Sion Academy
Diagnóstico por Imagem do Sistema Gastrointestinal
Lesão focal hepática no ultrassom
Topicos da aula
- Sistema Gastrointestinal
Overview
Leitura Integrada do Sistema Gastrointestinal
A leitura do sistema gastrointestinal começa pelo quadro clínico e pela finalidade da decisão diagnóstica: interpretar sinais inespecíficos por meio da integração entre sinais clínicos, exames laboratoriais, evolução e imagem. A aula percorre as referências anatômicas radiográficas e ultrassonográficas, a avaliação sistemática das alças e a identificação das camadas da parede intestinal. Em seguida, organiza padrões que ajudam a reconhecer processos inflamatórios, neoplasias, enteropatia crônica felina e corpos estranhos, sempre considerando a sobreposição dos achados. A interpretação deve relacionar parede, conteúdo, motilidade, linfonodos e tecidos adjacentes, conduzindo aos próximos passos, como acompanhamento, citologia, biópsia ou intervenção, conforme a estabilidade e a viabilidade intestinal.
Considerações clínicas iniciais
Contexto Clínico Orienta o Diagnóstico
A interpretação dos exames de imagem deve partir do contexto clínico completo, incluindo achados laboratoriais, evolução temporal e necessidades do paciente. Achados como vômito, anorexia, perda de peso e dor abdominal são inespecíficos e podem estar associados a enfermidades renais, hepatobiliares, inflamatórias ou neoplásicas.
Assim, o diagnóstico deve conduzir a uma decisão útil, e não apenas atribuir um nome à doença. A escolha entre citologia, biópsia, acompanhamento ou tratamento conservador depende do benefício esperado, do estado clínico e das possibilidades terapêuticas.
Casos clínicos hepatobiliares
Doença Renal e Lesão Hepática Felina
Um felino de 15 anos, acompanhado há aproximadamente dois anos por doença renal crônica, apresentou hiporexia durante três a quatro dias, anorexia havia um dia, dois episódios de vômito, perda de peso progressiva, desidratação leve e dor abdominal. Diante desse conjunto, a suspeita inicial foi de injúria renal aguda sobreposta à doença renal crônica.
A creatinina havia aumentado de 1,8 para 2,0 mg/dL. Essa variação era pequena e podia representar alteração relacionada à hidratação, pois os intervalos de referência não abrangem toda a variação individual e alguns pacientes renais possuem valores basais próprios.
Hemograma e Tratamento Inicial
O hemograma inicial não apresentava alterações relevantes nas séries vermelha ou branca. Ainda assim, havia 4% de linfócitos reativos; assim, o hemograma do paciente revelou a presença de 4% de linfócitos reativos.
O tratamento inicial foi direcionado aos sinais clínicos, com ondansetrona para o vômito, mirtazapina como estimulante do apetite e analgésico contendo tramadol. O medicamento comercial Síndolor contém tramadol em sua formulação. O Mirtz é o nome comercial de um medicamento estimulante de apetite utilizado em gatos para aumentar a ingestão alimentar. Em pacientes renais, deve se ter cautela com a dose dos medicamentos, podendo ser necessário reduzi la, embora, naquele caso, a dose estivesse próxima do limite considerado seguro; o paciente recebeu prescrição de tramadol para analgesia e foi submetido à triagem diagnóstica com exames complementares.
Linfonodos e Inflamação Intestinal
No exame, foram identificados vários linfonodos jejunais. Os linfonodos jejunais localizam se no mesentério, anatomicamente próximos às alças intestinais. Eles estavam associados a aumento da ecogenicidade do mesentério adjacente, compatível com reação inflamatória. O aumento da ecogenicidade do mesentério ao redor de linfonodos reativos indica paniculite perilinfonodal.
As alças intestinais apresentavam distensão líquida e discreto espessamento. A distensão luminal persistente por fluido ao longo do exame ultrassonográfico é um critério indicativo de inflamação na alça intestinal. Esses achados poderiam representar reação inflamatória, doença intestinal ou reação ao processo neoplásico hepático. A dor abdominal poderia estar relacionada à peritonite regional e à inflamação dos linfonodos, embora o achado isolado permanecesse inespecífico.
Da Persistência à Decisão Diagnóstica
O paciente retornou sem melhora clínica e com diarreia. Diante da ausência de melhora clínica e do surgimento de diarreia, foram indicadas citologia e biópsia hepática e dos linfonodos. Embora o ultrassom não definisse a natureza das lesões, estabeleceu os próximos passos diagnósticos. O diagnóstico veterinário deve orientar os próximos passos clínicos e terapêuticos, com utilidade direta para o paciente.
O responsável optou por tratamento conservador, considerando doença inflamatória intestinal e linfoma. A avaliação da resposta terapêutica ao tratamento pode auxiliar na diferenciação entre processo inflamatório e neoplasia gastrointestinal. O linfoma pode apresentar diferentes padrões no fígado e no intestino, inclusive formação focal hepática e linfadenopatia, havendo sobreposição entre seus achados e os das doenças inflamatórias. A inflamação intestinal associada a linfonodomegalia pode decorrer tanto de linfoma quanto de doença inflamatória intestinal.
Reavaliação Renal Revela Inflamação
Na repetição dos exames, a creatinina estava em 1,7, indicando que a elevação anterior provavelmente se relacionava à desidratação e não a uma agudização renal significativa. O hemograma passou a demonstrar aumento de bastonetes, caracterizando desvio à esquerda. Esse desvio à esquerda, com aumento de bastonetes, indica suspeita de foco infeccioso ou de resposta inflamatória exacerbada. A liberação prematura de bastonetes pela medula óssea ocorre como resposta a processos inflamatórios e infecciosos.
Neste paciente, o desvio à esquerda regenerativo acentuado no leucograma é compatível com um processo inflamatório severo, de provável origem infecciosa. O restante permanecia relativamente preservado. Diante da piora clínica, da diarreia e da ausência de investigação definitiva, foi instituído tratamento com prednisolona, Nutralife, suplemento imunomodulador, probiótico e antibiótico. A prednisolona é um medicamento anti inflamatório esteroidal pertencente à classe dos corticoides. O metronidazol é um fármaco antimicrobiano com ação antibiótica, e o Beneflor é classificado como um suplemento probiótico.
Colestase com Função Hepática Preservada
Na reavaliação posterior, ALT, fosfatase alcalina e GGT estavam aumentadas, com destaque para as enzimas relacionadas à colestase. As enzimas fosfatase alcalina (FA) e gama glutamiltransferase (GGT) elevam se em quadros de colestase, e essa elevação está relacionada a distúrbios e alterações no trânsito do fluxo biliar.
A creatinina permanecia controlada, enquanto albumina e ureia estavam normais. A albumina é produzida pelo fígado, e a ureia resulta do metabolismo hepático da amônia; portanto, a manutenção desses parâmetros indicava preservação funcional relativa. Assim, a função hepática ainda estava preservada, apesar da presença de lesão hepática.
Icterícia e Bilirrubinúria na Urinálise
Na urinálise, relacione o padrão de densidade, a presença de bilirrubinúria e a coloração da urina ao contexto hepatobiliar.
- Soro intensamente ictérico: O soro estava intensamente ictérico, levantando a possibilidade de hemólise ou de doença pós hepática.
- Urinálise: A urinálise demonstrou densidade preservada, sem o padrão esperado para um paciente com doença renal crônica descompensada; também havia bacteriúria intensa e bilirrubinúria.
- Doença renal crônica: Em pacientes com doença renal crônica, a urina habitualmente apresenta densidade reduzida, isostenúrica ou hipostenúrica, e aspecto límpido.
- Bilirrubina urinária: A bilirrubina precisa estar conjugada para alcançar a urina.
- Achado em gatos: Em gatos, a presença de bilirrubina urinária sugere bilirrubinemia conjugada e doença hepatobiliar.
- Colestase: Na colestase, o aumento da bilirrubina conjugada circulante permite que uma fração seja filtrada pelos rins, podendo conferir coloração escura à urina concentrada.
- Coloração da urina: Quando acentuada e associada à urina concentrada, a bilirrubinúria pode conferir coloração esverdeada ou castanho escura à urina.
Radiografia Confirma Hepatomegalia
A radiografia abdominal confirmou a hepatomegalia observada na ultrassonografia. Havia deslocamento dorsal e discretamente caudal do estômago, além da ultrapassagem do fígado em relação ao arco costal. A menor visualização da gordura abdominal também contribuía para a alteração do contorno hepático.
Esse exame é particularmente útil para avaliar o tamanho e o efeito de massa de formações maiores, mas não caracteriza adequadamente sua natureza.
Acompanhamento Muda a Suspeita
Na avaliação seguinte, ALT e fosfatase alcalina haviam diminuído discretamente, mas a GGT dobrara de 7 para 14. Persistiam bastonetes e monocitose. O paciente foi internado e posteriormente submetido à eutanásia. Nesse momento, foi indicada a internação do paciente felino e a passagem de sonda esofágica para suporte.
A evolução mostrou que a suspeita inicial pode mudar durante o acompanhamento, tornando os exames seriados essenciais. Um exame realizado aproximadamente um ano antes mostrava a mesma formação com cerca de metade do tamanho atual; no laudo ultrassonográfico, a alteração havia sido classificada como hiperplasia ou lesão de natureza benigna. Embora lesões benignas também possam crescer, o aumento progressivo, especialmente em um paciente idoso, eleva a preocupação com comportamento agressivo.
Acompanhar ou Amostrar a Lesão
Em uma formação hepática acessível, a citologia pode ser realizada. Porém, quando não há indicação imediata de intervenção, o acompanhamento ultrassonográfico em três meses também pode ser uma conduta apropriada para avaliar sua evolução.
A punção apresenta riscos, como anestesia, sangramento e amostragem inadequada. Se houver crescimento significativo, pode se indicar citologia, biópsia ou cirurgia. Ambas as estratégias são possíveis, e a escolha depende do paciente, do responsável e do impacto que o resultado produzirá na conduta.
Infecção hepatobiliar associada a ferida perineal
Vômitos e Ferida Perineal
Um felino de 10 anos apresentou apatia, dor, claudicação e ferida perineal lambida frequentemente, com desconforto local, apetite irregular, redução da ingestão de água e vômitos esporádicos. O vômito ocasional é comum, mas não deve ser considerado fisiológico sem avaliação do contexto: é preciso investigar sua frequência, relação com a alimentação, presença de tricobezoares, estresse e outros sinais. Entre as causas potenciais de vômitos esporádicos em gatos estão o manejo alimentar, os tricobezoares (bolas de pelo), o estresse e a doença inflamatória intestinal.
O paciente recebeu tramadol e foi submetido a exames complementares para triagem inicial. Na avaliação laboratorial, a ALT (alanina aminotransferase) é um marcador sérico indicativo de lesão hepática, enquanto o exame de glicemia é utilizado para o diagnóstico de diabetes. As alterações morfológicas de neutrófilos tóxicos incluem vacuolização citoplasmática, granulação tóxica e corpúsculos de Döhle.
O acúmulo de gás intraluminal ou na parede da vesícula biliar em pequenos animais decorre de infecção por bactérias produtoras de gás. Na colecistite enfisematosa, o processo inflamatório e infeccioso provoca estase biliar significativa, justificando a elevação da enzima GGT.
GGT Elevada e Leucograma Inflamatório
Na avaliação laboratorial, a ALT e a fosfatase alcalina estavam normais, mas a GGT estava aumentada, sugerindo colestase. No paciente felino, essa elevação da GGT, associada aos valores normais de ALT e fosfatase alcalina (FA), indica colestase e é explicada pela estase e pela infecção biliar importante. Em gatos, a GGT é mais útil do que a fosfatase alcalina para a avaliação hepatobiliar.
A creatinina, a ureia e os demais parâmetros bioquímicos estavam preservados. Os exames bioquímicos do felino demonstraram níveis normais de ureia e creatinina, com discreta elevação na concentração de proteína total. O hemograma era mais preocupante do que o do caso anterior, com leucocitose, numerosos precursores granulocíticos, bastonetes e neutrófilos tóxicos.
A presença marcante de formas imaturas no leucograma, incluindo mielócitos, metamielócitos e bastonetes aumentados, indica intenso consumo periférico de neutrófilos com resposta da medula óssea. A presença de 35% de neutrófilos tóxicos indicava processo inflamatório ou infeccioso intenso.
Cultura Confirma Infecção Cutânea
A ferida perineal era extensa, e o exame microbiológico por swab da ferida perineal do felino revelou crescimento profuso de bactérias do gênero Staphylococcus. Esse achado confirmou a infecção cutânea, que explicava a intensa resposta inflamatória sistêmica.
O paciente foi submetido a manejo cirúrgico da ferida, com anestesia e desbridamento. Após o procedimento, houve redução dos bastonetes, desaparecimento dos metamielócitos e diminuição dos neutrófilos tóxicos de 35% para 5%, embora ainda persistisse leucocitose por neutrofilia.
Papila Duodenal na Infecção Hepatobiliar
O duodeno estava relacionado ao fígado e à vesícula biliar. Nessa região, a estrutura identificada correspondia à papila duodenal, que se encontrava aumentada e inflamada quando comparada à papila normal.
A presença de gás na vesícula, associada à inflamação das vias biliares, incluindo a região papilar, e ao aumento da GGT, indicava infecção hepatobiliar. Havia inflamação das vias biliares, mesmo sem dilatação importante dos ductos. Para explicar a origem, considerou se a possibilidade de infecção ascendente ou disseminação hematógena.
Primeiros sinais de resposta
Após o manejo da ferida, o ultrassom de acompanhamento mostrou desaparecimento do gás na vesícula biliar, embora a papila duodenal ainda permanecesse inflamada. No hemograma, os neutrófilos tóxicos reduziram de 35% para 5%.
Em 01/12, persistia leucocitose por neutrofilia, mas havia melhora na contagem de bastonetes. Após a cirurgia da ferida, os metamielócitos desapareceram, compondo os primeiros sinais laboratoriais de resposta ao tratamento.
Persistência e interpretação papilar
Apesar da melhora hematológica, o exame de 08/12 registrou espessamento persistente da papila duodenal. Ainda assim, houve progressão positiva dos achados em relação ao dia 03/12, compatível com evolução clínica favorável.
Essa alteração foi interpretada como aspecto de granuloma crônico ou, com menor probabilidade, processo neoplásico. A interpretação deve considerar que colangite e inflamação podem causar distensão crônica das vias biliares e da papila duodenal.
Resolução inflamatória e reintervenção
Em retorno tardio, a papila duodenal estava normalizada, acompanhada de melhora clínica e redução da GGT após o tratamento da ferida. Essa melhora clínica e ultrassonográfica foi confirmada em reavaliação realizada no ano seguinte, reforçando a natureza inflamatória do processo.
Entretanto, a ferida não cicatrizou adequadamente e exigiu nova intervenção cirúrgica, apesar da realização de cultura, antibiograma e cirurgia prévia.
Ferida Persistente Sugere Diabetes
A dificuldade de cicatrização levou à investigação de uma doença sistêmica, identificando se diabetes mellitus. A hiperglicemia pode predispor a infecções e comprometer a cicatrização. Feridas de cicatrização difícil e com predisposição a infecções devem levantar suspeita clínica de diabetes mellitus. Em pacientes com feridas complexas, recorrentes ou resistentes ao tratamento, deve se considerar a possibilidade de diabetes mellitus. O paciente felino foi identificado como diabético e recebia administração de insulina. O diabetes mellitus acomete e causa danos à vesícula biliar. As manifestações observadas no fígado, na vesícula biliar e na pele eram decorrentes de um quadro subjacente de diabetes.
Anatomia radiográfica e ultrassonográfica
Organização e entrada gástrica
A cárdia é a região anatômica de entrada do estômago, localizada na transição com o esôfago. Para reconhecer o estômago na avaliação por imagem, acompanhe suas principais regiões: cárdia, fundo gástrico, corpo gástrico, antro pilórico e as curvaturas menor e maior.
A avaliação gástrica completa deve seguir a continuidade anatômica desde a transição esofágica, passando por cárdia, fundo, corpo e antro pilórico, até o canal pilórico e o esfíncter do píloro.
Saída gástrica e trajeto duodenal
Na sequência distal ao estômago, o piloro corresponde à região de transição e saída e continua com o duodeno. Nessa área, o pâncreas localiza se junto à curvatura maior do estômago, ao piloro e ao duodeno, formando relações anatômicas importantes para a orientação do exame.
O duodeno segue lateral e caudalmente pelo lado direito, realiza uma curvatura e continua como jejuno.
Relações topográficas duodenais
O estômago localiza se principalmente à esquerda, mantendo contato com o baço e relação anatômica com o fígado. Logo na saída do estômago, o duodeno estabelece relação anatômica com o fígado.
Na ultrassonografia, na lateral direita do abdômen, o duodeno situa se ventral e adjacente ao rim direito, mantendo contiguidade anatômica com ele; essa adjacência é descrita medial e lateralmente.
Jejuno e íleo na ultrassonografia
O jejuno constitui a maior porção do intestino delgado e corresponde à maior parte das alças visualizadas fora da topografia duodenal. Como não apresenta uma relação anatômica fixa em toda a cavidade, o jejuno é reconhecido pelo padrão de estratificação de suas paredes. Ao final do jejuno, no lado direito do abdômen, encontra se o íleo, que possui parede mais espessa e estratificação parietal diferente, facilitando sua identificação antes da transição para o intestino grosso.
Junções ileocólicas por espécie
A transição entre o íleo e o intestino grosso varia conforme a espécie e se localiza no lado direito do abdômen, na terminação do jejuno e no início do íleo. No cão, são descritas a junção ileocólica e a junção cecocólica. Na junção ileocólica, o íleo se une ao cólon ascendente, formando essa junção. Assim, o íleo desemboca no cólon ascendente. No cão, o ceco se une ao cólon em outra região, de modo que a transição entre o íleo e o intestino grosso ocorre pela junção ileocólica.
No gato, a transição para o intestino grosso é a junção ileocecocólica, pois o íleo, o ceco e o cólon confluem no mesmo óstio. A junção ileocólica ou ileocecocólica localiza se no lado direito do abdômen, na terminação do jejuno e no início do íleo.
Avaliação ultrassonográfica da junção
A junção deve ser identificada em todos os gatos ao exame ultrassonográfico; nos cães, é pesquisada em todos os pacientes, mas pode não ser localizada em todos os exames. Sua avaliação é mais difícil no cão do que no gato devido ao acúmulo frequente de grande quantidade de gás na região. Nos cães, a visualização pode ser facilitada após a defecação ou em casos de diarreia, quando as alças intestinais apresentam maior contração.
No gato, a junção é menor e mais contraída, sendo mais fácil de visualizar. O íleo felino também é mais hiperecogênico, enquanto o íleo canino se assemelha mais ao jejuno. A visualização de linfonodos ileocecais ou ileocólicos é habitual nessa junção e sua avaliação é relevante para detectar alterações inflamatórias ou neoplásicas.
Quando o Abdômen Perde Definição
A definição radiográfica abdominal pode estar reduzida em pacientes muito magros, filhotes, casos de peritonite ou presença de efusão abdominal. A pouca gordura diminui o contraste entre os órgãos e os tecidos moles. Nos filhotes, essa baixa definição ocorre durante a transição da gordura marrom para amarela, com escassez de gordura madura. Já a efusão e a inflamação peritoneal aumentam a radiopacidade dos tecidos moles, ocultando as estruturas. Por isso, é importante diferenciar uma ausência de definição normal, relacionada à conformação corporal, de uma perda de definição adquirida.
Ao ultrassom abdominal, o líquido livre anecoico sugere transudato, associado a perda proteica, congestão ou inflamação, enquanto exsudatos em processos infecciosos ou fibrinoinflamatórios tendem a apresentar maior ecogenicidade. O líquido livre na cavidade peritoneal apresenta distribuição entremeada entre as estruturas, diferindo da conformação compartimentada da bexiga.
Localização e identificação do ceco
O ceco localiza se no lado direito do abdômen. Nos gatos, está na extremidade do cólon ascendente, próximo à junção com o íleo e caudal às costelas. Na radiografia, o ceco pode assumir formato de vírgula. Ao ultrassom, apresenta fundo de saco cego, sem continuidade luminal, enquanto o íleo e o cólon mantêm continuidade anatômica.
No gato, pode ter aspecto semelhante a uma couve flor, com ecogenicidade reduzida e estrias correspondentes à estratificação normal. A transição entre cólon e ceco é difícil de delimitar, mas a extremidade hipoecoica ajuda a reconhecê lo.
Função e implicações clínicas
O ceco funciona como câmara de fermentação e, quando distendido por gás, pode assumir conformação de vírgula ou arredondada. Essa região e seus óstios de transição são pontos frequentes de obstrução por corpos estranhos, devido ao afunilamento do lúmen intestinal.
A inflamação do ceco recebe o nome de tiflite.
Linfonodos ileocólicos ao ultrassom
- Linfonodos ileocólicos: Na região ileocecocólica, são estruturas circunscritas, com início, meio e fim, sem continuidade luminal ao ultrassom, diferentemente do trato intestinal.
- Localização e inflamação: Os linfonodos ileocólicos situam se na região ileocecocólica e podem aumentar de volume em quadros inflamatórios.
- Aspecto ultrassonográfico: Ao exame ultrassonográfico, aparecem como estruturas anatômicas ovaladas e hipoecoicas.
Referências e achados à esquerda
A anatomia gástrica orienta a leitura da radiografia: o píloro situa se à direita, enquanto o fundo do estômago fica à esquerda e em posição mais dorsal. No decúbito lateral esquerdo, o lado esquerdo do paciente apoia se diretamente sobre a mesa de exame. O gás desloca se para o lado direito, distendendo o píloro, enquanto o fundo permanece com maior conteúdo de fluido e contornos menos definidos. Nesse posicionamento, as cruras diafragmáticas cruzam se, formando um padrão semelhante à letra Y.
Contraste e cautelas à direita
No decúbito lateral direito, o gás gástrico desloca se para o fundo do estômago. Já o acúmulo de fluido no píloro pode simular um efeito de massa, enquanto as cruras diafragmáticas dispõem se paralelamente. Na avaliação da lateralidade, o deslocamento contralateral do cólon descendente pode representar erro na marcação da lateralidade ou deslocamento anatômico real do órgão.
Roteiro Sistemático do Exame Intestinal
Siga uma sequência padronizada para transformar a varredura intestinal em um exame completo e reprodutível.
- Etapa: Padronize o método: a avaliação ultrassonográfica do intestino deve seguir um método padronizado.
- Etapa: Garanta a extensão examinada: para o jejuno, essa padronização metodológica é necessária para assegurar a visualização de toda a sua extensão.
- Etapa: Reconheça a limitação do ultrassom: não é possível acompanhar cada alça do início ao fim com a mesma facilidade da tomografia.
- Etapa: Escolha a divisão em dois campos: o paciente pode ser dividido em dois campos, examinando se cada lado nos planos longitudinal e transversal.
- Etapa: Use a divisão por quadrantes: outra possibilidade é dividir o paciente em quatro regiões.
- Etapa: Varra cada quadrante: na divisão por quadrantes abdominais, o trato gastrointestinal deve ser examinado nos planos longitudinal e transversal, incluindo estômago, duodeno, jejuno e segmentos do cólon.
- Etapa: Reduza áreas não examinadas: como não é possível acompanhar cada alça do início ao fim com a mesma facilidade da tomografia, a sistematização reduz o risco de áreas não examinadas.
Estratificação intestinal
Medida Correta das Pregas Gástricas
Na leitura ultrassonográfica, a medida correta depende de separar a parede das pregas. O estômago também apresenta serosa, muscular, submucosa e mucosa, além de pregas gástricas em sua estrutura. Pregas gástricas podem aumentar artificialmente a medida da parede. A espessura deve ser mensurada do lúmen à serosa, sem incluir as pregas. A mucosa gástrica é menos extensa do que a intestinal, pois possui pregas próprias.
No cólon, a parede e a mucosa são delgadas em comparação com o intestino delgado, e a principal função é a absorção de água. O cólon não apresenta uma camada mucosa tão proeminente quanto a do intestino delgado. Ao exame ultrassonográfico, a estratificação das camadas parietais do cólon é mais difícil de visualizar e apresenta menor definição do que a do intestino delgado.
Espessura Ganha Sentido com Contexto
A espessura parietal é importante, mas sua leitura ganha sentido quando integra outros achados. A espessura da parede é importante, mas não deve ser utilizada como critério único. Os valores de referência normais da espessura parietal gastrointestinal variam conforme o peso corpóreo do paciente. Em cães com mais de 30 kg, a média pode ser de 4,4 mm, com variação aproximada de 4 a 6 mm. Esses valores de referência variam com o porte, podendo alcançar cerca de 0,6 cm em cães de médio a grande porte.
Considerar a espessura da parede como fator único pode levar a superinterpretações ou à não identificação de alterações gastrointestinais. Alterações intestinais podem ocorrer sem espessamento, manifestando se por outros achados ultrassonográficos anormais. Na avaliação ultrassonográfica do estômago, o conteúdo intraluminal deve ser analisado junto com a espessura e a estratificação parietal. A interpretação deve integrar espessura, estratificação, conteúdo, motilidade, linfonodos e tecidos adjacentes. Quando os demais parâmetros permanecem normais, a presença de espessamento parietal isolado é menos frequente no intestino.
Como Medir a Parede Intestinal
A técnica de mensuração começa pela exclusão do conteúdo luminal. A mensuração deve excluir o conteúdo luminal. Em alças distendidas por líquido, não se deve medir desde o centro do lúmen, pois isso incluiria a distensão. É necessário identificar a interface lúmen mucosa e medir a parede até a serosa.
Para obter uma medida representativa, a área escolhida deve apresentar lúmen relativamente uniforme e menor movimentação, permitindo que a medida represente melhor o contexto geral da alça.
Aspectos ultrassonográficos normais
Padrões do Conteúdo Gástrico
Condições de visualização gástrica
Quando o estômago se encontra contraído e sem conteúdo intraluminal, observa se melhor definição das pregas gástricas, que produzem um aspecto semelhante a uma roda de carroça. Após a alimentação, o conteúdo torna se heterogêneo, denso e hiperecogênico, com focos de gás e sombra acústica.
O excesso de alimento pode impedir a avaliação adequada de toda a parede gástrica. A presença de gás no trato gastrintestinal é fisiológica e não representa necessariamente uma patologia.
Aspectos Normais do Cólon
Referências ultrassonográficas do cólon
O cólon pode estar contraído durante a avaliação, especialmente após a defecação, quando esse achado pode ser fisiológico. Em corte transversal, o cólon contraído apresenta padrão parietal rugoso e grosseiro, semelhante a uma roda de carroça. A espessura e a conformação da parede variam conforme o paciente tenha defecado recentemente ou não.
Quando preenchido por fezes, o cólon mostra uma interface parietal muito pequena, e o conteúdo gasoso subsequente produz sombra acústica posterior. Como referências, a espessura parietal normal do cólon é de aproximadamente 0,15 cm, a espessura da parede do ceco no gato varia entre 0,2 cm e 0,4 cm, a parede intestinal normal em felinos pode atingir 0,22 a 0,24 cm, e 0,25 cm é considerada suspeita.
Estratificação Intestinal e Íleo
Leitura estratificada e alcance da parede
Na avaliação ultrassonográfica normal, é obrigatório identificar e preservar todas as camadas da estratificação parietal intestinal. Em felinos, a espessura normal da parede intestinal pode atingir 0,22 a 0,24 cm.
O íleo apresenta parede mais grosseira; suas camadas mucosa e submucosa ficam justapostas, com submucosa espessa, hiperecogênica e predominante pela maior concentração de tecido linfoide e células de defesa. Os linfonodos são estruturas ovaladas com começo, meio e fim ao exame ultrassonográfico.
A ecoendoscopia geralmente alcança cerca de 2 milímetros na parede gástrica, enquanto a biópsia endoscópica obtém fragmentos da mucosa e, conforme a região, de parte da submucosa.
Preparo de Jejum para Ultrassom
O preparo deve equilibrar a redução do conteúdo e do gás com a situação clínica do paciente.
- Objetivo do jejum: O jejum prévio é essencial na suspeita de afecções gastrointestinais para evitar a perda de visualização de estruturas, alterações parietais e corpos estranhos.
- Intervalo habitual: O jejum habitual recomendado é de aproximadamente seis horas, embora intervalos entre seis e oito horas sejam utilizados.
- Volume alimentar: A ingestão de grandes volumes de alimento fornecidos imediatamente antes do período de jejum retarda o esvaziamento gástrico.
- Jejum prolongado: Jejum prolongado pode aumentar a fermentação e a quantidade de gás, sobretudo em cães ansiosos.
- Alimento antes do exame: Em algumas situações, pode ser preferível oferecer alimento pastoso e líquido duas a quatro horas antes do exame.
- Redução de gás: O fornecimento de alimento pastoso ou ração umedecida cerca de duas a quatro horas antes do ultrassom pode facilitar a avaliação estomacal ao reduzir a presença de gás intraluminal.
- Curvaturas gástricas: A presença de alimento pastoso e digerido em pequena quantidade facilita a individualização ultrassonográfica das curvaturas maior e menor do estômago.
- Corpo estranho sem obstrução: Para acompanhamento de corpo estranho gástrico sem sinais obstrutivos, o intervalo pode ser ampliado para oito, 12 ou até 24 horas, conforme a situação clínica.
- Verificação da progressão: Nesse contexto, indica se um jejum mais prolongado, de oito a 12 horas, para verificar se houve a progressão do corpo estranho e o esvaziamento gástrico.
- Vômitos ou suspeita de obstrução: Em pacientes que vomitam ou apresentam suspeita de obstrução, o jejum deve ser adaptado.
Reposicionamento para Vencer o Gás
O gás intraluminal gástrico aparece como linhas paralelas hiperecoicas com artefato de reverberação. Quando o estômago está excessivamente distendido, a parede e as estruturas profundas ficam limitadas à avaliação; no intestino, a reverberação pode impedir a individualização das estruturas situadas profundamente ao gás. Redução da motilidade intestinal, aerofagia ou grande quantidade de gás também prejudicam a qualidade e a visualização do exame.
Para melhorar a janela acústica, a mudança de decúbito desloca o gás para porções superiores, não dependentes, e pode melhorar a visualização. O paciente pode ser examinado em decúbito lateral direito, lateral esquerdo ou em estação, com o transdutor na região dependente. O balotamento manual realizado pelo examinador não é suficiente para promover o deslocamento de grandes acúmulos de gás gástrico. Ao posicionar o paciente em decúbito lateral direito para avaliar o lado direito, o gás gástrico tende a subir para o lado esquerdo, enquanto líquidos e conteúdos mais densos se deslocam para o lado direito, permitindo visualizar estruturas dependentes. Em estação, o conteúdo pesado tende a deslocar se para baixo e o gás para cima, facilitando a identificação de corpos estranhos gástricos, inclusive aqueles não identificados em exames anteriores.
Padrões Próprios do Estômago Felino
No estômago felino, a submucosa gástrica pode ser mais hiperecogênica devido à maior deposição fisiológica de gordura. Quando evidente ao ultrassom, essa visualização é um critério que permite identificar a imagem como sendo de um gato. As pregas gástricas também podem ser mais marcadas.
O estômago contraído pode apresentar configuração semelhante à roda de carroça. Para reconhecer esse padrão, é preciso relacionar a anatomia observada e diferenciar pregas normais, conteúdo intraluminal e alterações da parede.
Líquido Gástrico: Fisiológico ou Estase
Uma pequena quantidade de líquido no estômago pode ser fisiológica, especialmente após ingestão recente de água. Em condições fisiológicas normais, o líquido ingerido costuma ter um trânsito rápido e ser esvaziado prontamente pelo estômago. Além disso, o líquido permite visualizar melhor as camadas da parede gástrica do que grandes quantidades de alimento ou gás.
O significado muda quando há grande quantidade de líquido: isso pode sugerir ingestão excessiva, náusea, retardo do esvaziamento ou estase gástrica. Na ausência de histórico de ingestão recente de água, a presença de quantidade excessiva de líquido intraluminal no estômago sugere retardo do esvaziamento gástrico ou estase gástrica. Pacientes que passaram mal durante o transporte podem apresentar distensão líquida transitória por estase gástrica temporária; sem esse contexto, deve se considerar processo inflamatório ou disfunção da motilidade. A ocorrência de estase gástrica está frequentemente associada a processos inflamatórios no trato gastrointestinal.
Avaliação Rotineira do Piloro
O piloro é uma região de eleição e deve ser avaliado no exame ultrassonográfico normal do estômago. Essa região pode ser sede de obstrução por corpos estranhos, neoplasias ou compressões mecânicas extrínsecas, o que torna sua análise parte essencial do exame.
Na rotina, a região pilórica deve ser avaliada em mais de 95% dos pacientes, e sua visualização ultrassonográfica deve ser alcançada em 95% ou mais dos casos. Dor intensa e excesso de gás podem dificultar a visualização do estômago e do piloro.
Transição Pilórica e Duodeno
Na transição gastroduodenal pelo piloro, observa se a continuidade da mucosa gástrica em direção à mucosa duodenal. O esfíncter ou óstio pilórico apresenta um espessamento parietal fisiológico característico na transição entre o estômago e o duodeno.
O duodeno apresenta mucosa mais evidente e parede ligeiramente mais espessa que a do jejuno. Em comparação, o jejuno apresenta camada mucosa menos evidente ao ultrassom.
Técnica e Limitações da Cárdia
Como a cárdia é uma estrutura muito dorsal, sua avaliação exige compressão com o transdutor. O transdutor é posicionado na região subxifoide, com direcionamento da compressão ao cotovelo esquerdo. Na transição entre a cárdia e o esôfago, o fígado e a interface diafragmática servem como referências anatômicas.
A ultrassonografia permite visibilizar cerca de 1 a 2 centímetros do esôfago terminal, auxiliando na suspeita de neoplasias na base esofágica. Um corpo estranho retido na cárdia pode produzir sombra acústica. A avaliação é factível, mas não em todos os pacientes: a visualização é mais fácil em gatos ou cães de pequeno porte com abdômen flácido e mais difícil em cães de grande porte, devido à limitação de profundidade do feixe acústico e da força de compressão necessária. Por isso, a cárdia é importante no diagnóstico diferencial de neoplasias e corpos estranhos.
Doenças inflamatórias intestinais
Padrão Ultrassonográfico Inflamatório
Na ultrassonografia, o espessamento parietal é o principal parâmetro avaliado nas afecções inflamatórias gastrointestinais. Esse espessamento tende a ser simétrico, extenso e difuso, podendo envolver múltiplos segmentos, com a diferenciação das camadas parietais preservada.
A apresentação mais comum é difusa e com preservação da estratificação parietal. Ainda assim, a inflamação também pode acometer um segmento específico de forma localizada; portanto, a distribuição do espessamento deve ser descrita sem presumir que todo processo inflamatório seja necessariamente disseminado.
Correlação dos Achados Diagnósticos
Os achados de imagem não são patognomônicos; o diagnóstico resulta da correlação entre sinais clínicos, exame físico, exames laboratoriais, ultrassonografia e evolução após o tratamento. Entre os achados associados, o aumento da ecogenicidade da gordura mesentérica ao redor de linfonodos representa esteatite perinodal associada.
A distensão intestinal homogênea e difusa favorece um processo inflamatório em vez de uma obstrução mecânica focal. No hemograma, a alteração mais frequente é leucocitose por neutrofilia acompanhada de linfopenia. Na biópsia, o infiltrado da doença inflamatória intestinal pode ser predominantemente linfoplasmocítico ou eosinofílico, reforçando a necessidade de integrar imagem, dados clínicos, laboratoriais e evolução terapêutica.
Camada Muscular e Diferenciais
A camada mucosa é a que mais frequentemente sofre espessamento nas afecções intestinais. Porém, a camada muscular também pode apresentar espessamento isolado, sem aumento da espessura total da parede. Sua presença ou maior evidência indica processo patológico, mesmo quando a espessura parietal geral não está aumentada. Na doença inflamatória intestinal, esse espessamento muscular isolado pode ocorrer sem espessamento total da parede. Em felinos, não atribua esse achado a uma única causa: considere linfoma e doença inflatória intestinal como diagnósticos diferenciais.
Motilidade Muda Durante a Inflamação
No início da inflamação, a motilidade pode estar aumentada, produzindo borborigmos intensos e conteúdo líquido em movimento. O conteúdo intraluminal torna se predominantemente líquido, acompanhado de disfunção da motilidade intestinal. Com a progressão, pode ocorrer redução da motilidade, retardo do trânsito e distensão das alças.
Por isso, a ausculta abdominal continua importante: deve se observar a presença e a frequência dos movimentos intestinais. Na ausculta física normal do abdômen, preconiza se identificar cerca de três movimentos intestinais em três minutos, com pelo menos uma descarga audível. A ultrassonografia deve registrar se o conteúdo é líquido, se há distensão e se a motilidade está aumentada ou reduzida.
Peritonite, Linfonodos e Mesentério Reativo
A peritonite e o líquido livre são frequentes em processos inflamatórios. Além disso, processos inflamatórios graves do trato gastrointestinal podem evoluir com peritonite importante.
Os linfonodos regionais podem aumentar e tornar se alongados e hipoecogênicos, acompanhados de aumento da ecogenicidade da gordura mesentérica. Essa reação reflete a drenagem do segmento intestinal inflamado. Quando há associação entre espessamento intestinal, linfadenopatia e mesentério reativo, o conjunto favorece um processo inflamatório, embora não exclua neoplasia.
Principais Causas Inflamatórias Intestinais
As causas inflamatórias gastrointestinais formam um espectro amplo, com participação infecciosa, parasitária, alimentar, tóxica e de enteropatias crônicas.
- Doenças virais: Entre as causas inflamatórias encontram se doenças virais, especialmente parvovirose e panleucopenia felina.
- Infecções bacterianas: Podem ser oportunistas e incluem alterações da microbiota, clostridiose e salmonelose.
- Parasitas: Devem ser considerados, principalmente Giardia e helmintos.
- Alergias e intoxicações: Alergias alimentares, enteropatias crônicas, intoxicações por plantas ou medicamentos podem causar afecções gastrointestinais.
- Enteropatias crônicas: Enteropatia com perda proteica, enteropatia responsiva a alimento, enteropatia responsiva a corticoide, doença inflamatória intestinal e linfoma podem integrar o espectro das enteropatias crônicas.
- Linfoma: A doença inflamatória intestinal e o linfoma podem integrar o espectro das enteropatias crônicas.
- Distribuição dos processos: Processos inflamatórios gastrointestinais difusos são comuns em enfermidades virais e parasitárias, acometendo principalmente pacientes jovens.
- Parvovirose felina: Em felinos, a parvovirose corresponde à panleucopenia felina.
Giardíase e Investigação Parasitológica
A giardíase destaca se como uma das principais causas parasitárias de enteropatia inflamatória. Ao exame ultrassonográfico, a infecção por giárdia manifesta se com inflamação difusa e acentuada distensão das alças intestinais e do cólon por conteúdo fluido. Nas doenças parasitárias difusas, podem ocorrer distensão líquida de várias alças e do cólon, compatível com diarreia.
Helminto de maior tamanho pode ser visualizado como estrutura tubular no lúmen. A ausência de visualização não exclui parasitismo. O diagnóstico deve incluir exame de fezes e pesquisa de ovos ou formas parasitárias. A ultrassonografia pode demonstrar o parasita diretamente em algumas situações, mas não substitui os exames coproparasitológicos.
Proteção do Transdutor em Contágio
Na suspeita de doença contagiosa, o transdutor deve ser protegido com plástico filme ou capa apropriada; o gel pode ser aplicado antes e depois da proteção para manter o acoplamento. Após o exame, o transdutor pode ser lavado com água corrente e seco adequadamente. O álcool não deve ser aplicado diretamente na borracha, pois pode danificá la; quando necessário, deve ser utilizado apenas nas partes brancas e rígidas, conforme o material do equipamento.
Espessamento com Mesentério Reativo
Uma alça distendida persistentemente por líquido, com espessamento da parede e aumento da ecogenicidade do mesentério, sugere inflamação. O líquido pode separar as interfaces e produzir uma linha hiperecogênica central. A medida deve ser interpretada conforme o porte do paciente: 0,39 cm pode ser aumentado em um paciente pequeno, mas normal em um cão muito grande. A presença concomitante de distensão, alteração da motilidade e mesentério reativo reforça a interpretação inflamatória.
A esteatite caracteriza se pela inflamação e aumento da ecogenicidade da gordura adjacente à alça intestinal. Assim, os achados ultrassonográficos de processo inflamatório intestinal incluem espessamento da parede, alteração do tecido gorduroso adjacente e perda da estratificação parietal em casos graves.
Quando o Cólon Sugere Colite
O cólon pode apresentar espessamento, mucosa mais ecogênica e conteúdo líquido ou de densidade intermediária. Um cólon contraído pode ser normal, especialmente após a defecação, quando tende a apresentar parede fina e estratificação preservada. Não confunda esse aspecto normal com inflamação: quando o cólon contraído está associado a conteúdo líquido intraluminal, esse achado sugere processo inflamatório.
A presença de parede espessada no cólon, com conteúdo luminal denso, sem formação de sombra acústica e sem fezes formadas, sugere processo inflamatório ( colite ). O espessamento parietal inflamatório do cólon pode resultar no apagamento do pregueamento anatômico característico do órgão, e a história de diarreia ou fezes amolecidas auxilia na interpretação.
Duodeno Espessado e Mucosa Hiperecogênica
O duodeno pode estar espessado, distendido por líquido e apresentar mucosa hiperecogênica. A comparação com um segmento normal evidencia o aumento da ecogenicidade da mucosa intestinal. Esse padrão pode ocorrer em doenças inflamatórias, incluindo enterites linfoplasmocíticas, mas não permite estabelecer sozinho o subtipo histológico. Enterites linfoplasmocitárias tendem a cursar com aumento da ecogenicidade da mucosa intestinal na literatura.
Na avaliação da cavidade, a presença de líquido livre anecoico pode representar transudato. A identificação de líquido livre anecoico sugere perda proteica, processo inflamatório ou congestão, enquanto líquidos mais ecogênicos são mais compatíveis com exsudato inflamatório ou infeccioso.
Estrias Revelam Dilatação Linfática
Na ultrassonografia, a presença de múltiplas estrias hiperecogênicas na mucosa intestinal, dispostas perpendicularmente ao lúmen, indica dilatação de ductos linfáticos. Esses ductos atuam na drenagem da linfa e na absorção de gordura. Em referências mais antigas, esses ductos também são chamados de ductos lacteais ou lactíferos.
A dilatação pode ser fisiológica após a ingestão de alimento, especialmente de alimento gorduroso. A ingestão de leite ou de alimentos ricos em gordura pode promover a distensão dos ductos linfáticos intestinais. Quando persiste em jejum, deve se considerar linfangiectasia, associada a enteropatias crônicas com perda proteica. Em caso de dúvida diagnóstica, a repetição do exame em jejum permite confirmar se o achado era apenas uma alteração fisiológica pós prandial.
Linfangiectasia e Perda de Proteínas
A linfangiectasia corresponde à estase e à dilatação dos vasos linfáticos. Ela pode estar associada à perda proteica intestinal, à redução da absorção e ao acúmulo de líquido na cavidade abdominal. A perda de proteínas diminui a pressão oncótica e favorece o deslocamento de líquido dos capilares para o interstício e para a cavidade abdominal.
A doença é observada com frequência em cães de pequeno porte, incluindo Yorkshire Terrier. Na biópsia, podem ser demonstradas várias estrias brancas na parede intestinal, embora essa alteração nem sempre seja visível macroscopicamente. O diagnóstico conclusivo de linfangiectasia intestinal pode depender exclusivamente da avaliação histopatológica por biópsia.
Corrugamento Indica Parede Inflamada
Nas alças intestinais, o corrugamento consiste no aspecto ondulado da parede intestinal, acometendo principalmente a submucosa e a muscular. É um achado clássico de inflamação, embora possa acometer apenas um segmento. A inflamação e a alteração da motilidade fazem com que a alça se dobre sobre si mesma.
Quando o corrugamento é acompanhado de espessamento, líquido livre e gordura mesentérica hiperecogênica, aumenta a probabilidade de um processo inflamatório. Portanto, o padrão da parede deve ser interpretado junto aos achados associados.
Perda de Estratificação Exige Seguimento
A inflamação costuma preservar a estratificação das camadas parietais, mas processos inflamatórios intensos podem destruir a estratificação das camadas parietais. Em um cão jovem com diarreia, alças espessadas, conteúdo líquido, mesentério hiperecogênico e peritonite, a principal consideração pode ser um processo inflamatório.
A perda de estratificação exige acompanhamento após o tratamento, pois também pode ocorrer em neoplasias. A resposta clínica e a repetição do ultrassom em aproximadamente sete a 14 dias ajudam a diferenciar as possibilidades.
Neoplasias gastrointestinais
Padrão Focal Diferencia Neoplasia
Compare a distribuição da lesão, a estratificação da parede, o conteúdo adjacente, a heterogeneidade e o formato dos linfonodos.
| Padrão ou achado | Características ultrassonográficas | Relação com a distribuição |
|---|---|---|
| Distribuição | Diferentemente dos processos inflamatórios, que tendem a ser difusos, as neoplasias do trato gastrointestinal tendem a apresentar padrão segmentar ou focal. | O espessamento tende a ser segmentar ou focal. |
| Perda de estratificação | Nas neoplasias, a perda de estratificação é mais frequente, especialmente em lesões focais. | O achado é particularmente frequente nas lesões focais. |
| Neoplasia infiltrativa | Embora tumores infiltrativos, como o linfoma de baixo grau, possam ser difusos, o linfoma intestinal é o exemplo clássico de neoplasia difusa do trato intestinal, acometendo principalmente felinos, mas podendo ocorrer em cães. | Padrão difuso pode ocorrer em tumores infiltrativos. |
| Conteúdo adjacente | Líquido ou gás geralmente se acumulam próximos à área afetada. | O acúmulo ocorre junto à região acometida. |
| Aspecto tumoral | Tumores apresentam aspecto heterogêneo ao exame de imagem ultrassonográfico. | A heterogeneidade é um achado ultrassonográfico. |
| Linfonodos regionais | A linfadenopatia regional costuma apresentar linfonodos arredondados. | Há perda da relação normal entre eixo longo e eixo curto. |
Morfologia dos Linfonodos Suspeitos
Na avaliação ultrassonográfica, linfonodos normais são mais alongados, com eixo longo aproximadamente duas vezes maior que o eixo curto. Quando essa relação fisiológica se perde e o linfonodo assume formato arredondado, há maior suspeita de malignidade, embora esse achado isolado não seja definitivo.
A ecogenicidade ajuda a organizar o diferencial: nos processos inflamatórios, os linfonodos tendem a ser hipoecogênicos e homogêneos. Já nos processos neoplásicos, podem tornar se mais heterogêneos e arredondados, acompanhados de aumento da ecogenicidade da gordura adjacente.
Tumores Gastrointestinais Mais Relevantes
Entre os principais tumores gastrointestinais estão linfoma, carcinomas, hiperplasias, pólipos, leiomioma, leiomiossarcoma e tumores estromais gastrointestinais. O linfoma é particularmente frequente em gatos e, em animais jovens, é a neoplasia gastrointestinal mais comum. Ao mesmo tempo, animais jovens, como os de 3 anos de idade, apresentam menor probabilidade de desenvolver neoplasia gastrointestinal.
Na imagem, carcinomas costumam produzir lesões focais mais agressivas. Hiperplasias e pólipos são alterações benignas, mas também podem causar aumento de volume e obstrução. Em cães braquicefálicos, observa se maior prevalência de hiperplasia pilórica; essa alteração benigna pode espessar o piloro em animais jovens e ocasionar obstrução gastrointestinal.
Massas da Cárdia e Tumores Estromais
Leiomiomas e leiomiossarcomas podem surgir na região da cárdia, na transição entre o fundo gástrico e o esôfago. Massas únicas nessa transição frequentemente apresentam comportamento benigno. Em lesões intramurais, leiomiomas, leiomiossarcomas e tumores estromais gastrointestinais podem compor o diferencial, pois a aparência ultrassonográfica não é específica.
O GIST é um tipo de sarcoma derivado das células intersticiais de Cajal. Esses tumores frequentemente exigem imuno histoquímica para confirmação, e o diagnóstico definitivo depende de biópsia e avaliação histopatológica.
Origem Intramural Define a Amostragem
Uma lesão intramural pode originar se da camada muscular e formar uma massa dentro da parede sem se projetar para o lúmen. Nessa situação, a mucosa e a submucosa podem permanecer preservadas, e a endoscopia pode não obter amostra representativa; a biópsia por laparotomia pode ser necessária.
Em outras lesões, a massa acomete mucosa e submucosa e projeta se para o lúmen. Quando a massa se projeta para o lúmen, a endoscopia torna se mais útil para obtenção de fragmentos. Uma lesão intramural da parede gastrointestinal também pode projetar se e comprimir o lúmen por efeito de massa, mantendo a integridade da camada mucosa. A biópsia endoscópica gastrointestinal alcança habitualmente cerca de 2 milímetros de profundidade, amostrando a mucosa e, por vezes, porções da submucosa. Uma massa ou neoplasia pode deslocar o lúmen gástrico por efeito de massa, mantendo a camada mucosa íntegra.
Pregas, Pólipos e Sinais de Alerta
Uma pequena projeção mucosa pode representar pólipo benigno, prega gástrica ou alteração reacional. O uso crônico de omeprazol pode associar se à distensão e ao espessamento das pregas gástricas, por isso o histórico medicamentoso do paciente deve ser considerado na avaliação de espessamentos e outras alterações gástricas.
A presença de uma formação mais heterogênea ou de uma área subsequente com perda da estratificação aumenta a suspeita de neoplasia. Tumores gastrointestinais devem ser submetidos a biópsia quando o resultado puder modificar a conduta.
Rastreando Massa e Obstrução Intestinal
Rastreie a alça intestinal em torno da massa para delimitar a lesão e interpretar seu impacto sobre o trânsito gastrointestinal.
- Etapa: Ao identificar uma massa intestinal, é necessário seguir a alça antes e depois da lesão.
- Etapa: Avalie a extensão, a origem e a existência de distensão líquida anterior, que sugere obstrução.
- Etapa: Reconheça que uma massa pode perder completamente a aparência de alça e transformar se em uma formação irregular.
- Etapa: Considere que Grandes massas em alças intestinais apresentam elevado risco de causar obstrução do trânsito gastrointestinal.
- Etapa: Diferencie a origem da lesão, pois Neoplasias de linfonodos ou do mesentério também podem aderir ou invadir o intestino, dificultando a definição da origem.
Massa Mesentérica Pode Invadir Alças
Uma formação adjacente ao intestino pode preservar a parede intestinal em um segmento e, posteriormente, apresentar continuidade com espessamento da muscular e da serosa. Esse padrão sugere invasão ou aderência e pode gerar dúvida ultrassonográfica sobre a origem primária na alça intestinal. Tumores mesentéricos e linfonodais podem formar massas extensas, aderir a várias alças e exigir ressecção em bloco.
A região linfonodal do mesentério apresenta intensa vascularização, com grandes vasos permeando as estruturas linfáticas. Por isso, a cirurgia pode ser complexa porque essas aderências extensas podem exigir ressecção em bloco, com risco de remoção de grande extensão intestinal e desenvolvimento de síndrome do intestino curto.
Linfoma e enteropatia crônica felina
Camada Muscular na Enteropatia Felina
Em gatos, o linfoma intestinal e a doença inflamatória intestinal frequentemente produzem espessamento da camada muscular. A espessura total pode permanecer dentro do intervalo de referência, enquanto a muscular se torna desproporcionalmente evidente. Assim, a camada muscular pode estar espessada ou proeminente mesmo quando a espessura total da alça permanece dentro do padrão normal de até 0,22 cm, indicando doença intestinal.
Esse espessamento ou proeminência da camada muscular é sugestivo de enteropatia crônica. O achado deve ser interpretado como parte da síndrome denominada enteropatia crônica felina, que engloba principalmente doença inflamatória intestinal, linfoma de baixo grau e enteropatias por perda de proteína.
Imagem Não Separa as Duas Doenças
Na comparação entre linfoma de baixo grau e enterite linfoplasmocítica, os achados clínicos, laboratoriais e ultrassonográficos apresentam ampla sobreposição. Avaliam se a espessura total, a espessura da mucosa, submucosa e muscular, a preservação da estratificação e as características dos linfonodos. Diferenças numéricas pequenas não permitem separar as doenças com segurança.
A imagem deve ser integrada ao histórico e, quando necessário, à amostragem tecidual. Após a ultrassonografia, a citologia e a biópsia são procedimentos subsequentes indicados para obtenção de diagnóstico definitivo. Na doença inflamatória intestinal, a análise histopatológica de fragmento de biópsia permite caracterizar o infiltrado como linfoplasmocítico ou eosinofílico.
Contrastes Clínicos Entre Linfoma e Enterite
A comparação reúne tendências úteis e achados compartilhados entre linfoma e enterite, destacando os limites da interpretação isolada.
| Achado clínico ou de imagem | Tendência associada ao linfoma | Tendência associada à enterite / limite |
|---|---|---|
| Linfonodos | Linfonodos jejunais e ileocólicos arredondados favorecem linfoma, mas não são definitivos. | Alterações nos linfonodos ileocólicos podem ser indicativas de processos inflamatórios crônicos intestinais. |
| Gordura mesentérica | A gordura mesentérica hiperecogênica pode ocorrer em ambas as doenças. | Achado compartilhado pelas duas condições. |
| Polifagia | Polifagia foi descrita com maior frequência no linfoma (cerca de 27% dos casos). | Na enterite linfoplasmocítica, cerca de 5% dos casos. |
| Diarreia e vômitos | Diarreia tende a ser mais observada no linfoma; vômitos ocorreram nos dois grupos e foram discretamente mais associados à enterite. | O vômito é frequente nas duas condições, com discreta associação maior à enterite. |
| Duração dos sinais | A duração dos sinais clínicos tende a ser maior em comparação com a enterite. | Cronologicamente, a duração dos sinais clínicos na enterite tende a ser menor em comparação ao linfoma gastrointestinal. |
| Evolução clínica | — | Melhora após tratamento e recidiva rápida podem favorecer enterite, embora nenhum padrão seja absoluto. |
Nenhum padrão é absoluto.
Hemograma Tem Baixa Discriminação
O hemograma tem baixa capacidade de diferenciação entre linfoma e doença inflamatória intestinal. Neutrofilia é relativamente comum, enquanto neutropenia e leucopenia são menos frequentes. A linfopenia pode ocorrer, especialmente em fases avançadas do linfoma, quando há maior consumo celular. Em estágios avançados do linfoma, o consumo medular e sistêmico pode ocasionar leucopenia e linfopenia acentuadas.
Monocitose e outras alterações não devem ser utilizadas isoladamente para distinguir linfoma de doença inflamatória intestinal. Assim, o hemograma contribui para a avaliação do quadro, mas apresenta limitações importantes na diferenciação entre as duas condições.
Corpos estranhos gastrointestinais
Peritonite Muda o Prognóstico Cirúrgico
A presença de líquido livre e peritonite adjacente piora o prognóstico, pois pode indicar isquemia, comprometimento da viabilidade da alça e necessidade de enterectomia, em vez de simples enterotomia. Associada ao corpo estranho, essa combinação sugere isquemia e inviabilidade da alça intestinal, podendo exigir enterectomia em vez de apenas enterotomia. Gás livre sugere ruptura de órgão ou perfuração. A indicação cirúrgica depende do conjunto de achados, da intensidade dos sinais clínicos, da progressão e da possibilidade de o objeto transitar espontaneamente.
Corpo Gástrico Sem Obstrução
Um corpo estranho gástrico pode produzir sombra acústica mesmo quando não causa obstrução. Quando o excesso de gás gástrico inviabiliza a detecção ultrassonográfica diante da suspeita de corpo estranho, pode se realizar acompanhamento ou, especialmente se o corpo estranho for radiopaco, exame radiográfico. Se o objeto acompanha o conteúdo e não há vômito ou distensão significativa, pode se realizar acompanhamento.
O estudo radiográfico contrastado pode ser utilizado para acompanhar a progressão e o tempo de trânsito gastrointestinal, demonstrando a passagem do conteúdo pelo trato gastrointestinal. Alguns materiais, como alimento compactado ou fragmentos de batata, podem parecer corpos estranhos. A presença de um corpo estranho gastrointestinal não indica obrigatoriamente intervenção cirúrgica imediata; quando não é obstrutivo, pode ser conduzida com acompanhamento clínico.
Contraste Orienta o Acompanhamento
Quando há dúvida sobre obstrução parcial, o contraste pode auxiliar na avaliação do trânsito. Se o contraste percorre o cólon, é possível que o objeto avance e seja eliminado espontaneamente. O acompanhamento deve considerar a estabilidade clínica e a ausência de vômito profuso.
No caso de corpo estranho gástrico, o intervalo para reavaliação ultrassonográfica deve ser encurtado se o paciente apresentar vômito ou houver suspeita de obstrução. A utilização de contraste baritado deve ser evitada quando houver suspeita de ruptura gastrointestinal. Em alguns casos, a observação cuidadosa evita uma cirurgia desnecessária.
Radiografia Procura Achados Além do Foco
A radiografia pode identificar corpos estranhos radiopacos no estômago ou no intestino, como pequenos objetos metálicos ou fragmentos densos. Também pode revelar alterações incidentais, como osteoartrose coxofemoral.
Por isso, a avaliação deve abranger todo o campo radiográfico. Alterações relevantes podem estar na periferia da região inicialmente investigada, incluindo achados de osteoartrose coxofemoral.
Sinais de Obstrução nas Alças
Reconheça os sinais de obstrução e relacione os à decisão de laparotomia exploratória.
- Etapa: Identifique, em um corpo estranho intestinal, a distensão líquida anterior à estrutura e a alteração do calibre das alças, achados que favorecem obstrução.
- Etapa: Observe se a distensão é homogênea ou se forma duas populações de alças, com segmentos finos e segmentos dilatados.
- Etapa: Verifique o empilhamento das alças, que também é um sinal importante.
- Etapa: Defina a indicação de laparotomia exploratória considerando o grau de obstrução, a localização no trato gastrointestinal e a duração do quadro.
Duas Populações Apoiam Obstrução
A dupla população de alças corresponde à presença simultânea de duas populações de alças, uma dilatada e outra de calibre reduzido. Esse padrão pode indicar obstrução completa ou parcial.
O exame contrastado demonstra a progressão do contraste e ajuda a decidir entre intervenção e acompanhamento. Mesmo diante de sinais sugestivos, a conduta deve considerar a ausência de vômito intenso, a estabilidade do paciente e a possibilidade de eliminação espontânea do objeto.
Não Estimule a Motilidade sem Diagnóstico
Na suspeita de obstrução intestinal, não se deve estimular a motilidade intestinal com metoclopramida ou outros fármacos pró cinéticos antes de esclarecer a situação. Controle a dor e acompanhe a evolução: o aumento artificial da motilidade pode agravar a pressão sobre a área obstruída e elevar o risco de lesão ou ruptura intestinal.
Corpos estranhos lineares
Nunca Tracione o Fio Intestinal
Quando um corpo estranho linear é identificado no duodeno ou no início do jejuno, deve se pesquisar o estômago e, se possível, o esôfago cervical e a região sublingual. O fio pode estar preso sob a língua, enquanto o restante se estende pelo trato gastrointestinal; essa informação é essencial para o planejamento cirúrgico. Na remoção cirúrgica, geralmente são feitas aberturas em múltiplos pontos do trato digestivo para cortar e fragmentar o fio. Não se deve tracionar o fio pelo intestino, pois ele pode estar ancorado e provocar cortes ou perfurações.
Fio Linear Pode Perfurar o Intestino
Progressão e cirurgia
O fio pode atravessar as camadas intestinais, permanecer junto à serosa e produzir lesão crônica. Em casos crônicos de corpo estranho linear, o fio pode perfurar o intestino, exteriorizar se para a camada serosa e causar destruição tecidual acentuada. Em casos prolongados, pode ser necessária enterectomia de todo o segmento comprometido.
Corpos estranhos lineares geralmente produzem menos distensão do que objetos sólidos, mas podem causar inflamação intensa, plicatura, isquemia e perfuração. A gravidade depende do tempo de permanência e do grau de lesão da parede.
Gás Livre Após Trauma é Urgência
Traumas por mordedura podem provocar lesão ou ruptura intestinal sem causar perfuração ou descontinuidade visível na pele. A pele pode resistir à mordida enquanto o intestino sofre perfuração ou hematoma. Se um filhote piorar dois ou três dias depois, com gás livre na cavidade abdominal e sem feridas externas, suspeite de perfuração gastrointestinal e providencie avaliação imediata.
Dicas Para Provas
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
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| Em questões de prova, a imagem de massa na região lateral direita, caudal e ventral ao fígado, é abordada como pegadinha radiográfica referente ao acúmulo de fluido no píloro. |
| Ao exame ultrassonográfico, o estômago contraído e sem conteúdo intraluminal apresenta aspecto semelhante a uma roda de carroça devido à conformação das pregas gástricas. |
Reflexão Sion
Ver além do achado
Na imagem, reconhecer uma lesão e acompanhar sua evolução orienta os próximos passos, mas citologia ou biópsia podem ser necessárias para revelar sua natureza. Assim também, sinais visíveis da vida não contam toda a história: precisamos buscar a verdade com cuidado e humildade. Jesus se apresenta como a verdade que conduz ao Pai e oferece esperança além do que nossos olhos conseguem confirmar.
Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.João 14:6
Leia: quando o achado pede mais que um nome.