 21 dias.
- Etapa: No 19º dia ocorre a transferência dos ovos da incubadora para o nascedouro.
- Etapa: Assim, a vacinação in ovo pode ser executada durante a etapa de transferência dos ovos da incubadora para o nascedouro.
- Etapa: Após o nascimento, outra possibilidade é a vacinação injetável, realizada manualmente com pistola ou por meio de equipamento que encosta na região posterior do pescoço do pintainho e aplica a vacina.
Atenção à condensação no incubatório
No incubatório não pode haver condensação na casca do ovo. Em seguida, podem ser consideradas as diferentes vias de administração.
Escolha da via vacinal
A escolha da via depende do agente vacinal e de sua forma de ação. A aspersão é eficiente para agentes vacinais com ação por inalação ou ingestão; outros agentes exigem vias mais invasivas, como a injeção.
Entre as opções, na vacinação ocular, aplica se uma gota no olho da ave. Na escarificação, o instrumento é umedecido na solução vacinal e utilizado na membrana da asa. A aplicação intramuscular é geralmente realizada no peito da ave. Para a vacinação massal, podem ser usadas a via de água de bebida ou a nebulização.
Etapas da vacinação hídrica
Na vacinação pela água de bebida, siga a sequência e confirme a distribuição e o consumo da água vacinal.
- Etapa: Feche o sistema, calcule o número de aves e estime o volume de ingestão.
- Etapa: Prepare a diluição do agente vacinal.
- Etapa: Libere a água vacinal e aguarde que todas as aves bebam.
- Etapa: Copos posicionados no final da linha permitem verificar, por meio do corante presente na água, se o agente vacinal chegou a esse ponto.
- Etapa: Os corantes também podem tingir a língua das aves, possibilitando confirmar o consumo da água vacinal.
- Etapa: Somente depois que todas as aves beberem, reabra normalmente o sistema.
Nebulização e escolha da via
A nebulização forma uma névoa que pode ser inalada pelas aves, e alguns equipamentos são conduzidos ao longo do galpão para distribuí la. Determinados agentes vacinais são eficazes por essa via, enquanto outros exigem vias convencionais; por isso, a escolha deve considerar o agente utilizado e sua principal via de administração.
A vacinação injetável proporciona resposta mais rápida, mas vacinar individualmente 25.000 aves é operacionalmente difícil. Assim, a água ou a nebulização podem ser preferíveis quando o sistema de distribuição permite.
Manejo da cama
Início do manejo intensivo
Após aproximadamente 28 dias, o manejo da cama deve tornar se mais intenso, embora problemas possam surgir antes dessa idade. A primeira medida deve ser evitar o umedecimento da cama, reduzindo a necessidade de revolvimento.
Em um galpão de 150 m por 14 m, a área de cama é de 2.100 m², tornando o revolvimento uma tarefa extensa. Quando necessário, utilizam se equipamentos rotativos que quebram placas compactadas e misturam a cama.
Quando evitar o revolvimento
Se a qualidade da cama puder ser preservada, o ideal é evitar seu revolvimento, pois as aves podem ingerir a cama revolvida, especialmente quando o material fica desorganizado. Se esse comportamento coincidir com um período de menor competência imunológica, pode ocorrer a ingestão de material contaminado por patógenos presentes no ambiente. A combinação entre queda de imunidade e ingestão de cama contaminada pode favorecer o aparecimento de patologias. Quando o revolvimento não for possível de evitar, realize o manejo de forma controlada.
Umidade, placas e pododermatite
Quando a qualidade da cama piora, ocorre compactação e formação de placas endurecidas, com aumento de lesões, incluindo pododermatite. A compactação e o empastamento da cama de aviário têm relação direta com o aumento da ocorrência de pododermatite nas aves, enquanto a cama deteriorada abre caminho para outros patógenos.
Podem ser aplicados cal hidratado, gesso agrícola ou aditivos semelhantes para modificar o pH e reduzir a volatilização da amônia. A aplicação de cal virgem ou gesso agrícola na cama de aviário modifica o pH e reduz a volatilização da amônia. O revolvimento de uma cama molhada intensifica a liberação de amônia, agravando a qualidade do ambiente.
Ventilação no controle da umidade
O controle da ventilação é uma das principais formas de reduzir a umidade da cama. Aumentar a ventilação do galpão reduz a umidade da cama, modula a microflora ambiental e diminui a incidência de pododermatite.
Em períodos de temperatura mais baixa e umidade relativa externa menor, a ventilação pode funcionar com maior eficiência. Por isso, o acionamento dos ventiladores deve considerar a necessidade de remover umidade, e não apenas o conforto térmico imediato das aves. Mesmo quando as aves não demonstram calor, pode ser necessário manter a ventilação para preservar a cama.
Frio, umidade e instalações
Frangos após 28 dias somente começam a sofrer com o frio em torno de 12 °C, embora temperaturas de aproximadamente 10 °C ou inferiores possam causar problemas próximo à idade de abate. A adaptação ao frio é melhor do que ao calor excessivo, mas a margem de conforto é limitada. Matrizes pesadas e poedeiras começam a sofrer impactos térmicos negativos quando expostas a temperaturas abaixo de 12 °C.
A instalação também interfere no controle da cama. Galpões avícolas com pisos de concreto ou de terra batida podem apresentar problemas de infiltração ascendente de umidade. Galpões de terra batida ou concreto podem absorver umidade, inclusive por infiltração ascendente; mesmo pisos de aviários feitos de concreto ainda puxam umidade. A localização e o tipo de instalação podem impedir o adequado controle da cama, especialmente quando há infiltração constante.
Rastreabilidade das lesões podais
A rastreabilidade transforma a identificação das lesões em informação útil para gerenciar o problema, localizar sua origem e relacioná lo às perdas.
- Prevalência: Lotes de frango podem apresentar até 100% de prevalência de pododermatite em algum grau.
- Identificação para rastreabilidade: Na identificação de pododermatite em um lote, é necessário ter a identificação do granjeiro, a procedência e a identificação do lote para rastreabilidade.
- Anotações: Sem anotações, não é possível gerenciar o problema nem determinar sua origem.
- Relação com o prejuízo: A rastreabilidade permite relacionar o lote ao prejuízo observado.
- Responsabilidade: A rastreabilidade permite definir a responsabilidade de cada etapa do sistema de produção.
Efeitos da umidade extrema
Os extremos de umidade alteram diretamente a qualidade da cama. Quando ela está muito seca, há produção excessiva de pó, o que sobrecarrega o sistema respiratório. O material particulado pode conter esporos, formas vegetativas e microrganismos transportados pelos aerossóis no interior do galpão.
Quando a cama está muito úmida, ocorre compactação e aumenta a matéria orgânica disponível. Nessa matéria orgânica, a demanda bioquímica de oxigênio (DBO) é gerada por microrganismos.
Atividade microbiana da cama
A massa de cama úmida e compactada pode desenvolver condições anaeróbicas. Essas condições favorecem organismos patogênicos e prejudicam o equilíbrio microbiano do ambiente.
Com a umidade controlada, a cama permanece mais favorável à atividade de microrganismos aeróbicos, não patogênicos e termófilos, que utilizam os nutrientes disponíveis. Além disso, o aumento da ventilação reduz a umidade e pode diminuir a ocorrência de lesões por meio da modulação da microflora ambiental.
Pré abate
Sequência do manejo pré abate
O manejo pré abate forma uma sequência contínua: preparar a ave, organizar o jejum, conduzir a apanha e acompanhar as perdas até a espera no abatedouro.
- Etapa: Inicie o manejo pré abate por volta de 41 a 42 dias de idade do lote, preparando a ave fisiologicamente para o transporte e o abate. Esse transporte e abate podem ser agressivos dependendo das condições de manejo.
- Etapa: Estabeleça o jejum pré abate entre 6 e 12 horas. O período de jejum abrange o início do carregamento, o transporte até a plataforma de abate, o período de espera, o descarregamento e o abate propriamente dito.
- Etapa: Retire apenas o alimento durante o jejum. Durante o jejum, a água deve permanecer disponível e apenas o alimento deve ser retirado.
- Etapa: Realize a apanha com atenção às lesões. A apanha manual tradicional com contenção e captura de múltiplas aves pelos pés ou pernas provoca alto volume de lesões nas aves.
- Etapa: Rastreie as etapas produtivas e identifique cronologicamente as lesões. A rastreabilidade das etapas produtivas e a identificação cronológica das lesões permitem responsabilizar os setores encarregados pelas perdas e bonificar práticas adequadas de apanha.
- Etapa: Encaminhe os caminhões para a espera no abatedouro. Todo abatedouro avícola possui uma plataforma de espera para os caminhões de frangos.
Jejum e integridade visceral
O jejum pré abate reduz a quantidade de alimento no trato digestório no momento da evisceração. Como a evisceração é mecânica, o excesso de conteúdo pode provocar rompimento das vísceras e levar ao descarte da carcaça. Por isso, o período ideal permanece entre 6 e 12 horas.
Esse jejum não deve ser excessivamente prolongado: sem alimento, as paredes do trato digestório tornam se mais finas e a ave pode ingerir maior quantidade de cama. Assim, a duração adequada equilibra a redução do conteúdo digestório com a preservação da integridade das vísceras.
Iluminação e perda de peso
Durante parte do jejum, pode se manter a iluminação para estimular a movimentação das aves. Quando permanecem no escuro, as aves tendem a abaixar se e andar menos, reduzindo a excreção e aumentando a retenção de fezes no trato digestório. Com a luz acesa, a movimentação aumenta e pode diminuir o acúmulo no trato.
Nesse período pré abate, a perda de peso esperada foi indicada como aproximadamente 0,2% a 4% do peso vivo, valor verificado na inspeção do lote para o abate.
Densidade conforme peso e clima
As caixas podem ser utilizadas para organizar o ambiente de apanha e agrupar as aves. A quantidade de aves por caixa deve considerar o peso de abate, o sexo, o tipo de ave e a composição do lote.
| Critério ou condição | Orientação para a caixa |
|---|---|
| Base de definição | Para caixas de aproximadamente meio metro quadrado, a densidade deve ser definida pelo peso. |
| Características do lote | A quantidade de aves por caixa deve considerar o peso de abate, o sexo, o tipo de ave e a composição do lote. |
| Dias frios | Em dias frios, pode se trabalhar com maior peso total por caixa, em torno de 23 kg. |
| Dias quentes | em dias quentes, deve se adotar uma postura mais conservadora para melhorar a ambiência durante o transporte. |
A densidade deve ser ajustada às características do lote e às condições climáticas.
Apanha mecânica versus manual
A apanha pode ser automática, mecânica ou manual. As máquinas automáticas utilizam dedos de borracha para puxar as aves e acondicioná las nas caixas. Quando bem regulado, o equipamento pode ser menos agressivo do que a captura humana.
Na apanha manual tradicional, o trabalhador captura várias aves simultaneamente, o que aumenta o risco de lesões nas pernas e de arremesso inadequado para dentro da caixa. Por isso, a técnica correta exige movimentos pequenos, controle e treinamento, embora possa haver resistência dos trabalhadores à sua adoção.
Bonificação baseada em registros
A rastreabilidade das lesões permite relacionar o prejuízo ao método de apanha e criar mecanismos de bonificação para equipes que apresentem melhor desempenho. Para viabilizar a exportação de carne de frango para a União Europeia, a execução da portaria do MAPA exige a realização de rastreabilidade.
A implantação desse sistema exige mensuração dos resultados e identificação do responsável por cada etapa. Sem registros, não é possível demonstrar o impacto financeiro de uma apanha inadequada nem justificar mudanças no processo.
Perigo do calor e umidade
Alguns caminhões possuem plataformas basculantes que elevam as caixas para o carregamento. Em dias quentes, pode se molhar a carga para auxiliar o resfriamento, mas o caminhão deve continuar em movimento: se o veículo parar, a combinação entre calor sensível e calor latente pode impedir a dissipação térmica e levar à morte das aves. Com umidade relativa acima de 80%, a capacidade de troca de calor latente fica muito reduzida; nessas condições, molhar os animais pode acelerar a mortalidade.
Momento de ocorrência das lesões
A coloração das lesões ajuda a estimar quando ocorreram: roxa no início e esverdeada após aproximadamente 12 horas.
| Momento ou observação | Coloração ou indicador | Interpretação |
|---|---|---|
| Inicialmente | Roxa | A lesão está em fase inicial. |
| Após aproximadamente 12 horas | Esverdeada | A coloração permite estimar que a lesão é mais antiga. |
| Antes da apanha | Lesões verdes | Lesões verdes indicam ocorrência anterior à apanha. |
| Durante as etapas de manejo | Lesões roxas | Lesões roxas sugerem ocorrência durante a apanha na granja, o acondicionamento nas caixas ou a pendura no abatedouro. |
Foi observado um abatedouro com 19% de lesões no dia da avaliação.
Clima e plataforma de espera
A mortalidade durante o transporte pode ser reduzida pela escolha do dia e horário de embarque. Porém, os abatedouros funcionam em três turnos e nem sempre permitem selecionar livremente o horário.
Em condições de 25 °C e 60% de umidade relativa, já existe risco relevante, especialmente quando a temperatura e a umidade são superiores. A plataforma de espera do abatedouro deve contar com ventiladores e nebulizadores para melhorar a ambiência enquanto o caminhão aguarda.
As regiões centrais da carga apresentam maior necessidade de controle térmico. Por isso, o monitoramento da ambiência deve considerar a distribuição do calor dentro do caminhão.
Retirada da cama e vazio sanitário
Reutilização após saída do lote
Após a saída do lote, inicia se imediatamente a retirada da cama ou o preparo para sua reutilização. A faixa média mencionada situa se entre 5 e 8 lotes, embora existam granjas que tenham trabalhado com até 28 lotes.
Se ocorreu um problema sanitário relevante no lote anterior, a cama deve ser descartada. As partes úmidas e compactadas, que formam placas duras, devem ser encaminhadas para a composteira.
O restante pode ser revolvido para expor as penas, que são queimadas antes da compostagem.
Sequência da compostagem
A sequência combina a formação das leiras com queimas sucessivas para expor e eliminar as penas antes da compostagem.
- Etapa: A compostagem pode ser realizada com a cama estendida ou enleirada.
- Etapa: A cama enleirada facilita o revolvimento e a exposição das penas, permitindo nova queima com maior facilidade.
- Etapa: Após a retirada do lote, pode ser feita uma primeira queima; depois da remoção da cama e da formação das leiras, as penas que vierem à superfície podem ser queimadas novamente.
- Etapa: O uso de lança chamas constitui uma das formas de realizar essa queima antes da limpeza do galpão.
- Etapa: No manejo de reutilização da cama, realiza se a queima das penas com lança chamas, revira se a cama para que as penas internas subam, queima se novamente e procede se à compostagem.
Limpar, lavar e desinfetar
A higienização segue uma ordem operacional: remover a matéria orgânica, lavar os resíduos e só então desinfetar.
- Etapa: Após a etapa de queima de penas na cama, inicia se o processo de biosseguridade composto por limpeza, lavagem e desinfecção das instalações.
- Etapa: O processo de higienização compreende três etapas: limpar, lavar e desinfetar.
- Etapa: Limpar significa remover, com vassoura e outros meios físicos, o máximo possível de matéria orgânica.
- Etapa: Lavar consiste em utilizar água, detergente e bomba de alta pressão para remover gordura e resíduos aderidos.
- Etapa: Somente depois da limpeza e da lavagem, com breve período de secagem, deve se aplicar o desinfetante.
- Etapa: O desinfetante perde eficiência quando aplicado sobre local sujo ou com excesso de matéria orgânica.
- Etapa: O processo de desinfecção do galpão avícola possui uma etapa física, realizada com vassoura de fogo (lança chamas), e termina com uma etapa química por meio da escolha de um princípio ativo.
Sequência da limpeza do galpão
A limpeza progride das áreas superiores para as inferiores e do interior para o exterior, removendo resíduos e biofilme.
- Etapa: A limpeza deve ser realizada de cima para baixo e de dentro para fora, abrangendo telas, cortinas e demais superfícies.
- Etapa: A varredura remove resíduos sólidos e matéria orgânica.
- Etapa: Na etapa seguinte, a bomba de alta pressão e o detergente rompem a gordura e facilitam a remoção dos resíduos.
- Etapa: Essa gordura pode integrar o biofilme, formado por complexos orgânicos, gordura da pele de pessoas e animais, microrganismos e formas vegetativas aderidas às superfícies.
- Etapa: Nas superfícies do aviário, o biofilme acumulado é composto por resíduos orgânicos, ácidos graxos, gordura e formas microbiológicas aderidas, como esporos e células vegetativas.
- Etapa: A remoção do biofilme abre espaço para a ação mais efetiva do desinfetante.
Desinfetante conforme histórico sanitário
A maior parte dos microrganismos é removida durante a limpeza e a lavagem. Como os desinfetantes podem complexar se com a matéria orgânica e perder eficiência, devem ser aplicados somente após a remoção adequada dos resíduos. A escolha do princípio ativo deve considerar o histórico sanitário do lote anterior: problemas virais e fúngicos podem exigir grupos de desinfetantes diferentes, ou um produto de amplo espectro com atividade na presença de matéria orgânica.
O processo sanitário das instalações avícolas combina uma etapa física mecânica e térmica (varredura e lança chamas) com uma etapa química por meio da aplicação de princípio ativo desinfetante específico.
Queda das unidades formadoras
A redução da contaminação ocorre em sequência, com efeito progressivo de cada etapa sobre a carga microbiana.
- Etapa: Retirar o lote — A retirada do lote já inicia a redução do número de unidades formadoras de colônia no ambiente.
- Etapa: Reduzir progressivamente — A contagem de unidades formadoras de colônia (UFC) no galpão decresce progressivamente com a saída do lote, a limpeza a seco e a lavagem, sofrendo uma queda acentuada com a desinfecção química.
- Etapa: Limpar — A limpeza produz queda adicional na contaminação.
- Etapa: Lavar — A lavagem reduz ainda mais a contaminação.
- Etapa: Desinfetar — A desinfecção química provoca nova redução acentuada.
- Etapa: Estabelecer o vazio sanitário — Após a desinfecção, inicia se o vazio sanitário, que continua diminuindo a carga microbiana.
- Etapa: Reduzir o desafio sanitário — O objetivo é passar de um ambiente altamente contaminado para outro mais descontaminado, reduzindo o desafio sanitário do lote seguinte.
Vazio sanitário e capacidade anual
A capacidade anual depende da duração do ciclo e do vazio sanitário. Compare as duas situações para relacionar o preparo das instalações ao número estimado de lotes.
| Situação | Conduta ou duração | Resultado |
|---|---|---|
| Reutilização da cama | Mesmo com a reutilização da cama após compostagem no galpão, a área do círculo de proteção (pinteira) exige obrigatoriamente o uso de cama nova para o alojamento dos pintinhos. | — |
| Preparo após distribuir a cama | Depois da distribuição da cama, o galpão deve ser fechado por aproximadamente 72 horas para completar o preparo. | — |
| Vazio sanitário ideal | O vazio sanitário ideal é de 14 dias. | Com 42 dias de criação e 14 dias de vazio, obtêm se aproximadamente 6,5 lotes por ano. |
| Vazio sanitário reduzido | 7 dias de vazio; o ciclo passa a 49 dias. | Pode alcançar aproximadamente 7,4 lotes por ano. |
A redução do vazio sanitário altera o ciclo e a capacidade anual estimada.
Risco sanitário da pressa produtiva
Em uma integração com 475 galpões, passar de 6,5 para 7,4 lotes anuais elevaria a produção aproximada de 3.087 para 3.515 lotes equivalentes, um aumento de aproximadamente um sexto sem ampliar o número de aviários. Embora possa gerar ganho financeiro inicial, a redução do vazio sanitário aumenta progressivamente o desafio sanitário: os primeiros seis meses podem não revelar todo o impacto, mas, após um ano, é provável que os problemas se intensifiquem e gerem custos sanitários elevados.
Biosseguridade e controle de pragas
Registro e fluxo de acesso
A granja deve manter um livro ou sistema de registro de acesso, contendo as pessoas que entraram, os veículos, a origem e a finalidade da visita. Esses registros permitem rastrear possíveis fontes de problemas sanitários. A entrada deve conduzir inicialmente à área suja, onde ocorre a troca de roupa, seguida do acesso à área limpa.
Em granjas de matrizes de aves (matrizeiros), o isolamento entre a área limpa e a área suja com anel de vegetação é mais rigoroso e eficiente. Os galpões avícolas devem possuir pedilúvios para a desinfecção de calçados na entrada das instalações. Esse isolamento deve ser respeitado durante todo o fluxo de pessoas e materiais. Cães e gatos podem atuar como carreadores e reservatórios de Salmonella, como Salmonella Enteritidis, convivendo assintomaticamente com a bactéria.
Luvas na atividade avícola
O uso de luvas é indicado na atividade profissional avícola para prevenir doenças ocupacionais.
Controle de veículos e cercas
A entrada de veículos na granja avícola deve ser evitada, exceto quando houver necessidade específica. Portanto, a entrada de veículos na granja avícola deve ser evitada e, quando indispensável, o veículo deve passar por um rodolúvio para desinfecção.
A granja deve possuir cerca com, no mínimo, sete fios e aproximadamente 1,10 m de altura, impedindo a entrada de animais. Caminhões de ração devem ser pulverizados antes do acesso. Em dias de barro, uma bomba de alta pressão pode remover o excesso de sujeira antes da passagem pelo rodolúvio, aumentando a eficiência da desinfecção.
Iscas e sinais de roedores
O controle de pragas começa pela eliminação de abrigo, alimento e água. As caixas de isca devem ser identificadas e verificadas pelo menos uma vez por semana, registrando se o consumo. O consumo indica a presença de roedores na área e deve ser acompanhado para avaliar a exposição da granja antes de uma infestação interna.
A caixa deve oferecer abrigo e permitir visibilidade para o exterior, favorecendo a entrada do animal. O roedor é atraído pelos blocos de cera com atrativos de sabor e odor, que também contêm o veneno.
Barreiras contra animais domésticos
Cães e gatos podem disseminar Salmonella e devem ser mantidos afastados das áreas de produção. A proteção também depende de telas adequadas: malhas com espaçamento muito grande permitem a entrada de animais, enquanto a malha de aproximadamente 24 mm oferece proteção mais apropriada.
Para manter a separação sanitária do lote, a granja deve manter uma única espécie e uma única idade por galpão, sem misturar animais ou lotes de diferentes idades.
Restrição aos antibióticos
Existe portaria do MAPA que proíbe o uso indiscriminado de antibióticos na produção avícola, com alguns princípios ativos proibidos.
Indicadores de desempenho e registros
Painel de desempenho produtivo
O acompanhamento produtivo combina registros de peso, consumo e outros indicadores do lote.
| Indicador | Registro ou achado | Uso ou condição de acompanhamento |
|---|---|---|
| Peso vivo | O controle do peso vivo é essencial. | Quando o peso inicial é registrado, torna se possível calcular o ganho de peso vivo em qualquer momento do ciclo. |
| Peso vivo médio e ganho de peso vivo | O peso vivo médio e o ganho de peso vivo são indicadores úteis. | — |
| Conversão alimentar | A conversão alimentar é mais difícil de determinar, pois depende do consumo de ração, que em grande parte dos lotes somente pode ser efetivado ao final da criação. | Índice zootécnico utilizado para avaliar o lote. |
| Consumo total de ração | O consumo total de ração, na maior parte dos lotes, só é efetivamente determinado ao final do período de criação. | — |
| Consumo de ração | O controle do consumo de ração é mais difícil e só é obtido com precisão em granjas equipadas com célula de carga. | — |
| Mortalidade percentual | A mortalidade percentual também deve ser acompanhada. | — |
| Viabilidade, índice de eficiência produtiva ou fator de produção | Também devem ser acompanhados. | São índices zootécnicos utilizados para avaliar o lote. |
| Índices zootécnicos | Conversão alimentar, viabilidade, índice de eficiência produtiva ou fator de produção são índices zootécnicos utilizados para avaliar o lote. | — |
Refugos e mortalidade diária
A mortalidade individual deve ser levantada diariamente. O número de aves refugadas constitui indicador importante por volta da segunda semana de idade. O acompanhamento sistemático relaciona o desempenho às condições de manejo, à qualidade da água, à alimentação, à cama e à ambiência, permitindo identificar tendências e estabelecer medidas corretivas.
Teste semanal do gerador
O gerador deve ser acionado pelo menos uma vez por semana. O objetivo é verificar se o equipamento funcionará quando houver queda da rede elétrica. Não basta possuir o equipamento: é necessário confirmar periodicamente sua capacidade de operação e registrar as verificações, integrando esse procedimento ao manejo geral de segurança da granja.
Cronograma integrado de boas práticas
Use a linha do tempo para organizar os processos do manejo geral e estruturar o manual de boas práticas avícolas.
- Etapa: Integre a regulagem de comedouros, a regulagem de bebedouros, o controle da qualidade da água, o manejo da cama, a ambiência e a biosseguridade.
- Etapa: Acompanhe o peso, o desempenho e a homogeneidade do lote.
- Etapa: Inclua a vacinação, o pré abate, a limpeza, a desinfecção e o vazio sanitário na sequência dos processos.
- Etapa: Nesse cronograma em forma de linha do tempo para o manual de boas práticas avícolas, a sequência dos processos deve ser descrita de maneira sumarizada, sem detalhar os procedimentos.
- Etapa: Organize cada processo como um capítulo, com seus respectivos procedimentos e registros, para elaborar o manual de boas práticas avícolas.
Dicas Para Provas
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
|---|
| O procedimento de preparação da pinteira é conteúdo passível de cobrança em avaliação sobre manejo avícola. |
Reflexão Sion
Fidelidade nos detalhes
No manejo avícola, pequenos ajustes — como medir a vazão da água, regular comedouros e registrar peso e mortalidade — mudam o desempenho e revelam problemas antes que se agravem. Isso mostra que cuidado verdadeiro não é apenas intenção: é atenção fiel ao que parece pequeno, porque o que não é observado acaba ferindo o todo. Em Jesus, esse cuidado encontra uma esperança maior: ele nos chama a viver com responsabilidade e oferece graça para recomeçar quando falhamos.
Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito.Lucas 16:10
Leia e descubra como a fidelidade nos detalhes protege o todo.