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Pelagens e Resenha de Equinos
A conferência da resenha compara a descrição e o desenho com as características observadas no animal.
Topicos da aula
- Pelagens
Overview
Pelagens e Resenha de Equinos
Esta aula apresenta como a nomenclatura padronizada das pelagens sustenta a identificação, o registro e a avaliação dos equinos. A resenha funciona como documento oficial de identificação, reunindo características que devem corresponder entre descrição e representação. A análise também integra beleza zootécnica, padrões raciais, particularidades visuais e possíveis relações entre pelagem e saúde. Em seguida, organiza as pelagens por grupos e mostra como distinguir cores, extremidades, misturas, manchas, marcas e calçamentos. Por fim, relaciona a observação do animal aos procedimentos de registro genealógico e aos princípios genéticos que explicam a transmissão dos diferentes padrões.
Importância da nomenclatura e da identificação
Por que padronizar as pelagens
A nomenclatura das pelagens equinas pode variar conforme a região e a raça. A nomenclatura das pelagens de equídeos pode apresentar variações de acordo com o regionalismo de cada localidade, de modo que um mesmo padrão pode receber nomes diferentes em distintas localidades. Por isso, é necessário adotar um sistema de classificação padronizado, independentemente da raça. Em provas e avaliações oficiais da raça Quarto de Milha, não se utilizam os termos regionais, adotando se o termo padronizado Palomino. Dessa forma, baio amarilho, alazão amarilho e Santa Isabel foram padronizados sob a denominação única de Palomino.
A identificação correta exige conhecimento das combinações genéticas responsáveis pelos fenótipos, considerando que mais de 39 genes podem participar da determinação das pelagens. Esses genes interagem por dominância, codominância, epistasia e outras formas de combinação, produzindo ampla diversidade fenotípica. A resenha do cavalo funciona como o documento oficial de identificação (RG) do animal. Profissionais de outras áreas, como a agronomia, também necessitam compreender os conceitos de pelagem para a realização de uma resenha adequada em equídeos. A microchipagem é um método de identificação animal obrigatório em algumas raças equinas e opcional em outras. Apenas médicos veterinários possuem permissão legal para a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA).
Resenha e transporte do equino
A resenha constitui uma forma prática, rápida e acessível de identificação do equino. Por isso, é considerada a forma mais prática e rápida de identificação individual do equídeo. Ela reúne informações sobre proprietário, localidade, propriedade, espécie, sexo, idade, raça, pelagem e particularidades individuais. Embora a microchipagem seja utilizada por algumas associações, sua aplicação depende da disponibilidade de leitor e de seu funcionamento adequado.
A resenha acompanha o GTA, isto é, a Guia de Trânsito Animal, documento indispensável para o transporte de equinos entre municípios e regiões. A resenha do equídeo deve ser anexada à Guia de Trânsito Animal (GTA), e o transporte de equídeos exige que a GTA esteja acompanhada da resenha do animal para comprovação de sua identidade.
Conferindo desenho e descrição
A conferência da resenha compara a descrição e o desenho com as características observadas no animal.
- Conferência da identidade: Em exposições, competições e procedimentos de registro, técnicos credenciados conferem a resenha e verificam se as características descritas correspondem ao animal apresentado.
- Particularidades: São avaliadas a pelagem, as marcas, os rodopios, as espigas, as cicatrizes, os calçamentos e outras particularidades.
- Exames complementares: Exames de sangue ou de DNA também podem confirmar a identidade, porém demandam tempo para processamento.
- Correspondência: A resenha deve apresentar correspondência entre o desenho e a descrição: tudo o que estiver desenhado deve ser descrito, e tudo o que estiver descrito deve estar desenhado.
- Verificação imediata: A resenha permite uma verificação imediata.
Beleza zootécnica e pelagem
Absoluta e relativa
A beleza zootécnica dos equídeos divide se em beleza absoluta e beleza relativa. A beleza absoluta estabelece um padrão desejável que independe da raça, enquanto a beleza relativa varia conforme o padrão e os critérios específicos de cada raça. Portanto, não se deve considerar um equino belo apenas por apresentar determinada pelagem.
Critérios morfológicos e funcionais
A beleza zootécnica considera o conjunto do animal: padrão racial, conformação morfológica e qualidade da movimentação. Um equídeo belo apresenta proporcionalidade entre regiões corporais, incluindo cabeça e pescoço, além de boa amplitude torácica. Na avaliação morfológica, a cabeça das fêmeas tende a ser proporcionalmente mais delicada que a dos machos, expressando feminilidade, enquanto os machos tendem a apresentar maior desenvolvimento muscular em comparação às fêmeas.
Riscos, raça e exceções
A avaliação deve considerar que determinadas pelagens de equídeos podem estar associadas a enfermidades ou problemas genéticos. Na avaliação equina, a beleza relativa depende da raça do animal; na raça Quarto de Milha, os olhos azuis são valorizados, embora características desejáveis em uma raça possam ser desclassificatórias em outra. A cegueira em equídeos acarreta perda de pontuação no julgamento zootécnico, salvo se for decorrente de um defeito adquirido comprovado por atestado veterinário.
Tordilho: beleza com risco associado
Na pelagem tordilha, ocorre progressiva despigmentação dos pelos, enquanto os pigmentos podem permanecer acumulados nos melanócitos, levando ao desenvolvimento de uma neoplasia chamada melanoma. Esses tumores são mais evidentes em equinos idosos, especialmente a partir dos 19 ou 20 anos, e podem localizar se nas regiões perianal, retal, escrotal e adjacentes. Quando se rompem, causam feridas na pele, que podem predispor ao surgimento de miíases (bicheiras) e outras complicações. Por isso, a seleção de pelagens deve considerar não apenas seu valor estético ou racial.
Olhos, reatividade e luz
O olho deve ser funcional, de tamanho adequado e relativamente lateralizado, permitindo maior campo visual. Já a esclerótica visível pode estar associada a maior reatividade e agressividade. Em geral, cavalos com esclerótica visível enxergam menos e tendem a ser mais reativos para se defender. Em equídeos, essa característica também se associa a comportamento agressivo e à maior reatividade relacionada à menor capacidade visual.
Olhos azuis ou de cores diferentes são valorizados em algumas raças, como o Quarto de Milha, mas podem ser desclassificatórios em outras. O pseudoalbino apresenta pele rosada, pelos claros e olhos claros, sendo mais sensível à radiação solar, à dermatite e às alergias. Nos cavalos pseudalbinos, a pele não possui pigmentação escura e apresenta coloração rosa. Essa pigmentação rosa faz com que seus pelos sejam brancos, ao contrário da maioria dos cavalos, cuja pele é escura. A sensibilidade também pode aumentar quando há despigmentação ocular.
Estrutura da resenha
Dados básicos da resenha
A resenha reúne os dados gerais do equino e orienta a estimativa cuidadosa da idade e o registro da propriedade.
- Informações gerais: A resenha contém cabeçalho, proprietário, endereço, nome, espécie, sexo, idade e raça.
- Estimativa da idade: Quando a idade não é conhecida, ela pode ser estimada pela avaliação da dentição, com margem aproximada de seis meses para mais ou para menos.
- Contenção: A contenção deve ser realizada com cuidado, pois nem todos os animais permitem manipulação da boca.
- Localidade: A resenha também registra a localidade, que pode corresponder a haras, fazenda, unidade militar, sociedade ou outra propriedade.
Estrutura e finalidade da resenha
Na resenha gráfica, são representados os lados esquerdo e direito do equino, abrangendo cabeça, pescoço, tronco, membros e região dorsal. A pelagem recebe destaque porque auxilia significativamente na diferenciação e identificação dos animais.
Para individualizar o animal, devem ser registradas marcas como cicatrizes, marcações a ferro quente, calçamentos, estrelas e outras particularidades. Cicatrizes e pisaduras decorrentes do uso de sela também contribuem para reconhecer o animal.
Exceções e descrição textual
- Particularidades frequentes: Particularidades muito frequentes que aparecem na maioria dos equinos, como espigas na região interaxilar, não precisam ser registradas na resenha.
- Espigas no flanco: Espigas localizadas no flanco geralmente não precisam ser assinaladas na resenha por serem frequentes na maioria dos equinos.
- Ausência de calçamento: Quando não há calçamento nos membros, utiliza se a rasura ou o assinalamento gráfico correspondente à ausência da mancha, impedindo adulteração posterior.
- Descrição textual: Já as particularidades individuais da pelagem e as marcas brancas devem ser registradas na descrição textual durante a confecção da resenha.
Localização e símbolos gráficos
Na cabeça, a localização vertical do rodopio é indicada em relação à Linha Média dos Olhos (LMO): acima, sobre a linha ou abaixo dela. Na representação gráfica, a espiga aparece como um X acompanhado de uma linha ondulada, enquanto o rodopio é simbolizado por um X.
A execução criteriosa e suficientemente precisa da resenha permite diferenciar animais de pelagem semelhante e impede a troca de identificação entre equinos.
Grandes grupos de pelagens
Quatro grupos de pelagens
As pelagens dos equinos são classificadas em quatro grandes grupos principais, o que norteia sua identificação e diferenciação. O primeiro grande grupo de pelagens equinas é o das pelagens simples e uniformes, no qual o animal apresenta o corpo revestido de uma única cor. Nas pelagens simples e uniformes, o animal apresenta uma única cor predominante em todo o corpo.
As cores básicas dos pelos equinos derivam de dois pigmentos: preto e vermelho. Os melanócitos dos equinos são capazes de produzir apenas dois tipos de pigmentos base: o preto ( eumelanina ) e o vermelho ( feomelanina ). A pele geralmente é escura, exceto nos animais brancos, pseudoalbinos ou nas áreas específicas de despigmentação. Na maioria das pelagens, a pele dos equinos é escura; ela é rosa somente nas pelagens branca e pseudalbina ou em locais com despigmentação.
Integram esse grupo o preto, o branco e o alazão, com suas respectivas variações. Assim, no grupo das pelagens simples e uniformes, o cavalo apresenta uma só cor em todo o corpo, podendo ser preto, branco ou alazão.
Extremidades pretas, corpos distintos
O segundo grande grupo de pelagens equinas compreende as pelagens simples e uniformes com crinas, cauda e extremidades dos membros pretas. Nesse grupo, o corpo apresenta uma coloração predominante, enquanto crina, cauda e extremidades dos membros são pretas. Na pelagem baia, a crina, a cauda e as extremidades dos membros permanecem pretas.
Nesse enquadramento, as pelagens castanho, baio e pelo de rato pertencem ao grupo das pelagens simples e uniformes com crina, cauda e extremidades pretas. As pelagens castanha e baia integram o grupo das pelagens simples com extremidades pretas. A distinção em relação às pelagens uniformes depende da observação da cabeça, das extremidades e da cor efetivamente preta, que não deve ser confundida com tonalidade escura ou avermelhada.
Mistura de cores no pelo
Nas pelagens compostas, o mesmo pelo pode apresentar duas ou três cores. As pelagens equinas classificadas como compostas incluem tordilho, rosilho, lobuno e ruanho. As pelagens compostas em equinos incluem Tordilho, Rosilho, Dun e Ruanho.
A identificação depende de observar quando a coloração surge e como evolui. O rosilho já nasce com pelos mesclados e mantém a pelagem base visível na cabeça; o tordilho clareia progressivamente durante a vida. O lobuno pode apresentar mistura de tons escuros, amarelos e acinzentados. Na pelagem Dun (pelo de lobo/buno), uma mesma haste de pelo pode exibir tonalidades amareladas, pretas ou acinzentadas.
Manchas que definem padrões
As pelagens conjugadas apresentam áreas de despigmentação na pele. O animal possui pelagem e pele predominantemente escuras, mas determinadas regiões exibem manchas com pele rosada e pelos brancos. No cavalo de pelagem pampa, a pele é rosa sob as manchas brancas e escura nas demais regiões do corpo.
A classificação depende da observação da forma, do tamanho, da delimitação e da distribuição dessas manchas. Conforme o formato, tamanho e delimitação da mancha de despigmentação, as pelagens conjugadas incluem pampa, overo, tobiano e apaloosa; também são citados os padrões pampa, oveiro, tobiano e appaloosa.
Principais pelagens
Reconhecendo a pelagem preta
Na pelagem preta do cavalo, os pelos são pigmentados exclusivamente por eumelanina e a pele é preta. A pelagem preta de brilho intenso em equinos é denominada preto azeviche. Já a pelagem preta opaca sem brilho e de tonalidade semelhante a café com leite é denominada preto mal tinto.
O cavalo de pelagem preta opaca sem brilho pode ser confundido com o castanho, mas distingue se por apresentar a cabeça preta. A pelagem zaino é considerada uma variação do preto que se assemelha visualmente ao castanho. Para realizar a avaliação correta da pelagem do cavalo, é necessário retirá lo da baia e observá lo sob a luz do sol. A não retirada do cavalo da baia para avaliação sob a luz solar pode prejudicar a análise da pelagem e resultar em perda de pontos na prova.
Variações da pelagem alazã
A pelagem alazã é formada por pelos vermelhos, cuja cor deriva da feomelanina, enquanto a pele é preta. Entre suas variações, o alazão cereja apresenta vermelho muito intenso, enquanto o alazão amarilho resulta do clareamento do vermelho e assume tonalidade amarelada.
Regionalmente, o alazão amarilho pode ser chamado de baio amarilho, embora essa denominação seja contraditória, pois o equino é baio ou alazão amarilho. A crina branca pode aparecer no alazão amarilho e ser útil como característica de destaque na resenha de identificação.
Variações e contrastes alazões
O alazão tostado, também denominado colorado requeimado, possui pigmentação vermelha com pelos escuros e pode ser confundido com o preto. A observação sob luz solar direta revela sua tonalidade vermelha característica. Quando as extremidades dos membros são pretas, a pelagem pode ser confundida com a castanha.
No alazão sobre baio, ocorre clareamento da cabeça, do pescoço, do tronco e dos membros, enquanto a crina e a cauda permanecem vermelho escuras. É uma variação mais rara: mesmo quando escuras, as extremidades dos membros continuam vermelhas, nunca pretas. Um equino inteiramente avermelhado, inclusive nas crinas, é classificado como alazão. Na distinção do alazão amarilho, ele não apresenta membros pretos, ao contrário da pelagem baia, cujas extremidades dos membros são pretas.
Identificação do pseudo albino
O cavalo de aparência branca ou com pelos claros e olhos azuis é denominado pseudo albino, não albino verdadeiro; para essa classificação, seria necessária íris vermelha. Há registros documentados de cavalos brancos que sobreviveram.
A pelagem pseudalbina não é aceita para registro na maioria das associações de raças equinas, embora seja valorizada na raça Quarto de Milha. Em outras raças de cavalos além do Quarto de Milha, não existe registro de animais pseudo albinos. Entre suas variações, a pelagem Perlino apresenta crina e cauda um pouco mais escuras e avermelhadas; na raça Quarto de Milha, o Cremello é uma variação de pseudo albino e apresenta crina e cauda amareladas em tom de ouro.
Base da pelagem castanha
A pelagem castanha deriva da pelagem preta pela ação de um gene de clareamento que modifica principalmente o corpo. O resultado é um corpo avermelhado, mantendo crina, cauda e extremidades pretas. Por isso, essa pelagem é bastante predominante em diversas raças equinas.
Dentro dessa base, a pelagem zaina é um castanho fechado, uniforme e homogêneo, sem manchas brancas corporais, calçamentos ou outras manchas.
Reconhecendo o castanho pinhão
O castanho pinhão é uma variação muito escura do castanho, podendo se confundir com o preto. A identificação depende da avaliação da cabeça: pontos avermelhados ao redor dos olhos, na nuca e no focinho indicam castanho pinhão.
Esses pontos também podem aparecer atrás da espádua, nas axilas, no flanco e nas nádegas. Se a cabeça for totalmente preta, sem pontos avermelhados, a pelagem não é classificada como preto maltês.
Variações da pelagem baia
O baio é uma variação clareada do castanho: cabeça, pescoço, tronco e início dos membros tornam se amarelos. Os membros, a crina e a cauda permanecem pretos, um critério essencial para reconhecer essa pelagem.
O baio palha resulta de um clareamento ainda mais acentuado. Quando a pelagem baia apresenta bastante brilho, recebe o nome de baio encerado. Já o baio gatiado é reconhecido pelas zebruras, manchas pretas transversais nos membros.
Pelo de rato e ocorrência
O pelo de rato apresenta cor cinza com pigmentação mais clara. Sua principal pista de identificação é a listra de burro, também chamada de faixa crucial, localizada ao longo da linha dorsal ou lombar.
Essa particularidade é característica de asininos e muares, nos quais o pelo de rato ocorre tipicamente. Em equinos, a pelagem Dun é considerada relativamente rara.
Mecanismo do clareamento tordilho
A pelagem tordilha pode surgir em equídeos nascidos com qualquer cor de pelagem. Ela é determinada pelo gene dominante Grey (G), cuja herança genética é dominante.
Na pelagem composta, um mesmo pelo pode variar do preto para cinza e branco ou do castanho para o amarelo. O efeito do gene é cumulativo: cavalos homozigotos GG clareiam mais rapidamente. O clareamento costuma começar pela cabeça e pela região ao redor dos olhos.
Variações e exemplos de pelagem
A pelagem tordilha pode ser escura ou clara e apresenta variações específicas. O tordilho russo é aquele que clareou até ficar predominantemente branco. Já o tordilho cardão deriva de uma base castanha e tem aspecto mais avermelhado; exemplares dessa pelagem são frequentes na raça Pantaneiro.
No tordilho pedreiro, pequenos pontos vermelhos, castanhos ou pretos aparecem distribuídos sobre a pelagem base, enquanto o tordilho carbão concentra pigmentos escuros em determinadas regiões do corpo. A pelagem tordilha é valorizada em raças como o Mangalarga Marchador. Entre os rosilhos, o rosilho negro, ou mouro, tem base preta, e o rosilho azulego aparenta ser um rosilho sobre essa mesma base.
Critérios e variações Pampa
A pelagem Pampa exige no mínimo 100 cm² de manchas de despigmentação no corpo. Duas ou três manchas menores também são aceitas quando o somatório de suas áreas atinge 100 cm². Essas manchas têm delimitação mais linear e sobreposição de pelos, pistas úteis para a identificação visual.
A nomenclatura depende da proporção entre as cores: usa se “ castanho pampa ” quando predomina a cor castanha; “ pampa de castanho ” quando a despigmentação branca é proporcionalmente maior que a pelagem básica castanha; e “ castanho e pampa ” quando a pelagem castanha ocupa a maior parte do corpo, com menor proporção de manchas brancas. No pampa de alazão predomina o branco pampa, com pequenas manchas alazãs delimitadas. Já no tordilho pampa, a pelagem tordilha ocupa proporção maior do corpo que as manchas pampas.
Padrões Oveiro, Toveiro e Appaloosa
A diferença entre as pelagens oveira e toveira está na relação das manchas recortadas com a linha do espinhaço: na oveira, elas não ultrapassam essa linha; na toveira, ultrapassam na.
Appaloosa pode designar tanto uma raça equina quanto um padrão de pelagem. Esse padrão caracteriza se por manchas de despigmentação na pele da região da garupa. Na variação mantada, a despigmentação forma uma manta que se estende até a cernelha; na variação leopardo, espalha se por todo o corpo. As manchas devem ser descritas e representadas na resenha.
Particularidades da pelagem
Rodopios e particularidades gerais
O redemoinho ou rodopio é a alteração na direção do crescimento dos pelos no corpo do equino. No rodopio em leque, os pelos divergem e se abrem a partir do ponto de origem; a espiga é uma forma alongada de rodopio. Como a localização dos rodopios é permanente, ela ajuda a diferenciar animais visualmente semelhantes. Quando o rodopio está na garganta, recebe o nome de rodopio gargantilhado.
As particularidades gerais não têm sede fixa e podem ocorrer em qualquer região. Já as particularidades especiais ocupam regiões anatômicas específicas e estão comumente associadas a manchas e despigmentação da pele. A faixa crucial é uma particularidade que parte transversalmente da cruz ou cernelha.
Para interpretar corretamente a resenha, separe as particularidades da definição principal da pelagem: manchas brancas e calçamentos são particularidades da pelagem, não sua definição principal.
Manchas faciais e despigmentação
Entre as particularidades de despigmentação, o bebe em branco é uma mancha localizada nos lábios do equino: é superior no lábio superior e inferior no lábio inferior. Quando a despigmentação alcança ambos os lábios e a região das narinas, denomina se boca de leite. A bragadura fica restrita à região ventral, ou barriga, e pode aparecer associada à pelagem pampa, embora também corresponda a um cavalo de pelagem base, como o alazão bragado.
A forma também ajuda a reconhecer a particularidade: o patacado forma manchas arredondadas no corpo, semelhantes a moedas. Na face, a frente aberta resulta do somatório de estrela, cordão, filete e manchas de despigmentação.
Padrões lineares e contrastantes
Algumas marcas formam padrões lineares ou contrastantes no corpo e nos membros. A listra de burro é uma linha de pigmentação escura que vai da cernelha até a inserção da cauda; ocorre em equídeos em geral e é frequente na pelagem baia.
Nas pernas, as zebruras são manchas em faixas transversais; nos equinos baios, correspondem a faixas transversais de pigmentação mais escura. Já a particularidade picaço indica a presença de pelos brancos na região da cauda. O zebróide é um híbrido resultante do cruzamento de zebras com outros equídeos, como cavalos ou jumentos.
Variações do calçamento equino
Os calçamentos são diferenciados pela distribuição, altura e aspecto da despigmentação nos membros. O calçamento arregaçado ultrapassa o joelho ou o jarrete e avança em direção ao tronco. No calçamento em diagonal, há mancha branca no membro anterior de um lado e no membro posterior do lado oposto.
O calçamento arminhado contém pequenas pintas de pigmentação escura dentro das manchas brancas. No manalvo de altura média, a despigmentação alcança e ultrapassa o boleto em ambos os membros anteriores. O pedalvo incompleto atinge a região do jarrete sem envolver os 360 graus da circunferência do membro. Se uma mancha branca da pelagem pampa se funde ao calçamento, a despigmentação deixa de ser classificada isoladamente como calçamento.
Resenha e diferenciação individual
Na resenha, o padrão normal de coloração do casco nos equinos é escuro. Quando o casco é totalmente escuro, não há necessidade de descrições adicionais na resenha. Já cascos brancos ou mesclados em duas cores exigem descrição e representação gráfica obrigatórias na resenha.
Na representação gráfica, as regiões de despigmentação branca presentes no corpo e nos cascos são preenchidas com cor. A despigmentação facial do tipo frente aberta localiza se na cabeça do equino, abrangendo a fronte e o chafrão. Assim, mesmo entre equinos da mesma pelagem básica, como a alazã, as particularidades permitem a diferenciação individual.
Marcas e extensão na fronte
As marcas da fronte são diferenciadas pela relação entre os pelos e a pele. A presença de pelos brancos sem despigmentação da pele subjacente é descrita como pelos brancos. Quando há despigmentação da pele na região da fronte, a marca é denominada estrela.
A estrela pode apresentar formato de meia lua ou coração. Quando a mancha ocupa maior extensão, recebe o nome de luzeiro; para ser classificada assim, a mancha deve ocupar aproximadamente metade da fronte.
Marcas que percorrem a face
O filete é uma mancha estreita de despigmentação que se inicia na linha dos olhos e percorre o chanfrado do animal. Quando não chega até o focinho, é denominado filete interrompido e pode apresentar desvio para uma das narinas. Quando se apresenta mais largo, recebe o nome de cordão.
Na região nasal, a mancha de despigmentação é denominada beta. Se a beta se unir a um cordão ou filete no chanfrado, forma se a particularidade chamada ladre. Quando a despigmentação ultrapassa os olhos, a marca é malacara, que também pode descolorir os cílios e torná los brancos.
Marcação a frio ou a quente
Não confunda os efeitos: a marcação a frio provoca destruição dos melanócitos sem destruir o folículo, permitindo o crescimento de pelos brancos, cujo destaque visual depende da cor da pelagem; com nitrogênio líquido, a ação térmica destrói os melanócitos da pele do animal. A marcação a quente é mais agressiva, pois pode lesar pele e folículos, causa dor e danos ao animal, e a aplicação do ferro deve durar no máximo 3 segundos, sem pressão excessiva. Equinos de pelagem preta são comumente marcados a frio, enquanto tordilhos apresentam maior contraste visual com a marcação a quente. Marcas de fazenda ou de associação podem identificar e simbolizar status, mas resenha, microchipagem, DNA e reconhecimento fotográfico podem substituir ou complementar o procedimento.
O que define o calçamento
- Calçamento: É a despigmentação da pele e a presença de manchas despigmentadas na região dos membros do equino.
- Calçamento completo: Envolve toda a circunferência do membro, em 360 graus.
- Calçamento incompleto: Não circunda totalmente o membro.
Altura e extensão dos calçamentos
- Altura do calçamento: Pode ser sobre a coroa, baixo, médio ou alto.
- Sobre a coroa: A despigmentação fica restrita à coroa do casco.
- Calçamento baixo: Estende se da coroa até o boleto.
- Calçamento médio: Ultrapassa o boleto, podendo chegar ao joelho ou jarrete, mas não alcança essas articulações nos respectivos membros.
- Classificação do calçamento médio: Pode ser completo ou incompleto.
Padrões e distribuição nos membros
- Padrão arruinhado ou erminado: Apresenta pequenas pontas ou manchas da pelagem principal dentro da área despigmentada.
- Manalbo: Indica calçamento apenas nos membros anteriores.
- Pedalbo: Indica calçamento apenas nos membros posteriores.
- Trialbo: Indica calçamento em três membros.
- Quadralbo: Indica calçamento nos quatro membros.
Registro genealógico
Quando uma raça se consolida
Para que dois animais sejam considerados da mesma raça, devem pertencer à mesma espécie, apresentar características semelhantes e transmitir geneticamente essas características. Na formação de uma raça equina, mantém se o livro aberto até que se estabeleça uma população registrada expressiva, entre 40 mil e 50 mil indivíduos, garantindo variabilidade genética antes do fechamento definitivo. O registro de uma raça pode inicialmente utilizar livro aberto, permitindo a entrada de animais que atendam ao padrão racial mesmo sem genealogia registrada.
Posteriormente, o livro pode ser fechado para aumentar a homogeneidade e conservar os genes da população registrada. Esse fechamento concentra as características raciais desejadas na população equina. No livro fechado da raça Pampa, o garanhão recém nascido necessita ter ao menos o pai previamente registrado na associação para obter o registro. Não confunda: a pelagem pampa e a raça Paint Horse são conceitos distintos: a pampa é uma pelagem, enquanto o Paint Horse é uma raça equina específica. O padrão de pelagem Pampa deu origem a uma raça equina própria.
O ancestral do cavalo doméstico
O cavalo de Przewalski é considerado o ancestral mais próximo do cavalo doméstico.
Do nascimento ao registro
O registro genealógico segue uma progressão: comunicação, inspeção, confirmação de filiação e avaliação definitiva.
- Etapa: Devem ser comunicados à associação o acasalamento e o nascimento dos potros.
- Etapa: Um técnico realiza a visita quando o potro ainda está ao pé da mãe, facilitando a confirmação da filiação.
- Etapa: A amostragem biológica é realizada pela coleta de pelos com bulbo capilar, extraídos da crina ou da ponta da cauda. O exame de DNA confirma ou exclui a genitora e o genitor declarados para o potrinho, em relação aos dados fornecidos do garanhão e da égua.
- Etapa: Também são avaliadas pelagem, defeitos graves, conformação e compatibilidade com os padrões raciais.
- Etapa: Durante a inspeção técnica de registro, também se checa a compatibilidade da pelagem do potrinho com a de seus genitores, como no caso de potrinhos nascidos com a pelagem tordilha.
- Etapa: O registro provisório é sucedido pelo registro definitivo, geralmente solicitado quando o animal se aproxima dos três anos.
Critério eliminatório no registro
Para o registro definitivo, verificam se altura da cernelha, conformação da cabeça e das orelhas, andamento e demais características raciais. Em raças marchadoras, o animal deve apresentar marcha; em raças de trote, o andamento deve corresponder ao padrão exigido. Esse critério é eliminatório: animais de raças marchadoras que apresentam andamento em trote não são registrados. Caso a altura mínima não seja alcançada, pode se aguardar o crescimento adicional e solicitar nova avaliação; a cernelha pode continuar crescendo até aproximadamente cinco anos.
Genética das pelagens
Pigmentos básicos: B e C
A leitura dos pigmentos básicos começa pelo gene B (Black). O alelo dominante B (Black) determina a pelagem preta, enquanto o genótipo bb resulta na pelagem alazã. O gene B apresenta efeito cumulativo.
O gene C (Color) participa da produção de pigmento nos pelos e, em homozigose recessiva cc, impede a síntese normal. Esse genótipo está associado aos fenótipos albino ou pseudalbino; além disso, a diluição intensa do pigmento amarelo produz a tonalidade branca correspondente ao pseudalbino.
Agouti e clareamento regional
O gene A (Agouti) promove um clareamento na pelagem dos equinos. O gene Agouti (A) restringe a distribuição da pigmentação preta. Seu efeito sobre a pelagem preta produz a pelagem castanha.
O alelo A+ clareia regiões como cabeça, tronco e pescoço, originando pelagens como a castanha. O gene A não possui efeito cumulativo, expressando o mesmo fenótipo tanto em homozigose dominante quanto em heterozigose.
Padrões compostos e despigmentação
Os padrões compostos e a despigmentação resultam da ação de genes e alelos com efeitos distintos sobre a pelagem equina.
- Homozigose: Nos equinos homozigotos, surgem manchas de despigmentação sobre a pelagem de base.
- Pelagem Pampa: O gene responsável pela pelagem Pampa é dominante, representado pelo alelo P, e apresenta alta transmissibilidade para as gerações seguintes.
- Paint/Tobiano: O gene Paint/Tobiano, associado ao P dominante, determina o padrão pampa.
- Leopard (LP): O gene Leopard (LP) determina os padrões característicos da raça Appaloosa.
- Efeito cumulativo: O gene Leopard (LP) possui efeito cumulativo, ampliando a despigmentação conforme aumenta a dose de alelos dominantes.
- Pelagens compostas: Alelos como Overo (OV), Tobiano (TO) e Roan (RN) determinam padrões de despigmentação e pelagens compostas.
Marcas brancas e diluição
Os genes de marcações controlam particularidades brancas, como calçamentos e estrelas. Para se manifestarem na cabeça ou nos membros, essas marcas necessitam do alelo dominante.
Separadamente, os genes de diluição, como D, clareiam a intensidade dos pigmentos. A quantidade de alelos D interfere no grau de diluição da pelagem baia; na pelagem preta, o gene D expressa se pela variedade denominada pelo de rato.
Extension e progressão tordilha
O gene Extension (E) controla a extensão da eumelanina e da feomelanina, modifica a expressão da pelagem preta, conferindo lhe aspecto brilhante, e atua em tonalidades como o preto azeviche e o alazão tostado.
O gene Grey está associado ao tordilho e possui efeito aditivo na velocidade de clareamento do pelame. Equinos heterozigotos com apenas um alelo G clareiam mais lentamente. Como a característica é dominante, pelo menos um dos genitores deve ser tordilho, e o gene auxilia na identificação do parentesco genético do equino.
Exceções letais nas pelagens
Historicamente, acreditava se que o potro nascido branco não sobrevivia e morria nas primeiras horas de vida devido a genes letais. A homozigose dominante no gene Rosilho é letal e resulta em mortalidade embrionária. No gene Overo, a homozigose dominante O O é letal ao potro por estar associada ao estreitamento intestinal e à incapacidade de expelir o mecônio. Por isso, o cruzamento entre dois indivíduos de pelagem overo apresenta elevado risco de gerar um potro homozigoto inviável.
Como resolver cruzamentos equinos
Resolva cada cruzamento seguindo uma sequência fixa: identifique os genótipos, combine os alelos e interprete os fenótipos e as proporções.
- Etapa: Identifique os genótipos dos pais, separando os alelos de cada progenitor.
- Etapa: Determine os genótipos parentais: quando o fenótipo for fornecido, utilize o diretamente; quando somente a pelagem for informada, deve se considerar o genótipo mais diversificado compatível com o fenótipo, para que todas as possibilidades sejam contempladas.
- Etapa: Combine todas as possibilidades de alelos entre os pais e organize os fenótipos esperados com suas respectivas proporções.
- Etapa: Interprete o resultado, verificando a eventual presença de genótipos letais e de características valorizadas, como o padrão pampa. Em reprodutores equinos homozigotos para o gene Pampa, 100% dos produtos descendentes nascem com a pelagem Pampa; o equino Pampa homozigoto possui maior valorização comercial no mercado.
Dicas Para Provas
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
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| A não retirada do cavalo da baia para avaliação sob a luz solar pode prejudicar a análise da pelagem e resultar em perda de pontos na prova. |
| As características das raças equinas constituem tópico cobrado em questões de prova. |
| Em provas e avaliações oficiais da raça Quarto de Milha, não se utilizam os termos regionais, adotando se o termo padronizado Palomino. |
| Quando um exercício ou questão de prova fornecer apenas o fenótipo de pelagem equina, deve se adotar a composição genotípica mais diversificada possível. |
Reflexão Sion
Além da aparência
A resenha equina precisa unir desenho e descrição com precisão, registrando marcas individuais para diferenciar animais de pelagem semelhante. Assim como a identidade do cavalo não se resume à sua aparência, nosso valor não depende apenas do que é visível. Jesus conhece nossas marcas, sustenta nossa vida e nos convida a confiar nele.
O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta.Salmos 23:1
Leia e reflita sobre suas marcas e seu valor.