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MedVet7 PeríodoCirurgia de Grandes AnimaisP2

Afecções Cirúrgicas Gastrointestinais de Ruminantes

A progressão da reticuloperitonite traumática pode ser acompanhada pelos estágios e pelas estruturas envolvidas:

Duracao: 34 min

Topicos da aula

  • Doenças Cirúrgicas Gastrointestinais em Ruminantes

Overview

Panorama das decisões cirúrgicas

As afecções digestivas dos ruminantes podem comprometer a saúde e a produção, e a escolha da intervenção depende de reconhecer a estrutura afetada, a evolução do quadro e a viabilidade dos tecidos. Ao longo da aula, o raciocínio cirúrgico parte de uma avaliação clínica cuidadosa: antes de abrir o rúmen, é preciso investigar a causa e considerar se ela está no órgão ou em estruturas próximas. A distinção entre situações aparentemente semelhantes também orienta o manejo, a escolha do acesso e o momento de intervir. Em quadros avançados, necrose e comprometimento sistêmico podem limitar o sucesso, mesmo com cirurgia.

Relevância e abordagem dos pré estômagos

Relevância e limites cirúrgicos

As afecções gastrointestinais dos ruminantes têm relevância clínica e econômica, pois podem resultar em perdas produtivas e morte dos animais. A abordagem se concentra nas enfermidades com interesse cirúrgico, especialmente nas que acometem os pré estômagos: rúmen, retículo e omaso.

O manejo dessas estruturas exige conhecimento de anatomia e fisiologia, além da execução técnica do procedimento. Por isso, a decisão de operar não deve se apoiar apenas na possibilidade de fazer uma incisão: é preciso investigar a causa e avaliar se a alteração está dentro do órgão ou em estruturas adjacentes.

Investigar antes da ruminotomia

As alterações vagais podem comprometer a motilidade dos pré estômagos, cuja função está estreitamente relacionada à inervação vagal. Entre as causas possíveis estão processos inflamatórios ou infecciosos próximos ao trajeto do nervo, como abscessos e pneumonias. A indigestão vagal pode estar associada a abscesso reticular ou pneumonia; uma lesão torácica adjacente também pode interferir na função vagal e produzir sinais digestivos.

Como a abertura do rúmen é um procedimento contaminante, a investigação clínica e a avaliação da cavidade antes da ruminotomia são importantes. A abertura pode não revelar a causa se ela estiver fora do órgão; um abscesso adjacente, por exemplo, pode ser responsável pelo quadro. Assim, a ruminotomia, por si só, não é suficiente para tratar alterações vagais, e a exploração deve preceder a decisão de abrir o rúmen sempre que possível.

Timpanismo ruminal

Distensão e pressão circulatória

O timpanismo ruminal é o acúmulo de gás no rúmen, que provoca distensão. Com o aumento da pressão, o retorno venoso pode ser comprimido, inclusive nos grandes vasos abdominais, reduzindo o retorno de sangue ao coração.

Por esse comprometimento circulatório, o quadro pode constituir uma emergência clínica.

Grãos, acidificação e lesão ruminal

A ingestão excessiva de grãos pode favorecer a fermentação ruminal, a produção de gás e a queda do pH. Quando a acidificação é acentuada, pode causar ruminite química, que pode lesionar a mucosa ruminal.

A lesão pode permitir a passagem de bactérias para a circulação, causando septicemia e coma. Nos casos graves de ruminite química por acidificação, pode ocorrer morte.

Gás livre, obstrução e espuma

No timpanismo agudo por gás livre, o impedimento da eructação pode estar associado ao quadro; a ingestão de corpos estranhos de plástico também pode causá lo por obstrução. O timpanismo pode envolver gás livre ou gás retido em espuma, e essa diferença ajuda a entender a resposta à descompressão.

O gás livre pode ser removido por sondagem, enquanto o gás preso em bolhas espumosas não é prontamente evacuado pela sonda. No timpanismo espumoso, podem ser usados antiespumantes à base de silicone ou óleos para romper as bolhas.

Por que a sonda falha

O timpanismo espumoso é uma forma de timpanismo ruminal na qual se forma espuma no rúmen. As bolhas retêm o gás no conteúdo ruminal, e a forma espumosa é associada ao consumo de leguminosas e de alimentos com elevada concentração de proteína, incluindo pastagens desse tipo.

A sonda pode alcançar o rúmen sem liberar o gás, pois ele permanece aprisionado na espuma. Agentes à base de silicone ou outros antiespumantes podem romper as bolhas. Depois que o gás se torna livre, pode ser removido por sondagem ou, conforme a situação, por trocarterização.

Gás livre e grãos

No timpanismo por gás livre, a produção de gás excede a capacidade de eructação. A distensão pode dificultar o funcionamento da cárdia e agravar a retenção. Quando o gás está livre, a passagem de uma sonda permite descomprimir o rúmen.

A ingestão excessiva de grãos pode levar à fermentação intensa e à queda do pH ruminal. A acidificação pode lesar a mucosa e provocar descamação, pois o rúmen não está adaptado a um pH tão baixo quanto 3 ou 4. A lesão pode evoluir para quadros graves e morte. Em algumas situações, é necessária a remoção do conteúdo alterado por ruminotomia; o material acumulado pode ser tóxico e deve ser retirado.

Obstrução e timpanismo crônico

Uma obstrução mecânica pode impedir a eructação e causar timpanismo. Corpos estranhos de plástico podem tamponar a passagem do gás, especialmente em animais expostos a resíduos de instalações ou pastagens. Nesses casos, pode ser necessário abrir o rúmen e remover o material.

Em vacas mais velhas, massas associadas a tumor na região da cárdia também podem impedir a passagem do gás. O perfil clínico pode ajudar na suspeita: os animais com tumor tendem a ser mais velhos e magros, e o quadro pode surgir de forma aguda após um período aparentemente normal. A ocorrência depende da região e da exposição local a fatores predisponentes.

Reticuloperitonite traumática

Da ingestão à lesão reticular

Os bovinos são menos seletivos durante a alimentação do que os cavalos. Por isso, podem ingerir corpos estranhos presentes no alimento, e essa ingestão pode causar doença traumática nos bovinos, incluindo reticuloperitonite traumática.

Depois de ingerido, o objeto pode ficar preso na estrutura do retículo semelhante a uma colmeia. Com os movimentos reticulares, pode perfurar a parede e penetrar os tecidos.

Avaliação e prevenção prática

Se a avaliação clínica não esclarecer a condição, a cirurgia exploratória pode ser considerada. O isolamento da infecção pelo organismo pode resultar em infecção crônica.

Na prevenção, manter o pasto limpo ajuda a evitar a ingestão de corpos estranhos. A transcrição afirma que o ímã retém o corpo estranho em mais de 90% dos casos, mas não deixa claro a que se refere “ele”; por isso, esse dado aparece com o referente incerto.

Da perfuração à pericardite

A perfuração pode ficar restrita ao retículo e causar inflamação local ou avançar para a cavidade abdominal, produzindo reticuloperitonite. Se o corpo estranho atravessar o diafragma, pode atingir o pericárdio e causar pericardite séptica. A distância entre retículo, diafragma e pericárdio pode ser de apenas 3 a 4 centímetros.

Os bovinos podem isolar focos infecciosos por meio de aderências. Durante a exploração, aderências podem indicar uma perfuração prévia e limitar a passagem da mão. A evolução pode ser crônica, com redução do apetite, emagrecimento e debilitação progressiva. O tempo até a morte varia conforme a localização da infecção e a resistência do animal.

Estágios e extensão cardíaca

A progressão da reticuloperitonite traumática pode ser acompanhada pelos estágios e pelas estruturas envolvidas:

  1. Etapa: Primeiro estágio — o corpo estranho permanece no retículo e produz inflamação local sem perfuração.
  2. Etapa: Segundo estágio — há peritonite e formação de aderências, mas sem perfuração do pericárdio.
  3. Etapa: Estágio subsequente — o corpo estranho pode atravessar o pericárdio e causar pericardite séptica.
  4. Etapa: Envolvimento do pericárdio — o pericárdio envolve o coração e contém líquido que permite seu movimento.
  5. Etapa: Formação de aderências — quando ocorre inflamação séptica, podem surgir aderências entre o coração e o saco pericárdico, restringindo o movimento cardíaco.
  6. Etapa: Comprometimento cardíaco — a restrição pode comprometer progressivamente a função do coração e acompanhar se de sinais circulatórios e debilitação.

Achados não confirmam perfuração

A dor reticular pode manifestar se por resposta positiva ao teste de beliscamento da cernelha, relutância ao movimento, dor à palpação da região xifoide e resposta ao teste do bastão. A ausência de resposta a um teste não exclui a enfermidade: em casos observados, o teste de impacto não foi positivo, embora o detector de metais tenha indicado a presença de material metálico.

Esse resultado precisa ser interpretado em conjunto com os demais achados, pois o detector pode indicar metal mesmo quando este está aderido a um ímã reticular. Um resultado positivo, isoladamente, não confirma perfuração nem permite determinar a localização do objeto.

Ímã e progressão cirúrgica

Em alguns casos de reticulite traumática, o tratamento pode ser conservador e incluir um ímã reticular, capaz de reter corpos estranhos metálicos. Objetos muito grandes podem não ser retidos. Algumas criações usam ímãs preventivamente nos animais; essa prática também é adotada em criações de bovinos leiteiros no Brasil.

Se a doença progride e exige cirurgia, pode ser realizada uma ruminotomia.

Prognóstico e prevenção ambiental

Quando a pericardite traumática está estabelecida, o prognóstico é ruim. Embora sejam descritos procedimentos torácicos para tratá la, o resultado é limitado e a técnica mencionada tem baixa taxa de sucesso.

A transcrição também recomenda limpar passagens e instalações, embora o contexto exato dessa recomendação esteja incerto. Para prevenir a ingestão de corpos estranhos, inspecionar o ambiente e remover objetos como arames e grampos.

Ruminotomia exploratória

Indicação e fatores de sucesso

A ruminotomia é uma técnica relativamente simples, mas o resultado depende do estado do animal, do momento da intervenção e da execução. Animais muito debilitados e a demora para operar podem estar associados a resultados desfavoráveis; por isso, a intervenção precoce aumenta a chance de sucesso.

Seguir a técnica cirúrgica padrão favorece bons resultados. Quando a técnica é realizada corretamente, as complicações tendem a ser menos frequentes. Já o uso de material cirúrgico inadequado pode aumentar a contaminação e atrapalhar o procedimento.

Anestesia, acesso e contenção

O acesso habitual da ruminotomia é pelo flanco esquerdo. A anestesia pode ser feita por bloqueio em L invertido, anestesia local ou paravertebral. A necessidade de sedação depende das condições do procedimento, e a sedação e o tempo de evolução do quadro influenciam a necessidade de retirar gás do rúmen.

A contenção também varia conforme o comportamento do animal: animais mansos podem ser operados em estação, enquanto animais bravos, como os nelores, podem exigir contenção em decúbito lateral.

Exploração, fixação e fechamento

Siga a sequência da fixação à exploração, depois ao fechamento e aos cuidados pós operatórios.

  1. Etapa: Fixe o rúmen à pele. Pode se começar a sutura na parte superior, continuar ao redor com padrão contínuo e amarrar na parte inferior.
  2. Etapa: Explore o retículo e palpe a parede em busca de objetos pontiagudos.
  3. Etapa: Feche o tecido subcutâneo, que pode receber fio 2 0. Feche o espaço morto com sutura contínua.
  4. Etapa: No pós operatório, o anti inflamatório pode ser limitado a dois ou três dias.

Explorar antes de abrir

Após a incisão da pele, o acesso pode seguir por incisão através dos planos musculares ou por separação das fibras. Esta última pode deixar espaço morto e dificultar o fechamento; por isso, a abordagem em um único plano foi preferida na descrição da técnica.

Antes de abrir o rúmen, a cavidade abdominal deve ser explorada com o braço, inclusive em direção à região anterior, à procura de alterações ou corpos estranhos que possam ter migrado do retículo. Como a ruminotomia aumenta o risco de contaminação, é especialmente importante preparar o campo com cuidado. O animal em estação também facilita a manipulação e o esvaziamento do rúmen.

Fixar o rúmen à pele

Antes de incisar o rúmen, a parede ruminal deve ser tracionada e fixada à pele, formando uma barreira que impeça o conteúdo contaminado de entrar na cavidade abdominal. Fixá lo à musculatura pode contaminar os planos musculares e dificultar a limpeza; por isso, recomenda se ancorar o rúmen à pele.

A fixação pode ser feita com sutura contínua ao redor da incisão, mantendo o órgão exteriorizado. Depois de ancorado, o rúmen deve ser aberto com amplitude suficiente para permitir a passagem do braço e a exploração de seu interior. O tamanho necessário também depende da constituição do operador, pois a mão precisa alcançar as regiões mais profundas.

Esvaziar e procurar objetos

Depois de fixado o rúmen, realiza se a incisão do órgão, assegurando que a junção ao redor esteja fechada para evitar extravasamento para a cavidade abdominal. A partir da abertura, o conteúdo e o material utilizado nessa etapa são considerados contaminados e devem ficar separados dos instrumentos destinados ao fechamento.

O braço é introduzido no rúmen para retirar o conteúdo e procurar corpos estranhos, inclusive aqueles que possam estar no fundo. O esvaziamento completo pode ser demorado, mas é necessário para que a exploração seja adequada; resíduos de plástico e outros materiais devem ser removidos. Na exploração, a região anterior do retículo deve ser examinada com atenção para detectar objetos pontiagudos.

Restaurar conteúdo ruminal

Depois do esvaziamento e da inspeção, avalie o conteúdo ruminal: se estiver muito alterado, ácido ou alcalino, pode ser necessário removê lo para reduzir a exposição à condição desfavorável. O material pode ser retirado manualmente, com recipiente, ou por sifonagem com mangueira.

Em seguida, pode se repor conteúdo ruminal saudável com conteúdo fresco ou fezes frescas de outra vaca, ou pela transferência de líquido ruminal de outro animal. Para essa transferência, pode se coletar aproximadamente um ou dois litros com sonda; planeje essa etapa previamente, pois ela pode exigir outro animal e assistência. A ração não é indicada imediatamente após o procedimento; a alimentação mencionada inclui feno e material destinado à reposição da microbiota.

Limpar antes do fechamento

Feche o rúmen preferencialmente em duas camadas: a primeira com uma sutura contínua, seguida por outra que cubra a primeira linha. Após o fechamento, a superfície contaminada precisa ser lavada e examinada, removendo resíduos de fibras ou conteúdo aderido. A limpeza física do material visível é necessária; a antibioticoterapia não substitui sua remoção.

Com o campo limpo, libere a fixação para que o rúmen retorne à cavidade e limpe também a pele e a região circundante. Antes de fechar os planos, devem ser trocadas as luvas e utilizados os instrumentos reservados para o fechamento dos planos, sem reutilizar o material contaminado durante a ruminotomia.

Fechar a parede e acompanhar

Com o rúmen de volta à cavidade e o campo limpo, feche a musculatura com um padrão de sutura adequado, que pode ser contínuo ou em X, conforme a preferência técnica. O fechamento do subcutâneo ajuda a reduzir o espaço morto; foi mencionada a utilização de fio fino nesse plano. Entre as complicações, destacam se a formação de espaço morto com acúmulo de líquido e a contaminação excessiva.

No pós operatório, pode se utilizar penicilina ou oxitetraciclina por 5 a 7 dias, conforme a avaliação do caso. A necessidade de fluidoterapia deve ser avaliada, em particular se houver desidratação ou alterações metabólicas. A analgesia e o uso de anti inflamatórios também devem ser ponderados, com cautela em tratamentos prolongados pelo risco de formação de úlceras, inclusive no abomaso.

Alimentação após a cirurgia

A recuperação após a ruminotomia inclui a reintrodução gradual de alimento de boa qualidade e, quando possível, a transferência de conteúdo ruminal saudável. Se ela não puder ser feita durante a cirurgia, pode ser realizada depois com conteúdo coletado de outra vaca.

A duração do procedimento depende da quantidade de material a remover e das condições do animal. Embora possa ser relativamente rápido quando realizado por cirurgião experiente, casos complexos podem exigir mais tempo; a prioridade é tratar o animal, sem deixar de seguir corretamente as etapas operatórias, mesmo com experiência em poucos casos.

Abordagens pelo flanco direito

Escolha do acesso abdominal

A escolha do acesso abdominal depende da estrutura envolvida e da localização da lesão. Pelo flanco direito, podem ser abordados o fígado, as vias biliares e o abomaso, conforme a localização da lesão, além dos rins e ureteres.

Útero, ovários e bexiga também podem ser acessados pelo flanco direito, de acordo com o órgão e o procedimento planejado. Para cesariana, o acesso pelo flanco esquerdo é preferível.

Afecções intestinais à direita

O flanco direito é usado para abordar a maioria das outras enfermidades cirúrgicas dos ruminantes, incluindo alterações do ceco e do cólon. Entre elas, a intussuscepção em bezerros está entre as enfermidades mais comuns e é tratada cirurgicamente por laparotomia pelo flanco direito.

Intussuscepção em bezerros

Reduzir ou ressecar a alça

A conduta depende da possibilidade de reduzir a intussuscepção e da viabilidade do tecido.

  1. Etapa: Identifique a área afetada pela palpação de um segmento intestinal aumentado ou alterado.
  2. Etapa: Se a redução manual for possível, realize a e avalie a viabilidade da alça. Quando possível, a redução é preferível por apresentar maior chance de sucesso.
  3. Etapa: Se houver necrose intestinal durante a tentativa, não indique a redução.
  4. Etapa: Observe a alça após a redução. Se recuperar mobilidade e não apresentar escurecimento ou sinais de comprometimento importante, pode ser mantida sob observação.
  5. Etapa: Se a alça não recuperar a mobilidade, estiver escura ou apresentar lesão grave, pode ser necessária enterectomia com anastomose.
  6. Etapa: Avalie a possibilidade de anastomose conforme a localização da lesão. Se houver alteração descrita na transcrição como “água estiver criada”, não se realiza a anastomose. A decisão depende do estado do tecido e da possibilidade de restabelecer a continuidade intestinal com segmento viável.

Afecções do ceco

Reconhecer alterações do ceco

As afecções do ceco incluem dilatação, compactação e volvo, e também ocorrem em bovinos. São descritas com maior frequência em animais criados a pasto do que em alguns sistemas intensivos, embora a ocorrência varie. O acesso para explorar o ceco é pelo flanco direito; na laparotomia, um ceco dilatado pode se exteriorizar como uma estrutura alongada, comparada a um tubo ou charuto, e projetar se pela incisão. A dilatação pode envolver acúmulo de gás e líquido.

Casos mais leves podem responder ao tratamento conservador, incluindo neostigmina e mudança da dieta; a palpação e a ultrassonografia auxiliam no diagnóstico. Já a compactação ou a presença de deslocamento pode exigir correção cirúrgica.

Necrose e prognóstico do volvo

Quando a correção cirúrgica é necessária, o ceco é reposicionado pelo acesso direito. Se estiver compactado, pode ser exteriorizado e incisado para remover o conteúdo; em seguida, pode se introduzir uma mangueira para irrigar o interior com água ou solução apropriada e facilitar a evacuação.

O volvo cecal dificulta a avaliação porque nem sempre é possível examinar todo o órgão: durante a exploração, pode se visualizar apenas sua extremidade. Se a necrose estiver localizada, pode ser possível ressecar o segmento comprometido e anastomosar o tecido viável. Em alguns casos de vólvulo cecal, todo o ceco está necrosado. Quando extensa, a necrose pode evoluir para perfuração, contaminação e peritonite, resultando em prognóstico desfavorável.

Dor intensa exige atenção

Os casos de volvo podem chegar após 24 a 48 horas de evolução, com dor intensa. A suspeita de vólvulo ou de isquemia de alça deve ser tratada como grave, pois essas condições podem levar à morte rapidamente. A demora reduz a possibilidade de sucesso, sobretudo quando há isquemia e necrose.

Deslocamento de abomaso

Posição e formas de deslocamento

O abomaso normalmente fica na porção ventral do abdômen e pode se deslocar para a esquerda, para a direita ou para a direita com rotação. No deslocamento esquerdo, ele se move para o lado esquerdo; também pode ficar ventralmente deslocado para a direita.

Quando há rotação, o abomaso gira sobre o próprio eixo, caracterizando o vólvulo. O órgão tem uma entrada e uma saída, embora a estrutura anatômica usada como referência na transcrição seja incerta.

Frequência e efeitos digestivos

O deslocamento de abomaso é frequente em vacas leiteiras e é comum em propriedades com animais que produzem mais de 30 litros. Na casuística relatada pelo palestrante, o deslocamento à esquerda aparece mais que o deslocamento à direita.

O deslocamento pode alterar o trajeto do conteúdo, dificultar o trânsito do alimento e reduzir o apetite. Além disso, o abomaso deslocado, inclusive no deslocamento esquerdo, pode começar a dilatar.

Gravidade e curso clínico

A presença de vólvulo torna o quadro mais grave: a torção pode comprometer a irrigação do abomaso e causar isquemia, necrose e morte, que pode ocorrer em cerca de 24 a 48 horas. Já o deslocamento pode ter evolução crônica, por até cinco meses, e, segundo o relato, alguns casos chegam para atendimento após 48 horas de evolução. A torção à direita é descrita como quadro clínico extremo, mas o termo transcrito como “pulmão” é incerto.

Acesso e fixação cirúrgica

  1. Etapa: Relatar o uso pouco frequente das técnicas de rolamento; o acesso pelo flanco é feito por laparotomia.
  2. Etapa: Descomprimir o abomaso com uma mangueira de silicone, preferida porque seu maior calibre permite a saída mais rápida do gás. Também pode ser usada uma agulha 40 × 16.
  3. Etapa: Fixar o abomaso com fio grosso, passado três ou quatro vezes em padrão Reverdin; como alternativa, fazer quatro ou cinco pontos contínuos.
  4. Etapa: Usar uma agulha manual em formato de S e soltá la durante a passagem para que sua ponta apareça na cavidade.

Escolha do lado de abordagem

A presença de torção orienta a escolha do lado: em caso de torção, o abomaso deve ser reposicionado para o lado direito. Também é possível acessar pelo lado direito e desfazer a torção pelo lado esquerdo.

Para o deslocamento à direita, pode se optar pela omentopexia, descrita como mais simples. Já quando o porte da vaca dificulta alcançar o abomaso, o docente prefere abordar pelo lado esquerdo.

Etapas da técnica toggle pin

A técnica toggle pin é demonstrada em sequência, do acesso à fixação.

  1. Etapa: Identifique a técnica minimamente invasiva chamada toggle pin, que não requer abertura do flanco.
  2. Etapa: Faça o acesso inicial sem abrir o plano cirúrgico.
  3. Etapa: Após visualizar o abomaso deslocado, coloque um segundo portal mais cranial.
  4. Etapa: Tracione o fio; o abomaso só desce além de certo limite quando o fio é tracionado. Ao liberar ou soltar o fio, o abomaso pode tender a retornar ao lado esquerdo.
  5. Etapa: Conclua a fixação; ao final, o abomaso deixa de ser visível pela ótica.

Passagem dos fios e duração

Na passagem dos fios, a perfuração fica mais difícil quando os dois fios são passados juntos. Ainda assim, é possível passar os dois fios pelo mesmo portal. A técnica tradicional descrita praticamente não é mais usada, e o tempo da técnica demonstrada também é menor.

Deslocamento simples ou volvo

Nos deslocamentos sem volvo, a vaca pode apresentar redução do apetite e da produção de leite, menor disposição para caminhar e atitude mais apática, sem dor intensa evidente. A redução da produção de leite também pode chamar atenção, e alguns casos persistem por semanas ou meses.

No volvo, a evolução é mais rápida, com desidratação, prostração e agravamento do estado geral. A torção prejudica a circulação do abomaso e pode levar a isquemia e necrose; a gravidade depende da duração e da extensão do comprometimento vascular. Sinais intensos e de evolução rápida ajudam a distinguir o volvo de muitos deslocamentos simples, embora a apresentação varie entre propriedades e regiões.

Condições que favorecem deslocamento

  • Dieta: Entre os fatores predisponentes estão dietas ricas em concentrado e pobres em fibra, especialmente em vacas leiteiras de alta produção.
  • Condições clínicas: Também foram citados hipocalcemia no pós parto, gestação gemelar, cetose, metrite e retenção de placenta. Essas condições podem associar se ao período pós parto e contribuir para o surgimento do deslocamento.
  • Frequência: A ocorrência é mais frequente em vacas de alta produção e pode ser elevada em propriedades leiteiras intensivas, embora varie conforme o sistema de criação.
  • Melhoria da dieta: Pode reduzir fatores predisponentes, mas nem sempre elimina o problema; a abordagem cirúrgica permanece necessária em muitos casos.

Ping como pista anatômica

O ping metálico é um som produzido quando há gás em uma estrutura distendida. Sua localização ajuda a identificar o lado do deslocamento: um ping no lado esquerdo é compatível com deslocamento à esquerda, enquanto um ping à direita pode indicar deslocamento à direita. O achado deve ser interpretado junto à história e aos demais sinais clínicos; para avaliar a possibilidade de volvo, também se consideram a intensidade e a rapidez do quadro e o estado geral do animal.

Abordagem segundo o deslocamento

O tratamento do deslocamento é predominantemente cirúrgico, embora existam técnicas de rolamento. A localização orienta o acesso: para o deslocamento à esquerda, o flanco esquerdo permite visualizar o abomaso deslocado e realizar sua fixação; para o deslocamento à direita, a abordagem pelo lado direito facilita a manipulação, sobretudo quando o órgão está distante do acesso esquerdo. A escolha também depende da presença de torção, do estado do animal e da possibilidade de reposicionar o órgão.

A posição durante a operação acompanha a condição do animal: o decúbito dorsal pode ser utilizado quando a vaca já está caída, enquanto, em animais mansos que permanecem em estação, a operação em estação é frequentemente preferida.

Fixação pelo flanco esquerdo

Na abomasopexia pelo flanco esquerdo, o acesso abdominal permite identificar o abomaso deslocado, que pode estar muito distendido por gás. Aplica se uma sutura resistente em padrão de Reverdin ou uma sutura contínua com vários pontos, deixando as extremidades longas. O gás pode ser evacuado por punção do abomaso, utilizando agulha ou tubo apropriado; à medida que sai, o órgão reduz de volume e pode retornar à posição.

Em seguida, uma agulha curva longa conduz as extremidades do fio até a região ventral, exteriorizando as pela parede abdominal. A tração e a amarração fixam o abomaso, constituindo a abomasopexia.

Quando o lado esquerdo limita

Na técnica pelo lado esquerdo, pode se interpor material protetor ao amarrar os fios, para reduzir a lesão da pele. A fixação promove aderência permanente; após aproximadamente duas semanas, o fio pode ser cortado e removido.

A abordagem é mais adequada quando o abomaso deslocado está acessível pelo lado esquerdo. Se o órgão se encontra deslocado à direita, conduzir os fios por cima pode ser difícil, especialmente em vacas grandes, e a manipulação pode não ser eficaz. Nessa situação, a abordagem direita tende a facilitar a correção; se for difícil alcançar o abomaso e liberar o gás, o órgão pode não retornar à posição adequada.

Fixação pelo omento

No deslocamento à direita, a omentopexia pode ser feita pelo flanco direito: identifica se o omento próximo ao piloro, descrito como espesso e resistente, com vasos que seguem em direção ao órgão. Se necessário, libera se gás para reduzir a distensão. Em vez de suturar diretamente o abomaso, fixa se o omento à parede abdominal, mantendo o órgão posicionado por meio dessa estrutura.

Como o próprio órgão não é perfurado pela fixação, reduz se o risco de extravasamento do conteúdo abomasal e de peritonite. Também foi relatada recuperação mais rápida, com retorno mais precoce à alimentação em alguns casos.

Desrotacionar antes de fixar

Se houver torção, o abomaso deve ser desrotacionado antes da fixação. Depois, verifica se se o órgão retornou à posição apropriada. Em torções prolongadas, pode haver grande acúmulo de líquido sequestrado no abomaso, chegando a 20 ou 30 litros; o peso e o volume dificultam a tração e tornam a cirurgia mais complexa.

Esses casos frequentemente apresentam prognóstico ruim, sobretudo quando o atendimento é tardio. Mesmo após a desrotação, o animal pode morrer no período pós operatório, pois restaurar a posição não elimina necessariamente os efeitos do comprometimento circulatório prolongado.

Abordagem com vaca em decúbito

Quando a vaca já está em decúbito dorsal, pode se realizar a abordagem pelo flanco direito, expondo o abomaso. Essa possibilidade pode ser considerada diante de suspeita de deslocamento com torção em um animal debilitado.

Nos casos descritos, a torção frequentemente tinha evolução prolongada e resultado desfavorável. O acúmulo de líquido podia ser tão grande que, durante a drenagem, parte do conteúdo contaminado extravasava para a cavidade; por isso, o prognóstico foi considerado reservado a ruim, sobretudo nos quadros avançados.

Escolher lado e técnica

A localização orienta a escolha do acesso: para o deslocamento à esquerda, pode se abordar pelo flanco esquerdo e realizar abomasopexia; para o deslocamento à direita, recomenda se abrir o lado direito. Embora seja possível tentar a correção pelo lado esquerdo quando o abomaso está à direita, a passagem por cima do rúmen pode ser difícil e pouco confiável.

No acesso pelo lado direito, uma opção prática é fixar o omento, embora também seja possível fixar diretamente o abomaso, conforme a experiência e a situação observada. Se houver torção, a manipulação deve permitir corrigi la e liberar o gás antes da fixação.

Tração caudal do omento

Na omentopexia, o omento deve ser tracionado e fixado firmemente em posição caudal. Uma fixação frouxa ou excessivamente cranial pode permitir novo deslocamento. A sutura deve manter tração adequada e posicionar o piloro em direção à região caudal da incisão, ajudando a manter o órgão em posição e a reduzir a possibilidade de recorrência.

A técnica paramediana em decúbito dorsal também é descrita, mas é pouco utilizada na prática relatada, por exigir posicionamento e anestesia mais difíceis. Na experiência descrita, a abordagem pelo flanco, em estação quando possível, é a mais empregada.

Portais e fixação minimamente invasiva

Uma alternativa ao acesso amplo pelo flanco é a técnica minimamente invasiva, usada principalmente no deslocamento à esquerda. Trata se de uma variação da fixação do abomaso que emprega portais e visualização por câmera. Após o acesso inicial e a inspeção da cavidade, identifica se o abomaso deslocado; pode se insuflar gás para facilitar a visualização. Um segundo portal é colocado para permitir a punção do abomaso e a introdução de um dispositivo denominado toggle, que fica retido no interior do órgão. Após a liberação do gás, o abomaso diminui de volume e pode ser tracionado até a posição ventral.

Conduzir fios e fixar

Com o toggle inserido e o gás liberado, fios ligados ao dispositivo são conduzidos até a parede abdominal ventral com um instrumento próprio de passagem. A câmera permite acompanhar a posição do abomaso e a passagem do dispositivo. O órgão é tracionado para baixo enquanto o auxiliar aplica tensão nos fios. Se o abomaso retornar parcialmente à posição deslocada, a tração pode ser ajustada e repetida até que permaneça adequadamente posicionado. A fixação final mantém o abomaso contra a parede abdominal; podem ser utilizados dois fios em pontos separados ou uma disposição que os aproxime, conforme a execução da técnica descrita.

Recuperação e recursos necessários

A técnica requer equipamentos para visualização, insuflação e passagem dos dispositivos, mas não exige necessariamente uma estrutura hospitalar complexa. Foram mencionadas câmeras e insufladores adaptáveis, inclusive com alimentação por bateria. A principal vantagem relatada é a recuperação mais rápida em comparação com uma laparotomia ampla. A recuperação com a técnica laparoscópica é relatada como mais rápida, e a ferida cirúrgica é menor. O tempo do procedimento tende a diminuir quando o cirurgião tem experiência com o equipamento. A técnica também pode ser usada no deslocamento à direita, desde que haja posicionamento apropriado; sua aplicação depende da disponibilidade do equipamento e da familiaridade do operador.

Monitorar recuperação e recorrência

Após a correção do deslocamento, reveja a alimentação e ofereça suporte clínico, sobretudo se a vaca estiver debilitada ou desidratada. A fluidoterapia e a correção de alterações metabólicas, incluindo alcalose e hipocalcemia quando presentes, devem ser consideradas. Recomenda se cuidado local da ferida e antibioticoterapia por aproximadamente cinco dias, conforme a avaliação clínica; os pontos cutâneos podem ser removidos em torno de 14 dias.

No acompanhamento, observe a produção de leite e o retorno do apetite, além de sinais de peritonite ou complicação local. Também se deve verificar a ausência de seroma no local cirúrgico e monitorar a possível recorrência do deslocamento de abomaso. Conforme relatos clínicos, a recuperação pode ser mais rápida com técnicas minimamente invasivas ou omentopexia; após essas técnicas, a vaca tende a retomar mais rapidamente a produção de leite e a normalidade.

Prognóstico segundo a evolução

O prognóstico costuma ser favorável nos deslocamentos sem torção quando a intervenção ocorre antes de comprometimento grave. Já os casos de torção, com evolução prolongada, grande acúmulo de líquido ou comprometimento circulatório, têm prognóstico pior. A rapidez da intervenção é determinante, mas não garante sucesso quando já há lesão extensa.

A duração da cirurgia também varia com a experiência do operador e a complexidade do caso: um cirurgião experiente pode realizar o procedimento em cerca de 30 minutos, enquanto a primeira execução pode levar aproximadamente uma hora e meia. A técnica cirúrgica precisa ser acompanhada de suporte clínico e monitoramento no pós operatório.

Prolapso retal

Frequência e condições associadas

  • Frequência: O prolapso retal é muito comum em pequenos ruminantes.
  • Condição associada: O prolapso retal frequentemente aparece associado a uma condição transcrita como “pergonoce”.
  • Fatores associados: alimento com atividade estrogênica, especialmente trevo; dieta rica em proteína; tosse crônica; inflamação retal por coccidiose; raiva; constipação; paresia; e defeitos conformacionais.

Técnica e cuidados de sutura

A amputação retal é descrita como uma técnica que não é difícil. A ressecção de uma só vez envolve risco de ruptura e de exteriorização da porção superior do intestino, embora o detalhe do evento esteja corrompido na transcrição.

Na sutura, quanto mais internamente ela for feita, maior a chance de incluir tecido viável. A sutura deve abranger as duas camadas do intestino. Em pequenos animais, a técnica pode envolver aproximadamente dez pontos em cada uma de duas porções, mas a localização dessas porções está parcialmente corrompida.

Extensão e viabilidade do tecido

O prolapso pode ser classificado em quatro tipos. O tipo 1 envolve a mucosa; o tipo 2 corresponde ao prolapso completo; o tipo 3 é o prolapso completo com extensão descrita como distribuição de cólon; e o tipo 4 envolve a cavidade peritoneal. A gravidade aumenta nos graus mais extensos.

Essa classificação também orienta o prognóstico: os tipos 1 e 2 foram associados a prognóstico mais favorável, enquanto os tipos 3 e 4 foram considerados de prognóstico ruim. A viabilidade do tecido exposto também deve ser avaliada. Tecido íntegro, não necrótico e não ressecado pode ser reduzido; a necrose ou a impossibilidade de redução favorece a consideração de ressecção.

Reduzir e manter abertura

  1. Etapa: Lubrifique a região quando o prolapso for pequeno e a mucosa permanecer viável; então, o reto pode ser reduzido manualmente.
  2. Etapa: Facilite a introdução com um tubo apropriado, se necessário, desde que ele permita a passagem das fezes.
  3. Etapa: Após a redução, faça uma sutura ao redor do ânus, geralmente em bolsa de tabaco. Deixe espaço suficiente para a defecação, aproximadamente o diâmetro de um dedo ou de um tubo de coleta.
  4. Etapa: Mantenha a sutura por cerca de três dias e acompanhe a evacuação e a condição do tecido.

Controlar dor durante redução

A sutura ao redor do ânus pode causar desconforto e esforço quando o animal tenta defecar, pois o conteúdo encontra uma abertura reduzida. Para diminuir essa resposta, pode se associar anestesia epidural baixa com lidocaína e morfina.

Durante os dias em que a sutura permanece, é necessário controlar a inflamação do tecido com anti inflamatório, conforme a avaliação do caso. Se houver suspeita de parasitismo, também se deve instituir tratamento antiparasitário. A sutura não deve permanecer por mais tempo do que o indicado, pois isso pode causar complicações locais; quando a redução é bem sucedida e o tecido é viável, o resultado costuma ser satisfatório.

Quando indicar amputação retal

Se não for possível reduzir o prolapso, se a redução não se mantiver ou se o intestino estiver necrótico, pode ser necessária a amputação retal. A redução é preferida nos casos apropriados, por apresentar menor risco de perda do animal. Por isso, a amputação não é a primeira escolha quando a redução é apropriada, mas não se deve tentar mantê la quando o tecido está inviável.

A porção exteriorizada pode ser ressecada por técnica de amputação descrita como aplicável a diferentes espécies. O procedimento também é realizado em cães, equinos e bovinos, com adaptações ao tamanho do órgão. A decisão considera a viabilidade do tecido e a possibilidade de manter a continuidade do reto após a ressecção.

Ressecar por etapas

Na amputação retal, a ressecção progressiva permite suturar a borda à medida que o tecido é removido.

  1. Etapa: Introduza um tubo no reto para sustentar o tecido prolapsado durante a ressecção.
  2. Etapa: Coloque pontos em quatro posições correspondentes aos pontos cardeais, atravessando as camadas necessárias e próximos à base, junto ao esfíncter interno. A fixação deve permanecer o mais próxima possível da base para impedir que o segmento proximal se retraia para a cavidade quando a porção exteriorizada for cortada.
  3. Etapa: Mantenha entre os pontos uma distância de aproximadamente 3 milímetros.
  4. Etapa: Não resseque o tecido de uma só vez: remova uma parte e suture a borda, avançando progressivamente até completar a circunferência.

Completar a sutura conforme espécie

Após colocar os pontos em um segmento, a ressecção prossegue gradualmente até completar a sutura ao redor do reto. O tubo e os pontos de sustentação permanecem até a reconstrução estar estável; depois, são liberados ou removidos conforme a técnica. Como a quantidade de pontos depende do tamanho do reto e da espécie, podem ser necessários cerca de dez pontos por etapa em pequenos ruminantes. Em equinos, o número pode chegar a 30 ou 40 pontos, devido ao maior diâmetro. A sutura cuidadosa reduz o risco de abertura, e o resultado tende a ser favorável quando a porção viável é preservada e a ressecção é progressiva.

Facilitar evacuação e prevenir retorno

No pós operatório, analgesia e medidas para facilitar a defecação ajudam na recuperação. Em alguns casos, a anestesia epidural pode ser mantida por meio de cateter, proporcionando conforto durante alguns dias; a antibioticoterapia pode ser indicada conforme a extensão do procedimento e a condição clínica. A dieta deve favorecer a passagem de fezes macias. Em ruminantes, recomenda se oferecer pasto verde e silagem, que contêm mais água, e evitar forragens muito secas e ração durante a recuperação. Em cães, também foram mencionados alimentos ou produtos que amolecem as fezes. Deve se investigar a causa subjacente, incluindo coccidiose, que pode ser avaliada por exame coproparasitológico.

Considerações sobre reconhecimento e intervenção

Reconhecer limites da cirurgia

Entre as afecções discutidas estão timpanismo, indigestão vagal, reticuloperitonite traumática, intussuscepção, alterações do ceco, deslocamento de abomaso e prolapso retal. O timpanismo crônico pode decorrer de indigestão vagal, cujo tratamento é complexo e depende da causa. Essas condições são exemplos de problemas encontrados na prática clínica e cirúrgica, mas não abrangem todas as doenças possíveis. Reconhecer os sinais, avaliar a evolução e conhecer as técnicas ajudam a decidir quando intervir; ainda assim, nem todos os casos avançados podem ser resolvidos apenas com cirurgia.

Tempo e viabilidade do suporte

O tempo entre o início do quadro e a intervenção influencia fortemente o prognóstico. O atendimento precoce aumenta a possibilidade de sucesso, embora não assegure que todos os animais sobrevivam. Quando o caso é tratado precocemente, a chance de sucesso é alta. Já em casos muito avançados, a cirurgia pode não reverter a necrose, a peritonite ou o comprometimento sistêmico. Nesses casos, o prognóstico pode ser desfavorável mesmo com tratamento intensivo; mesmo animais resistentes podem morrer quando uma afecção grave evolui tardiamente.

A decisão também depende da condição do animal e da viabilidade de oferecer o suporte necessário. Alguns animais precisam de internação, terapia intensiva e cuidados contínuos após o procedimento, o que pode limitar as opções em determinadas propriedades. Esse tipo de intervenção acaba sendo realizado principalmente em hospitais ou escolas. O custo muitas vezes impede que o responsável pelo animal arque com o tratamento.

Dicas Para Provas

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O timpanismo por gás livre pode exigir tratamento cirúrgico.

Reflexão Sion

Olhar além dos sinais

Nas afecções digestivas dos ruminantes, reconhecer a causa e agir cedo pode melhorar o prognóstico, embora nem sempre reverta danos avançados. Assim como tratar exige olhar além do sinal visível, a fé nos convida a levar a Jesus nossas dores sem escondê las. Ele acolhe quem precisa de cuidado e oferece esperança.

“Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes.”Lucas 5:31

Leia Lucas 5:31 e reflita sobre a quem Jesus convida a se aproximar.

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