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MedVet7 PeríodoOdontologia VeterináriaP1

AuLA 06 Exodontia Veterinária: Técnicas Alveolar e Extra Alveolar

A utilização de anestésicos de efeito prolongado determina perda temporária de sensibilidade de língua, lábios e tecidos moles adjacentes, com sensação semelhante a edema, e como o paciente veterinário é menos colaborativo que o humano, há ri

Duracao: 18 min

Topicos da aula

  • Extração II

Overview

Exodontia Complicada Panorama Alveolar e Extra Alveolar

A exodontia complicada começa quando a via fechada se esgota e permanece fragmento radicular retido, exigindo broca para acesso e remoção completa. A técnica alveolar luxa pelo sulco gengival com alavanca e boticão, enquanto a extra alveolar usa retalho, desgaste ósseo vestibular e sutura sem tensão, vantajosa na maxila e cautelosa na mandíbula. A odontossecção com Zekrya transforma dentes multirradiculares em segmentos independentes, sob anestesia geral com bloqueio regional. Doença periodontal, equipamento, biossegurança, decíduos persistentes e cuidados com clorexidina e alimentação pastosa completam o panorama.

Princípios Gerais da Exodontia Complicada

Extração Complicada com Fragmento Retido

A exodontia complicada ocorre quando a extração não pode ser concluída pelos métodos fechados convencionais, com permanência de fragmento radicular retido no interior do alvéolo dentário. Nessa situação, a remoção exige broca para desgaste de estrutura dental ou óssea e para criar via de acesso que permita a apreensão e a luxação do remanescente radicular.

Assim, a extração de fragmento de raiz residual implica o uso de broca como estratégia para concluir o procedimento cirúrgico. O planejamento deve garantir a remoção integral, sem permanência de tecido dental infectado ou necrótico no interior do alvéolo.

Via Alveolar Versus Via Extra Alveolar

A via alveolar parte do próprio alvéolo: a alavanca dentária é inserida pelo sulco gengival para romper os ligamentos periodontais e luxar o dente. Em seguida, remove o dente a partir do alvéolo com alavanca e fórceps (boticão), após a luxação e o rompimento dos ligamentos periodontais com alavanca cirúrgica, seguida da apreensão e avulsão dental com fórceps (boticão).

A via extra alveolar é um procedimento cirúrgico mais sofisticado, indicada para elementos de grande volume e raízes profundas e extensas, como o canino de cães de médio e grande porte e o canino de grandes felinos. Ela demanda maiores recursos tecnológicos, porém exige menor força física, pois utiliza retalho, desgaste ósseo controlado e aplicação criteriosa de alavancas.

Anestesia e Bloqueio Regional em Exodontia

Bloqueio Regional Sob Anestesia Geral

A exodontia cirúrgica é um procedimento cirúrgico realizado sob anestesia geral associada, quando indicada, à anestesia por bloqueio regional. O bloqueio é feito nos pontos em que os ramos nervosos emergem das estruturas ósseas, com aplicação de anestésico local, o que facilita a cirurgia de extração dentária.

A lidocaína apresenta período de ação mais breve, enquanto outros anestésicos locais têm duração mais prolongada, por isso a escolha deve considerar o tempo operatório desejado e o pós operatório imediato. Essa associação permite manter um plano anestésico menos profundo, com economia de fármacos e redução de riscos anestésicos.

Anestesia Longa e Risco de Mordedura

A utilização de anestésicos de efeito prolongado determina perda temporária de sensibilidade de língua, lábios e tecidos moles adjacentes, com sensação semelhante a edema, e como o paciente veterinário é menos colaborativo que o humano, há risco de mordedura e traumatismo grave de língua durante a recuperação anestésica, por isso a seleção do fármaco e do volume deve ponderar o benefício analgésico e o risco de autotraumatismo, especialmente em bloqueios extensos da cavidade oral.

Odontossecção e Instrumental Rotatório

Odontossecção de Multirradiculares com Zekrya

A exodontia de dentes multirradiculares tem início com a odontossecção, realizada com broca tipo fresa do tipo Zekrya acoplada à caneta cirúrgica de alta rotação angulada, que facilita o acesso intraoral. O corte com a ponta da broca é iniciado a partir da região de furca dentária, separando o fragmento dental para transformar o dente de raízes múltiplas e facilitar a extração.

A broca Zekrya é composta por liga metálica rígida e resistente, funcional para a secção de esmalte e dentina, sendo o esmalte o tecido mais denso da coroa e de corte mais difícil. Seu formato cônico, com ponta fina e progressivo alargamento, permite o corte longitudinal transformando um dente birradicular ou trirradicular em dois ou três segmentos monorradiculares independentes, extraídos separadamente, sendo que a secção a partir da bifurcação divide um dente birradicular em dois segmentos monorradiculares.

Alta Rotação Sem Fraturar a Broca

A velocidade de rotação da caneta é controlada gradualmente pela pressão exercida no pedal de acionamento, como um acelerador, respeitando o limite máximo da transmissão. A aplicação de pressão excessiva da broca contra a superfície dental pode provocar travamento, fratura da broca e projeção de partículas, com risco de lesão ocular e de tecidos moles.

Durante o manuseio de instrumentos rotatórios odontológicos, o operador deve utilizar equipamento de proteção individual, especialmente proteção ocular, pois partículas projetadas podem lesar o operador. O uso criterioso preserva o fio de corte: a broca desgastada pelo uso adequado deve ser descartada e substituída, enquanto a quebra precoce indica uso inadequado ou treinamento insuficiente.

Luxação Ordenada Após Odontossecção

Após dividir as raízes, seguir uma ordem lógica de luxação facilita a avulsão sem esforço excessivo.

  1. Seleção do mais móvel: após a odontossecção, iniciar pela luxação do segmento radicular com maior mobilidade para extraí lo primeiro.
  2. Liberação de espaço: remover o primeiro fragmento radicular para ganhar espaço e liberdade para aplicar a alavanca e romper os ligamentos periodontais da raiz remanescente.
  3. Função dos instrumentos: usar as alavancas para promover a ruptura dos ligamentos periodontais e o boticão ou fórceps para apreensão, luxação e avulsão do dente do seu alvéolo.
  4. Teste com rotação: utilizar o boticão ou fórceps para rotação, palpação e verificação de pontos de retenção, pois a rotação livre indica ruptura completa e extração sem resistência adicional.

Leitura do Ligamento Periodontal Remanescente

Ao inspecionar o dente já extraído, é possível mapear onde o ligamento periodontal ainda está preservado, com coloração avermelhada, e onde ele já foi perdido pela doença periodontal prévia. Essa leitura mostra onde a retenção ainda é forte e onde o dente já estava solto.

Nos pontos em que a sonda periodontal penetra mais profundamente no sulco gengival, há perda de inserção do ligamento. As regiões com ligamento preservado exigem trabalho adicional com alavanca para ruptura completa, o que orienta distribuir o esforço de luxação e reduz o risco de fratura radicular iatrogênica.

Técnica Extra Alveolar no Arco Superior

Canino Superior Longo Exige Retalho

O canino superior tem raiz intra alveolar de comprimento aproximadamente duas vezes superior ao da coroa, por isso mesmo com retração gengival e perda de inserção ainda resta grande extensão presa ao osso alveolar. Tentar removê lo só por via alveolar exigiria romper ligamentos muito profundos.

Por esse motivo, a técnica extra alveolar é reservada para a extração de dentes com anatomia ou condições cirúrgicas mais complexas. Ela começa com incisão de mucosa gengival e rebatimento de retalho gengival, com exposição do osso alveolar.

Nesse planejamento, conta que a lâmina óssea vestibular que recobre o canino superior é delgada, enquanto a lâmina palatina é mais espessa, o que orienta o desgaste ósseo pela face vestibular.

Desgaste Vestibular Luxação Palatina Sutura

Após o retalho no canino superior, o fluxo segue desgaste vestibular, luxação palatina e fechamento sem tensão:

  1. Desgaste: remove se por desgaste com broca a cortical vestibular, ampliando a via de acesso e reduzindo a retenção óssea.
  2. Luxação: manter a alavanca aplicada preferencialmente pela face palatina para luxação do elemento.
  3. Sutura: aproveitar a possibilidade de aproximação dos bordos do retalho gengival para sutura sem tensão com pontos isolados e fio absorvível, favorecendo a cicatrização por primeira intenção.
  4. Proteção: lembrar que a extração do canino superior apresenta risco inerente de fístula oronasal, e o fechamento primário do tecido mole reduz esse risco em comparação à cicatrização por granulação de alvéolo aberto.
  5. Balanço: aceitar a perda óssea localizada com fragilização parcial da maxila, geralmente compensada pela sustentação óssea remanescente.

Mandíbula Frágil Limita Desgaste Ósseo

Na mandíbula, quando a doença periodontal já compromete a integridade do ramo mandibular, a remoção adicional de osso alveolar acentua a fragilidade óssea e eleva o risco de fratura mandibular iatrogênica transoperatória ou pós operatória, por isso o desgaste extra alveolar exige cautela. Enquanto para dentes superiores a técnica é frequentemente vantajosa, para dentes inferiores avalie criteriosamente a quantidade de osso a remover, priorizando a preservação estrutural.

Instrumental Essencial da Exodontia Cirúrgica

Guia rápido para reconhecer cada instrumento pela sua função na sequência da extração.

  • Sindesmótomo: instrumento para separação da gengiva e do ligamento marginal
  • Alavancas: instrumentos para ruptura dos ligamentos periodontais
  • Fórceps ou boticão: instrumento para luxação final, palpação rotacional e remoção do dente
  • Caneta de alta rotação com broca Zekrya: instrumento para odontossecção e para pulverização de fragmentos radiculares retidos
  • Pulverização: indicada quando o fragmento encontra se anquilosado ao osso alveolar e não permite apreensão convencional

Equipamentos Odontológicos Fixos e Móveis

Compressor Sangria e Ar Úmido

O consultório fixo trabalha com compressor semelhante ao da pintura, mecânica e marcenaria, instalado externamente por causa do ruído. Um ou mais pistões comprimem o ar ambiente para o interior de reservatório de pressão, liberado pelo acionamento do pedal para movimentar a turbina das canetas de alta e baixa rotação e da caneta tríplice. Como o equipamento capta o ar ambiente, a qualidade desse ar influencia diretamente o ar fornecido.

Em locais de elevada umidade relativa do ar, o vapor de água condensa se no interior do reservatório e acumula se no fundo, reduzindo a capacidade útil. A drenagem periódica, denominada sangria, por dispositivo inferior, deve ser feita ao menos uma vez por semana em regiões úmidas, pois sem ela há redução da capacidade de compressão e eliminação de água pela caneta tríplice. Em ambientes secos, o intervalo pode ser maior.

Equipo Canetas Tríplice e Rotações

Guia rápido para identificar cada terminal do equipo e sua função no atendimento.

  • Equipo odontológico: integra mesa cirúrgica, instrumental e terminais
  • Caneta tríplice: A caneta tríplice fornece água, ar ou aerossol combinado
  • Caneta de alta rotação: destina se a cortes e desgastes
  • Caneta de baixa rotação: pode receber escova de profilaxia ou taça de borracha
  • Regulagem de pressão: válvula no equipo ajusta o fornecimento de ar comprimido
  • Motor elétrico: sistemas com motor elétrico dispensam compressor
  • Radiografia digital: o exame radiográfico digital substituiu, em grande parte, leitores de filme radiográfico acoplados ao equipo

Atendimento Móvel com Transiluminador

O equipamento móvel reúne compressor e equipo sobre base com rodízios, com reservatórios próprios de água, sugador, caneta tríplice e pedais para controle de velocidade de alta e baixa rotação.

Traz ainda o transiluminador, dispositivo com luz intensa na ponta que permite avaliação por transiluminação da coloração dental e inspeção de estruturas intraorais. Essa configuração viabiliza o atendimento externo, como em zoológicos, e a prática veterinária volante, com transporte simplificado do conjunto operacional.

Biossegurança, Esterilização e Assepsia

Reprocessamento em Broqueiro e Autoclave

As brocas são acondicionadas em broqueiro, dispositivo passível de colocação em autoclave para esterilização após cada utilização, prevenindo transferência de contaminantes entre pacientes. O reprocessamento inclui lavagem com água corrente e escova para remoção de sujidade, desinfecção com clorexidina e esterilização por vapor sob pressão e calor, enquanto equipamentos sensíveis ao calor e à umidade não devem ser submetidos à autoclave a vapor.

Na prática volante, quando a esterilização imediata não é logisticamente viável, admite se lavagem criteriosa e desinfecção com clorexidina para reutilização sequencial, sendo ideal a disponibilidade de múltiplos jogos de alavancas e de canetas de alta e baixa rotação, bem como de caixas cirúrgicas sobressalentes.

Cirurgia Contaminada e Alerta de Tétano

O ambulatório odontológico é centro cirúrgico para cirurgia contaminada, sem campo estéril absoluto, porém procedimentos como a endodontia exigem critérios rigorosos de assepsia, pois a criação de ambiente anaeróbio no interior do canal radicular favorece o desenvolvimento de microrganismos patogênicos, havendo registro de tétano pós operatório em leão submetido a tratamento endodôntico de canino, com perda do paciente; por isso, a antibioticoprofilaxia transoperatória com penicilina pode ser considerada como estratégia preventiva de infecções secundárias, associada à desinfecção rigorosa quando a esterilização completa não for possível.

Zekrya Alternativa com Motor Chicote

A broca Zekrya é uma fresa cirúrgica para odontossecção, disponível com encaixe para alta rotação e também para baixa rotação.

As versões para baixa rotação são pouco utilizadas e de difícil aquisição no mercado, mas se tornam estratégicas quando falta o equipo pneumático completo: a caneta de baixa rotação pode ser acoplada a um motor elétrico simples tipo chicote, semelhante ao utilizado em gravação de joias, sustentado como frasco de soro e dotado de cabo flexível, o que minimiza a exigência de recursos mecânicos e viabiliza a odontossecção em condições de campo.

Influência da Doença Periodontal e Tipos de Alavanca

Doença Periodontal Define Dificuldade Extracional

A odontossecção, com um ou dois cortes conforme o número de raízes e o grau de comprometimento dental, define a estratégia inclusive em dentes trirradiculares, em que a divisão acompanha a anatomia radicular.

Dentes multirradiculares fortemente comprometidos por doença periodontal, com perda de osso alveolar e de ligamento periodontal, podem se soltar do alvéolo após secção mínima, e o estágio 4 proporciona aprendizado mais simples pela mobilidade preexistente. Em contrapartida, dentes hígidos em boca saudável, com ligamento íntegro, oferecem grande resistência, de modo que dentes decíduos persistentes ou dentes saudáveis exigem técnica mais complexa pela forte fixação periodontal.

Alavancas Retas e Orientação Mesial Distal

Use esta referência rápida para escolher a alavanca certa e se orientar entre mesial e distal sem travar na hora da extração.

  • Mesial: posição próxima aos incisivos na arcada dentária
  • Distal: posição afastada em direção caudal, não confundir com a ortopedia, em que distal refere se ao afastamento do eixo da coluna vertebral
  • Orientação mesial distal: dentes ou superfícies mesiais estão mais próximos dos dentes incisivos, enquanto as posições mais posteriores e profundas são denominadas distais
  • Alavancas retas: utilizam se predominantemente alavancas retas pelo fácil acesso na rotina de pequenos animais
  • Alavancas angulares: destinadas a dentes distais profundos, entre os múltiplos modelos e denominações específicas
  • Cavidade oral longa: coelhos, chinchilas e cavalos requerem instrumental específico, e a odontologia equina constitui prática altamente especializada com equipamentos distintos da rotina de pequenos animais

Casos Clínicos de Exodontia Alveolar

Luxar com Alavanca Avulsionar com Boticão

A sequência padrão da exodontia alveolar combina luxação dos ligamentos periodontais com alavanca em múltiplas posições e extração com boticão. Com o boticão, além de remover, faz se a palpação rotacional para identificar, pela sensibilidade tátil, áreas de retenção ou de ligamento remanescente, o que exige psicomotricidade fina para perceber resistências localizadas durante a rotação.

O boticão universal reto atende à maioria das extrações em veterinária, dispensando os modelos angulares usados na odontologia humana para molares posteriores. Também se dispensa o uso de boticões angulados utilizados na extração de dentes decíduos humanos, pois não são necessários nos pacientes animais.

Canino Fraturado com Abscesso Fragmentado

A fratura antiga de canino caracteriza se por ausência de sangramento pulpar, desaparecimento da polpa e amplo canal radicular exposto, com perda de parede por fratura longitudinal. A dentina exposta mostra se escurecida por contaminação, com exposição de terminações vasculonervosas, e o atendimento tardio mantém sofrimento prolongado por dor dental.

Na radiografia podem surgir abscesso periapical, perda óssea alveolar e reabsorção parcial da raiz, com desaparecimento da linha radiolúcida correspondente ao ligamento periodontal entre cemento e lâmina dura. Essa cronicidade com perda de inserção deixa a extração alveolar mais fácil, apesar da gravidade do quadro, ponto frequentemente cobrado em provas.

A profundidade radicular pode ser mensurada com lima endodôntica para orientar a inserção da alavanca. Fissuras longitudinais determinam fragmentação durante a luxação, impondo remoção em parcelas.

Curetagem e Curativo com Colágeno

Após extração com abscesso e perda óssea, o alvéolo segue limpeza, exclusão de fístula e curativo em camadas.

  1. Curetagem: realizar curetagem alveolar com jato de ar e água da caneta tríplice após extração alveolar com abscesso.
  2. Verificação: verificar a ausência de comunicação oronasal e excluir fístula oronasal antes de indicar o curativo.
  3. Preenchimento: preencher o espaço morto com esponja de colágeno em cubos de aproximadamente 1 cm de aresta e rede de fibrina, materiais estéreis que conduzem a cicatrização.
  4. Selamento: Sobre estes, aplica se pasta de óxido de zinco e eugenol, material também utilizado para obturação endodôntica, para selar a ferida e impedir invasão de contaminantes durante a cicatrização.
  5. Contexto: lembrar que a aproximação primária das margens gengivais é mais difícil na técnica alveolar pura que na extra alveolar, por isso o curativo é decisivo quando persiste defeito ósseo extenso por necrose e abscesso.

Fratura Antiga Desinfetada com Dakin

Em fratura antiga de canino sem sangramento, com dentina escurecida e contaminação bacteriana, a sondagem do sulco gengival avalia a profundidade de inserção e a presença de ligamento. A luxação com alavanca resulta em remoção fragmentada pela fratura longitudinal prévia.

Após a remoção dos fragmentos, realiza se curetagem, aproximação das margens e sutura quando viável, ou curativo, associado a tratamento tópico com clorexidina ou líquido de Dakin, solução tamponada de hipoclorito de sódio.

Dentes Decíduos Persistentes e Apinhamento

Decíduo Persistente Ameaça Definitivo Adjacente

A extração do dente decíduo persistente exige manipulação delicada pela manipulação em espaço exíguo entre o decíduo e o dente definitivo, com possibilidade de lesão ao germe ou à estrutura definitiva. A técnica exige ruptura delicada dos ligamentos com alavanca e inspeção rotacional com boticão para localização de retenções, sem agressividade, com avaliação radiográfica paralela indispensável.

A erupção do canino definitivo ocorre entre 6 e 8 meses de idade, mais precoce em raças pequenas de metabolismo acelerado e mais tardia em raças grandes. A esfoliação do decíduo não deve ultrapassar 11 a 12 meses, e o exame da cavidade oral durante as vacinações é responsabilidade clínica para identificação e encaminhamento de persistências.

Persistências Múltiplas em Toy Braquicefálicos

A persistência múltipla de caninos e incisivos decíduos não é rara, e pacientes toy e braquicefálicos com reduzido espaço para distribuição dental e sem exercício funcional mastigatório apresentam apinhamento, giroversão e superlotação dental, e quando vários caninos decíduos persistem junto aos definitivos o risco de dano iatrogênico multiplica se; por isso o primeiro princípio é distinguir corretamente o dente decíduo do definitivo para não extrair o permanente por engano, com luxação com paciência e critério para permitir o desenvolvimento correto do definitivo.

Apinhamento Toy por Dentes Grandes

O apinhamento em cães miniatura decorre de desproporção entre o tamanho dental e a massa corporal, pois a seleção para porte toy reduz o esqueleto sem redução proporcional das dimensões dentárias. Isso deixa o paciente com aspecto desproporcionalmente dentado em relação a raças de porte funcional original.

A má oclusão resultante provoca halitose, desconforto e gengivite. Quando há dentes sem espaço de alinhamento, com raiz exposta e sem ligamento periodontal funcional, revestidos por cálculo até a raiz, há indicação de extração para restabelecer conforto e funcionalidade e permitir melhor distribuição dos elementos remanescentes no ramo mandibular ou maxilar.

Cuidados Pós Operatórios e Acompanhamento

Colar Elisabetano Protege Sutura Oral

No pós operatório, o cuidado do responsável e o grau de risco cirúrgico definem a proteção. Em presença de sutura com aproximação gengival, a mastigação de ração seca ou de ossos pode provocar deiscência.

Por isso, a utilização de colar elisabetano é recomendada quando o risco é elevado, como em extração de canino superior com possibilidade de fístula oronasal ou com bordos cirúrgicos sob tensão. Em fístulas oronasais bilaterais após esfoliação de ambos os caninos superiores, com passagem de água para a cavidade nasal durante a ingestão, a proteção rigorosa por ao menos sete a dez dias, até a cicatrização, é fundamental, enquanto extrações simples de decíduos geralmente dispensam proteção prolongada.

Gaze com Clorexidina e Dieta Pastosa

A higienização pós operatória utiliza clorexidina 0,12% a 0,2% aplicada com gaze, uma a três vezes ao dia, sobre a área suturada, por três a cinco dias, para remoção de resíduos e contaminantes. Recomenda se alimentação pastosa nos primeiros dias e, após cinco dias, higienização suave com gaze e clorexidina.

O protocolo indicado prevê alimentação pastosa no primeiro dia, aplicação de clorexidina com gaze por 3 a 5 dias e escovação com pasta durante 5 dias. O uso de escova dental infantil é desconsiderado nessa fase pelo risco de trauma e de retenção como corpo estranho, pois a gaze constitui meio mais seguro e confortável para higiene da ferida.

Retorno Semestral Guiado por Higiene

O retorno ideal para inspeção oral é semestral, não devendo ultrapassar doze meses. Pacientes com maior incidência de doença periodontal, como braquicefálicos com má oclusão, podem necessitar de intervalos menores, modulados caso a caso.

higiene oral domiciliar regular prolonga o intervalo entre tratamentos periodontais sob anestesia. Quando o responsável não realiza higienização, indica se retorno em seis meses; quando realiza limpeza com gaze e clorexidina ao menos duas vezes por semana, o intervalo até nova intervenção pode ser estendido, ajustando se a periodicidade à dedicação do responsável e ao risco individual do paciente.

Reflexão Sion

Quando é preciso abrir para curar

Na extração do canino superior, com raiz duas vezes maior que a coroa, é preciso abrir a gengiva, desgastar o osso e suturar sem tensão para cicatrizar. Há feridas em nós que não se resolvem puxando com força, mas quando abrimos espaço e tratamos com cuidado. Jesus faz assim, Ele alcança a raiz da dor e fecha a ferida para um novo começo.

Ele cura os de coração quebrantado e cuida das suas feridas.Salmos 147:3

Leia o Salmo 147 e veja como Deus trata as suas feridas

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