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MedVet7 PeríodoDiagnóstico por ImagemP1

Aula 07 Exames de Imagem em Oftalmologia Veterinária

Da superfície para o interior, a córnea se organiza em quatro camadas:

Duracao: 28 min

Topicos da aula

  • Oftalmologia

Overview

Como a imagem revela o olho

A leitura da imagem ocular começa pela orientação anatômica do segmento anterior ao posterior e se estende à órbita, relacionando cada estrutura à sua posição e dimensão. A partir desse mapa, a aula apresenta como o ultrassom forma imagens, como ecogenicidade e ganho ajudam a reconhecer tecidos e como o posicionamento do transdutor orienta os cortes. A observação das estruturas normais prepara a descrição de alterações: primeiro se registra o que a imagem mostra e onde está; depois, os achados são interpretados à luz do contexto clínico, dos limites do exame e de possíveis artefatos. A escolha do método e a cautela durante o exame também fazem parte dessa avaliação.

Anatomia e referências oculares

Bulbo ocular e percurso visual

O termo anatômico adequado é bulbo ocular, pois o olho não constitui uma estrutura perfeitamente esférica. Suas diferentes estruturas participam da formação da visão, objetivo final do olho. A luz atravessa os meios oculares e alcança a retina, que converte o estímulo luminoso em estímulo elétrico; esse sinal segue pelo nervo óptico até o córtex, onde a visão é formada.

Alterações podem ocorrer em qualquer etapa desse percurso, e exames complementares são empregados quando o exame clínico não permite identificar suficientemente o problema. Para interpretar exames de imagem, a anatomia é fundamental: as estruturas anatômicas servem como referências, e cada espaço ocular tem um tamanho conhecido.

Córnea e segmento anterior

No segmento anterior, a córnea é transparente, avascular e intensamente inervada, o que a torna muito sensível. Um cílio ou outro corpo estranho pode desencadear lacrimejamento, prurido e hiperemia ocular. Como uma lente, a córnea refrata a luz e a direciona ao ponto focal necessário à visão.

Atrás da córnea está a câmara anterior, preenchida por humor aquoso, líquido produzido pelo corpo ciliar que passa para essa câmara. O espaço entre a córnea e a íris é chamado de segmento anterior; não é vazio, pois o humor aquoso participa da manutenção de sua configuração e da refração da luz.

Íris, pupila e câmara posterior

A íris é a porção colorida do olho e contém musculatura que regula o diâmetro pupilar conforme a incidência luminosa. Assim, controla a entrada de luz: a miose reduz a abertura pupilar, enquanto a midríase a aumenta. Em gatos, sob maior luminosidade, a pupila pode formar uma fenda estreita; em condições de baixa luminosidade, pode dilatar se bastante.

Posteriormente à íris fica a câmara posterior, espaço reduzido entre a íris e o cristalino. Por ser muito pequeno, esse compartimento pode não ser bem delimitado nos exames de imagem, embora seja importante na divisão anatômica.

Ajuste do cristalino pelo corpo ciliar

O cristalino, ou lente, ajusta a refração da luz para que ela alcance o ponto focal. Ele é formado por fibras organizadas em camadas e sustentado por ligamentos anulares conectados ao corpo ciliar. Esses ligamentos regulam o cristalino por meio de contração e relaxamento, participando de seu ajuste; o corpo ciliar, por sua vez, produz o humor aquoso.

Com o envelhecimento, as fibras do cristalino ficam mais rígidas e sua capacidade de ajuste diminui. Isso pode dificultar a focalização para perto, fenômeno descrito coloquialmente como “ síndrome do braço curto ”.

Corpo vítreo e túnicas posteriores

No segmento posterior, o corpo vítreo é um gel transparente que ocupa grande parte do interior do olho e ajuda a manter a retina em posição. Por não se comportar como um líquido, a denominação “humor vítreo” foi substituída por “corpo vítreo”.

A retina reveste a porção posterior interna do bulbo. Seguindo da retina para fora, encontram se a coroide e, mais externamente, a esclera, que contribui para a forma do olho.

Órbita e limites retrobulbares

A órbita é uma cavidade delimitada no crânio que abriga as pálpebras, os cílios, os músculos extraoculares e o bulbo ocular. Entre esses músculos estão os retos, os oblíquos e o retrator do bulbo. Atrás do globo fica a região retrobulbar, onde se encontram, entre outras estruturas, o nervo óptico, os músculos retrobulbares e a gordura que os envolve.

Na ultrassonografia, há um limite importante: como o ultrassom não atravessa o osso, o exame ocular não mostra estruturas além da barreira óssea da órbita. Na avaliação oftálmica veterinária descrita, também não é possível visualizar a porção intracraniana do nervo óptico.

Camadas corneanas e transparência

Da superfície para o interior, a córnea se organiza em quatro camadas:

  • Córnea: Camada mais externa do olho, composta por epitélio, estroma, membrana de Descemet e endotélio.
  • Epitélio: Camada mais externa da córnea, pavimentosa estratificada e não queratinizada.
  • Estroma: Camada mais espessa, correspondente a aproximadamente 70% a 90% da córnea; é constituído por fibras de colágeno muito organizadas.
  • Membrana de Descemet: Fica abaixo do estroma e também contém colágeno.
  • Endotélio: Camada abaixo da membrana de Descemet, formada por células.
  • Organização corneana: O estroma organizado contribui para a transparência; irregularidades na disposição tecidual prejudicam a nitidez da visão.
  • Organização das camadas: As camadas mais externa e interna são menos organizadas que o estroma.

Medidas como referência anatômica

As dimensões oculares servem como referências para reconhecer alterações e orientar a leitura ultrassonográfica.

  • Avaliação ultrassonográfica: Considera as dimensões da câmara anterior, do cristalino e do segmento posterior, além do tamanho geral do bulbo.
  • Uso das medidas: Ajudam a reconhecer alterações associadas a condições como glaucoma, catarata diabética e descolamento de retina.
  • Tamanho ocular: Em cães e gatos, é descrito como semelhante, em torno de 2 cm, embora existam variações fisiológicas.
  • Buftálmico: Termo usado para caracterizar um bulbo aumentado.
  • Atrofia ou phthisis bulbi: Podem corresponder a um bulbo reduzido.
  • Câmara anterior: Apresenta dimensões semelhantes entre cães e gatos e é descrita como um pouco maior no gato; a íris felina pode parecer visualmente mais ampla.
  • Valores próximos de 7 cm: São mencionados para estruturas sem identificação segura, sem permitir atribuição anatômica precisa.

Princípios e equipamento da ultrassonografia ocular

Do modo A à imagem B

O modo A fornece informações de distância e pode ser usado para medidas oculares, mas exige que o paciente permaneça muito imóvel e que o feixe seja alinhado com precisão. Essa exigência limita seu uso na rotina com animais; ele é descrito como mais utilizado em pesquisas que precisam medir alterações. Na rotina oftalmológica, geralmente se utiliza o modo B, também usado na ultrassonografia abdominal. Nesse modo, o transdutor emite pulsos que retornam como ecos, e o equipamento organiza esses sinais em pontos. Esses pontos formam uma imagem da forma, do tamanho e da posição das estruturas, além de mostrar suas relações espaciais.

Leitura dos ecos e ajuste do ganho

Meios líquidos, como o humor aquoso, não devolvem ecos significativos e aparecem como imagens anecoicas, escuras ou pretas; por isso, o humor aquoso deve aparecer preto. O corpo vítreo, embora seja um gel, também deve apresentar aspecto anecoico. Já estruturas mais densas refletem ecos: quanto maior a reflexão, mais brilhante ou hiperecoica tende a ser a imagem.

O ganho controla a luminosidade (brilho) da imagem ultrassonográfica e é um ajuste importante na avaliação. Quando há dúvida sobre um ponto ecogênico — por exemplo, se é um corpo estranho ou uma alteração degenerativa ou inflamatória —, observar sua resposta ao ajuste pode ajudar a caracterizá lo. Os ecos da estrutura suspeita podem desaparecer ou permanecer visíveis, o que auxilia na interpretação do exame.

Frequência, detalhe e penetração

O exame requer monitor, console e transdutor. A frequência influencia a definição da imagem e a penetração: frequências maiores proporcionam maior detalhamento, mas menor penetração nos tecidos. Na oftalmologia, geralmente se usam transdutores de frequência mais alta do que os usados no abdômen. A transcrição menciona valores entre 8 e 65 MHz e, mais adiante, entre 10 e 15 MHz para o transdutor oftálmico, de forma inconsistente; portanto, não permite definir uma faixa única. Para o UBM, são indicadas frequências aproximadamente entre 40 e 60 MHz.

Na faixa de 10 a 15 MHz, a penetração estimada é de 40 a 60 mm, ou 4 a 6 cm. Embora essa estimativa exceda o tamanho aproximado do olho, a órbita limita a visualização posterior, e a profundidade efetiva também varia conforme o paciente e a condição ocular. Considerando um olho com 2 centímetros, uma penetração de 4 a 6 centímetros poderia, em teoria, permitir visualizar até 2 centímetros além do olho.

Formatos de transdutor e portabilidade

Os transdutores oftálmicos tendem a ser menores que os usados em exames abdominais e podem ter formato linear ou arredondado. Os arredondados são convenientes para avaliar a superfície curva do olho. O linear também pode ser usado, mas exige mais treino e ajustes.

A maioria dos oftalmologistas veterinários usa ultrassom portátil para diagnóstico. Alguns desses transdutores são sem fio e utilizam Bluetooth, então o exame não depende necessariamente de um aparelho fixo de grandes dimensões.

Indicações, limitações e técnica do exame

Opacidades e visualização ocular

Quando o exame clínico não permite visualizar o interior do olho, a ultrassonografia ocular é indicada; isso ocorre muitas vezes por uma opacidade nas estruturas anteriores. A pigmentação da córnea pode restringir a avaliação à própria córnea, sem permitir a visualização do interior do olho. A ceratite pigmentar é uma causa comum de opacidade corneana, e cães braquicefálicos, como pugs, podem apresentar pigmentação completa da córnea. Durante a consulta, a ultrassonografia pode resolver problemas ou ao menos identificá los.

Para orientar a aquisição, o corte axial é um tipo de corte longitudinal. Nesse corte, as estruturas oculares são visualizadas paralelamente.

Avaliação pré operatória da catarata

A catarata impede a visualização do fundo do olho. Por isso, a ultrassonografia ocular integra a avaliação pré operatória da cirurgia de catarata: permite avaliar o fundo e ajuda a determinar se o animal poderá enxergar após a remoção da catarata. Entre as alterações que o exame pode identificar está o descolamento de retina, que pode impedir a visão.

O exame não deve ser realizado em caso de perfuração ocular.

Lesões que exigem cautela

A úlcera de córnea é uma lesão na córnea; em geral, a ultrassonografia não é realizada sobre ela, pois a manipulação e a pressão do transdutor podem agravar a lesão. Na perfuração ocular, a pressão pode piorar o quadro, com possibilidade de prolapso da íris ou deslocamento do cristalino. Considere cada paciente: são recomendações gerais, não regras absolutas. Se o exame clínico já é completo e suficiente para estabelecer o diagnóstico, não há necessidade de indicar ultrassonografia adicionalmente.

Contato do transdutor e anestesia

Na avaliação veterinária, o transdutor é colocado diretamente sobre a córnea ou a esclera, em abordagem transcorneana ou transescleral. A via transpalpebral, usada em pessoas, não é considerada adequada para animais: não há garantia de que o animal mantenha o olho fechado e, ao fechar o olho, ocorre rotação ocular — o fenômeno de Bell —, o que dificulta obter a imagem necessária. Além disso, a pálpebra canina é mais espessa que a humana, e edema, vermelhidão ou prurido palpebral podem aumentar essa dificuldade.

Como a córnea é muito inervada, são utilizados colírios anestésicos tópicos. A transcrição menciona lidocaína tópica manipulada nas concentrações de 2% ou 4%, mas cita nomes de produtos de modo incerto. O início de ação é estimado entre 30 segundos e 1 minuto, e a duração é estimada entre 30 minutos e 1 hora.

Gel e localização por horas

Para realizar o exame, utiliza se gel de ultrassom como meio de contato entre o transdutor e o olho; o gel é descrito como aquoso. Após o procedimento, o olho pode ficar avermelhado e irritado em decorrência da manipulação e do gel.

A orientação das imagens acompanha referências em horas do relógio: uma alteração superior é descrita às 12 horas. Para localizar o canto medial, a referência depende do olho avaliado: no olho direito, corresponde às 3 horas; no olho esquerdo, às 9 horas. Por isso, a descrição deve especificar qual olho está sendo avaliado e a posição da alteração, distinguindo as referências medial e lateral.

Cortes e orientação do transdutor

O exame pode ser realizado em cortes longitudinais ou transversais, orientados conforme a posição horária. Quando o corte atravessa o centro do olho e o eixo visual, é denominado axial; pode ser horizontal ou vertical. A imagem obtida com o transdutor nessa posição é chamada de imagem axial. Como o olho é arredondado, essa imagem pode ser semelhante nas duas orientações. Um corte longitudinal deslocado do centro é paraxial.

Registre a orientação do marcador do transdutor para reconhecer os lados e a direção representados: nas imagens longitudinais, ele pode ficar dorsal; no corte axial horizontal, medial, conforme a orientação escolhida. No cão e no gato, o nariz pode impedir o corte transversal em determinada posição; nesse caso, pode ser possível obter um corte oblíquo, intermediário entre o longitudinal e o transversal.

Aspecto ultrassonográfico das estruturas normais

Córnea entre linhas ecogênicas

Em uma imagem axial adequada, estruturas como a córnea, as cápsulas do cristalino e a parede posterior podem ser vistas como linhas paralelas. A córnea pode aparecer como duas linhas ecogênicas paralelas. Entre as linhas encontra se o estroma, de aspecto anecoico. O estroma corneano absorve o eco, em vez de refleti lo, comportamento explicado pela organização de suas fibras de colágeno.

Na ultrassonografia convencional, a córnea nem sempre é delineada ou mensurável com precisão. Uma imagem mais detalhada pode ser obtida com UBM; a avaliação da espessura corneana por esse método será retomada adiante.

Contrastes do segmento anterior

No segmento anterior, a câmara anterior fica entre a córnea e a íris; preenchida por humor aquoso, deve ser anecoica. O humor aquoso é um líquido. A íris é ecogênica, mas tende a ser menos definida que a cápsula anterior do cristalino.

As cápsulas anterior e posterior do cristalino formam linhas curvas hiperecoicas, enquanto o interior do cristalino normal é anecoico, conforme a organização de suas fibras. Por isso, alterações ecogênicas nessa estrutura precisam ser descritas e investigadas em relação à posição e à arquitetura do cristalino.

Esclerose nuclear do cristalino

Em cães, o enrijecimento do cristalino relacionado à idade é chamado de esclerose nuclear. É considerada uma alteração normal do envelhecimento, descrita aproximadamente a partir dos sete anos. O cristalino tem núcleo e córtex; na esclerose, pode surgir uma linha hipoecoica entre essas regiões.

A esclerose nuclear pode ser confundida com catarata. A distinção descrita está relacionada à alteração: a catarata corresponde à desorganização das fibras do cristalino.

Avaliação da parede posterior

A parede posterior é avaliada como o complexo retina coroide esclera, que aparece hiperecogênico ao ultrassom. Em geral, retina, coroide e esclera não podem ser diferenciadas entre si; alterações muito acentuadas podem permitir essa distinção.

Observe também que a esclera pode aparecer como uma linha hipoecoica.

Papila e cone óptico

A papila, também chamada de disco óptico, costuma ser difícil de visualizar ao ultrassom, mas pode ficar mais evidente quando há uma alteração. Atrás do bulbo fica a região retrobulbar, também chamada de cone óptico, que contém o nervo óptico e os músculos envolvidos por gordura.

Essa gordura é mais hiperecogênica que os músculos e o nervo óptico. Como reflete mais ecos, pode dificultar a diferenciação entre essas estruturas na imagem.

Reverberação e cauda de cometa

O ultrassom ocular pode apresentar artefatos. Na reverberação, as ondas são refletidas repetidamente entre uma estrutura e o transdutor, formando linhas repetidas. Essas linhas são artefatos, não estruturas verdadeiras.

Outro artefato, menos frequente, é a cauda de cometa, que pode estar associada a um corpo estranho.

Sombra acústica e avaliação

Entre os artefatos oculares mais comuns estão a reverberação e a sombra acústica. Esta pode ocorrer quando uma estrutura reflete muitos ecos e impede que as ondas a atravessem, fazendo com que a região posterior pareça sem conteúdo. Uma estrutura sobreposta também pode produzir um eco que dificulte a visualização da cápsula.

Por isso, achados discrepantes devem ser investigados. A varredura ajuda a avaliar se representam uma alteração real ou um artefato.

Descrição e interpretação de alterações

Descrever antes de concluir

Mesmo quando não se dispõe de equipamento de alta qualidade, ainda é necessário interpretar as estruturas visíveis. Uma imagem pode não ser axial se as camadas não estiverem paralelas ou se as cápsulas do cristalino não forem identificáveis. Ainda assim, pode ser possível reconhecer a córnea, a câmara anterior e conteúdo ecogênico nessa câmara.

Na imagem ultrassonográfica, não foi possível delimitar adequadamente a parede ocular lateral. A imagem apresentou aspecto caótico e foi interpretada como tumor intraocular; ela mostra a câmara anterior preenchida por conteúdo ecogênico. A descrição deve começar pelo aspecto observado — por exemplo, conteúdo anecoico, hipoecoico ou hiperecoico — e por sua localização, distribuição e organização. A conclusão diagnóstica pode vir depois, sem atribuir de imediato uma causa não demonstrada.

Hifema e hipópio no contexto clínico

Conteúdo ecogênico organizado na câmara anterior pode corresponder a hifema, que é a presença de sangue, ou a hipópio, presença de pus ou de conteúdo inflamatório e infeccioso nesse espaço. Um olho avermelhado, por exemplo, é compatível com a suspeita de hifema; a imagem deve ser descrita e interpretada no contexto clínico do paciente.

Um corte focalizado na câmara anterior não representa uma avaliação completa do corpo vítreo. Quando não há evidência de descolamento de retina, pode sugerir que a alteração está concentrada no segmento anterior. Também pode haver alterações concomitantes, como catarata, que devem ser descritas sem extrapolar os limites do corte obtido.

Deslocamento e reabsorção lenticular

Em uma imagem axial, o cristalino pode estar fora de sua posição anatômica sem que o corte deixe de ser axial. Quando há deslocamento parcial, sem que a lente esteja completamente fora de sua posição, trata se de subluxação. O cristalino normal é anecoico; conteúdo ecogênico em seu interior e desorganização das fibras são compatíveis com catarata.

Além do deslocamento, o cristalino pode apresentar tamanho reduzido e cápsula anterior mais achatada. A redução do tamanho indica reabsorção do conteúdo lenticular; o achatamento da cápsula também indica reabsorção do conteúdo lenticular. A combinação de catarata, subluxação e redução do volume pode corresponder a catarata hipermadura em reabsorção. A subluxação pode estar associada ao glaucoma, uma associação clínica que não substitui a descrição ultrassonográfica.

Diabetes e catarata intumescente

O caso apresentado é de um cão Spitz com diabetes. Nesse contexto, o desvio nas vias de metabolização associado à diabetes pode levar à entrada de água no cristalino. Essa água desorganiza as fibras e aumenta o volume da lente, formando a catarata intumescente.

Reabsorção e limite cirúrgico

Após aproximadamente um mês de perda visual e estabilização do quadro diabético, o cristalino estava deslocado e em reabsorção, sem o intumescimento inicial. Durante a reabsorção, o cristalino pode diminuir de tamanho e desencadear inflamação.

A cirurgia descrita remove por sucção o conteúdo hiperecoico da lente e causa inflamação. Para realizá la, a cápsula precisa estar firme; como não apresentava firmeza suficiente naquele momento, a cirurgia não foi considerada viável.

Pontos Dispersos e Diferenciais

Ao ultrassom, podem ser observados pontos hiperecoicos dispersos no vítreo. No segmento posterior, podem ser observados pontos e ecos distribuídos, sem organização linear ou aderência evidente.

Esses pontos e ecos podem corresponder a conteúdo inflamatório ou celularidade. Em um olho muito inflamado, a celularidade pode estar aumentada. Outra possibilidade é um coágulo decorrente de hemorragia.

Hialose e Movimento Ocular

A hialose asteroide é uma degeneração do corpo vítreo associada à idade. A avaliação em tempo real permite verificar se os pontos ecogênicos acompanham o movimento do olho ou permanecem parados enquanto o olho se move.

No caso descrito, os pontos se moviam junto com o olho. Esse comportamento é o achado observado na avaliação dinâmica apresentada.

Registro e Acompanhamento

A alteração vítrea deve ser registrada mesmo quando não for o foco principal do exame. No caso da hialose asteroide, ela geralmente interfere pouco na visão e não costuma causar perda visual, mas requer acompanhamento do paciente.

Ruptura capsular em múltiplos planos

Em outro exame do mesmo paciente com catarata, observou se descontinuidade da cápsula do cristalino e conteúdo ecogênico irregular na câmara anterior. Como esse conteúdo parecia contínuo com o material intralenticular, o achado era compatível com extravasamento associado à ruptura capsular. A posição do cristalino também estava alterada, e a íris parecia aderida a ele. A descrição incluiu ruptura capsular e catarata hipermadura em reabsorção.

A confirmação da descontinuidade exige varredura em diferentes planos. Uma estrutura sobreposta pode produzir ecos e ocultar a cápsula, simulando uma ruptura; por isso, a avaliação não deve depender de uma imagem isolada.

Luxação anterior com sinal de ampulheta

Em um cão com desconforto e dor ocular intensa, foi registrada pressão intraocular de 99, enquanto o valor habitual informado para cães era de até 25. O exame investigou as estruturas internas e mostrou o cristalino deslocado para a região anterior do olho, achado denominado luxação anterior do cristalino. Esse deslocamento da lente para a região anterior do olho corresponde à luxação anterior; como o cristalino ocupava essa região, a câmara anterior não era identificável.

O cristalino apresentava configuração em ampulheta, descrita como característica de catarata. No ultrassom, a lente pode apresentar esse formato com duas projeções triangulares. A catarata foi considerada avançada, sem aspecto de intumescimento e já mais madura. O sinal de ampulheta foi apontado como útil para a conclusão diagnóstica, mas a avaliação do corpo vítreo dependia do corte obtido e não permitia afirmar que todas as demais estruturas estivessem normais.

Descolamento vítreo versus retiniano

Ao avaliar o corpo vítreo, diferencie uma estrutura linear hiperecoica relacionada a outras estruturas de pontos livres. Quando os ecos formam uma linha e não acompanham o movimento ocular, uma possibilidade é o descolamento do vítreo. O corpo vítreo é um gel espesso em contato com a retina; sua degeneração e deslocamento podem produzir uma linha ecogênica.

A distinção entre descolamento vítreo e descolamento de retina pode ser sutil. No caso descrito, a alteração tornava se menos evidente com a redução do ganho, comportamento que favoreceu a suspeita de descolamento vítreo. Já a persistência do sinal após reduzir o ganho foi apresentada como característica que favoreceria o descolamento de retina.

Retina parcialmente descolada

No exame descrito, a retina descolada aparece como uma estrutura linear hiperecogênica. A retina mantém pontos de fixação na papila e na ora serrata, descritas como as últimas regiões a se desprender. Quando ela se afasta da posição, pode surgir um espaço entre a retina e a parede posterior; se o conteúdo atrás da retina for anecoico, não há evidência ultrassonográfica de conteúdo sub retiniano ecogênico naquele corte.

Como o vítreo é um gel, seu deslocamento pode tracionar a retina e contribuir para o descolamento. Quando a retina está deslocada, mas não completamente desprendida, o quadro é descrito como descolamento parcial da retina.

Conteúdo sub retiniano e sinal de gaivota

Se houver conteúdo sob a retina descolada, em vez de um espaço anecoico, devem ser consideradas causas como inflamação ou hemorragia. A causa de base depende da correlação clínica, e o laudo deve registrar a presença de conteúdo sub retiniano e os diferenciais possíveis.

O descolamento total pode produzir o sinal de gaivota, considerado característico. O aspecto observado no exame recebe esse nome, mas esse sinal não está presente em todos os casos. Em quadros crônicos, a retina pode se soltar dos pontos de fixação, dobrar se sobre si mesma e espessar se; sua observação depende da configuração e do estágio da alteração.

Caso infeccioso e conteúdo inflamatório

No caso descrito, a pupila estava dilatada, possivelmente em associação com a perda de visão. O descolamento de retina foi atribuído a uma doença infecciosa e considerado crônico. O conteúdo associado ao descolamento era inflamatório, e não hemorrágico.

Hipertensão e conteúdo hemorrágico

Em gatos, o sangue extravasado dos vasos da retina pode acumular se e causar descolamento. A hipertensão arterial pode provocar esse extravasamento; quando associada a alterações renais, pode estar relacionada a conteúdo hemorrágico no descolamento.

Morfologia da retina descolada

No descolamento crônico descrito, a retina está espessada e provavelmente dobrada sobre si mesma. Junto à retina descolada, os pontos observados provavelmente correspondem a conteúdo inflamatório; a inflamação pode produzir celularidade e hemorragia.

A morfologia varia na retina descrita: ela é mais delgada na parte inferior, mais espessada em outra região e apresenta algum movimento livre.

Alterações retrobulbares e do tamanho ocular

Investigação retrobulbar no coelho

No coelho, a exoftalmia — projeção do olho para fora — levou à investigação da região retrobulbar por ultrassonografia, que mostrou conteúdo provavelmente inflamatório. Esse conteúdo poderia corresponder a um abscesso associado a uma alteração dentária, embora a descrição exata esteja incerta.

No caso, a alteração dentária causou inflamação retrobulbar acompanhada de protrusão do olho. A radiografia identificou conteúdo retrobulbar junto com uma alteração dentária. A dentição dos coelhos precisa de acompanhamento regular, embora a formulação exata dessa recomendação esteja incerta.

O tratamento do paciente foi mencionado como “anotolófilo”, nome que não pode ser identificado com segurança.

Disseminação após procedimento dentário

Em cães, a raiz dentária fica muito próxima do espaço retrobulbar. Como a cavidade oral de pacientes submetidos à limpeza dentária é extremamente contaminada, essa proximidade ajuda a contextualizar o risco durante o procedimento.

Os bloqueios anestésicos geralmente são realizados a partir da cavidade oral em direção superior. Assim, a introdução de material contaminado nessa direção pode transportar bactérias para tecidos superiores. Em um caso, um cão apresentou alteração ocular poucos dias após um procedimento dentário; o procedimento específico e a descrição da alteração estão incertos.

Descrever limites e ecogenicidade

Na avaliação ultrassonográfica de conteúdo retrobulbar, descreva a localização, os limites e a ecogenicidade sem definir uma composição que o exame não permite confirmar. No caso do coelho, o conteúdo ocupava um espaço delimitado e tinha ecogenicidade intermediária, com alguns ecos, em vez de aspecto completamente anecoico. A suspeita de origem odontológica foi formulada pelo conjunto dos achados e motivou a investigação radiográfica.

O exame ultrassonográfico ajudou a identificar uma alteração profunda e orientar a continuidade da avaliação, embora não pudesse caracterizar com certeza a natureza do conteúdo. Na imagem apresentada, é possível identificar a região retrobulbar, o cone e a região da papila. O nervo e os músculos não são bem delimitados porque são envolvidos pela gordura.

Medida elevada e buftalmia

A mensuração do bulbo permite reconhecer aumento de tamanho. No exemplo, o diâmetro medido foi de 2,23 cm, acima do valor aproximado de 2 cm citado como referência geral para cães e gatos. A conclusão foi de aumento do bulbo, compatível com buftalmia.

Também foram descritas alterações na parede posterior e uma linha semelhante à observada na esclerose, porém mais espessada. Ao interpretar a dimensão, considere a variação fisiológica mencionada para a espécie e o paciente, em vez de depender isoladamente de uma medida.

Suspeita tumoral e limites do ultrassom

O paciente apresentava opacidade ocular e úlcera corneana, que impediam a observação das estruturas internas no exame clínico. Apesar de a ultrassonografia não ser ideal na presença da úlcera, ela foi realizada para investigar o conteúdo intraocular que não podia ser visualizado.

A imagem era caótica, com contornos irregulares da parede posterior e da esclera. Não foi possível determinar se a esclera estava acometida ou apenas distendida; assim, o exame sustentou a suspeita de neoplasia intraocular, mas não definiu com segurança a origem nem o tipo tumoral. Não se observou acometimento retrobulbar.

Histopatologia e prognóstico tumoral

Após a remoção do olho, o material foi enviado para exame histopatológico. O resultado informou acometimento do nervo óptico, embora essa alteração não tivesse sido visualizada na imagem ultrassonográfica. A transcrição do diagnóstico tumoral está corrompida, portanto não permite identificar com segurança o tipo histológico.

O possível avanço da neoplasia pelo nervo óptico torna o prognóstico mais reservado: o nervo não pode ser removido integralmente junto com o bulbo, e o tumor poderia avançar em direção ao encéfalo ou ao outro olho. O quadro evoluiu rapidamente entre a primeira avaliação, quando a alteração não era evidente, e o exame realizado alguns dias depois.

Biomicroscopia ultrassônica e outros métodos de imagem

Detalhe anterior com alcance limitado

A biomicroscopia ultrassônica, ou UBM, é uma modalidade de ultrassonografia que utiliza um transdutor e frequências maiores, indicadas na faixa aproximada de 40 a 60 MHz. Na aula, também é referida como “BN”.

Sua penetração é de cerca de 10 mm. Como o comprimento ocular aproximado é de 2 cm, o UBM não mostra o olho inteiro; em contrapartida, produz imagens detalhadas do segmento anterior, incluindo as câmaras anterior e posterior, até aproximadamente a região do cristalino. A aplicação clínica é limitada pelo custo elevado e pela disponibilidade restrita de equipamentos e profissionais, embora tenha utilidade em avaliações específicas.

Drenagem e padrões de glaucoma

Para completar esse percurso, o humor aquoso precisa sair do olho pelo ângulo iridocorneano, localizado entre a íris e a córnea; depois, retorna à circulação. O glaucoma costuma envolver alterações no ângulo de drenagem ou nas trabéculas.

Os padrões se distinguem pela estrutura comprometida: no glaucoma de ângulo fechado, o ângulo está fechado. No glaucoma de ângulo aberto, o ângulo permanece aberto, mas as trabéculas não funcionam adequadamente.

Avaliação pré operatória e complicações

Antes da cirurgia de catarata, o UBM pode ser realizado para avaliar o ângulo iridocorneano. Essa avaliação é relevante porque o glaucoma pós operatório é uma complicação da cirurgia, e um ângulo iridocorneano mais estreito aumenta essa possibilidade.

A inflamação pode elevar a celularidade, que compromete a drenagem do humor aquoso. Quando a drenagem fica comprometida, a pressão intraocular pode aumentar, assim como o tamanho do olho. Em olhos muito inflamados, a celularidade também pode obstruir a drenagem e contribuir para o aumento da pressão intraocular e do tamanho do olho.

Espessura corneana e alterações da íris

Por examinar uma região menor com maior detalhamento, o UBM pode medir a córnea, cuja espessura nem sempre é definida na ultrassonografia convencional. A ultrabiomicroscopia (UBM) provavelmente mostraria a córnea um pouco espessada. No caso de sequestro corneano, o UBM foi empregado para estimar a profundidade da lesão.

O UBM também permite examinar a íris e sua relação com o cristalino. Uma íris aderida ao cristalino caracteriza uma sinéquia posterior. Se a íris deformada impede a passagem do humor aquoso, pode ocorrer abaulamento, denominado íris bombé. Nessa condição, o corpo ciliar continua produzindo humor aquoso, mas a aderência da íris impede sua passagem.

Também foram mostrados cisto de íris e conteúdo que poderia corresponder a material inflamatório ou hemorrágico. Um cisto de íris foi descrito como achado que pode não prejudicar a visão; cistos de íris são comuns e podem ser monitorados, considerando a possibilidade mencionada de glaucoma.

Imagem óssea e avaliação orbital

A escolha entre tomografia e radiografia depende da questão clínica. A tomografia pode auxiliar na avaliação de acometimento ósseo e de estruturas relacionadas à órbita; em um coelho com alteração retrobulbar, foi indicada para complementar a investigação. Em outro exemplo, a imagem mostrava uma estrutura ultrapassando o espaço delimitado pelos ossos orbitários, indicando acometimento ósseo por um nódulo ou tumor.

Quando há suspeita de alteração óssea, a radiografia de crânio também pode servir como avaliação inicial e é descrita como menos dispendiosa que a tomografia, embora o paciente possa precisar de sedação. A interpretação deve considerar o objetivo de cada modalidade e os achados clínicos associados.

Ressonância para tecidos perioculares

A ressonância magnética pode complementar a avaliação de tecidos moles associados ao olho, incluindo estruturas além daquelas bem caracterizadas pela ultrassonografia ocular. Entre os exemplos estão músculos retrobulbares edemaciados, compatíveis com miosite, e a investigação de neoplasias.

Alterações de otite, sobretudo otite interna, também podem causar problemas oftálmicos. Quando essas alterações não são identificadas em outro exame, a ressonância pode contribuir para demonstrar alterações relacionadas aos tecidos envolvidos.

OCT e visualização retiniana

A tomografia de coerência óptica (OCT) permite visualizar, no paciente vivo, diferentes camadas da retina, com aspecto semelhante a uma microscopia das estruturas oculares. OCT significa tomografia de coerência óptica. Seu uso foi associado principalmente a estudos, devido à disponibilidade e ao custo; o método foi descrito como de custo muito elevado.

A OCT também pode avaliar a córnea, embora a visualização da retina tenha sido destacada como particularmente demonstrativa. Diferenciar as camadas pode ajudar a localizar a estrutura acometida em alterações retinianas, como um quadro de cegueira súbita.

Dicas Para Provas

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Em um exame avaliado, deve se registrar também a alteração observada no vítreo.

Reflexão Sion

Luz diante do incerto

Na ultrassonografia ocular, uma linha brilhante pode ser artefato ou descolamento; por isso, é preciso examinar outros planos antes de concluir. Essa cautela nos lembra que reconhecer os limites do que vemos também pede humildade. A fé cristã aponta para Jesus, luz que permanece mesmo diante do que ainda não conseguimos compreender.

A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram.João 1:5

Leia João 1:5 e reflita sobre a luz de Cristo.

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