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Ultrassonografia do Trato Reprodutivo: Conceitos, Equipamentos e Artefatos
As estruturas sem ecos internos são descritas como anecoicas. Quando a estrutura apresenta menor ecogenicidade que o tecido de referência, é hipoecoica; quando apresenta maior ecogenicidade, é hiperecoica. Uma estrutura ultrassonográfica que se apresenta mais
Topicos da aula
- Ultrassonografia do Trato Reprodutivo: Conceitos e Artefatos
Overview
Mapa dos fundamentos e artefatos
Esta aula apresenta os fundamentos para compreender como o ultrassom se propaga, interage com os tecidos e se transforma em imagem. A interpretação parte da avaliação clínica e integra frequência, profundidade, impedância acústica, ecogenicidade e formação dos ecos. Quanto maior a frequência, menor a profundidade de penetração. A escolha do transdutor, do preset e do ponto focal deve acompanhar a estrutura examinada. Em seguida, os modos ultrassonográficos e os principais artefatos são relacionados à leitura crítica da imagem. Por fim, o exame reprodutivo exige anatomia, fisiologia, janelas acústicas e rotina padronizada, sempre distinguindo achados verdadeiros de artefatos e correlacionando os ao contexto clínico.
Fundamentos da ultrassonografia
Ultrassom na decisão clínica
A ultrassonografia é um exame de apoio diagnóstico composto por ondas sonoras não audíveis pelo ser humano. Sons com frequência abaixo do limiar de audição humana são definidos como infrassons. Na prática médica, a clínica é soberana.
Por isso, os achados ultrassonográficos devem ser interpretados junto ao conhecimento anatômico e fisiológico das estruturas avaliadas. Assim, os exames complementares e de imagem apoiam a conduta clínica.
Princípios acústicos da imagem
Na ultrassonografia transabdominal, é necessária uma superfície de contato entre o transdutor e o tecido. As propriedades acústicas dos tecidos determinam que apenas parte das ondas seja refletida, especialmente quando há ar junto ao tecido. O ar reflete o som e impede a formação da imagem posterior.
Uma estrutura sem reflexão sonora aparece enegrecida e é classificada como anecoica. Quando uma região anecoica escura é seguida por formação de imagem posterior, a onda sonora atravessou um meio líquido. As nuances da escala de cinza dependem da impedância de resposta do tecido, da frequência e da força de absorção e reflexão do som.
Frequência define resolução e profundidade
O som corresponde a ondas mecânicas que se propagam em meios materiais. Sons com frequência acima de 20.000 Hz são definidos como ultrassom. A frequência corresponde ao número de ondas completas por unidade de tempo, e a ultrassonografia diagnóstica trabalha normalmente com frequências a partir de 1 MHz (1 milhão de Hz).
Quanto maior a frequência, maior a resolução da imagem, porém menor a profundidade de penetração. Assim, estruturas superficiais exigem frequências mais altas, enquanto estruturas profundas exigem frequências mais baixas.
Frequência conforme a estrutura
A escolha da frequência depende da profundidade da estrutura examinada. Quanto mais profunda a estrutura, menor deve ser a frequência. Na avaliação transabdominal de uma cadela, é necessário utilizar frequência relativamente baixa para permitir a penetração até as estruturas profundas do abdômen.
Já na avaliação de um tendão superficial, pode se utilizar frequência mais elevada, pois não é necessária grande profundidade de penetração. Assim, quanto mais superficial a estrutura, maior pode ser a frequência.
Gel acústico e contato adequado
A ultrassonografia exige uma superfície de contato adequada entre a probe e a pele. O gel acústico tem a função de eliminar o ar entre o transdutor e a superfície corporal, porque a presença de ar impede a adequada passagem do som e, consequentemente, compromete a formação da imagem.
A onda ultrassonográfica depende da existência de matéria para se propagar. A imagem é formada a partir do som emitido e posteriormente recebido pelo equipamento.
Ecos que formam a imagem
A imagem ultrassonográfica é formada pelo retorno dos ecos produzidos quando o som encontra diferentes estruturas. Regiões escuras indicam menor retorno de ecos, enquanto regiões claras indicam maior reflexão.
Líquidos tendem a permitir a passagem do som e apresentam pouca reflexão, formando imagens anecoicas. A imagem final é processada por computador e apresentada em uma escala de cinzas, variando do preto ao branco conforme a resposta acústica dos tecidos.
Impedância acústica e ecogenicidade
Impedância molda o contraste
A imagem ultrassonográfica resulta da impedância acústica de cada estrutura. Assim, a imagem ultrassonográfica é formada a partir da impedância acústica de cada estrutura. Essa propriedade está relacionada à forma como o som atravessa, é absorvido, refletido ou desviado pelos tecidos.
Estruturas com impedâncias semelhantes podem não apresentar diferença significativa na imagem. Por isso, um processo tumoral que possua consistência semelhante à do tecido adjacente pode não ser distinguido pela ultrassonografia. A incidência do feixe sonoro sobre superfícies lisas e planas gera reflexão direta do som no exame de ultrassom.
Vocabulário da ecogenicidade
As estruturas sem ecos internos são descritas como anecoicas. Quando a estrutura apresenta menor ecogenicidade que o tecido de referência, é hipoecoica; quando apresenta maior ecogenicidade, é hiperecoica. Uma estrutura ultrassonográfica que se apresenta mais branca é classificada como hiperecoica.
| Classificação ou exemplo | Critério ou relação | Aparência ou achado |
|---|---|---|
| Anecoicas | Estruturas sem ecos internos | — |
| Hipoecoicas | Menor ecogenicidade que o tecido de referência | — |
| Hiperecoicas | Maior ecogenicidade que o tecido de referência | Mais brancas na imagem |
| Reflexão sonora | Quanto mais rígida ou densa for uma estrutura, maior tende a ser sua reflexão sonora e mais clara será sua representação. | Representação mais clara |
| Retorno do som | Quanto mais direto for o retorno do som refletido ao transdutor, mais clara será a imagem ultrassonográfica. | Imagem mais clara |
| Osso | Superfície intensamente hiperecoica | Produz sombra acústica posterior |
A classificação depende da presença de ecos e da comparação com o tecido de referência.
Da lesão à fibrose
A leitura dos achados deve acompanhar a sequência entre dano, inflamação e cicatrização.
- Etapa: Observe que, em uma musculatura normalmente predominantemente hipoecoica, a presença de pontos hiperecoicos (brancos) no meio da musculatura sugere calcificação tecidual.
- Etapa: Relacione a calcificação ao processo de dano: A calcificação pode ocorrer após lesão, inflamação e cicatrização tecidual.
- Etapa: Reconheça que O processo cicatricial envolve deposição de cálcio e pode culminar em fibrose.
- Etapa: Identifique o desfecho: A presença de cicatrização e calcificação na musculatura leva ao desenvolvimento de fibrose.
- Etapa: Organize a sequência temporal: Em sequência, o processo lesivo representa a fase inicial do dano tecidual, o processo inflamatório constitui a fase intermediária e o processo cicatricial é a fase final.
- Etapa: Interprete a ausência de achados: a ausência de pontos hiperecoicos não exclui um processo lesivo ou inflamatório, pois a cicatrização representa uma fase final, enquanto a lesão e a inflamação constituem etapas anteriores.
Inflamação altera o padrão muscular
A inflamação pode produzir alterações que não são diretamente visíveis externamente. Existem cinco características cardinais associadas ao processo inflamatório. Na musculatura, a ultrassonografia pode revelar perda do padrão normal das fibras, além de áreas hipoecoicas ou borrões escuros relacionados à presença de líquido.
O líquido absorve e transmite o som com pouca reflexão, produzindo áreas anecoicas ou hipoecoicas entre as fibras musculares. A interpretação deve sempre considerar a formação anatômica esperada da estrutura examinada.
Transdutores e equipamentos
Emissão e recepção da probe
A probe, ou transdutor, possui duas funções: emitir e receber as ondas ultrassonográficas. Como transdutor, a probe atua tanto como emissor quanto como receptor da onda sonora. Ela é formada por cristais piezoelétricos, que vibram na frequência selecionada.
A emissão não é contínua: o transdutor emite o som, interrompe a emissão e recebe os ecos refletidos. Essa alternância ocorre em velocidade extremamente elevada e permite que o equipamento transforme os ecos recebidos em imagem.
Equipamentos fixos versus portáteis
A comparação entre os equipamentos ajuda a relacionar qualidade de imagem, recursos, transporte e forma de visualização.
| Tipo de equipamento | Características | Formato ou uso |
|---|---|---|
| Equipamentos fixos | Geralmente oferecem maior qualidade de imagem, maior resolução e maior variedade de frequências. | Utilizados em hospitais veterinários |
| Equipamentos portáteis | São mais fáceis de transportar, mas frequentemente apresentam menor resolução e menor quantidade de recursos. | Podem ser utilizados em campo |
| Transdutores conectados a tablets ou telefones celulares | O console convencional é substituído por um dispositivo móvel. | Conexão direta ao dispositivo móvel |
| Ultrassons portáteis do tipo óculos | Nos ultrassons portáteis do tipo óculos, a imagem obtida pela probe (sonda) é projetada diretamente nos óculos do operador. | Imagem projetada nos óculos do operador |
Escolha orientada do equipamento
Escolha o equipamento relacionando a finalidade do exame às condições reais de uso.
- Critérios de escolha: Considere a finalidade do exame, a espécie atendida, o local de trabalho, a necessidade de transporte e os recursos efetivamente utilizados.
- Funções adicionais: Recursos como o Doppler podem ser úteis, mas não são indispensáveis para todas as áreas.
- Doppler em grandes animais: Na ultrassonografia de grandes animais, o recurso Doppler (eco Doppler) é opcional.
- Justificativa do investimento: Avalie se determinada função será utilizada com frequência suficiente para justificar o investimento.
- Portabilidade: Para o trabalho com grandes animais, a portabilidade pode ser decisiva.
- Equipamentos fixos: Para pequenos animais ou hospitais, equipamentos fixos podem oferecer vantagens de resolução e funcionalidade.
Linear, convexo e setorial
As sondas (probes) de ultrassom possuem diversos modelos, incluindo os tipos linear, convexo (ou curvo) e setorial. A escolha depende da estrutura e do exame a ser realizado.
| Tipo de transdutor | Janela ou contato | Campo de visão | Aplicação e atenção |
|---|---|---|---|
| Linear | Campo predominantemente retangular | Adequado para estruturas superficiais | Ao utilizar uma probe linear em espaço intercostal, a frequência da onda sonora atinge os ossos costais, reduzindo a janela acústica e prejudicando a formação da imagem. |
| Convexo (ou curvo) | Área de contato menor | O transdutor convexo apresenta uma área de contato menor e um campo de visão que se amplia em profundidade. | A escolha depende da estrutura e do exame a ser realizado. |
| Setorial | Pequena janela de entrada | Maior abertura em profundidade | O transdutor setorial possui pequena janela de entrada e maior abertura em profundidade, sendo útil para avaliações através de espaços intercostais, como exames cardíacos. |
Frequências na rotina veterinária
Equipamentos antigos exigiam transdutores diferentes para frequências distintas. Nos aparelhos modernos, a frequência pode ser alterada diretamente no equipamento, sem necessidade de trocar de probe, permitindo escolher maior penetração ou maior resolução conforme a necessidade. Alguns aparelhos permitem conectar dois transdutores simultaneamente, reduzindo a necessidade de retirá los e recolocá los durante o exame.
Na rotina veterinária, a frequência das probes de ultrassom varia tipicamente de 1 a 10 MHz, ou de 3,5 a 7,5 MHz; a frequência das ondas de ultrassom varia habitualmente de 1 MHz a 10 MHz. A frequência de 5 MHz é adequada para exames ultrassonográficos via transretal em grandes animais. Na transição da avaliação transretal para a transabdominal, é necessário reajustar a frequência utilizada.
Equipamentos menores apresentam maior portabilidade, porém podem oferecer menos recursos de medição e menor qualidade de imagem.
Preset correto evita equívocos
Não confunda as configurações: os equipamentos modernos apresentam configurações pré programadas para diferentes exames, e cada preset modifica parâmetros de processamento e resolução. Na ultrassonografia de ovinos, o sistema oferece opções de presets para exame abdominal, exame ginecológico e exame obstétrico; selecione a configuração correspondente à estrutura examinada. O uso de um preset inadequado, como uma configuração abdominal em uma avaliação transretal, pode produzir interpretação equivocada da imagem.
Resolução e foco
Resolução axial e lateral
A resolução axial e a resolução lateral determinam a capacidade de distinguir estruturas próximas entre si. A ausência de ajuste adequado da frequência de ultrassom compromete as resoluções axial e lateral, impedindo a diferenciação entre duas estruturas distintas. Quando os parâmetros não são adequadamente ajustados, duas estruturas podem ser representadas como uma única imagem. Os aparelhos modernos geralmente oferecem configurações automáticas, mas o examinador deve compreender os efeitos desses ajustes para reconhecer limitações e evitar erros de interpretação.
Os equipamentos de ultrassom modernos dispõem de comando específico de foco com direções para cima e para baixo. O desajuste do ponto focal em relação à área de interesse reduz as resoluções lateral e axial do ultrassom. Alguns aparelhos de ultrassom permitem configurar até três pontos focais simultâneos; por isso, o posicionamento do foco precisa corresponder à área examinada para preservar a nitidez da imagem.
Posicione o foco na estrutura
Ajuste o ponto focal relacionando sua posição à profundidade da estrutura que você deseja examinar.
- Etapa: Identifique o ponto focal: ele corresponde à profundidade em que o equipamento fornece melhor resolução e costuma ser indicado na tela por uma seta ou marcador lateral.
- Etapa: Posicione o foco na altura da estrutura de interesse. Se a estrutura estiver superficial e o foco estiver profundamente localizado, a resolução da região examinada será reduzida.
- Etapa: Escolha a quantidade de focos: alguns equipamentos permitem utilizar vários pontos focais, mas a utilização de múltiplos focos pode diminuir a qualidade global da resolução.
- Etapa: Priorize um único foco ajustado à região de interesse, pois essa configuração pode proporcionar imagem mais nítida.
Frequência na reprodução animal
Na reprodução de grandes animais, a frequência de aproximadamente 5 MHz pode ser suficiente para avaliações transretais. Já procedimentos que exigem maior resolução, como a aspiração folicular, podem utilizar frequências mais elevadas, como 7,5 ou 10 MHz. Portanto, a frequência deve ser escolhida conforme a profundidade e a precisão exigida pelo procedimento.
Modos ultrassonográficos
Modo B representa anatomia
O modo B, ou modo de brilho bidimensional, é utilizado rotineiramente e fornece imagens bidimensionais em tempo real. Ele apresenta a anatomia em tempo real e constrói a imagem a partir da impedância acústica dos tecidos. Como cada estrutura produz uma resposta diferente, essa informação é convertida em diferentes tons de cinza.
Modo M mede movimento cardíaco
Siga a sequência para usar o modo M e obter uma medida confiável da frequência cardíaca.
- Etapa: Identifique o modo M, ou modo de movimento, que registra o deslocamento de estruturas ao longo do tempo.
- Etapa: Utilize o modo M principalmente em avaliações cardíacas e na mensuração da frequência cardíaca. Nesse contexto, o modo M refere se ao modo de movimento e é utilizado para avaliar a frequência cardíaca.
- Etapa: Posicione o cursor da janela do modo M sobre a imagem estrutural no modo B para realizar a mensuração da frequência cardíaca.
- Etapa: Evite uma única medição, pois uma única medição da frequência cardíaca associa se a um elevado risco de erro; recomenda se realizar mais de uma mensuração.
- Etapa: Registre, por exemplo, 170, 180 e 175 batimentos por minuto e trabalhe com a média das três medições para obter uma medida confiável.
Tridimensional, fluxo e cores
Compare cada modo pela informação que ele representa e pela finalidade do exame.
| Modo | Informação representada | Uso e observações |
|---|---|---|
| Modo tridimensional | Permite reconstrução volumétrica | Utilizado especialmente em determinadas avaliações obstétricas. |
| Doppler | Demonstra fluxo, particularmente fluxo sanguíneo; permite avaliar se o sangue se aproxima ou se afasta da probe. | Assim, o ultrassom Doppler é a modalidade utilizada para avaliar o fluxo sanguíneo. As cores não possuem significado biológico absoluto: o examinador pode configurar qual cor representará o fluxo em direção ao transdutor e qual representará o fluxo em sentido contrário. Embora frequentemente se utilize vermelho para fluxo arterial e azul para fluxo venoso, essa convenção pode ser alterada. |
Ângulo condiciona o Doppler
Quando o vaso está paralelo à probe, o equipamento pode não demonstrar fluxo adequadamente, pois o sangue não se aproxima nem se afasta de modo suficiente do transdutor. A interpretação correta exige atenção ao posicionamento da probe e ao ângulo de insonação.
Artefatos ultrassonográficos
Reflexão especular cria falsos ecos
Uma imagem ultrassonográfica pode constituir um artefato de imagem a depender das estruturas que a antecedem. A reflexão especular é um artefato de imagem ultrassonográfica. Ela ocorre quando o som incide sobre uma superfície lisa, regular e altamente refletora. Nessa situação, o feixe ultrassonográfico incide perpendicularmente na superfície e retorna sem sofrer desvio, podendo produzir uma imagem hiperecoica.
O retorno direto pode produzir uma imagem hiperecoica que não corresponde a uma calcificação ou a uma lesão. Estruturas como os anéis cervicais podem produzir esse tipo de reflexão. Esse reflexo é um elemento essencial para o diagnóstico diferencial entre gestação inicial e cisto endometrial. A ausência de reflexo especular na imagem ultrassonográfica pode indicar a presença de um cisto endometrial. O examinador deve reconhecer esse padrão para não interpretar a imagem especular como uma alteração estrutural verdadeira.
Imagem em espelho duplica estruturas
Uma superfície lisa e densa pode refletir o som e produzir uma duplicação aparente da estrutura. Quando o ultrassom incide sobre uma estrutura muito rígida, lisa e plana, forma se um artefato em espelho. A imagem em espelho consiste em um reflexo especular por reverberação que projeta uma imagem falsa posteriormente à imagem real.
No artefato em espelho, a imagem replicada é projetada posteriormente à imagem real, posiciona se acima da original e apresenta intensidade reduzida. A imagem verdadeira fica mais próxima da probe e apresenta maior intensidade, enquanto a imagem projetada posteriormente é mais fraca e constitui um artefato. Em avaliações pélvicas, estruturas retas, lisas e densas podem produzir esse fenômeno. A imagem mais profunda não deve ser interpretada como uma segunda estrutura real.
Reverberação repete ecos
Siga a sequência do retorno do som até a formação das imagens artefatuais.
- Etapa: Reconheça a reverberação quando o som retorna repetidamente entre superfícies refletoras.
- Etapa: Observe que, a cada novo retorno, perde intensidade, formando imagens repetidas e progressivamente mais fracas.
- Etapa: Diferencie a imagem verdadeira das cópias: A primeira imagem é a verdadeira; as imagens subsequentes representam artefatos.
- Etapa: Relacione o artefato às estruturas: Estruturas cilíndricas e rígidas podem produzir reverberações intensas e dificultar a interpretação.
- Etapa: Identifique a definição do fenômeno como reflexão repetida do feixe de som entre superfícies rígidas, com perda progressiva de intensidade.
- Etapa: Reconheça que o artefato ultrassonográfico de cauda em cometa é originado pelo fenômeno físico da reverberação.
Sombra acústica bloqueia ecos
A sombra acústica posterior ocorre quando o som não consegue atravessar uma estrutura ou é desviado lateralmente. O desvio do feixe de ultrassom impede seu retorno ao transdutor e resulta na criação de sombra acústica.
Ossos, fezes e outras estruturas com alta impedância podem impedir a formação de ecos posteriores, criando uma área escura. A ausência de imagem após o osso é esperada, pois o feixe não atravessa a estrutura. Na ultrassonografia transretal do ovário, a sombra acústica pode ser formada pelo impedimento da passagem do feixe de ultrassom. Para identificar sua origem, a avaliação deve considerar a anatomia e a posição da probe.
Reforço posterior pode simular lesão
O reforço acústico posterior ocorre quando o som atravessa uma estrutura líquida, sofre pouca atenuação e retorna com intensidade aumentada ao encontrar um tecido mais denso posteriormente. Na ultrassonografia, existe um fenômeno denominado reforço posterior de imagem: a região posterior ao líquido pode aparecer mais brilhante ou mais ecogênica e simular lesão, calcificação ou fibrose. Quando houver dúvida, deve se modificar o posicionamento da probe: a alteração da posição do transdutor muda a incidência do feixe de som; se a imagem desaparecer ou mudar, provavelmente se tratava de artefato, e, se permanecer, a alteração estrutural deve ser considerada verdadeira. A interpretação errônea de um artefato de reforço acústico pode levar a um diagnóstico incorreto e à indicação indevida de cirurgia.
Teste a incidência em folículos
Teste o achado em diferentes planos e observe se ele persiste após a mudança de incidência.
- Etapa: Reconheça que Estruturas esféricas, como folículos, podem produzir imagens internas que dependem do eixo de incidência do feixe ultrassonográfico.
- Etapa: Na presença de um folículo, a reflexão parcial e o desvio tangencial do feixe de som geram uma sombra acústica lateral.
- Etapa: A avaliação de folículos deve incluir diferentes planos para evitar a interpretação de ecos inexistentes como celularidade ou conteúdo intrafolicular.
- Etapa: Para confirmar se uma imagem é verdadeira, deve se modificar a posição da probe e avaliar sua persistência.
- Etapa: Uma imagem que desaparece com a mudança de incidência provavelmente corresponde a artefato.
Avaliação ultrassonográfica do trato reprodutivo
Anatomia guia a interpretação
A avaliação ultrassonográfica do trato reprodutivo exige conhecimento anatômico e fisiológico. A interpretação da imagem ultrassonográfica deve correlacionar se diretamente com esse conhecimento, considerando a anatomia esperada e as mudanças fisiológicas do momento do ciclo reprodutivo, da espécie e do indivíduo.
Em cadelas, o útero apresenta maior dificuldade de visualização ao exame ultrassonográfico quando a fêmea está fora do período de cio. No exame do trato reprodutivo, também podem ser identificadas imagens de aspecto heterogêneo; por isso, a imagem deve ser comparada ao esperado. O exame pode confirmar uma hipótese fisiológica ou demonstrar que o achado não corresponde ao esperado. Quando os achados ultrassonográficos e fisiológicos não coincidem, deve se investigar a origem da discrepância.
Rotina cria memória muscular
A repetição transforma a sequência do exame em uma referência rápida e confiável.
- Etapa: Repita a mesma rotina de avaliação para desenvolver memória muscular e facilitar a identificação de alterações.
- Etapa: Realize a rotina sempre na mesma ordem para reconhecer rapidamente quando uma estrutura não está presente ou apresenta aspecto inesperado.
- Etapa: Em grandes rebanhos, aplique a padronização para reduzir omissões e aumentar a eficiência ao examinar centenas de animais em um único dia.
Encontre a janela acústica
Na ultrassonografia, cada órgão possui uma janela acústica adequada, cuja localização depende da anatomia e do indivíduo. Essa janela é específica para cada tecido ou órgão e varia conforme o indivíduo; por isso, não basta posicionar o transdutor aleatoriamente e esperar encontrar uma estrutura.
É necessário saber onde o órgão está localizado e qual trajeto permite visualizá lo. A visualização do rim direito requer posicionar o transdutor na janela acústica correspondente. A interpretação depende da relação entre o local do transdutor, a estrutura examinada e o conhecimento anatômico do animal.
Sequência abdominal em pequenos animais
Em pequenos animais, siga uma sequência abdominal repetível e ancorada na anatomia esperada.
- Etapa: Inicie a avaliação pela bexiga.
- Etapa: Prossiga para o fígado, o baço e os rins, incluindo as estruturas adjacentes.
- Etapa: Avalie o pâncreas e as adrenais com apoio de pontos de referência anatômicos, pois sua avaliação pode ser difícil.
- Etapa: Repita a rotina para reconhecer a localização esperada de cada órgão e identificar alterações com maior segurança.
Trajeto gastrointestinal do cavalo
No cavalo, use a sequência anatômica do trato gastrointestinal para orientar o trajeto da avaliação ultrassonográfica.
- Etapa: Siga a sequência inicial do estômago para o duodeno, o jejuno e o íleo.
- Etapa: Do íleo, avance para a válvula ileocecal e o ceco.
- Etapa: Do ceco, prossiga para o cólon ventral direito, a flexura esternal, o cólon ventral esquerdo, a flexura pélvica, o cólon dorsal esquerdo, o cólon dorsal direito e o cólon transverso.
- Etapa: Antes de iniciar a procura ultrassonográfica, confirme que a localização de cada segmento é compatível com a anatomia.
- Etapa: Não é possível localizar ultrassonograficamente o duodeno do cavalo a partir da fossa paralombar direita.
Anatomia reprodutiva de éguas e vacas
Localização dos Ovários Equinos
A localização dos ovários equinos pode ser organizada pelas relações anatômicas com o ílio, o cólon menor e o ceco.
| Estrutura | Localização |
|---|---|
| Útero | A égua possui o útero na cavidade abdominal. |
| Ovário esquerdo | O ovário esquerdo fica na fossa ovariana esquerda, à frente da asa do ílio esquerdo e atrás do cólon menor. |
| Ovário direito | O ovário direito fica na fossa ovariana direita, à frente da asa do ílio direito e atrás da base do ceco, no lado direito. |
Diferenciando Ovário e Fecaloma
Na palpação, uma estrutura que não se desmancha quando pressionada é compatível com o ovário. Porém, na avaliação do ovário esquerdo, as cíbalas fecais do cólon menor têm formato semelhante ao ovário e podem causar confusão; o cólon menor do equino é um compartimento repleto de fezes onde esses fecalomas estão contidos.
Profundidade Comparada da Palpação
Compare primeiro a localização e depois a profundidade necessária para alcançar o útero.
| Espécie | Localização do útero | Profundidade de acesso |
|---|---|---|
| Égua | O útero é abdominal. Na palpação da égua, é necessário introduzir quase todo o braço para alcançar a estrutura uterina. | Acesso profundo |
| Vaca | Diferentemente da égua, o útero da vaca possui localização pélvica. Em vacas jovens de segunda ou terceira parição, o útero permanece localizado dentro da cavidade pélvica. | Na palpação reprodutiva de vacas jovens, normalmente não é necessário ultrapassar a articulação do punho para alcançar o útero. |
A profundidade de acesso varia conforme a espécie e a localização uterina.
Segurança e Técnica na Égua
A palpação da égua requer mais cautela porque o peristaltismo, a contratilidade retal e a força do esfíncter anal são consideravelmente mais intensos do que os da vaca. Essa forte contração retal exige cuidado para não forçar a parede retal e evitar rompimentos. A vaca apresenta peristaltismo retal mais fraco e tolera a palpação acompanhada.
No treinamento inicial de reprodução equina, recomenda se usar luvas nos dois braços. Para acessar os ovários da égua, usa se o braço direito para o ovário esquerdo e o braço esquerdo para o ovário direito.
Limites Práticos do Exame
A experiência prévia modifica profundamente o ritmo e os limites da palpação retal. Um examinador sem rotina consegue palpar até 200 vacas em um único dia, mas não consegue palpar 20 éguas em um dia sem experiência prévia com equinos. Também não é possível realizar a palpação retal simultânea de uma égua por duas pessoas.
Ovário ou fecaloma?
O cólon menor pode conter fezes e simular uma estrutura ovariana. Durante a palpação, uma estrutura que parece ser o ovário pode ser comprimida cuidadosamente. Se for um fecaloma, tende a se desfazer com a compressão; se não se desfizer, aumenta a possibilidade de se tratar do ovário. A compressão deve ser delicada e nunca causar estrangulamento ou lesão da alça intestinal.
Conformação uterina por espécie
A conformação uterina varia entre as espécies. Na égua, o útero desce em formato semelhante a um “Y”, disposição que interfere na obtenção de imagens longitudinais e frequentemente exige a avaliação em corte transversal do corpo uterino. Na vaca, o útero é predominantemente pélvico em animais jovens, mas pode deslocar se para a cavidade abdominal conforme a idade, a categoria e o número de partos, em razão do estiramento dos ligamentos.
Avance lentamente no exame transretal
A palpação e a ultrassonografia transretal são mais exigentes na égua do que na vaca, pois o reto equino apresenta maior força e capacidade de contração. O examinador deve avançar lentamente e interromper o movimento quando encontrar resistência. A resistência pode decorrer de uma dobra de mucosa; nesse caso, deve se localizar a passagem com o dedo e permitir que a dobra ultrapasse o braço antes de continuar.
Coaptação vulvar e entrada de ar
Em éguas, a falha na coaptação dos lábios vulvares permite a entrada de ar no trato reprodutivo. A progressão do ar da vagina para o útero pode acarretar lesões na mucosa uterina.
Fisiologia ovariana e interpretação
Dimensões foliculares por categoria
As vacas podem apresentar de duas a quatro ondas de crescimento folicular, dependendo da categoria.
| Categoria ou condição | Ondas de crescimento folicular | Tamanho pré ovulatório | Diâmetro folicular máximo | Diâmetro ovariano máximo | Achado na superovulação |
|---|---|---|---|---|---|
| Vacas zebuínas | Duas a quatro, dependendo da categoria | O tamanho pré ovulatório do folículo tende a ser de 16 mm em vacas zebuínas. | O diâmetro folicular máximo varia em torno de 18 a 20 mm nas vacas zebuínas. | O diâmetro ovariano máximo é de 18 mm nas fêmeas zebuínas. | — |
| Vacas europeias taurinas | Duas a quatro, dependendo da categoria | O tamanho pré ovulatório do folículo tende a ser de 20 mm em vacas europeias taurinas. | O diâmetro folicular máximo atinge cerca de 22 mm nas vacas taurinas. | O diâmetro ovariano máximo é de 22 mm nas fêmeas taurinas. | — |
| Superovulação | — | — | — | — | Na superovulação, observa se uma quantidade aumentada de folículos em crescimento. |
Os valores foliculares e ovarianos variam conforme a categoria bovina.
Dinâmica lútea e ciclo estral
Em fêmeas não gestantes, a regressão do corpo lúteo ocorre entre o 15º e o 17º dia do ciclo estral, concomitantemente ao crescimento folicular para a próxima ovulação. Essa transição marca a preparação ovariana para o próximo evento ovulatório.
O ovário só se apresenta sem corpo lúteo ou corpo albicans durante o período pré ovulatório. Nesse contexto, a vaca abre e fecha o cio no intervalo total de 24 horas.
Função lútea e exceções clínicas
Não confunda a dependência lútea entre espécies: A vaca é dependente do ovário para a manutenção da progesterona até o sexto mês de gestação. A perda da funcionalidade do corpo lúteo até o sexto mês de gestação na vaca resulta na perda da gestação; em caso de perda do corpo lúteo na gestação da vaca, deve se administrar progesterona exógena até o parto. Em éguas, é muito raro encontrar um corpo lúteo cavitário; quando presente, geralmente está associado a uma alteração patológica como o hematoma ovariano.
Sinais de inatividade ovariana
- Atividade ovariana: Um ovário com folículos pequenos, sem corpo lúteo e sem estrutura compatível com crescimento folicular dominante pode indicar inatividade ovariana.
- Possíveis relações: A inatividade ovariana pode estar relacionada a doença, nutrição ou outros fatores.
- Ausência de corpo lúteo: Deve ser interpretada conforme o momento esperado do ciclo; pode ocorrer durante o período pré ovulatório, mas não é considerada normal quando não há resposta folicular compatível.
Sinais de corpo lúteo ativo
Um corpo lúteo ativo apresenta tonalidade cinza mais escura. À medida que perde funcionalidade, tende a tornar se mais claro. A identificação de um corpo lúteo claro em uma fêmea gestante pode indicar regressão luteal e risco de perda gestacional. Quando clinicamente indicado, pode ser necessário utilizar progesterona para manter a gestação, especialmente durante o período em que a vaca depende do ovário para a manutenção da progesterona.
O estroma ovariano apresenta imagem ultrassonográfica distinta da estrutura de um corpo lúteo. É possível identificar a presença de dois corpos lúteos em um mesmo ovário. Imagens ultrassonográficas homogêneas no corpo lúteo representam regiões de aspecto uniforme.
Luteinização do corpo lúteo
Acompanhe a luteinização do corpo lúteo pela sequência de formação e pelos achados que podem exigir interpretação cuidadosa.
- Etapa: O corpo lúteo pode ser compacto ou cavitário.
- Etapa: A formação ocorre da periferia para o centro, com luteinização progressiva e fechamento da cavidade.
- Etapa: A espessura da parede de luteinização do corpo lúteo é condizente com o tempo decorrido desde a ovulação.
- Etapa: A progressão da luteinização em direção ao centro do corpo lúteo indica o distanciamento temporal da ovulação.
- Etapa: Alguns corpos lúteos permanecem cavitários, sem necessariamente comprometer a produção de progesterona.
- Etapa: Em bovinos, essa apresentação é relativamente comum.
- Etapa: Em éguas, o corpo lúteo geralmente se fecha, e a presença de uma cavidade pode exigir investigação de hematoma ou outra alteração.
- Etapa: Um cisto uterino cavitário pode apresentar similaridade ultrassonográfica com o corpo lúteo.
Escala do folículo pré ovulatório
A estimativa do tamanho folicular deve seguir a escala apresentada no equipamento. Quando cada divisão corresponde a 5 mm, um folículo que ocupa aproximadamente duas divisões pode medir cerca de 10 mm. Essa interpretação depende da espécie e da raça; por isso, a associação entre folículos, corpo lúteo e aspecto uterino deve refletir o estágio fisiológico do indivíduo. Após o rompimento do folículo ovariano pré ovulatório, ocorre um colapso folicular inicial.
Artefato ou celularidade folicular?
- Etapa: Identifique imagens hiperecoicas dentro de um folículo: elas podem sugerir desprendimento de células da granulosa e proximidade da ovulação, mas também podem representar artefatos causados pelo posicionamento do feixe.
- Etapa: Observe o aspecto cinza alvo no líquido intrafolicular, que pode indicar a proximidade do momento da ovulação.
- Etapa: Avalie ultrassonograficamente a estrutura do líquido intrafolicular para determinar a qualidade folicular.
- Etapa: Mude a posição da probe para diferenciar celularidade verdadeira de artefato de incidência.
- Etapa: Se a imagem persistir, pode haver celularidade verdadeira; se desaparecer, provavelmente se trata de artefato de incidência.
- Etapa: Quando verdadeira, a celularidade presente no fluido folicular é formada pelo desprendimento de células da granulosa.
Gestação e estruturas uterinas
Superovulação aumenta estruturas ovarianas
Em uma vaca submetida à superovulação, podem ser visualizados numerosos folículos em crescimento e, posteriormente, vários corpos lúteos. A quantidade dessas estruturas deve ser interpretada conforme o tratamento utilizado e o momento do ciclo, sempre associando a imagem ultrassonográfica ao histórico reprodutivo e ao protocolo empregado.
Fisiologia reprodutiva da égua
Ondas foliculares da égua
As éguas geralmente apresentam uma ou duas ondas foliculares. A onda primária e a onda secundária possuem momentos distintos, e a onda iniciada no meio do ciclo frequentemente está relacionada à ovulação subsequente.
Em comparação com os bovinos, os folículos pré ovulatórios equinos são maiores e podem atingir aproximadamente 35 mm.
Sinais equinos antes da ovulação
Na égua, a proximidade da ovulação pode ser observada pelo aumento da perfusão sanguínea na borda folicular e pelo desprendimento das células da granulosa. Na vaca, a percepção do aumento da perfusão sanguínea e do descolamento das células da granulosa não é tão clara devido ao menor tamanho do folículo ovulatório; essas alterações são mais facilmente percebidas na égua devido ao maior tamanho do folículo.
A avaliação deve incluir o formato folicular, a parede e o padrão de perfusão, sempre considerando possíveis artefatos.
Linha temporal do cio equino
A duração variável do cio orienta a estimativa, mas a confirmação depende do acompanhamento clínico e ultrassonográfico.
- Etapa: Compare a duração do cio: a vaca geralmente manifesta e encerra o cio em aproximadamente 24 horas, enquanto a égua pode permanecer em cio por cinco a dez dias, conforme a época do ano e outras condições.
- Etapa: Considere os fatores sazonais: esse ciclo não depende exclusivamente da luminosidade, mas também da insolação.
- Etapa: Estime a ovulação: a ovulação equina ocorre habitualmente entre 24 e 48 horas antes do término do cio. Como a égua pode variar a duração do cio entre ciclos, o momento exato é mais difícil de prever sem acompanhamento ultrassonográfico.
- Etapa: Confirme o evento pelo comportamento: as éguas não interrompem a aceitação do macho imediatamente após ovularem. Assim, a confirmação de que a égua ovulou só ocorre quando ela deixa de aceitar o macho.
Colapso e luteinização equinos
A formação do corpo lúteo equino pode ser acompanhada como uma sequência de alterações após a ovulação.
- Etapa: Observe o colapso folicular: após a ovulação, ocorre colapso do folículo, seguido de preenchimento sanguíneo e formação de coágulo.
- Etapa: Identifique a fase inicial: inicialmente, observa se o folículo colapsado e preenchido por sangue.
- Etapa: Acompanhe a organização interna: com o passar do tempo, formam se trabéculas e ocorre luteinização progressiva da periferia para o centro.
- Etapa: Reconheça a evolução temporal: aproximadamente três dias podem ser necessários para a luteinização avançada, e por volta do quinto dia o corpo lúteo tende a estar completamente fechado.
Estimando o momento da ovulação
O acompanhamento ultrassonográfico seriado da formação do corpo lúteo, interpretado junto à história do cio e aos achados ultrassonográficos, permite estimar o momento da ovulação. A espessura da área luteinizada e a progressão da luteinização auxiliam na estimativa do momento da ovulação. Uma pequena área periférica de luteinização pode corresponder a aproximadamente 24 horas após a ovulação; à medida que o processo avança para o centro, aumenta o intervalo desde a ovulação.
Diagnósticos diferenciais reprodutivos
Critérios e limites dos cistos
A interpretação deve distinguir a descrição clássica dos critérios observados na dinâmica folicular e reconhecer o padrão ultrassonográfico do hematoma ovariano.
| Achado ou critério | Descrição |
|---|---|
| Cisto folicular — descrição clássica | Segundo a descrição clássica na literatura, um cisto folicular é definido como uma estrutura ovariana que persiste por mais de 10 dias, medindo mais de 25 mm, geralmente sem a presença de corpo lúteo. |
| Dinâmica folicular cística | Na dinâmica folicular cística, um cisto folicular pode se manter ativo sem necessariamente atingir 25 milímetros de diâmetro e anular a ovulação. |
| Folículo ovariano em bovinos — 37 mm | Em bovinos, folículos com 37 mm são incompatíveis com o tamanho pré ovulatório esperado; assim, uma estrutura folicular ovariana com diâmetro de 37 milímetros é diagnosticada com certeza como um cisto folicular. |
| Limites aproximados por tipo de bovino | 18 mm para zebuínos; 22 mm para taurinos. |
| Hematoma ovariano | O hematoma ovariano caracteriza se na ultrassonografia por apresentar ecogenicidade mista, contendo estruturas anecoicas e hiperecoicas. |
Os critérios clássicos são referências; a dinâmica folicular pode produzir formações císticas que não os seguem rigidamente.
Tumor das células da granulosa
O tumor das células da granulosa pode produzir apresentações ultrassonográficas distintas. O ovário afetado pode estar aumentado e deslocar estruturas adjacentes, enquanto o ovário contralateral pode estar diminuído.
A ultrassonografia fornece indícios, mas não confirma isoladamente o diagnóstico. A confirmação depende do exame histopatológico, associado a avaliações laboratoriais, como testosterona e inibina. A dosagem de testosterona e de inibina é utilizada na avaliação laboratorial do tumor das células da granulosa.
Marcadores laboratoriais do tumor
A interpretação laboratorial combina os resultados com as limitações do método utilizado.
- Testosterona: A concentração estava abaixo do limite de detecção do laboratório, inferior a 10 nanogramas, sem permitir estabelecer o valor exato.
- Inibina: Apresentava valores extremamente elevados e contribuiu para a confirmação diagnóstica.
- Relação ovariana: O ovário acometido por tumor de células da granulosa apresenta secreção aumentada de inibina em relação ao ovário contralateral diminuto.
- Limitação analítica: A interpretação deve considerar as limitações do método e não atribuir significado a um resultado cujo limite analítico não permita quantificação adequada.
Punção pode disseminar tumores
A punção de uma massa ovariana deve ser cuidadosamente avaliada: embora possa fornecer material para exame citológico, existe o risco de disseminação de células tumorais para a cavidade abdominal caso a massa seja maligna. A decisão deve envolver profissionais familiarizados com a patologia e considerar se o procedimento realmente contribuirá para o diagnóstico; o exame histopatológico permanece o padrão de referência para confirmação.
Punção no abscesso ovariano
O abscesso ovariano pode apresentar conteúdo líquido e, em alguns casos, movimentação interna; essa movimentação de fluido pode auxiliar na diferenciação, mas sua ausência não exclui a possibilidade. Para o diagnóstico ultrassonográfico, requer se a visualização da movimentação de fluido em seu interior. A punção envolve risco de disseminação do conteúdo para a cavidade abdominal, portanto qualquer procedimento invasivo deve ser precedido por análise criteriosa da indicação e das possíveis consequências.
Folículos anovulatórios na égua
Na égua, podem ser observados folículos anovulatórios, que não devem ser automaticamente classificados como cistos foliculares. Na égua, não ocorrem cistos foliculares ovarianos; essas estruturas são denominadas folículos anovulatórios.
A interpretação deve considerar a fisiologia equina, a evolução da estrutura ao longo do tempo e os demais achados ovarianos e uterinos. O diagnóstico depende do acompanhamento e da correlação entre os dados clínicos, a palpação e a ultrassonografia.
Diferenciais endócrinos do equino
Quando um cavalo apresenta os pelos arrepiados, a primeira suspeita diagnóstica deve ser de origem nutricional. Porém, se o cavalo estiver gordo e com alterações na pelagem, a origem do problema provavelmente não é alimentar. Um equino obeso que apresenta alterações de pelagem pode ser um indicativo de Síndrome de Cushing.
Diante de um quadro clínico compatível em equinos, as suspeitas diagnósticas primárias incluem a Síndrome de Cushing e o hipotireoidismo. A Síndrome de Cushing em equinos manifesta sinais clínicos concomitantes adicionais que a diferenciam do hipotireoidismo, e o quadro clínico descrito em equinos pode se enquadrar na Síndrome Metabólica Equina. Além disso, existe uma relação em cavalos da raça Mangalarga Marchador entre a quantidade de gordura corporal e a qualidade seminal.
Aspectos urinários e uterinos
Achados hiperecoicos na bexiga
Diante de imagens hiperecoicas, diferencie primeiro a parede do conteúdo luminal e então relacione o achado às principais suspeitas.
| Estrutura ou achado | Aspecto ultrassonográfico | Interpretação |
|---|---|---|
| Parede da bexiga | Espessamento da parede | A inflamação da bexiga costuma estar associada ao espessamento da parede. |
| Conteúdo luminal da bexiga | Material ecogênico | Pode sugerir cristais, cálculos, sedimento ou processo infeccioso; não significa necessariamente cistite. |
| Conteúdo luminal da bexiga | Alterações de ecogenicidade | Na bexiga, alterações ultrassonográficas de ecogenicidade levam à suspeita de calcificação. |
| Conteúdo luminal da bexiga | Sedimento suspenso no líquido | As principais suspeitas diagnósticas são inflamação ou infecção. |
| Útero | Bordas hiperecoicas | Pode significar fibrose de mucosa. |
Avalie separadamente a parede e o conteúdo luminal.
Céu estrelado sugere infecção
Em estruturas que deveriam conter líquido anecoico, a presença de múltiplos pontos ecogênicos produz aspecto semelhante a um céu estrelado. Nas espécies em que a presença de cristais não é fisiológica ou é insuficiente para gerar imagem, esse achado deve levantar inicialmente a possibilidade de infecção.
Em cavidades anatomicamente preenchidas por líquido anecoico (preto), esse aspecto em céu estrelado tem a infecção como principal hipótese diagnóstica. A identificação de piócitos em exames diagnósticos sugere a presença de uma infecção; em processos infecciosos ou soluções piogênicas, os piócitos podem se aglomerar e formar concreções sólidas. Portanto, a hipótese infecciosa deve ser investigada antes de se considerar causas menos comuns.
Cristais na bexiga equina
A interpretação do conteúdo vesical depende da espécie. Em cavalos, a presença de cristais na bexiga pode ser uma característica fisiológica da espécie, e esses cristais podem se agrupar e formar estruturas mais sólidas.
Em outras espécies, espera se que a bexiga apresente conteúdo predominantemente preto e anecoico. Isso ocorre porque a pequena quantidade fisiológica de cristais normalmente não produz resposta ultrassonográfica significativa.
Dicas Para Provas
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
|---|
| A incidência do ultrassom sobre uma estrutura muito rígida, lisa e plana gera a formação de artefato em espelho. |
Reflexão Sion
Além da imagem
A ultrassonografia exige mais do que uma imagem: frequência, foco, anatomia e mudança do ângulo ajudam a distinguir uma alteração real de um artefato. Isso também nos lembra que aparências isoladas podem enganar, e que conhecer o contexto é essencial para julgar com verdade. Jesus oferece esse olhar que vai além da superfície e convida você a confiar nele para enxergar sua vida com esperança e honestidade.
O homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração.1 Samuel 16:7
Leia e aprenda a olhar além da primeira imagem.