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MedVet7 PeríodoAviculturaEstrutura da Cadeia, Gestão de Processos (PDCA) e Melhoramento Genético na Avicultura

Estrutura da Cadeia, Gestão de Processos e Melhoramento Genético na Avicultura

Previsões antigas indicaram que o Brasil poderia tornar se o segundo maior produtor mundial de frangos, e essa projeção acabou se confirmando. Porém, outras previsões sobre a competição internacional não ocorreram exatamente como esperado: empresas norte americanas subesti

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Topicos da aula

  • Estrutura da Cadeia, Gestão de Processos (PDCA) e Melhoramento Genético na Avicultura

Overview

Mapa da cadeia e gestão avícola

A avicultura deve ser compreendida como uma cadeia integrada, cuja análise conjuntural oferece determinado grau de segurança para decisões sob incerteza, sem produzir certezas permanentes. O mapa envolve genética, matrizeiros, incubatórios, produtores, fábricas de ração, abatedouros, produção de ovos, logística, mercados e consumidores. O perfil do cliente orienta características do produto, enquanto oferta, demanda, sazonalidade, preferências regionais e exigências culturais influenciam a viabilidade econômica. A gestão depende de qualidade, biosseguridade, manejo das pessoas e acompanhamento de indicadores. Por fim, o PDCA organiza planejamento, execução, verificação e ação corretiva, sustentado pelo melhoramento genético e pela busca de melhoria contínua.

Análise conjuntural e tomada de decisão

Finalidade da análise conjuntural

A análise conjuntural apoia a tomada de decisões, o dimensionamento de projetos e o empreendedorismo na avicultura. No planejamento, a análise conjuntural auxilia a tomada de decisões, o dimensionamento de projetos e o empreendedorismo.

As informações utilizadas podem ser provenientes de fontes governamentais e não governamentais, cada qual com interesses próprios. A análise conjuntural e o acompanhamento de dados estatísticos fundamentam a tomada de decisões no setor avícola, mas é necessário considerar o contexto dos dados e as limitações das projeções: o objetivo é proporcionar determinado grau de segurança, e não uma certeza absoluta.

Cenários que moldam decisões

As decisões do cliente não dependem exclusivamente dos dados diretamente fornecidos por ele. Os cenários socioculturais e econômicos também modelam a tomada de decisão.

Questões relacionadas ao bem estar animal, ao vegetarianismo e ao veganismo não podem ser ignoradas, mesmo quando essas pessoas não constituem o cliente direto. Por isso, diferentes grupos sociais influenciam o mercado e podem modificar as condições de produção, consumo e comercialização.

Estrutura da cadeia avícola

Dimensões econômicas da cadeia

A estrutura da cadeia avícola corresponde à organização dos diferentes segmentos produtivos e às condições microeconômicas internas do país. Ela não se limita à criação das aves: a avicultura envolve produção de carne e ovos, consumo per capita, exportações, insumos, medicamentos, vacinas, transporte, logística, instalações, equipamentos e serviços de suporte.

Assim, a cadeia reúne um conjunto amplo de atividades econômicas e profissionais, conectando a produção aos recursos, serviços e fluxos necessários para seu funcionamento.

Produção, exportação e gráficos

O Brasil apresenta grande relevância na produção e na exportação de carne de frango, enquanto a exportação de ovos ainda se encontra em estágio menos desenvolvido. No cenário internacional, o setor avícola nacional destaca se por ser o terceiro maior produtor e o maior exportador de carne de aves.

Para interpretar gráficos, não basta constatar que a produção está crescendo: é preciso observar a evolução histórica e entender o que os dados indicam. O passado pode orientar decisões futuras, e o crescimento anual pode sugerir a continuidade da tendência, desde que não ocorram alterações relevantes no cenário conjuntural.

Revisão anual das projeções

Projeções de longo prazo não devem ser aceitas como verdades permanentes. Uma organização pode utilizar uma previsão de dez anos para orientar seu planejamento, mas precisa revisar as projeções anualmente.

Essa revisão é necessária porque a produção e o comércio foram influenciados por oscilações anteriores, incluindo os períodos pré pandêmico e pós pandêmico e as alternâncias comerciais entre China e Brasil. A análise conjuntural mostra que os sistemas produtivos não permanecem estáticos.

Leitura dos relatórios setoriais

A Associação Brasileira de Proteína Animal apresenta um novo relatório de dados do setor aproximadamente a cada mês de março. Em alguns casos, o relatório mais recente utiliza como estimativa o fechamento do ano anterior, que ainda não estava completamente consolidado. Essa condição deve ser observada durante a interpretação dos dados.

Também foram mencionados relatórios de organizações norte americanas voltadas à reunião e à análise de dados estatísticos. Eles ajudam a demonstrar como as previsões podem ser elaboradas e posteriormente revistas.

Limitações das previsões econômicas

Previsões antigas indicaram que o Brasil poderia tornar se o segundo maior produtor mundial de frangos, e essa projeção acabou se confirmando. Porém, outras previsões sobre a competição internacional não ocorreram exatamente como esperado: empresas norte americanas subestimaram a capacidade de adaptação do sistema brasileiro e superestimaram a influência dos custos fiscais e logísticos. A Tyson Foods operou no Brasil como uma das plantas avícolas sob comando norte americano. A existência de elasticidades no sistema exige revisão periódica de qualquer previsão.

Defasagem entre matrizes e mercado

Para interpretar o mercado avícola, acompanhe o tempo entre o alojamento das matrizes, a produção de pintainhos e os abates.

  1. Etapa: Reconheça que o alojamento de matrizes possui impacto retardado sobre o mercado.
  2. Etapa: Identifique a matriz como a mãe do frango de corte e observe que, ao atingir a idade produtiva e o pico de produção, ela produz ovos destinados à obtenção de pintainhos de um dia.
  3. Etapa: Acompanhe a defasagem: esses pintainhos somente influenciarão os abates após determinado período, mencionado na transcrição como aproximadamente quatro semanas.
  4. Etapa: Interprete essa sequência como uma elasticidade temporal entre a informação observada e sua repercussão sobre as condições de mercado.

Pareto e concentração produtiva

A concentração regional ajuda a definir prioridades com base no ponto de maior eficiência.

  • Regra de Pareto: Identifica o ponto focal onde se obtém a maior eficiência na resolução de problemas operacionais e produtivos.
  • Concentração regional: Aproximadamente 65% da produção de frango de corte foi associada a três estados.
  • Ampliação da concentração: A inclusão de São Paulo e Minas Gerais acrescentaria cerca de 14%, aproximando o conjunto de 80%.
  • Aplicação estratégica: A análise da concentração orienta a escolha dos locais prioritários para investimento, logística, distribuição e estruturação de negócios.

Mercado interno versus externo

A exportação em moeda estrangeira pode ser atrativa, mas uma cadeia produtiva também necessita de mercado interno capaz de oferecer suporte. O consumo per capita ajuda a indicar a força do mercado principal e sua capacidade de sustentar a cadeia; por isso, o mercado interno oferece suporte e sustenta a cadeia diante de alterações no comércio exterior.

Alterações no comércio exterior, como aumento de tarifas, podem comprometer a comercialização. Assim, o maior cliente deve ser considerado o elemento mais importante para a estruturação do negócio, mesmo quando o mercado externo oferece maior remuneração aparente.

Preferências regionais e características dos produtos

Preferências territoriais de consumo

As preferências alimentares variam conforme a região e o perfil do consumidor. Em famílias numerosas do Nordeste, o frango pode ser utilizado como componente principal das refeições. Já em Santa Felicidade, região associada à cultura italiana, o consumo de galeto apresenta relevância cultural; o galeto é conceituado como um frango de corte de pequeno porte.

Esses padrões mostram que o território do consumidor influencia o tamanho e o tipo de ave que devem ser produzidos. No mercado nacional, o tamanho do frango produzido varia conforme o perfil de demanda do cliente.

Peso da ave e produção

A preferência do cliente pelo peso do frango interfere diretamente no sistema produtivo: criar um frango pesado não é equivalente a criar um frango menor. Diferentes pesos exigem programas específicos de alimentação e sanidade, além de alterações em instalações, equipamentos e manejo.

A ave de maior peso apresenta maior sensibilidade ao estresse térmico e pode sofrer mortalidade no verão. Em contraste, aves mais versáteis toleram melhor condições de calor e sistemas produtivos menos intensivos.

Exigências religiosas do mercado

O mercado externo pode impor exigências religiosas e culturais específicas, que influenciam diretamente as características do produto avícola. As exigências podem alcançar os aditivos utilizados, a orientação do abatedouro e o procedimento de abate.

O sistema halal apresenta semelhanças com o kosher, exigido pelos preceitos judaicos, mas ambos possuem especificidades distintas. No sistema halal, a transcrição destacou a necessidade de participação de pessoa muçulmana capacitada para realizar a oração durante o abate. Assim, o conjunto de clientes determina as características do produto.

Valorização de partes específicas

As preferências regionais também determinam o valor econômico das partes da carcaça. Em determinados mercados asiáticos, o pé de galinha é valorizado por sua associação com colágeno e outras finalidades alimentares, embora seja uma das partes mais baratas no mercado interno.

Embora seja uma das partes mais baratas no mercado interno, seu valor pode aproximar se do valor do peito em determinados países importadores. Esse contraste mostra que cortes considerados pouco valiosos em um mercado podem adquirir elevada importância em outro.

Material genético e ovos férteis

Países vizinhos podem demandar material genético e ovos férteis, produtos que integram um segmento estratégico da cadeia avícola. A exportação de ovos férteis apresenta vantagem sanitária por reduzir determinadas dificuldades relacionadas ao transporte de aves vivas.

A produção desse material depende de controle rigoroso das condições sanitárias, reprodutivas e logísticas. Portanto, a forma de comercialização está ligada tanto à demanda regional quanto à necessidade de preservar essas condições ao longo da cadeia.

Produção e consumo de ovos

Importância nutricional do ovo

O ovo combina baixo custo e diversidade nutricional, mas sua contribuição deve ser entendida junto às necessidades específicas da alimentação.

  • Custo: O ovo foi descrito como alimento de baixo custo, relacionado às condições econômicas das famílias.
  • Nutrientes: O ovo é uma fonte diversificada de nutrientes, com exceção da vitamina C.
  • Ovo de galinha: O ovo de galinha representa uma das fontes mais ricas e diversificadas de nutrientes na alimentação humana.
  • Vitamina A: O consumo diário de pelo menos um ovo auxilia na prevenção e combate a problemas de visão causados pela deficiência de vitamina A em crianças.
  • Proteínas do ovo: De modo geral, a população apresenta baixa toxicidade ou intolerância às proteínas do ovo, embora possam existir exceções individuais.
  • Alimentação humana: O consumo de ovos apresenta relação com a alimentação humana e com as condições econômicas das famílias.

Distribuição regional da produção

A produção de ovos apresenta concentração em regiões específicas; no Rio Grande do Sul, a produção mencionada está concentrada na região serrana, e não no Pampa, cuja paisagem é caracterizada predominantemente por pastagens nativas. Essa área se conecta produtivamente à região serrana de Santa Catarina.

Em outro recorte da cadeia, Dois Vizinhos, no Paraná, foi citado como importante concentração de frango de corte. Já Bastos, em São Paulo, apresenta forte influência da cultura nipônica e elevada concentração de galinhas, possivelmente uma das maiores concentrações de galinhas por quilômetro quadrado da América Latina.

Outras regiões produtoras

A distribuição da avicultura de postura não depende apenas do tamanho do efetivo. O Espírito Santo foi citado como região de elevada concentração de poedeiras, apesar de possuir efetivo relativamente pequeno, enquanto o sul de Minas Gerais apresenta empresas de grande porte dedicadas à produção de ovos.

No norte do país, o calor intenso e a demanda local influenciam a produção. A logística também é determinante: o deslocamento entre Manaus e Barcelos, por exemplo, pode exigir vários dias de barco. Assim, geografia, clima e dependência de produtos provenientes de outras regiões interferem na produtividade.

Consumo per capita e exportações

O consumo per capita de ovos é um indicador econômico e alimentar, mas sua leitura exige atenção: as estatísticas de consumo per capita de ovos variam dependendo da metodologia utilizada, podendo contabilizar apenas o ovo de mesa ou incluir tanto o ovo de mesa quanto os ovos industriais. Uma redução desse indicador pode sinalizar diminuição do poder de compra das famílias ou alterações na demanda proteica.

Além disso, uma parcela significativa da produção avícola é destinada ao processamento industrial e à fabricação de derivados de ovos. A exportação de ovos pode aumentar quando surtos sanitários e o descarte de lotes reduzem a produção em outros países. Nesse cenário, a manutenção de rigorosos padrões sanitários e de biosseguridade contribui para a posição do país no comércio internacional.

Ovos brancos versus marrons

A diferença visível entre ovos brancos e marrons está principalmente na cor da casca, mas isso não significa diferença nutricional quando manejo e dieta são equivalentes. A percepção cultural pode influenciar o preço e associar ovos marrons à criação solta, embora a maioria venha de sistemas intensivos convencionais. No âmbito global, o consumo de ovos também envolve aspectos culturais que atendem a preceitos religiosos.

AspectoOvos de casca brancaOvos de casca marrom
Determinação da corA cor da casca do ovo é determinada principalmente pela genética da galinha, e não pela retirada de pigmentos da ração.A cor da casca do ovo é determinada principalmente pela genética da galinha, e não pela retirada de pigmentos da ração.
NutriçãoOs ovos de casca branca e marrom não apresentam diferença nutricional quando são produzidos em sistemas equivalentes e recebem dietas equivalentes.Os ovos de casca branca e marrom não apresentam diferença nutricional quando são produzidos em sistemas equivalentes e recebem dietas equivalentes.
Produção e percepçãoEm grande parte das situações, os sistemas de produção são semelhantes.Essa percepção associa os ovos marrons a galinhas criadas soltas, embora a maioria seja produzida em sistemas intensivos convencionais, idênticos aos dos ovos brancos.
Preço de mercadoOs ovos marrons podem alcançar preço aproximadamente 20% superior devido a uma demanda cultural.

A comparação pressupõe sistemas de produção e dietas equivalentes.

Custos e equilíbrio de mercado

As aves produtoras de ovos marrons podem apresentar maior peso corporal e, consequentemente, custo de produção um pouco superior. Por isso, a formulação dietética da ração para poedeiras de ovos marrons é ajustada diferentemente da utilizada para poedeiras de ovos brancos, em função das diferenças de tamanho corporal das aves.

No equilíbrio de mercado, quando a produção aumenta excessivamente, o preço de mercado tende a cair, comprometendo a capacidade de pagamento do produtor. O ovo branco apresenta elevada competitividade por preço, enquanto o ovo marrom atende a uma demanda cultural específica. Assim, distinguir composição nutricional de percepção do consumidor é fundamental para compreender a formação do preço.

Dieta e enriquecimento do ovo

A composição da dieta pode modificar a composição do ovo e orientar seu enriquecimento.

  • Sistemas alternativos: Em sistemas alternativos, as aves podem consumir insetos e gramíneas, além da ração.
  • Grama em pastejo: A grama ingerida por poedeiras em sistemas de pastejo é fonte de beta caroteno, que atua como pigmento natural.
  • Betacaroteno: O betacaroteno, por pertencer à classe dos lipídios, participa dos processos de digestão, absorção e metabolismo lipídico nas aves.
  • Gema: Como a gema possui natureza lipídica, modificações na composição da dieta podem alterar a composição do ovo.
  • Enriquecimento do ovo: Esse princípio permite a produção de ovos enriquecidos com ácidos graxos, incluindo ômega, além de ovos enriquecidos com minerais, como selênio, e com vitamina D.

Transporte de minerais ao ovo

No metabolismo animal, o transporte de minerais necessita de proteínas transportadoras, frequentemente constituídas por lipoproteínas. Essas proteínas podem carrear minerais para o conteúdo do ovo, conectando o transporte no organismo à composição do produto.

As lipoproteínas transportadoras carream minerais e nutrientes para o interior do saco vitelínico, permitindo seu enriquecimento. Quando a ração permanece inalterada, não se espera modificação relevante na composição do produto; já modificações dietéticas planejadas podem produzir ovos com composição diferenciada, desde que sejam incorporadas ao sistema de alimentação das aves.

Oferta, demanda e sazonalidade

Concorrência perfeita nos ovos

Em um modelo de concorrência perfeita, o produtor precisa acompanhar a relação entre oferta e demanda para decidir se compra, vende ou mantém a produção. Quando a oferta fica abaixo de determinado nível, pode haver escassez; quando ultrapassa esse nível, ocorre excesso.

Quando a redução da oferta ocorre em um período de baixos estoques, pode provocar oscilações e aumentos bruscos dos preços no mercado. A queda da oferta tende a provocar resposta nos preços, mas a intensidade dessa resposta depende das condições anteriores do mercado.

Investimento e liquidez produtiva

Períodos de preços elevados podem induzir produtores a investir em bens imobilizados, como caminhonetes, piscinas e instalações. O investimento de recursos em bens imobilizados resulta na alocação de capital com baixa liquidez financeira.

Na fase de excesso de oferta, ocorre redução dos preços praticados para a venda do produto. Se não preservou recursos líquidos, o produtor pode ficar sem capacidade para manter a operação. A entrada de novos produtores durante períodos de alta também pode gerar dificuldades, pois o investimento pode ser concluído quando o mercado já está em excesso, comprometendo a receita necessária para pagar as despesas.

Variações sazonais da demanda

Use os indicadores de mercado para interpretar as mudanças na demanda e orientar o momento de produção e comercialização.

  1. Etapa: Reconheça que a demanda por ovos apresenta variações sazonais. Na atividade avícola de postura, essas variações sazonais alternam períodos de alta lucratividade com momentos de margens reduzidas.
  2. Etapa: Observe a quaresma, quando parte da população aumenta ou reduz o consumo de ovos conforme seus hábitos religiosos e alimentares. O consumo de ovos sofre variações durante a quaresma e, após essa fase, ocorre redução na demanda.
  3. Etapa: Considere o meio do ano, quando as festas juninas favorecem a produção de bolos e confeitos, elevando a demanda.
  4. Etapa: Antecipe o final do ano, período em que aumentam as preparações festivas, como doces e fios de ovos.
  5. Etapa: Acompanhe essas tendências por meio de indicadores de mercado, incluindo as cotações de milho e ovos divulgadas pelo CEPEA.
  6. Etapa: Monitore os custos, pois o milho representa quase metade do custo total de produção na avicultura de postura. Por isso, a gestão financeira exige o acompanhamento constante dos preços de atacado, varejo e das cotações de commodities como o milho no mercado.

Decisões de comercialização

Na primeira quinzena de janeiro, a população pode retornar de viagens e festas com menor capacidade de consumo, reduzindo a demanda por ovos. Nas duas primeiras semanas do ano, ocorre uma queda acentuada no consumo e na demanda por ovos no mercado varejista. Por isso, o produtor com grande quantidade de ovos não deve pressupor aumento imediato de preços. Na segunda quinzena de janeiro, não há expectativa de aumento na demanda por ovos; por isso, recomenda se ao produtor comercializar a produção o quanto antes. A decisão deve considerar o comportamento habitual do mercado, favorecendo uma venda rápida em vez de aguardar uma valorização improvável, e basear se em padrões observados, não em previsões sem fundamento.

Marketing, mídia e certificações

Influência da mídia

O marketing influencia a percepção média da população sobre os alimentos. Artistas, influenciadores e meios de comunicação podem promover produtos sem necessariamente ter formação em nutrição ou medicina; por isso, a análise profissional deve identificar o que está subjacente à mensagem e como ela modifica o comportamento dos consumidores. A mídia pode criar novos interesses, capturar clientes e alterar a demanda, mesmo sem mudanças substanciais no produto. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) desenvolve ações de marketing voltadas ao incentivo do consumo de ovos, como o projeto Ovos Brasil. O projeto Ovos Brasil é uma organização vinculada à ABPA para atuar no marketing do consumo de ovos. No setor avícola, essas ações visam capturar novos clientes e interesses, gerando elevado impacto em mercados onde o consumo interno é predominante.

Informação e consumo de ovos

O ovo de galinha destinado ao consumo humano não é um embrião, mas sim um óvulo. Essa distinção pode ser relevante na comunicação com consumidores que apresentam preocupações éticas ou relacionadas ao veganismo. O sistema de produção deve considerar a ética de sua condução, reconhecendo que pessoas que não compram o produto ainda podem funcionar como referências sobre a direção da sociedade. Assim, a informação pública sobre o alimento influencia tanto sua aceitação quanto sua rejeição.

Diversificação dos produtos de ovos

O ovo não se limita ao produto destinado ao consumo de mesa. Existem ovos in natura, ovos líquidos comercializados em embalagens do tipo Tetra Pak, produtos pasteurizados e produtos desidratados semelhantes ao leite em pó. Também podem ser comercializados ovos integrais, gemas e claras.

Uma parcela relevante da produção destina se a esses produtos industriais, embora algumas estatísticas de consumo per capita contabilizem apenas o ovo de mesa.

Certificação e comunicação ao consumidor

A certificação traduz para o consumidor atributos que não são diretamente visíveis no ovo e diferencia requisitos de produção, bem estar e comunicação comercial.

  • Identificação na casca: Quando a casca não permite identificar o sistema de produção, torna se necessária a comunicação por meio de certificações.
  • Certificação orgânica: Foram citados selos de produção orgânica emitidos pelo Ministério competente, baseados em portarias e normativas.
  • Bem estar animal: certificações de bem estar animal submetidas a normas e fiscalizações internas e externas.
  • Padrões privados: Empresas privadas podem adotar padrões próprios, sem necessariamente apresentar aderência a outras certificações.
  • Korin: A empresa Korin produz ovos com certificação de bem estar animal Certified Humane, sem que isso caracterize um sistema produtivo orgânico.
  • Função do selo: O selo comunica atributos que não podem ser observados diretamente no produto.

Sistemas livres de gaiola

A produção livre de gaiola é um atributo comercial e não deve ser analisada apenas como preferência pessoal. O produto precisa apresentar atributos reconhecíveis pelo consumidor, como preço, qualidade mínima, origem e sistema de produção. Assim, todo produto deve ser estruturado de acordo com os atributos que o mercado valoriza.

A escolha entre gaiola convencional e sistema livre de gaiola depende do projeto, do cliente, das normas aplicáveis e do posicionamento comercial. Nesse contexto, redes varejistas de supermercado podem adotar acordos internos de marketing para proibir a venda de ovos de galinhas criadas em gaiolas convencionais.

Organização da cadeia produtiva

Base genética da cadeia

A genética inicia a cadeia avícola, que se amplia em uma estrutura piramidal até chegar aos produtores.

  1. Etapa 1: Reconheça a base genética: Toda a produção na cadeia avícola é fundamentada no melhoramento genético e no trabalho com linhagens específicas.
  2. Etapa 2: Identifique os melhoristas: Na cadeia avícola, os melhoristas são responsáveis pelo manejo e pela seleção de aves de raça pura, conhecidas como aves de pedigree. Essas aves são criadas em famílias e submetidas à seleção. Posteriormente, entram as empresas ou unidades multiplicadoras, que ampliam o material genético selecionado.
  3. Etapa 3: Multiplique o material selecionado: Após a realização de sucessivas gerações de seleção nas aves melhoristas, efetua se a multiplicação do material genético em granjas avoseiras.
  4. Etapa 4: Considere a disponibilidade dos avozeiros: Existem poucos avozeiros no Brasil. O material genético constitui recurso estratégico para uma região ou país.
  5. Etapa 5: Passe às matrizes: No sistema de produção avícola, a matriz é a galinha reprodutora responsável pela postura de ovos que darão origem às pintainhas.
  6. Etapa 6: Posicione os matrizeiros: Na pirâmide de melhoramento genético avícola, os matrizeiros situam se no nível abaixo dos avoseiros e apresentam maior frequência no Brasil.
  7. Etapa 7: Localize os produtores: A estrutura de produção avícola possui um formato piramidal em termos de volume, situando os produtores na base, abaixo dos matrizeiros.
  8. Etapa 8: Integre os setores: A integração circular na avicultura envolve a articulação entre múltiplos setores, como frigorífico, fábrica de ração e matrizeiro, junto aos produtores.

Matrizeiros e produtores

Abaixo dos avozeiros encontram se os matrizeiros, responsáveis pelas mães e pelos pais do frango de corte ou da galinha poedeira utilizada no campo. Nos matrizeiros, são abrigados os machos e as fêmeas (pais), responsáveis por produzir os pintainhos que gerarão os frangos de corte ou as galinhas poedeiras de campo.

Abaixo dos matrizeiros existe grande número de produtores. Assim, a cadeia forma uma pirâmide em termos de volume: poucas aves de pedigree originam um número maior de aves multiplicadoras, matrizes e, finalmente, aves destinadas à produção de carne ou ovos.

Incubatórios e linhas produtivas

A cadeia avícola transforma os ovos incubáveis em aves de um dia e, depois, organiza a produção em duas linhas principais, apoiadas por uma ampla rede de suprimentos.

  1. Etapa: Produzir ovos incubáveis — Os matrizeiros produzem ovos incubáveis.
  2. Etapa: Produzir pintainhos — Os incubatórios utilizam esses ovos como matéria prima e produzem pintainhos ou pintainhas de um dia.
  3. Etapa: Direcionar a produção — A partir desse ponto, a cadeia segue duas linhas principais: a produção de frangas destinadas à postura e a produção de frangos destinados ao abate.
  4. Etapa: Apoiar as linhas produtivas — Em torno dessas linhas existe ampla rede de suprimentos relacionada à nutrição animal, sanidade, instalações, equipamentos, transporte e logística.

Produtor independente

O produtor independente pode concentrar diversas etapas da produção. Ele pode produzir a ração, receber os pintainhos, encaminhar as aves ao abate, realizar ou contratar a incubação e comercializar o produto.

Essa organização centraliza áreas específicas e exige do produtor domínio mais amplo das etapas produtivas e das relações de mercado.

Integração produtiva

O produtor integrado participa de uma estrutura em que diferentes segmentos da cadeia se unem para produzir determinado produto. O Paraná foi apresentado como estado com forte compreensão e presença de sistemas de integração.

Uma integração pode reunir avozeiros, matrizeiros, pintainhos de um dia, fábricas de ração, abatedouros e produtores. Essas unidades podem estar vinculadas por diferentes formas contratuais e organizacionais.

Unidade de comando

A integração depende de coordenação entre diferentes setores. O princípio de unidade de comando, associado à organização militar, foi utilizado como analogia para demonstrar que uma estrutura produtiva necessita de direção coerente.

Os participantes da integração atuam em torno de objetivo comum, como a produção de frango. Para isso, a coordenação deve estabelecer responsabilidades, padrões, relações entre fornecedores e clientes e mecanismos de avaliação.

Produto e matéria prima

A função de cada item muda conforme a etapa da cadeia: o que é produto em uma unidade torna se matéria prima na seguinte.

  1. Etapa: Em um matrizeiro, o ovo fértil é o produto.
  2. Etapa: No incubatório, esse ovo fértil é a matéria prima e o pintainho de um dia é o produto.
  3. Etapa: Para o produtor integrado, o pintainho é a matéria prima.
  4. Etapa: Para o abatedouro, o frango vivo é a matéria prima e o frango abatido é o produto.
  5. Etapa: Essa sequência demonstra que cada unidade da cadeia é simultaneamente cliente de uma etapa anterior e fornecedora da etapa seguinte.

Gestão da qualidade e formas de integração

Cliente e fornecedor na cadeia

O produto de cada etapa deve ser adequado às necessidades do cliente seguinte, enquanto a matéria prima recebida precisa oferecer condições para que a qualidade esperada seja produzida. Embora os gerentes do matrizeiro, do incubatório, do fomento de campo, do abatedouro e da fábrica de ração tenham responsabilidades específicas, todos participam de uma cadeia única. Por isso, a qualidade final depende da relação entre os processos.

Na realidade do interior do Paraná, a maioria das propriedades avícolas possui pelo menos dois galpões por granja. Alguns aviários têm mais de cinco granjas em sua estrutura. De modo geral, a maioria das propriedades avícolas no interior aloja entre 20 e 24 mil aves por galpão.

Controle versus gestão da qualidade

A diferença entre controle e gestão está no momento em que cada abordagem atua.

AspectoControle da qualidadeGestão da qualidade
Momento de atuaçãoO controle da qualidade utiliza indicadores para avaliar o que já ocorreu.A gestão da qualidade atua sobre o processo em andamento e busca conduzir a produção para o padrão desejado.
Analogia e efeitoPode ser comparado à observação pelo retrovisor: permite identificar o que aconteceu, mas não modifica o evento passado.Observa o processo e interfere antes que o problema se consolide.

Indicadores como instrumentos de gestão

Indicadores úteis auxiliam o gerente e o diretor a identificar desvios. A gestão deixa de ser simples leitura de resultados e passa a envolver ação imediata para conduzir a qualidade. Quando um setor modifica seu processo, pode afetar a qualidade do produto de toda a cadeia; por isso, o padrão a ser entregue deve ser conhecido, e cada unidade precisa compreender como seu desempenho influencia os demais segmentos.

Modalidades de integração

As modalidades de integração organizam diferentes relações entre setores e participantes da cadeia avícola.

  • Integração horizontal: É típica de cooperativas, como a Copacol, nas quais o integrado também é cooperado.
  • Integração vertical: Reúne dois ou mais setores.
  • Integração circular: Envolve componentes horizontais e pode reunir frigorífico, fábrica de ração, matrizeiro e produtores.
  • Conglomerados: Agrupam diversas atividades produtivas e empresariais.

Contratos e remuneração

Os contratos definem compromissos, enquanto os modelos de remuneração distribuem responsabilidades e resultados de maneiras diferentes.

ElementoDescrição
Contratos de venda e de associaçãoEstabelecem compromissos e podem incluir multas quando o produto não é entregue conforme o acordado.
Modelos de remuneraçãoA remuneração dos integrados passou por diferentes modelos: conta aberta, conta sem perda, divisão de lucro, taxa fixa e taxa fixa com bonificação.
Conta sem perdaProtegia o produtor, mas não agradava à indústria.
Divisão de lucroTambém apresentava limitações.
Taxa fixa com bonificaçãoConsiderava diferenças de investimento, estrutura e desempenho.

Escala dos aviários

Em muitos aviários, é comum que a mesma unidade reúna pelo menos duas granjas. O número médio indicado é de aproximadamente 20 mil a 24 mil aves por galpão. Esse perfil representa parte significativa da produção observada no interior do Paraná, embora existam unidades com dimensões diferentes.

Biosseguridade e manejo

Biosseguridade como sistema

A biosseguridade está presente em todos os componentes do sistema de produção. Ela pode ser representada por uma corrente: a quebra de qualquer elo compromete o conjunto. Uma falha aparentemente pequena, como uma telha inadequadamente instalada, pode constituir ponto de entrada para contaminantes e favorecer problemas sanitários. A rigorosa sanidade e as práticas de biosseguridade avícola são os fatores primordiais para evitar a contaminação por influenza aviária no Brasil. A biosseguridade em um sistema de produção avícola requer o planejamento de uma estratégia própria para ser efetiva. A responsabilidade pela biosseguridade não pertence exclusivamente ao gerente ou ao diretor; envolve todas as pessoas que atuam no sistema.

Responsabilidade coletiva

Embora exista uma disciplina específica dedicada à biosseguridade, seus princípios precisam ser reforçados em cada área da produção. Nutrição, sanidade, instalações, equipamentos, transporte, manejo e comportamento humano estão relacionados à proteção sanitária.

Esses pilares técnicos compreendem o programa de nutrição, estratégias de sanidade, instalações, equipamentos e a qualidade do material genético. Cada pessoa que atua na granja participa do resultado; por isso, a biosseguridade não deve ser tratada como atividade isolada, mas como componente permanente de todas as decisões.

Conceito de manejo

Manejo corresponde à forma como o ser humano atua dentro do sistema de produção e articula pessoas, animais, instalações, equipamentos, nutrição e sanidade. Em outras palavras, refere se ao modo como as pessoas trabalham e interagem, integrando fatores de nutrição, sanidade, instalações e genética.

A adoção de práticas faz parte do manejo, mas não o define integralmente. Ele também envolve transformar conhecimento técnico em ações executadas pelas pessoas que trabalham na granja. Sem comunicação e interação adequadas, uma estratégia tecnicamente correta pode não ser aplicada.

Pessoas e desempenho animal

As galinhas realizam comportamentos próprios da espécie, mas as pessoas podem comprometer ou favorecer o sistema. Um profissional pode dominar nutrição, sanidade, instalações, equipamentos e genética, mas não conseguir aplicar esse conhecimento se não souber conversar com a equipe.

Para melhorar os resultados, é necessário compreender as pessoas presentes no ambiente de produção, acessá las e conduzi las. A relação humana é parte fundamental do manejo.

Compensação entre áreas

Em determinadas granjas, a nutrição pode apresentar limitações, a sanidade pode enfrentar problemas ou as instalações podem não ser ideais. Nesse contexto, a ocorrência de pododermatite em galpões avícolas com problemas de ambiência atua como indicador de bem estar animal e gera impacto econômico. Ainda assim, uma equipe de campo competente pode compensar parcialmente deficiências de outras áreas e produzir desempenho satisfatório.

Também pode ocorrer o contrário: nutrição, sanidade e instalações adequadas, mas resultados ruins devido a falhas da equipe. Por isso, os indicadores ajudam a identificar onde está o problema. Além disso, os indicadores zootécnicos e de desempenho são a principal ferramenta para a gestão de uma granja.

Recuperação das pessoas

Uma equipe submetida repetidamente a críticas agressivas pode desenvolver percepção negativa do técnico e da organização. Nesse cenário, a demissão imediata de trabalhadores não resolve necessariamente a origem do problema.

A recuperação e a capacitação das pessoas podem ser mais efetivas do que sua eliminação. A pessoa recuperada tende a permanecer comprometida com o sistema, desde que receba orientação, treinamento e condições adequadas para executar o trabalho.

Gestão pelo método PDCA

Fundamentos do planejamento avícola

O método PDCA organiza a gestão continuada da qualidade em granjas a partir do planejamento do objetivo produtivo e do desempenho esperado.

  1. Etapa: Estruturar a gestão continuada da qualidade em granjas por meio de passos fundamentais: o método PDCA organiza essa gestão em uma sequência de ações.
  2. Etapa: Iniciar o planejamento. A etapa inicial é o planejamento.
  3. Etapa: Definir o objetivo da granja, como produção de frango de corte ou de galinhas poedeiras. O planejamento começa pela definição do objetivo da granja, como produção de frango de corte ou de galinhas poedeiras.
  4. Etapa: Incluir as metas de desempenho zootécnico. As metas de desempenho zootécnico também devem ser incluídas nesse planejamento.

Recursos, exigências e cronograma

O planejamento avícola deve considerar os recursos econômicos e as condições de implantação. O orçamento e os fatores econômicos definem o volume de recursos financeiros disponíveis e a abrangência de mercado da granja. Além disso, as instalações e os equipamentos de uma granja estão relacionados a fatores de geografia, clima e nutrição.

A legislação exige que a granja possua um memorial descritivo ou a descrição formal dos seus procedimentos. Após o detalhamento e os ajustes das informações do planejamento, estabelece se o cronograma produtivo, organizando a sequência de implantação da granja.

Implantação e contexto do PDCA

Na etapa de execução, a implantação do manual de boas práticas deve ser iniciada pelo treinamento da equipe de trabalho. Essa preparação coloca o planejamento em prática e cria as condições para aplicar os procedimentos definidos.

Grandes integrações avícolas aplicam a metodologia PDCA em função da elevada qualificação das equipes e do foco em gestão de qualidade. O método PDCA e as técnicas de gestão continuada de qualidade são originários da gestão japonesa e estão inseridos no processo Lean de produção.

Definição do tipo de granja

O objetivo produtivo determina diversas decisões posteriores. Cada tipo interfere nos equipamentos, nas instalações, na alimentação, no manejo, na legislação e nos custos. Os fatores econômicos relacionam se praticamente com todos os demais componentes do planejamento.

Objetivo produtivoTipo de granja ou produçãoDiferença ou consequência
Frangos de corteGranja destinada à produção de frangos de cortePossui exigências diferentes das de uma granja de poedeiras.
PoedeirasProdução em gaiolaConstitui um tipo diferente dentro da postura.
PoedeirasProdução livre de gaiolaConstitui um tipo diferente dentro da postura.

O objetivo produtivo orienta as decisões posteriores e os custos relacionam se aos demais componentes do planejamento.

Legislação e recursos

Antes de iniciar a operação, o planejamento da granja deve reunir as exigências aplicáveis. A instalação em São José dos Pinhais deve atender à legislação, incluindo a normativa mencionada na transcrição como “242 da Lapaio”, cuja identificação permaneceu incerta. Muitos dos métodos operacionais da granja são estabelecidos pela legislação.

Além das regulamentações, o planejamento deve considerar instalações, equipamentos e fornecedores, bem como transporte, logística, recursos humanos e materiais. A legislação pode estabelecer métodos de produção e requisitos para as instalações. O uso de hormônios no manejo e na produção avícola é proibido.

Manual de boas práticas

O planejamento da granja é materializado no Manual de Boas Práticas de Produção, também relacionado ao memorial descritivo. Esse manual descreve os processos e procedimentos que devem ser utilizados na granja.

Um POP, ou procedimento operacional padrão, é uma instrução específica para executar determinada atividade. Por isso, o manual consiste em uma coleção organizada de POPs, elaborada conforme as necessidades do sistema e as exigências normativas.

Metas parciais e meta final

O planejamento deve estabelecer metas parciais e meta final. Na granja avícola, o desempenho técnico antes do fechamento do lote constitui meta parcial, permitindo acompanhar o processo antes do resultado definitivo.

Já o desempenho obtido no fechamento, quando o lote é encaminhado ao abate, constitui meta final. Assim, a distinção entre essas metas organiza o acompanhamento do lote ao longo do processo produtivo.

Checklist para execução segura

  • Checklist: O checklist, ou lista de checagem, é uma ferramenta de apoio à execução e à avaliação.
  • Função: Mesmo pessoas com boa memória podem esquecer itens ao avaliar centenas ou milhares de pontos, especialmente em dias de maior estresse.
  • Benefício: O checklist reduz a sobrecarga mental e ajuda a garantir que os itens planejados sejam verificados.
  • Planejamento: Metas, manual de boas práticas, procedimentos e listas de checagem devem ser definidos durante o planejamento.

Execução do plano

A letra D do PDCA corresponde à execução, ou ao fazer. Nessa etapa, a equipe deve seguir o Manual de Boas Práticas de Produção. Para que a implantação aconteça, não basta comunicar verbalmente uma ordem: é necessário desenvolver processos, procedimentos e treinamentos que permitam executar as atividades conforme o padrão planejado.

Verificação das metas

A verificação transforma os resultados em decisões para o próximo ciclo do PDCA.

  1. Etapa: Após o treinamento, utilizar os checklists para avaliar periodicamente as metas parciais e finais.
  2. Etapa: Comparar cada verificação com o parâmetro previamente estabelecido.
  3. Etapa: Quando a meta não for atingida, identificar a quais itens do Manual de Boas Práticas o resultado está relacionado.
  4. Etapa: Diante de um indicador zootécnico insatisfatório, investigar o processo e localizar a origem do desvio.

Ações corretivas

As ações corretivas dependem da origem do desvio identificado na verificação.

  1. Etapa: Se o problema resultar de falha na execução do procedimento, deve ser realizado treinamento específico.
  2. Etapa: Quando a causa estiver no próprio manejo proposto e o procedimento não resolver o problema, o manual deve ser revisto.
  3. Etapa: Substituir a versão 1 pela versão 2, com registro na primeira página justificando a alteração.
  4. Etapa: Modificar os itens necessários do planejamento para evitar a repetição do erro no ciclo seguinte.

Melhoria contínua

O ciclo PDCA permite identificar um problema, corrigi lo e buscar nível superior de qualidade no ciclo seguinte. A cada ciclo, a gestão deve produzir aprendizado documentado, transformando a experiência em avanço do sistema.

O registro das versões preserva a memória do sistema e impede que a organização retorne a práticas que já demonstraram falhas. Por isso, a melhoria contínua é diferente da simples correção pontual: ela modifica o processo e aumenta sua capacidade de produzir resultados adequados.

Gestão orientada por objetivos

Uma granja bem estruturada ainda pode ser melhorada, mas isso exige identificação precisa do problema. Treinar uma equipe sem conhecer a origem do desvio pode até piorar o resultado, pois a ação pode não atingir a causa correta.

A gestão orientada por objetivos utiliza metas, indicadores e checklists para demonstrar o que deve ser feito. Assim, o gestor não precisa depender continuamente de ordens externas: os próprios números e o processo de gestão indicam onde se encontra o problema e qual ação precisa ser desenvolvida.

Atuação sobre a origem do problema

O trabalho de muitos profissionais consiste em apagar incêndios continuamente, sem eliminar a causa dos problemas. O PDCA procura atuar na origem: se o checklist demonstra falhas repetidas no alojamento das aves, o treinamento e a revisão do procedimento devem concentrar se no alojamento.

Essa atuação sobre a causa pode produzir efeitos amplos, porque a correção de um problema de origem pode reduzir diversos problemas secundários e associados. Ainda assim, o método é difícil de implantar porque exige tempo, persistência e mudança cultural.

Aplicação em diferentes organizações

Em grandes integrações, como BRF e JBS, processos de gestão e PDCA estão presentes. Já granjas pequenas ou grupos mal organizados tendem a trabalhar de forma reativa, apagando incêndios sem controle sistemático.

Ainda assim, o método pode ser aplicado discretamente, conforme as condições locais, sem necessidade de anunciar sua denominação. O essencial é manter o processo, controlar os resultados e persistir na aplicação.

Processos e procedimentos

Um procedimento é uma ação definida; quando vários procedimentos são organizados em sequência, eles formam um processo.

  1. Etapa: Reconhecer a base: Nada é melhorado de forma consistente sem processo e procedimento.
  2. Etapa: Delimitar o processo: O alojamento de pintainhos constitui um processo com horizonte temporal e várias etapas.
  3. Etapa: Executar o procedimento: Ligar o aquecimento 24 horas antes da chegada das aves é um procedimento.
  4. Etapa: Organizar a sequência: A sucessão organizada de procedimentos forma o processo.
  5. Etapa: Estruturar no manual: No Manual de Boas Práticas, os capítulos são divididos em processos, e cada processo é composto por uma sequência de procedimentos.

Origem e domesticação das galinhas

História da domesticação

A galinha acompanha a humanidade há longo período. Os registros históricos de escrita mais antigos sobre a domesticação de galinhas procedem da Índia e da Suméria. Também foi mencionada uma classificação inicial relacionada ao Red Jungle Fowl, referência que ajuda a organizar a compreensão das origens das aves domésticas.

Entre as aves asiáticas citadas encontram se o galo de Java, o galo do Ceilão, o galináceo de Bankiva e o Sonnerat, embora alguns nomes tenham sido registrados de forma incerta. A galinha da raça Araucana é uma raça pré colombiana originária dos índios araucanos no Chile. Evidências arqueológicas da raça Araucana indicam que galinhas asiáticas foram introduzidas na América antes da chegada de Cristóvão Colombo.

Características gerais das aves

Entre as características gerais das aves destaca se o dimorfismo sexual. Os machos podem ser maiores e apresentar plumagem mais colorida, enquanto essa aparência pode aproximá los, em termos de beleza, de outras aves ornamentais, como os faisões.

A classificação zoológica da variedade doméstica constitui a base das aves utilizadas na produção avícola e no melhoramento genético. Assim, as características gerais e a classificação ajudam a compreender as aves trabalhadas na produção e na seleção.

Incubação artificial controlada

  • Parâmetros físicos: A incubação exige controle de três parâmetros físicos principais: temperatura, umidade e viragem dos ovos.
  • Temperatura: Apresenta margem limitada; quando não é controlada adequadamente, o processo de incubação é prejudicado.
  • Incubação massiva: Foram mencionados registros de incubação massiva por volta de 400 a.C., com lotes de aproximadamente 1.500 a 2.000 ovos.
  • Conhecimento técnico: A existência desses registros indica que algum conhecimento técnico era utilizado para controlar a incubação.

Uso histórico e responsabilidade ética

A partir da Grécia e da Roma Antiga, houve difusão das aves por diferentes regiões. As aves eram utilizadas como alimento e também em atividades de entretenimento, incluindo rinhas. Há relatos históricos datados de 1400 a.C. sobre o consumo e o fornecimento de proteína oriunda de aves para populações humanas no Egito e na China.

A utilização de animais em combates foi criticada como uma prática que não deve ser mantida apenas por ser cultural. Na atuação profissional, é necessário considerar a responsabilidade ética diante de práticas que provoquem sofrimento animal ou contrariem princípios contemporâneos de bem estar.

Galinha Araucana

A galinha Araucana foi associada aos povos araucanos e descrita como uma ave pré colombiana. Sua presença antes da chegada de Colombo foi utilizada como argumento para discutir possíveis rotas antigas de deslocamento de aves entre a Ásia e a América, embora essa interpretação tenha sido apresentada de modo afirmativo.

A raça apresenta ovos de coloração verde azulada, considerados atrativos para determinados sistemas alternativos e segmentos de consumo.

Melhoramento genético

Experimento com linhagens históricas

Um estudo realizado por uma equipe canadense, mencionada na transcrição como “Swede Hoff”, comparou linhagens de frangos mantidas com características zootécnicas de diferentes anos. Foram utilizadas uma linhagem de 1957, uma de 1978 e uma de 2005. Tratava se de linhagens pedigree, mantidas congeladas com suas características zootécnicas preservadas. As aves foram criadas no mesmo galpão, com tecnologia, nutrição e manejo equivalentes.

Ano da linhagemResultado aos 56 dias
1957Não atingiu um quilograma aos 56 dias
1978Alcançou pouco menos de dois quilogramas aos 56 dias
2005Ultrapassou quatro quilogramas aos 56 dias

Comparação do peso das linhagens aos 56 dias.

Efeito do melhoramento genético

A única causa de variação destacada no estudo foi o melhoramento genético, resultado da magnitude da seleção aplicada ao longo das gerações. O aumento do crescimento e da eficiência produtiva reduz a quantidade de área agrícola necessária para produzir carne, além de reduzir a área destinada à produção de milho e soja por unidade de alimento produzido. Dessa forma, o melhoramento genético também apresenta impacto ambiental relacionado à eficiência de utilização dos recursos.

Populações e seleção genética

  1. Etapa: Os sistemas modernos de melhoramento partem de pelo menos duas populações, que podem pertencer à mesma raça ou a raças diferentes.
  2. Etapa: Os melhores indivíduos de cada população são selecionados e submetidos a acasalamentos recíprocos, testes e avaliações de progênie.
  3. Etapa: Com base nos resultados, são definidas as seleções e as etapas de multiplicação.
  4. Etapa: Ao final do processo de melhoramento genético avícola, obtém se um híbrido comercial oriundo das populações de origem.

Pirâmide genética

  1. Etapa: As linhagens de pedigree originam as bisavós, que originam as avós, as quais originam as matrizes e, finalmente, os frangos comerciais.
  2. Etapa: Na pirâmide de produção do melhoramento genético avícola, as linhagens pedigree dão origem às desavós, que geram as avós, as matrizes e, por fim, o frango de corte.
  3. Etapa: Observe que o número de indivíduos aumenta progressivamente ao longo da cadeia, formando uma pirâmide genética.
  4. Etapa: Considere que nem todas as aves utilizadas nas linhas de melhoramento atingem os padrões fenotípicos necessários para a seleção.
  5. Etapa: As aves que não atendem aos critérios são descartadas.

Famílias e hibridação

As linhas genéticas podem ser organizadas em famílias, cada uma com funções específicas para machos ou fêmeas. Um exemplo envolve quatro famílias, cada uma responsável por determinada linha: algumas fornecem machos e outras fornecem fêmeas. Na etapa final, ocorre dupla hibridação.

Nas poedeiras marrons, as linhas puras também são organizadas para extrair machos e fêmeas com características específicas. Após os testes de progênie e o estabelecimento dos parentescos, iniciam se as hibridações que formam o híbrido comercial.

Homogeneidade e pressão de seleção

  • Seleção: Baseia se na distribuição dos indivíduos da população e, quando se busca maior peso, seleciona determinada porcentagem superior da população.
  • Homogeneidade: Uma população inicialmente heterogênea torna se mais homogênea à medida que a seleção é intensificada.
  • Pressão de seleção: A porcentagem superior da população selecionada para dar origem às próximas gerações é denominada pressão de seleção.
  • Gerações seguintes: Os indivíduos selecionados originam as gerações seguintes, modificando gradualmente a distribuição das características genéticas.

Homogeneidade do rebanho

Um rebanho geneticamente selecionado e criado em condições sanitárias e ambientais ideais deve apresentar elevada homogeneidade. Quando alojado em condições adequadas, espera se observar indivíduos semelhantes.

A heterogeneidade constitui sinal de alerta. Diferenças de tamanho, empenamento ou aparência podem indicar alterações no ambiente, no manejo, na sanidade, na nutrição ou em outros componentes do sistema. Por isso, a avaliação visual da homogeneidade é uma ferramenta importante para o profissional.

Proporção sexual e seleção

Nas populações de avós, as siglas podem representar fêmeas ou machos das linhagens de fêmeas e de machos. Assim, identificam se fêmeas e machos associados às linhagens de fêmeas e às linhagens de machos.

Os machos correspondem a aproximadamente 12% dos indivíduos, com limite indicado de cerca de 15%. Quando apenas 2% ou 6% dos indivíduos são selecionados, a pressão de seleção é elevada; portanto, em alguns pontos da pirâmide genética, a seleção é muito mais intensa do que em outros.

Características de seleção em frangos e poedeiras

Características dos frangos de corte

  • Função fisiológica: As características selecionadas em aves de corte diferem das características selecionadas em aves de postura, porque suas funções fisiológicas são diferentes.
  • Características de seleção: No frango de corte, destacam se crescimento, conversão alimentar, rendimento de carcaça, mortalidade, ocorrência de síndromes metabólicas, imunidade, condenação de carcaça e outras características relacionadas ao desempenho produtivo.
  • Prioridade inicial: O crescimento é a primeira característica considerada na seleção de aves para produção de corte.
  • Rendimento de carcaça: O rendimento de carcaça é um indicador de seleção associado ao valor comercial final da ave no momento do abate.
  • Taxa de mortalidade: A taxa de mortalidade tem ligação genética e correlação estreita com síndromes metabólicas e condenações de carcaça.
  • Linhagens comerciais: Cobb, Ross e Hubbard são as três principais linhagens comerciais de frangos de corte utilizadas no Brasil.
  • Registro dos nomes: A transcrição registrou alguns nomes de forma foneticamente alterada, mas as principais linhagens comercializadas no Brasil foram Ross, Cobb e Hubbard.

Conversão alimentar e custos

A conversão alimentar relaciona o consumo de ração ao ganho de peso vivo e ajuda a interpretar simultaneamente o funcionamento fisiológico da ave e o impacto econômico da produção.

AspectoDescriçãoRelevância
Conversão alimentarEla corresponde à relação entre o consumo de ração e o ganho de peso vivo dentro de determinado intervalo de tempo.Indicador de gestão orientada por objetivos
Dimensão fisiológicaDemonstra quanto dos nutrientes ingeridos, digeridos e absorvidos se transforma em tecido corporal.Relaciona nutrientes ao ganho de peso vivo
Dimensão econômicao consumo de ração representa aproximadamente 70% do custo total de produçãoo ganho de peso vivo corresponde aproximadamente à totalidade da receita.

A conversão alimentar integra dimensões fisiológicas e econômicas da produção.

Destino dos nutrientes

Após a ingestão, ocorre a digestão e, posteriormente, a absorção. Os nutrientes absorvidos podem seguir vias catabólicas ou anabólicas: as vias catabólicas produzem dióxido de carbono, água e excreções, enquanto as vias anabólicas correspondem a processos de síntese e formação de tecidos.

Nesse percurso, a conversão alimentar permite inferir a proporção do alimento formulado e misturado que se transforma efetivamente em constituintes corporais do animal.

Características de poedeiras

Nas poedeiras, a seleção combina eficiência produtiva, saúde, longevidade e qualidade do ovo.

  • Conversão alimentar: Nas poedeiras, a conversão alimentar relaciona se à massa de ovos, e não apenas ao ganho de peso.
  • Critérios de seleção: Também são importantes o crescimento harmônico, a conformação corporal, a longevidade reprodutiva, a persistência da postura, as síndromes metabólicas, a imunidade e a qualidade do ovo.
  • Persistência da postura: A persistência da postura corresponde ao tempo que a ave demora para entrar na fase de declínio após atingir o pico e manter determinado período de estabilidade produtiva.

Frango de corte e poedeira

O frango de corte encontra se em fase de crescimento, enquanto a galinha poedeira está em fase reprodutiva. A distinção anatômica e fisiológica entre ambos é essencial. O frango de corte é selecionado principalmente para crescimento, eficiência alimentar e rendimento de carcaça, enquanto a seleção da poedeira prioriza características relacionadas à produção de ovos.

Na galinha poedeira, a conformação corporal deve ser compatível com a longevidade reprodutiva. Sua longevidade reprodutiva depende diretamente da conformação corporal e das características anatômicas.

Poedeiras leves e semipesadas

Os dois grupos genéticos comparados são as poedeiras leves e as poedeiras semipesadas. Observe a relação entre peso, geometria corporal e objetivo de produção.

Grupo genéticoPeso corporalCasca do ovoConformação corporalCritérios de comparação
Poedeiras levesMenor peso corporalOvos de casca brancaSua conformação corporal é mais verticalizada.Amplitude de peito, largura de coxa, peso corporal e geometria corporal
Poedeiras semipesadasAs poedeiras semipesadas possuem peso um pouco superior, aproximando se de dois quilogramas.apresentam conformação mais horizontalizada.Amplitude de peito, largura de coxa, peso corporal e geometria corporal
Comparação entre gruposA comparação entre grupos genéticos deve considerar amplitude de peito, largura de coxa, peso corporal e geometria corporal, pois essas características refletem diferentes objetivos de produção.

A conformação corporal das galinhas poedeiras possui relação direta com a sua função.

Cor da casca e genética

A cor da casca do ovo é uma expressão genética. A pigmentação depende da linhagem e da atividade de estruturas glandulares relacionadas à formação do ovo.

A seleção genética pode modificar a cor da casca e outras características do produto. Por isso, a identificação da raça ou da linhagem deve considerar o objetivo do melhoramento, e não apenas a aparência externa da ave ou do ovo.

Reflexão Sion

Planejar sem controlar tudo

Na avicultura, o PDCA transforma planejamento, verificação e correção em melhoria contínua, sem tratar previsões como certezas permanentes. Isso revela que bons processos exigem atenção humilde aos desvios, porque nem a granja nem a vida podem ser conduzidas por controle absoluto. Em Jesus, encontramos direção e esperança para seguir com responsabilidade mesmo quando o caminho precisa ser revisto.

Em seu coração o homem planeja o seu caminho, mas o Senhor determina os seus passos.Provérbios 16:9

Leia Provérbios 16:9 e reflita sobre seus planos.

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