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Introdução à Suinocultura Brasileira
A produção extensiva pode representar risco para a produção intensiva quando não adota medidas adequadas de biossegurança. Um trabalhador que atua em uma granja intensiva e depois entra em uma criação extensiva pode transportar agentes infecciosos entre os sistemas. A produção ex
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- Introdução à Suinocultura Brasileira
Overview
Introdução à Suinocultura Brasileira
Esta aula apresenta a suinocultura brasileira como uma cadeia que combina formação prática, produção, organização e eficiência. O contato direto com os animais desenvolve segurança para executar manejo e contenção adequados. No cenário mundial, a produção comercial concentra se em poucos países, e o Brasil ocupa posição de destaque, com forte concentração no Sul. Os sistemas extensivo, semiextensivo e intensivo diferem no uso de recursos, tecnologia e controle sanitário. A crise econômica evidencia que a sobrevivência do sistema intensivo depende de produtividade, biossegurança e manejo consistentes. A organização entre produtores independentes, integrados e cooperados distribui responsabilidades e riscos, enquanto os tipos de granja acompanham as fases produtivas, da reprodução à terminação. Assim, compreender a suinocultura exige conectar prática, sistema e cadeia.
Atividades práticas e formação profissional
Manejo de Leitões Lactantes
Entre as atividades de manejo de leitões lactantes estão a aplicação de ferro, o corte da cauda e o desgaste dos dentes. Essas intervenções são apresentadas como práticas de manejo utilizadas comercialmente na suinocultura. A aplicação de ferro em leitões lactantes é uma prática necessária na suinocultura.
O corte da cauda em leitões, denominado caudectomia, é uma prática de manejo realizada na suinocultura. Quanto mais precocemente são realizadas, menor tende a ser o sofrimento, o estresse e a ocorrência de problemas posteriores. O material também considera possível que essas práticas sejam abandonadas no futuro, caso ocorram mudanças nos sistemas de manejo.
Monta Natural e Identificação
Também são realizadas atividades de monta natural. Fêmeas desmamadas podem ser utilizadas para a programação de acasalamentos, considerando a organização dos lotes e a possibilidade de ocorrência de atividades reprodutivas subsequentes.
Em uma situação com três fêmeas desmamadas, duas estavam em condições de serem cobertas e havia dois cachaços disponíveis. Poderiam ser realizados acasalamentos, verificação de prenhez e, eventualmente, tatuagem de leitões de uma matriz mestiça. A tatuagem de leitões de uma matriz mestiça é uma prática de identificação para acompanhar sua movimentação.
Aprendizagem por Repetição e Contato
A participação em atividades práticas permite aprender por observação, repetição e execução. A compreensão de procedimentos como manejo, coleta de sangue, castração, aplicação de medicamentos e contenção animal pode ser limitada quando o conteúdo é apenas ouvido ou lido.
O contato direto com os animais possibilita visualizar as situações descritas teoricamente, compreender sua dinâmica e desenvolver maior segurança profissional.
Proteção e Contenção no Manejo
O contato com os animais envolve sujeira, odores, pisões e eventualmente mordidas. A porca pode morder o operador durante os procedimentos práticos de manejo, e o cachaço é um reprodutor suíno perigoso e exige cuidados de proteção durante o manejo. Embora o medo possa existir, ele não deve impedir a execução segura das atividades: o manejo exige proteção do profissional e do animal, além do conhecimento de técnicas de contenção.
Na suinocultura, o uso de gaiolas de contenção visa proteger os animais. A contenção de equinos, bovinos, ovinos, cães e gatos apresenta dificuldades específicas, e o manejo de cachaços é um tópico de estudo na suinocultura. A sedação ou a anestesia podem ser necessárias em algumas situações, mas não constituem a forma habitual de conduzir todas as práticas de campo. A zarabatana com aplicação de anestésico ou sedativo é apresentada como uma forma segura de contenção de animais, embora essa não seja a forma como o manejo ocorre na prática.
Suinocultura no mundo e no Brasil
Países Líderes e Genética Compartilhada
A suinocultura comercial apresenta características semelhantes em diferentes países, inclusive quanto ao uso de genética. Na suinocultura comercial, a genética suína utilizada no Brasil é a mesma utilizada na Alemanha. Embora todos os países possam criar suínos, a produção comercial e tecnificada concentra se em poucos países. Entre os principais produtores estão a China, a União Europeia, os Estados Unidos e o Brasil.
Segundo o professor, a China era e, ao que ele se lembrava, ainda seria o maior país importador da carne suína brasileira. A China estabeleceu cotas de importação para a carne suína do Brasil. Dentro da União Europeia, destacam se Espanha, Alemanha, Polônia, Dinamarca, Suécia e Itália; no bloco, a Espanha é o maior produtor de suínos, seguida pela Alemanha. Na Alemanha e na Dinamarca, a mão de obra para a suinocultura é cara e de menor qualificação técnica.
Concentração Global e Volume Produzido
- Concentração mundial: Aproximadamente 90% da produção mundial de suínos está concentrada em, no máximo, cinco países ou blocos produtores.
- Participação da China: A China responde por cerca de metade da produção mundial.
- Volume mundial: O volume mundial de carne suína foi apresentado como situado aproximadamente entre 110 e 120 milhões de toneladas, podendo ser referido como cerca de 120 milhões de toneladas.
- Importância alimentar: A carne suína constitui importante fonte de alimento em diversas regiões do mundo.
Posição Brasileira e Concentração Regional
O Brasil ocupa posição de destaque na produção mundial: é o quarto maior produtor global de suínos, com volume próximo de 4 milhões de toneladas. Desse total, exporta aproximadamente 20% de sua produção, em valores mencionados entre 1,5 e 2 milhões de toneladas, incluindo cerca de 1,6 milhão de toneladas.
A produção nacional está fortemente concentrada no Sul, que reúne aproximadamente 80% da produção brasileira. Nessa região, Santa Catarina é o maior produtor, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul. São Paulo produz e consome grande quantidade de carne suína, mas necessita importar animais, carcaças ou carne de outras regiões.
Sistemas de produção
Estrutura do Sistema Produtivo
Um sistema de produção na suinocultura é formado por fatores inter relacionados com o objetivo de produzir. Ele representa a organização global da granja, reunindo genética, nutrição, instalações, automação de atividades e mão de obra. Por isso, a produção suinícola também exige atuação técnica nas áreas de manejo, nutrição e reprodução.
Perfil do Sistema Extensivo
O sistema extensivo de criação de suínos tem caráter predominantemente extrativista e é voltado à subsistência e ao autoconsumo. Embora não tenha volume comercial para a agroindústria, também atende a nichos de mercado.
Esse modelo pode ser economicamente viável como nicho e representa um nicho importante. Assim, pode coexistir com o sistema intensivo sem competir diretamente com seu mercado.
Limites Econômicos e Sanitários
O módulo econômico mínimo corresponde ao porte da granja necessário para assegurar viabilidade financeira. Na suinocultura, o termo lavagem designa os remanescentes orgânicos oriundos de cozinhas industriais.
Nos sistemas extensivos, deve se controlar a capacidade de suporte do ambiente e dos recursos disponíveis. Quando a capacidade de suporte de alimento é superada, o desempenho zootécnico piora. O controle adequado ajuda a manter a qualidade sanitária e evitar a fome; também é necessário realizar ao menos um controle sanitário mínimo, prevenindo efeitos sobre o sistema intensivo.
Escala Econômica do Sistema Intensivo
O sistema intensivo emprega elevada quantidade de recursos, tecnologia, controle sanitário, genética, nutrição, instalações e mão de obra especializada para produzir de forma economicamente eficiente. A construção de uma granja intensiva de suínos no Brasil requer um módulo econômico mínimo de 500 matrizes, e essas granjas costumam ser dimensionadas para um número entre 1.500 e 3.000 matrizes.
Os sistemas intensivos de suinocultura são voltados para fins comerciais e apresentam alta viabilidade econômica. No sistema intensivo de alta tecnologia, aplica se o máximo de fatores produtivos para produzir de forma econômica. Como apresenta alto custo de implantação, o sistema depende de volume de produção suficiente para garantir viabilidade. O investimento aproximado é de 3.400 a 3.500 dólares por matriz alojada, sem incluir a mão de obra, com referência geral a valores entre 3.000 e 4.000 dólares por matriz alojada.
Recursos e Rentabilidade Extensiva
Na União Europeia, em países como Portugal e Espanha, a criação extensiva de suínos é uma atividade tradicional. No sistema extensivo, os animais permanecem em ambiente com menor controle e utilizam recursos disponíveis, como pastagens, resíduos de lavoura, minhocas, capim e outros alimentos. Matrizes suínas em sistemas extensivos de criação produzem cerca de 15 leitões por ano.
O crescimento é mais lento e depende da ausência de doenças e morte dos animais. Quando os recursos são obtidos praticamente sem custo, o sistema pode apresentar maior rentabilidade por animal. Entretanto, a compra de milho, soja, medicamentos e vacinas pode tornar o sistema economicamente desfavorável em comparação com a aquisição de carne no mercado.
Transição entre Sistemas Produtivos
Entre os sistemas intensivo e extensivo existe o sistema semiextensivo, também chamado de semintensivo. Esses sistemas intermediários de criação de suínos são denominados sistemas semi intensivos. Eles utilizam parte dos recursos e do controle presentes no sistema intensivo, mas mantêm menor concentração tecnológica e maior participação de mão de obra familiar. Sistemas extensivos, semiextensivos e intensivos podem existir em diferentes países, inclusive Alemanha, Espanha, Brasil e outras regiões produtoras.
Biossegurança entre Sistemas de Criação
A produção extensiva pode representar risco para a produção intensiva quando não adota medidas adequadas de biossegurança. Um trabalhador que atua em uma granja intensiva e depois entra em uma criação extensiva pode transportar agentes infecciosos entre os sistemas. A produção extensiva frequentemente utiliza menos vacinas, antibióticos e medicamentos, o que aumenta a possibilidade de disseminação de doenças; por isso, programas de biossegurança estabelecem restrições crescentes para proteger sistemas comerciais de grande escala.
Intervalos e Protocolos de Acesso
O acesso a granjas comerciais deve ser controlado porque é necessário impedir a introdução ou disseminação de agentes infecciosos. Dependendo do tipo de unidade, uma pessoa que tenha entrado em uma granja pode permanecer pelo menos 24 horas sem contato com outros animais.
Em granjas multiplicadoras, esse intervalo pode chegar a uma semana, seguido de banho, troca de roupas e cumprimento de protocolos antes de novo acesso.
Processamento Seguro de Resíduos Alimentares
A utilização de resíduos de restaurantes ou de cozinhas industriais na alimentação de suínos exige processamento adequado. Esse material não pode ser tratado como lixo, mas como alimento destinado a outra espécie. Deve ser condicionado e preparado antes do fornecimento, pois o uso inadequado pode disseminar doenças. No estado de Santa Catarina, a utilização de lavagem na alimentação de suínos é proibida. Em granjas industriais de São Paulo, não se utiliza resíduo de restaurante.
Crise econômica e eficiência produtiva
Queda de Preços e Pressão Econômica
A suinocultura comercial foi descrita como estando em crise desde o início do ano mencionado no material. O preço do suíno, antes próximo de 9 reais, caiu para aproximadamente 4 reais, com referência posterior a cerca de 4,70 reais. Em determinadas situações, o suinocultor precisava pagar aproximadamente 200 reais para que o animal fosse retirado.
O aumento de investimentos em recursos na granja suinícola exige o aumento da produtividade para a remuneração do produtor. Mesmo com recorde de exportações, o produtor enfrentava prejuízos: a redução ocorreu principalmente em seu preço, sem queda proporcional no preço da carne para o consumidor.
Expansão do Rebanho e Excedente
Parte da crise foi atribuída ao excedente de produção. O aumento das exportações nos três ou quatro anos anteriores estimulou indústrias e suinocultores a ampliar seus rebanhos e instalações.
Uma granja que mantinha 200 matrizes em sistema semiextensivo poderia transferi las para um sistema intensivo, aumentando a produção por matriz. O número de matrizes alojadas teria aumentado de aproximadamente 2,4 milhões para cerca de 3,2 milhões, com produção próxima de 30 animais por matriz.
Exportações, Cotas e Competitividade
A expansão da produção não foi acompanhada por crescimento suficiente das exportações. A política dos Estados Unidos e a imposição de cotas pela China, importante mercado importador, contribuíram para reduzir o escoamento da produção brasileira.
Para determinados países da União Europeia, importar carne suína brasileira é economicamente mais vantajoso do que a produção industrial local. Ainda assim, o aumento da oferta interna não reduziu suficientemente o preço ao consumidor. A indústria, para evitar prejuízos, transferiu parte da pressão econômica ao produtor, especialmente ao produtor independente.
Eficiência Produtiva e Viabilidade Intensiva
A eficiência produtiva é decisiva para a sobrevivência econômica do sistema intensivo. A genética e a nutrição empregadas na suinocultura brasileira são equivalentes ou superiores às adotadas internacionalmente. A nutrição na suinocultura brasileira possui qualidade igual ou superior à praticada na Alemanha e na Dinamarca. A genética utilizada na suinocultura brasileira apresenta índices de eficiência equivalentes aos da Alemanha e da Dinamarca. Foi mencionada a necessidade de produzir aproximadamente 30 a 36 leitões por matriz ao ano, com referência a valores próximos de 2,5 a 2,6 partos por ano. Produtores que produzem cerca de 24 leitões por matriz ou menos podem apresentar grande dificuldade econômica. Uma produtividade inferior a 24 leitões por matriz ao ano inviabiliza a permanência do suinocultor no mercado comercial intensivo.
A viabilidade depende de genética de alto potencial, nutrição adequada, vacinação, medicamentos quando necessários, manejo correto, baixa mortalidade, conversão alimentar eficiente e ausência de desperdício de ração. A interrupção da vacinação no manejo suinícola favorece a manifestação de enfermidades no rebanho. A remoção de antibióticos em fases produtivas estratégicas pode desencadear quadros sanitários graves na granja. O uso de ração econômica e inadequada em plantéis de alto potencial genético compromete o desenvolvimento dos suínos. A viabilidade econômica e o sucesso do produtor integrado dependem de boa conversão alimentar, ausência de desperdício de ração, baixa mortalidade, uso correto de vacinas e medicamentos e manejo adequado.
Doenças que Ameaçam o Rebanho
Atenção: A entrada de doenças pode comprometer a eficiência da suinocultura brasileira, incluindo rinite atrófica, pneumonias, pneumonia enzoótica e infecções por Mycoplasma; a ocorrência dessas enfermidades pode fechar uma granja ou um rebanho. A doença de Aujeszky e a Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína (PRRS) também podem provocar o fechamento de rebanhos suínos. A PRRS não é considerada estabelecida no rebanho comercial brasileiro. No manejo de rebanho suíno, o tratamento médico é realizado de forma massal. Quando o tratamento individual não é viável, faz se a eutanásia do animal na própria granja. Granjas de suínos contam com médicos veterinários e zootecnistas no controle sanitário; na suinocultura comercial, a abordagem veterinária é focada no manejo de rebanho, e dificilmente o animal é levado individualmente para um hospital. O Brasil apresenta eficiência produtiva superior à de países como Alemanha e Dinamarca, mas a manutenção dessa vantagem depende de controle sanitário rigoroso.
Organização da produção
Estruturas de Organização Produtiva
Na suinocultura brasileira existem três formas principais de organização: produtor independente, produtor integrado e produtor cooperado.
| Modelo ou aspecto | Responsabilidade ou estrutura | Observações |
|---|---|---|
| Classificação | Esses modelos de produção classificam se em produtor independente, integrado e cooperado | a organização da cadeia de fomento envolve aspectos socioeconômicos e modelos operacionais de produção. |
| Produtor independente | Assume diretamente os custos de animais, insumos, mão de obra, assistência e comercialização. | Durante momentos de crise no setor suinícola, o produtor independente tende a ser absorvido pela integração ou por cooperativas. |
| Produtor integrado | O integrado recebe suporte da empresa integradora. | A indústria e as cooperativas suinícolas não suprem a totalidade de sua taxa diária de abate exclusivamente com produtores integrados, recorrendo também a produtores independentes. |
| Produtor cooperado | Participa de uma estrutura cooperativa que fornece recursos e posteriormente distribui parte dos resultados. | Pode compor a organização da cadeia junto a produtores independentes e integrados. |
| Integração da cadeia | A suinocultura não deverá atingir 100% de integração em sua cadeia produtiva. | A indústria e as cooperativas também recorrem a produtores independentes. |
| Comparação internacional | Nos Estados Unidos existem grandes cooperativas e grandes integrações na produção agropecuária. | — |
Os produtores podem estar inseridos em sistemas intensivos, extensivos ou semiextensivos.
Custos e Riscos do Independente
O produtor independente assume maior risco e apresenta custo de produção mais elevado. Enquanto uma integração pode reunir aproximadamente 50 mil matrizes, um produtor independente de grande porte pode possuir cerca de 5 mil matrizes. A compra de milho, soja, núcleos, medicamentos e outros insumos em maior volume proporciona maior poder de negociação à integração, contribuindo para reduzir seus custos de produção.
No modelo independente, o produtor arca diretamente com salários, encargos trabalhistas, assistência e demais custos operacionais. Ele também contrata mão de obra formal e arca com os custos dos encargos trabalhistas e tributários dos funcionários.
Responsabilidades na Integração
Na integração, o produtor integrado é responsável por criar os suínos, enquanto a integradora fornece assistência técnica, animais, insumos e apoio para financiamento, construção e aquisição de equipamentos. Para participar do sistema, o produtor precisa dispor de terra, de local para construir a granja e de uma localização economicamente viável em relação às indústrias de ração e de abate.
A distância geralmente situa se entre 60 e 100 quilômetros, pois os caminhões precisam transportar grandes volumes de ração semanalmente.
Remuneração e Limites do Integrado
A integradora controla grande parte dos custos. O integrado recebe os leitões e os insumos, cria os animais e entrega os cevados; depois, são descontados o valor dos leitões, os insumos e outros custos, restando sua remuneração. A empresa pode auxiliar na construção do galpão, mas os pagamentos podem ser direcionados inicialmente ao banco e ao financiamento.
Apesar da remuneração limitada, o sistema pode ser viável quando o integrado obtém boa conversão alimentar, baixa mortalidade, manejo adequado, vacinação correta e utilização criteriosa de medicamentos. Nesse modelo, o produtor obtém rendimento regular e consegue quitar empréstimos e financiamentos das instalações. Contudo, a empresa integradora não realiza pagamento de décimo terceiro salário nem concede férias remuneradas ao produtor integrado.
Funcionamento e Resultados Cooperativos
A cooperativa funciona de modo semelhante ao sistema de integração, fornecendo insumos, oferecendo assistência e apoiando o produtor na obtenção de crédito. Algumas cooperativas também produzem matrizes e leitões, realizam o abate, o processamento, a comercialização e a exportação.
A diferença central em relação à integração é que o cooperado participa dos resultados econômicos. Quando há lucro, parte pode ser reinvestida e parte distribuída entre os associados.
Desempenho, Penalizações e Preços
A participação cooperativa está ligada ao desempenho do produtor: as bonificações financeiras podem variar conforme os índices produtivos. Em desempenho excelente, foi mencionada a possibilidade de receber de 5% a 6% acima do preço normal do suíno cevado. Em contrapartida, elevados índices de mortalidade podem gerar penalizações financeiras ou até desligamento.
O produtor cooperado não possui direito a férias remuneradas. A indústria suinícola é verticalizada, abrangendo desde a fase de leitão até a fabricação de derivados, como a linguiça. O preço pago por quilo de suíno cevado pela cooperativa é igual ao pago pela indústria: R$ 4,78.
Integração por Região Brasileira
Na Região Sul, a produção é predominantemente integrada ou cooperativada. Em Santa Catarina, essa proporção foi estimada em aproximadamente 95%; no Paraná, em cerca de 80% a 85%. Santa Catarina foi apresentada como o principal produtor da região, seguida pelo Paraná e pelo Rio Grande do Sul. O Rio Grande do Sul teria perdido parte de sua posição em razão de enchentes e outros problemas.
São Paulo e Minas Gerais apresentam menor participação da integração e dependem da aquisição de suínos, carcaças ou carne de outras regiões. Nesses estados, a produção é realizada por produtores independentes, sem sistema de integração.
Grãos e Expansão Regional
A suinocultura do Centro Oeste expandiu se em razão da disponibilidade de grãos, especialmente milho, e contou com unidades de agroindústrias e empresas integradoras. Esse movimento representou uma expansão da atividade, não por uma migração completa da produção do Sul. Na região Centro Oeste, essa expansão adotou o modelo de integração e cooperativa.
A logística dos grãos também influencia a organização regional: O transporte de milho por navio pode ser economicamente mais viável do que o transporte rodoviário para regiões distantes. Há ainda possibilidade de crescimento da suinocultura no Nordeste, acompanhada da modernização de criações tradicionais de suínos mantidos presos por cordas.
Milho, Etanol e Ração Suína
A relação entre milho, etanol e ração suína apresenta diferenças importantes entre os Estados Unidos e o Brasil.
| Elemento | Informação |
|---|---|
| Localização dos cinturões | Nos Estados Unidos, o cinturão da suinocultura está localizado na mesma região do cinturão do milho. |
| Destino do milho | Nos Estados Unidos o milho é prioritariamente destinado à produção de etanol, enquanto no Brasil o milho é utilizado na fabricação de ração animal. |
| DDGS | O DDGS é o subproduto residual proveniente do processo de fermentação alcoólica do milho na produção de etanol. |
| Ração para suínos | A ração para suínos nos Estados Unidos utiliza DDGS, apresentando qualidade inferior à ração à base de milho utilizada no Brasil. |
Integração na Avicultura Comercial
Na avicultura comercial, a integração alcançou praticamente toda a produção. Antigamente, produtores independentes podiam adquirir ovos, incubar, produzir pintinhos, realizar vacinação e comercializar frangos. Atualmente, esse modelo praticamente desapareceu na produção comercial de grande volume, permanecendo nichos como frango caipira e frango colonial. Esses produtos não competem diretamente com o sistema industrial, pois apresentam menor volume e outra estrutura econômica.
Tipos de granja
Critérios para Classificar Granjas
Para classificar uma unidade, é importante separar três conceitos. O sistema corresponde à organização global da produção, incluindo genética, nutrição, instalações, automatização e mão de obra. A organização da cadeia produtiva considera a estrutura social e econômica, com produtores independentes, integrados e cooperados. Já o tipo de granja é definido pelo produto comercializado. Assim, a classificação depende da fase produtiva ou do produto que a unidade oferece.
Segmentos da Cadeia Produtiva
A produção de suínos representa apenas uma parte da cadeia produtiva. A cadeia também envolve genética, produção de insumos, fabricação de ração, abate, processamento, comercialização e exportação. Por isso, a análise da organização estrutural da produção deve considerar como esses segmentos se relacionam e como se distribuem social e economicamente entre produtores, cooperativas e empresas integradoras.
Fluxo do Ciclo Completo
A granja de ciclo completo acompanha a progressão produtiva dos animais em uma única propriedade, da reprodução ao produto final.
- Etapa: Classificar a granja: Na suinocultura, existem granjas classificadas como de ciclo completo e granjas de ciclo parcial.
- Etapa: Integrar as fases: A granja de ciclo completo mantém todas as fases produtivas em uma mesma propriedade, desde a reprodução até a venda do suíno terminado.
- Etapa: Organizar por setores: Ela é organizada em setores correspondentes às fases de evolução dos animais: reprodução, gestação, maternidade, creche e terminação.
- Etapa: Distribuir os galpões: Cada setor pode corresponder a um conjunto de galpões, e não necessariamente a um único galpão.
- Etapa: Reunir os setores: No ciclo completo, os setores de reprodução, gestação, maternidade, creche e terminação ficam reunidos em uma única propriedade.
- Etapa: Identificar o produto: O produto final é o suíno terminado, também denominado cevado.
- Etapa: Reconhecer os animais presentes: A unidade abriga fêmeas vazias, fêmeas gestantes, fêmeas lactantes, leitões lactantes, leitões desmamados, leitões de creche e animais em terminação.
Estrutura da Reprodução Suína
O setor de reprodução abriga os animais reprodutores. Os animais reprodutores são constituídos por fêmeas, matrizes e cachaços. As categorias de animais reprodutores compreendem machos e fêmeas, denominados cachaços e matrizes; o cachaço é o macho reprodutor utilizado na reprodução suína.
O setor de reprodução é segregado em central de inseminação artificial e setor de gestação. Em unidades menores, pode incluir a central de inseminação artificial e a área destinada às matrizes. A central de inseminação artificial é o local onde ocorrem os acasalamentos por meio da deposição do sêmen; na central de inseminação artificial ocorrem os acasalamentos ou a própria inseminação artificial. Atualmente, a inseminação artificial é utilizada em grande parte das granjas, inclusive em unidades pequenas com aproximadamente 50 a 100 matrizes.
Controle da Inseminação Artificial
A inseminação artificial exige controle do ciclo reprodutivo, do sêmen e do momento adequado da aplicação.
- Etapa: Avalie a técnica: A inseminação artificial é considerada uma técnica viável e capaz de produzir resultados superiores aos da monta natural, desde que exista controle adequado do início do estro, da coleta e saída do sêmen, da preparação das doses e do momento da inseminação.
- Etapa: Controle o cio e o sêmen: Na prática, a técnica é viável economicamente e de fácil execução, mas exige bom controle do início e do término do cio, além da preparação do sêmen.
- Etapa: Adquira e aplique as doses: Algumas granjas adquirem doses prontas e realizam apenas a aplicação com pipeta.
- Etapa: Intensifique o controle em unidades maiores: A central pode ter controle mais intensivo do estímulo à ovulação, do momento ideal da inseminação e da utilização de protocolos de inseminação em tempo fixo.
- Etapa: Estimule a ovulação: Na central de inseminação artificial, utiliza se o flushing nutricional para estimular a fêmea suína a ovular mais.
Gestação: Confirmação e Preparação
Após o acasalamento ou a inseminação, a matriz é conduzida ao setor de gestação. Nesse local permanecem as fêmeas acasaladas, que serão avaliadas quanto à prenhez. Na suinocultura, a programação dos partos depende da realização prévia dos acasalamentos: o setor de reprodução busca tornar a matriz prenhe, enquanto o setor de gestação confirma a prenhez e a prepara para o parto.
A gestação do suíno dura aproximadamente 114 dias, embora também tenha sido mencionada a referência de 110 dias. Em granjas pequenas, reprodução e gestação podem permanecer no mesmo setor. Em granjas grandes, reprodução e gestação são separadas porque diferem as necessidades de manejo, ambiência e nutrição das fêmeas a serem inseminadas e das fêmeas gestantes. Depois, a matriz deve ser desmamada para reiniciar o ciclo reprodutivo e possibilitar uma produtividade superior a dois partos por ano.
Organização Sanitária da Maternidade
O setor de maternidade abriga as matrizes lactantes e os leitões lactantes. Para organizar esse ambiente, a maternidade pode ser dividida em várias salas; em uma granja com aproximadamente mil matrizes, podem existir cerca de dez salas de parto, com aproximadamente 20 a 30 partos por sala. A divisão em várias salas favorece o controle sanitário.
Essa separação é importante porque a presença simultânea de leitões recém nascidos e leitões próximos do desmame no mesmo ambiente aumentaria o risco sanitário. Animais mais resistentes poderiam entrar em contato com animais mais vulneráveis, comprometendo a segurança do manejo.
Adaptação dos Leitões na Creche
Após a desmama, os leitões são encaminhados para o setor de creche. Nessa fase, busca se obter elevado ganho de peso, baixa mortalidade, eficiência alimentar e boa conversão alimentar. Existem granjas suinícolas especializadas exclusivamente no setor de creche.
A fase é crítica porque o animal deixa a mãe, perde o leite, muda a alimentação, é misturado a animais desconhecidos e precisa estabelecer dominância e hierarquia. O estresse do desmame e a adaptação ao novo ambiente tornam necessário um manejo cuidadoso.
Terminação e Carne Suína Magra
Após a creche, o animal segue para o setor de terminação, também denominado setor de crescimento e terminação. Nessa fase, o suíno cresce e atinge o peso de abate. O material ressalta que o suíno moderno não deve ser descrito simplesmente como “porco gordo”, pois apresenta menor deposição de gordura. Assim, o suíno moderno é magro e possui baixo teor de gordura corporal.
Na suinocultura moderna, os suínos na fase de terminação são selecionados para produção de carne magra (light). Como a produção de banha diminuiu, foi mencionada a necessidade de importar gordura. Levar o suíno a pesos suficientemente elevados para obter banha não é economicamente viável. Por isso, o Brasil precisa importar banha devido à escassez de gordura suína no país.
Barreiras Sanitárias no Ciclo Completo
A granja de ciclo completo apresenta elevada complexidade e grande desafio sanitário, pois reúne todas as categorias animais e fases fisiológicas em uma mesma propriedade. A pressão de infecção aumenta com o tamanho da população suína; por isso, o rigor sanitário precisa ser elevado. Funcionários da maternidade, creche, terminação e reprodução não devem circular entre os setores. Cada grupo deve permanecer restrito à sua área, com procedimentos de higiene e troca de ambiente para impedir a disseminação de enfermidades. O modelo de granja de ciclo completo em uma única propriedade é praticamente extinto no Brasil e no mundo.
Segregação por Sítios Produtivos
A produção segregada organiza as fases produtivas para adaptar o manejo e fortalecer a segurança sanitária.
- Etapa: Reconhecer que a segregação por fases pode ocorrer dentro de uma propriedade ou entre propriedades distintas.
- Etapa: Afastar as unidades produtoras por uma distância que favoreça a segurança sanitária; o proprietário pode ser o mesmo.
- Etapa: Utilizar barreiras vegetais, cercas e funcionários diferentes entre as unidades.
- Etapa: Separar as categorias animais conforme sua fase produtiva, condição fisiológica, manejo, alimentação e necessidades sanitárias.
Evolução e Ganhos da Segregação
A modernização dos sistemas de criação combina mudanças na organização das fases com ganhos produtivos e sanitários.
- Etapa: Evoluir de criações extensivas, como chiqueiros e mangueiras, para sistemas semiextensivos e posteriormente intensivos.
- Etapa: Segregar os animais por categorias e fases para reduzir doenças, uso de antibióticos e mortalidade, além de melhorar a produtividade.
- Etapa: Separar as propriedades como etapa adicional da evolução dos sistemas de criação.
- Etapa: Buscar maior eficiência e reduzir os riscos sanitários associados à permanência de todas as fases em um único ambiente.
Mini pig como Animal de Estimação
Na suinocultura atual, existe a criação da variedade mini pig utilizada como animal de estimação. O mini pig possui características semelhantes às do suíno de grande porte, porém em tamanho reduzido.
Reflexão Sion
Vida bem cuidada
Na suinocultura, separar os animais por fases e controlar o acesso às granjas reduz a disseminação de doenças e protege o rebanho. Assim como o manejo responsável combina atenção, limites e cuidado contínuo, nossa vida também precisa ser guardada contra aquilo que a enfraquece. Jesus oferece vida plena e nos convida a confiar nele para encontrar direção e esperança.
Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.João 10:10
Leia e reflita: o que hoje precisa ser protegido em sua vida?