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Tipos de Granja e Fluxos de Produção na Suinocultura
O modelo double stock começa com o dobro da capacidade final e exige retirada de animais quando se inicia a terminação.
Topicos da aula
- Tipos de Granja II
Overview
Mapa dos fluxos suinícolas
Esta aula apresenta a organização da produção suína como uma cadeia integrada, que começa no núcleo genético, responsável pelo melhoramento, passa pela multiplicadora, que produz reprodutores e matrizes comerciais, e chega à granja comercial, cujo produto principal é o cevado. A partir da reprodução, gestação e maternidade, os leitões podem seguir para unidades de transbordo, creche, terminação tradicional ou sistemas wean to finish, conforme a capacidade e o planejamento do lote. Ao longo desse percurso, decisões de alojamento, densidade, sanidade, reposição e destino dos animais determinam o desempenho produtivo. O funcionamento da cadeia também depende de licenciamento ambiental, certificação, documentação de trânsito e regras de comercialização por peso vivo.
Organização dos sistemas de produção
Classificação inicial dos animais
Na chegada à granja, cada suíno deve ser avaliado quanto à identificação, ao peso e ao padrão. Os animais que saem da creche e ingressam na fase de crescimento e terminação podem participar de experimentos relacionados à imunocastração. Em determinadas parcerias, são submetidos ao procedimento, utilizados na pesquisa e posteriormente devolvidos. Quando o sistema trabalha com machos inteiros, também é possível acompanhar o desenvolvimento testicular durante o período experimental.
Modelos de crescimento e terminação
Na produção suína, há dois modelos principais: a unidade terminadora tradicional e o sistema wean to finish. Neste último, o leitão desmamado é encaminhado diretamente para uma instalação que realiza crescimento e terminação. Tanto na unidade terminadora tradicional quanto na unidade wean to finish, o produto final obtido é o suíno cevado.
Dentro do sistema wean to finish, existe o modelo de alojamento denominado single stock. Nesse modelo, a capacidade do galpão limita o número de animais alojados: uma instalação destinada a 500 suínos não deve receber mais de 500 animais.
Densidade no sistema double stock
O modelo double stock começa com o dobro da capacidade final e exige retirada de animais quando se inicia a terminação.
- Etapa: No modelo Double Stock de Wean to Finish, a unidade aloja o dobro da capacidade final de suínos no início do ciclo. Por exemplo, um galpão destinado a 500 animais pode receber 1.000 leitões no início.
- Etapa: Quando se inicia a terminação, metade dos animais é retirada e encaminhada para outra unidade ou para o abate.
- Etapa: Reconhecer que a densidade permitida diminui ao longo das fases: considera se aproximadamente 2 animais por metro quadrado na fase de crescimento e 1 animal por metro quadrado na terminação.
Destino dos animais retirados
Os animais retirados no início da terminação podem ser encaminhados ao abate quando atingem o padrão adequado. Se forem destinados à produção de tender, podem ser abatidos com aproximadamente 70 kg. Caso contrário, podem ser enviados a uma unidade terminadora, que completará a fase até pesos mais elevados, como 130, 160 ou 170 kg. Tanto o sistema single stock quanto o double stock podem utilizar ou não o desbaste, desde que seja respeitada a capacidade física da instalação.
Licenciamento e organização das granjas
Exigências do licenciamento ambiental
Para operar regularmente, a granja suinícola precisa atender às exigências ambientais e manter os cadastros obrigatórios.
- Licenciamento ambiental: A suinocultura intensiva comercial, confinada ou não confinada, necessita de licenciamento ambiental emitido pelo órgão ambiental estadual.
- Órgão emissor: O licenciamento ambiental é emitido pelo órgão ambiental estadual.
- Operação: Todas as granjas suinícolas necessitam de licenciamento ambiental para operar.
- Paraná: Foi mencionada a alteração institucional do órgão responsável, anteriormente identificado como IAP.
- Licenciamento sanitário: A granja comercial de suínos não necessita de licenciamento sanitário.
- Cadastro agropecuário: A granja deve possuir cadastro na Secretaria de Defesa Agropecuária ou órgão estadual equivalente.
- Cadastro estadual: As granjas de suinocultura devem obrigatoriamente possuir cadastro na Secretaria de Defesa Animal do estado.
Unidades terminadoras e sistemas wean to finish
Entrada na unidade terminadora
A unidade terminadora tradicional recebe leitões provenientes de uma unidade produtora de leitões desmamados ou de uma unidade de creche. Na unidade terminadora tradicional, os leitões chegam com idade entre 56 e 70 dias. A unidade terminadora tradicional recebe leitões descrechados com peso entre 18 kg e 24 kg (até 27 kg), apresentando peso médio de 22 kg. O leitão descrechado apresenta peso médio variando entre 18 kg e 27 kg.
No sistema Wean to Finish, o leitão entra na unidade com idade entre 21 e 26 dias e segue pelas fases de crescimento e terminação até o abate. A idade de saída pode variar conforme o planejamento, situando se aproximadamente entre 160 e 170 dias, ou entre 23 e 25 semanas. Portanto, o peso de entrada e o peso de saída dependem do sistema adotado e das metas estabelecidas para cada lote.
Percurso do sistema wean to finish
O sistema wean to finish concentra o percurso do leitão desmamado até a saída para o abate em uma mesma instalação.
- Etapa: Receba o leitão desmamado diretamente após a maternidade.
- Etapa: Realize as fases de crescimento e terminação, sem uma unidade de creche separada.
- Etapa: Mantenha o animal na unidade desde aproximadamente 6 kg até 160 ou 170 dias de idade, de acordo com o planejamento.
- Etapa: Produza o cevado destinado ao abate. Assim, os suínos saem para o abate com idade entre 160 e 170 dias (23 a 25 semanas).
Unidade produtora de leitões
Etapas estruturais da UPL
A UPL reúne as etapas reprodutivas e de maternidade até produzir o leitão desmamado, que segue para a próxima unidade.
- Etapa: Organize a unidade produtora de leitões — UPL — nos setores de reprodução, gestação, cobertura e maternidade/parto.
- Etapa: Realize a cobertura ou inseminação, seguida pela gestação e pelo parto.
- Etapa: Conduza o fluxo até o desmame; a UPL não possui creche quando seu produto é o leitão desmamado.
- Etapa: Encaminhe o leitão desmamado para uma unidade wean to finish ou para uma unidade de transbordo.
- Etapa: Comercialize o leitão desmamado produzido na UPL para uma unidade terminadora ( wean to finish ) ou de transbordo.
Limite de mortalidade na maternidade
A mortalidade na maternidade deve ser mantida abaixo de 10% do total de leitões nascidos.
Destino e padrão do desmamado
- Etapa: Produza o leitão desmamado, que deixa a maternidade aproximadamente entre 21 e 28 dias de idade, geralmente com 6 a 10 kg de peso vivo.
- Etapa: Ao sair da maternidade, o leitão desmamado produzido pela UPL pode ser destinado diretamente ao sistema Wean to Finish ou a uma unidade de transbordo, que funciona como crechário.
- Etapa: Na unidade de transbordo, reúna leitões oriundos de diferentes UPLs, inclusive pequenas UPLs, para formar lotes maiores compatíveis com a capacidade das unidades terminadoras.
Padronização na unidade de transbordo
- Etapa: Receba os leitões desmamados na unidade de transbordo, também denominada crechário em determinadas organizações, e realize a padronização do lote.
- Etapa: Reúna leitões provenientes de várias UPLs quando cada unidade individual produzir quantidade insuficiente; uma unidade terminadora com capacidade para 500 animais pode necessitar dessa reunião.
- Etapa: Promova a uniformização do manejo sanitário e, quando necessário, realize as medidas sanitárias previstas no programa da integração.
- Etapa: Considere que a inclusão de leitões refugados ou mais novos, de menor peso, é uma prática utilizada para reduzir a média de peso do lote, mas compromete sua uniformidade. A unidade de transbordo pode abrigar os leitões dos 56 aos 90 dias ou até 130 dias de idade antes de encaminhá los para a terminação.
Risco sanitário da mistura
A reunião de animais de diferentes granjas no mesmo ambiente aumenta os desafios sanitários, pois cada lote foi criado em condições ambientais distintas. Para permitir a integração em uma unidade de transbordo, o programa sanitário de todas as granjas de origem precisa ser padronizado com as mesmas vacinas. Os animais podem passar por um período de adaptação sanitária, receber manejo padronizado e ser organizados em um lote uniforme antes do envio à unidade terminadora; ainda assim, a mistura de animais de diferentes origens constitui uma situação de risco sanitário.
Comercialização dos suínos
Regras de venda do cevado
A venda do suíno cevado é calculada por quilograma de peso vivo, e não por cabeça ou por carcaça. O produtor geralmente vende o animal vivo, e não a carcaça. A negociação pode ocorrer na porteira da granja, com a retirada dos animais pelo comprador, ou por meio da entrega ao comprador.
As referências variam conforme a região: no Sul do Brasil, predomina o preço por quilograma de peso vivo; em São Paulo, utiliza se tradicionalmente a arroba do suíno. Não existe tabela de preço fixo para o quilo do leitão ou para fêmeas de descarte; o valor do suíno cevado é a referência base para as demais categorias. Na transformação em carcaça, o rendimento fica entre 80% e 84%, com 80% como mínimo mencionado.
Estados líderes na produção suína
A produção suinícola brasileira se concentra principalmente em três estados líderes. Santa Catarina figura como o maior estado produtor de suínos do Brasil, seguido pelo Paraná e pelo Rio Grande do Sul.
Referências dos mercados suinícolas
As referências de comercialização diferenciam o mercado independente do mercado integrado. A Embrapa disponibiliza cotações de referência tanto para o mercado suinícola independente ( FOB ) quanto para o mercado integrado.
Em Santa Catarina, cooperativas, integrações e associações influenciam a comercialização. Em São Paulo, a bolsa do suíno reúne produtores e indústrias, enquanto o CEPEA, da Universidade de São Paulo, constitui uma referência amplamente utilizada para produtos agropecuários, incluindo suínos. Na Associação Paulista de Suinocultores (APS), produtores e indústrias abatedoras reúnem se periodicamente para negociar os valores de comercialização.
Oferta, procura e espaço produtivo
O preço depende da oferta e da procura e também da necessidade de abate. Diferentemente do gado bovino, o suíno não pode ser mantido retido em pasto aguardando variações do mercado de abate. O suíno não pode ser mantido no pasto para recuperar peso sem custos relevantes; quando atinge o peso de abate, deve ser encaminhado ao frigorífico.
Isso acontece porque a produção é contínua: os animais nascem, são desmamados e precisam avançar pelas fases produtivas. Se os animais prontos não forem encaminhados, caso contrário, ocorre falta de espaço para os novos lotes.
Pagamento pelo peso vivo
A remuneração do cevado depende do que efetivamente chega vivo ao abatedouro. Siga a sequência para separar a regra de cálculo das responsabilidades do transporte.
- Etapa: Considere, em um lote de cevados, a quantidade de animais recebidos vivos e o peso total correspondente.
- Etapa: No transporte de porcos cevados para o abatedouro, a apuração do valor ocorre pelo peso do caminhão, e o comprador paga exclusivamente pelos animais que chegam vivos.
- Etapa: Em um caminhão com 200 animais, se algum morrer durante o transporte, o animal morto não será pago como animal vivo; o comprador paga apenas os animais que chegaram vivos.
- Etapa: Descarregue o caminhão e mantenha o animal morto sob a responsabilidade definida entre as partes. Suínos mortos durante o transporte não retornam à granja de origem e são encaminhados para a graxaria do abatedouro.
- Etapa: Considere as corresponsabilidades relacionadas ao embarque, ao transporte e às condições sanitárias; no cálculo geral, use o peso dos animais vivos.
Comercialização do leitão desmamado
Composição do valor do leitão
O leitão tem valor diferente do cevado porque seu preço incorpora o custo de produção desde o nascimento, incluindo alimentação da matriz, manejo, instalações, vacinas e crescimento. Ao nascer, o custo inicial estimado do leitão equivale ao valor de 60 a 70 quilos de ração. Durante a fase de maternidade de 21 dias, a porca consome em torno de 7 a 8 quilos de ração por dia. Conforme o leitão cresce e acumula peso, ocorre a diluição dos seus custos fixos de nascimento e de produção.
Como referência, um quilograma de leitão desmamado entre 6 e 10 kg, com idade aproximada de 21 a 28 dias, pode valer entre três e quatro vezes o valor do quilograma de cevado. Em condições normais, utiliza se frequentemente o multiplicador quatro. O valor pode diminuir quando há excesso de leitões e aumentar quando há escassez. Em momentos de escassez de leitão no mercado, é possível aplicar um multiplicador maior sobre o preço do quilo do cevado.
Cálculo de um lote desmamado
Considere um lote de 100 leitões com peso total de 700 kg. O peso médio será de 7 kg por leitão, dentro da faixa esperada para leitões desmamados. Nesse caso, o pagamento será calculado sobre os 700 kg, utilizando se o multiplicador acordado e o preço do cevado.
Se o lote pesar 1.100 kg, haverá excesso em relação à média estabelecida. Os quilogramas excedentes poderão ser remunerados como cevado, conforme as condições do contrato.
Excesso de peso na negociação
Atenção: o excesso de peso pode penalizar um lote tecnicamente superior: leitões maiores podem ultrapassar a faixa comercial acordada, e, quando entregues acima do peso ou da idade previstos, a parte excedente pode ser paga como cevado, reduzindo a remuneração mesmo com bom crescimento. Para evitar essa penalização, a idade de desmame pode ser antecipada, por exemplo, de 28 para 24 ou 25 dias, quando o animal já atingiu o peso desejado; No padrão de negociação do leitão desmamado, a idade do animal não deve ultrapassar 28 dias.
Unidade produtora de leitões descrechados
Estrutura e produto da unidade
A unidade produtora de leitões descrechados possui reprodução, gestação, maternidade e creche. Seu produto é o leitão que completou a fase de creche, geralmente com peso entre 18 e 27 kg e idade aproximada de 56 a 70 dias. Essa é uma das etapas que apresenta maior taxa de mortalidade na produção suinícola, e a densidade recomendada é de 4 suínos por metro quadrado.
A denominação ajuda a diferenciar os produtos: o leitão desmamado é o animal de aproximadamente 6 kg, enquanto o leitão descrechado apresenta peso próximo de 22 kg. A Unidade Produtora de Leitões (UPL) comercializa o leitão descrechado na saída da fase de creche; a sigla UPL refere se à unidade cujo produto é o leitão descrechado. Já a Unidade de Produção Desmamada, também denominada Unidade Produtora de Leitões Desmamados (UPD), produz leitões desmamados. O leitão da UPD (com o “D”) é comercializado com peso médio de 6 kg, enquanto na UPL (sem o “D”) o leitão é comercializado com cerca de 22 kg.
Negociação do leitão descrechado
O quilograma de leitão descrechado pode ser negociado entre 1,7 e duas vezes o valor do quilograma de cevado. O multiplicador tende a ser maior quando há falta de leitões e menor quando há excesso, de modo que a disponibilidade do produto influencia a referência de preço.
O peso acima do limite médio estabelecido pode ser remunerado como cevado. Para evitar ambiguidades na negociação, a idade, o peso máximo, o peso médio e a forma de pagamento devem estar definidos no contrato.
Riscos e custos da creche
A creche é uma das fases mais caras e de maior risco da produção. Exige atenção à ambiência, à alimentação e ao programa de vacinação, porque esses cuidados fazem parte das exigências próprias dessa etapa.
Os animais podem ser vacinados na entrada, no meio ou na saída da creche, conforme o programa sanitário. A mortalidade esperada situa se em torno de 3% a 3,5%; porém, creches inadequadas podem atingir 10% de mortalidade, e situações de desafio sanitário podem alcançar 20%.
Granjas de ciclo completo
Ciclo completo e retenção produtiva
A granja de ciclo completo realiza todas as fases da produção: reprodução, gestação, maternidade, creche, crescimento e terminação. Seu produto principal é o cevado. Quando é voltada para a produção de cevados, é denominada granja comercial.
Como dispõe das instalações necessárias para manter os animais nas fases seguintes, a granja pode reter os leitões quando o mercado está desfavorável. Pode também vender leitões eventualmente, mas essa prática nem sempre é interessante, pois deixa vazias as instalações de crescimento e terminação.
Descarte de reprodutores
A granja de ciclo completo também comercializa animais de descarte, especialmente matrizes e cachaços. O descarte refere se aos reprodutores que atingiram o limite de vida útil, apresentaram baixa produtividade, infertilidade ou outros problemas.
Não se utiliza normalmente a expressão descarte para leitões; nesses casos, empregam se termos como refugos. Portanto, a categoria de descarte está associada aos reprodutores, enquanto os leitões recebem outra denominação.
Longevidade dos reprodutores
O cachaço permanece geralmente entre dois anos e meio e três anos na granja, embora possa viver mais tempo. A matriz pode permanecer produtiva por aproximadamente seis ou sete partos, sendo eventualmente descartada antes disso por infertilidade, baixa produtividade ou outros problemas.
A longevidade produtiva não é simplesmente o tempo de vida do animal: corresponde à capacidade de manter bom desempenho durante vários partos. Por isso, quando um reprodutor se torna improdutivo ou apresenta problemas, sua vida útil produtiva pode ser encurtada.
Cálculo do animal de descarte
Na comercialização do animal de descarte, o valor por quilograma de peso vivo é frequentemente de aproximadamente 70% do valor do quilograma de cevado. Na prática, em vez de definir necessariamente um preço diferente, pode se aplicar o desconto sobre o peso: uma matriz com 300 kg é remunerada como 300 kg correspondentes a 70% do valor do cevado.
Por que o descarte vale menos
O desconto aplicado às matrizes de descarte decorre principalmente do menor rendimento de carcaça. As matrizes possuem ossos mais pesados e vísceras mais desenvolvidas, pois foram selecionadas para suportar anos de produção. A matriz suína foi selecionada para apresentar ossos pesados capazes de suportar de dois a três anos de produção. Além disso, a matriz suína possui todo o intestino grosso bem desenvolvido, ao contrário do cevado, e seus intestinos são maiores do que os dos suínos cevados.
Como referência, o peso de um suíno cevado fica em torno de 100 kg a 110 kg, e o cevado apresenta rendimento de carcaça aproximado de 80% a 84%, enquanto a matriz de descarte apresenta rendimento inferior. Essa diferença de rendimento ajuda a explicar por que a matriz é geralmente remunerada por cerca de 70% do valor do quilograma de cevado.
Sinais de descarte elevado
Nos frigoríficos, aproximadamente 3,5% a 4% dos animais abatidos podem ser matrizes de descarte. Quando essa proporção aumenta, por exemplo, para 10%, pode indicar que as granjas estão eliminando reprodutores em maior quantidade devido a dificuldades econômicas. Uma taxa elevada de descarte pode refletir uma crise produtiva ou a necessidade de reduzir o plantel.
Granjas multiplicadoras
Função da granja multiplicadora
A granja multiplicadora organiza a seleção, a avaliação, a quarentena e a preparação dos reprodutores em uma sequência voltada à qualidade genética e produtiva.
- Etapa: Defina a finalidade — a granja multiplicadora é especializada na produção e venda de reprodutores. Seu produto principal são machos e fêmeas geneticamente selecionados.
- Etapa: Destine os animais não selecionados — a granja pode comercializar leitões ou animais que não foram selecionados, destinados ao abate.
- Etapa: Estruture a unidade — a multiplicadora possui todas as fases necessárias e acrescenta setores de seleção, testagem e preparação de reprodutores.
- Etapa: Adquira as fêmeas — é possível adquirir fêmeas reprodutoras desde a fase de crescimento com 50 kg de peso (cerca de 100 dias de idade) até o início da puberdade (cerca de 160 dias de idade).
- Etapa: Faça a quarentena — matrizes suínas de substituição adquiridas com mais de 140 dias de idade podem ser recebidas diretamente no setor de reprodução da granja após realizarem a quarentena.
- Etapa: Avalie as fêmeas — as fêmeas selecionadas na granja multiplicadora passam por avaliação genética e de desempenho, porém não realizam testes prévios de fertilidade reprodutiva.
- Etapa: Certifique a qualidade — as fêmeas reprodutoras permanecem por mais tempo na granja para certificação da qualidade dos aprumos e do aparelho mamário.
- Etapa: Finalize e execute os testes — os testes de avaliação de reprodutores na granja multiplicadora são finalizados geralmente aos 154 dias de idade. O macho reprodutor conclui o teste de desempenho para ganho de peso e conversão alimentar por volta dos 5 meses de idade. Os testes de desempenho de reprodutores suínos são executados dentro da própria granja ou em uma granja da multiplicadora.
Finalidades comercial e multiplicadora
A granja de ciclo completo produtora de cevados é geralmente denominada granja comercial. Embora todas as granjas comercializem algum produto, a granja multiplicadora tem como finalidade principal a venda de reprodutores.
Por comercializar animais destinados à reprodução, a multiplicadora necessita de maior controle zootécnico, genealógico e sanitário do que uma granja comercial produtora de cevados.
Idade e peso da marrã
As fêmeas produzidas pela multiplicadora são marrãs destinadas à reposição. Podem ser comercializadas em diferentes pesos, aproximadamente entre 50 e 120 kg, embora a faixa recomendada para aquisição seja próxima de 145 a 150 dias de idade e pelo menos 90 kg.
Essa idade e esse peso permitem que a granja compradora prepare adequadamente a futura matriz.
Critérios de seleção das fêmeas
A seleção das fêmeas considera conformação, aparelho mamário, número de tetas, qualidade dos aprumos e desenvolvimento. Fêmeas com oito ou dez tetas podem ser eliminadas, enquanto a presença de aproximadamente 14 tetas é considerada desejável no contexto apresentado.
A avaliação é evolutiva, pois alguns defeitos tornam se mais fáceis de identificar com o crescimento. Por isso, a observação das características acompanha o desenvolvimento da fêmea.
Quarentena antes da reprodução
A introdução da futura matriz combina quarentena, imunização e adaptação antes da entrada no setor de reprodução.
- Etapa: Ao chegar à granja compradora, a futura matriz deve passar preferencialmente por quarentena e imunização antes de ser introduzida no plantel.
- Etapa: Na granja, o protocolo recomendado para introduzir novas matrizes exige o cumprimento da quarentena com esquema de imunização.
- Etapa: Dependendo da idade e do peso, pode permanecer junto a um rufião para estimular e acompanhar a manifestação da puberdade.
- Etapa: Após o período sanitário e de adaptação, é transferida para o setor de reprodução.
Marrote e cachaço reprodutores
Na granja multiplicadora, o marrote é o macho suíno jovem e inteiro mantido em preparação e treinamento para se tornar reprodutor. Já o cachaço é o macho já estabelecido como reprodutor, marcando a diferença entre a fase de preparação e a atuação reprodutiva consolidada.
O marrote geralmente é comercializado após 154 dias de idade, frequentemente entre cinco e sete meses, com muitos animais sendo adquiridos por volta de 210 dias. Pode apresentar entre 90 e 120 ou 130 kg de peso vivo, conforme a linha genética e o estágio de avaliação.
Desempenho e seleção sexual
A avaliação dos machos reprodutores inclui testes de ganho de peso, conversão alimentar e espessura de toucinho. Esses critérios ajudam a caracterizar o desempenho do animal durante a seleção.
As fêmeas geralmente não permanecem no teste completo de desempenho pelo mesmo período que os machos. Elas são mantidas na granja por mais tempo para avaliar características reprodutivas e o aparelho mamário; por isso, a seleção feminina enfatiza a capacidade materna e a qualidade da futura matriz.
Valor dos reprodutores
Base de carne do reprodutor
O valor de carne de um reprodutor corresponde ao peso vivo do animal multiplicado pelo preço do quilograma de cevado. Assim, um reprodutor com 130 kg possui um valor de carne equivalente a 130 kg multiplicados pelo preço vigente do cevado.
Esse cálculo não corresponde ao preço total de venda, porque o animal também possui valor genético. Além disso, quando o preço do suíno cebado cai, o preço da matriz suína também diminui; quando sobe, o preço do reprodutor também sofre elevação.
Peso genético na negociação
O valor genético representa a superioridade produtiva do animal, convertida em uma massa de peso vivo utilizada como base de negociação. Para fêmeas, esse lastro pode situar se entre 200 e 400 kg de peso vivo e, dependendo da linha genética, alcançar aproximadamente 600 kg.
Em uma multiplicadora tradicional, determinados animais podem possuir lastro genético próximo de 120 kg de peso vivo, enquanto avós e animais de maior superioridade podem apresentar valores mais elevados.
Traços produtivos das matrizes
A matriz comercial é utilizada para produzir cevados, enquanto a avó é utilizada para produzir matrizes comerciais. A superioridade genética da matriz suína reúne prolificidade, habilidade materna e longevidade.
A habilidade materna aparece em características como maior produção de leite, melhor cuidado com os leitões, menor ocorrência de esmagamento e menor distocia. A menor ocorrência de distocia está associada à maior docilidade da matriz, e a longevidade corresponde à capacidade de manter elevada produtividade por vários partos.
Soma dos componentes do valor
Uma avó com 120 kg de peso vivo pode ser negociada considerando o valor de carne correspondente ao seu peso e um valor genético adicional, por exemplo, um lastro de 400 kg. A soma de 120 kg de peso vivo com 400 kg de lastro genético corresponde a 520 kg de peso vivo considerados na negociação, sobre os quais se aplica o preço de referência do quilograma de cevado.
Esse componente adicional remunera a produção, a seleção, os cruzamentos e a superioridade esperada do animal.
Capacidade reprodutiva do cachaço
Um cachaço pode produzir aproximadamente 7.000 a 15.000 kg de leitões ao longo da vida útil, dependendo da fertilidade e do sistema de utilização. Essa capacidade de aproveitamento muda conforme o sistema: enquanto a monta natural pode utilizar um macho para aproximadamente 20 fêmeas, a inseminação artificial permite que um macho seja utilizado para cerca de 200 a 400 fêmeas.
Por isso, cachaços de alto valor genético, como 15.000 kg de lastro, devem ser utilizados exclusivamente em inseminação artificial e não em monta natural. O lastro genético de um machote reprodutor de elite pode variar de 7.000 kg a 15.000 kg de peso vivo.
Exames de fertilidade masculina
Na avaliação da fertilidade do cachaço, além da avaliação genética e do exame andrológico, algumas empresas utilizam testes de DNA para identificar marcadores relacionados à fertilidade. O exame andrológico pode verificar a normalidade dos testículos e do pênis; no exame andrológico simples em cachaços, verifica se se a estrutura dos testículos está normal e se o pênis não possui aderências. A avaliação completa do ejaculado depende de o animal estar treinado e ejaculando.
O treinamento para coleta de sêmen pode começar próximo à puberdade, por volta dos seis ou sete meses. O cachaço reprodutor atinge a puberdade na faixa dos 7 meses de idade, e seu treinamento para a prática de inseminação artificial pode ser iniciado aos 6 meses. Ainda assim, o objetivo principal de uma granja multiplicadora é o aprimoramento genético, e não o treinamento de cachaços para inseminação artificial ou a coleta de sêmen.
Garantia para reposição reprodutiva
Se uma fêmea se mostrar anéstrica, não ciclar ou não apresentar atividade reprodutiva até aproximadamente 240 dias, pode haver garantia de reposição, desde que o manejo de preparação tenha sido realizado adequadamente. O mesmo princípio pode ser aplicado a problemas reprodutivos do cachaço.
A granja multiplicadora é responsável caso o reprodutor venha a morrer por doença infectocontagiosa decorrente do transporte na semana seguinte ao recebimento. Animais devolvidos para reposição por problemas reprodutivos não retornam para a granja de origem, sendo encaminhados diretamente ao abate. O comprador paga apenas o valor de carne da reposição, pois o valor genético do animal original já havia sido pago. Na substituição de um reprodutor por problema de anestro ou subfertilidade, o suinocultor paga apenas o valor carne, visto que o valor genético já foi pago anteriormente.
Reposição do plantel
Reposição e estrutura produtiva
A manutenção da estrutura produtiva exige renovação contínua do plantel. Uma granja com aproximadamente 1.000 matrizes pode descartar cerca de 40% do plantel ao ano. Nas granjas de descarte, essa proporção elevada fica em torno de 40% dos animais ao ano.
A relação entre o preço do cevado e o preço dos reprodutores permite manter a taxa de reposição. Quando o preço do cevado sobe, o preço das matrizes tende a acompanhar o movimento; quando o preço do cevado diminui, o valor das matrizes também pode diminuir. Dessa forma, a granja consegue substituir animais velhos e preservar sua capacidade produtiva.
Riscos de reduzir reposição
Interromper a reposição durante uma crise pode provocar envelhecimento excessivo do plantel e exigir, depois, a introdução de grande quantidade de marrãs jovens. Manter fêmeas velhas em quantidade excessiva na granja, como levá las até 8 partos, também representa um risco para a produção suína e pode gerar desequilíbrio sanitário e produtivo. Leitões provenientes de marrãs podem apresentar maior risco sanitário do que leitões de fêmeas pluríparas, pois estas possuem maior experiência imunológica e podem transferir melhor imunidade aos leitões. O índice de mortalidade dos leitões gerados por marrãs é maior do que o dos gerados por porcas pluríparas. A porca nulípara ou primípara não transfere muita imunidade aos leitões, mesmo tendo recebido vacinação.
Exigências sanitárias e documentação
Registro e requisitos da granja
O registro combina autorização, estrutura de proteção e acompanhamento sanitário; a certificação define se a granja pode comercializar matrizes.
- Licenciamento e registro: A granja comercial precisa de licenciamento ambiental e registro na Secretaria de Defesa Animal para emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA).
- Exigências estruturais: A granja deve cumprir instruções normativas sobre tratamento de dejetos, cercamento da propriedade e barreiras contra a entrada de animais e a contaminação do plantel.
- Unidade de transbordo: As instruções normativas também preveem a unidade de transbordo na suinocultura.
- Responsabilidade pelas barreiras: A manutenção das barreiras cabe ao responsável pela granja.
- Finalidade do registro: O registro de granjas suinícolas na Secretaria de Defesa Animal destina se ao controle de doenças e à certificação sanitária.
- Monitoramento sanitário: Um técnico da Secretaria de Defesa Animal coleta material biológico na granja a cada quatro a seis meses para monitoramento sanitário de doenças.
- Doenças monitoradas: Entre as doenças monitoradas estão a doença de Aujeszky, a brucelose, a febre aftosa, a sarna e a PRRS, sigla de Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína.
- Comercialização de matrizes: Uma granja comercial não pode comercializar matrizes se não possuir a certificação de Granja de Reprodutores Suídeos Certificada (GRSC).
Finalidades autorizadas na GTA
A GTA deve corresponder à finalidade autorizada do trânsito, com documentação sanitária adequada ao destino.
- Finalidade da GTA: A GTA informa a finalidade do trânsito, que pode ser abate ou reprodução.
- Autorização para reprodução: Uma granja comercial que não possui certificação específica como granja de reprodutores não pode emitir GTA para reprodução.
- Correspondência documental: Mesmo que o animal seja posteriormente utilizado como reprodutor, a documentação deverá refletir a finalidade autorizada.
- Documentação para abate: Para o abate, também é necessário o boletim sanitário assinado pelo médico veterinário.
- Apresentação no abatedouro: No transporte de suínos, esse boletim sanitário, assinado por médico veterinário, deve ser apresentado na chegada ao abatedouro.
Certificação das granjas multiplicadoras
Requisitos da multiplicadora certificada
Uma granja multiplicadora de suínos precisa ser certificada como Granja Produtora de Suínos Certificada (GRSC). Além do registro para emissão de GTA destinada a animais de reprodução, deve possuir certificação sanitária e genealógica, reunindo autorização para o trânsito reprodutivo e controle formal da origem dos animais.
A certificação sanitária é vinculada ao órgão estadual de defesa agropecuária, enquanto o controle genealógico é realizado pela Associação Brasileira de Criadores de Suínos. A aquisição de reprodutores oriundos de granja multiplicadora é acompanhada por um certificado físico assinado pela Associação Brasileira da raça e pelo médico veterinário responsável.
Controle genealógico
Identificação e histórico genealógico
- Registro genealógico: Cada matriz e cada cachaço selecionado recebe registro genealógico. O registro identifica os pais, avós, cruzamentos, data de nascimento, parto de origem e demais informações de desempenho.
- Julgamento morfológico: Na suinocultura atual, não é mais realizado julgamento morfológico presencial para concessão de pedigree.
- Certificação genética: A associação de registro de suínos realiza a certificação genealógica e o acompanhamento do desempenho genético dos animais.
- Identificação individual: O animal pode receber brinco numerado sequencialmente, com código de barras e outros elementos de identificação. Esse número permite consultar informações como peso, desempenho, data do teste e origem genética.
- Boletim sanitário: O boletim sanitário que acompanha o animal especifica a classificação sanitária da granja de origem.
- Zonas livres: As regiões Sul, Centro Oeste, Sudeste e partes do Nordeste brasileiro possuem o status de zonas livres de peste suína clássica sem vacinação.
- Vacinação regional: A vacinação contra a peste suína clássica é obrigatória em determinadas regiões do Brasil, como na Amazônia, em Pernambuco e no Ceará.
- PRRS e importação: O Brasil não registra ocorrência da síndrome PRRS, mas importa material genético suíno da Europa sob as formas de sêmen, embrião ou animais vivos submetidos a quarentena.
- PRRS: A PRRS (Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína) é uma enfermidade endêmica nos Estados Unidos e em toda a Europa.
Triagem das fêmeas de reposição
Após o nascimento, os animais são avaliados dentro da granja. Em uma linha materna, os machos podem ser castrados e criados como cevados, enquanto as fêmeas são selecionadas para reposição.
São eliminadas fêmeas cegas, mancas, tortas, aleijadas ou com outros defeitos. Apenas as fêmeas aprovadas recebem registro e podem ser comercializadas como matrizes.
Monitoramento sanitário periódico
A certificação sanitária organiza o acompanhamento da granja em duas dimensões: coletas periódicas e verificação das doenças contempladas pelo programa aplicável.
- Certificação sanitária: O órgão de defesa agropecuária realiza o monitoramento sanitário por meio de coletas periódicas de material na granja.
- Doenças monitoradas: Entre as doenças mencionadas estão brucelose, leptospirose, sarna, rinite, peste suína clássica, peste suína africana e a síndrome reprodutiva e respiratória suína.
- Periodicidade: O monitoramento pode ocorrer a cada quatro ou seis meses, conforme o programa aplicável.
Consanguinidade e pacote genético
Consanguinidade no pacote genético
O controle de parentesco é realizado principalmente pela própria multiplicadora. Na linha paterna, pode se trabalhar com determinado grau de consanguinidade para fixar características desejáveis, embora isso também possa carregar genes deletérios. Nas linhas suínas de machos terminadores, trabalha se com níveis de consanguinidade de até cerca de 30%. O controle de consanguinidade é adotado nas linhas de machos, mas não é aplicado às linhas maternas suínas.
Quando o produtor adquire um cachaço terminador e matrizes comerciais de empresas especializadas, normalmente recebe um pacote genético planejado para evitar cruzamentos diretos entre parentes. Assim, não há necessidade de adquirir machos e fêmeas de granjas multiplicadoras distintas exclusivamente para prevenção de consanguinidade.
Classificação sanitária das multiplicadoras
Pontuação das classes sanitárias
Nas multiplicadoras, a classificação sanitária pode ser A, B ou C, conforme critérios previstos em normas específicas. As granjas multiplicadoras devem possuir certificação GRSC (Granja de Reprodutores Suídeos Certificada). Para obter a classificação, cumprem critérios obrigatórios estabelecidos em normativas oficiais. A classificação relaciona se ao grau de controle e isolamento sanitário. Quanto maior o isolamento sanitário e os cuidados de biosseguridade da granja multiplicadora, maior é a sua pontuação no processo de certificação.
| Classificação sanitária | Pontuação | Critério de enquadramento |
|---|---|---|
| A | mais de 70 pontos | Maior isolamento sanitário e cuidados de biosseguridade |
| B | entre 40 e 70 pontos | Isolamento sanitário e biosseguridade correspondentes à faixa de pontuação |
| C | menos de 40 pontos | Menor pontuação no processo de certificação |
A pontuação relaciona se ao grau de controle e isolamento sanitário.
Prazos de renovação sanitária
A renovação do registro sanitário acompanha a classificação e o nível de controle mantido pela granja.
- Dependência da classificação: A frequência de renovação depende da classificação sanitária.
- Certificação nível A: Nas granjas multiplicadoras, a certificação de nível A renova o registro sanitário GRSC a cada dois anos.
- Certificação tipo B: A certificação tipo B exige renovação do registro sanitário a cada ano e meio (18 meses).
- Outras frequências: Foi mencionada renovação aproximadamente a cada dois anos para uma categoria, a cada 12 ou 18 meses para outra e a cada seis meses para a categoria de maior exigência.
- Perda do registro: A ocorrência de doenças pode resultar na perda do registro.
- Manutenção da classificação: A classificação depende do atendimento aos critérios estabelecidos na normativa e do nível de isolamento sanitário mantido pela granja.
Barreiras físicas e operacionais
A biosseguridade envolve uma barreira sanitária física e uma barreira relacionada ao plano de biosseguridade. Em granjas suinícolas, as barreiras sanitárias dividem se em barreiras físicas e barreiras operacionais de biosseguridade. Basicamente, a barreira sanitária divide se em barreira sanitária física e barreira sanitária referente ao plano de biosseguridade.
A barreira física inclui cercas, controle de acesso e estrutura física. Já a barreira operacional compreende os procedimentos destinados a impedir a introdução e a disseminação de agentes infecciosos. Quanto maior o isolamento e o controle, maior tende a ser a segurança sanitária da multiplicadora.
Núcleo genético e núcleo de multiplicação
Funções do núcleo genético
A estrutura começa pela distinção entre os tipos de núcleo e avança até a testagem dos animais e dos marcadores genéticos.
- Etapa: Classifique as granjas multiplicadoras de suínos nas categorias de núcleo genético e núcleo de multiplicação.
- Etapa: Identifique o núcleo genético, que trabalha com bisavós e tem como produto principal as avós.
- Etapa: Diferencie as linhas de atuação: o núcleo genético atua nas linhas paterna e materna, enquanto o núcleo multiplicador atua em geral na linha materna.
- Etapa: Reconheça que há núcleos genéticos voltados exclusivamente para a linha materna e núcleos genéticos voltados exclusivamente para a linha paterna.
- Etapa: Realize o melhoramento genético, direcione cruzamentos e acasalamentos, teste 100% dos animais e selecione indivíduos conforme desempenho, conformação, marcadores genéticos e características de interesse.
- Etapa: Na testagem do núcleo genético, realize a coleta de DNA para verificar marcadores genéticos associados a genes de estresse, fertilidade, hipertermia maligna e cor da carne.
Produção do núcleo multiplicador
O núcleo de multiplicação trabalha com avós e produz matrizes comerciais. Em geral, concentra se na linha materna, pois há maior necessidade de fêmeas para reposição. Sua atuação envolve principalmente a seleção dos animais, eliminando aqueles inadequados, enquanto o núcleo genético realiza a seleção mais ampla, a testagem e o direcionamento do melhoramento.
Empresas de genética suína
Entre as empresas atuantes no melhoramento genético suíno, a PIC é de origem inglesa e possui atuação no Brasil e globalmente. Já a DNA Genetics é uma empresa norte americana que opera como multiplicadora no Brasil.
Objetivos da linha materna
A linha materna é direcionada à formação de matrizes com elevada prolificidade, habilidade materna e longevidade. Busca se maior número de leitões, melhor produção de leite e capacidade de cuidar da leitegada, além de menor ocorrência de esmagamento e manutenção da produtividade por vários partos.
Desempenho da linha paterna
A linha paterna é direcionada à produção do macho terminador, pai do cevado destinado ao abate. Assim, seu objetivo está ligado ao desempenho produtivo do animal que dará origem ao cevado.
As características selecionadas incluem maior ganho de peso diário, melhor conversão alimentar, menor consumo de ração, maior eficiência alimentar, menor deposição de gordura, maior musculosidade e melhor conformação de carcaça.
Carcaça versus carne magra
O macho terminador deve apresentar maior rendimento de carcaça e maior rendimento de carne magra. O rendimento de carcaça corresponde à proporção do peso do animal que permanece como carcaça, enquanto o rendimento de carne magra está relacionado à quantidade de músculo e à menor quantidade de gordura.
Esses dois conceitos não são idênticos: maior rendimento de carne magra não significa necessariamente maior rendimento de carcaça. Em termos de referência, o rendimento de carcaça refere se ao peso do animal, enquanto o rendimento de carne magra refere se à proporção de tecido sem gordura.
Fluxo piramidal da genética
Distribuição genética do plantel
A distribuição aproximada indica que 3% das fêmeas estariam no núcleo, enquanto 7% estão na multiplicadora e 90% nas granjas comerciais. Essa proporção, semelhante em diferentes países produtores, mostra que a maior parte do plantel se concentra nas granjas comerciais, enquanto uma pequena parcela concentra o melhoramento genético e a multiplicação do material selecionado.
Produtos em cada nível
Na pirâmide genética, o núcleo produz avós e avôs. O produto da multiplicadora inclui matrizes comerciais e machos terminadores, enquanto o produto da granja comercial é o cevado. O macho terminador é utilizado para produzir animais destinados ao abate, e a matriz comercial é utilizada para produzir cevados, resultando do fluxo genético proveniente das gerações superiores.
Multiplicadora fechada na granja
A multiplicação interna organiza a produção de matrizes dentro da própria estrutura, mas a circulação externa dos animais exige atenção à regulamentação.
- Etapa: Produza suas próprias matrizes para uso interno e funcione como uma multiplicadora fechada.
- Etapa: Pode adquirir avós e avôs para funcionar como uma multiplicadora interna ou fechada.
- Etapa: Realize os cruzamentos e transfira as fêmeas para suas próprias granjas.
- Etapa: Observe que a comercialização externa desses animais depende das exigências sanitárias e normativas aplicáveis.
- Etapa: Confirme a necessidade de certificação para uma multiplicadora fechada conforme a regulamentação vigente, pois as normas podem ser alteradas.
Reflexão Sion
Cuidar de cada etapa
Na suinocultura, cada animal precisa seguir a etapa certa, com capacidade, peso e barreiras sanitárias respeitados para que todo o fluxo funcione. Isso mostra que cuidado verdadeiro não é improviso: ele reconhece limites, protege os vulneráveis e assume responsabilidade pelo que foi confiado. Em Jesus, encontramos esperança para viver com esse cuidado e confiança, sabendo que nossa vida pode ser orientada por quem conhece o caminho.
Mas tudo deve ser feito com decência e ordem.1 Coríntios 14:40
Leia e reflita sobre o cuidado de Jesus em cada etapa da vida.