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MedVet7 PeríodoOdontologia VeterináriaIntrodução à Odontologia Veterinária

Introdução à Odontologia Veterinária

A disciplina introdutória não capacita o estudante a realizar todos os procedimentos odontológicos: ela ensina fundamentos, corrige conceitos equivocados, ajuda a reconhecer sinais clínicos e orienta o encaminhamento adequado. Muitas clínicas e hospitais iniciam procedi

Duracao: 40 min

Topicos da aula

  • Introdução à Odontologia Veterinária

Overview

Mapa inicial da odontologia veterinária

A odontologia veterinária reúne periodontia, exodontia e endodontia como fundamentos para compreender e tratar doenças, perdas e alterações dos dentes. A área se estende de cães e gatos a roedores, coelhos, cavalos, primatas, grandes felinos e elefantes, exigindo atenção às diferenças anatômicas, alimentares e de equipamentos. Esta aula oferece um mapa inicial: apresenta a frequência e o impacto da doença periodontal, sinais clínicos como a fístula infraorbitária, princípios de prevenção e os riscos de procedimentos mal executados. Também delimita a formação introdutória, que favorece reconhecimento, orientação e encaminhamento, mas não substitui capacitação técnica para procedimentos odontológicos. A visão de conjunto conecta saúde oral, qualidade de vida, responsabilidade profissional e caminhos de formação.

Fundamentos e abrangência da odontologia veterinária

Três fundamentos da disciplina

A odontologia veterinária constitui uma especialidade da medicina veterinária e se organiza em três fundamentos. Os três fundamentos básicos da odontologia veterinária são periodontia, exodontia e endodontia, correspondendo, respectivamente, ao tratamento da doença periodontal, à exodontia e ao tratamento endodôntico.

Na prática, a periodontia é considerada o “feijão com arroz” da odontologia veterinária e é a intervenção que trata a doença periodontal; a exodontia é a extração de dentes, enquanto o tratamento endodôntico é o tratamento de canal. A doença periodontal é muito frequente em cães e gatos: mais de 80% dos animais com idade superior a quatro anos apresentam algum grau da enfermidade, que pode alcançar intensidade grave.

A formação odontológica é obrigatória em alguns cursos, mas não está presente em todos. Por isso, muitos profissionais concluem a graduação sem conhecimentos básicos suficientes para reconhecer afecções orais ou encaminhar adequadamente os pacientes. A disciplina de Odontologia Veterinária não capacita o aluno a sair fazendo odontologia, mas dá noção básica, esclarece dúvidas, evita erros e desperta entusiasmo pela área.

Abrangência entre diferentes espécies

A odontologia veterinária não se limita a cães e gatos: a área abrange conhecimentos aplicáveis a cavalos, primatas, roedores e coelhos, além de grandes felinos e elefantes. Entre essas frentes, a odontologia equina é um mercado em franco desenvolvimento, com pouco suporte formativo acadêmico, e os profissionais dessa área são autodidatas.

Roedores e coelhos têm importância crescente como animais de estimação e necessitam de manejo preventivo, especialmente porque seus dentes apresentam crescimento contínuo. Nos porquinhos da índia, essa característica é uma adaptação evolutiva ao desgaste provocado pela alimentação natural. O ancestral do porquinho da índia é o preá, que come capim rico em fibra e sílica e gasta muito o dente; em cativeiro, o fornecimento inadequado de alimentos pode alterar o equilíbrio entre crescimento e desgaste dentário.

A necessidade de cuidado também se aplica aos animais de zoológico: Animais de zoológico não escovam os dentes. Ainda assim, precisam de dentes saudáveis.

Desgaste dentário em roedores

Nos roedores e coelhos, o fornecimento de feno de gramíneas é importante para favorecer o desgaste dentário. Se o feno de gramíneas for muito pobre em nutrientes, deve se usar feno de alfafa, que é mais rico, porém pobre em fibra e sílica. Alimentos com pouca fibra ou frutas também desequilibram esse processo: oferecer banana, maçã e escarola faz o dente crescer mais do que gasta, gerando problemas.

A coroa de reserva é a porção do dente inserida dentro do alvéolo dental. Quando o dente não desgasta, a coroa de reserva cresce e sai retrógradamente, no chamado crescimento retrógrado. Nos molares superiores, o crescimento pode alcançar a órbita.

A invasão da órbita pelo dente pode provocar a protrusão do bulbo ocular, deslocando o conteúdo orbitário. A aparência semelhante à de um olho de sapo pode levar à queixa de olho prolapsado, embora a origem do problema possa ser dentária: a manifestação parece ocular, mas a causa está no dente.

Caminhos da formação profissional

A formação prática em odontologia veterinária pode ocorrer em programas de pós graduação e residência. O treinamento mencionado compreende dois anos de atividade prática de rotina, com dez horas diárias durante cinco dias por semana. Na residência, essa rotina de dois anos, com dez horas por dia, é desgastante.

Ao final, o profissional pode estar qualificado para atuar em cães, gatos e animais silvestres. Existe apenas um programa de residência em odontologia veterinária no Brasil, em funcionamento há muitos anos. A expansão de outros programas seria necessária diante do crescimento da especialidade e da procura social por serviços odontológicos em clínicas, hospitais e consultórios veterinários.

Demanda e competência profissional

Apesar disso, ainda não há cultura de levar cães e gatos ao dentista veterinário. A procura por atendimento odontológico veterinário tem aumentado, pois os responsáveis pelos animais solicitam esse serviço com frequência. Quando o veterinário não oferece o serviço de odontologia, começa a perder clientela. A especialidade pode proporcionar realização profissional e retorno financeiro, especialmente na odontologia de pequenos animais.

A existência de demanda, entretanto, não substitui a necessidade de qualificação. O médico veterinário legalmente habilitado pode exercer a odontologia veterinária, mas a habilitação decorrente do diploma e do registro profissional não significa, necessariamente, capacitação técnica para todos os procedimentos. A residência e os cursos de especialização constituem caminhos distintos para o desenvolvimento dessa competência. Ex residentes de odontologia veterinária, chamados de volantes, atendem várias clínicas e hospitais, otimizando e ampliando o leque de atendimentos.

Organização do ensino e recursos de aprendizagem

Mapa do conteúdo programático

O conteúdo inclui anatomia e composição dental, equipamentos odontológicos, doença periodontal, exodontia, endodontia e a odontologia das principais espécies animais. Também são abordadas particularidades de primatas, herbívoros, gatos, coelhos, roedores, grandes felinos, cavalos e elefantes. A odontologia de roedores e lagomorfos será discutida mais adiante na aula. A odontologia de elefantes é um tópico da odontologia veterinária que pode gerar muitos atendimentos.

Os problemas que afetam cavalos são equivalentes aos que afetam coelhos e roedores, com fisiologia muito semelhante, mas equipamentos completamente diferentes. A disciplina oferece uma introdução geral e pode incluir visita ao ambulatório de odontologia veterinária para demonstrar o funcionamento do serviço. O ambulatório de cão e gato pode ser usado para tratar coelhos e roedores, mas não para tratar cavalos. No hospital, não há equipamento para cavalos; há apenas uma abordagem introdutória sobre odontologia equina, sem rotina de atendimento. Essa introdução não pretende formar um especialista, mas fornecer noções básicas, reduzir erros diagnósticos, orientar encaminhamentos e estimular o interesse pela área.

Residência versus especialização

A residência foi caracterizada como uma formação intensiva, com dois anos de atividade prática e dedicação diária. O residente recebe bolsa e pode concluir o programa com experiência suficiente para iniciar a atuação profissional, inclusive dispondo de recursos para adquirir equipamentos. A especialização, por outro lado, exige pagamento pelo treinamento e geralmente apresenta encontros periódicos, muitas vezes mensais e progressivamente mais remotos. Cursos de especialização podem transmitir grande quantidade de conhecimento, mas oferecem menor proficiência prática quando comparados à rotina contínua da residência.

Por isso, a residência foi apresentada como o caminho que proporciona maior segurança para a execução de procedimentos clínicos e cirúrgicos. Um profissional pode estar habilitado, mas ainda não capacitado; nesse contexto, a residência é o principal meio de capacitação. Com dez anos de experiência em odontologia ou outra especialidade, o profissional se sente seguro para enfrentar qualquer situação clínica ou cirúrgica. Um ano de residência equivale a cinco anos de experiência externa, e dois anos de residência equivalem a dez anos de experiência.

O que a disciplina não capacita

A disciplina introdutória não capacita o estudante a realizar todos os procedimentos odontológicos: ela ensina fundamentos, corrige conceitos equivocados, ajuda a reconhecer sinais clínicos e orienta o encaminhamento adequado. Muitas clínicas e hospitais iniciam procedimentos odontológicos sem o mínimo conhecimento técnico científico. Para o trabalho de limpeza dental, o essencial é ter um aparelho de ultrassom e saber usá lo. Ao término, o estudante deve reconhecer a possibilidade de origem dentária em uma fístula localizada abaixo do olho, compreender os riscos do uso incorreto de equipamentos e saber que extrações e tratamentos endodônticos exigem treinamento específico. Profissionais que não tiveram essa formação na graduação não interpretam adequadamente esse sinal clínico. Muitos veterinários com décadas de clínica ainda diagnosticam equivocadamente, gerando desconforto ao animal e investimentos errados pelos responsáveis.

Anatomia dental e doença periodontal

Articulação e faces dentárias

O dente articula se com o osso por meio do alvéolo dental e dos ligamentos periodontais. Essa articulação recebe denominação específica e não deve ser confundida com artrose. A articulação entre o dente e o alvéolo dental tem um nome específico, aplicado apenas a dentes, sejam quais forem os tipos dentários. A revisão anatômica inclui a composição do dente, a organização do alvéolo e as estruturas de sustentação.

O dente é classificado em 4 faces. A face vestibular é voltada para a bochecha; a face palatal ou lingual, voltada para o interior da boca conforme a posição dentária; e as superfícies de contato ficam relacionadas aos dentes adjacentes. A identificação dessas faces é necessária para a descrição precisa das lesões. Os dentes podem ser homodontes, quando são todos iguais, ou heterodontes, quando são dentes diferentes. Um exemplo de dentição heterodonte é a presença de canino, incisivo, pré molar e molar. Em um canino longo, a coroa dental, parte visível, corresponde a um terço do dente, enquanto dois terços correspondem à raiz.

Classificação e manejo inicial

Use a classificação e a condição clínica para orientar o manejo inicial.

  • Classificação: A doença periodontal pode ser classificada em graus de 1 a 4.
  • Faixa etária: Animais com idade superior a 5 anos têm doença periodontal.
  • Tratamento sem extração: O tratamento da doença periodontal que não implica extração pode ser feito apenas com profilaxia ou curetagem manual, mesmo por profissional pouco iniciado.

Progressão até a exodontia

À medida que a doença periodontal se agrava, o dente fica mais abalado. No grau 4, há mobilidade dental e perda de osso alveolar.

Quando o dente não pode mais ser recuperado, a extração é indicada. A doença compromete sua estrutura de ligação e sustentação, justificando a exodontia nessa situação.

Cálculo dental e extrações numerosas

É comum que cães e gatos cheguem à primeira consulta odontológica sem atendimento prévio, com doença periodontal de longa duração e necessidade frequente de extrações. O termo técnico correto é cálculo dental, e não tártaro. A muralha de cálculo pode unir e sustentar dentes comprometidos; quando o cálculo é removido e a região recebe jato d’água, esses dentes podem começar a cair. Por isso, uma profilaxia pode incluir muitas extrações, chegando a 12 a 20 dentes em um único evento.

Prevenção e troca dental

A medicina preventiva deve começar cedo: ela reduz a necessidade de exodontias e de tratamento de canal. O manejo profilático diminui as extrações, mas não elimina totalmente essa necessidade.

Em cães, as trocas dentais devem ocorrer entre seis e oito meses. Nessa idade, os dentes ainda podem não estar totalmente formados. Quando um dente decíduo não esfolia, pode ser necessária a extração.

Se a troca persistir sem correção, o cão pode apresentar dois caninos, um atrás do outro, aos 2–3 anos, favorecendo doença periodontal e acúmulo de biofilme.

Escovação com segurança

A escovação é um bom recurso para evitar doenças orais. Cães e gatos podem ser condicionados à escovação, embora o condicionamento seja mais fácil em cães.

O uso de escovas não é recomendado devido ao risco de corpo estranho. As dedeiras de escovação também exigem atenção: podem escapar do dedo e ser engolidas pelo cão.

Técnica e saúde oral

A limpeza pode começar no espaço vestibular, a antessala da boca. Uma alternativa é usar gaze embebida em clorexidina a 0,2%; se o cão engolir a gaze usada, ela sai nas fezes sem causar problema.

Essa gaze é descrita como a melhor saída para uma limpeza total. Também existem pastas dentais para reduzir a sensibilidade gengival e a exposição da dentina. A boca saudável apresenta microbiota saudável, composta por bactérias do bem.

Fístula infraorbitária de origem dentária

Anatomia e porta de contaminação

O quarto pré molar superior do cão, também chamado dente carniceiro, possui três raízes: duas anteriores e uma posterior; cada raiz apresenta um ápice radicular. Essa anatomia é importante para entender como uma lesão pode alcançar a parte interna do dente.

Qualquer trauma mecânico que frature a coroa dental do quarto pré molar superior, à direita, à esquerda ou em ambos os lados, pode abrir acesso à polpa dental. Quando a coroa rompe, a polpa fica exposta, é contaminada por micro organismos, inflama e desenvolve pulpite.

Pulpite, abscesso e drenagem

A pulpite é a inflamação da parte interna do dente, a polpa dental. Ela gera aumento da pressão dentro do dente, com extravasamento no ápice radicular, progressão da infecção e formação de abscesso periapical.

Esse abscesso pode originar uma fístula e drenar embaixo do olho, pois a distância entre a raiz dental e o meio subcutâneo nessa região pode ser inferior a um milímetro. A causa do abscesso periapical é quase sempre uma fratura, embora excepcionalmente possa ser outra. Uma fístula infraorbital também pode ser secundária à fratura de um canino superior em gato.

Fístula infraorbitária denuncia origem dental

A fístula infraorbitária, às vezes bilateral, é um forte indício de dente quebrado. É comum que esses pacientes cheguem ao ambulatório com diagnóstico equivocado de abscesso comum, levando à prescrição de penicilina, limpeza com clorexidina e antibiótico oral manipulado por 15 dias, conforme cultura e antibiograma. A origem dental precisa ser reconhecida, pois a fístula recorrente não decorre simplesmente de espinho, corpo estranho ou bactéria resistente, mas do dente comprometido, que precisa ser tratado.

Recidiva revela a causa persistente

O antibiótico pode reduzir a inflamação e a contaminação, fazendo o abscesso fechar e cicatrizar temporariamente. A pulpite também pode parecer reduzida, mas retorna porque o dente inflamado permanece na boca. Sem tratar o dente, a melhora costuma ser seguida por recidiva em meses.

Na recidiva, pode surgir a suspeita de bactéria multirresistente e a solicitação de cultura e antibiograma. Além disso, cada recidiva tende a apresentar mais fibrose e pior cicatrização. O antibiótico sozinho não resolve a causa: depois do controle inicial, a resolução definitiva exige extração do dente ou procedimento adequadamente realizado por dentista veterinário.

Sinais e causa típica

Reconheça o padrão clínico e relacione o à causa dentária mais provável.

  • Apresentação clínica: Fístula infraorbitária, secreção purulenta, abscesso ou aumento de volume abaixo do olho devem levantar forte suspeita de origem dentária.
  • Causa típica em cães: Em cães, o quarto pré molar superior, direito ou esquerdo, é a causa típica e responde por aproximadamente 99% dos casos, ou quase 100%.
  • Exceções: Excepcionalmente, outro dente ou um corpo estranho, como um espinho de ouriço, pode estar envolvido.

Variação conforme o focinho

Animais de focinho curto, como cães braquicefálicos, gatos e determinados primatas, podem apresentar abscesso abaixo do olho relacionado ao canino superior, especialmente em gatos e primatas de focinho curto.

Animais de focinho curtoRelação com o abscesso abaixo do olho
Cães braquicefálicos, gatos e determinados primatasA relação com o dente afetado varia conforme a anatomia facial; em gatos e primatas de focinho curto, destaca se o canino superior.

Contextos e diagnósticos associados

O abscesso infraorbitário também pode ocorrer em situações de pouca atenção sanitária e pouco atendimento odontológico. Esse contexto amplia a possibilidade de uma origem dentária, que deve ser considerada na avaliação da lesão.

Em pessoas nessas condições, a fístula infraorbitária pode decorrer de fratura de canino, pulpite e abscesso periapical de canino. Em gado, o dente relacionado ao abscesso infraorbitário é o canino.

Radiografia confirma a origem

A avaliação clínica pode mostrar alteração de cor ou fratura da coroa dental. Para localizar a origem, a radiografia intraoral demonstra a região periapical e a área de rarefação óssea do alvéolo que recobre o ápice de uma das três raízes do quarto pré molar.

O exame radiográfico intraoral permite isolar um ou alguns elementos dentais e interpretar a alteração durante o próprio procedimento. Na radiografia, a região do abscesso periapical aparece como uma área de radioluscência. A identificação da causa oferece melhores condições para explicar ao responsável que o abscesso não corresponde a uma simples infecção superficial e que o dente comprometido precisa ser tratado.

Traumas dentários e alimentação

Como objetos duros fraturam dentes

A maior parte das lesões ocorre quando o cão morde objetos duros, embora existam outras causas. As pessoas costumam oferecer ossos de churrasco aos cães, inclusive aos de pequeno porte, como o Chihuahua. Depois de cozido ou assado, o osso fica muito duro; como o dente do cão não foi feito para cortá lo, pode ocorrer fratura do quarto pré molar superior.

Oferecer um fêmur de boi assado também pode transformar o cão em paciente odontológico. Esse tipo de fratura pode acontecer em cães de qualquer porte, desde Pastor Alemão, São Bernardo, Dogue Alemão e Rottweiler até Chihuahua e Yorkshire. Brinquedos muito rígidos, chinelos e calçados também podem causar fraturas dentárias.

Prevenção e outros traumas dentários

Embora o cão seja citado como um carnívoro que tem que comer ossos, manejar a alimentação com mais critério poderia evitar o problema odontológico; por isso, a recomendação é evitar oferecer ossos aos cães. O trauma não provoca apenas fratura: também pode causar subluxação do dente sem fratura. Em demonstrações de treinamento, a mordida com tração traumatiza especialmente os caninos.

Como orientar o uso de ossos

A orientação alimentar deve considerar o processamento, o tamanho do osso e o porte do cão.

  • Processamento dos ossos: Quando se opta pelo fornecimento de ossos, foi recomendada a utilização de ossos crus, e não cozidos ou assados, pois o processamento térmico aumenta a dureza.
  • Costela crua: O osso cru de costela é aceitável para cães.
  • Porte do animal: Também deve ser considerada a proporção entre o tamanho da presa natural e o porte do animal. Um cão pequeno não caçaria um boi, mas uma presa menor.
  • Prevenção: A orientação preventiva consiste em evitar ossos excessivamente grandes ou endurecidos.
  • Preferência do animal: reconhecer que o fato de o animal gostar de determinado objeto não significa que ele seja saudável ou seguro.

Uso do ultrassom odontológico

Mecanismo e traumas do ultrassom

O aparelho de ultrassom dental utiliza um cristal piezoelétrico para produzir vibrações. Essas vibrações movimentam uma haste metálica, cuja oscilação remove o cálculo.

A vibração remove o cálculo, mas também gera calor por atrito. Assim, o equipamento pode produzir trauma mecânico e trauma térmico simultaneamente.

Irrigação e riscos da ponta

A ponta da sonda concentra maior energia. Em contato direto, sem irrigação adequada e com energia elevada, a ponta transfere energia mecânica e térmica ao dente. O jato de água é necessário para equilibrar a temperatura e refrigerar o calor produzido pelo atrito durante o uso do ultrassom.

Mais energia acelera a fratura do cálculo, mas também favorece o superaquecimento e a lesão da estrutura dentária. Por isso, o uso inadequado do ultrassom pode comprometer a estrutura dentária e causar abscesso periapical.

Consequências da técnica inadequada

O uso inadequado do ultrassom pode causar extravasamento sanguíneo na dentina e alteração da coloração do dente. Também pode provocar perda da vitalidade pulpar e permitir a entrada de bactérias, desencadeando pulpite secundária e posterior abscesso.

A lesão pode ocorrer durante procedimentos realizados sem conhecimento técnico, especialmente quando se remove a água para evitar respingos ou quando a ponta do aparelho é utilizada de maneira incorreta. Portanto, a limpeza dentária não deve ser tratada como procedimento simples ou exclusivamente mecânico.

Parâmetros para uso seguro

A remoção de cálculo exige controle coordenado da ponta, da irrigação, do tempo e da anatomia dental.

  1. Etapa: Quando um clínico geral realiza a remoção de cálculo, o aparelho deve ser empregado lateralmente, nunca com a ponta diretamente sobre a superfície dental.
  2. Etapa: A irrigação deve ser mantida no maior volume possível.
  3. Etapa: Limite o contato por superfície: o contato em cada superfície dentária deve limitar se a aproximadamente cinco segundos.
  4. Etapa: Compreenda a anatomia das quatro faces dentárias e descreva as lesões conforme sua localização.
  5. Etapa: Controle simultaneamente a energia mecânica, o tempo de contato e a refrigeração; o uso seguro depende desse controle.

Exodontia e endodontia

Da raiz única à odontossecção

A extração de um dente com raiz única é mais simples do que a de um dente multirradicular. Quando há várias raízes, pode ser necessário cortar a coroa e separar as raízes, organizando o procedimento conforme a anatomia dental.

Em um dente de três raízes, essa odontossecção, também chamada trissecção, é feita em dois sentidos. Assim, o dente é transformado em três unidades semelhantes a dentes unirradiculares, e a técnica de extração de dente monorradicular é aplicada a cada raiz.

Equipamentos e planejamento do procedimento

Para realizar o corte durante a extração, usa se uma broca ou um disco de corte acoplado a uma caneta de alta rotação. A caneta fica em um equipamento odontológico e precisa ser acionada por motor elétrico ou compressor.

Sem o equipamento necessário, o veterinário deve encaminhar o paciente ao dentista. Uma repetição exige nova anestesia e, após 30 dias, um novo exame de sangue, com aumento de custo e risco de o proprietário não retornar. Por isso, o veterinário tenta resolver todos os problemas odontológicos em um único procedimento.

Fragilidade dentária e materiais adaptados

Os dentes só não caíram antes porque o animal evitava mastigar, brincar e roer osso, pois tudo estava fragilizado. A subluxação pode causar extravasamento de sangue, que impregna a dentina delgada e pode levar a pulpite e abscesso.

Alguns procedimentos exigem materiais específicos. Para o tratamento endodôntico de um canino de médio porte, o material precisa ser importado porque não há material brasileiro. Para extrair os incisivos de um gato, é preciso adaptar o material, inclusive com uma alavanca artesanal feita de agulha 40x16 achatada, pois instrumentos de extração de uso humano são muito brutos para trabalhar em gatos.

Endodontia e implantes em cães

No tratamento do canal pulpar, a lima precisa alcançar o ápice radicular. Por isso, o equipamento deve ser compatível com a anatomia do dente: há limas veterinárias de 60 milímetros, enquanto a lima usada no tratamento dental humano tem 25 milímetros e não serve para tratar esse canal.

A odontologia veterinária também inclui prótese e implante dental em cães, como no caso de um cão que perdeu um canino. Nesse caso, optou se por deixar o dente metálico aparente para que todos vissem que era um implante.

Anestesia E Radiografia Completa

Como cães geralmente não colaboram com o preenchimento do odontograma nem com radiografias, a maioria dos pacientes precisa de anestesia geral para intervenções dolorosas e desconfortáveis. O serviço pode ser mais caro porque envolve anestesia geral e a radiografia de todos os dentes.

Por isso, o ambulatório odontológico veterinário deve dispor de aparelho de raio X, garantindo o recurso necessário para a avaliação radiográfica completa.

Ambiente E Riscos Da Contaminação

O procedimento odontológico veterinário ocorre em um ambiente contaminado: micro organismos da cavidade oral são manipulados e geram aerossóis. Durante o atendimento, a equipe fica exposta a radiação ionizante, vapor anestésico, aerossóis e ao bafo do paciente, que pode apresentar halitose intensa, às vezes descrita como padrão de capela mortuária. O ambulatório odontológico veterinário possui raio X e autoclave, diferenciando se do centro cirúrgico. Mesmo com óculos, máscara e luvas, não se trata de cirurgia limpa: é uma cirurgia contaminada.

Sequência após a extração

A sequência terapêutica combina controle da contaminação, tratamento do foco dentário e cuidados adequados com os tecidos envolvidos.

  1. Etapa: Dependendo da situação, pode ser utilizada cobertura antibiótica antes do procedimento para reduzir a contaminação e a inflamação. O antibiótico isoladamente não resolve o problema.
  2. Etapa: Durante a extração, realiza se a curetagem do alvéolo, a higienização com medicação antibacteriana e o fechamento da estrutura quando indicado.
  3. Etapa: Evite simplesmente suturar a fístula sem tratar a causa.
  4. Etapa: Na sepse, bactérias da corrente sanguínea podem chegar ao canal pulpar e iniciar um processo de abscesso.
  5. Etapa: Elimine o foco dentário e trate adequadamente os tecidos envolvidos.

Complicações da fístula oronasal

Uma fístula oronasal pode ocorrer após a extração de um canino ou a esfoliação de um canino acometido por doença periodontal de grau 4. A perda do dente pode abrir uma comunicação entre a cavidade oral e o espaço nasal, causando saída de água pelo nariz, aspiração de alimento, pneumonia ou bronquite por corpo estranho. A correção exige procedimento cirúrgico plástico, precedido pelo tratamento da doença periodontal; uma cavidade oral intensamente contaminada aumenta o risco de complicações. As bactérias da doença periodontal presentes na cavidade oral muito contaminada são essencialmente Gram negativas.

Odontologia em primatas e animais silvestres

Trauma dentário no tráfico

Primatas mantidos ilegalmente podem apresentar fístula infraorbitária e lesões por fratura de canino superior; saguis e primatas podem apresentar fístula infraorbitária, e, em saguis, ela muitas vezes resulta do tráfico, quando os dentes são cortados com alicate para impedir que o animal agrida o proprietário. Instrumentos cortantes também podem reduzir a capacidade de agressão e causar trauma dentário grave e indesejável. Filhotes de chimpanzé apresentam uma fase oral em que colocam objetos na boca. A captura, o transporte, a manutenção em cativeiro, a comercialização e a compra de animais silvestres traficados constituem condutas ilícitas. A justificativa de comprar o animal para aliviar seu sofrimento não elimina o problema, porque a compra estimula a captura de outros animais. Quem compra animal traficado comete crime tão severo e punível quanto quem captura, transporta, mantém em cativeiro ou vende.

Anatomia muda a localização

A localização da fístula depende da anatomia dental e da projeção do focinho. Alguns primatas, como os babuínos, são primatas africanos de chão e têm focinho projetado, parecido com o focinho de cachorro. O focinho projetado do cão existe porque ele tem olfato, exigindo espaço para os ossos turbinados, recobertos por mucosa sensitiva que constrói o olfato. O gato tem menos olfato que o cão porque o focinho dele é curto.

Em cães, a origem mais comum é o quarto pré molar superior. Em felídeos e primatas, especialmente nos animais de focinho curto, o canino pode estar envolvido. Esse problema odontológico não afeta apenas cães, mas também felinos como o leão. A fístula infraorbital pode ser decorrente de pulpite e abscesso apical de canino superior direito em leão.

Muitos animais têm fístula secundária ao processo de pulpite, e a anatomia muda. No cão, a fístula está sempre relacionada ao órgão periodontal; excepcionalmente, na doença periodontal gravíssima com comprometimento ósseo, os dentes vizinhos também podem estar envolvidos. A interpretação clínica deve considerar a espécie, o formato do crânio, o comprimento do focinho e a posição das raízes dentárias. Na época, o palestrante trabalhava em parceria com o Beto Carrero, onde havia grande demanda de atendimento odontológico de leões e tigres, incluindo endodontia com limas longas de 720 milímetros.

Dentições e mito do velório

O elefante tem sete dentições, com dois dentes funcionais em cada ramo. Ele apresenta sete erupções dentárias consecutivas de dentes muito semelhantes: um dente desgasta, cai e vem outro.

A perda do último dente ocorre por volta dos 50 anos, às vezes um pouco antes. Sem esse dente, o elefante não consegue mastigar casca de árvore, tronco de árvore e material duro, que são sua alimentação normal. Por isso, o elefante velho vai para o rio, onde encontra capins macios que consegue comer; como isso não é suficiente, começa a emagrecer.

Existe o mito de que o elefante velho vai para a beira do rio e os outros elefantes ficam velando até ele morrer. Na realidade descrita, o comportamento do grupo, que tenta fazê lo se levantar e depois segue viagem, deu origem a essa interpretação equivocada relacionada à dentição dos elefantes. Em santuários de elefantes, como no Mato Grosso, quando um elefante morre, eles esperam dez dias para ser velado antes de fazer a necropsia. O elefante deve ser velado com seus pares para seguir o rito que eles interpretam acontecer na natureza.

Ortodontia e seleção morfológica

Correção de dentes traumáticos

Alguns cães podem nascer com dentes voltados para a cavidade oral e perfurar o palato. Nesses casos, a ortodontia veterinária pode ser aplicada com a instalação de aparelhos para corrigir o posicionamento dental; também é possível optar pela extração do dente.

Em cães braquicefálicos, alguns protocolos de ortodontia podem resolver problemas. Já coelhos com nanismo, má oclusão e braquicefalia apresentam problemas dentais.

Seleção estética e funcionalidade

A seleção morfológica deve ser analisada não apenas pela aparência, mas também pelas consequências funcionais e pela demanda de cuidados veterinários.

  • Seleção estética: Muitos cães de estimação foram selecionados artificialmente por critérios estéticos para apresentar conformação braquicefálica e uma aparência infantil, descrita como uma carinha de Kombi.
  • Funcionalidade: Essa seleção pode produzir animais menos funcionais, em contraste com cães de trabalho, que são funcionais.
  • Escolha do animal: Escolher um cão não braquicefálico e funcional tende a resultar em menor demanda veterinária.
  • Doença periodontal: Cães braquicefálicos apresentam muita doença periodontal, gerando trabalho significativo para o veterinário.

Limites éticos da correção

A ortodontia veterinária pode envolver uma incongruência de interesses quando busca corrigir a oclusão de cães selecionados por características morfológicas estéticas. Em cães braquicefálicos, essa seleção está associada a problemas lacrimais, oftálmicos, dentais, de coluna e de articulação, além de maior favorecimento de problemas oncológicos; por isso, é inconsequente colocar aparelhos para produzir uma oclusão considerada ideal em um cão selecionado para ser braquicéfalo. Para reduzir problemas dentais, recomenda se evitar comprar cães braquicefálicos.

Aconselhamento antes da aquisição

Antes da aquisição, avalie a funcionalidade e as implicações éticas da conformação escolhida.

  • Aconselhamento pré aquisição: O aconselhamento veterinário antes da aquisição de um animal poderia orientar a escolha de características funcionais e reduzir a probabilidade de doenças relacionadas à conformação.
  • Coelhos muito pequenos: Coelhos muito pequenos podem apresentar nanismo, má oclusão e braquicefalia, com predisposição a problemas dentários.
  • Escolha funcional: A escolha de animais funcionais pode diminuir o risco, mas não elimina completamente a possibilidade de enfermidades.
  • Aspectos éticos: Determinadas raças foram selecionadas para características que aumentam a ocorrência de doenças.
  • Proibição de raças: Em vários países, várias raças de cães são proibidas atualmente.
  • Seleção equivocada: Uma boa parcela dos cães e gatos de estimação é propensa a doenças orais devido à seleção equivocada de gosto duvidoso.
  • Exemplo: O Bulldog francês é proibido na França.

Qualidade de vida e saúde sistêmica

Dor oral e perda de qualidade

A doença periodontal provoca dor de dente contínua, mau hálito e redução da qualidade de vida. Ela também provoca mau hálito e dor de dente, alterações que podem comprometer a rotina e o comportamento; por isso, um cão de guarda com dor de dente não é eficaz. A odontologia veterinária está diretamente relacionada à qualidade de vida do animal.

Apesar do impacto clínico, as alterações na hematologia e na bioquímica sanguínea costumam ser discretas e não permitem confirmar a doença por exame de sangue. Diferentemente da piometra, a doença periodontal não é confirmada por exame de sangue. Após o tratamento odontológico, um cão idoso voltou a apresentar comportamento semelhante ao de um animal de 3 anos, mostrando como sua disposição pode melhorar de forma marcante.

Saúde bucal e hidratação felina

A doença oral pode reduzir a ingestão de água nos gatos, que já são propensos a doenças renais. No gato, a doença oral diminui a ingestão de água e aumenta o potencial de doença renal, uma relação relevante para a avaliação da qualidade de vida e da saúde geral.

Oferecer água flavorizada para estimular o consumo não adianta quando há dor gengival ou gengivite crônica. Por isso, a manutenção de uma boca saudável é relevante para todos os animais, especialmente para os gatos.

Quando a halitose afeta vínculos

A halitose é uma das queixas mais frequentes, e há demanda crescente por esse atendimento. O mau odor pode alterar a convivência entre o animal e a família, levando o responsável a afastar o animal do quarto, da cama ou do contato próximo. Assim, a doença oral deixa de ser apenas um problema local e passa a interferir na relação cotidiana.

Existe grande demanda por serviços de tratamento de doença periodontal e limpeza dental. Como a demanda por atendimento tem crescido mais rapidamente que a disponibilidade de suporte técnico e científico, os médicos veterinários precisam reconhecer os sinais, explicar a necessidade de tratamento e oferecer atendimento qualificado ou encaminhamento apropriado. A saúde oral compromete a saúde sistêmica, e o serviço odontológico é uma necessidade na rotina clínica veterinária.

Impactos sistêmicos da doença bucal

A doença bucal pode comprometer a saúde geral: se a boca está doente, a saúde geral tende a ser comprometida. Quando a boca está muito doente, tudo tende a piorar junto, havendo correlação com doenças secundárias. Portanto, existem doenças secundárias relacionadas à condição bucal, e essas relações devem ser avaliadas clinicamente.

Um exemplo é a gengivite crônica, que pode ser secundária à doença periodontal. Assim, a condição oral não deve ser analisada de forma isolada: reconhecer suas possíveis repercussões ajuda a compreender o estado geral do paciente.

Convulsões e tratamento da boca

Em um animal que convulsiona e toma Gardenal regularmente, o tratamento da boca pode reduzir as convulsões e permitir baixar a dose do medicamento; essa possibilidade é apresentada como uma correlação entre a condição bucal e as convulsões. A doença periodontal não causa mortalidade.

Longevidade com dentes preservados

O ideal é chegar à longevidade com saúde. Com cuidados com a boca, é possível chegar à velhice ainda com dentes, associando saúde oral e preservação dos dentes ao envelhecimento.

Um animal de oito anos é considerado senhorzinho e está perdendo os dentes. Nesse contexto, o uso de próteses dentárias decorre de falta de atenção sanitária e de cuidado com a saúde.

Princípios de atuação odontológica

Escopos profissionais comparados

A comparação começa pela formação: Oftalmologista é um médico que se dedicou à oftalmologia. De modo análogo, o veterinário que pratica odontologia é um médico veterinário que se dedicou à odontologia.

Seu horizonte de atuação é mais amplo que o do dentista, pois pode realizar procedimentos odontológicos em qualquer espécie animal, exceto seres humanos. Já o dentista atua sobre a boca humana e pode realizar clínica, cirurgia, tratamento endodôntico e mandibulectomia.

No Brasil, o dentista não é médico, mas um paramédico dedicado à odontologia. Apesar de extremamente competentes e com muitas especialidades, os dentistas apresentam limitações. Por isso, a odontologia veterinária é uma especialidade veterinária, já que a profissão de dentista não permite atender espécies alheias ao ser humano.

Habilitação, competência e responsabilidade

O veterinário pode fazer anestesia, cirurgia e outros procedimentos que um dentista não pode fazer, porque o dentista não é médico. Por isso, o receituário do dentista é limitado aos medicamentos pertinentes ao tratamento dentário.

A Lei 5.517 estabelece que o veterinário com diploma e registro no conselho de classe pode exercer a profissão, mas a habilitação legal não garante capacitação técnica. O veterinário não é necessariamente mais competente que um dentista, mas tem menos limitações. A habilitação legal não deve ser confundida com competência técnica: o médico veterinário tem o direito legal de fazer odontologia, mas se o fizer sem qualificação pode ser punido por erro profissional, como mau uso do aparelho de ultrassom.

A discussão sobre veterinários praticarem odontologia está pacificada. Um diagnóstico errado de fístula infraorbitária de origem dental pode levar a processo; se o cão for segurado, a seguradora pode pagar por perda de estética e buscar ressarcimento do veterinário responsável.

Especialidades e possibilidades futuras

As possibilidades futuras devem ser avaliadas junto à finalidade clínica e ao padrão recomendado para cada atuação.

  • Especialidades da odontologia humana: Em consultórios de odontologia existem especialidades como pediatria, ortodontia pediátrica, geriatria, implantodontia e harmonização facial, incluindo superespecialidades.
  • Harmonização facial veterinária: Pode vir a ser uma possibilidade na odontologia veterinária, como ocorre hoje na odontologia humana.
  • Implantodontia veterinária: Pode vir a acontecer na odontologia veterinária como na odontologia humana e é considerada uma especialização extrema.
  • Implantologia: A implantologia pode ser um upgrade na autoestima dos pacientes veterinários.
  • Ortodontia veterinária: O palestrante não realiza ortodontia em sua prática por considerá la fora da casinha; trabalhar apenas com ortodontia, como colocar aparelho em cães ou gatos persas para melhorar a oclusão dental, não é o padrão recomendado.

Prioridade da resolução clínica

A odontologia veterinária apresentada segue um protocolo de resolução clínica: não inclui botox, harmonização facial, ortodontia, prótese ou implantodontia em cães e gatos. O palestrante não realiza ortodontia por considerá la fora da casinha. Portanto, trabalhar apenas com ortodontia, como colocar aparelho em cães ou gatos persas para melhorar a oclusão dental, não é o padrão recomendado.

Função dentária dos carnívoros

Nos carnívoros, os dentes participam da penetração, captura, morte, recorte e deglutição da presa. Sua função é capturá la e cortá la em pedaços para que seja engolida; não há efeito mastigatório. A digestão ocorre no estômago e no intestino.

Com a oferta de ração, o gato não precisa caçar nem cortar o alimento em pedaços; basta engoli lo. O restante da digestão ocorre a partir do estômago.

Demandas estéticas e futuro

Há proprietários que pedem para colocar dente de ouro em cães saudáveis, mas o profissional não realiza esse procedimento. Também há demanda para colocar brilhante no dente de gatos, embora esse procedimento não seja realizado. No futuro, práticas como dentes de ouro e brilhantes podem passar a fazer parte da odontologia veterinária.

Reabsorção dentária em felinos

Gatos podem desenvolver lesão reabsortiva odontoclástica felina, caracterizada por uma reação contra os próprios dentes. O tratamento definitivo pode exigir a extração de todos os dentes. Mesmo sem dentes, o gato pode manter se bem, não necessariamente precisa modificar a alimentação e pode apresentar melhora do conforto e aumento da ingestão de água.

A situação é diferente em primatas: em primatas, a anatomia dental está relacionada à maceração dos alimentos e à participação da saliva no início da digestão.

Próteses e risco ambiental

A colocação de prótese em animais silvestres destinados à soltura deve ser evitada. Pinos, placas, parafusos ou outros materiais podem permanecer no corpo e, após a morte do animal, ser ingeridos por outro animal que o consuma, causando risco ambiental. Mesmo predadores de grande porte podem ser consumidos após a morte. Em animais de zoológico, uma prótese poderia ter finalidade estética, mas a prioridade clínica é resolver a doença; a reabilitação e a soltura devem considerar as consequências do material implantado para o ecossistema.

Literatura e equipamentos odontológicos

Radiografia na prática veterinária

Na odontologia humana, a radiografia panorâmica permite visualizar todos os dentes das arcadas superior e inferior em uma única avaliação. Para pacientes veterinários, não há serviço de radiografia panorâmica. Na veterinária, seria necessário anestesiar o paciente em dois momentos; por isso, o procedimento é realizado de uma só vez.

Na rotina odontológica veterinária, a imagem é revelada ou visualizada digitalmente e interpretada na hora, sem esperar laudo. Já o raio X de crânio não serve para odontologia, salvo em raríssimas exceções. No padrão do centro cirúrgico, não se deve manter autoclave na sala cirúrgica nem raio X, exceto em ortopedia; também não se pode ter autoclave perto do centro cirúrgico porque há material contaminado nesse ambiente.

O principal livro texto da área

O livro texto de referência da odontologia veterinária foi publicado em 1997 e teve a segunda edição lançada em 2019. Ele manteve se como livro texto básico da área mundialmente e, por algum tempo, foi a base única da literatura de odontologia veterinária. Na segunda edição, a referência preservou o nome de um dos autores originais, já falecido.

A abertura destaca que poucas escolas do mundo oferecem oportunidades nessa área de trabalho muito importante. O livro também inclui um capítulo do veterinário Roberto Fécio, referência na odontologia veterinária brasileira e conhecido nas redes sociais. Apesar de sua importância internacional, está disponível em inglês, sem tradução para o português, e apresenta muito texto e poucas figuras.

Como usar o livro do Mitchell

O livro do Mitchell, traduzido pelo Gioso, é acessível e barato, sendo considerado a cartilha da disciplina de odontologia veterinária. Atualmente, ele pode ser baixado durante a aula, sem problema: está disponível gratuitamente e legalmente em PDF na internet desde antes da venda do volume físico.

A orientação de uso é clara: todo clínico deveria lê lo para conhecer o básico da odontologia veterinária, mas não para praticar odonto.

O tratado de animais selvagens

Em 2006, foi lançado o primeiro tratado de medicina de animais selvagens, editado por Silva, Cubas e Catão. A primeira edição tinha mais de mil páginas e incluía um capítulo do professor Parrales sobre odonto estomatologia de animais selvagens.

Esse capítulo foi a primeira publicação em forma de livro em odontologia veterinária. Em 2014, saiu a segunda edição do tratado, ampliando a continuidade dessa referência.

Expansão odontológica do tratado

A segunda edição do tratado passou a ter uma seção de odontologia com cinco capítulos. Ela inclui o capítulo “ Odontologia Veterinária de Animais Silvestres ”, de Rossi; também inclui um capítulo sobre odonto estomatologia em roedores e lagomorfos, de Hebert e Fécchio, e um capítulo sobre endodontia, de Leon Ramon e Rossi.

Outro capítulo aborda correções ortopédicas e próteses em aves. Embora aves não tenham dentes, elas são abrangidas pela odonto estomatologia, que envolve boca e dente e é mais ampla do que apenas a odontologia dentária.

Já foi publicada a terceira edição, com ainda mais conteúdo odontológico, que será cobrado na próxima prova.

Equipamentos e materiais especializados

A extração de incisivo superior ou inferior de coelho requer equipamento muito especial e particular. Um site com material odontológico evidencia o avanço mundial da odontologia e o quanto o Brasil ainda está devendo nesse sentido; como complemento, o livro da Cecília Borre é uma referência interessante para informações sobre odontologia veterinária.

O site apresenta grande diversidade de materiais, incluindo equipamento móvel e pontas de papel para secagem de canal de urso. Esses materiais odontológicos de consumo são usados, gastos e descartados; quando estão ausentes, o procedimento deixa de ser realizado.

Barreiras para comprar materiais

O caso do Beto Carrero mostra que a falta de acesso aos materiais pode impedir o procedimento: o pedido custou 7 mil reais e a alfândega cobrou mais 7 mil reais, totalizando 14 mil reais, mas o Beto Carrero não quis pagar esse valor. A administração havia sido solicitada a comprar o material para tratar leões, panteras, tigres e ursos, mas recusou. Em outro contexto, o hospital tem o material, porém não consegue comprá lo porque as empresas fornecedoras não aceitam participar da licitação; quando a licitação fica vazia, a compra precisa ser feita por outros artifícios.

Doação como solução de acesso

A instituição ETH possui o material graças a uma doação, pois não conseguiria comprá lo pelo sistema de compras da Universidade e dos fornecedores.

O material foi doado pelo pessoal do Instituto Conservacionista Anani, localizado em Santa Catarina. Como o instituto não utilizava o material, aceitou doá lo.

Como citar autores e editores

Para citar literatura científica com precisão, separe a função de autor da função de editor e confira quem escreveu o capítulo consultado.

  • Autores: Responsáveis pelo conteúdo específico de uma obra ou capítulo.
  • Editores: Organizam a publicação, convidam especialistas e reúnem capítulos; não são necessariamente autores de todo o conteúdo.
  • Citação de capítulo: Deve identificar o autor específico e, posteriormente, a obra organizada pelos editores.
  • Tratado: No tratado, os editores não são os autores de todos os capítulos; ao citar um capítulo, é preciso verificar quem é o autor do capítulo.
  • Materiais de referência: Incluem livros de princípios e técnicas, obras traduzidas com ilustrações e manuais de consulta rápida para pequenos animais.
  • Odontologia, princípios e técnicas: Livro de autores brasileiros, com muitas fotografias, imagens e desenhos.
  • Livros traduzidos da Saunders: Apresentam bastante ilustração e apresentação bonita.

Adaptação diante da falta de instrumentos

A odontologia veterinária brasileira ainda depende, em grande parte, de materiais originalmente desenvolvidos para a odontologia humana. Instrumentos destinados a pessoas podem ser grandes e excessivamente robustos para dentes pequenos, como os dentes de gatos. Por isso, alguns profissionais adaptam instrumentos ou confeccionam alavancas utilizando agulhas achatadas.

Na falta de material específico, a equipe adapta recursos como limpador de cachimbo e filtro de café Melitta cortado para a secagem de canal. É preciso ser criativo porque o material não está disponível localmente e o material importado não dura para sempre. Já existem materiais específicos para roedores e coelhos, mas o acesso ainda é limitado. Já está começando a existir material odontológico veterinário específico para gatos, roedores e coelhos; para extrair incisivos de coelhos, é necessário um equipamento muito particular.

O tratamento endodôntico de caninos de médio e grande porte também exige instrumentos importados, pois a raiz pode corresponder a dois terços do comprimento total do dente. As limas para instrumentação do canal dentário são apenas importadas. Sem material importado, não é possível realizar o tratamento endodôntico dos caninos de médio e grande porte.

Instrumentos conforme porte e espécie

As limas utilizadas em seres humanos podem ter aproximadamente 25 milímetros, enquanto o tratamento do canal de um canino de grande porte pode exigir limas de 60 milímetros. Em animais silvestres, como leões, tigres, ursos e onças, são necessários materiais ainda mais longos e específicos. Também não há material brasileiro disponível para animais silvestres como leão, tigre, urso e onça.

O custo de importação pode ser elevado e dificultar a aquisição por instituições públicas. Também existem materiais especializados para cavalos, cuja odontologia utiliza equipamentos diferentes daqueles empregados em cães, gatos, coelhos e roedores. Embora alguns problemas sejam fisiologicamente semelhantes, os instrumentos e a lógica de atendimento podem ser completamente distintos.

Integração dos três fundamentos

Resolver tudo em uma anestesia

O planejamento odontológico veterinário deve integrar as necessidades do paciente em uma única sessão sempre que possível.

  1. Etapa: Integre periodontia, exodontia e endodontia no mesmo atendimento, pois esses fundamentos frequentemente precisam ser combinados.
  2. Etapa: Considere que, diferentemente da odontologia humana, os animais geralmente necessitam de anestesia geral para cada intervenção. Repetir a anestesia aumenta os custos e pode fazer com que o responsável não retorne.
  3. Etapa: Compare com a odontologia humana, na qual é possível fazer um curativo temporário com eugenol e orientar o paciente a retornar na semana seguinte, evitando mastigar do lado tratado e mantendo a escovação.
  4. Etapa: Planeje, sempre que possível, uma única sessão para resolver todas as necessidades clínicas e cirúrgicas. Em animais silvestres, a anestesia é ainda mais especializada e dispendiosa.

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas
A articulação entre o dente e o alvéolo dental tem um nome específico, que serve apenas para dentes, sejam quais forem os tipos de dentes.
A articulação do dente no alvéolo dental tem um nome específico que serve apenas para dentes.
O nome da articulação dentoalveolar é parecido com "artrose", mas não é artrose.
Já saiu a terceira edição do tratado, com ainda mais conteúdo de odontologia, e esse conteúdo será cobrado na próxima prova.

Reflexão Sion

Cuidar do que não se vê

Mais de 80% dos cães e gatos com mais de quatro anos apresentam algum grau de doença periodontal, uma condição que causa dor contínua e pode mudar até o comportamento do animal. Assim como uma fístula abaixo do olho pode parecer apenas um problema de pele, a vida também pode esconder a origem de suas dores sob sinais que pedem atenção mais profunda. Jesus nos convida a levar a ele o que pesa em silêncio e a encontrar descanso, cuidado e esperança.

Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês.Mateus 11:28

Leia e reflita sobre as dores que você tem adiado.

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