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MedVet7 PeríodoOdontologia VeterináriaP1

Aula 05 Extração Dental em Odontologia Veterinária

A preservação é prioritária quando possível; a extração ganha lugar quando a manutenção conservadora deixa de ser viável.

Duracao: 31 min

Topicos da aula

  • Extrusão

Overview

Extração Dental em Odontologia Veterinária

Esta aula apresenta a extração dental como uma intervenção indicada quando não é possível preservar o dente por meios conservadores. A decisão depende da espécie, da anatomia radicular, da condição periodontal, de danos estruturais, de dentes retidos ou de limitações para tratamentos especializados. As diferenças entre seres humanos, carnívoros, equinos, coelhos e roedores determinam riscos, instrumentos e técnicas específicas. O conteúdo enfatiza avaliação radiográfica, atendimento precoce, comunicação responsável e encaminhamento quando necessário. Também aborda a sequência segura da exodontia, desde a sindesmotomia e a luxação até a extração, limpeza, sutura e manejo de complicações, sempre com controle da força, proteção das estruturas adjacentes e atenção à remoção completa do dente.

Contexto histórico e diferenças entre espécies

Da extração à odontologia conservadora

A extração dentária, denominada exodontia, é indicada quando não é possível preservar o dente por meios mais conservadores. Historicamente, o tratamento odontológico tinha caráter predominantemente curativo, e a dor dentária era frequentemente resolvida pela remoção do dente. Na época de Tiradentes, o tratamento odontológico era predominantemente curativo e muito menos cosmético do que na atualidade. Nesse contexto, a chave utilizada por Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, tornou se associada à prática; A chave de Garengeot era um instrumento utilizado historicamente para a realização de extrações dentárias.

Com a evolução da odontologia, passou se a priorizar a reparação dentária, a conservação das estruturas e a manutenção da função, antes que a extração se tornasse necessária. Atualmente, a odontologia também abrange procedimentos estéticos e funcionais, como a instalação de lentes de contato dentais, correções ortodônticas e harmonização facial.

Dentes de carnívoros e equinos

Os dentes humanos apresentam extração relativamente mais simples que os dentes dos carnívoros porque possuem raízes menos profundas. Nos cavalos, o diastema corresponde a uma área desprovida de dentes onde se encaixam o bridão e o freio. Alguns dentes são regularmente extraídos para permitir o correto posicionamento do freio nessa região; esses dentes, conhecidos como dentes de lobo, podem estar presentes em machos e fêmeas, não apresentam função essencial e podem interferir na instalação do bridão.

Na técnica de exodontia com boticão, podem ser usados fórceps; movimentos de rotação progressivos visam romper os ligamentos periodontais até a completa avulsão do dente.

Por que carnívoros exigem mais técnica

Na extração de dentes humanos, o cirurgião dentista utiliza um fórceps articulado para fixar o dente e realizar movimentos controlados. Na odontologia humana, a extração de dentes como o siso pode ser realizada fixando se o dente com boticão articulado e aplicando movimentos para sua luxação e extração.

Em dentes de carnívoros, essa técnica isolada geralmente não é suficiente, devido à maior profundidade das raízes. Nesses casos, empregam se alavancas para romper os ligamentos periodontais, seguindo se a utilização do fórceps. A extração dentária em carnívoros é, portanto, mais desafiadora e exige maior conhecimento técnico, controle da força e percepção da resistência oferecida pelas estruturas de fixação.

Indicações gerais para extração

Quando preservar deixa de ser viável

A preservação é prioritária quando possível; a extração ganha lugar quando a manutenção conservadora deixa de ser viável.

  • Preservação: A odontologia veterinária contemporânea busca evitar a extração sempre que houver possibilidade de tratamento conservador.
  • Atendimento tardio: Muitos pacientes são atendidos tardiamente, quando a doença periodontal já alcançou grau avançado e a preservação dentária deixou de ser viável.
  • Doença periodontal grau 4: Na odontologia veterinária, é frequente que o primeiro atendimento ocorra quando a doença periodontal já está em grau 4; nesse grau, em animais, a extração dentária é indicada pela impossibilidade de manutenção conservadora do dente.
  • Indicações formais: Existem cinco condições clínicas gerais que justificam formalmente a realização de extração dentária.
  • Avaliação radiográfica: O exame odontológico completo implica avaliação radiográfica, e a indicação técnica deve ser respaldada por imagem radiográfica.
  • Diagnóstico definitivo: O diagnóstico definitivo só é acessível com o paciente sob anestesia e avaliação radiográfica.
  • Diferença entre espécies: Carnívoros podem viver adequadamente sem dentes, ao contrário dos primatas, nos quais a mastigação participa de maneira importante da digestão oral.
  • Digestão oral em primatas: A saliva dos primatas contém enzimas que iniciam a digestão dos amidos, e a mastigação contribui para o processamento alimentar.

Prevenção reduz extrações extensas

O atendimento odontológico precoce permite a adoção de medidas conservadoras e reduz a necessidade de extrações extensas. Por isso, a atenção à saúde oral preventiva deve começar antes do aparecimento de lesões avançadas, especialmente em animais braquicefálicos, miniaturizados e outras populações predispostas a alterações de oclusão e retenção dentária.

Mesmo o profissional que não pretende atuar exclusivamente em odontologia veterinária deve reconhecer o valor da avaliação oral regular e do encaminhamento precoce quando houver alterações dentárias ou periodontais.

Retenção decídua e perda de espaço

Reconheça a retenção, suas associações e o motivo pelo qual a extração se torna necessária.

  • Retenção de dente decíduo: O dente decíduo retido que não sofreu esfoliação deve ser removido.
  • Dente decíduo: Dente decíduo é a denominação técnica para o dente de leite. Assim, o dente de leite que não sofreu esfoliação fisiológica espontânea precisa ser extraído cirurgicamente.
  • Situações associadas: A retenção é observada com frequência em pacientes com má oclusão, giroversão, apinhamento dentário ou ausência de exercício funcional adequado.
  • Predisposição: Essas alterações são comuns em cães braquicefálicos e miniaturizados. O formato da mandíbula e a distribuição inadequada dos dentes podem reduzir a eficiência mastigatória e favorecer a permanência dos dentes decíduos.
  • Efeitos da retenção: O dente retido compete por espaço com o dente permanente e cria áreas de retenção de resíduos alimentares, favorecendo a doença periodontal.
  • Indicação de extração: Por isso, dentes decíduos retidos exigem extração: disputam o espaço anatômico da arcada com a dentição permanente.

Troca dentária em cães jovens

A troca dentária varia entre espécies e entre raças de diferentes portes. Em cães, a erupção dos caninos permanentes ocorre, em geral, entre seis e oito meses, período em que o canino permanente deve disputar espaço com o canino decíduo, cuja esfoliação precisa ocorrer oportunamente.

A erupção adequada dos dentes permanentes contribui para a esfoliação dos dentes decíduos; entretanto, o apinhamento e a giroversão podem alterar esse processo. Em raças braquicefálicas e miniaturizadas, a retenção de dentes decíduos é particularmente frequente, o que reforça a importância da avaliação precoce.

Anatomia e proximidade crítica

Os dentes decíduos de animais carnívoros possuem raízes profundas. Durante sua extração, trabalha se muito próximo ao dente permanente em formação, e a alavanca atua rente a ele, exigindo atenção à proximidade crítica entre as estruturas.

Esse dente jovem é frágil porque a parede de dentina apical ainda é estreita. Com a maturação dental, a deposição contínua e progressiva de dentina promove o fechamento e o estreitamento gradual do canal radicular.

Por que o risco é elevado

A extração cirúrgica de dentes decíduos retidos adjacentes a dentes permanentes em formação é um procedimento de alto risco, especialmente quando caninos decíduos retidos disputam espaço com caninos permanentes. Por isso, a remoção cirúrgica desses caninos em disputa de espaço é considerada uma intervenção de elevado risco.

O uso da alavanca pode traumatizar, comprometer ou causar trauma ao dente definitivo em desenvolvimento, sobretudo em animais com mineralização dentária incompleta, pois esse dente é frágil. O dente definitivo em desenvolvimento pode ser comprometido pela alavanca; por isso, a extração de dente decíduo retido é considerada uma extração de alto risco.

Técnica e contraindicação essencial

A extração de dente de leite retido não é um procedimento fácil e não possui garantia de sucesso. Na exodontia de dentes decíduos retidos em cães, deve se utilizar alavanca para romper os ligamentos periodontais; é contraindicado utilizar exclusivamente o boticão com movimentos de rotação e luxação. Portanto, não se deve realizar a extração apenas com esse tipo de movimento.

Impacto dos dentes supranumerários

O dente supranumerário é um dente adicional além do padrão anatômico esperado, como um incisivo excedente. Embora não seja frequente, ele altera a distribuição dos demais dentes na arcada.

Essa alteração pode provocar apinhamento, giroversão e comprometimento funcional, justificando sua avaliação e, quando indicado, a extração. A decisão considera a posição do dente, sua influência sobre estruturas adjacentes e o grau de alteração da oclusão.

Terceiros molares e arcos reduzidos

Nos seres humanos, a erupção tardia dos terceiros molares é relacionada à redução dos arcos mandibulares e maxilares ao longo do processo evolutivo. Esse processo evolutivo humano foi acompanhado pela redução dos ramos mandibulares e maxilares, comprometendo a distribuição espacial dos dentes na arcada.

A menor necessidade funcional dos dentes teria acompanhado essa redução. Por isso, a indicação de remoção deve ser avaliada de acordo com a posição, a função e as alterações associadas ao dente.

Furca exposta e retenção periodontal

Na doença periodontal avançada, a perda de osso alveolar pode criar espaços mortos ao redor de dentes multirradiculares. Esses espaços retêm resíduos alimentares e favorecem inflamação, multiplicação bacteriana, halitose e formação de cálculo dentário.

Dentes monorradiculares podem, em algumas situações, ser mantidos mesmo com retração gengival e perda óssea. Já dentes multirradiculares que criam espaço de retenção de resíduos em razão da perda óssea têm indicação de extração.

A exposição de furca favorece o acúmulo de resíduos, sujidades e cálculo dental. Quando há lesão de furca exposta, esses dentes têm indicação de extração cirúrgica.

Dano estrutural sem restauração

Uma indicação de extração é o dano estrutural sem possibilidade ou recomendação de restauração. A cárie é comum em primatas e rara em carnívoros, embora também possa ocorrer em carnívoros; por isso, a espécie deve participar da interpretação clínica da lesão.

Em primatas, é necessário considerar as particularidades da anatomia dentária, da espessura do esmalte, das raízes e do ápice radicular. Como o tratamento endodôntico pode apresentar dificuldades próprias, a avaliação da espécie é essencial para interpretar corretamente o dano estrutural e escolher entre tratamento conservador e extração.

Açúcar refinado e lesões cariosas

A exposição ao açúcar refinado é apresentada como fator associado à instalação de cárie. Em animais de zoológico, alimentos preparados na cozinha podem receber açúcar para melhorar a palatabilidade; assim, essa adição favorece a instalação de lesões cariosas, especialmente em primatas.

Além disso, visitantes podem oferecer balas, sorvetes e refrigerantes aos animais, especialmente aos primatas, cuja expressão facial favorece a interação com o público. Carnívoros também podem receber, de maneira inadequada, chocolate, doces, gelatina ou outros alimentos açucarados oferecidos por pessoas durante as refeições. Essa exposição aumenta a possibilidade de desenvolvimento de lesões cariosas.

Trauma, abrasão e fraturas dentárias

Os danos estruturais também podem resultar de traumas e hábitos comportamentais. Animais confinados podem morder grades, paredes ou outros elementos do recinto, enquanto cães podem morder pedras, objetos rígidos ou estruturas do ambiente.

Animais com doenças cutâneas crônicas podem apresentar atrito repetitivo contra superfícies, provocando desgaste. O desgaste dentário regular está relacionado ao atrito e à abrasão. Brigas, mordeduras e outros traumatismos podem causar fraturas, perda de esmalte e dentina e, eventualmente, exposição pulpar.

Polpa exposta sem suporte endodôntico

Um dente traumatizado pode apresentar exposição e contaminação da polpa, seguidas de necrose e perda de vitalidade. Em condições ideais, o tratamento endodôntico poderia preservar o dente, mas sua realização depende de recursos adequados.

Pode haver ausência de recursos financeiros, equipamentos, materiais ou competência técnica para realizar o procedimento. Em animais de médio ou grande porte, podem ser necessárias limas endodônticas de 60 ou 120 milímetros; essas limas podem não estar disponíveis no mercado nacional e exigir importação. Nessas circunstâncias, a extração pode ser indicada quando o tratamento conservador não é acessível.

Limites profissionais e comunicação com o responsável

Limites técnicos e encaminhamento seguro

O profissional que não possui habilidade, equipamento ou experiência para determinado tratamento deve comunicar essa limitação ao responsável. A extração pode ser indicada quando for tecnicamente apropriada; caso contrário, o paciente deve ser encaminhado a um profissional capacitado.

O tratamento de canal é considerado uma área de alta especialidade, sendo conduta adequada o encaminhamento do paciente a um especialista caso o profissional não execute o procedimento. Como a odontologia apresenta áreas de especialização, reconhecer os limites da própria atuação faz parte da responsabilidade técnica. O responsável também deve ser informado quando o tratamento exigir recursos inexistentes na clínica, no município ou na região.

O Conselho Federal de Medicina emitiu parecer questionando a prerrogativa de cirurgiões dentistas realizarem procedimentos de harmonização facial com toxina botulínica e preenchedores.

Particularidades dos coelhos e roedores

Crescimento contínuo e má oclusão

Coelhos e roedores apresentam dentes de crescimento contínuo. Quando não há atrito e abrasão suficientes, em razão de manejo alimentar inadequado ou de características raciais, os incisivos podem crescer excessivamente e produzir má oclusão.

O tratamento pode exigir desgastes e reparos repetidos, muitas vezes em intervalos de aproximadamente vinte dias. A necessidade frequente de anestesia e desgaste pode comprometer progressivamente o hábito alimentar e a condição geral do paciente.

Extração e tecido germinativo

Em coelhos e outros roedores, os dentes têm raízes muito profundas, o que torna a extração tecnicamente complexa. Nos incisivos superiores, remover o dente pode não eliminar o tecido formador; o tecido formador e os odontoblastos tendem a continuar produzindo esmalte e dentina. Por isso, além da extração, pode ser necessário traumatizar mecanicamente o tecido germinativo, com o objetivo de cessar a produção de dentina e esmalte.

Em uma das técnicas, após a ruptura dos ligamentos periodontais e a soltura do dente, empurra se o dente para dentro do alvéolo dental para promover trauma mecânico no tecido germinativo. Se esse tecido permanecer ativo, poderá formar uma estrutura dentária ou cística que continue crescendo. A persistência de tecido germinativo após a extração pode levar à formação de um cisto dental que continuará produzindo e crescendo.

Complicações após extração em coelhos

O tecido germinativo remanescente pode formar uma estrutura malformada que erupcione no palato ou se projete para a cavidade nasal. Essa alteração produz complicações secundárias e pode exigir nova cirurgia, mais profunda e complexa.

O responsável deve saber que a extração pode resolver a situação imediata, mas também pode ser seguida de complicações. Em coelhos, a extração dentária apresenta elevado risco de complicações posteriores, com maior probabilidade de complicação do que de sucesso. Em animais miniaturizados, a má oclusão pode fazer parte de um conjunto de problemas relacionados à seleção racial; por isso, a família deve compreender previamente essa possibilidade. Mini coelhos de diversas raças apresentam predisposição a má oclusão e complicações dentárias. Cães e gatos braquicefálicos, assim como coelhos miniaturizados, apresentam predisposição a problemas de má oclusão dentária.

Preceitos fundamentais da extração

Os três preceitos da exodontia

  • Três preceitos: Na extração dentária, esses preceitos significam extrair o dente, extrair apenas o dente e extrair todo o dente.
  • Somente o dente: Exige que não sejam removidos fragmentos desnecessários de osso alveolar ou estruturas adjacentes.
  • Todo o dente: Exige que nenhuma parte do dente, especialmente uma raiz fraturada, permaneça no alvéolo.
  • Extração incompleta: Quando o dente não é extraído por inteiro, fragmentos de raiz permanecem no interior do alvéolo dental, complicando o procedimento cirúrgico.
  • Fragmento radicular retido: A permanência de fragmento de raiz dentária no interior do alvéolo pode provocar dor, formação de fístula e falha na cicatrização.
  • Condução inadequada da alavanca: Pode remover osso junto com o dente ou deixar fragmentos dentro da mandíbula ou da maxila.

Sinais de fragmento radicular retido

Um fragmento radicular abandonado pode provocar dor, inflamação, secreção, ausência de cicatrização e necessidade de nova intervenção. A radiografia pode revelar a presença do fragmento e orientar sua remoção, funcionando como um importante recurso de controle após uma extração incompleta.

Quando é necessário realizar uma nova abordagem, o procedimento secundário tende a ser mais complexo justamente porque decorre da remoção incompleta. A expressão “ops” representa, de forma ilustrativa, o reconhecimento de um erro ocorrido durante o procedimento, como a fratura da raiz ou o deslocamento inadequado da alavanca.

O objetivo técnico é reduzir a possibilidade desse evento por meio de planejamento e controle, evitando que uma falha na extração deixe consequências no alvéolo.

Fístula infraorbital e quarto pré molar superior

Cadeia infecciosa da fístula infraorbital

Em cães, a fístula infraorbital é secundária a uma pulpite do quarto pré molar da arcada superior, também chamado de dente carniceiro. A fístula infraorbital em cães é secundária a uma pulpite do quarto pré molar superior. A fratura da coroa durante a mastigação de material muito duro pode expor a polpa. Em cães, a mastigação de ossos ou objetos muito duros pode causar a fratura da coroa do quarto pré molar superior, expondo a polpa dentária.

A contaminação decorrente da exposição pulpar do quarto pré molar progride com necrose de toda a polpa dentária na ausência de intervenção. As bactérias da contaminação pulpar penetram pelo canal radicular e alcançam o ápice radicular através do delta apical, atingindo o osso alveolar e desencadeando um processo inflamatório. A contaminação bacteriana progride pelo canal radicular até o ápice, alcança o osso alveolar e desencadeia inflamação e formação de abscesso.

A perda óssea aparece como área radiolúcida na radiografia. Como o abscesso pode estar muito próximo da face, a pressão do processo inflamatório pode produzir drenagem e fistulização abaixo do olho. A pressão do pus gerado pelo processo inflamatório provoca drenagem e fistulização abaixo do olho do cão.

Protegendo o olho durante extração

No cão, o assoalho da órbita e a parede óssea voltada para o meio externo são muito delgados. O quarto pré molar superior é multirradicular, e suas raízes podem não ser paralelas. Essa configuração dificulta a remoção direta. O uso inadequado da alavanca em região com osso fragilizado pode transfixar a estrutura óssea e perfurar o bulbo ocular. Essa perfuração acidental durante a extração dentária pode exigir a enucleação cirúrgica do olho. Por isso, a extração exige planejamento, conhecimento anatômico, controle da direção da força e avaliação radiográfica.

Odontossecção para reduzir resistência

Uma alternativa para reduzir a resistência durante a extração é realizar a odontossecção, dividindo o dente multirradicular em unidades semelhantes a dentes monorradiculares. Em um dente de três raízes, a odontossecção com broca permite seccioná lo em três segmentos unirradiculares, facilitando a extração. Em termos gerais, ela transforma o dente multirradicular em fragmentos monorradiculares, facilitando o processo de exodontia.

A secção é feita com broca, geralmente da furca em direção à coroa. Após a separação, cada segmento pode ser luxado individualmente, com menor resistência. A alavanca deve ser utilizada com cuidado, pois o abscesso e a fragilidade do assoalho orbitário aumentam o risco de transfixação. Assim, a preservação do olho é um objetivo essencial do procedimento.

Dentição e diferenças evolutivas

Classificação evolutiva da dentição

Quanto à substituição dentária, as espécies podem ser classificadas em difiodontes e monofiodontes. Os difiodontes apresentam dentes decíduos que são posteriormente substituídos por dentes permanentes; os carnívoros e os seres humanos pertencem a esse grupo. Já os monofiodontes não apresentam uma dentição decídua seguida de uma dentição permanente típica; os roedores são citados como exemplo. Conhecer essa distinção é particularmente importante para o médico veterinário que atende espécies diferentes.

Canino anquilosado e dente permanente

O canino decíduo que não foi esfoliado pode permanecer ao lado do canino permanente. Sua extração é desafiadora porque o dente pode sofrer anquilose, dificultando a mobilização. Se o dente permanente ainda não estiver plenamente mineralizado, a alavancagem poderá causar trauma, pois o processo de maturação estará em curso.

Por isso, a extração deve ser realizada com força controlada e movimentos delicados, evitando danos ao dente definitivo.

Instrumentos e segurança

Broca cirúrgica: corte versus perfuração

A broca de alta rotação não serve apenas para produzir orifícios. Algumas brocas têm formato cônico e atuam como fresas, realizando cortes e desgastes. A broca cirúrgica odontológica do tipo Zekrya funciona como fresa para desgaste e corte lateral, não sendo indicada para perfuração direta. As brocas são produzidas com ligas metálicas duras, como aço, aço cromo e aço molibdênio. Essa dureza permite cortar esmalte, mas reduz a flexibilidade.

Quando utilizadas de maneira inadequada, podem travar e fraturar, lançando fragmentos contra o profissional ou o paciente. Por isso, a odontologia veterinária exige instrumentais específicos e diversificados para atender às particularidades de espécies como gatos, coelhos e chinchilas. As extrações dentárias exigem cautela e execução passo a passo para prevenir a ocorrência de fraturas ósseas.

Proteção ocular contra fragmentos e aerossóis

Durante o uso de brocas, é obrigatório utilizar equipamentos de proteção individual, especialmente óculos de proteção. Durante todo o procedimento, o profissional deve sempre utilizar óculos de proteção (EPI), pois a fratura da broca pode arremessar fragmentos. O profissional que utiliza óculos de grau deve colocar proteção sobre eles ou usar proteção adequada, evitando riscos e lesões.

O procedimento também produz aerossóis contendo microrganismos da cavidade oral. Bactérias anaeróbias, incluindo bacilos Gram negativos, podem atingir olhos, narinas e boca. Máscara, óculos e demais equipamentos reduzem o risco de contaminação.

LROF felina: aparência não é cárie

A lesão reabsortiva odontoclástica felina (LROF) é uma enfermidade oral muito particular da espécie felina. A origem da LROF permanece não completamente esclarecida. Ela envolve um processo autoimune no qual o organismo do animal reage contra o dente e passa a reabsorvê lo. A lesão pode causar alteração do esmalte, exposição da dentina e exposição pulpar, associadas à sensibilidade.

Visualmente, a LROF se assemelha a uma cárie dentária, embora não possua natureza cariosa. A sensibilidade pode modificar o comportamento alimentar e favorecer a recusa de água. Dentes com perda estrutural significativa e sensibilidade por LROF têm indicação de extração cirúrgica. Não se deve confundir a aparência cariosa com uma lesão de natureza cariosa.

Tentativas de tratamento conservador por obturação ou aplicação de flúor não contêm a progressão da LROF, sendo a extração total a alternativa definitiva. Como o tratamento restaurador não impede necessariamente a progressão, algumas situações exigem extração extensa ou total dos dentes comprometidos.

Etapas da extração dental

Acesso inicial ao espaço periodontal

A sindesmotomia é a primeira etapa da extração dental. Ela é realizada com o sindesmótomo, instrumento semelhante a uma pequena enxada ou alavanca. O instrumento é sem corte e não afiado.

Durante a manobra, ele rompe a inserção da gengiva livre e avança em direção ao ligamento periodontal. Essa desinserção facilita o acesso da alavanca ao espaço periodontal; por isso, o sindesmótomo deve ser inserido de modo a criar esse acesso para a posterior introdução e condução da alavanca.

Anatomia e orientação instrumental

Ao redor do dente, a anatomia gengival inclui a gengiva livre e a mucosa gengival, com o sulco gengival entre elas. Na porção óssea interna do alvéolo estão os ligamentos periodontais e a região do delta apical. Anatomicamente, os ligamentos ficam entre o cemento radicular e a lâmina dura do osso alveolar.

A sindesmotomia adequada orienta o posicionamento do instrumental para a luxação. Além disso, a percepção tátil do cirurgião é transmitida e ampliada pelos instrumentos durante a sondagem, a palpação e a rotação com o fórceps. A lâmina de bisturi também pode ser usada, mas é mais traumática e exige maior habilidade técnica que o sindesmótomo.

Precisão na luxação inicial

A luxação exige uma condução precisa e progressiva da alavanca.

  1. Etapa: Inicie com precisão na introdução e na condução da alavanca. Em regiões de cortical óssea delgada, uma abordagem incorreta com a alavanca ou o sindesmótomo pode separar a gengiva do osso alveolar.
  2. Etapa: Controle o direcionamento: o desvio da alavanca pode atingir a mucosa gengival e descolar esse tecido. Como a gengiva é friável, a tração excessiva também pode causar rasgamento durante a aproximação e a sutura.
  3. Etapa: Se a rotação com o fórceps mostrar fibras periodontais ainda aderidas em uma face, como a palatina, a alavanca deve ser reinserida exatamente nesse local.
  4. Etapa: Para iniciar a luxação, deve se combinar empurrar e rotacionar, avançando progressivamente, aguardando um instante e então realizando a rotação.

Força progressiva e deslocamento

A força deve avançar de modo progressivo, acompanhando o deslocamento do dente.

  1. Etapa: Marque o tempo de 4 a 5 segundos. Durante a luxação, a alavanca deve ser pressionada e sustentada por 4 a 5 segundos, permitindo que as fibras de Sharpey iniciem o rompimento sob pressão constante.
  2. Etapa: Percorra a estrutura em todas as direções. Os movimentos de alavanca devem ser aplicados em todo o perímetro tridimensional da estrutura dentária.
  3. Etapa: Apoie a alavanca no osso alveolar. Ao apoiar a alavanca no osso alveolar, a força exercida produz uma ação de gangorra que tende a deslocar o dente para fora do alvéolo.
  4. Etapa: Em casos graves de doença periodontal, considere que os ligamentos já estão destruídos e o dente apresenta mobilidade ou rotação. Por isso, um pequeno esforço de alavanca pode deslocá lo para fora do alvéolo.
  5. Etapa: Direcione a tração com alavancas anguladas. Alavancas anguladas também podem direcionar forças para tracionar a raiz do interior do alvéolo para fora.

Quando a sindesmotomia é decisiva

A sindesmotomia é mais importante quando o dente está relativamente íntegro, como ocorre em determinados caninos decíduos retidos. Seu objetivo é criar acesso adequado aos ligamentos periodontais sem traumatizar a gengiva ou o osso. Em dentes gravemente comprometidos pela doença periodontal, a mobilidade pode tornar essa etapa menos relevante, especialmente quando há dano avançado e mobilidade acentuada.

O instrumento pode apresentar uma ponta reta e outra angulada. A porção reta é frequentemente utilizada na odontologia veterinária, embora ambas possam ser empregadas conforme a situação.

Luxação progressiva com alavanca

A luxação progride após o acesso inicial, com ruptura controlada dos ligamentos periodontais e aumento da mobilidade do dente.

  1. Etapa: Após o acesso inicial, realiza se a luxação dental com a alavanca.
  2. Etapa: Após a sindesmotomia, a etapa seguinte na extração dental consiste na luxação do dente com a alavanca. A alavanca odontológica é utilizada após a atuação do sindesmótomo para iniciar a ruptura dos ligamentos periodontais.
  3. Etapa: Faça a introdução progressiva do instrumento: A introdução progressiva do instrumento rompe os ligamentos periodontais e aumenta a mobilidade do dente.
  4. Etapa: Posicione a alavanca junto à superfície radicular, com direção controlada. A alavanca odontológica angulada pode ser empregada para aplicar força na luxação e extração do dente.
  5. Etapa: Aplique a força gradualmente, respeitando a resistência tecidual e a anatomia do dente.
  6. Etapa: Evite o uso inadequado, pois ele pode deslocar a mucosa, remover osso ou atingir estruturas vizinhas.

Localizando fibras pela percepção tátil

Depois da luxação, o fórceps é utilizado para avaliar a retenção remanescente. Uma rotação delicada permite identificar a região em que ainda existem ligamentos periodontais aderidos. O operador deve desenvolver sensibilidade tátil para reconhecer se a resistência está presente na face vestibular, palatal, lingual ou em outra região. Essa percepção é adquirida com prática, rotina e experiência. A instrumentação deve ser dirigida ao ponto de resistência, evitando trabalho repetitivo em áreas que já foram liberadas.

Fórceps como etapa final

O fórceps representa o recurso final da sequência, e não o instrumento inicial destinado a arrancar o dente. Primeiro, os ligamentos são rompidos e o dente é luxado. Em seguida, o fórceps realiza movimentos delicados de rotação até que o dente seja removido do alvéolo.

O dente não deve ser simplesmente puxado para fora. A rotação progressiva permite liberar as áreas ainda aderidas e reduzir o risco de fratura do dente ou da raiz.

Limpeza do alvéolo antes do fechamento

Após a extração, o alvéolo precisa ser limpo antes da sutura.

  1. Etapa: Após a extração, o alvéolo deve ser curetado.
  2. Etapa: A cureta remove mecanicamente esse material. Doença periodontal, abscesso, contaminação bacteriana, pus, tecido necrosado e outros detritos podem permanecer no interior da cavidade.
  3. Etapa: Após a curetagem, a irrigação com substâncias desinfetantes complementa a limpeza.
  4. Etapa: O procedimento odontológico ocorre em uma cavidade naturalmente contaminada e não equivale a uma cirurgia realizada em tecido estéril.
  5. Etapa: Por isso, a limpeza mecânica e farmacológica é essencial antes da sutura.

Sutura somente após desinfecção

Depois da curetagem e da desinfecção, pode se realizar a sutura quando indicada. A sutura tecidual culmina o fechamento da ferida cirúrgica e pode incluir, eventualmente, a administração de antibioticoterapia coadjuvante. A sutura do alvéolo só deve ser realizada após a conclusão das etapas de curetagem e desinfecção local.

O material apresentado menciona o uso de clorexidina, líquidos de irrigação e, eventualmente, antibióticos. A escolha desses recursos depende da condição encontrada no alvéolo e do objetivo de reduzir a permanência de resíduos e microrganismos antes do fechamento. O fechamento não deve ser feito sobre material contaminado: a sutura do alvéolo mantendo debris necróticos ou material contaminado retido no leito cirúrgico leva à formação de abscesso local.

Odontossecção e remoção de dentes multirradiculares

Corte da furca à coroa

A odontossecção deve seguir um trajeto controlado, da furca até a coroa.

  1. Etapa: Reconheça que dentes multirradiculares apresentam duas ou três raízes; a odontossecção transforma o elemento em duas ou três unidades monorradiculares.
  2. Etapa: Inicie o corte na furca e avance em direção à coroa. Começar pela região coronal pode produzir uma trajetória imprecisa e aumentar o risco de corte inadequado.
  3. Etapa: Conduza a broca como instrumento de corte, com movimentos controlados, semelhantes aos de um pincel.
  4. Etapa: Evite introduzir a broca com violência: Se for introduzida com violência, poderá travar, fraturar ou causar dano às estruturas adjacentes.

Separando segmentos radiculares

Após a secção, confirme a separação e conduza a remoção segmento por segmento.

  1. Etapa: Verifique a separação com a alavanca, mesmo quando não houver visão completa: Um pequeno movimento com a alavanca permite identificar se ainda existe uma ponte de tecido dentário unindo os segmentos.
  2. Etapa: Rompa a união remanescente; Quando essa união é rompida, cada parte passa a ser tratada como um dente independente.
  3. Etapa: Use a alavanca para romper os ligamentos periodontais, avalie a mobilidade com o fórceps e prossiga com a rotação até que o segmento esteja livre.
  4. Etapa: Remova primeiro o fragmento mais móvel: O fragmento com maior mobilidade geralmente é removido primeiro, facilitando o acesso ao segundo ou terceiro segmento.
  5. Etapa: Repita a sequência nos segmentos restantes: Após a extração do primeiro segmento seccionado de um dente multirradicular, repete se o processo de luxação e extração nas demais raízes remanescentes.

Escolha e manutenção da alavanca

Existem alavancas retas, côncavas, anguladas e de diferentes dimensões. O instrumento deve ser afiado e mantido em boas condições, pois sua função depende da capacidade de cortar e penetrar adequadamente. A ponta ativa da alavanca odontológica desgasta com o uso contínuo, tal como uma faca de cozinha, e necessita de afiação periódica. Pedras de afiar e equipamentos especializados são empregados para restaurar o corte da alavanca odontológica desgastada. Durante o manejo, a alavanca deve ser apoiada na palma da mão e manejada com controle.

A escolha do tamanho acompanha o dente: modelos robustos são utilizados em dentes maiores, enquanto instrumentos mais delicados são necessários para dentes pequenos, como os incisivos de gatos. As alavancas odontológicas convencionais são incompatíveis com dentes incisivos de felinos devido à delicadeza dessas estruturas dentárias. Instrumentos incompatíveis com o tamanho dentário podem causar fraturas ou lesões.

Pressão progressiva e pausa de quatro segundos

A mobilização combina pressão progressiva, pausas controladas e movimentos distribuídos ao redor do dente.

  1. Etapa: Aplique a pressão progressivamente sobre a alavanca.
  2. Etapa: Após pressionar a alavanca, mantenha a por aproximadamente quatro a cinco segundos, permitindo que as fibras dos ligamentos periodontais se rompam sob pressão.
  3. Etapa: Alterne pequenos avanços, pausas e rotações durante a mobilização.
  4. Etapa: Mobilize o dente ao redor de todo o seu perímetro, considerando que ele é uma estrutura tridimensional.
  5. Etapa: Siga o princípio mecânico de transformar uma força aplicada em determinada direção em força capaz de mobilizar o dente ao redor de um ponto de apoio.
  6. Etapa: Na inserção, a alavanca aplica uma força de avanço axial que, pelo efeito de cunha, é convertida em forças laterais de afastamento.

Acabamento ósseo e preenchimento do espaço morto

Regularização óssea e espaço morto

Após a remoção do dente, o osso alveolar pode apresentar bordas irregulares ou pontas produzidas pela doença periodontal e pelo procedimento. Uma broca pode ser utilizada para realizar o acabamento e tornar a superfície lisa. A regularização facilita a aproximação da gengiva e reduz o risco de perfuração do tecido. A gengiva é friável e não tolera tração excessiva; por isso, a sutura deve ser realizada com cuidado, depois da curetagem e da desinfecção.

O Hemospon é uma esponja de colágeno suíno fornecida em blocos cúbicos que pode ser empregada para preencher espaço morto alveolar. O preenchimento ideal de espaços mortos gerados por perda óssea alveolar é realizado com produtos recuperadores de estrutura esquelética óssea. O preenchimento de cavidades com Hemospon pode ser conduzido sem associação a antibióticos.

Preenchimento alveolar em animais grandes

Em animais grandes, como ursos, leões e tigres, a remoção dentária pode deixar um espaço alveolar amplo. Esse espaço pode ser preenchido com materiais destinados a auxiliar a cicatrização, incluindo produtos ósseos e colágeno suíno em fragmentos ou cubos. O material é comercializado como Hemospongel ou por denominação semelhante à registrada no material.

O colágeno pode ser embebido em antibiótico e colocado no espaço morto, onde contribui para seu preenchimento. O recurso também é utilizado em oftalmologia.

Remoção de raízes fraturadas

Expondo a raiz sem perder osso

A remoção de uma raiz fraturada combina exposição cuidadosa, pulverização controlada e percepção tátil para preservar o osso alveolar.

  1. Etapa: Identificação do fragmento — Quando uma raiz fratura durante a extração, o fragmento não deve ser abandonado no alvéolo. A permanência pode desencadear processo inflamatório, dor e falha de cicatrização.
  2. Etapa: Localização da raiz — O osso alveolar fica ao redor da raiz dentária.
  3. Etapa: Exposição do fragmento — A remoção pode exigir uma broca de alta rotação para desgastar o osso ao redor da raiz e permitir sua exposição.
  4. Etapa: Pulverização — A remoção de fragmentos radiculares retidos pode ser executada mediante pulverização com broca em caneta de alta rotação. A remoção da raiz dentária residual é realizada por meio de pulverização com caneta de alta rotação e broca.
  5. Etapa: Controle do desgaste — O procedimento demanda capacitação e sensibilidade tátil, pois a broca deve remover a estrutura dental sem destruir desnecessariamente o osso alveolar.

Radiografia e tato na remoção radicular

Na radiografia, estruturas mais densas aparecem mais radiopacas. A dentina é mais densa que o osso alveolar, permitindo diferenciar a raiz do tecido ósseo. A raiz dentária residual apresenta apenas dentina em sua estrutura, sem presença de esmalte. Na região radicular dentária onde não há esmalte, a raiz composta por dentina constitui a estrutura de maior densidade radiográfica quando comparada ao osso alveolar adjacente.

Durante a remoção, entretanto, o operador pode depender principalmente da percepção tátil. A broca encontra resistência ao atingir a raiz e passa a avançar mais facilmente quando alcança o osso. Ao tato, o osso alveolar é percebido como uma área muito macia em comparação com a raiz dentária. Interrompa periodicamente o desgaste para inspeção, limpeza e verificação da permanência do fragmento; aplique um jato de ar e inspecione visualmente a cavidade cirúrgica.

Limites do desgaste ósseo

O desgaste excessivo pode enfraquecer o osso alveolar, a mandíbula ou a maxila. Na arcada dentária superior, o desgaste excessivo do osso pode favorecer o surgimento de uma fístula. A remoção inadequada pode favorecer fístula ou fratura, especialmente quando a estrutura óssea já está comprometida. Em caso de dúvida durante o procedimento, o acompanhamento radiográfico deve ser realizado a par e passo com o desgaste da raiz. O desgaste deve ser limitado à região necessária para a remoção da raiz, preservando o máximo possível do osso remanescente.

Reconhecendo fratura preexistente

Em alguns casos, a avaliação radiográfica prévia já revela uma fratura óssea. Quando a fratura existe antes da intervenção, não deve ser confundida com fratura iatrogênica produzida durante a extração: ela já estava presente antes do procedimento.

A presença de fratura preexistente aumenta a dificuldade do procedimento. Por isso, o planejamento deve considerar a condição óssea, a possibilidade de complicações e a necessidade de adaptar a técnica ao risco identificado. Essa condição também deve ser comunicada ao responsável.

Reflexão Sion

Cuidado que preserva

Na exodontia, planejar e respeitar os tecidos é essencial para remover somente o dente inteiro, sem deixar fragmentos que causem dor e inflamação. Esse cuidado revela que reconhecer limites e agir com precisão também é uma forma concreta de responsabilidade pelo outro. Em Jesus, encontramos esperança e um cuidado que não abandona ninguém em meio às suas fragilidades.

Embora exteriormente estejamos a desgastar nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia.2 Coríntios 4:16

Leia e reflita sobre o cuidado atento.

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