Sion Academy
Aula 05 Planejamento da Produção de Suínos em Sistema Intensivo de Confinamento
Para planejar a produção, determine primeiro o intervalo temporal entre os lotes e, em seguida, organize a movimentação e os partos necessários.
Topicos da aula
- Planejamento da Produção de Suínos em Sistema Intensivo de Confinamento
Overview
Mapa do planejamento intensivo
O planejamento intensivo de uma granja organiza a produção desde a definição do que será obtido até o dimensionamento das instalações e do plantel. Seu ponto de partida reúne produto, volume e periodicidade, distinguindo a quantidade produzida do intervalo entre lotes e do porte da unidade. A partir dessas decisões, o cálculo reverso conecta abates ou expedições às perdas, aos índices reprodutivos e produtivos, aos partos, às coberturas e às matrizes necessárias. O sistema também diferencia potencial biológico de desempenho observado e considera matrizes ativas e aditivas. Por fim, a escolha da escala — semanal, quinzenal ou mensal — altera a quantidade de lotes, o uso das instalações e os ajustes de manejo necessários.
Finalidade do planejamento da granja
Planejamento aplicado à granja comercial
O planejamento da produção de uma granja comercial não se limita ao projeto físico das instalações. O conhecimento dos sistemas de produção, da estrutura da granja, dos tipos de instalações e das barreiras físicas e sanitárias permite projetar uma unidade produtiva, mas sua aplicação principal é o ajuste estrutural e o acompanhamento zootécnico para avaliar a eficiência produtiva.
O controle sanitário de uma granja é estruturado por meio de suas barreiras físicas e barreiras sanitárias. Esse acompanhamento permite avaliar o desempenho da unidade, identificar sua eficiência e organizar a produção em diferentes escalas e volumes, desde pequenas até grandes quantidades.
Objetivos administrativos da granja
Na administração de uma granja, o planejamento é necessário para otimizar o trabalho e utilizar adequadamente as instalações. Ele também permite programar a compra de insumos, organizar a substituição de matrizes e administrar a quantidade de estruturas disponíveis. O planejamento da produção organiza a quantidade e o uso das instalações para garantir uma boa administração da granja. A ausência de planejamento na atividade granjeira acarreta a desorganização generalizada da produção.
Ao iniciar uma unidade de suinocultura, devem ser definidos o volume de animais, a escala de produção, o tipo de granja e o produto final a ser obtido. A primeira etapa do planejamento de uma granja de suínos consiste em definir o produto a ser gerado e o tipo de granja. O planejamento inicial baseia se na definição da quantidade, da escala e da tipologia do produto pretendido, a exemplo de leitões, cevados, matrizes, linguiças ou pernis.
Volume, escala e intervalo produtivo
A segunda etapa do planejamento de uma granja de suínos é a definição da quantidade a ser produzida. O volume corresponde à quantidade de animais ou produtos a serem produzidos. Já a escala de produção não se confunde com o volume de animais, correspondendo estritamente ao intervalo de repetição das atividades.
A escala de produção é definida como o intervalo de tempo no qual todos os processos produtivos se repetem. Em uma escala semanal, processos como partos, desmames e vendas repetem se a cada semana, e os eventos produtivos se repetem a cada sete dias. A escala de produção pode ser diária, semanal, quinzenal, de três semanas ou de quatro semanas. A escala de produção também pode ser denominada intervalo de produção, embora a denominação escala seja preferida.
Porte da granja por escala
O porte da granja é definido pela quantidade de animais existente no plantel. Os tipos de granja na suinocultura compreendem a granja de ciclo completo, o crechário e a unidade terminadora (UT). Em uma granja de ciclo completo, o animal de referência é a matriz e, nesse sistema, o porte é definido pela quantidade de matrizes. Em uma unidade terminadora, o porte é determinado pela quantidade de animais alojados em cada lote; em um crechário, o porte é determinado pela quantidade de animais alojada na própria creche.
A escala acompanha esse porte: Granjas de grande porte operam com escalas de produção mais curtas, e uma granja de grande porte pode operar em escala semanal. Já granjas de suínos de menor porte operam com escalas de produção mais alongadas, como as de 21 ou 28 dias.
Instalações e viabilidade da escala
Quanto maior o porte da granja, maior a viabilidade de utilizar as instalações em uma escala apertada. Por isso, uma granja grande pode operar semanalmente. Uma granja pequena pode necessitar de uma escala de três semanas, com uma produção a cada 21 dias, ou de quatro semanas, com uma produção a cada 28 dias.
Se uma granja pequena operar em escala muito curta, poderá necessitar de instalações adicionais, reduzindo a viabilidade do sistema. A adoção de uma escala apertada em granjas de pequeno porte inviabiliza as instalações ao demandar um volume excessivo de estruturas sem viabilidade econômica. Essa relação deve ser determinada por cálculos de planejamento.
Definição do produto e da periodicidade
Definindo produto e meta final
O planejamento começa pela definição do produto final, que pode ser leitão, suíno cevado, matriz, linguiça ou pernil. Suínos cevados podem ser produzidos em granjas de ciclo completo ou em unidades terminadoras que compram e vendem leitões. A partir da meta de venda semanal ou do volume de produto final, realiza se um cálculo reverso para determinar quantos animais deverão nascer, crescer e ser abatidos.
Enquanto a produção primária planeja com base no número de animais, o setor agroindustrial parte do produto final. A terceira etapa do planejamento é estabelecer a periodicidade da produção; uma granja com expedição mensal é considerada de pequeno porte.
Periodicidade, escala e produção em banda
Para planejar a produção, determine primeiro o intervalo temporal entre os lotes e, em seguida, organize a movimentação e os partos necessários.
- Etapa: Identifique a escala semanal: há entrada e movimentação de um lote de animais a cada sete dias, e a granja é considerada de grande porte.
- Etapa: Relacione o conceito: na suinocultura intensiva, escala de produção significa intervalo entre lotes ou intervalo de produção.
- Etapa: Planeje os partos: para manter a periodicidade semanal, é necessário realizar uma quantidade determinada de partos a cada 7 dias.
- Etapa: Reconheça a produção em banda: quando o intervalo entre lotes é de 14, 21 ou 28 dias, o sistema é denominado produção em banda.
- Etapa: Diferencie escala de volume: a escala ou banda define o intervalo temporal entre os lotes, e não o volume ou a quantidade física de animais.
Conversão industrial do volume mensal
Uma indústria pode desejar processar determinada quantidade de toneladas de carcaça suína por mês, embora funcione diariamente. Por isso, o primeiro passo é converter o volume mensal em uma escala diária; em seguida, define se a quantidade de animais necessária. Tanto na indústria de processamento quanto na granja integrada de fomento, o planejamento produtivo estrutura se na quantidade, na periodicidade e na definição do produto final.
Índices zootécnicos do sistema intensivo
Eficiência produtiva e potencial biológico
Em um sistema intensivo de produção e confinado, devem ser definidos índices zootécnicos compatíveis com o sistema. No planejamento, esses índices zootécnicos devem ser específicos para o sistema. O sistema intensivo de produção animal em confinamento fundamenta se na exigência de alta eficiência produtiva. Alta eficiência produtiva não é sinônimo de alta produtividade ou de grande produção.
A granja intensiva precisa ser eficiente e explorar o máximo potencial biológico da espécie, fornecendo as melhores condições sanitárias, de instalações e de manejo. Nesse sistema, a granja precisa obrigatoriamente ser eficiente para assegurar sua viabilidade econômica; por essa razão, o planejamento deve utilizar índices zootécnicos otimizados.
Índices zootécnicos para planejamento
Organize os índices conforme sua função: a conversão alimentar orienta principalmente a avaliação do manejo, enquanto os índices reprodutivos apoiam diretamente o planejamento.
- Conversão alimentar: Índice zootécnico importante para avaliar o desempenho da granja, mas que auxilia principalmente a avaliação do manejo.
- Variação por fase: Em suínos, a conversão alimentar pode situar se em 2,4, 2,6 ou 2,8, dependendo da fase, pois diferentes fases apresentam diferentes eficiências.
- Índices prioritários: Para o planejamento, são mais úteis a taxa de parto, a taxa de prenhez, o número de leitões nascidos por matriz e o número de leitões desmamados por matriz.
- Avaliação do desempenho: Trata se de um índice zootécnico empregado na avaliação do desempenho da granja.
Metas de nascidos e desmamados
As metas de reprodução devem ser lidas em conjunto: o número de nascidos totais estabelece a referência, e o número de desmamados reflete as perdas ocorridas.
- Nascidos totais: Em uma genética considerada boa, aproximadamente 16 nascidos totais por matriz representam um resultado excelente; em um sistema intensivo confinado de alta tecnologia, pode se buscar esse valor.
- Meta de nascidos: Nesse contexto, em sistemas intensivos confinados com boa linhagem genética, a média de 16 leitões nascidos totais por matriz é considerada um índice zootécnico excelente.
- Meta de desmamados: O resultado esperado para leitões desmamados situa se entre 14 e 15 por matriz.
- Diferença entre índices: A diferença decorre da ocorrência de natimortos, leitões mumificados e mortalidade.
- Composição dos nascidos totais: Os nascidos totais incluem os leitões nascidos vivos, natimortos, refugos e mumificados.
Referências atuais para índices
Para planejar índices zootécnicos atuais, é preciso considerar que livros mais antigos podem não constituir a melhor referência, pois os índices produtivos se modificam e as publicações podem demorar a ser atualizadas. O boletim anual de eficiência produtiva por genética é a melhor fonte de consulta para índices zootécnicos na suinocultura.
Empresas de melhoramento genético apresentam informações relativas à sua genética e à região de produção. A empresa de genética suína Agroceres PIC possui um software de gestão com o qual monitora granjas no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. Também podem utilizar softwares de gestão que reúnem dados de granjas localizadas no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, permitindo classificar as unidades que alcançam os melhores índices.
Metas das granjas de referência
Entre as granjas classificadas nos 10% melhores, podem ser observados valores como 16 nascidos totais, 15 leitões desmamados por porca e taxa de parto de 98%; uma taxa de parto de 95% também é considerada adequada. A classificação top 10% reúne as granjas com os melhores índices zootécnicos, por isso seus resultados orientam o desempenho esperado.
Os índices zootécnicos das 10% melhores granjas (top 10%) devem ser estabelecidos como meta de produção na suinocultura. Já os índices obtidos pelas 50% melhores granjas constituem referências para o planejamento. Mortalidade de 5% é alcançada por granjas de desempenho muito elevado, enquanto entre as 50% melhores a mortalidade pode situar se em aproximadamente 7%, variando de 7% a 10%.
Redução da mortalidade na maternidade
Para iniciar o planejamento, pode se considerar uma mortalidade de leitões na lactação próxima de 10%, estabelecendo se como objetivo reduzi la para, no máximo, 5%. Essa meta de 5% é uma referência, mas é de difícil manutenção na média anual. A redução depende do manejo, da nutrição, da sanidade e das instalações da maternidade. Também devem ser considerados o peso ao nascimento, a realização adequada da castração, a aplicação de ferro, o fornecimento de ração pré inicial e o aquecimento apropriado dos leitões.
Exemplo de planejamento produtivo
Produto, volume e logística de abate
O planejamento considera a produção de suínos cevados para abate, com 120 quilos de peso vivo aos 168 dias de idade. A quantidade planejada é de 400 animais.
A definição do volume também deve considerar o transporte e a distância até o abatedouro. Para uma distância de 200 quilômetros, pode ser necessário utilizar uma carreta capaz de transportar 240 animais em três plataformas. Em uma escala semanal, a produção pode ser organizada para o envio de dois caminhões com 200 animais cada.
Densidade e níveis do transporte
Como referência para o transporte, considera se 100 kg por 0,45 m² de carroceria livre, correspondendo aproximadamente a 200 kg a 220 kg por metro quadrado de carroceria.
O caminhão de transporte de suínos mais simples possui dois decks: um inferior e um superior. Assim, a definição do transporte integra o planejamento da produção, especialmente em sistemas vinculados a integrações ou cooperativas.
Porte condicionado pela periodicidade
A produção de cevados com 120 kg aos 168 dias exige boa genética, nutrição adequada e instalações eficientes. Um volume de 400 animais representa um porte médio ou médio grande; quando associado a uma escala semanal, o sistema assume características de grande porte.
Em uma escala mais longa, o mesmo volume poderia corresponder a uma unidade menor, pois o porte também depende da periodicidade de produção.
Índices reprodutivos e produtivos
Nascidos totais no ciclo completo
A sequência acompanha o plantel desde a definição do sistema até o número de leitões vendidos por parto.
- Etapa: Defina o sistema produtivo. O cevado pode ser produzido em uma granja de ciclo completo ou em uma unidade terminadora que compra leitões e os vende após a terminação. As unidades terminadoras de suínos podem operar no modelo tradicional ou no sistema Wean to Finish. O exemplo considera uma granja de ciclo completo em sistema intensivo.
- Etapa: Reconheça os fatores reprodutivos. Parvovirose, leptospirose e erisipela são doenças infecciosas que afetam a reprodução em suínos. O útero da porca apresenta grandes dimensões para acomodar o desenvolvimento de leitegadas numerosas. A síndrome respiratória e reprodutiva suína (PRRS) não ocorre no plantel de suínos do Brasil. A imunização de leitoas para prevenção de enfermidades reprodutivas é realizada antes da transferência para o setor de reprodução.
- Etapa: Estabeleça a referência genética. Para uma genética boa, utiliza se como referência o valor de 16 nascidos totais por parto.
- Etapa: Considere a distribuição da pressão no parto. Durante as contrações uterinas no parto da porca, os fetos próximos à cérvix e os localizados na extremidade do corno uterino recebem simultaneamente a mesma intensidade de pressão.
- Etapa: Calcule os desmamados após a perda na lactação. Aplicando uma taxa de sobrevivência de 93% sobre 15,2 nascidos vivos ( 7% de mortalidade na lactação ), obtém se cerca de 14,14 leitões desmamados por parto.
- Etapa: Adote o resultado de venda no planejamento. No planejamento produtivo apresentado, a produtividade da porca por parto considerada foi de 13,2 leitões vendidos.
Perdas por natimortos e mumificados
Dos 16 nascidos totais, aproximadamente 3% correspondem a natimortos e 2% a leitões mumificados, totalizando uma perda aproximada de 5%. Em uma granja com bom programa de vacinação, a proporção de mumificados pode aproximar se de 1,2%. Entre as enfermidades reprodutivas mencionadas estão a parvovirose e a erisipela, além do circovírus e da síndrome reprodutiva e respiratória dos suínos.
Mecanismos dos natimortos no parto
A ocorrência de natimortos é difícil de eliminar, especialmente em leitegadas numerosas e partos prolongados. O útero da porca apresenta grande extensão, e cada leitão dispõe de aproximadamente 15 a 20 minutos para sair; quando isso não ocorre, pode haver morte por asfixia.
As contrações uterinas ocorrem de forma ampla, e não necessariamente leitão por leitão. Assim, um leitão pode passar sobre outros e comprimir ou estrangular o cordão umbilical, comprometendo a oxigenação. Com bom manejo da fêmea pré parturiente e assistência adequada ao parto, uma taxa de 3% de natimortos é considerada aceitável.
Tratamento dos resíduos do parto
A placenta, os fetos natimortos e os leitões mumificados constituem resíduos gerados no parto que exigem sistema específico de tratamento e destinação.
Cálculo de nascidos vivos
O cálculo acompanha os leitões desde os nascidos totais até os desmamados, descontando as perdas de cada etapa.
- Etapa: Considere 16 nascidos totais e uma perda aproximada de 5% para obter o número de nascidos vivos por parto.
- Etapa: Desconte a mortalidade na lactação. Embora uma perda de 5% possa ocorrer em determinados meses, é difícil mantê la como média anual.
- Etapa: Para uma granja boa, pode se utilizar mortalidade de lactentes de 7%.
- Etapa: Partindo de aproximadamente 15 leitões após os descontos iniciais, calcule 15 × 0,93 = 14,136, arredondado para 14,14 leitões desmamados por parto.
Mortalidade após o desmame
Após o desmame, os leitões são encaminhados à creche. Em uma creche boa, pode se considerar mortalidade de 3%. A mortalidade tende a diminuir conforme a idade avança, quando a granja apresenta boas condições.
Para calcular a saída dessa etapa, aplica se a perda sobre os leitões desmamados: Aplicando se 14,14 × 0,97, obtém se aproximadamente 13,70 leitões que deixam a creche por parto e seguem para crescimento e terminação.
Perdas no crescimento e terminação
No crescimento e na terminação, uma granja boa pode apresentar mortalidade aproximada de 3%. Essa perda é calculada sobre os animais que ingressam nessa fase, desde a saída da creche até os 168 dias e 120 kg de peso vivo. Não foram incluídos os animais refugos.
O número de leitões vendidos por parto corresponde à produtividade por parto da matriz. Um resultado de 12 leitões vendidos por parto é considerado muito bom, enquanto 13 representa um índice bastante otimizado e exige manejo rigoroso.
Como interpretar a taxa de parto
A taxa de parto corresponde à proporção de fêmeas cobertas que efetivamente chegam ao parto. Em outras palavras, considera matrizes suínas cobertas que chegam a termo e realizam o parto. Ela não representa o número de partos realizados por ano.
Uma taxa de parto de 90% é considerada boa. É possível que algumas granjas alcancem 90% a 94%, enquanto outras, com desempenho excepcional, cheguem a 98%. Uma taxa média de aproximadamente 88% significa que, de cada 100 fêmeas cobertas, 88 chegam ao parto. Esse índice reflete a eficiência da granja, do manejo e das instalações.
Causas das perdas reprodutivas
As fêmeas que não chegam ao parto podem ser perdidas por morte, aborto ou repetição de cio. A repetição de cio pode decorrer de cobertura em momento inadequado, infertilidade do cachaço, sêmen inadequado, doença ou falha na fecundação.
Em uma granja com taxa de parto de 90%, a perda reprodutiva corresponde a 10%. Dentro desse cenário, pode se considerar aborto natural sem doença em aproximadamente 1%, enquanto a repetição de cio por falha de fecundação ocorre em aproximadamente 6%.
Na interpretação do desempenho, a repetição de cio em torno de 10% ainda pode ser considerada aceitável; porém, valores próximos de 12% indicam piora do desempenho reprodutivo.
Mortalidade das matrizes gestantes
Durante a gestação, a mortalidade de matrizes pode aproximar se de 3%. Entretanto, uma granja localizada em região favorável e com boa gestação pode apresentar aproximadamente 1%.
Esse resultado varia conforme o ambiente e as características do plantel: regiões muito quentes, matrizes velhas e genéticas mais estressadas podem elevar a mortalidade para cerca de 3%.
Mesmo com condições ambientais nem sempre favoráveis, o Brasil apresenta uma das menores taxas de mortalidade de matrizes gestantes.
Escala semanal e intervalo entre partos
Ritmo operacional da produção em banda
A produção em banda organiza os eventos da granja em intervalos regulares. Na escala semanal, a cada sete dias acontecem simultaneamente o desmame, a cobertura, a saída da maternidade, a transferência da creche e o embarque para o abate. Esse ritmo torna as idades de parição mais uniformes na maternidade.
Se a meta semanal de coberturas não for atingida, as fêmeas não cobertas devem ser acrescentadas à meta da semana seguinte. Além disso, matrizes que repetem o cio podem ser encaixadas em qualquer lote subsequente, porque a diferença máxima entre lotes semanais é de sete dias.
Sincronização do ciclo reprodutivo
O ciclo reprodutivo da matriz segue sequencialmente pelos estágios de fêmea lactante, fêmea vazia e fêmea gestante. O desmame sincroniza o estro das fêmeas do lote. Quando a idade média de desmame é estipulada em 28 dias, os períodos de lactação podem variar de 24 a 35 dias.
Após o desmame, o intervalo de cinco dias até a cobertura é considerado ótimo. O estímulo com o cachaço, a manutenção do escore corporal e a prevenção de lactações excessivamente longas ajudam a maioria das matrizes a manifestar estro em até cinco dias.
Contrastes e exceções de manejo
No sistema extensivo, lactações prolongadas podem reduzir muito o escore corporal da porca, levando o criador a pular o primeiro estro pós desmame. Nesse sistema, os custos operacionais são mais baixos e as rações utilizadas são mais econômicas.
No manejo da produção em banda, matrizes que ultrapassam 14 dias de intervalo entre desmame e cobertura sem serem cobertas são destinadas ao descarte. Quando a escala de produção é muito ampla e a matriz repete o cio fora do lote, pode ser necessário pular o cio ou recorrer à sincronização e à indução com progesterona.
Intervalo entre partos da matriz
O intervalo entre partos pertence ao ciclo individual da matriz suína e não deve ser confundido com a escala de produção da granja. Após o parto, a porca é desmamada, coberta e permanece em gestação até o parto seguinte. Em um intervalo entre partos de 140 dias, a matriz suína passa pelas etapas de maternidade, gestação e cobertura a cada 140 dias.
Em sistema intensivo, pode se trabalhar com idade média ao desmame de 21 dias, sendo possível encontrar fêmeas desmamadas aproximadamente entre 17 e 24 dias. O desmame médio de 24 dias ainda pode apresentar bom desempenho, enquanto 28 dias se aproxima do limite da eficiência para um sistema intensivo confinado.
Sincronização dos eventos reprodutivos
Quanto mais próximos estiverem os partos, desmames e coberturas, maior será a uniformidade dos lotes. A indução do parto e a sincronização do cio ajudam a aproximar esses eventos, permitindo buscar, em uma situação ideal, uma idade média de desmame de 21 dias reais.
Na desmama dos leitões de um lote, a distribuição pode incluir a segregação entre leitões refugos e leitões de cabeceira. Conforme as condições do lote e das leitegadas, algumas fêmeas podem ser utilizadas como mães de leite.
Janela desmame até cobertura
Em bom manejo, o intervalo desmame cobertura (IDC) pode ser de aproximadamente cinco dias. Esse intervalo é fisiologicamente inevitável no ciclo produtivo da matriz suína e dificilmente pode ser zerado, mesmo com a utilização de IATF.
Para favorecer a manifestação do cio, a fêmea deve ser desmamada em boa condição corporal, sem lactação excessivamente prolongada, e conduzida para perto do cachaço, cuja estimulação é adequada. Pequena proporção de fêmeas pode apresentar cio aos sete, oito ou nove dias; já um intervalo superior a 14 dias é considerado inadequado para manter a eficiência reprodutiva.
Limites do ciclo extensivo
No sistema extensivo, o intervalo entre partos tende a aumentar. Quando as instalações, a creche ou a nutrição não oferecem condições adequadas, pode ser preferível manter a porca com o leitão por mais tempo do que realizar o desmame precocemente e submetê lo a um ambiente inadequado.
A lactação pode tornar se prolongada, especialmente quando a porca está magra e amamenta aproximadamente dez leitões. Nesse sistema, não se deve forçar a produtividade da matriz, pois a genética e as condições de manejo podem não sustentar elevada eficiência.
Dias não produtivos
O que são dias não produtivos
Os dias não produtivos correspondem ao período em que a matriz não está contribuindo para a produção esperada. Em um plantel suíno comercial, é biologicamente impossível alcançar 100% de eficiência reprodutiva sem a ocorrência de dias não produtivos. Toda matriz coberta que não pare gera dias não produtivos, assim como toda vez que uma matriz repete o estro (cio), são gerados dias não produtivos no manejo da granja.
Para calcular a média do plantel, a soma dos dias improdutivos das fêmeas que repetiram o cio, abortaram ou morreram deve ser dividida pelo total de matrizes do plantel. Com uma taxa de parto de 90%, 90% das matrizes cobertas alcançam o intervalo entre partos previsto de 140 dias.
Impacto temporal das perdas reprodutivas
As perdas reprodutivas ampliam o tempo em que a matriz permanece sem contribuir para a produção. Uma fêmea que repete o cio pode acrescentar, no mínimo, aproximadamente 21 a 24 dias ao intervalo. Se ocorrer aborto aos 40 dias de gestação, serão acrescentados cerca de 40 dias ao ciclo.
Quanto melhores forem a sanidade, a nutrição, o ambiente e o manejo, mais a granja se aproxima da eficiência máxima. Ainda assim, os índices utilizados no exemplo são bastante otimizados e exigem trabalho consistente para serem alcançados.
Intervalo teórico e cálculo do PPA
O PPA organiza o planejamento da granja a partir do intervalo entre partos.
- Etapa: Defina o intervalo entre partos da matriz antes de calcular a produtividade da granja.
- Etapa: Divida 365 dias pelo intervalo entre partos para obter o índice de partos por porca por ano (PPA).
- Etapa: Some as fases reprodutivas — gestação, lactação e intervalo desmame cobertura —, que no exemplo totalizam 140 dias.
- Etapa: Conclua o cálculo teórico: com esse intervalo, o resultado é de 2,6 partos por porca por ano.
Correção pelos dias não produtivos
Para sair do potencial biológico e chegar a uma estimativa mais realista, incorpore os DNP ao intervalo.
- Etapa: Reconheça o ponto de partida: 2,6 partos por porca por ano representa a produtividade biológica da matriz em condições altamente otimizadas.
- Etapa: Identifique a limitação: esse valor é otimista porque não inclui os dias não produtivos (DNP) do plantel.
- Etapa: Acrescente aproximadamente 14 dias ao intervalo teórico de 140 dias; assim, obtém se um intervalo corrigido de 154 dias.
- Etapa: Recalcule a produtividade com o intervalo corrigido e observe a redução para cerca de 2,36 a 2,37 partos por porca por ano.
Dias não produtivos no ano
Siga a cadeia de cálculo: lotes, partos anuais, PPA, intervalo entre partos e DNP.
- Etapa: Divida 365 dias por sete dias para estimar aproximadamente 52 lotes por ano na escala semanal.
- Etapa: Multiplique cerca de 52 lotes anuais por 31 partos por lote e obtenha 1.612 partos por ano na granja.
- Etapa: Divida os 1.612 partos anuais por 636 matrizes; o resultado é de aproximadamente 2,53 partos por matriz por ano.
- Etapa: Multiplique 2,53 partos anuais pela soma dos períodos de gestação, lactação e IDC; isso resulta em um intervalo entre partos de 140 dias.
- Etapa: Calcule os DNP anuais pela diferença entre 365 dias e o produto do número de partos por matriz por ano pelo intervalo entre partos, resultando em aproximadamente 10,8 dias não produtivos por matriz por ano.
- Etapa: Interprete os 10,8 dias não produtivos: as taxas de repetição de cio, aborto e mortalidade estão dentro do limite esperado de 10%.
- Etapa: Compare com o cenário da suinocultura brasileira, em que a média geral varia tipicamente entre 17 e 24 dias não produtivos por matriz ao ano, com valores médios em torno de 20 dias.
Dias não produtivos por parto
A conversão dos dias não produtivos anuais em um valor por parto permite avaliar a eficiência reprodutiva e compor o cálculo do intervalo entre partos.
- Etapa: Calcule os dias não produtivos por parto dividindo os dias não produtivos por matriz por ano pelo número de partos por matriz por ano.
- Etapa: Aplique o exemplo: 10,8 dias não produtivos por matriz por ano divididos por aproximadamente 2,6 resultam em cerca de 4,6 dias não produtivos por parto.
- Etapa: Interprete o resultado: cerca de 4,6 dias não produtivos por parto é considerado muito bom.
- Etapa: Calcule o intervalo entre partos considerando o período de gestação, o período de lactação, o intervalo desmame cobertura e os dias não produtivos por parto.
Dimensionamento dos lotes e do plantel
Partos semanais para vender cevados
O dimensionamento começa pela meta semanal de venda e retorna aos partos necessários.
- Etapa: Planeje de trás para frente, convertendo o volume pretendido em escala diária para derivar as taxas de nascimento, perdas e o número de matrizes em reprodução.
- Etapa: Defina a meta: para vender 400 cevados por semana, determine quantos partos devem ocorrer semanalmente, quantas fêmeas devem ser cobertas por semana e quantas matrizes devem compor o plantel.
- Etapa: Calcule os partos: considerando aproximadamente 13,2 leitões vendidos por parto, divida 400 por 13,2 para obter cerca de 30,3 partos por lote semanal.
- Etapa: No planejamento, adote um número inteiro de partos; em uma avaliação de granja, o valor decimal pode ser utilizado.
Arredondamento como coeficiente de segurança
Como 30 partos poderiam resultar em produção inferior à necessária caso a mortalidade do lote fosse maior, o número deve ser elevado para 31 partos por semana. No planejamento de partos na suinocultura, arredondar a quantidade calculada para cima funciona como coeficiente de segurança contra variações na mortalidade do lote. Essa margem torna o planejamento conservador, ajudando a evitar falta de animais e a assegurar a produção de 400 animais.
Na organização física, a maternidade pode ser organizada com três fileiras de dez ou onze células parideiras, conforme a estrutura definida. Como o total de 31 partos não se distribui igualmente, dimensionar uma granja suinícola para 31 partos semanais gera irregularidade no arranjo físico da maternidade. Assim, uma maternidade com 31 celas parideiras pode apresentar disposição assimétrica, com duas fileiras de 10 celas e uma fileira de 11 celas.
Coberturas necessárias por lote
Parta do número de partos desejado e ajuste o pela taxa de parto esperada para definir a cobertura necessária.
- Etapa: Defina o alvo de parto em 31 fêmeas no dimensionamento do lote de produção.
- Etapa: Considere a taxa de parto de 90%; o número de fêmeas a cobrir é calculado dividindo o alvo de parto pela taxa de parto esperada.
- Etapa: Faça uma regra de três invertida, em vez de simplesmente adicionar 10% aos 31 partos. Para obter 31 partos com uma taxa de parto de 90%, calcule 31 ÷ 0,9, resultando em aproximadamente 34,4 fêmeas.
- Etapa: Arredonde o resultado para cima. Esse número de fêmeas a cobrir é arredondado para cima para assegurar que a maternidade não fique com celas parideiras vazias caso a taxa de parto diminua; por segurança, o alvo de cobertura é elevado para 35 fêmeas por lote.
Ajuste do alvo de cobertura
Se uma granja foi planejada para 100 partos semanais e cobre 120 fêmeas, mas a repetição de cio ultrapassa 20%, o alvo de cobertura deve ser corrigido antes da investigação da causa da perda reprodutiva. Com taxa de parto planejada de 90% e perda reprodutiva real de 15%, pode ser necessário cobrir 30% a mais, em vez de 20%, para assegurar o número de partos. Em um planejamento com taxa de parto de 90%, a perda reprodutiva da granja equivale a 10%. A maternidade não deve permanecer com células vazias. É possível completar um lote de maternidade inserindo outra fêmea e induzindo o seu parto, embora esse manejo não seja ideal. Caso a taxa de parto melhore, o excesso de coberturas deverá ser reduzido ou a idade de desmame deverá ser ajustada.
Fontes das fêmeas de cobertura
O alvo de 35 coberturas não é composto apenas pelas fêmeas que saem da maternidade. Em granjas comerciais de suínos, matrizes gestantes confirmadas não são descartadas voluntariamente. O momento de descarte ocorre quando a fêmea deixa a maternidade, após completar seu ciclo, ao atingir aproximadamente oito partos ou apresentar baixa produtividade. Assim, não se pode contar com todas as fêmeas que saem da maternidade para novas coberturas.
Após o desmame na maternidade, as matrizes suínas não descartadas são transferidas para o setor de reprodução para nova cobertura. Para completar o alvo semanal de coberturas além das fêmeas desmamadas, utilizam se matrizes de reposição, fêmeas que abortaram e fêmeas que repetiram o cio não descartadas. Se 31 fêmeas forem desmamadas e o alvo for cobrir 35, as quatro restantes deverão ser obtidas dessas categorias; em geral, as nulíparas constituem a melhor fonte para completar o lote.
Dimensionamento das matrizes ativas
O dimensionamento parte da escala de produção e avança até o número de matrizes ativas, considerando o alvo de cobertura e a eficiência reprodutiva teórica.
- Etapa: Calcule o número de lotes dividindo o intervalo entre partos pela escala de produção. Na escala semanal, divida 140 dias por 7 dias, resultando em 20 lotes de parto.
- Etapa: Expresse o intervalo entre partos e a escala de produção na mesma unidade de tempo, seja em dias, semanas ou quinzenas.
- Etapa: Relacione os lotes: em uma escala de 20 lotes, passam se 19 lotes até que as matrizes do lote 1 voltem a ser cobertas.
- Etapa: Calcule as matrizes ativas multiplicando o número de lotes de parto pelo tamanho do lote. O número de matrizes ativas é calculado multiplicando se o número de lotes de parto pelo tamanho do lote.
- Etapa: Aplique o exemplo: multiplicando se 20 lotes por 31 partos, obtêm se 620 matrizes ativas.
- Etapa: Considere o lote de gestação de 114 dias exemplificado, no qual foram cobertas 35 fêmeas no alvo de cobertura para atingir o alvo de parto de 31 fêmeas. Essas fêmeas representam o plantel necessário caso a eficiência reprodutiva fosse de 100%.
Base das perdas reprodutivas
As matrizes aditivas são dimensionadas com base nas perdas reprodutivas do plantel. Para isso, considera se o intervalo em que as fêmeas perdem a prenhez e podem ser reaproveitadas, e não o intervalo entre partos. O intervalo médio considerado para essas perdas reprodutivas é de 28 dias.
As perdas reprodutivas podem ser obtidas pela diferença entre o alvo de coberturas e o alvo de partos. Em um planejamento com 35 coberturas e 31 partos, a perda reprodutiva estimada de 10% corresponde a 4 coberturas. Assim, em cada lote, são utilizadas 31 matrizes ativas e 4 fêmeas aditivas para compensar perdas por aborto ou repetição de cio.
Dimensionamento do plantel adicional
O dimensionamento das fêmeas aditivas parte da perda reprodutiva e combina o intervalo dessas perdas com a escala semanal de produção.
- Etapa: Calcular as matrizes aditivas com base na perda reprodutiva do plantel.
- Etapa: Determinar a perda de 4 fêmeas por lote. As perdas reprodutivas correspondem à diferença entre 31 partos e aproximadamente 35 coberturas, resultando em 4 fêmeas perdidas por lote.
- Etapa: Dividir 28 dias por 7 dias, considerando o intervalo médio das perdas e a escala semanal. Esse cálculo resulta em quatro lotes de fêmeas aditivas.
- Etapa: Multiplicar os quatro lotes pela perda de 4 fêmeas por lote. São necessárias aproximadamente 16 matrizes aditivas.
- Etapa: Manter aproximadamente 16 matrizes aditivas além das 620 matrizes ativas para assegurar a continuidade operacional da granja.
Soma do plantel total
Para dimensionar o número total de matrizes necessárias, parte se da definição do alvo de cobertura e do alvo de parto. O plantel total corresponde à soma das matrizes ativas e aditivas: são 620 matrizes ativas e 16 matrizes aditivas, totalizando 636 fêmeas. As 16 fêmeas aditivas são divididas em quatro lotes de quatro fêmeas.
Com um plantel dimensionado de 636 fêmeas, a granja atinge uma produção semanal contínua de animais cevados a cada sete dias. O cálculo direto de 20 lotes multiplicados por 35 coberturas resultaria em 700 matrizes; esse valor superestimaria o plantel e geraria sobra desnecessária de fêmeas, porque trataria todas as coberturas adicionais como lotes permanentes. Por isso, o cálculo por matrizes ativas e aditivas representa melhor a dinâmica da granja.
Efeito da mudança de escala
Comparação entre escalas produtivas
A mudança da escala altera a quantidade de lotes da granja, mas não o total de matrizes dentro de cada lote. Na escala de 14 dias, o intervalo entre partos é coberto com menos lotes; na escala de 28 dias, o principal desafio descrito está na uniformidade de ocupação da maternidade.
| Escala ou cenário | Lotes e partos | Produção e plantel | Manejo e instalações |
|---|---|---|---|
| Semanal (7 dias) | 20 lotes; 31 partos por lote | Produção de 400 cevados, com venda a cada 7 dias; maior número de lotes e fêmeas ativas que na escala de 14 dias | — |
| Quinzenal (14 dias) | 10 lotes de 31 partos, considerando intervalo entre partos de 140 dias | Produção de 400 cevados; venda a cada 14 dias; diminuem os lotes necessários e o total de fêmeas ativas. A quantidade de animais por lote é mantida. | Produtividade por parto, alvo de parto e demais índices zootécnicos permanecem inalterados. Se houver repetição de cio, pode ser necessário usar progesterona por cerca de 14 a 15 dias até a cobertura no lote adequado. |
| 28 dias | — | — | A maternidade pode apresentar matrizes com diferenças de idade de parto de até 28 dias, gerando superlotação ou sobra de vagas nas instalações. |
Mantendo constantes os demais parâmetros do exemplo, a periodicidade altera a escala de lotes e o plantel ativo.
Escala e tamanho do rebanho
A alteração da escala modifica o porte do rebanho. Na escala semanal, são necessários mais lotes simultâneos e, consequentemente, mais matrizes; quando a produção passa para uma escala de 14 dias, os lotes ficam mais espaçados e o total de fêmeas diminui. Assim, a periodicidade de produção interfere diretamente no tamanho do plantel.
Para dimensionar essa mudança, a divisão do intervalo entre partos pela escala indica quantos lotes passam até que uma matriz retorne à mesma condição reprodutiva e seja coberta novamente.
Consequências da escala mensal
Na escala de 28 dias, o cálculo indicaria apenas um lote de fêmeas aditivas, composto por aproximadamente quatro animais. Essa periodicidade corresponde ao manejo de uma venda por mês e de um lote de parto por mês.
O principal efeito é a desuniformidade da maternidade: uma fêmea que repete o cio após 21 dias pode não se encaixar no lote de parto seguinte e ter de ser deslocada para outro lote, superlotando uma maternidade ou deixando espaços vazios. Quanto mais ampla a escala, maior a diferença de idade entre os partos e maior a dificuldade de uniformização.
Ajustes para escalas mais amplas
Na escala semanal, a diferença máxima entre os eventos é de aproximadamente sete dias, facilitando o encaixe das fêmeas e mantendo a maternidade mais uniforme. Já nas escalas de 14, 21 ou 28 dias, elas podem cair entre os lotes; pode ser necessário pular o cio, usar sincronização ou empregar progesterona para ajustar o momento da cobertura. Esses ajustes tornam o manejo mais complexo, especialmente quando a fêmea repete o cio e não pode ser coberta imediatamente no lote previsto. Em escalas com intervalos maiores, fêmeas que repetem o cio aos 35 dias não se encaixam adequadamente no lote subsequente.
Dinâmica das fêmeas aditivas
Formação inicial dos lotes
No início das atividades da granja, todas as matrizes a serem cobertas (35 fêmeas) são nulíparas com terceiro cio induzido no setor de reprodução. No segundo e no terceiro lote, mantém se o alvo de 35 coberturas, pois ainda não decorreu tempo suficiente para incorporar as repetições de cio.
O ciclo estral da fêmea suína tem duração de 21 dias. No quarto lote, algumas fêmeas podem estar com 21 dias de gestação, mas não se deve contar antecipadamente com a repetição. A maioria das repetições regulares de cio em suínos ocorre no período crítico após a cobertura; por isso, no quinto lote, as fêmeas já ultrapassaram o período crítico em que ocorrem muitas repetições regulares.
Composição operacional dos lotes
Quando a granja está em funcionamento, cada lote de cobertura pode ser composto por 31 matrizes ativas e quatro aditivas. No início, as quatro aditivas são nulíparas excedentes; posteriormente, correspondem principalmente às fêmeas que repetiram o cio ou falharam reprodutivamente e não foram descartadas.
Assim, mesmo que o plantel possua 620 matrizes ativas, será necessário manter fêmeas adicionais para completar regularmente os alvos de cobertura.
Aplicação em avaliações de granjas
Cálculos essenciais em avaliações
Algo frequentemente cobrado em provas é o cálculo da quantidade de fêmeas necessária para produzir determinado número de animais, considerando a mortalidade, a taxa de parto e a periodicidade de produção. Quando um índice não é fornecido no enunciado, sua determinação pode constituir parte da avaliação.
Também são essenciais o cálculo do alvo de parto, do alvo de cobertura, das fêmeas aditivas, do número de lotes, da produtividade por parto, do intervalo entre partos, dos partos por matriz por ano e dos dias não produtivos.
Dicas Para Provas
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
|---|
| O dimensionamento de quantas fêmeas são necessárias em um plantel para produzir determinada quantidade de animais a partir de índices zootécnicos como taxa de parto e mortalidade é conteúdo que será cobrado em prova. |
Reflexão Sion
Planejar com propósito
Na suinocultura intensiva, o planejamento parte do produto final e considera perdas, periodicidade e um coeficiente de segurança para sustentar a produção. Isso nos lembra que reconhecer limites e preparar se para imprevistos não é falta de fé, mas uma forma responsável de cuidar do que recebemos. Jesus oferece descanso e esperança a quem carrega o peso de tentar controlar tudo sozinho.
“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.”Mateus 11:28
Leia: eficiência também precisa de propósito.