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MedVet7 PeríodoCirurgia de Cães e Gatos IIAfecções do Aparelho Reprodutivo Feminino e Masculino

Afecções do Aparelho Reprodutivo Feminino e Masculino

Na clínica cirúrgica de cães e gatos, o sistema reprodutor representa a principal casuística. As alterações podem ser organizadas em categorias clínicas para facilitar o reconhecimento.

Duracao: 23 min

Topicos da aula

  • Afecções do Aparelho Reprodutivo Feminino e Masculino

Overview

Afecções Reprodutivas em Pequenos Animais

Esta aula apresenta uma visão integrada das afecções reprodutivas em cães e gatos, abrangendo alterações femininas e masculinas, processos inflamatórios, neoplasias e procedimentos cirúrgicos. No sistema feminino, destacam se a distocia, a pseudociese, os tumores e a relação entre hiperplasia endometrial cística e piometra, cuja evolução pode envolver bacteremia, lesão renal e choque séptico. O diagnóstico combina histórico, exame físico, exames laboratoriais e ultrassonografia, enquanto o manejo exige estabilização antes da cirurgia e acompanhamento pós operatório. No sistema masculino, a aula diferencia castração, vasectomia, criptorquidismo e neoplasias testiculares, conectando indicações terapêuticas, localização anatômica, hemostasia e princípios oncológicos.

Afecções do sistema reprodutor feminino

Principais Alterações Reprodutivas

Na clínica cirúrgica de cães e gatos, o sistema reprodutor representa a principal casuística. As alterações podem ser organizadas em categorias clínicas para facilitar o reconhecimento.

  • Afecções femininas: Incluem distocia, cistos ovarianos, pseudociese, alterações uterinas associadas à gestação, tumores ovarianos, lipoma do ligamento largo, tumores vaginais, neoplasias mamárias e processos inflamatórios uterinos.
  • Distocia: A distocia corresponde à disfunção do processo de parto.
  • Cistos ovarianos: Os cistos ovarianos são afecções que acometem o sistema reprodutor feminino.
  • Lipoma do ligamento largo: O lipoma do ligamento largo do útero é formado por tecido adiposo aderido ao ligamento largo.
  • Tumores mamários: Os tumores mamários estão entre as afecções mais clássicas e frequentes do sistema reprodutor.
  • Episiotomia: A episiotomia consiste na abertura da parede vaginal e vulvar para permitir o acesso e a remoção de tumores vaginais.
  • Útero gravídico: O útero gravídico pode sofrer traumas em fêmeas gestantes acidentadas.
  • Pseudociese: A pseudociese, conhecida como gestação psicológica, é popularmente conhecida como gravidez psicológica.

Aumento de Volume Não É Câncer

Uma estrutura aumentada de volume nem sempre corresponde a câncer. O lipoma do ligamento largo do útero é uma neoplasia benigna, mas pode causar transtornos devido ao seu tamanho, mostrando que nem todo tumor é, por definição, um câncer.

Tumores vaginais podem estar localizados no interior do canal vaginal e exigir a abertura da parede vaginal para sua remoção. Também podem ocorrer neoplasias mamárias, cuja apresentação clínica é variável. Já os processos inflamatórios uterinos constituem alterações distintas e não devem ser automaticamente classificados como câncer.

Episiotomia no Acesso Vaginal

O termo episiotomia combina o prefixo “episio”, relacionado à região vulvar, com o sufixo “tomia”. Nesse contexto, o sufixo “tomia” indica a realização de uma abertura ou incisão cirúrgica. A técnica consiste na abertura da parede vaginal para possibilitar o acesso e a remoção de um tumor localizado no canal vaginal.

Hiperplasia endometrial cística e piometra

Diestro e alterações endometriais

Na cadela, após o estro, ocorre uma fase de diestro de aproximadamente 60 dias, independentemente da ocorrência de gestação. Na cadela não gestante, o ciclo é fisiologicamente semelhante ao da gestante, e a fase de diestro dura aproximadamente 60 dias. Por isso, alterações fisiológicas associadas à gestação podem manifestar se mesmo sem acasalamento ou prenhez.

A hiperplasia endometrial cística é um distúrbio muito comum em cadelas, mas, em gatas, é mais rara devido às particularidades do ciclo estral. No útero acometido, formam se pequenas vesículas constituídas predominantemente por tecido glandular.

Infecção e formação da piometra

Na resposta imune uterina, os leucócitos precisam migrar por diapedese para combater a infecção. Durante o processo infeccioso, as bactérias presentes na circulação sanguínea liberam toxinas. A progressão do quadro ocorre com o acúmulo de secreção purulenta e o aumento do volume uterino, caracterizando a piometra.

Progesterona e Secreção Uterina

Durante o diestro, a progesterona permanece elevada independentemente de a cadela estar prenhe ou não. A manutenção da progesterona elevada induz hipertrofia uterina, independentemente da ocorrência de prenhez. Em algumas fêmeas, essa resposta ocorre de forma exagerada, aumentando a atividade das glândulas endometriais. As glândulas endometriais produzem secreções que auxiliam a manutenção da gestação.

O acúmulo dessas secreções provoca dilatação uterina e cria condições favoráveis à proliferação de microrganismos oportunistas.

Classificação do Acúmulo Uterino

O conteúdo uterino acumulado pode apresentar diferentes naturezas. O acúmulo de secreção no útero é classificado como hidrometra, mucometra ou hemometra conforme as características serosa, mucosa ou sanguínea do fluido. Quando houver sangue, o acúmulo é descrito como hematometra. A presença de secreção no interior do útero constitui um ambiente fechado, aquecido e protegido, favorável ao crescimento bacteriano.

Natureza do fluidoClassificação do acúmuloCaracterística
SerosoHidrometraFluido seroso
MucosoMucometraFluido mucoso
SanguíneoHematometra / hemometraPresença de sangue

A piometra ocorre quando há conteúdo purulento e infecção uterina.

Da Hiperplasia à Piometra

A hiperplasia endometrial cística pode preceder o desenvolvimento da piometra: a produção e o acúmulo de secreções favorecem a proliferação bacteriana. Esse processo é muito mais frequente em cadelas do que em gatas, embora também possa ocorrer em felinas.

Nas cadelas, o ciclo estral prolonga a exposição uterina à progesterona, contribuindo para a ocorrência do processo.

Origem Ascendente das Bactérias

As bactérias podem ascender a partir da região perineal, da vulva e do canal vaginal. Microrganismos de origem intestinal podem migrar para o interior da vagina e, posteriormente, alcançar o útero.

A resposta imune depende da migração de células de defesa pela circulação sanguínea até o local da infecção. Entretanto, a proliferação bacteriana pode ocorrer em velocidade superior à capacidade de recrutamento dessas células.

Bacteremia e Lesão por Imunocomplexos

Com a progressão da piometra, as bactérias podem atravessar a parede uterina e alcançar a circulação sanguínea. Essa migração de bactérias do útero infectado para a circulação sanguínea resulta em bacteremia. As toxinas bacterianas, resultantes do metabolismo microbiano, podem causar lesões em diferentes estruturas, especialmente nos rins.

O organismo reconhece essas toxinas como antígenos e produz anticorpos. O imunocomplexo formado pela ligação entre antígeno e anticorpo tem tamanho maior do que a capacidade de filtração renal. Por isso, os imunocomplexos podem acumular se nos glomérulos, ultrapassando a capacidade de filtração renal e promovendo lesão renal.

Quando os imunocomplexos chegam aos néfrons, ficam presos e se acumulam nos rins, promovendo a lesão renal.

Piometra e Risco Sistêmico

A piometra é uma doença potencialmente grave e deve ser reconhecida com atenção. Enquanto o conteúdo permanece restrito ao útero, as consequências sistêmicas podem ser limitadas. Sem tratamento, entretanto, a infecção pode evoluir para bacteremia, toxemia, comprometimento renal, choque séptico e morte. Algo frequentemente cobrado em provas é a associação entre piometra, bacteremia e lesão renal por imunocomplexos.

Diagnóstico da piometra

Histórico Clínico Orientador

O responsável pode relatar que a cadela apresentou cio aproximadamente dois meses antes, além de aumento abdominal, redução do apetite, seletividade alimentar, letargia ou prostração. A ausência de contato com outros animais não exclui a doença; por isso, o histórico deve ser analisado junto com a frequência à creche, o contato com outros animais e as demais possibilidades de exposição.

Manifestações Sistêmicas Variáveis

A intensidade dos sinais clínicos varia conforme a fase da doença.

  • Fase inicial: A cadela pode apresentar comportamento aparentemente normal, mantendo atividade, apetite e ausência de alterações evidentes.
  • Quadros avançados: Podem ocorrer desidratação importante, febre, aumento abdominal, dor à palpação, prostração, hipotensão, choque e alterações sistêmicas graves.
  • Perfusão e hidratação: Pacientes com piometra podem apresentar alteração no hematócrito, mucosas hipocoradas, tempo de preenchimento capilar (TPC) reduzido, desidratação e turgor cutâneo lento.

Achados Mamários no Diferencial

Após aproximadamente dois meses do cio, a cadela pode apresentar alterações mamárias relacionadas à influência hormonal. Nesse momento, a presença ou ausência de hipertrofia mamária e de secreção láctea deve ser avaliada como elemento diferencial. Em cadelas com piometra, geralmente não há hipertrofia mamária nem produção de leite, o que auxilia no diagnóstico diferencial.

A investigação clínica não deve limitar se ao abdômen: inclua a inspeção das mamas, da vulva e do canal vaginal. Em cadelas com piometra, pode haver ou não secreção purulenta na vulva e no canal vaginal; portanto, a ausência dessa secreção não exclui o quadro.

Piometra Aberta ou Fechada

A classificação da piometra depende da condição da cérvix e descreve sua apresentação. Para interpretar a gravidade, é essencial avaliar o comprometimento sistêmico do paciente.

FormaCritério e apresentaçãoInterpretação
AbertaNa forma aberta, a cérvix não se fecha completamente ou o volume intrauterino provoca extravasamento, permitindo a presença de secreção pela vulva.A classificação descreve a apresentação da doença, mas não determina, isoladamente, sua gravidade ou evolução.
FechadaNa forma fechada, a cérvix permanece fechada e o conteúdo fica retido no interior do útero.A classificação descreve a apresentação da doença, mas não determina, isoladamente, sua gravidade ou evolução.
GravidadeA gravidade é definida pelo comprometimento sistêmico do paciente, independentemente de a piometra ser aberta ou fechada.A gravidade independe de a piometra ser aberta ou fechada.

Hemograma e Função Renal

Na investigação da piometra, o hemograma pode mostrar leucocitose, neutrofilia com possível desvio à esquerda e anemia. A anemia pode estar relacionada ao comprometimento da produção de eritropoetina e aos efeitos das toxinas sobre a formação de hemácias, reduzindo a capacidade de transporte de oxigênio.

A função renal também deve ser investigada: a azotemia pode estar presente quando já existe comprometimento sistêmico e renal significativo. Por isso, a interpretação do perfil renal complementa os achados hematológicos na avaliação do paciente.

Laudo Compatível com o Paciente

Um aumento uterino observado após o procedimento cirúrgico não deve ser automaticamente classificado como piometra. O conteúdo pode corresponder a material não inflamatório, e a conclusão diagnóstica deve considerar a imagem, os sinais clínicos e os exames laboratoriais.

Um conteúdo presente no interior do coto uterino pode ser incorretamente laudado como piometra no exame ultrassonográfico. Por isso, a descrição no laudo deve ser questionada quando não for compatível com as características observadas no paciente.

Tratamento da piometra

Estabilização Antes da Cirurgia

A estabilização pré operatória define a segurança da sequência terapêutica antes da anestesia e da cirurgia.

  1. Etapa: Reconheça que a piometra é uma doença progressiva que pode levar o paciente a apresentar choque, decúbito e hipotensão.
  2. Etapa: Associe o procedimento cirúrgico a medidas de estabilização e suporte; o tratamento não consiste apenas na realização da cirurgia.
  3. Etapa: Antes da anestesia, determine se a paciente está clinicamente estável e se apresenta azotemia.
  4. Etapa: Em pacientes hipotensas, em choque ou em decúbito, realize terapias de ressuscitação e corrija as alterações que ameaçam a sobrevivência anestésica.

Suporte Inicial Integrado

Quando há azotemia em uma paciente clinicamente estável, recomenda se fluidoterapia com cristaloides para melhorar a hidratação, aumentar a perfusão renal e favorecer a diurese. Como já existe uma infecção instalada, a antibioticoterapia terapêutica deve ser iniciada antes da cirurgia, sem aguardar o procedimento. A analgesia, os cuidados gerais e a fluidoterapia de manutenção também devem ser instituídos.

Ovariossalpingo Histerectomia Terapêutica

Após a estabilização, realiza se ovariossalpingo histerectomia terapêutica, que consiste na remoção completa dos ovários e do útero. A denominação “terapêutica” é necessária porque o procedimento não tem finalidade eletiva ou exclusivamente preventiva. Durante a cirurgia, deve se evitar o extravasamento do conteúdo uterino, pois a contaminação da cavidade abdominal pode provocar peritonite.

Fios Cirúrgicos na Infecção

Podem ser utilizados fios absorvíveis ou inabsorvíveis, mas, na cirurgia de piometra, a escolha de fios absorvíveis exige cautela, pois, em tecidos com inflamação e infecção, a absorção do fio pode ocorrer de maneira diferente. O útero distendido e friável aumenta o risco de ruptura durante a manipulação, e o extravasamento do conteúdo contaminado pode resultar em peritonite.

Internação e Acompanhamento

Mesmo que cheguem ativas e sem azotemia detectável, pacientes com piometra devem permanecer internadas, pois a doença pode progredir após a cirurgia. O acompanhamento deve durar, pelo menos, um a dois dias.

Durante esse período, é necessário incluir avaliação dos parâmetros clínicos, hemograma, leucocitose, anemia e função renal, verificando se as alterações diminuíram, aumentaram ou permaneceram estáveis.

Ajuste do Antibiótico Pós Operatório

A maioria das piometras está associada a bactérias Gram negativas, enquanto uma proporção menor envolve bactérias Gram positivas ambientais. Aproximadamente 96% das piometras são causadas por bactérias Gram negativas e 4% por bactérias Gram positivas. Por isso, o tratamento antibiótico empírico inicial para piometra preconiza o uso de fármacos voltados para bactérias Gram negativas.

Se a leucocitose aumentar após 24 horas de antibioticoterapia, deve se considerar falha de cobertura, presença de resistência bacteriana ou inadequação do protocolo. A cultura bacteriana e o antibiograma são importantes para orientar a escolha antimicrobiana, e pode ser necessário substituir o esquema inicial por um protocolo de amplo espectro. No período pós operatório de piometra, o paciente deve ser mantido sob fluidoterapia, antibioticoterapia e analgesia.

Dor e Débito Urinário

O controle da dor pós operatória deve considerar o comprometimento renal. Anti inflamatórios podem afetar a função renal e devem ser selecionados com cautela, sendo preferível evitá los quando houver risco renal. Podem ser utilizados opioides e outros fármacos analgésicos apropriados; no pós operatório de piometra, o controle analgésico pode ser obtido mediante o uso de opioides e relaxantes musculares.

A sondagem uretral em circuito fechado permite acompanhar o esvaziamento vesical e mensurar a produção urinária. A utilização desse sistema com bolsa coletora permite monitorar a produção urinária e avaliar a função renal pelo débito urinário.

Complicações Pós Operatórias Graves

A urinálise é uma ferramenta simples e precoce para avaliação do sistema urinário. Entre as complicações possíveis estão a piora da insuficiência renal, a peritonite e o choque séptico; a peritonite consiste na inflamação do peritônio e pode ocorrer quando o conteúdo uterino extravasa para a cavidade abdominal. Como a piometra pode causar morte, a abordagem deve ser criteriosa desde o diagnóstico até o acompanhamento pós operatório.

Conduta na Paciente Instável

Em casos de maior gravidade, como uma paciente com hematócrito de 18%, mucosas hipocoradas, tempo de preenchimento capilar reduzido, desidratação importante, pulso fraco e temperatura baixa, pode ser necessária a reposição e estabilização com sangue total antes da cirurgia. A hipotermia também deve ser corrigida. Durante o procedimento, o bloqueio local pode reduzir a necessidade de anestesia sistêmica e favorecer a recuperação da paciente.

Hemostasia em Vasos Calibrosos

Em úteros muito aumentados, com vasos de grande calibre, a hemostasia deve ser reforçada. Pode se realizar uma ligadura transfixante para o vaso direito, outra para o vaso esquerdo, seguida de ligadura circular e de nova transfixação. O objetivo é reduzir o risco de hemorragia e outras complicações operatórias.

Afecções do sistema reprodutor masculino

Indicações Terapêuticas Masculinas

As doenças testiculares e as afecções hormônio dependentes constituem indicações para procedimentos terapêuticos. Em machos, a esterilização é indicada para controle populacional, alteração comportamental e prevenção e tratamento de neoplasias testiculares e de doenças hormônio dependentes. A castração também pode tratar doenças endócrinas e alterações prostáticas; para a prevenção de determinados comportamentos, porém, nem sempre consegue evitar todas as manifestações comportamentais. Nos cães machos, as afecções do sistema reprodutor costumam se manifestar predominantemente na fase senil.

Alopecia X e Testosterona

A alopecia X pode ocorrer em diferentes raças e está relacionada a alterações hormonais. Em cães de qualquer raça, pode ser desencadeada por excesso ou alteração nos níveis de testosterona.

Quando os testículos são saudáveis, mas a remoção do estímulo hormonal é indicada para tratar a doença, o procedimento não é eletivo: trata se de uma orquiectomia terapêutica. Assim, a orquiectomia terapêutica é indicada como tratamento para a alopecia X relacionada a esse excesso ou alteração de testosterona.

Próstata Dependente de Hormônio

A hiperplasia prostática benigna é uma alteração comum em animais senis e depende de estímulo hormonal. Trata se de uma das alterações prostáticas mais comuns em animais senis.

Por depender desse estímulo, o tratamento baseia se em sua remoção: esse estímulo hormonal é removido por meio da castração. A indicação preventiva da castração em machos pode ser dificultada por fatores culturais, pela menor percepção visual das consequências e pela resistência do responsável, mas deve ser discutida com base em critérios médicos.

Etapas da Orquiectomia

A orquiectomia segue uma sequência de exposição das estruturas, hemostasia e transecção do pedículo espermático.

  1. Etapa: Realizar a incisão para exposição do testículo; em cães, a incisão é realizada na região pré escrotal.
  2. Etapa: Separar as túnicas e realizar a exposição do plexo vascular e do ducto deferente.
  3. Etapa: Romper o ligamento da cauda do epidídimo para permitir a exteriorização das estruturas, com exposição do plexo vascular e do ducto deferente.
  4. Etapa: Realizar a hemostasia pela técnica das três pinças, com ligaduras circulares utilizando fio absorvível.
  5. Etapa: Utilizar essa técnica também para a transecção do pedículo espermático na orquiectomia.

Alternativas de Hemostasia

Além da técnica convencional, podem ser utilizadas técnicas que empregam o próprio complexo vascular do ducto deferente. Pode se realizar um laço no ducto ou separar o ducto deferente do ducto vascular e confeccionar um nó simples.

Essas alternativas são funcionais e podem ser empregadas em animais muito pequenos, especialmente felinos e em campanhas de castração, buscando economia de materiais. A escolha deve considerar o porte do animal, o valor do paciente e a segurança do procedimento.

Criptorquidismo

Definição e Ocorrência do Criptorquidismo

O criptorquidismo é a ausência de descida de um ou ambos os testículos da cavidade abdominal para o escroto. A alteração pode ocorrer em cães e gatos, sendo mais frequente em cães; a condição é muito mais rara em gatos do que em cães.

Trata se de uma alteração do desenvolvimento testicular identificada em animais jovens. No macho, o criptorquidismo é uma alteração reprodutiva caracterizada pela ausência de deslocamento de um ou ambos os testículos da cavidade abdominal para o escroto. É definida pela presença de um ou ambos os testículos fora de sua posição anatômica normal na bolsa escrotal. Os testículos não descidos podem ficar alojados na região inguinal, próximos à virilha, em posição subcutânea ou no interior da cavidade abdominal.

Quando Confirmar Criptorquidismo

Em filhotes de cães e gatos, o testículo pode transitar entre a bolsa escrotal e a cavidade abdominal ou ausentar se do escroto até os 5 meses de idade. Por isso, o diagnóstico de criptorquidismo não deve ser concluído em avaliações clínicas realizadas antes dos 5 meses de idade, pois a avaliação realizada antes desse período não permite afirmar definitivamente que o animal é criptorquídico.

A inspeção visual e a palpação cuidadosa do escroto e dos testículos devem fazer parte do exame físico geral, inclusive durante consultas de vacinação.

Herança do Criptorquidismo

O criptorquidismo possui característica congênita e genética, podendo ser transmitido entre gerações. Por essa razão, constitui uma característica deletéria relevante na seleção racial. O criptorquidismo é uma característica deletéria que geralmente surge devido à pressão de seleção genética.

Segundo a literatura médica, as raças caninas Border Collie, Boxer, Chihuahua, Bulldog Inglês, Maltês, Pequinês, Pinscher Miniatura, Lulu da Pomerânia, Husky Siberiano e Yorkshire apresentam predisposição ao criptorquidismo. Ainda assim, todas as raças de cães podem apresentar criptorquidismo.

Riscos do Testículo Ectópico

A posição escrotal mantém o testículo em temperatura inferior à corporal, condição necessária à produção adequada de espermatozoides. Quando o testículo não migra para o escroto, sua função espermatogênica pode ser comprometida e ocorre atrofia progressiva. Além disso, a permanência de uma estrutura submetida à divisão celular em local inadequado aumenta a possibilidade de alterações neoplásicas.

No criptorquidismo, a chance de o animal desenvolver tumores testiculares aumenta em até 13 vezes, porque o organismo reconhece o testículo ectópico como um corpo estranho. O prognóstico de vida para o animal criptórquida é excelente quando o tratamento é realizado de forma a evitar o comprometimento neoplásico do testículo ectópico.

Percurso e Localização Testicular

A localização do testículo orienta o próximo passo da avaliação.

  1. Etapa: Reconheça a origem embrionária: Os testículos se originam na mesma região embrionária dos ovários.
  2. Etapa: Acompanhe o trajeto: Os testículos se desenvolvem em posição caudal aos rins e, após migrarem pelo canal inguinal, permanecem na bolsa escrotal.
  3. Etapa: Considere o tempo fisiológico: A descida fisiológica dos testículos ocorre normalmente em três fases.
  4. Etapa: Procure retenção durante a migração: Durante esse trajeto, podem permanecer retidos em uma região subcutânea da virilha.
  5. Etapa: Considere a localização abdominal: quando não são encontrados no escroto nem na região inguinal, podem estar alojados na cavidade abdominal.
  6. Etapa: Confirme a localização: a confirmação pode exigir exames de imagem, especialmente ultrassonografia, método que permite identificar o testículo ectópico e alterações morfológicas no órgão.

Tratamento Inguinal Passo a Passo

Na localização inguinal, a mobilidade do testículo define a abordagem cirúrgica.

  1. Etapa: Defina o tratamento: o tratamento do criptorquidismo é a criptorquidectomia.
  2. Etapa: Desloque se possível: se o testículo estiver na região inguinal e puder ser deslocado até o escroto, pode se realizar a técnica convencional.
  3. Etapa: Exponha o testículo retido: quando estiver preso na virilha, realiza se incisão sobre a região para expor o testículo.
  4. Etapa: Atravesse os planos: nessa abordagem, realiza se a incisão de pele e do subcutâneo, encontrando se diretamente a túnica albugínea.
  5. Etapa: Realize a hemostasia: a hemostasia na criptorquidectomia inguinal segue os mesmos passos da orquiectomia eletiva, utilizando a técnica das três pinças e duas ligaturas circulares com fio absorvível sintético.

Tratamento Abdominal do Criptorquidismo

Com o testículo localizado na cavidade abdominal, a abordagem combina acesso, captura e hemostasia.

  1. Etapa: Acesse a cavidade: quando o testículo está na cavidade abdominal, pode ser necessária celiotomia exploratória.
  2. Etapa: Escolha a via: a incisão pode ser mediana, na região retroumbilical, com extensão suficiente para permitir a localização e a remoção do testículo. Também pode ser utilizada videocirurgia.
  3. Etapa: Desvie o pênis no macho: o pênis deve ser desviado para possibilitar a abertura da cavidade abdominal e a captura do testículo.
  4. Etapa: Finalize a remoção: após a captura do testículo, realize a hemostasia.

Energia na Videocirurgia

Na videocirurgia, a hemostasia pode ser realizada com energia por meio de uma pinça que dissipa eletricidade. Nesse procedimento, a hemostasia dos vasos testiculares pode ser realizada utilizando pinças de selamento vascular a energia elétrica. A fumaça observada resulta da desidratação do tecido. O instrumento também pode conter uma lâmina de corte, permitindo a secção do tecido após a aplicação da energia de coagulação.

Por Que Remover Ambos os Testículos

No criptorquidismo unilateral, apenas um testículo está fora da posição normal, mas ambos devem ser removidos porque a alteração é hereditária. Retirar somente o testículo ectópico permitiria manter o animal como reprodutor e transmitir a característica aos descendentes; por isso, a decisão envolve responsabilidade ética, especialmente quando o responsável deseja preservar um animal considerado reprodutor ou campeão.

Neoplasias testiculares

Neoplasia versus Testículo Ectópico

A avaliação clínica deve integrar tamanho testicular, sinais hormonais e localização. O diagnóstico envolve exame físico, palpação e exames de imagem.

AspectoNeoplasia testicularTestículo ectópico não neoplásico
RiscoA maioria das neoplasias testiculares é benigna, mas pode apresentar efeitos deletérios e não deve permanecer no animal sem avaliação adequada.
Tamanho do órgãoNa neoplasia testicular, espera se aumento no tamanho do órgão, ao passo que o testículo ectópico não neoplásico apresenta diminuição de tamanho.Na neoplasia testicular, espera se aumento no tamanho do órgão, ao passo que o testículo ectópico não neoplásico apresenta diminuição de tamanho.
EvoluçãoNo testículo ectópico, pode ocorrer aumento inicial de volume e, posteriormente, redução de tamanho antes de uma transformação neoplásica mais evidente.
Hormônios e sinaisA maioria dos tumores testiculares decorrentes de criptorquidismo produz hormônios femininos. A produção excessiva desses hormônios leva o cão a apresentar sinais de feminização, como aumento das mamas e ginecomastia; o excesso de estrógeno secundário provoca perda de libido e anemia.

Aumento testicular sugere neoplasia; diminuição, testículo ectópico não neoplásico.

Remoção Completa para Diagnóstico

Quando o testículo inteiro é removido para análise, realiza se uma forma de biópsia excisional. Se a indicação é retirar completamente a estrutura, não é necessário remover apenas um fragmento nem realizar citologia por agulha antes da cirurgia. Na suspeita de neoplasia testicular, não se realiza biópsia incisional nem citologia por aspiração por agulha fina; indica se a remoção completa do testículo via orquiectomia terapêutica. A análise do material após a cirurgia permite a avaliação diagnóstica da lesão.

Orquiectomia Fechada Oncológica

A técnica escolhida deve proteger o campo operatório e respeitar os princípios oncológicos.

  1. Etapa: Em processos neoplásicos ou infecciosos, evite a abertura das túnicas e a manipulação direta do testículo, reduzindo o risco de contaminação.
  2. Etapa: Realize a ablação escrotal: a remoção da bolsa escrotal, ou escroto, juntamente com o testículo.
  3. Etapa: Atenda aos princípios oncológicos de margem cirúrgica e margem de segurança ao remover o escroto juntamente com o testículo.
  4. Etapa: Faça a orquiectomia fechada, mantendo as túnicas, inclusive a túnica vaginal, durante a remoção.
  5. Etapa: Em casos de neoplasias ou processos infecciosos testiculares, utilize a técnica fechada para evitar a abertura das túnicas, reduzir o risco de contaminação e garantir margem de segurança.
  6. Etapa: Evite a técnica aberta nessas situações: ela expõe a cavidade das túnicas testiculares e apresenta maior risco de complicações e contaminação.

Reconstrução da Ferida Escrotal

A remoção do escroto pode produzir um defeito amplo na região ventral do pênis e nos tecidos adjacentes. O fechamento exige técnicas reconstrutivas e princípios oncológicos para aproximar os tecidos de maneira adequada e favorecer a cicatrização. Por isso, a reconstrução deve ser planejada conforme o tamanho do defeito e a necessidade de preservação funcional.

Esterilização e vasectomia

Castração e Vasectomia em Contraste

A vasectomia tem como objetivo exclusivo impedir a reprodução e não é sinônimo de castração. A diferença funcional é direta: a castração remove os testículos e interrompe a produção hormonal testicular, enquanto a vasectomia interfere no transporte dos espermatozoides pelo ducto deferente.

ProcedimentoEfeito sobre reprodução e hormôniosAcesso cirúrgico
CastraçãoRemove os testículos e interrompe a produção hormonal testicular
VasectomiaObjetivo exclusivo: impedir a reprodução; interfere no transporte dos espermatozoides pelo ducto deferenteAcesso inguinal ou dentro da cavidade abdominal
EpididimectomiaAcesso inguinal ou dentro da cavidade abdominal
DeferentectomiaAcesso inguinal, fora da cavidade abdominal

A epididimectomia e a vasectomia podem ser realizadas por acesso inguinal ou dentro da cavidade abdominal, conforme a técnica empregada.

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas
O período de diestro na cadela gestante dura aproximadamente 60 dias.

Reflexão Sion

Quando o perigo se esconde

Na piometra, uma infecção inicialmente restrita ao útero pode avançar para bacteremia, lesão renal, choque e morte. Isso nos lembra que nem todo perigo é visível de imediato e que aquilo que parece contido pode exigir cuidado e resposta responsável. Jesus oferece esperança para quem reconhece sua fragilidade e se aproxima dele em busca de vida.

Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá.João 11:25

Leia e reflita sobre o que precisa ser tratado antes de se tornar irreversível.

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