Sion Academy

MedVet7 PeríodoDoenças das Aves DomésticasP1

Aula 07 e 09 Influenza Aviária: contexto, mecanismos e controle

Rotas migratórias e risco sanitário

Duracao: 33 min

Topicos da aula

  • Influenza Aviária

Overview

Panorama sanitário da influenza aviária

A influenza aviária é uma enfermidade de grande importância sanitária e permanece associada, no Brasil, a um estado de emergência zoossanitária mantido pela detecção de vírus de alta patogenicidade em aves migratórias, embora não haja registro no plantel avícola comercial. As aves aquáticas migratórias funcionam como reservatórios naturais e conectam diferentes regiões por rotas que alcançam áreas costeiras e de produção. Nesse cenário, o contato com aves silvestres, água, resíduos, roedores e outros fômites amplia o risco, tornando a biosseguridade, a vigilância e a notificação imediata essenciais. Como os sinais podem se confundir com os da doença de Newcastle, a confirmação depende de investigação laboratorial. A compreensão do vírus, de sua patogenicidade e de seu potencial pandêmico sustenta uma abordagem de Saúde Única.

Importância sanitária e contexto epidemiológico

Emergência sanitária brasileira

A influenza aviária constitui enfermidade de grande importância sanitária. A influenza representa uma questão de saúde pública de grande importância. No Brasil, permanece vigente um estado de emergência sanitária iniciado em 2023, prorrogado sucessivamente em períodos de 180 dias. O Brasil permanece em estado de emergência zoossanitária devido à detecção de influenza aviária, em vigor continuamente desde maio de 2023.

O serviço de defesa sanitária tem detectado a presença de aves migratórias portadoras do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade no território brasileiro. O Brasil não apresenta registros de casos de influenza aviária no plantel da produção avícola comercial. A última portaria mencionada foi publicada em 25 de março, com previsão de nova prorrogação em setembro. A presença de aves migratórias infectadas mantém o risco de introdução e disseminação do agente.

Newcastle no diagnóstico diferencial

A influenza aviária e a doença de Newcastle apresentam quadro clínico e características muito semelhantes entre si. Diante da suspeita de uma delas, deve se considerar simultaneamente a possibilidade da outra, sendo necessário realizar diagnóstico diferencial.

A confirmação depende da coleta de amostras, seguida de isolamento viral, diagnóstico molecular e sequenciamento. Em 2024, houve foco de doença de Newcastle e, no ano seguinte, foco de influenza aviária no Rio Grande do Sul, incluindo ocorrência em produção avícola industrial e em zoológico de Sapucaia do Sul. Os focos de doença de Newcastle e de influenza aviária no Rio Grande do Sul ocorreram na avicultura industrial de produção.

Aves urbanas e falhas de biosseguridade

Zoológicos e outros ambientes com animais podem apresentar maior dificuldade de controle do contato com aves silvestres e urbanas. Pavões, patos, aves mantidas soltas, pombas e outras espécies podem circular livremente e ter acesso a alimentos deixados no solo. Essa prática favorece a aproximação de animais silvestres e sinantrópicos, constituindo falha de biosseguridade.

A oferta de restos de alimentos, frutas ou outros materiais deve ser realizada de modo a impedir o acesso de roedores e aves, especialmente em locais com circulação de animais.

Roedores e contaminação nas granjas

A presença de roedores em granjas de produção avícola representa um grave problema sanitário e deve ser combatida por medidas de biosseguridade. Esses animais podem transportar agentes infecciosos e contaminar alimentos, água, superfícies e ambientes de criação. Assim, atuam como vetores e reservatórios de múltiplos patógenos de importância sanitária, incluindo Salmonella e Leptospira.

Na avicultura, também atuam como importantes carreadores e transmissores da bactéria Salmonella. Além disso, a reprodução rápida dos roedores amplia a disseminação dos agentes. Em algumas situações, a bactéria Salmonella pode ser transmitida verticalmente da fêmea de roedor para seus filhotes, fazendo com que a prole já nasça infectada.

Aves migratórias e influenza aviária

Aves aquáticas como reservatórios

As aves aquáticas migratórias, especialmente patos, cisnes e gaivotas, são importantes reservatórios naturais e vetores de disseminação da influenza aviária. Essa relação é reconhecida desde 1972, mostrando como essas espécies participam da manutenção e da propagação do vírus.

O vírus que normalmente circula em aves aquáticas e silvestres é de baixa patogenicidade. Nessas cepas, as aves reservatórias permanecem assintomáticas, o que favorece a disseminação contínua.

Rotas que conectam continentes

Como a infecção nas aves reservatórias pode permanecer assintomática, o vírus continua sendo disseminado pelo mundo. As aves aquáticas estão interligadas por rotas migratórias globais, conectando diferentes regiões.

Há rotas migratórias de aves em duas vias entre a costa leste dos Estados Unidos e o litoral do Brasil, além de rotas dos Estados Unidos para a região central brasileira. No litoral, as aves marinhas mantêm contato frequente com aves migratórias, reforçando essa conexão entre regiões.

Mudanças recentes e alcance costeiro

Na panzootia atual, surgiu um quadro inédito: o vírus passou a causar mortalidade expressiva diretamente em aves migratórias e silvestres. Esse achado amplia a importância epidemiológica da circulação viral nesses animais.

No litoral da Bahia, foram detectadas aves migratórias infectadas por vírus da influenza aviária de alta patogenicidade. A circulação em ambientes costeiros também se relaciona ao potencial de infecção de mamíferos marinhos: o vírus Influenza A pode infectar mamíferos marinhos, e o Influenza B é capaz de infectar focas.

Panzootia em mamíferos marinhos

A disseminação atual do vírus também envolve mamíferos marinhos. Em escala internacional, os Estados Unidos enfrentam um quadro de epidemia ou panzootia de influenza aviária, enquanto a China e países do Oriente Médio apresentam grande quantidade de focos de infecção por vírus influenza. O litoral da Argentina e do Rio Grande do Sul registrou alta mortalidade de mamíferos marinhos causada pelo vírus da influenza aviária. O Chile registrou elevada mortalidade de leões marinhos por influenza aviária em decorrência de uma panzootia.

A proximidade entre mamíferos marinhos e aves migratórias no litoral favorece a transmissão entre espécies. Esse cenário é descrito como uma panzootia, termo utilizado para designar a disseminação de uma enfermidade entre populações animais em ampla área geográfica. No contexto da agropecuária e saúde animal, o termo panzootia é a designação técnica adequada para caracterizar uma epidemia de escala global em animais.

Vigilância costeira de aves mortas

Áreas costeiras com presença de aves migratórias infectadas devem ser submetidas à vigilância ativa contínua, sobretudo quando próximas a unidades de produção avícola. Essa proximidade geográfica entre o litoral e áreas de produção avícola industrial exige vigilância ativa constante contra a influenza aviária. A identificação de aves mortas no litoral deve ser seguida de investigação diagnóstica.

Antes da atual situação epidemiológica, a vigilância dependia principalmente da captura de aves vivas para coleta de amostras. Atualmente, a presença de cadáveres de aves migratórias permite identificar alterações epidemiológicas que anteriormente não eram observadas.

Relação com pandemias de influenza

Um tipo viral entre espécies

A influenza humana, suína e aviária pertence ao grupo dos vírus influenza tipo A. Portanto, as apresentações da doença em humanos, suínos e aves são causadas por vírus desse tipo, incluindo o vírus causador da influenza aviária.

A elevada taxa de mutação desses vírus explica a necessidade de vacinação periódica, incluindo a vacinação anual contra a influenza humana.

Pandemias marcantes da influenza

Os vírus influenza estiveram associados a importantes pandemias. A gripe asiática ocorreu em 1957, e a gripe de Hong Kong ocorreu em 1968. Mais tarde, a gripe suína foi registrada em 2009.

Entre esses eventos, a pandemia de influenza de 1918 é considerada a mãe de todas as pandemias da história contemporânea, funcionando como uma referência histórica para compreender o impacto e o potencial de disseminação desses vírus.

Origem e conexão entre hospedeiros

A origem filogenética do H1N1 de 1918 é aviária. O vírus surgiu em aves e sofreu modificações, provavelmente por rearranjo gênico, tornando se capaz de infectar seres humanos. Esse percurso ajuda a entender a conexão entre diferentes hospedeiros.

A influenza humana e a gripe suína estão associadas ao subtipo H1N1. Além disso, os suínos possuem receptores pulmonares compatíveis tanto com o H1N1 humano quanto com o H5N1 aviário. Por esse potencial de circulação e transformação, epidemiologistas e instituições globais como Fiocruz e CDC mantêm alerta constante para o risco de novas pandemias por influenza.

Origem provável da gripe espanhola

A pandemia de 1918 foi causada por um vírus H1N1. Embora tenha ficado conhecida como gripe espanhola, não há indicação de que sua origem tenha ocorrido na Espanha.

A origem provável situava se em algum ponto da Europa, havendo também relatos de surgimento simultâneo na Austrália. Foi levantada a possibilidade de participação de uma ave australiana, mas essa hipótese não foi confirmada devido à insuficiência de amostras.

Guerra e disseminação pandêmica

Durante a Primeira Guerra Mundial, o deslocamento de marinheiros e militares em navios contribuiu para a disseminação internacional do vírus. Como ainda não havia transporte aéreo regular comparável ao atual, a propagação era mais lenta, mas alcançava diferentes regiões quando as embarcações chegavam aos portos. A pandemia prolongou se por aproximadamente três a quatro anos, e estimativas citadas situam o número de mortes entre 50 e 100 milhões.

Mortalidade jovem em contexto demográfico

A pandemia de 1918 foi associada à elevada mortalidade entre pessoas de 20 a 40 anos. Esse dado, porém, precisa ser interpretado no contexto demográfico da época: a expectativa de vida era inferior à atual e havia menor proporção de pessoas idosas. Portanto, a maior mortalidade entre adultos jovens não deve ser vista isoladamente como característica exclusiva do vírus, pois a estrutura etária da população também influenciou os números observados.

Rearranjo da gripe suína de 2009

A pandemia de 2009 foi causada por um vírus H1N1 modificado. O sequenciamento revelou segmentos provenientes de vírus de aves, vírus humano e vírus suíno, composição que resultou de rearranjo genético entre vírus influenza. O suíno apresenta receptores para vírus de origem aviária e humana nas células pulmonares. Se uma mesma célula for infectada simultaneamente por esses vírus, os segmentos de RNA podem ser reorganizados e originar uma nova combinação viral.

Caminho do rearranjo à pandemia

  1. Etapa: Formar um novo vírus em um suíno e considerar sua possível transmissão a seres humanos.
  2. Etapa: Transmitir o novo vírus formado em um suíno a seres humanos; caso adquirisse transmissão sustentada entre pessoas, iniciar uma nova pandemia.
  3. Etapa: Transmitir o vírus às aves, que posteriormente o disseminariam para outras aves e, eventualmente, para seres humanos.
  4. Etapa: Aplicar medidas rigorosas de biosseguridade na produção animal, pois elas contribuem para a proteção da saúde humana e para a prevenção de novos eventos pandêmicos.

Características gerais do vírus

Tipos A, B, C e D

Os vírus influenza pertencem à família Orthomyxoviridae. Foram descritos quatro tipos: influenza A, influenza B, influenza C e influenza D. Nessa família, o prefixo 'myxo' faz alusão à afinidade e interação com glicoproteínas presentes no envelope viral.

TipoHospedeiros e evidênciasDistinção principal
AO tipo A infecta aves, mamíferos e seres humanos.Embora haja evidências de infecção em aves para o tipo C, dentre todos os tipos de vírus influenza, apenas o tipo A possui capacidade comprovada de infectar aves.
BO vírus influenza do tipo B infecta seres humanos, suínos e focas, e não há evidência científica de sua infecção ou circulação em aves. Também existem evidências que sugerem infecção pelo vírus influenza B em suínos e bovinos.Infecção ou circulação em aves não demonstrada cientificamente.
CO tipo C infecta seres humanos e suínos; há também evidências em aves.A infecção em aves é baseada em evidências, mas não é capacidade comprovada.
DO tipo D apresenta evidências de infecção em suínos e bovinos, enquanto a infecção humana ainda não está estabelecida com segurança.Infecção humana não estabelecida com segurança.

As evidências de infecção não equivalem necessariamente à capacidade comprovada de infectar aves.

Relevância epidemiológica da influenza A

A influenza A é o tipo diretamente relacionado às aves. O suíno e o ser humano podem ser infectados por diferentes tipos de influenza, o que torna essas espécies importantes para o estudo da evolução viral.

A presença de influenza A em mamíferos marinhos tem relevância epidemiológica, especialmente em regiões costeiras onde ocorre contato frequente com aves migratórias.

Hemaglutinina, neuraminidase e subtipos

As duas principais proteínas de superfície do vírus da influenza são a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N). O vírus é produzido inicialmente com uma hemaglutinina precursora inativada, chamada HA0. Na classificação antigênica, a letra H representa a hemaglutinina, enquanto N representa a neuraminidase.

Para os subtipos classicamente relacionados à influenza aviária, são conhecidos 16 subtipos de hemaglutinina e 9 de neuraminidase, permitindo diversas combinações. Também foram descritos H17 e H18 em morcegos, além de novas formas de neuraminidase; esses subtipos, porém, não constituem o foco principal da influenza aviária discutida. Os subtipos H17 e H18 de hemaglutinina e N10 e N11 de neuraminidase foram detectados em morcegos na Guatemala.

Elementos da nomenclatura viral

A nomenclatura dos vírus influenza reúne o tipo viral, o hospedeiro, o local de isolamento, o número da amostra e o ano de isolamento, além da indicação do subtipo. Quando o hospedeiro não é especificado, considera se que se trata de vírus humano.

Para caracterizar o agente, são necessários o isolamento, o sequenciamento e a determinação dos subtipos de hemaglutinina e neuraminidase. Esses elementos permitem identificar e descrever adequadamente um isolado de influenza aviária.

Coinfecção e troca de segmentos

O rearranjo genético depende da organização segmentada do RNA e pode surgir quando diferentes vírus infectam a mesma célula.

  1. Etapa: Reconheça que a segmentação do RNA aumenta o potencial de rearranjo genético.
  2. Etapa: Um suíno que possua receptores para vírus aviários e humanos pode ser infectado simultaneamente pelos dois agentes.
  3. Etapa: Após a entrada dos dois agentes na mesma célula, os segmentos genômicos podem ser trocados durante a replicação, originando um vírus com nova combinação de características.
  4. Etapa: Considere que esse fenômeno não ocorre obrigatoriamente em toda coinfecção, mas o potencial existe e já foi demonstrado pela pandemia de influenza suína.

Patogenicidade viral

Ativação da Hemaglutinina

A hemaglutinina é produzida inicialmente como HA0, uma forma que precisa sofrer clivagem proteolítica para se tornar funcional, gerando as subunidades HA1 e HA2. As proteases do hospedeiro realizam essa clivagem e permitem a entrada do vírus nas células.

O sítio de clivagem contém uma sequência de aminoácidos usada para diferenciar e classificar subtipos como H5 e H7. Nas cepas de baixa patogenicidade, essa região apresenta apenas dois resíduos de arginina e é compatível com proteases e receptores de células dos sistemas respiratório e digestório. Já as cepas de alta patogenicidade possuem múltiplos aminoácidos básicos no sítio de clivagem.

Receptores de Ácido Siálico

O receptor celular do vírus influenza é uma sialilglicoproteína formada por ácido N acetilneuramínico ligado à galactose por ligação alfa 2,3 ou alfa 2,6. Esses receptores de ácido siálico estão presentes no epitélio respiratório e são específicos das aves, diferindo dos receptores humanos.

A distribuição dos receptores varia entre as espécies: nas aves predomina a ligação alfa 2,3, enquanto nos seres humanos predomina a alfa 2,6. O suíno possui em seu trato respiratório os dois tipos de receptores, expressando tanto alfa 2,3 quanto alfa 2,6.

Evolução Para Alta Patogenicidade

A distinção entre baixa e alta patogenicidade começa pela nomenclatura e segue uma sequência decisória: classificação, possibilidade de mudança e reconhecimento de um caso histórico.

  1. Etapa: Identifique a classificação: LPAI significa influenza aviária de baixa patogenicidade, enquanto HPAI significa influenza aviária de alta patogenicidade.
  2. Etapa: Reconheça a possibilidade de evolução: Uma cepa LPAI pode sofrer mutação e evoluir para alta patogenicidade.
  3. Etapa: Localize o primeiro registro: A primeira observação dessa mudança foi registrada em 1983.
  4. Etapa: Analise o exemplo epidemiológico: No México, em 1993, uma cepa de baixa patogenicidade sofreu mutação ou rearranjo gênico e converteu se em um vírus de alta patogenicidade, com elevada mortalidade em poedeiras e frangos de corte.

Manifestações E Espécies Suscetíveis

Os vírus de alta patogenicidade são caracteristicamente dos subtipos H5 ou H7, e essas cepas provocam infecção e doença sistêmica. Como as células endoteliais dos vasos sanguíneos possuem muitos receptores para o vírus, podem ocorrer hemorragias generalizadas. Aves infectadas apresentam hemorragias disseminadas em todos os tecidos, evidenciando a extensão sistêmica da doença.

A mortalidade é extremamente elevada, independentemente de fatores secundários, e galinhas podem morrer de maneira hiperaguda. Os perus são, em geral, mais suscetíveis que as galinhas, com evolução rápida e doença grave. Nas cepas de baixa patogenicidade, porém, óbitos isolados podem ocorrer quando há imunossupressão concomitante. Em 1966, a cepa H5N9 isolada no Canadá causou alta mortalidade em perus e galinhas, mas não em patos.

Alta versus baixa patogenicidade

O vírus da influenza aviária é categorizado em cepas de alta patogenicidade e cepas de baixa patogenicidade. A diferença na clivagem ajuda a explicar a extensão da doença. O subtipo viral comumente associado à influenza aviária de alta patogenicidade é o H5N1.

AspectoBaixa patogenicidadeAlta patogenicidade
Clivagem
Clivados principalmente por enzimas presentes nas células do trato respiratório e gastrointestinal.
Podem ser clivados por proteases presentes em muitos tecidos.

A identificação da sequência da região de clivagem por análise genética permite classificar a cepa quanto à patogenicidade. Também são analisadas amostras de tecidos coletadas para determinar se a cepa viral envolvida é de alta ou de baixa patogenicidade.

Índice intravenoso de patogenicidade

Para determinar a patogenicidade, pode se realizar um experimento laboratorial denominado índice de patogenicidade intravenosa. O procedimento exige instalações de alto nível de biossegurança e, no Brasil, é realizado em laboratório federal habilitado. A avaliação utiliza aves com aproximadamente seis semanas de idade, que são inoculadas e posteriormente acompanhadas para determinar o índice. A infecção experimental é amplamente utilizada para investigar e compreender a patogenia da infecção viral. Na doença de Newcastle, utiliza se o índice de patogenicidade intracerebral.

Pantropismo e disseminação sistêmica

Nas cepas de alta patogenicidade, o pantropismo viral corresponde à disseminação e ao tropismo por múltiplos tecidos. A afinidade por receptores celulares de praticamente todos os tecidos permite doença sistêmica, com replicação em praticamente todos os tecidos e lesões em múltiplos órgãos vitais. Isso é possível porque a glicoproteína viral pode ser clivada por diversas proteases distribuídas em múltiplos órgãos do hospedeiro, viabilizando a infecção sistêmica.

Lesões hemorrágicas e mortalidade

A disseminação viral nas cepas de alta patogenicidade produz lesões hemorrágicas em múltiplos locais. Essas lesões resultam da capacidade do vírus de se replicar nas células do endotélio vascular e podem manifestar se como hemorragia generalizada na carcaça à abertura da cavidade. O quadro sistêmico está associado a elevada taxa de mortalidade em aves infectadas.

Restrição das cepas de baixa patogenicidade

A maior parte das cepas de influenza aviária é de baixa patogenicidade. Nelas, a afinidade viral restringe se aos receptores das células dos epitélios respiratório e gastrointestinal, e a clivagem viral depende de proteases presentes nas membranas celulares desses tratos. Como consequência, a doença permanece restrita aos sistemas respiratório e gastrointestinal, causando alterações respiratórias e gastrointestinais, sem mortalidade expressiva.

Patogenicidade varia entre espécies

Uma cepa altamente patogênica identificada no Canadá em 1966, relacionada ao subtipo H5, causou doença grave e mortalidade em perus e galinhas, mas não provocou mortalidade nos patos infectados. Esse exemplo mostra que uma cepa classificada como de alta patogenicidade pode apresentar diferente expressão clínica conforme a espécie hospedeira.

Anseriformes, como patos, gansos e marrecos, geralmente permanecem assintomáticos; assim, patos infectados podem comportar se como portadores assintomáticos. Ainda assim, a situação epidemiológica atual também incluiu mortalidade entre aves migratórias.

Resistência ambiental e biosseguridade

Sobrevivência ambiental e confinamento

Por ser envelopado, o vírus influenza não apresenta resistência ambiental extremamente elevada e é sensível a detergentes e desinfetantes adequados. Entretanto, a matéria orgânica pode protegê lo e prolongar sua sobrevivência; por isso, grande quantidade de fezes, secreções, penas, carcaças ou outros resíduos contaminados favorece surtos no ambiente de criação.

Na avicultura, as medidas de biosseguridade visam impedir totalmente o acesso de aves silvestres às instalações de produção. As aves devem ser mantidas confinadas em aviários telados para impedir o contato com aves carreadoras do vírus; esse confinamento é uma medida de biosseguridade em nível de alerta máximo. No Paraná, foi proibida a criação de aves com acesso ao ambiente externo durante o estado de emergência zoossanitária, e é proibida a manutenção de viveiros com aves silvestres ou ornamentais no interior de granjas avícolas comerciais. O manejo sanitário recomendado é o sistema "all in, all out" (todos dentro, todos fora), no qual todas as aves de mesma idade entram e saem juntas do aviário.

Limpeza antes da desinfecção

Siga esta ordem: remova a matéria orgânica antes de aplicar o desinfetante e mantenha o manejo dos resíduos sob controle.

  1. Etapa: Realize primeiro a limpeza, com remoção completa da matéria orgânica.
  2. Etapa: Aplique a desinfecção somente depois. Assim, a limpeza física e a remoção da matéria orgânica devem preceder a desinfecção. A aplicação de desinfetantes sobre superfícies cobertas por resíduos orgânicos reduz sua eficácia.
  3. Etapa: Considere o mesmo princípio para o vírus da doença de Newcastle. O manejo adequado dos resíduos é indispensável para impedir a manutenção do agente no ambiente.

Temperatura prolonga a sobrevivência viral

A temperatura influencia diretamente a persistência ambiental: Quanto menor a temperatura, maior tende a ser o período de sobrevivência. Essa característica explica a preocupação com o transporte e a exportação de carcaças ou produtos avícolas congelados durante um surto.

Material ou condiçãoTemperatura ou estadoSobrevivência viral
Água contaminada
O vírus sobrevive por aproximadamente 105 dias em água contaminada.
Carcaças
Temperatura ambiente
Em carcaças mantidas à temperatura ambiente, pode permanecer viável por alguns dias; a 4 °C, por aproximadamente 23 dias; e, em material congelado, por tempo indefinido.
Carcaças
4 °C
Por aproximadamente 23 dias.
Material congelado
Congelado
Por tempo indefinido.

O vírus da influenza aviária sobrevive bem ao congelamento, o que justifica o embargo à exportação de carne e carcaças congeladas de frango durante surtos.

Destino seguro dos resíduos contaminados

A matéria orgânica contaminada de uma granja — incluindo fezes, resíduos e carcaças — deve permanecer dentro da propriedade. O transporte de material orgânico contaminado representa uma via de transmissão indireta da influenza aviária.

Fezes, resíduos, carcaças e demais materiais potencialmente contaminados devem permanecer dentro da propriedade e ser submetidos a destinação segura, como enterramento ou incineração. Para viabilizar esse manejo, a granja avícola deve dispor de espaço físico destinado à incineração e ao manejo adequado de sua matéria orgânica, além de estrutura e procedimentos que impeçam a disseminação do vírus.

Epidemiologia e transmissão

Excreção viral em aves aquáticas

Nas aves aquáticas migratórias, as cepas de baixa patogenicidade replicam se no epitélio do trato gastrointestinal e são eliminadas pelas fezes. As aves aquáticas e silvestres reservatórias são caracteristicamente assintomáticas para a infecção pelo vírus da influenza aviária; essa permanência, com eliminação viral contínua, representa uma estratégia evolutiva para sua excreção e disseminação.

A vigilância pode utilizar suabes cloacais, fezes frescas e amostras de água onde as aves permanecem, e não é necessário sacrificar a ave selvagem para realizar a coleta. A água contaminada também pode funcionar como amostra diagnóstica e como fonte de infecção para outras aves. Em particular, a água parada em tanques de criação de patos ou aves de fundo de quintal atua como fonte de contaminação pelo vírus da influenza aviária.

Contato direto entre aves

A influenza aviária é transmitida predominantemente de forma horizontal e é altamente contagiosa. Os surtos geralmente envolvem contato direto ou indireto com aves domésticas, como galinhas e perus.

Na transmissão horizontal direta, aves entram em contato entre si, incluindo a passagem do vírus de aves silvestres, aquáticas ou migratórias para aves domésticas e peridomiciliares. Não há transmissão vertical comprovada.

Fômites e vias de entrada

A transmissão indireta ocorre pelo contato com fômites contaminados, pessoas, água, alimentos, roedores e outros animais. A água também pode atuar como fômite. O vírus é eliminado e encontrado nas secreções respiratórias e nas fezes das aves.

Como a influenza aviária tem alta contagiosidade, sua disseminação é favorecida por partículas presentes nas secreções respiratórias e nas fezes. A principal porta de entrada no novo hospedeiro é o trato respiratório, embora a transmissão horizontal também ocorra pela via oro fecal.

Transmissão vertical ainda controversa

A transmissão vertical do vírus não é considerada estabelecida, embora tenha sido relatado isolamento do vírus no sêmen de aves e na superfície da casca dos ovos, especialmente em infecções por cepas de alta patogenicidade. A possibilidade de transmissão por essa via permanece controversa. Por precaução, ovos provenientes de lotes afetados podem ser destruídos e incinerados, evitando que sejam incubados e distribuídos como pintinhos para diferentes regiões.

Rastreamento e destruição de ovos

Em um foco ocorrido no Rio Grande do Sul, acompanhe o caminho dos ovos férteis desde o matrizeiro até a contenção da disseminação e seus efeitos na produção.

  1. Etapa: Identifique um matrizeiro responsável pela produção de ovos férteis destinados à incubação e à produção de frangos de corte.
  2. Etapa: Reconheça a rota de distribuição: os ovos eram enviados a incubatórios de diferentes estados, incluindo Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
  3. Etapa: Considere o risco: A comercialização e o envio de ovos infectados por incubatórios representam risco de disseminação da influenza aviária para todo o Brasil.
  4. Etapa: Rastreie os destinos após a detecção do foco: foi realizado rastreamento dos destinos e os ovos foram destruídos.
  5. Etapa: Destrua e incinere os lotes: Diante do foco no matrizeiro, esses lotes de ovos férteis rastreados também são incinerados para evitar a disseminação da doença.
  6. Etapa: Observe o efeito na produção: durante algumas semanas, o Paraná apresentou redução na disponibilidade de pintinhos para frango de corte em consequência da eliminação desses ovos.

Risco dos sistemas ao ar livre

Na epidemiologia da influenza aviária, o sistema de produção e o acesso das aves ao ambiente externo são fatores determinantes. A ocorrência e a gravidade da influenza aviária dependem de fatores ligados ao hospedeiro, ao vírus e ao ambiente. Produções com acesso ao ambiente externo apresentam maior risco de contato com aves silvestres infectadas.

Entre os exemplos estão galinhas caipiras, produções orgânicas e alguns sistemas de galinhas livres de gaiola. Nem todo sistema livre de gaiola oferece acesso ao ambiente externo, sendo necessário avaliar cada instalação. No Paraná, durante o estado de emergência sanitária, houve proibição de criação de aves com acesso externo. No estado da Bahia existem localidades no interior onde há produção avícola industrial; nessas produções, as aves devem permanecer dentro de aviários protegidos.

Barreiras sanitárias nas granjas

A biosseguridade começa impedindo o contato entre aves domésticas e aves silvestres. As granjas também não devem manter viveiros com espécies ornamentais, como canários, periquitos ou outras aves, dentro das instalações de produção.

Pessoas que trabalham em granjas devem evitar o contato com aves de outras espécies fora da granja e respeitar os procedimentos de biosseguridade. Além disso, o sistema all in/all out — em que as aves entram e saem em conjunto e um novo lote só é introduzido após a saída completa do anterior — reduz a permanência de agentes infecciosos.

Incubação curta e morte fulminante

A evolução rápida da mortalidade é um sinal de alerta: observe o intervalo entre o início do quadro e as mortes no lote.

  • Período de incubação: O período de incubação pode ser muito curto, de algumas horas, embora também possa alcançar duas ou três semanas.
  • Mortalidade em 48 horas: Nas infecções por vírus de alta patogenicidade, aproximadamente 80% das aves podem morrer em 48 horas.
  • Mortalidade próxima de 100%: A mortalidade pode aproximar se de 100% em 24 a 48 horas; em outras situações, ocorre em menos de 72 horas.
  • Incubação curta: Em lotes acometidos por influenza aviária com período de incubação curto, a mortalidade pode atingir quase 100% em 24 a 42 horas.
  • Evolução fulminante: Em lotes acometidos por influenza aviária de alta patogenicidade, a mortalidade das aves ocorre de maneira súbita e fulminante.
  • Alta patogenicidade: Cepas de alta patogenicidade de influenza aviária causam alta mortalidade no plantel em períodos de 24 a 72 horas; essa rapidez diferencia esses surtos de enfermidades nas quais as mortes se acumulam gradualmente.

Manifestações clínicas e lesões

Mortalidade sem aviso prévio

Uma situação sugestiva de influenza aviária é entrar em um aviário e encontrar numerosas aves mortas, muitas vezes sem sinais clínicos prévios. O lote pode parecer normal pela manhã e apresentar aves mortas no final da tarde. Nas cepas de alta patogenicidade, a morte pode ocorrer antes do desenvolvimento de sinais evidentes.

A rapidez da evolução ajuda a reconhecer o padrão: cepas de alta patogenicidade atingem baço, intestino, medula óssea e pâncreas em menos de 24 horas. Em contraste, infecções aviárias por Salmonella apresentam mortalidade insidiosa e gradual ao longo do tempo, diferentemente do curso fulminante da influenza aviária de alta virulência.

Nenhum sinal é patognomônico

A infecção pelo vírus da influenza aviária não possui nenhum sinal clínico patognomônico. Não confunda: mortalidade elevada, hemorragia ou sinais respiratórios também podem ocorrer na doença de Newcastle, em salmonelose, bronquite e outras enfermidades. A gravidade depende da cepa, da espécie, do estado imunológico, do ambiente e de infecções concomitantes; por isso, o diagnóstico definitivo exige coleta de amostras e investigação laboratorial.

Sinais respiratórios e digestivos

Nas aves que sobrevivem, a influenza aviária pode produzir sinais respiratórios, como tosse, espirros, secreção nasal, sinusite e edema de cabeça. Também podem ser observados sinais digestivos e produtivos: conjuntivite, diarreia, redução do consumo de alimento, diminuição da produção de ovos e ovos com casca deformada.

Nas cepas de baixa patogenicidade, predominam alterações respiratórias e gastrointestinais, geralmente com mortalidade baixa. Embora a mortalidade seja geralmente baixa, aves imunossuprimidas podem evoluir de maneira mais grave. Essas cepas também podem causar congestão pulmonar, diarreia e morte das aves.

Lesões hemorrágicas sistêmicas

As lesões macroscópicas podem incluir congestão e necrose de cristas e barbelas, edema de cabeça com focos necróticos e mucosas hemorrágicas. As mucosas podem estar hemorrágicas, acompanhadas de congestão visceral e hemorragias disseminadas. Podem ocorrer congestão grave, edema e hemorragias nos membros, além de hemorragias no proventrículo e no coração.

O pâncreas pode apresentar aumento de volume e hemorragia, enquanto as alças intestinais podem estar completamente hemorrágicas. Nos tecidos acometidos, podem ser observados focos de necrose, edema e congestão. A distribuição das lesões reflete o caráter sistêmico da infecção por cepas de alta patogenicidade. As lesões macroscópicas da Doença de Newcastle são muito semelhantes às da Influenza Aviária, dificultando a diferenciação diagnóstica apenas pelo exame visual.

Neurologia e diagnóstico diferencial

Aves que sobrevivem por mais de dois dias podem desenvolver sinais neurológicos. As manifestações incluem torcicolo, opistótono, tremores, paralisia das asas, decúbito e ataxia.

Esse conjunto de achados pode ser confundido com a forma neurotrópica da doença de Newcastle, o que reforça a necessidade do diagnóstico diferencial. Em aves com sinais neurológicos ou mortas, cérebro e cerebelo constituem amostras importantes para investigação.

Amostras para investigação sistêmica

A investigação em aves mortas deve contemplar uma amostragem ampla, porque a distribuição sistêmica do vírus orienta a escolha dos tecidos e o local provável de replicação. As principais amostras de aves mortas incluem cérebro, cerebelo, pulmões, traqueia, intestino, baço, fígado, bolsa de Fabricius, timo e outros órgãos linfóides.

Além desses órgãos, também podem ser coletados tecidos que apresentem lesões hemorrágicas. Em aves vivas, podem ser utilizados suabes traqueais e cloacais, compondo a investigação conforme a condição do animal e os locais suspeitos de replicação.

Histopatologia como exame complementar

A histopatologia pode revelar hemorragia, necrose focal de tecidos linfóides e infiltração de células inflamatórias. No cérebro, pode haver inflamação compatível com encefalite, enquanto a intensidade das alterações depende da espécie, da cepa e de outros fatores.

Esses achados ajudam a caracterizar as lesões, mas sua interpretação exige cautela. O exame histopatológico é complementar e não permite, isoladamente, estabelecer o diagnóstico diferencial entre influenza aviária e doença de Newcastle.

Notificação, controle e vacinação

Notificação e coleta oficial

A resposta começa com a comunicação imediata da suspeita e segue até a investigação oficial.

  1. Etapa: Notificar imediatamente e obrigatoriamente ao serviço veterinário oficial qualquer suspeita de influenza aviária ou doença de Newcastle em uma granja.
  2. Etapa: Comunicar a suspeita às secretarias estaduais de agricultura ou aos órgãos oficiais competentes; eles encaminharão a investigação e a análise laboratorial.
  3. Etapa: Reconhecer que produtores rurais, médicos veterinários e zootecnistas são obrigados a notificar imediatamente qualquer suspeita de influenza aviária ou doença de Newcastle.
  4. Etapa: Encaminhar a coleta de amostras exclusivamente ao serviço veterinário oficial, pois, em casos de suspeita na granja, sua atuação é privativa e ele é o único autorizado a realizar a coleta de amostras.
  5. Etapa: Identificar o serviço veterinário oficial, composto por entidades como as secretarias estaduais de agricultura e o Ministério da Agricultura e Pecuária.
  6. Etapa: Após a confirmação diagnóstica de influenza aviária de alta patogenicidade, determinar obrigatoriamente os patotipos e subtipos virais, como H5 ou H7.
  7. Etapa: Usar a notificação rápida para implementar medidas de contenção e evitar a disseminação do agente.

Contenção imediata dos focos

A contenção exige uma sequência imediata e coordenada de medidas oficiais.

  1. Etapa: Implementar imediatamente as medidas de contingência previstas em programas sanitários avícolas oficiais para conter focos de influenza aviária.
  2. Etapa: Restringir a movimentação, rastrear animais e produtos, realizar a coleta oficial de amostras e controlar os contatos.
  3. Etapa: Destinar adequadamente carcaças e resíduos como parte da contenção do foco.
  4. Etapa: Considerar que a influenza aviária de alta patogenicidade não possui tratamento nem cura; por isso, as aves acometidas devem ser submetidas a sacrifício sanitário.
  5. Etapa: Eliminar sanitariamente os lotes afetados.
  6. Etapa: Aplicar as medidas com rapidez, pois a experiência do Rio Grande do Sul demonstrou que essa implementação pode controlar focos em curto período.
  7. Etapa: Promover a cooperação entre produtores, médicos veterinários e serviços oficiais para proteger a produção avícola nacional.

Doença exótica e vacinação proibida

A classificação da doença ajuda a entender a conduta sanitária e a diferença entre as estratégias de vacinação no Brasil e em outras regiões.

AspectoInfluenza aviáriaDoença de Newcastle
Classificação no BrasilNo Brasil, a influenza aviária é classificada como uma doença exótica.Diferentemente da influenza aviária, a doença de Newcastle não é exótica no Brasil e conta com protocolo de vacinação de rotina.
Vacinação e disponibilidadeA influenza aviária de alta patogenicidade também é considerada doença exótica no Brasil, razão pela qual a vacinação é proibida no país. Não há comercialização regular de vacinas para essa finalidade no país.Conta com protocolo de vacinação de rotina.
Variação regionalAlguns países, especialmente no Oriente Médio, utilizam vacinação contra influenza aviária; as estratégias dependem da situação epidemiológica e dos objetivos sanitários de cada região.

No Brasil, a classificação sanitária orienta as regras de vacinação.

Por que evitar a vacinação

A vacinação contra influenza aviária pode reduzir sinais clínicos e mortalidade, mas não impede necessariamente a infecção e a circulação do vírus. Mesmo quando atenua a mortalidade, a vacinação contra influenza aviária não impede o desenvolvimento de sinais clínicos nem os prejuízos produtivos nas aves. Em um país livre ou sem doença estabelecida, a presença de anticorpos pode dificultar a distinção entre aves vacinadas e aves infectadas. Ela não elimina o risco de prejuízos produtivos nem substitui a biosseguridade; embora existam vacinas produzidas por grandes indústrias, seu uso não é adotado amplamente no Brasil.

Saúde única

Saúde Única e novos hospedeiros

A influenza aviária exemplifica o conceito de Saúde Única porque conecta a saúde animal, a saúde humana e o meio ambiente. Nos Estados Unidos, o vírus foi transmitido para vacas leiteiras.

A infecção em rebanhos ocorre desde 2024 e se disseminou por praticamente todo o território norte americano. Esse evento representou a primeira descoberta mundial de transmissão do vírus pelo leite.

Impactos da infecção nas vacas

Nas vacas leiteiras infectadas, o vírus pode estar presente em secreções respiratórias, urina e fezes, mas a maior carga viral concentra se no leite. As vacas adoecem, porém não morrem, e sofrem uma queda irreversível na produção de leite.

Por isso, o leite é a principal via de transmissão do vírus pelas vacas infectadas.

Animais sentinelas nas fazendas

Gatos e guaxinins foram os primeiros animais a evidenciar a circulação do vírus nas fazendas leiteiras. Eles ingeriram leite cru contaminado e morreram de influenza aviária.

Os gatos atuaram como animais sentinelas na identificação do surto, pois são altamente suscetíveis à infecção pelo vírus da influenza. Além disso, existe potencial de transmissão envolvendo animais domésticos, como gatos, e o ser humano.

Marcos históricos do conhecimento

O conhecimento atual sobre a epidemiologia da influenza aviária é relativamente recente. Na década de 1960, identificaram se pela primeira vez transmissões e conexões epidemiológicas do vírus da influenza entre aves, como patos, e suínos. O papel das aves migratórias como reservatórios naturais só foi identificado na década de 1970. Em 1983, observou se a primeira mutação conhecida de vírus de baixa para alta patogenicidade; em 1993, no México, um vírus de baixa patogenicidade sofreu alteração e passou a causar mortalidade intensa em poedeiras e frangos de corte. Essa sequência mostra que a compreensão da doença continua em desenvolvimento.

Reflexão Sion

Cuidado que protege

O RNA segmentado do vírus influenza permite rearranjos quando diferentes vírus infectam a mesma célula, tornando a biosseguridade e a vigilância essenciais para proteger animais e pessoas. Assim como pequenas conexões podem ampliar uma ameaça, o cuidado responsável começa em atitudes concretas: controlar contatos, comunicar suspeitas e impedir a disseminação. Em Jesus, encontramos presença e esperança para agir com prudência, proteger a vida e permanecer firmes diante do que não controlamos.

Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade.Salmos 46:1

Leia e reflita sobre como a vigilância pode se tornar cuidado.

Outras aulas gratuitas recomendadas

Aviso Legal: O Sion Academy é uma plataforma voltada exclusivamente para fins educacionais e preparação para provas de residência médica (como o ENARE). O conteúdo aqui disponibilizado reflete diretrizes de estudos e exames laboratoriais, não constituindo, sob nenhuma hipótese, conselho médico, diagnóstico ou indicação de tratamento clínico para pacientes.