Sion Academy
Reparo de fraturas equinas: decisões e técnicas
A estabilidade do membro organiza o risco e ajuda a interpretar o significado do apoio durante a evolução da fratura.
Topicos da aula
- Reparo em Fratura dos Ossos do Aparelho Locomotor nos Equinos. Dá Para Evoluir?
Overview
Decisões e técnicas no reparo equino
O reparo de fraturas em equinos exige integrar peso corporal, temperamento, osso envolvido, configuração, estabilidade e presença de exposição. O prognóstico depende tanto da escolha entre tratamento conservador, cirurgia ou eutanásia quanto da preservação imediata da pele, por meio da imobilização do membro e do transporte seguro. Fraturas fechadas, alinhadas e pouco fragmentadas oferecem melhores possibilidades, enquanto instabilidade, contaminação e perda óssea tornam a fixação mais desafiadora. Ao longo da aula, técnicas como gesso, pin cast, placas minimamente invasivas, placas dedicadas e hastes bloqueadas são relacionadas aos limites biomecânicos do paciente. Em todos os cenários, a seleção adequada do paciente e o controle da recuperação são decisivos para o sucesso.
Princípios gerais do reparo de fraturas
Peso corporal dimensiona o tratamento
O peso corporal do animal é o principal fator que interfere no resultado do tratamento de fraturas em equinos. Por isso, um paciente de 80 kg não representa o mesmo desafio mecânico que um animal de 500 kg: o procedimento cirúrgico para correção de fratura em um paciente de 80 kg difere significativamente do manejo em um paciente adulto de 500 kg. O menor peso corporal do equino, a exemplo de um cavalo da raça Crioula pesando cerca de 350 kg, constitui um fator favorável ao reparo cirúrgico de fraturas. O prognóstico para o reparo cirúrgico de fraturas em equinos com peso corporal de até 100 kg é considerado excelente, enquanto o prognóstico de sucesso no tratamento de fraturas em equinos com peso superior a 300 kg apresenta uma queda considerável.
Essa diferença de carga também orienta a escolha da fixação. Um implante dimensionado para um cão não suporta necessariamente as cargas impostas por um equino, e a utilização de uma placa de 3,5 mm, apropriada para cães, em uma fratura de equino pode resultar em deformação ou falha do implante, apesar de a cirurgia ter sido tecnicamente correta. Mesmo quando a placa de fixação suporta a tensão mecânica em equinos pesados, o osso sofre falha estrutural e fratura em outro local. Portanto, o implante deve ser compatível com o peso do paciente e com o tipo de fratura.
Estabilidade orienta o risco
A estabilidade do membro organiza o risco e ajuda a interpretar o significado do apoio durante a evolução da fratura.
- Classificação: as fraturas podem ser classificadas conforme o risco de instabilidade do membro e de complicações.
- Fraturas sem risco de instabilidade: não comprometem significativamente o suporte de peso e tendem a apresentar evolução mais tranquila.
- Apoio do membro: o fato de o animal continuar apoiando o membro não significa, por si só, que uma fratura incompleta se tornará completa.
- Ossos metacarpianos acessórios: localizam se lateralmente à canela e suas fraturas constituem exemplos clássicos de fraturas sem risco de instabilidade no membro de equinos.
- Fratura do metacarpo acessório: a fratura do osso metacarpo acessório em equinos não é uma condição que ameace a vida do animal.
- Fraturas com risco de instabilidade e complicação: fissuras que ainda permitem o apoio podem completar se caso o animal seja liberado para movimentação.
Frequência das fraturas intra articulares
As fraturas intra articulares são as mais comuns em termos de números absolutos no sistema locomotor dos equinos.
Exposição muda o prognóstico
As fraturas instáveis em equinos caracterizam se pelo membro solto, literalmente separado, e pela completa incapacidade de suportar peso corporal. Já as fraturas expostas apresentam prognóstico particularmente desfavorável porque, além da lesão óssea, existe contaminação. Entre as fraturas em equinos, a fratura exposta representa o pior cenário prognóstico e clínico.
A implantação de material ortopédico em uma fratura exposta pode resultar na instalação de osteomielite, que enfraquece o osso, tornando o poroso e quebradiço como isopor. Por isso, a presença de exposição óssea, contaminação, fragmentação e localização da fratura deve ser considerada antes da indicação cirúrgica ou da eutanásia.
Atendimento inicial e transporte
Imobilizar antes de transportar
Na suspeita de fratura, proteja o membro e preserve as condições que mantêm as possibilidades terapêuticas.
- Etapa: Imobilizar o membro: na suspeita de fratura, a prioridade inicial é a imobilização do membro. O membro deve ser protegido antes da realização de exames ou da remoção do animal.
- Etapa: Evitar agravar a lesão: a realização imediata de radiografias ou o transporte sem estabilização adequada pode agravar a lesão. Mesmo quando a fratura ainda é fechada, a ausência de imobilização pode permitir que a extremidade óssea perfure a pele e transforme a lesão em fratura exposta, reduzindo acentuadamente o prognóstico.
- Etapa: Preservar a pele: a preservação da pele constitui uma das medidas mais importantes para a manutenção das possibilidades terapêuticas.
- Etapa: Confinar fissuras e sedar com cautela: em fissuras ósseas, a ausência de confinamento rigoroso em cocheira pode levar ao término da quebra e à instabilidade completa do osso. A realização de analgesia excessivamente potente com doses elevadas de opioides pode levar o cavalo fraturado à queda.
Transporte em compartimento estável
O transporte do equino com fratura deve ocorrer, preferencialmente, em caminhão ou carreta nos quais ele permaneça em uma posição estável, dentro de um compartimento individual e suficientemente pequeno para limitar movimentos perigosos. O veículo deve ser conduzido com suavidade, principalmente durante as curvas, para evitar que o animal perca o apoio e agrave a fratura. Não transporte o cavalo junto a outro animal nem o deixe solto em espaço amplo.
Depois da estabilização e do transporte apropriado, podem ser realizadas radiografias no local, inclusive com equipamentos digitais móveis. Em seguida, o caso pode ser encaminhado ao cirurgião ou hospital de referência.
Sedação sem sacrificar estabilidade
Sedação e analgesia devem ser utilizadas com cautela. Embora a dor seja um problema importante, a prioridade é impedir a movimentação e a queda do animal; por isso, a imobilização e a estabilidade do membro vêm antes da tentativa de eliminar completamente a dor. Sedação excessiva ou analgesia intensa pode provocar decúbito e agravar a fratura.
Em animais sudoréticos, agitados ou desesperados, a sedação e a analgesia podem ser necessárias, mas devem ser avaliadas individualmente. A preocupação central não deve ser apenas eliminar a dor, mas preservar a estabilidade do membro e evitar que o equino caia durante o atendimento ou o transporte.
Quando o transporte inviabiliza a cirurgia
O exemplo mostra como decisões inadequadas podem destruir um prognóstico inicialmente favorável. Um equino de aproximadamente 350 kg apresentava fratura fechada, simples e sem fragmentação significativa, características que indicavam possibilidade de bom prognóstico. Entretanto, o animal foi sedado sem imobilização, colocado em um caminhão inadequado e transportado sem controle suficiente.
Durante o trajeto, a fratura tornou se exposta e foi contaminada por serragem. A cada apoio, o material contaminante era introduzido no foco, comprometendo tecidos e osso. Apesar da disponibilidade financeira do proprietário, a extensão da desvitalização e da contaminação tornou a cirurgia impraticável, e a eutanásia foi indicada.
Critérios para indicação do tratamento
Avaliação individual do prognóstico
O prognóstico e a escolha do tratamento devem ser individualizados conforme o porte físico e o comportamento do paciente. Em particular, garanhões costumam ser mais difíceis de manejar no pós operatório ortopédico. O prognóstico também varia conforme o osso acometido.
A avaliação radiográfica e clínica orienta a decisão entre indicar o tratamento ou realizar a eutanásia. Além disso, existem implantes ortopédicos próprios para equinos disponíveis comercialmente.
Conduta conforme alinhamento
A cirurgia de reparo ósseo é prioritariamente recomendada para fraturas fechadas e não cominutivas. Se a fratura estiver alinhada e mantida na posição anatômica correta, indica se o tratamento conservador.
Quando a fratura está deslocada, a intervenção cirúrgica é mandatória. Sem essa correção, o cavalo não consegue apoiar o membro no solo. Na recuperação anestésica pós operatória, é mandatório que o equino acorde e se levante de pé.
Exceções conforme o osso
As possibilidades de reparo variam conforme o osso. A fratura de ulna em equinos apresenta excelente prognóstico cirúrgico.
Já o reparo cirúrgico de fratura de úmero não é realizado em equinos com peso corporal superior a 150 quilos. Essa intervenção é restrita a potros e não é indicada em equinos adultos. Mesmo em potros, o reparo pode resultar em insucesso caso haja lesão nervosa concomitante.
Anatomia limita o acesso cirúrgico
A anatomia e a estrutura da fratura podem limitar decisivamente a cirurgia. Fraturas de úmero e fêmur em equinos de maior porte geralmente não são operadas por limitações de acesso e pela dificuldade de manipulação da musculatura. Além disso, fraturas expostas, muito fragmentadas ou localizadas em regiões nas quais não é possível posicionar parafusos adequadamente apresentam prognóstico pior.
O prognóstico não depende apenas do paciente: mesmo animais com o mesmo peso, idade e comportamento podem ter resultados diferentes em razão da localização e do padrão da fratura. Quando não existe estrutura adequada, podem ser necessários estabilização, baia pequena e transporte para um centro de referência; a decisão pode envolver tratamento conservador, cirurgia ou eutanásia.
Transferir carga protege o osso
Nas fraturas simples e pouco fragmentadas, a fixação busca realinhar o osso e impedir o deslocamento, permitindo que a carga seja devolvida ao próprio osso. Assim, a placa atua principalmente como elemento de estabilização, enquanto o osso suporta a carga.
Quando há perda óssea ou múltiplos fragmentos, a carga é transferida para o implante. Em pacientes pesados, a placa pode não suportar esse esforço. Aumentar sua espessura também tem limite: quando o implante se torna suficientemente resistente, a falha pode ocorrer no osso ao redor dos parafusos. Por isso, o desenvolvimento de placas mais espessas não solucionou integralmente esse problema biomecânico.
Recursos e recuperação condicionam resultados
A indicação do tratamento deve considerar o peso do cavalo, as condições disponíveis e a segurança da recuperação anestésica.
- Peso: Até aproximadamente 100 kg, o prognóstico de determinadas fraturas pode ser excelente; entre 100 e 200 ou 300 kg, torna se progressivamente mais reservado; acima de 300 kg, a taxa de sucesso diminui consideravelmente, embora ainda existam casos favoráveis.
- Fatores do paciente e do tratamento: Devem ser avaliados o temperamento, os implantes disponíveis, o centro cirúrgico, a qualidade hospitalar e os recursos financeiros.
- Sling: O centro adequado deve dispor de sling, estrutura destinada a auxiliar a recuperação anestésica e permitir que o cavalo acorde em estação.
- Falhas na recuperação: Muitas falhas ocorrem durante a recuperação, quando o animal tenta levantar, apoia incorretamente o peso, cai e quebra o implante ou o próprio membro.
Fraturas da falange distal
Guarda cascos limitam a expansão
Ferraduras com quatro guarda cascos limitam a abertura do casco durante o apoio. A ferradura terapêutica utilizada para imobilizar fraturas de terceira falange em equinos possui quatro guarda cascos. Quando o cavalo pisa, o casco tende a se expandir posteriormente. Os guarda cascos restringem esse movimento e contribuem para a imobilização da terceira falange. Durante a fase de apoio da pisada do cavalo, o casco sofre expansão decorrente da complacência do tecido mole localizado em sua porção posterior.
Muitos equinos são tratados sem cirurgia e evoluem bem. Ainda assim, fraturas que envolvem a articulação podem desenvolver osteoartrite mesmo após redução e fixação; esse risco também existe em cães e seres humanos. Uma pequena fratura intra articular pode ser removida por artroscopia, mas um fragmento grande não deve ser simplesmente retirado, pois isso pode comprometer a articulação.
Tração extensor exige decisão
Algumas fraturas da terceira falange não consolidam adequadamente porque o tendão extensor se insere na região e exerce tração contínua sobre o fragmento. Fraturas com avulsão óssea na região proximal da terceira falange não consolidam espontaneamente em virtude da tração contínua exercida pelo tendão extensor ali inserido. Uma ferradura fechada com guarda cascos pode não neutralizar a força, pois a tração vem de cima e não das laterais inferiores.
A estabilização pode exigir a colocação de parafuso ou a remoção do fragmento, conforme sua dimensão e relação com a articulação. Para fraturas intra articulares da terceira falange que envolvem fragmentos ósseos volumosos, o tratamento cirúrgico preconizado é a fixação com parafuso. A escolha depende da configuração da fratura e da possibilidade de preservar a congruência articular.
Fraturas das falanges proximal e média
Gesso estabiliza fraturas selecionadas
A aplicação do gesso exige uma sequência de decisões: avaliar o risco, selecionar os casos adequados, imobilizar corretamente e acompanhar a estabilidade.
- Etapa: Reconheça o quadro: as fraturas da primeira e da segunda falange estão fora do casco e, por isso, apresentam maior risco de complicações. A avaliação clínica pode revelar mobilidade anormal, com crepitação à manipulação, além de aumento de volume.
- Etapa: Selecione o tratamento conservador quando a fratura não for exposta e não possuir grande deslocamento. Na maioria das fraturas de primeira e segunda falanges em equinos que não são expostas, o tratamento conservador com aparelho gessado é resolutivo.
- Etapa: Verifique o risco de exposição: essas fraturas habitualmente não se tornam expostas quando não apresentam fragmentos pontiagudos ou com bisel pronunciado. Fraturas que apresentam bisel ósseo grande também podem ser tratadas por meio da aplicação de gesso.
- Etapa: Aplique o gesso mantendo o alinhamento: o gesso deve imobilizar as articulações acima e abaixo da fratura. Para alcançar uma imobilização adequada e eficaz de fraturas distais de falanges com gesso, deve se estender o aparelho gessado a partir da articulação do boleto proximalmente, ou seja, da articulação do boleto para cima.
- Etapa: Reavalie a estabilidade: em determinadas situações, o aparelho gessado deve ser trocado após um período de uso para manter a estabilidade e permitir nova avaliação. O tempo mencionado para a imobilização é de aproximadamente 60 dias.
Gesso equilibra estabilidade e pressão
O gesso tem maior possibilidade de sucesso quando a fratura é fechada, mas não deve ser aplicado sobre uma ferida contaminada. A ocorrência de fratura exposta impede o uso do aparelho gessado em razão do elevado risco de contaminação e infecção na ferida cirúrgica. O acolchoamento insuficiente sob o gesso pode originar feridas por pressão no membro imobilizado.
Também existe risco de perda do alinhamento, pois o cavalo pode continuar apoiando o membro e deslocar progressivamente os fragmentos. Em fraturas instáveis imobilizadas apenas com gesso, o apoio precoce de peso do equino pode provocar o deslocamento do fragmento pontiagudo e tornar a fratura exposta. Mesmo após uma imobilização correta com gesso, o apoio contínuo de peso pelo equino promove o desalinhamento progressivo da fratura.
Se o gesso for aplicado muito frouxamente, o algodão se comprime, aumenta o espaço interno e a imobilização perde eficiência. Se for aplicado com pressão excessiva, pode provocar feridas e gangrena. A aplicação de uma camada reduzida de algodão sob o gesso favorece o alinhamento da fratura, mas aumenta o risco de lesões cutâneas e gangrena. O desafio é equilibrar estabilidade, proteção da pele e prevenção de lesões por pressão.
Deslocamento pode romper a pele
Uma fratura da falange não operada pode evoluir com deslocamento progressivo. Uma complicação muito comum da imobilização de fraturas com gesso em equinos é a consolidação viciosa com o membro torto. Em um caso, após aproximadamente uma semana de apoio, o osso atravessou a pele como uma estaca, e o equino precisou ser submetido à eutanásia.
Alguns animais sobrevivem com o membro torto e conseguem caminhar ou até reproduzir, mas com importante deformidade estética e funcional. Consolidações viciosas decorrentes de fraturas nos membros posteriores de equinos apresentam melhor prognóstico funcional do que nos membros anteriores. O resultado depende do alinhamento, da estabilidade, da contaminação e do comportamento do animal.
Em fraturas com bisel grande sob carga compressiva, os fragmentos ósseos pontiagudos podem romper a pele e transformar a lesão em fratura exposta. Quando a força tende a deslocar os fragmentos e romper a pele, o gesso isolado pode não ser suficiente.
Fixação com pin cast
Como o pin cast redistribui cargas
A montagem redistribui a carga durante o apoio e reduz o movimento no foco da fratura.
- Etapa: Combine pinos inseridos no osso, uma estrutura de fixação externa e gesso. O pin cast é uma técnica de imobilização ortopédica que combina a transfixação de pinos ósseos com a aplicação de gesso.
- Etapa: Utilize a técnica especialmente em fraturas da primeira e da segunda falange com fragmentação ou risco de exposição. Posicione os pinos sob orientação radiográfica e conecte os a barras externas.
- Etapa: Na técnica do pin cast, o gesso é aplicado externamente cobrindo os pinos transfixados na canela do animal para receber parte da carga. A força proveniente do solo é transmitida ao gesso, passa pela estrutura lateral e retorna ao membro por meio dos pinos, reduzindo a carga direta sobre o foco da fratura. Dessa forma, a montagem protege o osso e limita o movimento.
Pin cast para fraturas cominutivas
- Resultados: Foram mencionados mais de 20 equinos tratados com essa técnica, com resistência elevada e boa proporção de resultados favoráveis.
- Permanência do pin cast: Esse intervalo de aproximadamente 40 dias é o período preconizado para a permanência do pin cast em equinos.
- Remoção do dispositivo: O osso adquire resistência suficiente para permitir a retirada do dispositivo após aproximadamente 40 dias.
- Etapa seguinte: Após a remoção do pin cast aos 40 dias, o equino é colocado em tala convencional até a consolidação da fratura, por volta dos 60 dias.
- Fraturas cominutivas: Assim, o pin cast é a técnica de eleição para fraturas cominutivas de falange, quando múltiplos fragmentos impedem a osteossíntese simples com parafusos.
- Fraturas lineares: Em fraturas lineares e bem alinhadas, pode ser suficiente utilizar parafuso associado a gesso, sem necessidade de pin cast.
Monitorar pinos antes da falha
O acompanhamento combina repouso estrito, radiografias regulares e retirada dos componentes quando surgem sinais de sobrecarga.
- Etapa: Reconheça que A carga excessiva pode provocar reabsorção óssea ao redor dos pinos.
- Etapa: Radiografe o membro regularmente, inclusive semanalmente, para identificar as linhas de reabsorção.
- Etapa: Remova os pinos quando essas alterações aparecem nas radiografias, para evitar nova fratura.
- Etapa: Mantenha o equino em baia e em repouso, sem enviá lo precocemente para casa, pois a movimentação aumenta as forças sobre o sistema e pode quebrar os pinos.
- Etapa: Após a retirada dos pinos, mantenha o membro com gesso, desde que a fratura já não apresente mobilidade significativa.
Fixação acessível em potros
Em potros pequenos com fraturas expostas, pode ser utilizado um fixador externo associado ao gesso, permitindo estabilizar o membro enquanto a ferida permanece acessível para tratamento. Nesse arranjo, a carga é direcionada ao sistema de estabilização, e não diretamente ao foco contaminado. A técnica pode ser realizada sem grande incisão, sob orientação radiográfica.
O manejo do paciente continua essencial, pois o comportamento interfere na manutenção da montagem. Potros mansos tendem a permanecer mais tranquilos e deitados, enquanto animais que se assustam e se lançam contra as estruturas podem comprometer a estabilização.
Fraturas expostas e prevenção do tétano
Tétano ameaça fraturas expostas
Em qualquer fratura exposta, considere imediatamente o tétano: ele é a principal preocupação preventiva e a complicação infecciosa primordial dessas feridas. Cerca de 80% das fraturas expostas em equinos culminam em perda do animal, mas a exposição óssea recente, ocorrida há menos de 6 a 10 horas, ainda pode ter chance de salvamento com antibioticoterapia precoce e imobilização para transporte ao hospital. Rigidez, permanência parado com as orelhas abertas e dificuldade para caminhar são sinais compatíveis com tétano; um caso previamente observado reforçou a necessidade de considerar essa complicação desde o início. Se uma placa ortopédica ficar exposta, geralmente será necessária sua remoção cirúrgica posterior; havendo contaminação ou sujidades, está indicada a raspagem ou o desbridamento ósseo. Em alta concentração no tecido, o ozônio elimina bactérias sem provocar a morte das células do hospedeiro, promovendo antissepsia eficaz.
Limpar a ferida por etapas
A limpeza física da ferida vem primeiro; o antibiótico atua como suporte depois da remoção completa da contaminação visível.
- Etapa: Remova o tecido desvitalizado, a sujeira e os corpos estranhos antes de confiar exclusivamente na antibioticoterapia.
- Etapa: Lave a ferida até que não sejam mais observados fragmentos de alimento, fezes, grama, asfalto, partes de veículo ou outros materiais macroscópicos visíveis.
- Etapa: A antibioticoterapia não substitui essa limpeza nem a remoção física das sujidades macroscópicas visíveis.
- Etapa: Somente depois da remoção completa da contaminação visível a antibioticoterapia poderá exercer sua função de suporte.
- Etapa: Lembre se: aquilo que o olho identifica não será resolvido pelo antibiótico, e a presença de uma única partícula contaminante pode manter a infecção.
Curativos prolongados com mel
Feridas extensas podem exigir curativos por 90 a 120 dias, e, em determinadas feridas, o tratamento requer aplicação contínua nesse período. O mel atua como um excelente antisséptico no tratamento de feridas e possui baixo custo. Essa característica é importante em tratamentos prolongados, pois pomadas de aproximadamente 300 reais podem tornar se inviáveis quando usadas repetidamente durante meses.
Em determinados casos, também podem ser utilizados curativos com ozônio. Quando aplicado topicamente no tratamento de feridas, o ozônio apresenta boa eficácia, e sua aplicação local pode ser útil. Seu uso não deve ser generalizado para todas as situações: é preciso bom senso e distinguir a utilização local em feridas de propostas terapêuticas mais amplas, sem comprovação suficiente no contexto apresentado.
Montar a bolsa de ozônio
A montagem organiza o gás ao redor do membro e diferencia o curativo em bolsa de outras formas de aplicação.
- Etapa: Confeccione a bolsa com saco plástico grosso e transparente, vedando a com esparadrapo e fita para formar um compartimento ao redor do membro.
- Etapa: Permita a passagem do gás por meio de uma pequena estrutura perfurada instalada na bolsa.
- Etapa: Produza o ozônio no concentrador: O aparelho gerador de ozônio utiliza oxigênio (O2) e aplica uma descarga elétrica para convertê lo em ozônio (O3).
- Etapa: Aguarde o retorno do ozônio a oxigênio após sua liberação no ambiente: posteriormente, o ozônio retorna a oxigênio.
- Etapa: Utilize concentração elevada para ação sobre bactérias, considerando que há discussões sobre outras formas de aplicação.
- Etapa: Não confunda a técnica de bolsa com a insuflação direta: A insuflação direta de gás no tecido subcutâneo foi associada à indução de inflamação e não foi apresentada como equivalente ao método de bolsa.
Fraturas da canela
Sinais não definem prognóstico
A fratura de canela está entre as mais comuns em equinos. Na fratura condilar, pode ocorrer inchaço na pata pela sustentação de peso; porém, o apoio do membro não basta para definir o prognóstico.
A escolha da estabilização precisa considerar a sobrecarga corporal: parafusos corticais isolados não suportam a carga de 450 kg de um cavalo ao se levantar e apoiar o membro. Na fixação de placas, os parafusos devem ser posicionados sem penetrar no espaço articular.
Fragmentação e risco de falha
A movimentação excessiva e a tração da musculatura impedem a consolidação do fragmento fraturado. Nas fraturas cominutivas, a dificuldade para localizar os pontos de fixação exige placas espessas, como as placas abertas em formato de cabeça de cobra (naja), com orifícios para parafusos.
Quando existem tecidos desvitalizados e intensamente contaminados, a fixação com placa pode levar à quebra dos implantes em cerca de 10 a 15 dias. Por isso, a infecção bacteriana é o principal fator complicador. A intervenção cirúrgica rápida, com redução anatômica precisa da superfície articular, evita o desenvolvimento de osteoartrose.
Imobilização e técnica MIPO
Após a osteossíntese de fraturas nos membros, normalmente realiza se imobilização externa complementar com gesso. Na canela de equinos, o acolchoamento sob o gesso deve ter no máximo dois dedos de algodão.
Na técnica MIPO, uma placa idêntica é colocada externamente sobre a pele para servir de gabarito, localizar os orifícios da placa interna e guiar as pequenas incisões para a inserção dos parafusos. Em um animal de 600 kg tratado com MIPO, foram usados parafusos de 6 mm e gesso por quatro meses.
Fratura condilar exige redução precoce
A fratura condilar é comum, especialmente em equinos de velocidade. Mesmo após analgesia, o animal pode continuar apoiando o membro, com aumento de volume na região. Esse apoio não elimina o risco: durante a manipulação ou ao tentar levantar o cavalo, o fragmento ou o bisel ósseo pode deslocar se; o bisel ósseo pode perfurar a pele e tornar a fratura exposta quando o animal se levanta.
O tratamento habitual envolve a colocação de dois ou três parafusos, associada ao gesso quando necessário. A redução deve ser precoce e manter a superfície articular adequadamente alinhada, pois um degrau residual na articulação pode causar claudicação e osteoartrite. Nessas condições, o prognóstico para a vida é excelente e o prognóstico esportivo pode ser favorável.
Implantes equinos reduzem falhas mecânicas
Fraturas mais complexas exigem osteossíntese, e a estabilidade pode ser aumentada pela utilização de placas próprias para equinos. No passado, placas destinadas a cães ou seres humanos eram utilizadas em animais maiores e frequentemente entortavam ou quebravam por não serem dimensionadas para a carga equina.
Atualmente existem implantes mais resistentes e específicos, mas a evolução ainda pode ser comprometida por infecção, complicações ósseas, efeitos adversos da antibioticoterapia, incluindo colite, e múltiplos fatores biológicos. Assim, a resistência do implante deixou de ser o único problema, mas não eliminou os riscos do tratamento.
Redução auxiliada pela suspensão
A redução de uma fratura não pode ser obtida apenas pela força manual. A utilização de talha permite suspender o membro e aproveitar o peso do cavalo para auxiliar o alinhamento; quando apropriado, a cirurgia pode ser realizada em posição dorsal, utilizando a gravidade como elemento auxiliar.
A suspensão também pode reduzir o sangramento aparente, pois o membro permanece tracionado. Ainda assim, a etapa mais difícil é obter e manter a redução adequada, especialmente quando a musculatura exerce forte tração sobre os fragmentos.
Inserir placa com pequenas incisões
Na canela de equinos, a configuração do acesso deve considerar a pouca cobertura cutânea e a dificuldade de fechamento. A sequência abaixo organiza a escolha e a execução da técnica.
- Etapa: Reconheça que a pele da região da canela em equinos é extremamente justa e possui pouca elasticidade, o que dificulta o fechamento cutâneo e predispõe à exposição de placas de osteossíntese.
- Etapa: Evite uma incisão ampla quando ela dificultar o fechamento da ferida sobre a placa; a sutura pode abrir após aproximadamente uma semana.
- Etapa: Realize uma técnica minimamente invasiva, com pequenas incisões proximal e distal, descolamento do tecido subcutâneo e deslizamento da placa sob a pele.
- Etapa: Localize os orifícios por pequenas incisões individuais e insira os parafusos com auxílio de uma placa ou guia idêntico. A técnica reduz a extensão da incisão e é particularmente útil na canela de equinos, onde há pouca cobertura cutânea.
Duas placas aumentam resistência
Em equinos adultos ou com peso superior a aproximadamente 100 ou 150 kg, pode ser necessário utilizar duas placas. A duplicação aumenta a resistência do sistema, mas também torna o membro mais espesso e dificulta o fechamento da pele. Por isso, a placa deve respeitar músculos e estruturas superficiais, mantendo espaço suficiente para acomodar os tecidos.
A técnica minimamente invasiva permite inserir a placa sob a pele e realizar as perfurações por pequenas aberturas. Quando não há placa de formato correspondente para orientar os parafusos, a localização pode ser realizada com guia e radiografia, exigindo precisão para evitar posicionamento inadequado.
Haste bloqueada e fraturas complexas
Haste bloqueada controla rotação
Em uma fratura cominutiva da canela, quando o gesso não oferece estabilidade suficiente, pode ser utilizada uma haste intramedular bloqueada, também denominada interlocking nail. No Brasil, o dispositivo de fixação ortopédica conhecido em inglês como interlocking nail é denominado haste bloqueada. Trata se de um pino inserido no canal medular e bloqueado por parafusos para impedir migração e controlar as forças de rotação.
Foi descrita uma haste de aproximadamente 13 mm de diâmetro, suficientemente robusta para suportar cargas elevadas. O acesso pode ser realizado por uma extremidade do osso, sob orientação radiográfica, permitindo estabilizar a fratura e tratar simultaneamente feridas abertas localizadas posteriormente. A introdução da haste bloqueada por via distal (por baixo) apresenta como inconveniente a destruição da articulação.
Lesões associadas mudam a estratégia
Em um caso tratado com haste bloqueada, havia lesão posterior com ruptura de tendões profundos e comprometimento articular. A ruptura dos tendões flexores digitais profundos e a consequente descida excessiva do boleto indicam a realização de artrodese articular. A opção terapêutica incluiu procedimento destinado a estabilizar ou eliminar o movimento da articulação, em razão do baixo suporte distal e da extensão da lesão.
Um guia externo permitiu localizar os pontos de inserção dos parafusos, que não eram diretamente visíveis durante o procedimento. O animal permaneceu com o implante por aproximadamente três anos e apresentou evolução favorável. Sistemas semelhantes são utilizados principalmente em fraturas de fêmur e tíbia.
Fraturas dos ossos metacarpianos acessórios
Quando observar o metacarpo acessório
As fraturas dos ossos metacarpianos acessórios podem ocorrer durante exercício em alta velocidade, por trauma ou por interferência, quando um membro atinge o outro. Esses ossos têm formato alongado e flexibilidade comparável à de um bambu, flexionando se conforme o cavalo caminha.
Apesar da fratura, o animal continua suportando peso e não apresenta instabilidade do membro; por isso, a lesão não ameaça diretamente sua sobrevivência. Quando o cavalo permanece assintomático, pode não haver indicação de intervenção. A indicação cirúrgica surge principalmente quando se forma exuberância óssea durante a consolidação, capaz de gerar claudicação.
Calo ósseo comprime o suspensor
Durante a consolidação, forma se uma exuberância óssea que pode crescer em várias direções. Na fratura do metacarpo acessório, esse calo ósseo pode crescer internamente e comprimir o ligamento suspensor do boleto. Quando cresce medialmente, pode comprimir ou desviar o ligamento suspensor do boleto.
Esse ligamento é sensível e possui muitas terminações nervosas. O crescimento do calo ósseo desvia seu trajeto, forçando o a realizar uma curvatura durante o passo do cavalo e produzindo dor durante a locomoção. Assim, a claudicação decorre do comprometimento e da compressão sobre o ligamento suspensor do boleto, mesmo sem perda do suporte de peso.
O tratamento consiste na remoção dos fragmentos ou da formação óssea responsável pela compressão, por meio de ressecção óssea. A abordagem pode ser limitada à região sintomática.
Tratar contaminação preservando tecido
Traumas por coice constituem uma das principais causas de fratura desses ossos. Quando há ferida extensa, contaminação e fístula, pode se remover apenas a área infectada, preservando o máximo possível do tecido saudável. A abordagem pode utilizar serra, osteótomo ou instrumento elétrico, seguida de remoção do fragmento, curetagem, coleta para cultura e tratamento da infecção.
Se não houver infecção, a remoção do fragmento pode ser mais simples. Quando resta pouco osso proximal e existe risco de deslocamento pela tração ligamentar, pode se utilizar parafuso ou placa. Como os equinos podem reagir intensamente aos implantes, placas frequentemente precisam ser retiradas; a preferência mencionada foi pelo parafuso por produzir menor reação.
Fraturas do rádio
Infecção pode reverter bom prognóstico
A fratura do rádio pode apresentar bom prognóstico quando permanece fechada e permite alinhamento adequado. Em equinos, a anatomia retilínea do rádio facilita a estabilização cirúrgica da fratura, e a estabilização por placas pode restaurar o eixo do membro e favorecer o retorno funcional.
Ainda assim, uma fratura inicialmente favorável pode evoluir com infecção. Em um caso, após aproximadamente um mês, a fratura parecia evoluir bem, mas a infecção não foi controlada; o osso tornou se espesso e a falha ocorreu em diferentes pontos. A infecção foi considerada o principal fator responsável pelo insucesso. Fraturas fechadas também podem infectar em razão de falhas na técnica ou da qualidade hospitalar, embora o risco seja menor que nas fraturas expostas.
Fraturas do cotovelo
Cotovelo deslocado impede o apoio
As fraturas do cotovelo podem envolver estruturas ósseas acessórias e regiões de falange. Em equinos, as fraturas de carpo acessório estão entre as mais comuns, seguidas pelas fraturas de falange e de cotovelo. Quando o equino fratura o cotovelo, o aparelho do tríceps é comprometido. O membro permanece projetado para a frente porque o tríceps normalmente traciona o cotovelo e estende o membro.
Na fratura de cotovelo em equinos, a perda da função do músculo tríceps braquial impede a extensão da pata devido à dor no foco da fratura. Com a fratura, o animal perde a função desse mecanismo e pode deixar de apoiar. Se o fragmento estiver bem alinhado e estável, o tratamento conservador pode ser considerado, e a recuperação de uma fratura não deslocada em equino é rápida quando o animal já se apresenta apoiando o membro.
Entretanto, fraturas deslocadas apresentam movimento persistente e menor possibilidade de consolidação sem cirurgia. Fraturas de cotovelo deslocadas em equinos requerem obrigatoriamente intervenção cirúrgica para que o cavalo restabeleça o apoio sobre o membro. Em fraturas de cotovelo, a taxa de sucesso cirúrgico pode alcançar 90% em casos selecionados.
Fixar sem penetrar a articulação
Quando há deslocamento, a estabilização por placa pode ser necessária. Os parafusos devem ser posicionados com extremo cuidado para não penetrar na articulação, pois essa complicação causa dor persistente. O prognóstico é melhor quando o cavalo ainda chega apoiando e a fratura não está deslocada.
Quando o animal não apoia, a recuperação é mais lenta, mas pode ser favorável se não houver contaminação. Entre as estruturas mencionadas, o cotovelo foi considerado uma das regiões com resultados cirúrgicos mais satisfatórios. Em casos acompanhados, a maioria evoluiu bem, e os resultados desfavoráveis foram associados principalmente ao desenvolvimento de artrose.
Fraturas da tíbia
Tíbia sobrecarrega os implantes
A fratura da tíbia é uma das mais difíceis de tratar em equinos pesados. A posição do osso e as forças durante o decúbito e a recuperação anestésica submetem os implantes a grande estresse. A tecnologia atual das placas de titânio e aço inoxidável ainda não suporta isoladamente a carga mecânica exigida na fixação de fraturas em equinos pesados. Assim, mesmo uma cirurgia tecnicamente bonita pode falhar quando o cavalo se levanta e apoia o membro, com possível som de quebra do implante ou do osso imediatamente após o apoio.
A osteossíntese de fratura de tíbia em equinos é a que apresenta maior incidência de falha e quebra de implantes no período pós operatório. Quando a cirurgia é indicada, o equino precisa acordar em estação, com controle rigoroso da recuperação. Por isso, saber a indicação e o momento correto de quando operar é tão importante quanto a execução do procedimento cirúrgico; a possibilidade de falha deve ser considerada antes da indicação.
Peso limita úmero e tíbia
Em equinos acima de aproximadamente 150 kg, as fraturas de úmero são difíceis de abordar por causa do acesso limitado, da curvatura óssea e da musculatura muito forte. Em equinos com peso superior a 150 kg, a redução de fratura de úmero é inviabilizada pela limitação de força física e pela ausência de instrumental cirúrgico adequado. A musculatura pode impedir o afastamento adequado e dificultar a aproximação dos fragmentos.
Na tíbia, o problema principal é a carga exercida sobre o implante quando o animal se posiciona ou se levanta; mesmo com redução adequada, o sistema pode não suportar as forças. Peso, temperamento, possibilidade de recuperação em estação e disponibilidade de implantes resistentes são decisivos para o prognóstico. A seleção adequada de pacientes cirúrgicos permite elevar a taxa de sucesso para a faixa de 50% a 70%.
Fixação externa protege potros
Em potros pequenos, pode ser utilizada a combinação de fixador externo com pino intramedular; esse sistema combina duas técnicas e pode ser removido após a consolidação. Pinos grossos, barras e componentes de reforço estabilizam o membro. A técnica pode ser realizada de forma fechada, sob orientação radiográfica, sem incisão ampla.
O comportamento do potro influencia diretamente o resultado. Animais mansos permanecem mais tranquilos e toleram melhor o tratamento, enquanto animais que se assustam e se lançam contra obstáculos podem causar falha da montagem.
Projetar uma placa dedicada
Uma placa dedicada é confeccionada especificamente para o osso e para a configuração da fratura de determinado animal. A partir de uma radiografia em escala, elabora se um molde, produz se um espelho para evitar que a placa fique invertida, desenha se o formato e define se a curvatura necessária. Quando necessário, a modelagem pode ser planejada a partir de uma radiografia do membro contralateral hígido em projeção espelhada. O molde pode ser desenhado em papel manteiga para captar a curvatura anatômica exata a partir de uma radiografia calibrada em escala.
Em seguida, o implante é confeccionado com as dimensões correspondentes. Atualmente, esse processo pode ser realizado com software e impressão especializada, utilizando radiografias ou tomografia. O uso da placa dedicada também possibilita o alinhamento e a fixação da fratura por meio da técnica de osteossíntese com placa minimamente invasiva (MIPO). A tecnologia ainda é cara, com impressoras que podem custar mais de um milhão de reais no Brasil, mas a tendência é produzir implantes individualizados sob demanda.
Engenharia acelera implantes personalizados
A produção de placas específicas para cada osso pode reduzir a necessidade de manter grandes estoques de implantes e melhorar o alinhamento das fraturas. O desenvolvimento de placas ósseas projetadas especificamente para a anatomia de cada osso busca aumentar a taxa de sucesso nas cirurgias de fraturas em equinos. A medicina já utiliza essa abordagem em maior escala, enquanto a veterinária ainda apresenta limitações de disponibilidade e uso.
Para viabilizar o desenvolvimento de implantes cirúrgicos na medicina veterinária, é necessário o trabalho conjunto com um engenheiro mecânico, empresas para o fornecimento de componentes e recursos financeiros. Essa parceria integra veterinários, engenheiros mecânicos, empresas e fabricantes de componentes, permitindo transformar imagens diagnósticas em modelos digitais, testar o implante e produzi lo com a geometria necessária para o paciente.
Fraturas do fêmur
Inserir e bloquear a haste
A técnica da haste bloqueada organiza o reparo femoral em uma sequência de inserção, redução, bloqueio e apoio controlado.
- Etapa: Escolher a fixação: em potros, algumas fraturas de fêmur podem ser tratadas com placa ou haste bloqueada.
- Etapa: Priorizar a haste bloqueada: atualmente, o sistema é considerado o melhor método para o reparo cirúrgico de fraturas de fêmur. Nas fraturas de fêmur em equinos, seu uso proporciona recuperação e resultados mais rápidos do que o uso de placas ósseas.
- Etapa: Inserir e bloquear: A haste é inserida por pequeno acesso, reduzida com auxílio de radiografia e bloqueada para impedir migração e controlar a rotação.
- Etapa: Aproveitar a resistência: a técnica apresenta resistência elevada e pode permitir apoio precoce.
- Etapa: Acompanhar a evolução: dois dias depois, um potro foi filmado movimentando se e brincando. Embora a liberação excessiva não seja recomendada, o apoio controlado pode estimular a consolidação óssea. O caso apresentou resultado favorável, assim como outro animal tratado com uma variação da mesma técnica, apesar de evolução mais lenta.
Modelos computacionais e evolução dos implantes
Modelar e testar o implante
A sequência conecta modelagem computacional, simulação mecânica, teste do implante e validação antes do uso em um animal.
- Etapa: Fundamentar o avanço: O avanço e a evolução no tratamento de fraturas ortopédicas fundamentam se principalmente no uso de modelos computacionais.
- Etapa: Escanear o osso: Modelos computacionais permitem escanear o osso, inseri lo em um software e analisar os pontos de aplicação de carga.
- Etapa: Desenhar e testar virtualmente: O implante pode ser desenhado virtualmente e testado antes da fabricação e da utilização clínica.
- Etapa: Aplicar o ANSYS: O ANSYS é um software de engenharia e simulação computacional utilizado para testar a resistência e o comportamento mecânico de implantes ortopédicos. Sua licença pode custar mais de 100 mil reais.
- Etapa: Comparar estruturas: esse tipo de software é utilizado para testar estruturas, como edifícios submetidos a terremotos, e pode ser aplicado à avaliação da resistência de placas, hastes e outros implantes.
- Etapa: Antecipar falhas: o objetivo é identificar falhas no projeto antes de testar o material em um animal.
- Etapa: Validar a importância biomecânica: A realização de estudos biomecânicos é considerada um fator essencial para aumentar a taxa de sucesso no reparo de fraturas em equinos. O avanço dos estudos biomecânicos é um fator relevante para a evolução e o aumento da taxa de sucesso no reparo de fraturas.
Materiais precisam de validação biológica
O software permite comparar diferentes materiais e desenhos, como aço, ouro, plástico e outras composições. Ao informar as propriedades do material, o sistema estima a resposta do implante às cargas previstas. O aço 316L, utilizado em implantes ortopédicos, é o mesmo empregado na indústria naval e apresenta alta resistência à corrosão. Assim, é possível antecipar falhas sem fabricar um implante e submetê lo primeiro a uma fratura experimental no osso de um cavalo. Ainda assim, a análise computacional não substitui os testes biológicos: um resultado adequado no modelo não garante necessariamente o sucesso no animal. Por isso, a colaboração com estudantes e profissionais da engenharia é fundamental para realizar essas análises.
Perspectivas e seleção dos casos
Tecnologia amplia as possibilidades terapêuticas
A evolução do tratamento depende de estudos biomecânicos, técnicas minimamente invasivas, placas dedicadas, materiais cirúrgicos mais resistentes e sistemas aperfeiçoados de redução e fixação. As hastes bloqueadas já representam uma dessas evoluções. Como ainda não existem métodos capazes de reparar a fratura de forma instantânea, é necessário aperfeiçoar os recursos disponíveis, com investimento, estrutura hospitalar e trabalho conjunto entre diferentes áreas. Na ortopedia de pequenos animais, livros utilizam escalas de pontuação que atribuem pontos a critérios como fratura exposta e membros acometidos. Apesar das limitações, o desenvolvimento é viável e pode aumentar progressivamente as taxas de sucesso.
Selecionar casos melhora resultados
A indicação cirúrgica deve integrar a capacidade técnica à seleção cuidadosa dos pacientes.
- Quando operar: Saber quando operar é tão importante quanto saber realizar a cirurgia.
- Cirurgia sem seleção: Se todos os equinos forem submetidos à operação, independentemente do prognóstico, a taxa de sucesso pode permanecer entre 20% e 25%.
- Seleção criteriosa: A seleção criteriosa dos casos pode elevar os resultados para aproximadamente 50%, 60% ou 70%, conforme a fratura.
- Fraturas de cotovelo: Foi mencionada taxa de sucesso de até 90%; os casos desfavoráveis são principalmente aqueles que desenvolvem artrose.
- Experiência: A experiência permite reconhecer quais pacientes reúnem condições mais favoráveis e concentrar os recursos nesses casos.
Pontuação apoia, não decide sozinha
Modelos de pontuação podem considerar fratura exposta, localização, peso e outras variáveis, mas a biologia não se comporta como uma equação exata. Mesmo quando vários fatores são favoráveis, a exposição da fratura pode reduzir intensamente o prognóstico. Como o número de variáveis é elevado e os fatores interagem entre si, a pontuação pode auxiliar a decisão, mas não substitui a avaliação individual.
Em sistemas de pontuação ortopédica, quando o escore total não atinge o valor de referência estabelecido, a cirurgia não é recomendada devido ao prognóstico desfavorável. A escolha deve integrar a configuração da fratura, a contaminação, o peso, o comportamento, os recursos disponíveis e a possibilidade real de acompanhamento.
Eutanásia já não é inevitável
O princípio de que todo cavalo com fratura de membro deve ser submetido imediatamente à eutanásia já não se aplica a todas as situações. Existem fraturas tratáveis, e até casos graves podem sobreviver, embora as fraturas mais severas ainda apresentem taxa de sucesso limitada, mencionada em torno de 50%.
Os resultados atuais são melhores que os obtidos anteriormente, mas continuam dependentes da seleção adequada e da execução correta de cada etapa. Por isso, a avaliação cuidadosa do paciente e das condições disponíveis é essencial para evitar procedimentos com alta probabilidade de falha.
Reflexão Sion
Quando agir faz diferença
Nos equinos, peso, estabilidade e contaminação mudam radicalmente o prognóstico, e um transporte inadequado pode transformar uma fratura fechada em uma lesão sem possibilidade cirúrgica. Isso mostra que reconhecer limites e agir com cuidado no momento certo pode preservar aquilo que ainda pode ser restaurado. Em Jesus, encontramos esperança para o que parece irreparável e um convite a confiar nele enquanto cuidamos e decidimos com responsabilidade.
Deus é o nosso refúgio e a nossa força, auxílio sempre presente na adversidade.Salmos 46:1
Leia e reflita: onde agir a tempo ainda pode fazer diferença?