Sion Academy
Aula 07 Influenza Aviária: Epidemiologia, Patogenia e Relevância Sanitária
A sequência começa com a comunicação da suspeita e segue com a coleta oficial e as medidas de resposta.
Topicos da aula
- Influenza Aviária I
Overview
Panorama da influenza aviária
A influenza aviária é uma doença de importância sanitária que conecta a saúde das aves, de outros animais e das pessoas. A circulação viral em aves migratórias pode favorecer a disseminação entre regiões e o contato com espécies domésticas; por isso, vigilância e biosseguridade são essenciais. A gravidade varia conforme o vírus e o hospedeiro, e sinais ou lesões isolados não confirmam a doença. Como influenza aviária e doença de Newcastle podem se parecer, a suspeita exige notificação imediata e confirmação laboratorial pelo serviço veterinário oficial. A aula percorre essas relações, da circulação viral às medidas de prevenção e controle.
Emergência sanitária e biosseguridade
Emergência sanitária persistente
O Brasil permanece em estado de emergência zoossanitária desde maio de 2023, com prorrogações periódicas a cada 180 dias. A medida está relacionada à detecção de aves migratórias com vírus da influenza aviária de alta patogenicidade no território nacional.
A portaria vigente mencionada no material foi publicada em 25 de março, e uma nova prorrogação era esperada para setembro. A vigilância segue necessária porque detectar o vírus em aves silvestres pode indicar risco de introdução em produções avícolas.
Newcastle no diagnóstico diferencial
A influenza aviária e a doença de Newcastle são muito semelhantes. Diante da suspeita de uma dessas doenças, deve se considerar também a outra e realizar diagnóstico diferencial.
A distinção depende da coleta de amostras e de procedimentos laboratoriais, incluindo isolamento e sequenciamento do agente. Em 2024, houve foco de Newcastle no Rio Grande do Sul; no ano seguinte, ocorreu foco de influenza aviária no mesmo estado. Os focos mencionados ocorreram em produção avícola industrial e tiveram relevância sanitária e econômica.
Detecções em zoológicos e silvestres
Além dos focos em produção avícola, houve detecções de influenza aviária em animais de zoológicos. No Rio Grande do Sul, foi registrado um foco no zoológico de Sapucaia do Sul, nas proximidades de uma propriedade avícola afetada. Também foi referido um foco em um zoológico de Brasília no mesmo período.
A presença de aves silvestres, aves soltas, pavões e pombos, além do contato com outras aves urbanas, pode ampliar as oportunidades de exposição. A fonte relaciona esses episódios à circulação de aves migratórias por rotas litorâneas e interiores.
Roedores e resíduos na biosseguridade
O controle de roedores integra as medidas de biosseguridade em criações avícolas, pois esses animais podem transportar agentes infecciosos e contaminar ambientes. Nesse contexto, roedores podem estar associados à transmissão de Salmonella e Leptospira; além disso, algumas salmonelas podem ser transmitidas da mãe à prole, de modo que filhotes já podem nascer infectados. A rápida reprodução dos roedores favorece a disseminação.
Restos de alimentos deixados ao ar livre podem sustentar populações de roedores e atrair aves, ampliando o risco de contato entre animais domésticos, silvestres e ambientes de criação. Como parte da biosseguridade, medidas também podem impedir o acesso de aves silvestres às instalações.
Influenza, aves migratórias e pandemias
Espécies e hospedeiros naturais
Aves aquáticas migratórias, como patos, cisnes selvagens e gaivotas, estão relacionadas à influenza aviária e são identificadas como hospedeiros naturais do vírus. Segundo a aula, galinhas e perus não são hospedeiros nem reservatórios naturais.
Reservatórios assintomáticos e descoberta
Aves aquáticas migratórias podem carregar vírus de baixa patogenicidade sem adoecer ou morrer, atuando como reservatórios naturais e assintomáticos. A primeira identificação de vírus de baixa patogenicidade em aves migratórias ocorreu em 1972; esse achado mudou a compreensão de seu papel epidemiológico, conhecido desde então.
Rotas migratórias e disseminação
A migração das aves é sazonal, e há rotas que conectam a América do Norte à América do Sul. Como aves silvestres podem ter infecção assintomática, elas contribuem para a disseminação mundial do vírus; por isso, surtos geralmente envolvem sua presença direta ou indireta. As mudanças climáticas estão alterando as rotas migratórias. Essa alteração pode explicar a presença de uma cepa de alta patogenicidade, cuja identidade não é especificada. Também foram descritas aves chamadas trinca ferro positivas para influenza aviária no Rio de Janeiro e no Paraná.
H1N1 e pandemia de 1918
A pandemia de 1918, conhecida como gripe espanhola, é apresentada como marco da influenza humana e foi causada pelo vírus influenza A( H1N1 ). Como a virologia ainda não permitia identificar o agente naquele momento, a análise de amostras preservadas permitiu reconhecer retrospectivamente a natureza viral e determinar o subtipo. Essa identificação ocorreu depois da década de 1950. Estima se que a pandemia tenha causado entre 50 e 100 milhões de mortes.
O vírus H1N1 teve origem aviária, e a gripe espanhola envolveu transmissão sustentada entre seres humanos. A origem exata e a rota inicial permanecem incertas: foi considerada uma origem aviária, possivelmente seguida de rearranjo genético, mas não foi possível determinar se houve hospedeiro intermediário ou transmissão direta para seres humanos, seguida de transmissão sustentada entre pessoas.
Idade e mortalidade histórica
Durante a pandemia de 1918, foi destacada a elevada mortalidade entre pessoas de 20 a 40 anos. Para interpretar esse padrão, é preciso considerar que a estrutura etária e a expectativa de vida da época eram diferentes das atuais. Assim, a maior mortalidade observada em pessoas com menos de 65 anos não deve ser interpretada isoladamente: a proporção de pessoas que alcançava idades mais avançadas era diferente da população contemporânea. O contexto histórico é necessário para interpretar corretamente os padrões de mortalidade.
O episódio de 2009
A pandemia de gripe suína de 2009 foi associada ao subtipo H1N1. O sequenciamento identificou segmentos virais de origem aviária, humana e suína.
Esse episódio exemplifica a troca de segmentos entre vírus influenza, um evento que pode ocorrer e já ocorreu.
Receptores e coinfecção suína
As células pulmonares suínas têm receptores relevantes para vírus influenza. Nas células pulmonares suínas, esses receptores podem permitir a ligação de H1N1 humano e H5N1 aviário.
O material afirma que suínos possuem o receptor mencionado para aves e que seres humanos possuem outro tipo, mas não detalha a especificidade exata de cada um. Também afirma que os receptores de ácido siálico relacionados à influenza aviária são específicos das aves. Se vírus aviários e humanos infectarem a mesma célula suína, pode haver troca de segmentos. A coinfecção por H5N1 aviário e H1N1 humano na mesma célula suína pode possibilitar essa troca.
Rearranjo e risco pandêmico
Como o RNA da influenza é segmentado, vírus que infectam a mesma célula podem trocar segmentos genéticos. Esse rearranjo pode levar à formação de um novo vírus, mas a troca de segmentos entre vírus da influenza aviária e humana é possível, não inevitável.
Se esse novo vírus for transmitido a seres humanos e estabelecer transmissão sustentada entre pessoas, poderá surgir uma nova pandemia.
Circulação entre suínos e aves
A circulação da influenza pode envolver diferentes espécies: aves podem transmitir vírus influenza a outras aves e, eventualmente, a seres humanos, enquanto suínos também podem transmiti los a aves. Além da possibilidade de rearranjo no suíno, um vírus resultante desse processo poderia circular entre animais e, eventualmente, alcançar seres humanos. A combinação de hospedeiros suscetíveis e segmentos de RNA viral aumenta a preocupação epidemiológica.
Por isso, medidas de biosseguridade na produção animal são relevantes também para a saúde humana. A prevenção do contato entre espécies e o controle de infecções em criações ajudam a reduzir oportunidades de circulação e troca genética viral.
Pandemias em contexto histórico
Além da gripe espanhola de 1918, foram citadas a gripe asiática de 1957, a gripe de Hong Kong de 1968 e a gripe suína de 2009. A designação “gripe espanhola” não indica necessariamente origem na Espanha. A fonte situa a origem provável em algum ponto da Europa, mas menciona também relatos de surgimento contemporâneo na Austrália e uma hipótese, não confirmada, de associação com uma ave australiana.
A disponibilidade insuficiente de amostras impede conclusões firmes sobre a origem. Em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, a guerra e o transporte de pessoas por navios contribuíram para a disseminação internacional do vírus.
Disseminação e impacto social
Em 1918, a circulação por navios fazia com que a disseminação entre regiões fosse mais lenta do que em períodos de transporte aéreo. Ainda assim, a pandemia se prolongou por aproximadamente três a quatro anos. A fonte associa sua propagação às condições precárias da guerra e ao deslocamento de marinheiros e oficiais.
Naquele período, as pessoas inicialmente não conheciam a existência do vírus, embora percebessem que a proximidade facilitava a transmissão. Doenças infecciosas e desastres naturais foram apresentados como eventos capazes de causar grande impacto sobre sociedades e civilizações.
Características gerais e importância sanitária
Tipos, nomes e saúde pública
A influenza aviária, a humana e a suína mencionadas estão relacionadas a vírus influenza tipo A. Os vírus influenza incluem os tipos A, B, C e D, e a influenza aviária é causada pelo tipo A. A influenza é altamente contagiosa e importante para a saúde pública. Para nomear a doença com precisão, use influenza aviária; “gripe aviária” e “bird flu” são formas simplificadas de se referir a ela.
Variabilidade e impacto dos surtos
Os vírus influenza sofrem muitas mutações, e a vacinação contra influenza é realizada anualmente. Na avicultura comercial, a influenza aviária pode causar impacto econômico; um surto em granjas pode ter grande impacto econômico e exigir medidas para erradicar a doença. Após a notificação, medidas são implementadas rapidamente para conter o foco.
Notificação e coleta oficial
A sequência começa com a comunicação da suspeita e segue com a coleta oficial e as medidas de resposta.
- Etapa: Diante de suspeita de influenza aviária ou doença de Newcastle em uma granja, a notificação deve ser imediata e obrigatória.
- Etapa: Produtores e médicos veterinários devem comunicar a suspeita.
- Etapa: A coleta oficial de amostras cabe ao serviço veterinário oficial. No Brasil, essa atuação envolve as secretarias estaduais de agricultura e os órgãos competentes, em articulação com o Ministério da Agricultura.
- Etapa: A coleta e a análise seguem procedimentos oficiais.
- Etapa: A comunicação precoce permite iniciar medidas de contenção, rastreamento e controle, que foram descritas como eficazes nos focos mencionados no Rio Grande do Sul.
Influenza aviária em Saúde Única
A influenza aviária relaciona animais, seres humanos e ambiente, sendo pertinente ao conceito de Saúde Única. A expressão “gripe aviária” é uma designação popular simplificada; o nome da doença é influenza aviária. Outros mamíferos também podem ser infectados por vírus influenza, embora a ocorrência e as características da infecção variem entre espécies.
No Brasil, a influenza aviária é considerada exótica na produção avícola, o que fundamenta medidas sanitárias específicas. Diante da detecção de vírus de alta patogenicidade em aves silvestres, mantém se o estado de emergência.
Alta e baixa patogenicidade
Há vírus de influenza aviária de baixa patogenicidade e de alta patogenicidade, e a distinção entre essas categorias exige caracterização laboratorial. O principal problema sanitário descrito está associado aos vírus de alta patogenicidade, que podem causar doença grave e elevada mortalidade em aves.
Vírus de baixa patogenicidade também são relevantes porque podem sofrer alterações que resultem em maior patogenicidade. Por isso, sua circulação em aves silvestres não elimina a necessidade de vigilância: mudanças virais podem afetar a produção avícola.
Histórico da influenza aviária
Registros e identificação inicial
Os primeiros casos de doença posteriormente associada à influenza aviária foram registrados na Itália por volta de 1860. Em 1880, distinguiu se essa doença da cólera aviária, pois quadros com diarreia e alterações respiratórias eram então agrupados sob designações amplas. Em 1901, observou se que o agente podia atravessar filtros usados nos métodos diagnósticos da época.
Também foi descrita uma disseminação a partir de uma feira anual no estado do Maine, nos Estados Unidos, seguida de transporte do agente para a Europa por produtores e visitantes. A fonte não estabelece com precisão todos os detalhes desse percurso histórico.
Classificação e nomes da doença
Até que a distinção entre alta e baixa patogenicidade fosse estabelecida, diferentes regiões empregavam nomes distintos para a doença. Antes da detecção do vírus de alta patogenicidade, diferentes lugares usavam nomes distintos para o vírus e para a doença. Antes da padronização do nome, a doença recebia designações como peste aviária e doença de Brunswick.
Em 1955, o agente de alta patogenicidade foi classificado como vírus influenza. Após sua caracterização, consolidou se a denominação influenza aviária. “Gripe aviária” e “bird flu” continuam como expressões populares, mas não substituem a nomenclatura técnica; a identificação da forma de alta patogenicidade só foi confirmada e descrita de maneira mais definida em meados do século XX.
Mutação para alta patogenicidade
Em 1983, observou se a primeira mutação documentada de um vírus de baixa patogenicidade para um vírus de alta patogenicidade. A possibilidade dessa alteração passou a ser investigada, inclusive pela análise do sítio de clivagem da hemaglutinina.
No México, detectado em 1993, o vírus de baixa patogenicidade circulou por período prolongado. No México, o vírus sofreu mutação ou rearranjo e tornou se de alta patogenicidade. Após a alteração viral, ocorreu intensa mortalidade em aves da produção, incluindo poedeiras e frangos de corte. O episódio mostrou que a circulação prolongada de vírus de baixa patogenicidade pode anteceder o surgimento de formas altamente patogênicas.
Marcos por espécie e período
Em sequência, os registros mostram a detecção em diferentes espécies e como isso ampliou a compreensão da circulação da influenza aviária.
- 1959, Escócia: Foi descrita em galinhas uma cepa de influenza aviária; o marco se associa à nomenclatura que registra tipo, hospedeiro, local, número da amostra, ano e subtipo.
- 1963, Estados Unidos: Em 1963, ocorreu o primeiro isolamento do vírus em perus nos Estados Unidos.
- Circulação entre suínos e aves: Foram observadas conexões entre esses hospedeiros, incluindo a transmissão de cepas associadas a patos para suínos.
- 1972, aves migratórias: Identificou se pela primeira vez vírus de baixa patogenicidade nessas aves, ampliando o conhecimento sobre seu papel na epidemiologia da influenza aviária.
Expansão recente e panzootia
Em períodos anteriores, aves migratórias eram consideradas geralmente assintomáticas, e a vigilância dependia em grande parte da captura de indivíduos vivos. Atualmente, também se encontram aves mortas nas quais se confirma a infecção. Essa mudança, associada à mortalidade causada por cepas de alta patogenicidade, permanece sob investigação.
A circulação é descrita como uma panzootia, isto é, uma disseminação ampla entre animais. Os focos observados em diferentes espécies e regiões são relacionados à mesma onda epidemiológica.
Vírus influenza e classificação antigênica
Tipos virais e espécies hospedeiras
Compare os tipos de influenza pelos hospedeiros associados a cada um.
- Família: O vírus influenza pertence à família Orthomyxoviridae.
- Tipo A: Infecta aves, seres humanos e diversos mamíferos; é o tipo central para a influenza aviária.
- Tipo B: Foi descrito principalmente em seres humanos, com referências a suínos e focas, e sem evidência estabelecida de infecção em aves no material.
- Tipo C: Foi associado a seres humanos e suínos.
- Tipo D: Há evidências sugestivas em suínos e bovinos; a infecção humana não foi considerada estabelecida.
- H17 e H18: Subtipos associados a morcegos, cuja classificação exata não fica clara; não são relacionados à influenza A.
- Relação com aves: Entre os tipos mencionados, apenas o tipo A tem relação estabelecida com aves.
- Suínos e seres humanos: Foram destacados por sua associação com mais de um tipo viral.
Mamíferos e circulação costeira
O tipo A pode infectar mamíferos, inclusive mamíferos marinhos. Em áreas costeiras, a circulação de influenza aviária foi relacionada à exposição desses animais a aves migratórias. Foram relatadas mortalidades elevadas de leões marinhos no Chile e na Argentina, além de registros em mamíferos marinhos no litoral do Rio Grande do Sul; esses eventos integram a expansão recente da influenza aviária descrita no material.
Também há registros de infecção de vacas leiteiras nos Estados Unidos. Como novas detecções podem surgir, os esquemas que representam os hospedeiros podem mudar com o tempo.
Proteínas H e N dos subtipos
- Proteínas de superfície: As proteínas de superfície usadas para classificar os subtipos de influenza A são a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N).
- Nomenclatura H e N: Combina as letras H e N com números, como H5N1.
- Hemaglutininas: São conhecidas 16 hemaglutininas entre os subtipos de influenza A descritos no material.
- Neuraminidases: São conhecidas 9 neuraminidases entre os subtipos de influenza A descritos no material.
- Exceções citadas: H17 e H18 foram identificados em morcegos na Guatemala; neuraminidases B10 e B11 foram associadas a esses vírus. Essas exceções foram mencionadas, mas não são o foco principal da discussão sobre influenza aviária.
Campos da nomenclatura viral
- Campos da nomenclatura: Uma cepa pode ser identificada pelo tipo viral, hospedeiro, localização, número da amostra, ano de isolamento e subtipo antigênico.
- Hospedeiro omitido: Se o nome do hospedeiro não aparece, a designação corresponde à espécie humana.
- Caracterização: Envolve isolamento e sequenciamento, com determinação das proteínas H e N.
- Subtipos de alta patogenicidade: Quando se confirma influenza aviária de alta patogenicidade, a caracterização do subtipo é particularmente importante; foram destacados H5 e H7 em associação com formas altamente patogênicas.
- Finalidade da classificação: Permite descrever a cepa detectada de modo comparável entre locais e períodos.
Oito segmentos de RNA viral
O vírus influenza A é envelopado e contém RNA de fita simples segmentado em oito segmentos, que codificam proteínas com funções distintas. As proteínas de superfície participam da ligação aos receptores celulares, enquanto outras proteínas estruturais e não estruturais atuam durante a infecção e a replicação.
Como o genoma é segmentado, segmentos de vírus diferentes podem ser reassortidos quando infectam uma mesma célula. Isso ajuda a explicar o potencial de surgimento de novas combinações virais; o rearranjo, porém, não ocorre necessariamente em toda coinfecção.
Receptores e especificidade entre hospedeiros
A entrada viral depende da interação entre proteínas virais e receptores presentes na superfície celular. Entre os receptores destacados para os vírus influenza estão os que contêm ácido siálico: as ligações do tipo α2,3 foram associadas às aves e as do tipo α2,6, aos seres humanos.
O suíno pode apresentar ambos os tipos em células pulmonares, aspecto relacionado à possibilidade de infecção por vírus de origem aviária e humana. Essa distribuição ajuda a explicar a especificidade entre hospedeiros e o interesse epidemiológico do suíno como possível local de coinfecção.
Influenza aviária em mamíferos e nos Estados Unidos
Vacas leiteiras e produção de leite
Nos Estados Unidos, a influenza aviária foi detectada em vacas leiteiras a partir de 2024 e, segundo a aula, a situação já ocorre em praticamente todas as fazendas do país. As vacas afetadas podem adoecer e ter redução na produção de leite, que não necessariamente retorna aos parâmetros anteriores à infecção; embora a produção diminua, as vacas infectadas não morrem.
O vírus foi detectado em secreções respiratórias, urina e fezes, mas a carga viral foi descrita como maior no leite. Nas vacas leiteiras, a transmissão ocorre principalmente pelo leite; essa foi apresentada como a primeira identificação de transmissão do vírus pelo leite em vacas leiteiras. Gatos também são altamente suscetíveis ao vírus da influenza.
Gatos e guaxinins como sentinelas
Gatos e guaxinins ajudaram a revelar a circulação do vírus em fazendas leiteiras. Os gatos são suscetíveis a vírus influenza e podem ingerir leite cru, sendo encontrados mortos após a exposição; os guaxinins também foram mencionados entre os animais afetados. A ocorrência nesses animais funcionou como sinal de alerta para a presença de um problema nas fazendas, reforçando a cautela diante de animais expostos a leite cru ou a ambientes com circulação viral.
Impacto na produção avícola norte americana
Nos Estados Unidos, o material descreve mortalidade elevada em aves, com necessidade de sacrifício sanitário e ausência de tratamento curativo para os focos. A situação foi caracterizada como panzootia de influenza aviária.
Na comparação apresentada, não havia casos de influenza aviária na produção avícola brasileira nem em granjas comerciais no período descrito. O material atribui essa contenção a medidas robustas de sanidade avícola e biosseguridade e apresenta o sistema nacional de produção como referência internacional; essa caracterização é uma apreciação expressa na própria fonte.
Epidemiologia e transmissão
Reservatórios e excreção viral
Os reservatórios naturais incluem aves aquáticas, especialmente anseriformes — patos, gansos e marrecos —, além de aves de outros grupos, como gaivotas. Anseriformes geralmente não desenvolvem doença clínica, e patos infectados podem permanecer assintomáticos. Em aves migratórias, vírus de baixa patogenicidade podem se replicar no epitélio intestinal e ser excretados nas fezes, frequentemente sem sinais clínicos.
Para vigilância, podem ser coletados suabes cloacais e amostras de água de locais frequentados por aves. A água também pode ser amostrada em ambientes de criação, inclusive em recipientes ou tanques com água parada acessíveis às aves. No litoral, estão sendo encontradas aves mortas atribuídas à influenza aviária.
Vigilância e amostras silvestres
A vigilância de aves silvestres combina a escolha da amostra com as condições locais de coleta.
- Captura de aves vivas: Pode integrar a vigilância e permite coletar amostras sem matar a ave para obter material fecal.
- Amostras fecais: Fezes frescas e suabes cloacais podem ser utilizados.
- Água frequentada por aves: Pode fornecer material para detecção viral; encontrar o vírus em uma amostra ambiental depende das circunstâncias locais.
- Suabe traqueal: Em aves com sinais respiratórios, também pode ser coletado suabe traqueal.
- Amostragem em ambientes aquáticos: A presença de aves migratórias oferece oportunidades de amostragem.
- Vigilância perto de produções avícolas: A proximidade entre locais onde aves migratórias infectadas foram detectadas e produções avícolas exige vigilância ativa contínua.
Transmissão horizontal e excreção
A transmissão descrita é horizontal, de uma ave para outra, sem transmissão vertical estabelecida. Ela pode ocorrer diretamente entre aves silvestres migratórias, aves domésticas e aves peridomiciliares ou indiretamente por materiais contaminados, como produtos, pessoas, fômites, água, alimento, roedores e outros animais, incluindo gatos. Gatos também podem ser infectados por vírus de influenza que infectam seres humanos.
A principal porta de entrada no novo hospedeiro costuma ser o trato respiratório, embora a excreção fecal e a contaminação ambiental também participem da disseminação. Aves infectadas eliminam o vírus em secreções respiratórias e do trato gastrointestinal, incluindo as fezes. A disseminação ocorre por partículas liberadas pelo sistema respiratório, por secreções respiratórias e pelas fezes, podendo ocorrer pela via orofecal.
Resíduos e transmissão indireta
O transporte de matéria orgânica contaminada representa risco de transmissão indireta entre instalações. Por isso, resíduos orgânicos de uma granja não devem ser transferidos para outro local sem controle. O material recomenda que a matéria orgânica permaneça dentro da granja e seja submetida a manejo apropriado, incluindo destinação por enterramento ou incineração conforme aplicável.
A biosseguridade deve ser considerada no planejamento da granja, que precisa contar com área destinada ao manejo desses resíduos. A granja deve dispor de um espaço destinado à incineração de matéria orgânica. O acúmulo sem controle pode manter o agente no ambiente e comprometer a produção.
Persistência em água e temperatura
- Envelope viral: por ser envelopado, o vírus não é altamente resistente no ambiente.
- Detergentes: o vírus é sensível a detergentes.
- Desinfetantes: podem inativar o vírus.
- Matéria orgânica: pode protegê lo e dificultar sua inativação.
- Água contaminada: foi referida sobrevivência por aproximadamente 105 dias.
- Temperaturas baixas: a persistência aumenta conforme a temperatura diminui.
- Temperatura ambiente: foram mencionados alguns dias de persistência.
- Refrigeração a 4 °C: persistência por cerca de 23 dias.
- Congelamento: persistência por tempo indefinido em condições de congelamento.
- Produtos congelados: essa estabilidade foi relacionada a restrições e impactos sobre a exportação de carne de frango durante surtos.
Ordem correta de limpeza
Na biosseguridade, a limpeza deve preceder a desinfecção.
- Etapa: Primeiro se remove a matéria orgânica; depois se aplica o procedimento de desinfecção.
- Etapa: Remova a matéria orgânica antes de desinfetar, pois resíduos orgânicos podem proteger o vírus e reduzir a eficácia da inativação.
- Etapa: Considere que, embora o agente não seja descrito como altamente resistente fora do hospedeiro, sua permanência em resíduos e ambientes contaminados pode sustentar a transmissão. As mesmas considerações gerais sobre matéria orgânica foram relacionadas à doença de Newcastle.
Ovos e transmissão vertical incerta
Não há transmissão vertical estabelecida, e a questão foi descrita como controversa. Um estudo teria isolado vírus no sêmen de perus e na superfície da casca do ovo em infecções por vírus de alta patogenicidade, que podem atingir diversos tecidos; esses achados não demonstram transmissão vertical.
Após o foco em uma granja de matrizes no Rio Grande do Sul, foram rastreados ovos férteis enviados a incubatórios, principalmente no Paraná, em São Paulo e em Mato Grosso do Sul. Os ovos foram destruídos por precaução, e a medida contribuiu para a falta temporária de pintinhos de corte no Paraná.
Risco na cadeia de incubação
A cadeia de incubação foi considerada no controle do risco de disseminação.
- Etapa: Rastrear os ovos enviados a incubatórios como parte do plano de sanidade avícola e biosseguridade.
- Etapa: Considerar o risco: se ovos potencialmente contaminados eclodissem, os pintinhos poderiam ser distribuídos a diferentes regiões e ampliar o problema.
- Etapa: Inutilizar e incinerar os ovos férteis rastreados, diante da incerteza sobre a possibilidade de transmissão vertical e do risco de disseminação por uma cadeia ampla de incubação e distribuição.
Sistemas de criação e exposição
O risco epidemiológico varia conforme o tipo de produção e o acesso das aves ao ambiente externo. Galinhas caipiras e produções avícolas orgânicas têm esse acesso, assim como produções orgânicas; galinhas livres de gaiola, porém, nem sempre têm acesso ao ambiente externo.
Durante o estado de emergência mencionado, o Paraná proibia criações de aves de produção industrial com acesso ao ambiente externo. Nesse período, as aves deveriam permanecer fechadas em aviários com telas, medida que reduz o contato com aves silvestres potencialmente infectadas. Também se recomendou não manter viveiros com aves silvestres dentro das granjas.
Trabalhadores e contato entre espécies
Manter aves de companhia em instalações de produção é incompatível com as medidas de biosseguridade descritas. Entre os exemplos estão canários, periquitos e calopsitas. Pessoas que trabalham em granjas também devem evitar contato com outras espécies de aves, reduzindo a possibilidade de transportar agentes entre ambientes.
Esse controle das interações ganha relevância em períodos de alerta sanitário e quando aves migratórias circulam próximo a áreas de produção.
Incubação e rapidez da transmissão
O período de incubação pode variar de algumas horas a duas ou três semanas. Em infecções por vírus de alta patogenicidade, o quadro pode evoluir rapidamente: foram citadas mortalidades de aproximadamente 80% em 24 a 48 horas, e, em certas infecções, a mortalidade pode se aproximar de 100% em 24 a 42 horas.
A transmissão horizontal rápida, combinada à excreção viral e à exposição a aves infectadas, pode causar disseminação intensa. Essa disseminação está relacionada à alta contagiosidade do vírus. Separar aves de produção das aves com acesso ao ambiente externo é uma medida destinada a reduzir esse risco.
Hospedeiro e ambiente na gravidade
A gravidade é influenciada pela espécie, pelo estado imunológico e pelas condições de criação. Perus foram descritos como geralmente mais suscetíveis do que galinhas. Doenças imunossupressoras, como as de Gumboro e Marek, e micotoxinas podem reduzir a resposta imune e agravar o problema.
A presença de aves de idades diferentes é desfavorável. Por isso, o sistema all in/all out, no qual um lote entra e sai em conjunto antes da introdução do próximo, é preferível. Nesse sistema, as aves entram com a mesma idade e saem juntas. O sistema all in/all out é considerado ideal para o controle sanitário. Ainda assim, em cepas de alta patogenicidade, a gravidade pode ser extrema independentemente de outros fatores.
Patogenicidade e lesões
Patogenicidade entre espécies aviárias
A apresentação clínica varia entre espécies: anseriformes, como patos, gansos e marrecos, podem permanecer assintomáticos, enquanto galinhas e perus podem desenvolver doença grave. Há uma exceção ao padrão tradicional de aves migratórias assintomáticas: as cepas atuais de alta patogenicidade têm causado mortalidade em aves migratórias.
Cepas de baixa patogenicidade são mais frequentes e tendem a produzir alterações respiratórias ou gastrointestinais, sem a mortalidade intensa característica dos quadros de alta patogenicidade. O vírus da influenza aviária de alta patogenicidade pode ligar se a receptores presentes em diferentes tecidos. As células das paredes dos vasos sanguíneos têm muitos receptores para esse vírus, e receptores de ácido siálico estão presentes no trato respiratório. Cepas de alta patogenicidade dos subtipos H5 e H7 podem causar doença sistêmica.
Tecidos alvo e gravidade por espécie
Vírus de alta patogenicidade podem produzir doença sistêmica porque conseguem infectar células de diversos tecidos. Vírus de baixa patogenicidade tendem a se replicar principalmente no epitélio respiratório e gastrointestinal. Essa diferença está relacionada à possibilidade de clivagem da hemaglutinina por enzimas presentes em diferentes tecidos.
Uma cepa de alta patogenicidade isolada de perus e galinhas no Canadá, em 1966, causou mortalidade nessas espécies. Na infecção mencionada, as galinhas e os perus morreram, enquanto os patos infectados não morreram. Portanto, a classificação da cepa não implica igual gravidade clínica em todas as espécies hospedeiras.
Clivagem da hemaglutinina viral
A hemaglutinina começa como uma forma precursora inativa e precisa ser clivada para permitir a ativação viral e a infecção celular. A sequência de aminoácidos no sítio de clivagem ajuda a diferenciar vírus de alta e baixa patogenicidade.
Vírus de alta patogenicidade apresentam múltiplos aminoácidos básicos no sítio, o que permite a clivagem por proteases encontradas em diversos tecidos. Já nos vírus de baixa patogenicidade, a clivagem é mais restrita às proteases presentes em células respiratórias e gastrointestinais. Por isso, a análise genética do sítio de clivagem é usada na caracterização da patogenicidade.
Ensaio de patogenicidade intravenosa
A patogenicidade também pode ser avaliada pelo índice de patogenicidade intravenosa, realizado em laboratório especializado. O procedimento descrito utiliza aves com seis semanas de idade, que são inoculadas para a avaliação do índice.
No Brasil, esse ensaio é realizado apenas em laboratório federal com nível de biossegurança adequado. Para a doença de Newcastle, foi mencionado o índice de patogenicidade intracerebral; esses ensaios complementam a caracterização laboratorial das cepas.
Tropismo e disseminação sistêmica
A disseminação viral depende da distribuição de proteases e receptores celulares. Cepas de alta patogenicidade podem ter afinidade por receptores em praticamente todos os tecidos, enquanto enzimas presentes em diferentes órgãos podem clivar a glicoproteína viral.
Essa clivagem está relacionada à infecção sistêmica. O tropismo por diversos tecidos é denominado pantropismo, padrão ao qual está associada a infecção sistêmica por cepas de alta patogenicidade.
Extensão e lesões orgânicas
Pantropismo é o tropismo por todos os tecidos ou órgãos. Em infecções por vírus de alta patogenicidade, o vírus pode se replicar em praticamente todos os tecidos e acometer todos os tecidos do organismo. Essa disseminação pode causar lesões em diversos órgãos, inclusive órgãos vitais.
Mortalidade aguda nos galpões
Em surtos de alta patogenicidade, a mortalidade pode ser rápida e extensa. No foco descrito no Rio Grande do Sul, uma produção tinha dois galpões, cada um com aproximadamente 10 mil aves: em um, todas teriam morrido; no outro, cerca de 80% morreram em 24 a 48 horas. O material associa esse padrão à capacidade de o vírus de alta patogenicidade atingir vários tecidos. A mortalidade abrupta pode ocorrer antes que sinais clínicos evidentes sejam observados.
Sinais não confirmam influenza
Não há sinal clínico ou lesão patognomônica que, isoladamente, confirme influenza aviária: mortalidade elevada também ocorre em outras doenças, sinais respiratórios aparecem em diferentes infecções e hemorragias não são exclusivas da influenza. A gravidade e a apresentação dependem da cepa, da espécie, do estado dos hospedeiros e das condições ambientais; por isso, a suspeita exige confirmação laboratorial, com diagnóstico diferencial especialmente para Newcastle.
Mortalidade súbita exige notificação
Encontrar várias aves mortas em pouco tempo, até mesmo após um período em que o lote parecia normal, é um alerta: a mortalidade pode surgir entre a visita da manhã e a do fim do dia, sem sinais clínicos prévios claros, ao contrário de doenças em que ela aumenta gradualmente. Diante de mortalidade rápida, repentina e acentuada, deve se suspeitar de influenza aviária e notificar imediatamente o serviço veterinário oficial, para iniciar medidas de contingência e impedir a disseminação do agente.
Órgãos acometidos e hemorragias
Em infecções de alta patogenicidade, o vírus pode atingir baço, intestino, medula óssea e pâncreas em menos de 24 horas. Hemorragias disseminadas são associadas à infecção de células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos; por isso, a necropsia pode revelar hemorragias em múltiplos tecidos e órgãos.
Esse padrão é compatível com doença sistêmica, mas a observação macroscópica não permite distinguir influenza aviária de Newcastle.
Sinais respiratórios e gastrointestinais
- Sinais em aves sobreviventes: Entre os sinais clínicos descritos em aves que sobrevivem estão tosse, espirros, secreção nasal e ocular e sinusite, com aumento de volume da cabeça.
- Sinais gastrointestinais e produtivos: Também podem ocorrer diarreia, diminuição do consumo de alimento e redução da postura.
- Alteração nos ovos: Os ovos podem apresentar casca deformada.
- Baixa patogenicidade: Em cepas de baixa patogenicidade, as alterações tendem a ser mais discretas e restritas aos sistemas respiratório e gastrointestinal; pode haver congestão pulmonar e, em alguns casos, morte.
- Observação dos sinais: A mortalidade intensa pode fazer com que os sinais sejam pouco observados antes da morte.
Lesões macroscópicas e disseminação
Na influenza aviária, podem ser observadas congestão e necrose nas cristas e barbelas, edema da cabeça e focos de necrose. Também podem ocorrer alterações em mucosas, congestão e hemorragias em diferentes regiões do corpo, inclusive nos membros.
Em infecções sistêmicas, podem surgir lesões hemorrágicas disseminadas em pâncreas, alças intestinais, proventrículo e coração. A extensão das lesões é compatível com a disseminação viral, mas esses achados não são exclusivos da influenza aviária: a doença de Newcastle pode produzir alterações semelhantes, tornando indispensável o diagnóstico laboratorial diferencial.
Manifestações neurológicas em aves
- Sinais neurológicos: Aves que sobrevivem por mais de dois dias podem apresentar sinais neurológicos, semelhantes aos observados na forma neurotrópica da doença de Newcastle.
- Achados citados: Foram citados torcicolo, tremores, paralisia das asas, decúbito e ataxia. Esses sinais podem ocorrer em aves sobreviventes de infecção grave.
- Amostras relacionadas: A possibilidade de envolvimento do sistema nervoso também orienta a escolha de amostras para investigação laboratorial, incluindo cérebro e cerebelo, além de tecidos respiratórios e viscerais.
Tecidos para investigação laboratorial
- Tecidos em aves mortas: Em aves mortas, foram indicados cérebro, cerebelo, pulmões, traqueia, intestino, baço, fígado e bolsa de Fabricius como tecidos a serem coletados.
- Outros tecidos: Também foram mencionados rins, timo e outros órgãos linfoides.
- Critérios de seleção: A seleção considera a porta de entrada respiratória, a possibilidade de disseminação sistêmica e as lesões encontradas.
- Coleta e envio: Devem ocorrer conforme os procedimentos do serviço veterinário oficial, que é responsável pela amostragem em suspeitas de influenza aviária ou Newcastle.
Histopatologia como exame complementar
Na histopatologia, podem ser observadas hemorragia, necrose linfoide focal e infiltração de células inflamatórias nos tecidos. No cérebro, pode haver inflamação. Esses achados variam conforme a espécie e a cepa.
O exame histopatológico é complementar e não estabelece, por si só, um diagnóstico diferencial definitivo. Infecções experimentais podem ajudar a investigar a patogenia, mas não substituem os procedimentos laboratoriais necessários para confirmar e caracterizar o vírus.
Controle, vacinação e impacto produtivo
Vacinação na política sanitária brasileira
No Brasil, a vacinação contra influenza aviária era descrita como proibida para a produção, pois a doença é considerada exótica no país. Naquele período, não havia comercialização de vacina contra influenza aviária no Brasil. Isso difere da doença de Newcastle, contra a qual há vacinação.
Em regiões do Oriente Médio e do México, a vacinação contra influenza aviária foi referida como prática existente. Vacinas contra influenza aviária são produzidas por grandes indústrias, mas sua utilização depende da política sanitária adotada em cada local.
Debate e limites da vacinação
Em um congresso realizado em Foz do Iguaçu no fim do ano anterior, houve discussões sobre a possível adoção da vacinação contra influenza aviária no Brasil. Parte dos participantes defendia incluí la, enquanto a política descrita permanecia sem essa medida. A possibilidade de mudança futura foi mencionada, sem indicação de que houvesse justificativa para vacinar no contexto então apresentado.
A vacinação poderia reduzir a mortalidade. Ela não necessariamente evita sinais clínicos ou prejuízos produtivos. Além disso, durante a investigação de um foco, a vacinação pode dificultar a diferenciação entre aves vacinadas e aves infectadas.
Dicas Para Provas
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
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| A aula afirma que, atualmente, aves migratórias estão morrendo em decorrência da influenza aviária, em contraste com o padrão assintomático descrito anteriormente. |
Reflexão Sion
O que precisa vir à luz
A matéria orgânica pode proteger o vírus, por isso a limpeza precisa vir antes da desinfecção. Esse cuidado lembra que, para tratar um problema, é preciso primeiro trazer à vista o que o encobre. Jesus nos convida à verdade e oferece liberdade que alcança também aquilo que tentamos esconder.
E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.João 8:32
Leia João 8:32 e reflita sobre o que precisa vir à luz.
Blocos adicionais
Música
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Família Orthomyxoviridae, tipo A em questão, RNA fita simples segmentado em oito fitas no pulmão! Tem envelope lipídico e glicoproteínas no painel: Hemaglutinina H e Neuraminidase N no seu papel! Dezesseis tipos de H e nove de N vão combinar, Subtipos H5 e H7 são os de alta que vêm pra matar! Sensível a detergentes e ao calor na desinfecção, Mas na matéria orgânica e no frio tem longa duração! Em água gelada dura cem dias a infectar, E se congelar o vírus nunca vai se degradar! Aves aquáticas migratórias são reservatórios naturais: Patos, cisnes e gaivotas em rotas continentais! Portavam cepa de baixa sem adoecer na estação, Mas hoje morrem na praia sob grande comoção! Galinhas e perus não são os reservatórios de origem, A transmissão é horizontal e o contágio é o que aflige! Sem transmissão vertical comprovada afinal, Elimina por fezes, secreção respiratória e nasal! Entra por inalação ou por ingestão orofecal, Água parada, fômites e a cama do plantel! Roedores no galpão carregam Salmonella no pelo, E o suíno é o misturador que causa pesadelo: Tem receptor alfa 2,3 de ave e alfa 2,6 de humano no pulmão, Faz rearranjo genético e pode gerar pandemia em expansão! Nos Estados Unidos, em vacas de leite se instalou, Carga alta no leite cru que gatos sentinelas matou! Se a cepa for de baixa, fica restrita e discreta: A protease respiratória cliva a hemaglutinina certa! Mas se for cepa de alta, tem pan tropismo sem pudor: Cliva em múltiplos órgãos causando dano e terror! Afinidade violenta pelo endotélio vascular, Causa dano hemorrágico em qualquer lugar! Morte súbita e fulminante sem aviso no galpão, Oitenta a cem por cento em quarenta e oito horas de infecção! Se a ave sobrevive, tem edema de cabeça e pés, Cianose e necrose na crista e barbela aos revés! Tosse, espirro, conjuntivite, diarreia e tremores, Ataxia, torcicolo e paralisia sem setores! Petéquias no pâncreas, fígado, coração e bursa a sangrar, Sem sinal patognomônico para poder cravar! Suspeita clínica em lote exige notificação imediata! Só o Serviço Oficial colhe a amostra exata! Produtor e veterinário não podem coletar, Na ave viva faz traqueia e narina em swab mandar! Na ave morta pega traqueia, pulmão, cérebro e intestino, Envia de avião pro laboratório de Campinas definir o destino! RT PCR detecta o RNA com precisão, Depois faz isolamento, sequenciamento e classificação! Define o índice de patogenicidade pra OMSA avisar, E nos diagnósticos diferenciais tem que se atentar: Bronquite, laringo e Newcastle na confusão, Lembrando que em 2024 Anta Gorda teve foco de Newcastle em questão! Vacina LaSota causa traqueíte e pode atrapalhar, Por isso a biologia molecular é o que vai confirmar! No Brasil a vacinação é estritamente proibida: Doença exótica no país precisa ser banida! Não existe tratamento nem cura pra aplicar! Na suspeita fecha tudo, raio de três quilômetros isolar! Se confirmar no laudo, dez quilômetros no cordão, Desinfecção de veículos e quarentena no galpão! Sacrifício sanitário de todo o lote afetado, Eutanásia e incineração no próprio local isolado! Matéria orgânica não sai, na granja vai queimar, Janelas com telas pro silvestre não entrar! Sem árvore frutífera pra bicho não pousar, Biosseguridade rígida pro Brasil exportador continuar!