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Síndrome da Dilatação Vólvulo Gástrica em Cães
O manejo alimentar inadequado exerce papel determinante na gênese da afecção, sobretudo pelo fornecimento de uma refeição única e volumosa diária, que atinge até dois quilogramas de ração de uma só vez, prática comum em cães de guarda ou de chácara. O consumo rápido
Topicos da aula
- Síndrome da Dilatação e Torção Gástrica
Overview
Visão Panorâmica da Dilatação Vólvulo Gástrica
A síndrome da dilatação vólvulo gástrica constitui uma emergência com alta letalidade que afeta sobretudo cães de porte grande e gigante com conformação de tórax profundo. A rápida distensão intraluminal e a rotação axial no sentido horário colapsam o retorno venoso, desencadeando choque obstrutivo, hipoperfusão tecidual e risco de taquiarritmia ventricular. A prioridade consiste na estabilização hemodinâmica e descompressão gástrica imediata, lembrando que a radiografia jamais deve preceder a ressuscitação do paciente. Após o suporte inicial, a abordagem cirúrgica torna se mandatória para a distorção anatômica, ressecção de áreas desvitalizadas e consolidação da gastropexia. A intervenção cirúrgica previne novas rotações mecânicas, embora não impeça nova dilatação, exigindo vigilância crítica contra a síndrome de isquemia e reperfusão e manejo dietético preventivo contínuo.
Etiopatogenia e Fatores Predisponentes
Definição e Gravidade da Síndrome Gástrica
A síndrome da dilatação vólvulo gástrica constitui uma afecção emergencial caracterizada pela distensão gasosa e alimentar acentuada do estômago, acompanhada pelo seu deslocamento anatômico e rotação axial. Trata se de uma síndrome complexa, e não de uma alteração isolada, cuja evolução clínica é rápida e potencialmente fatal. O aumento volumétrico do órgão desencadeia alterações circulatórias graves, conferindo à enfermidade uma das mais altas taxas de letalidade observadas na rotina cirúrgica de pequenos animais, mesmo diante da instituição de intervenção terapêutica imediata.
Conformação Torácica Profunda e Predisposição Racial
A predisposição à afecção está fortemente associada a cães de porte grande e gigante, dotados da conformação anatômica denominada tórax profundo, como o Fila Brasileiro, o Dogue Alemão e o Basset Hound. Nesses pacientes, a caixa torácica apresenta amplitude acentuada e o diafragma assume uma concavidade pela qual grande porção das vísceras craniais se aloja sob o arco costal. Essa conformação anatômica específica confere maior mobilidade e espaço para a distensão e a subsequente movimentação anormal do estômago no interior da cavidade abdominal.
Agitação Pós Alimentar e Aerofagia como Desencadeantes
Observa se maior incidência da afecção em animais de temperamento habitualmente calmo ou sedentário e em pacientes com idade mais avançada. Todavia, a manifestação da síndrome frequentemente ocorre quando o animal apresenta episódios transitórios de agitação intensa ou atividade física logo após a ingestão alimentar. A movimentação vigorosa combinada com respiração ofegante predispõe à aerofagia, potencializando a retenção intraluminal de ar e agravando de forma expressiva o volume de gases gerados pelo processo fermentativo e digestivo gástrico.
Volume Alimentar Excessivo e Padrão Noturno Crítico
O manejo alimentar inadequado exerce papel determinante na gênese da afecção, sobretudo pelo fornecimento de uma refeição única e volumosa diária, que atinge até dois quilogramas de ração de uma só vez, prática comum em cães de guarda ou de chácara. O consumo rápido de grandes volumes, seguido da formação de gases metabólicos, promove dilatação acentuada. Historicamente, a síndrome exibe padrão predominantemente noturno, ocorrendo com frequência nas primeiras horas da madrugada após a alimentação crepuscular, período crítico em que os tutores estão em repouso e a percepção clínica é retardada.
Mecanismos Fisiopatológicos e Consequências Sistêmicas
Mecânica Rotacional Horária do Antro Pilórico
O acúmulo progressivo de gás, líquidos e alimentos promove a deformação física do estômago, culminando em sua rotação axial sobre o próprio eixo, a qual varia de 90 a 360 graus. Esse deslocamento do órgão ocorre classicamente no sentido horário.
Nesse processo, a extremidade gástrica móvel responsável pelo giro é o lado direito do estômago, correspondente ao antro pilórico, o qual se desloca ventralmente até assumir uma posição cranial e dorsal à esquerda em relação ao fundo gástrico. Compreender essa trajetória rotacional é fundamental para orientar com precisão as manobras cirúrgicas de descompressão e reposicionamento visceral.
Tração Esplênica e Trombose Vascular Associada
Em decorrência da íntima ligação anatômica estabelecida pelos ligamentos gastroesplênicos e pela vascularização compartilhada na grande curvatura, o baço é tracionado durante a rotação do estômago. O órgão sofre torção parcial ou total de seu pedículo vascular, o que compromete a circulação local.
Essa alteração desenvolve congestão passiva severa, esplenomegalia e trombose, gerando risco iminente de isquemia ou necrose esplênica. Diante dessa gravidade, pode haver necessidade de realização de esplenectomia durante o ato operatório.
Colapso Venoso Cava e Choque Obstrutivo
A dilatação e a rotação gástrica acarretam colapso mecânico sobre os vasos gástricos e a veia cava caudal, prejudicando substancialmente o retorno venoso ao átrio direito. Essa restrição ao fluxo sanguíneo sistêmico culmina na instalação de um quadro de choque obstrutivo por falência circulatória periférica.
Concomitantemente, a pressão mecânica exercida pelo estômago distendido sobre o diafragma reduz a sua excursão pulmonar, gerando restrição ventilatória e hipóxia sistêmica progressiva. Esse quadro crítico é agravado por severa dor visceral decorrente do espasmo e do estiramento capsular.
Hipoperfusão Visceral e Taquiarritmias Ventriculares Graves
A hipoperfusão tecidual contínua desencadeia a isquemia de órgãos abdominais adjacentes e à distância, predispondo o paciente à insuficiência renal aguda e à necrose da parede gástrica.
No miocárdio, o suprimento vascular deficitário associado à liberação de mediadores inflamatórios e toxinas culmina em distúrbios graves da atividade elétrica cardíaca, com destaque para o surgimento frequente de taquiarritmia ventricular. Essas alterações eletrocardiográficas agravam o prognóstico e exigem monitoramento hemodinâmico intensivo contínuo.
Colapso Pós Descompressão pela Síndrome de Reperfusão
A oclusão circulatória prolongada retém no leito microvascular um volume expressivo de metabólitos ácidos, endotoxinas, citocinas inflamatórias, células desvitalizadas e agregados plaquetários. No momento da descompressão e distorção anatômica das vísceras, o restabelecimento abrupto do fluxo sanguíneo promove a liberação sistêmica maciça desses elementos tóxicos, desencadeando a síndrome de isquemia e reperfusão. Trata se de uma das principais causas de colapso hemodinâmico, choque inflamatório e mortalidade nas primeiras horas pós operatórias, superando o risco mecânico imediato da pexia cirúrgica.
Diagnóstico e Avaliação Semiopológica
Reconhecimento do Quadro Clínico e Descompensação
O paciente apresenta distensão abdominal evidente, localizada preferencialmente no quadrante esquerdo, acompanhada de dor intensa à palpação superficial e profunda. Nos estágios iniciais, o animal demonstra inquietação extrema, marcha atáxica por desconforto e tentativas infrutíferas de vômito.
Conforme a afecção progride temporalmente sem intervenção, o paciente descompensa metabolicamente, evoluindo para letargia profunda, pulso periférico fraco, tempo de preenchimento capilar prolongado e hipotensão arterial decorrente da instalação do estado de choque. Nesse contexto, o tempo decorrido desde o início dos sintomas até o atendimento influencia diretamente na taxa de mortalidade do paciente. Portanto, o diagnóstico e o manejo clínico corretos e precoces são determinantes para a sobrevida do paciente.
Dígito Percussão e Identificação do Timpanismo Gástrico
A percussão da cavidade abdominal desempenha papel diagnóstico fundamental à beira do leito. A presença marcante de ar e gases sob tensão no interior da câmara gástrica produz um som timpânico alto e oco à dígito percussão da parede abdominal cranial e lateral esquerda. Esse achado semiológico clássico delimita a área de distensão intraluminal e orienta de forma imediata o ponto de punção para o esvaziamento mecânico do conteúdo gasoso.
Protocolo de Estabilização Emergencial
Descompressão Emergencial por Gastrocentese com Trocater
Diante da suspeita clínica de dilatação vólvulo gástrica, a estabilização hemodinâmica e respiratória do paciente crítico inicia se pela descompressão imediata.
- Realizar a descompressão inicial: A descompressão gástrica emergencial deve ser realizada no ambiente ambulatorial de triagem mediante trocaterização percutânea ou gastrocentese com agulha de grosso calibre.
- Introduzir a agulha no ponto de tensão: Sob orientação da timpania detectada no exame físico, introduz se a agulha diretamente através da parede abdominal no ponto de maior tensão gasosa, promovendo o escape imediato do ar.
- Aliviar a compressão cardiorrespiratória: Esse procedimento diminui a pressão intra abdominal, restabelece parcialmente o retorno venoso e alivia a compressão diafragmática.
- Monitorar a recidiva da distensão: Por tratar se de intervenção que remove unicamente gases e não o conteúdo alimentar sólido subjacente, o estômago tende a distender se novamente em minutos, funcionando como medida temporária de suporte.
Sondagem Orogástrica de Grande Calibre e Aspiração
Após a estabilização clínica inicial, realiza se a descompressão gástrica completa por sondagem orogástrica calibrosa.
- Promover a contenção prévia: O procedimento exige prévia contenção química, tranquilização profunda ou anestesia geral para promover o relaxamento da musculatura e permitir a transposição segura do esfíncter cárdico sem traumatismos iatrogênicos.
- Introduzir a sonda orogástrica: Após a estabilização hemodinâmica inicial, procede se à introdução de uma sonda orogástrica confeccionada em silicone espesso, rígido e de grande calibre, com resistência suficiente para transpor o esôfago e alcançar a câmara gástrica.
- Reconhecer as contraindicações de calibre: Sondas nasogástricas ou uretrais são contraindicadas pela reduzida espessura, que impede o esvaziamento de grumos alimentares e da espuma proteica formada pela fermentação dos nutrientes.
Relação Anatômica do Ângulo de His
A impossibilidade de progressão da sonda orogástrica até o lúmen gástrico não constitui prova patognomônica de torção mecânica do órgão. A dilatação extrema por si só estreita o ângulo de His — relação angular anatômica entre o esôfago terminal, o cárdia e o fundo gástrico —, colabando a entrada esofagogástrica por compressão extrínseca. Da mesma maneira, a passagem bem sucedida da sonda não descarta a presença de torção associada.
Uma vez posicionada a sonda, realiza se a lavagem gástrica copiosa com água morna em baldes e auxílio de funil, aspirando sólidos, líquidos e emulsões espumosas até a obtenção de esvaziamento satisfatório.
Obrigatoriedade Cirúrgica e Alto Risco de Recidiva
O esvaziamento e a lavagem gástrica bem sucedidos por meio de sondagem orogástrica não representam a resolução curativa da afecção, pois o estômago mantém alteração em sua conformação e motilidade. Caso o animal seja liberado sem fixação parietal definitiva, registra se um índice de recidiva próximo a 70%. O reaparecimento da dilatação e da torção pode ocorrer em questão de minutos, horas ou dias após a descompressão clínica isolada. Dessa forma, a indicação de intervenção cirúrgica corretiva é obrigatória para todos os pacientes acometidos.
Tratamento Cirúrgico e Técnicas de Gastropexia
Acesso Celiotômico Amplo e Reposicionamento Visceral
O paciente é posicionado em decúbito dorsal para a realização de uma celiotomia pré retro umbilical ampla pela linha média. Essa via estendida é mandatória, visto que uma incisão pré umbilical isolada é insuficiente para a manipulação e a inspeção das vísceras abdominais profundas.
Como etapa inicial, o cirurgião realiza a reposição anatômica do estômago ao desfazer a torção do órgão, distorcendo o antro pilórico no sentido anti horário para reposicioná lo em sua localização habitual no lado direito da cavidade abdominal.
Lavagem Gástrica Transoperatória Guiada sob Visão Direta
Nos casos em que a sondagem orogástrica não pôde ser concluída no pré operatório devido ao estrangulamento da cárdia, a passagem do tubo deve ser tentada novamente após a abertura abdominal. O cirurgião orienta manualmente a introdução da sonda através da cárdia sob visão direta, permitindo que a equipe assistente infunda grandes volumes de água morna com baldes e funis.
Durante a lavagem, o cirurgião massageia externamente o estômago para desagregar fragmentos de ração compactada até a aspiração e remoção completa dos resíduos intraluminais. Além dessa manobra, a realização de gastrotomia para remoção do conteúdo estomacal constitui uma opção viável durante a cirurgia.
Inspeção da Viabilidade Parietal e Ressecção Tecidual
Após o esvaziamento gástrico, deve se realizar rigorosa inspeção visual da perfusão e da viabilidade tecidual dos órgãos envolvidos, avaliando a coloração serosa, a espessura parietal e o pulso dos vasos das curvaturas maior e menor. Caso sejam detectadas áreas focais ou extensas de necrose da parede gástrica, está indicada a gastrectomia parcial da porção desvitalizada.
Concomitantemente, avalia se o parênquima esplênico quanto a sinais de isquemia e trombose vascular irreversível. Se não houver retorno da coloração normal após a distorção do pedículo na torção concomitante, torna se mandatória a realização de esplenectomia total.
Princípios Anatômicos da Gastropexia Lateral Direita
A gastropexia consiste na fixação permanente do estômago à parede abdominal com a finalidade exclusiva de impedir novas rotações axiais do órgão. A realização da gastropexia impede a torção gástrica recidivante, mas não impede que o estômago volte a dilatar.
A fixação cirúrgica deve ser realizada impreterivelmente na parede abdominal lateral direita, unindo a região do antro pilórico à musculatura parietal adjacente, lateralmente à incisão da linha média. Durante as manobras de sutura, é mandatório manter a integridade da camada mucosa, englobando apenas as camadas serosa e muscular do estômago para prevenir a deiscência séptica ou contaminações cavitárias.
Técnica Operatória da Gastropexia Incisional Padrão
A técnica de gastropexia incisional baseia se na confecção de uma incisão longitudinal de dimensões equivalentes na camada seromuscular do antro pilórico e no peritônio e fáscia do músculo transverso abdominal direito. Procede se à aposição dessas estruturas anatômicas mediante a confecção de dois planos de sutura contínua simples, unindo as margens profundas e superficiais das feridas.
Podem ser empregados fios cirúrgicos absorvíveis sintéticos — cuja durabilidade é suficiente para suportar a fixação até a consolidação da aderência fibrosa tecidual permanente — ou fios inabsorvíveis monofilamentares de náilon.
Gastropexia por Tubo de Gastrostomia Descompressivo
A fixação gástrica pode ser associada à inserção de uma sonda de gastrostomia tipo Foley no antro pilórico. Confecciona se uma sutura em bolsa de tabaco na seromuscular gástrica por onde se insere a extremidade distal da sonda, insuflando se o balão de retenção intraluminal com solução estéril ou ar para criar um anteparo mecânico firme. Essa sutura em bolsa de tabaco serve para fechar a parede gástrica ao redor da sonda de gastrostomia e evitar o vazamento de conteúdo gástrico.
Realizam se pontos de ancoragem da parede gástrica à parede abdominal circundando o estoma e cria se um túnel subcutâneo protetor. Esse dispositivo possibilita a descompressão contínua de gases residuais e a administração de nutrientes na fase de recuperação. Ao término da terapia, o balão é desinsuflado, o cateter é extraído e o trajeto fistuloso cicatriza por segunda intenção.
Confecção da Alça Seromuscular em Belt Loop
A técnica de gastropexia em alça de cinto, conhecida como belt loop, utiliza a confecção de retalhos teciduais para promover sustentação mecânica robusta. Delimita se um retalho seromuscular linguiforme na parede do antro pilórico, preservando uma borda de irrigação vascular contínua, enquanto se disseca um túnel na fáscia do músculo transverso do abdômen.
A lingueta gástrica é transposta através desse túnel muscular e suturada de volta sobre o próprio leito de incisão na parede gástrica. Esse procedimento estabelece uma ancoragem mecânica resistente destinada a mitigar o risco de ruptura precoce da pexia.
Fixação Circuncostal ao Redor da Costela
A técnica de gastropexia circuncostal representa uma variante da técnica em alça de cinto. Em vez da formação de um túnel no músculo transverso abdominal, procede se à dissecção dos tecidos periosteais ao redor da décima segunda costela direita do paciente. A lingueta seromuscular confeccionada no antro pilórico é passada ao redor do arco costal e suturada de volta ao estômago.
Embora proporcione grande ancoragem mecânica, o procedimento exige manipulação delicada para evitar lesões vasculonervosas e fraturas ósseas iatrogênicas.
Equivalência de Eficácia e Complicações Cirúrgicas
Estudos clínicos e a prática cirúrgica evidenciam que não há disparidade estatisticamente significante de eficácia entre as diferentes modalidades de gastropexia quando a técnica de sutura e a aproximação tecidual são executadas com precisão. A técnica incisional destaca se pela simplicidade de execução, menor tempo operatório e excelentes índices de consolidação fibrosa.
A complicação cirúrgica mais temida reside na deiscência da sutura de fixação com recidiva da rotação, cuja etiologia relaciona se a erros técnicos na manipulação dos planos teciduais ou à necrose isquêmica gástrica não detectada e não ressecada no ato cirúrgico.
Se áreas de necrose gástrica decorrentes da torção não forem identificadas e ressecadas cirurgicamente, o rompimento da parede ocorrerá na própria região necrosada, e não no sítio da gastropexia.
Indicações Pediátricas da Gastropexia Profilática Laparoscópica
A gastropexia profilática é indicada em cães jovens de raças predispostas com o intuito de prevenir a ocorrência primária do vólvulo, aproveitando se o tempo cirúrgico de intervenções eletivas como a ovariosalpingohisterectomia em fêmeas. Essa intervenção pode ser recomendada e planejada desde as primeiras consultas pediátricas e protocolos vacinais, constituindo a medida profilática definitiva mais segura para a preservação da vida desses animais.
A gastropexia profilática pode ser realizada em animais jovens por videocirurgia, fixando o antro pilórico na parede abdominal direita através do próprio portal de acesso. Além da técnica minimamente invasiva, o procedimento também pode ser conduzido por acesso laparoscópico assistido ou convencional.
Cuidados Pós Operatórios e Manejo Terapêutico
Protocolo com Lidocaína para Taquiarritmias Ventriculares
A ocorrência de taquiarritmia ventricular no pós operatório é frequente e decorre da lesão isquêmica miocárdica e da tempestade de citocinas inflamatórias.
- Administrar dose de ataque: A conduta farmacológica padrão consiste na administração intravenosa de lidocaína sem vasoconritor em dose de ataque em bolus.
- Converter para infusão contínua: Caso a resposta elétrica seja temporária ou o ritmo instável persista, o protocolo deve ser convertido para infusão contínua (CRI) sob monitorização eletrocardiográfica ininterrupta até a restauração duradoura do ritmo sinusal fisiológico do paciente.
Jejum Inicial e Realimentação Oral Hiperfracionada
O retorno das funções digestivas requer a instituição de um período de jejum gástrico inicial no pós operatório imediato para prevenir nova sobrecarga mecânica na parede gástrica edemaciada e em cicatrização. Caso seja necessário, o aporte calórico e energético deve ser fornecido por nutrição parenteral.
Subsequentemente, a introdução da alimentação oral ocorre de forma gradual, dividida em pequenas porções altamente fracionadas ao longo do dia. Recomenda se administrar até oito refeições diárias de baixo volume, sob monitoramento intrahospitalar até a estabilização completa da motilidade gastrointestinal.
Farmacoterapia Sistêmica Protetora e Terapia Antioxidante
A terapêutica pós operatória engloba o uso de medicamentos protetores da mucosa gástrica, agentes analgésicos viscerais para controle da dor e reposição hídrica rigorosa com fluidoterapia de manutenção balanceada. A antibioticoterapia sistêmica de amplo espectro deve ser orientada de acordo com o grau de hipoperfusão tecidual e o risco de translocação bacteriana intestinal secundária à isquemia parietal.
Adicionalmente, administra se terapia com compostos antioxidantes para neutralizar a liberação exacerbada de radicais livres de oxigênio gerados pela síndrome de reperfusão tecidual.
Diretrizes Tutoriais de Manejo Dietético Prolongado
A gastropexia cirúrgica impede permanentemente a rotação e a torção axial do estômago, mas não extingue a possibilidade de novos episódios isolados de dilatação gasosa aguda, tornando indispensável o manejo profilático contínuo.
- Fracionamento alimentar: fracionamento obrigatório da ração diária em, no mínimo, três refeições de pequeno volume como medida preventiva contra novos episódios de dilatação.
- Restrição de volume único: restrição estrita do fornecimento de ração em porção única diária volumosa.
- Repouso pós prandial: manutenção do paciente em ambiente calmo e em repouso por 15 a 30 minutos após a ingestão de alimentos, preservando a predominância fisiológica do sistema nervoso parassimpático e evitando atividades físicas associadas ao estresse simpático.
- Controle hídrico: controle rigoroso do acesso imediato a grandes volumes hídricos logo após a ingestão de alimento seco ou esforço muscular extenuante.
Reflexão Sion
Mais que um alívio passageiro
Na torção gástrica, a simples descompressão traz alívio imediato, mas apenas a gastropexia fixa o órgão e impede recidivas fatais. Da mesma forma, tentar apenas aliviar o cansaço diário não protege a alma de colapsar quando nos falta uma base que nos mantenha no lugar. Em Jesus, encontramos a âncora definitiva que firma o nosso coração e devolve a estabilidade que nenhuma circunstância passageira consegue roubar.
Temos esta esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual penetra no santuário interior, por trás do véu.Hebreus 6:19
Leia Hebreus 6 e descubra a segurança de uma vida firmada em Cristo.