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Manejo, Cuidados e Legislação de Animais de Laboratório
A estrutura da disciplina concentra a avaliação em seminários organizados por grupos, com escolha de temas e análise de artigos científicos.
Topicos da aula
- Manejo, Cuidados, Legislação de Animais de Laboratório
Overview
Mapa da disciplina e percurso
Esta disciplina retoma a ciência básica para acompanhar linhas de pesquisa do Departamento de Farmacologia, articulando momentos teóricos, atividades laboratoriais e discussão crítica de artigos. Ao longo do percurso, você conhecerá o escopo da farmacologia humana, veterinária e experimental, os fundamentos éticos e científicos dos ensaios pré clínicos, a legislação aplicável e o princípio dos três Rs. A aula também integra bem estar animal, modelos e particularidades biológicas, manejo seguro, manutenção dos biotérios e enriquecimento ambiental, sempre relacionando decisões práticas à qualidade científica. A avaliação ocorre principalmente por seminários de artigos, sem prova teórica escrita, exigindo organização, análise crítica e atenção às responsabilidades envolvidas na pesquisa.
Caracterização da disciplina
Identidade e carga horária
O nome correto é Vivência em Farmacologia, e não Vivência em Farmacologia Veterinária. A disciplina é realizada no Departamento de Farmacologia e, diferentemente de vivências como anestesiologia e clínica médica, que envolvem tratar e acompanhar pacientes, ela retoma conteúdos de ciência básica.
A carga horária atual é de 72 horas, com 4 horas por semana. Este é o último semestre em que a disciplina tem carga de 4 horas; depois, ela será reduzida para cerca de 3 horas. No currículo novo, a carga será reduzida para cerca de 3 horas, embora os alunos atuais ainda cursem a disciplina com 4 horas. A justificativa é que, na maior parte das aulas, não são efetivamente cumpridas 4 horas, e 3 horas seriam suficientes para a disciplina.
Ritmo teórico prático das aulas
As aulas ocorrem sempre às sextas feiras à tarde e incluem atividades expositivas, laboratoriais e outras práticas. Via de regra, cada aula e cada assunto começam em sala, com uma parte teórica; embora cada professor tenha uma dinâmica diferente, normalmente a teoria vem primeiro.
Depois da teoria, a turma realiza uma atividade mais prática, como análise, leitura ou discussão de artigo. Nesse percurso, a professora Cris, que trabalha com canabinoides, abordará esses estudos na disciplina.
Grupos e circulação pelos laboratórios
Como a turma tem 15 alunos, a divisão em grupos de quatro forma grupos de quatro alunos e um grupo de três. Os professores da disciplina incluem Maria Fernanda, Juliana Joyce, Ana e Janaína; atualmente, a equipe é formada por mulheres, pois o professor Alex saiu.
Quando há atividades laboratoriais, os alunos são direcionados aos laboratórios dos professores daquele dia. Nesse circuito, passam pelos laboratórios das professoras Juliana, Joice, Fran e da professora responsável pela aula. A professora Ana Maria trabalha com inflamação e modelos de inflamação em peixes.
Linhas de pesquisa e seminários
Os laboratórios que os alunos vão conhecer são voltados para alguma das linhas de pesquisa do departamento. As linhas de pesquisa do departamento de farmacologia são neurociências, produtos naturais, dor, inflamação e febre, e toxicologia. Os professores do departamento trabalham em quatro linhas de pesquisa, e as áreas de pesquisa do departamento às vezes se misturam. A professora que ministra a aula está teoricamente inserida na linha de toxicologia, mas também trabalha bastante com produtos naturais.
A equipe define o tema e a escolha do artigo a ser apresentado no seminário. No primeiro seminário, cada grupo deve escolher um tema dentre os assuntos ministrados até então, preferencialmente sem duplicidade de tema entre os grupos, mantendo uma distribuição mais ampla dos assuntos entre as equipes.
Coordenação e linhas docentes
A disciplina é coordenada por uma docente responsável pelo gerenciamento geral, pelos contatos institucionais e pela resolução de eventuais problemas administrativos. Outros professores ministram a maior parte das aulas, apresentando suas respectivas linhas de pesquisa e atividades laboratoriais. Assim, cada professora da disciplina traz sua linha de pesquisa e as atividades realizadas em seus laboratórios.
Entre os temas abordados encontram se farmacologia da dor, canabinoides, produtos naturais, modelos experimentais em peixes e toxicologia.
Seminários, grupos e avaliação
A estrutura da disciplina concentra a avaliação em seminários organizados por grupos, com escolha de temas e análise de artigos científicos.
- Modalidade de avaliação: A disciplina não tem prova nem avaliação escrita teórica; a avaliação ocorre por outras modalidades, especialmente por seminários.
- Datas: Os seminários estão previstos para 25 de setembro e 27 de novembro.
- Organização dos grupos: Os estudantes são organizados em grupos de aproximadamente quatro integrantes.
- Escolha de temas: Cada grupo escolhe temas correspondentes aos dois blocos da disciplina, evitando duplicidade entre as equipes.
- Artigo científico: Cada grupo deve selecionar e apresentar um artigo científico de boa qualidade.
- Publicação: O artigo deve ser publicado em revista científica rastreável e com fator de impacto.
- Área do artigo: O artigo pode abordar farmacologia humana, veterinária ou experimental.
Como estruturar a apresentação
O seminário não consiste em uma exposição geral sobre determinado assunto: o foco é a apresentação crítica de um artigo científico. O artigo apresentado deve ser de boa qualidade, podendo haver uma introdução mais elaborada com dados de livros e de outros artigos.
A nota final resulta essencialmente da média das apresentações. Por isso, recomenda se que os grupos se organizem com antecedência, já que os seminários ocorrem próximos a outras atividades acadêmicas.
Âmbito da farmacologia estudada
Farmacologia humana, veterinária e experimental
A disciplina não corresponde exclusivamente à farmacologia veterinária. A vivência ocorre no Departamento de Farmacologia e acompanha as pesquisas realizadas em seus laboratórios. O departamento de farmacologia tem uma pós graduação em farmacologia. Praticamente todos no prédio do departamento fazem experimentação animal, alguns com ratos e outros com camundongos. No departamento, há cerca de 18 a 20 pessoas de farmácia e apenas 2 veterinárias. As únicas veterinárias de formação que trabalham no prédio são essas duas professoras mencionadas.
Sempre que possível, os conteúdos são relacionados à medicina veterinária, mas muitas pesquisas utilizam modelos de doenças predominantemente humanas. Muitas pesquisas do departamento abordam doenças que ocorrem mais em pessoas, com uma abordagem de farmacologia humana. O laboratório trabalha com síndrome cardiometabólica como linha principal e possui modelos animais de quase tudo que se possa imaginar. A maioria dos grupos de pesquisa induz uma única doença em ratos ou camundongos, e o laboratório testa plantas medicinais para verificar se fazem efeito.
Portanto, a formação inclui farmacologia humana, veterinária e experimental, conforme as linhas de investigação dos docentes. Existe uma disciplina de pós graduação sobre modelos animais e ensaios pré clínicos, com carga horária de 60 horas.
Jaleco e presença nas atividades
O jaleco é necessário em algumas atividades laboratoriais. Embora muitas práticas sejam predominantemente demonstrativas, determinadas atividades podem envolver manipulação de materiais; por isso, recomenda se que os estudantes levem o jaleco quando houver possibilidade de utilização. A presença nas aulas também é necessária, conforme as regras gerais da disciplina.
Ensaios pré clínicos e modelos animais
Objetivo e contexto da disciplina
A disciplina inclui esta aula inicial de ensaios pré clínicos com modelos animais. Ela ocupa uma posição estratégica entre as primeiras aulas e serve para alinhar princípios éticos importantes para a prática com animais de laboratório.
Na experimentação animal, alguns pesquisadores usam ratos e outros usam camundongos, enquanto a professora Ana trabalha com peixe zebra.
Modelos experimentais e toxicidade
Durante a iniciação científica, a professora trabalhou com modelos de toxoplasmose em camundongos, nos quais induziam a doença no camundongo. Ela também ajudou em modelo de estresse gástrico e em modelos de toxicidade.
Em um modelo experimental, os ratos fumavam narguilé, tomavam álcool com energético e eram tratados com um produto natural. Nesse contexto, esse procedimento é um teste de toxicidade aguda, e DL50 significa dose letal.
Como exemplo de interpretação de dose, se um rato tratado com 5 g (5.000 mg) não apresenta efeito tóxico, uma dose de 5 mg também não apresentará efeito tóxico.
Limites da extrapolação clínica
A avaliação de modelos animais exige atenção às limitações e à aplicabilidade dos procedimentos. Antes de chegar ao ser humano, pode se testar em primatas, suínos e cães. A realização de laparotomia durante o experimento é uma fragilidade do estudo.
Foi aprovado para um semestre um projeto que pedia 380 ratos. Em outro estudo, um produto natural foi administrado por via intravenosa em ratos, embora essa via não fosse viável para o uso clínico diário em pacientes com hipertensão.
A dose testada no rato foi de 2 gramas por quilo, e sua extrapolação para o ser humano exigiria uma dose inviável.
Alternativas à experimentação animal
Métodos substitutivos, como modelos artificiais, culturas celulares, organoides e sistemas celulares tridimensionais, podem ser empregados em determinadas etapas didáticas. Eles funcionam como uma triagem, permitindo selecionar procedimentos ou substâncias mais promissoras antes que sejam avaliados em modelos animais mais complexos.
O peixe zebra é um modelo animal substitutivo. Segundo uma estudante, ainda não existem modelos artificiais ou celulares que substituam completamente os testes em animais. Se existissem outras formas de testar, não se usariam ratos, camundongos ou qualquer animal. Por isso, seria ótimo se existisse método substitutivo à experimentação animal.
Limites das práticas didáticas
Não é permitido realizar aulas práticas com animais apenas para demonstrar contenção, gavagem ou vias de administração. No passado, algumas disciplinas utilizavam ratos nessas atividades, mas a legislação atual restringe esse uso. Na disciplina, os estudantes podem acompanhar experimentos em andamento, porém sem necessariamente manipular diretamente os animais. Em contraste, alunos de medicina aprendem procedimentos em suínos, enquanto a veterinária já ultrapassou essa prática.
Experimentação como mal necessário
A experimentação animal reúne leituras favoráveis e contrárias; não há certo e errado absolutos, mas aspectos favoráveis e desfavoráveis que precisam ser ponderados. Ela é frequentemente considerada um mal necessário enquanto não existirem métodos substitutivos capazes de responder integralmente às perguntas científicas, porque a ciência precisa se desenvolver para o bem coletivo.
Por isso, a utilização de animais deve ser ponderada de acordo com a relevância do estudo, a possibilidade de benefício coletivo e a existência de alternativas. Também se deve considerar que testes prévios em animais podem reduzir riscos para seres humanos.
Benefício social da pesquisa
O uso de animais deve produzir conhecimento ou benefício relevante para a sociedade, como a compreensão de doenças, o desenvolvimento de fármacos ou a criação de vacinas. Portanto, o resultado precisa ser traduzido em algum benefício social.
Uma pesquisa que apenas resulte em um diploma, sem gerar divulgação ou contribuição científica, não justifica adequadamente o uso de animais. Os resultados devem ser publicados, discutidos e traduzidos em avanço para a medicina humana, a medicina veterinária ou a ciência básica.
Quantos animais um experimento usa
A quantidade de animais varia conforme a organização dos grupos e o modelo experimental, enquanto os custos podem incluir materiais e insumos específicos.
| Aspecto | Dados do experimento |
|---|---|
| Quantidade média por rodada | Em um modelo animal de síndrome metabólica, usa se uma média de 60 ratos em cada rodada de experimento. |
| Quantidade total dos grupos | Em um experimento com modelo de síndrome metabólica, somando os grupos descritos, são usados pelo menos 48 a 60 ratos. |
| Composição dos grupos | Os grupos podem incluir animais saudáveis, animais doentes, grupos tratados com diferentes doses da substância experimental e um grupo que recebe tratamento farmacológico padrão. |
| Tamanho de cada grupo | Cada grupo costuma conter de oito a dez animais. |
| Aproveitamento do grupo basal | Em um dos experimentos descritos, os animais do grupo basal têm a carne não utilizada; aproveitam se artérias, coração e fígado. |
| Produção do biotério | Em determinados períodos, o biotério pode produzir milhares de ratos para atender aos projetos de pesquisa. |
| Custos fornecidos sem cobrança | No experimento, os animais, a ração e a maravalha foram fornecidos sem custo. |
| Materiais do experimento | O preço de 15 mil reais refere se apenas a material, reagentes e luvas. |
| Custo total descrito | O experimento descrito custou cerca de 15 mil reais. |
| Gema de ovo | Na pesquisa descrita, foram gastos 2.500 reais apenas em gema de ovo. |
| Pesquisa de pós graduação | A universidade paga 600 reais por aluno de pós graduação por ano para pesquisa. |
Os valores de quantidade e custo referem se ao experimento descrito.
Fundamentos históricos e científicos
Da máquina ao reconhecimento da dor
As concepções sobre os animais mudaram com o tempo. René Descartes defendia que os animais eram seres autômatos, meras máquinas, incapazes de sentir dor ou prazer; para ele, seus gemidos e gritos seriam apenas um atrito sobre uma corda, mesmo diante de ferimentos graves. Essa visão também aparece em práticas antigas normalizadas, como crianças arrancarem a perna de pintinhos.
A evolução da ciência de experimentação animal pode ser observada na redução de um teste de toxicidade de 60 para 6 ratos. Esse contraste mostra como a ciência se modifica ao longo do tempo, acompanhando mudanças na forma de compreender os animais e de organizar os experimentos.
Claude Bernard é tido como o maior cientista de todos os tempos e foi o primeiro a propor o método científico: observação, hipótese, experiência, resultado, interpretação e conclusão. Ele defendia o direito total de experimentar e dissecar animais e considerava estranho permitir o uso de animais para serviços caseiros e alimentação e proibir seu uso para o ensino das ciências; também refletia que, se não se pode usar animais para pesquisa, não se deveria poder usar animais para nada. Para ele, resultados obtidos em animais podem ser conclusivos para o homem quando sabemos como experimentar adequadamente. Ainda assim, em outro estudo com planta medicinal comestível, a dose testada em animais era muito alta, e a extrapolação alométrica resultou em 14 cápsulas por dia para humanos. Por isso, o primeiro passo ao trabalhar com animal é desenhar bem o experimento, pensando no que ele vai se tornar.
Método, extrapolação e planejamento
Claude Bernard é apresentado como o primeiro a propor o método científico, baseado em observação, hipótese, experiência, resultado, interpretação e conclusão. Ele defendia o direito total de experimentar e dissecar animais. Sua reflexão era que, se seu uso fosse proibido na pesquisa, não deveria ser permitido para nenhuma finalidade.
Também considerava que resultados animais poderiam ser conclusivos para humanos quando o experimento fosse adequadamente conduzido. Porém, um estudo com planta medicinal mostrou o risco de extrapolar sem cuidado: uma dose muito alta em animais levou, pela extrapolação alométrica, a 14 cápsulas diárias para humanos.
Esse exemplo transforma a ideia de validade científica em uma exigência prática: o experimento deve ser bem desenhado desde o início, considerando o que seus resultados poderão significar. Uma extrapolação sem cuidado pode produzir uma conclusão inadequada.
Guerras, infecções e abusos
As guerras mundiais formam um precedente importante para a pesquisa com animais. Muitos soldados que não morriam por tiros morriam por infecções bacterianas; ferimentos causados por pregos enferrujados ou cortes em trincheiras contaminadas, quando não tratados, podiam ser fatais. Na época dos campos de concentração nazistas, a penicilina ainda não existia e os tratamentos contra essas infecções ainda estavam em estudo.
Médicos nazistas capturavam judeus e realizavam experimentos em seres humanos para estudar infecções e tentar desenvolver tratamentos destinados a salvar soldados alemães. Entre esses abusos, a médica nazista Herta Oberheuser infligia feridas nos judeus e colocava madeira, prego enferrujado, caco de vidro, sujeira e serragem nas feridas para simular o que acontecia no posto de batalha.
A frase “Quanto mais eu conheço a espécie humana, mais eu gosto do meu cachorro” é frequentemente atribuída a Hitler, mas seu autor verdadeiro era um cientista que também era escritor e apaixonado pelo seu cachorro de estimação. Esses episódios evidenciam a gravidade dos abusos cometidos em nome da pesquisa.
Autoria da frase e crueldade experimental
A frase “Quanto mais eu conheço a espécie humana, mais eu gosto do meu cachorro” é frequentemente atribuída a Hitler, mas seu verdadeiro autor era um cientista que também era escritor e apaixonado por seu cachorro de estimação.
No contexto dos experimentos nazistas, a médica nazista Herta Oberheuser estava entre as que mais realizavam procedimentos, infligindo feridas em judeus. Para simular ferimentos de batalha, ela colocava nas feridas madeira, prego enferrujado, caco de vidro, sujeira e serragem.
Ciência em evolução contínua
A experimentação animal não deve ser compreendida como uma área estática. Procedimentos que anteriormente utilizavam dezenas de animais podem, atualmente, ser realizados com número muito menor. Por isso, a ciência busca continuamente aperfeiçoar métodos, reduzir sofrimento, aumentar a qualidade dos resultados e substituir animais sempre que possível.
Darwin e os limites da extrapolação
Na obra Origem das Espécies, Darwin estabeleceu os pressupostos dos vínculos entre diferentes espécies de animais e um único processo evolutivo. Essa compreensão fundamenta, em parte, a extrapolação de resultados obtidos em modelos animais para seres humanos.
Entretanto, as diferenças anatômicas, fisiológicas e metabólicas entre espécies devem ser consideradas tanto na escolha do modelo quanto na interpretação dos resultados.
Da observação à conclusão
A sequência metodológica organiza o caminho entre o fenômeno observado e uma conclusão fundamentada.
- Etapa: Observar um fenômeno e formular uma hipótese, iniciando a sequência metodológica associada a Claude Bernard: observação, hipótese, experiência, resultado, interpretação e conclusão.
- Etapa: Realizar a experiência e analisar o resultado, seguindo o percurso de investigação científica.
- Etapa: Interpretar os resultados e estabelecer conclusões fundamentadas. Essa estrutura está presente em projetos de pesquisa, artigos científicos, trabalhos de conclusão, dissertações e teses.
Conflitos éticos da prática científica
Claude Bernard também é lembrado por ter utilizado a cadela de sua filha em uma aula prática, episódio que provocou protestos de sua esposa e contribuiu para movimentos contrários ao uso de animais em pesquisa. O caso mostra que a experimentação animal sempre esteve ligada a conflitos éticos e sociais, especialmente quando envolve sofrimento, ausência de consentimento ou uso inadequado em atividades didáticas.
Legislação e ética
Princípios e marco legal
Após as atrocidades da Segunda Guerra Mundial, foi criado, em 1947, o Código de Nuremberg. Ele estabelece que o consentimento voluntário do ser humano é absolutamente essencial e que o experimento deve produzir resultados vantajosos para a sociedade.
No Brasil, a Lei Arouca, Lei 11.794 de 2008, regulamenta a criação e o uso de animais em ensino e pesquisa científica. A Resolução Normativa nº 15 de 2013 do CONCEA regulamenta essa lei. Por isso, a utilização de animais em ensino e pesquisa exige aprovação prévia do CEUA, e a criação de animais exige registro do criador no CONCEA.
CEUA e CONCEA na prática
Na prática, o CEUA atua localmente na instituição, enquanto o CONCEA estabelece normas e exerce o controle central. A Lei Arouca conecta essas duas instâncias às exigências para criação e uso de animais.
- CEUA: CEUA significa Comitê de Ética no Uso de Animais.
- Obrigatoriedade institucional: Toda instituição que usa animais para ensino ou pesquisa deve ter um CEUA, e cada projeto precisa ser aprovado pelo CEUA antes de começar.
- Função do CEUA: O CEUA é o comitê institucional local responsável por analisar os projetos da própria instituição.
- Composição do CEUA: O CEUA deve incluir um médico veterinário, além de pesquisadores, professores e um membro da sociedade civil organizada.
- CONCEA: CONCEA significa Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal.
- Função do CONCEA: O CONCEA é o órgão central vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, formado por representantes de vários ministérios e da comunidade científica, responsável por baixar normas e controlar a criação e o uso de animais.
- Proibição da Lei Arouca: A Lei Arouca proíbe vender, adquirir ou utilizar animais sem registro no CONCEA ou sem aprovação do CEUA.
- Exceção comercial: A Lei Arouca permite a criação comercial quando o criador é registrado no CONCEA.
Responsabilidade e desafios práticos
No contexto universitário, Cristina é a veterinária responsável técnica por todos os laboratórios. O CEUA inclui pesquisadores, professores, um membro da sociedade civil organizada e um médico veterinário, reunindo diferentes perspectivas para o uso responsável de animais. Ainda assim, A realização da maioria dos estudos com machos é uma crítica gigantesca recebida na pesquisa.
Na rotina experimental, a laparotomia geralmente é feita por um aluno, que pode ser farmacêutico, biomédico ou outro aluno. Teoricamente, a responsável técnica deveria supervisionar eutanásias e cirurgias, mas isso é impossível na prática. Essa distância entre a responsabilidade prevista e a execução cotidiana torna essencial manter critérios éticos claros e atenção constante às condutas realizadas nos laboratórios.
A questão do ativismo é especialmente importante para os veterinários, mas, segundo a professora, nem todo veterinário entende de experimentação animal. Por isso, a formação específica e a responsabilidade profissional são decisivas: há pessoas que fazem coisas com os animais que podem dar vontade de torcer o pescoço de muitos, um alerta sobre a necessidade de condutas corretas e fiscalização.
Do projeto ao destino animal
O manejo ético acompanha o animal desde a aprovação do experimento até seu destino final.
- Etapa: Para fazer experimento com rato, é preciso passar por um comitê de ética. No final do experimento, é preciso fazer eutanásia.
- Etapa: Diferencie os destinos possíveis: alguns grupos doam os animais após o experimento. Nos modelos do laboratório, não é possível doar os animais porque no final é feita eutanásia.
- Etapa: Respeite a responsabilidade institucional: O aluno não pode doar o rato do experimento por conta própria; a responsabilidade é do orientador.
- Etapa: Para adotar um rato, é preciso se cadastrar no comitê de ética e assinar termos de responsabilidade.
- Etapa: Observe os compromissos da adoção: Os termos de responsabilidade para adoção incluem ficar com o animal, não o doar, não o reproduzir e garantir boas condições.
- Etapa: Não confunda informação circulante com procedimento autorizado: Circulou em grupos de WhatsApp a informação de que animais de experimentação seriam mortos se não fossem adotados até determinado dia.
- Etapa: Registre o destino desde a aprovação: Quando o projeto é aprovado, é preciso descrever o destino dos animais, incluindo eutanásia e o destino das carcaças.
- Etapa: Mantenha a vigilância ética: A professora relata que há pessoas que fazem coisas com os animais que podem dar vontade de torcer o pescoço de muitos.
Controvérsias e limites éticos
Algumas pessoas prefeririam testar em presidiários, mas testar em presidiários envolve questões éticas. Muitas pessoas não morreram do vírus, mas de reação adversa a medicamento utilizado durante a pandemia. Hoje, o teste de irritação dérmica em coelhos não é mais feito; antigamente, fazia se esse teste, inclusive no olho de coelho. Após a confusão envolvendo a doação de ratos, a legislação para acesso aos animais de experimentação endureceu ainda mais.
Debate, alternativas e fiscalização
Existe uma leitura favorável e também uma leitura contrária ao uso de animais em experimentação. Uma posição afirma que é melhor usar um rato do que um bebê ou um ser humano em experimentos. Outra afirma que experimentos devem ser feitos tanto no homem quanto nos animais. Também há quem entenda que, se não se pode usar animal para uma finalidade, como o ensino, não se deveria poder usar animais para nada.
Muitas empresas levantam a bandeira de que seus produtos não são testados em animais. Em produtos cosméticos, o produto em si pode não ter sido testado em animais, enquanto os microcompostos que o compõem foram todos testados em animais. Testar um fármaco é diferente de testar um produto estético, pois para produtos estéticos já existem alternativas. Na experimentação animal, há cientistas éticos e corretos no uso de animais, mas também há cientistas que continuam fazendo coisas erradas com os ratos sem que aconteça muita coisa, porque há pouca fiscalização.
Contexto histórico dos testes
Na época das guerras mundiais, a penicilina ainda não existia e os tratamentos para infecções estavam sendo estudados. Muitos soldados que não morriam por tiros morriam de infecção bacteriana. Um soldado podia pisar num prego enferrujado, cortar a perna e, sem tratamento, morrer de infecção nas trincheiras contaminadas.
Até aquele momento, não havia legislação para fazer experimentos com seres humanos. Nesse contexto, não é moralmente aceitável testar remédios mais ou menos perigosos ou ativos em pacientes hospitalizados sem primeiro experimentá los em cães que foram a primeira frente ao Covid 19.
O que o consentimento deve conter
O consentimento organiza as informações essenciais e as condições para a participação na pesquisa.
- Termo: Pesquisas envolvendo seres humanos exigem um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
- Conteúdo: O documento deve apresentar os procedimentos, os riscos, os benefícios, as formas de contato em caso de intercorrência, a ausência ou existência de remuneração e as medidas de proteção da identidade dos participantes.
- Concordância: Somente depois que o participante concorda e assina o termo de consentimento, os pesquisadores podem realizar a pesquisa.
- Aprovação: A pesquisa também precisa ser aprovada por um comitê de ética.
Questionários também exigem aprovação
Mesmo um estudo com questionário, como a avaliação de um método de ensino, exige consentimento esclarecido assinado e aprovação do comitê de ética. O pesquisador deve explicar o objetivo, solicitar o consentimento e informar o número de aprovação do comitê de ética ao publicar os resultados; sem essa aprovação, revistas científicas não aceitam a publicação.
Da evidência pré clínica à clínica
Ensaios clínicos com medicamentos novos devem ser precedidos por evidências pré clínicas. A sequência combina segurança, eficácia e avaliação criteriosa da possibilidade de estudos em seres humanos.
- Etapa: Basear o experimento em seres humanos em resultados de experimentação animal, conforme determina o Código de Nuremberg. O comitê de ética não autoriza o teste de medicamento novo em seres humanos sem evidência pré clínica.
- Etapa: Avaliar inicialmente a toxicidade e a eficácia em modelos experimentais.
- Etapa: Considerar estudos em seres humanos somente depois de resultados considerados adequados nos modelos experimentais.
- Etapa: Interpretar com cautela resultados favoráveis em animais, pois uma substância pode não produzir efeito em humanos devido a diferenças entre receptores, estruturas anatômicas ou mecanismos fisiológicos.
- Etapa: Reconhecer essa possibilidade no exemplo em que, no rato, a droga antagonista do receptor de vasopressina deu tudo certo, mas em seres humanos não fez efeito.
Segurança antes da eficácia
Após a evidência pré clínica, a progressão clínica começa pela avaliação de segurança e toxicidade, antes da análise dos efeitos em pessoas com a doença.
- Etapa: Iniciar o estudo de fase 1 com foco principalmente na avaliação de toxicidade e segurança, geralmente em adultos jovens e saudáveis.
- Etapa: Reconhecer que não se trata, inicialmente, de um estudo de eficácia terapêutica.
- Etapa: Considerar que, nos Estados Unidos, é comum universitários participarem de estudos de fase 1 porque recebem pagamento.
- Etapa: Avançar para os estudos de fase 2, que começam a avaliar doses e efeitos em pessoas com a doença.
- Etapa: Exigir consentimento na participação humana, pois podem ocorrer eventos adversos durante o estudo.
Normas para adequar biotérios
A normativa estabelece condições estruturais e um prazo para adequação dos biotérios de pesquisa.
- Normativa: O órgão do governo que regulamenta a experimentação animal publicou uma normativa com as condições ideais para se ter um biotério para pesquisa.
- Fiscalização: Até a publicação da normativa, o órgão do governo que regulamentava a experimentação animal no país não tinha muita ação de fiscalização.
- Requisitos estruturais: A normativa exige que os tetos dos biotérios sejam de gesso e que os cantos das paredes dos biotérios sejam arredondados.
- Prazos: O prazo original para adequação dos biotérios era setembro; o prazo para adequação dos biotérios às novas exigências foi estendido até 2031.
Princípio dos três Rs
Fundamentos do princípio da Redução
William Russell e Rex Burke propuseram o princípio dos três Rs. William Russell e Rex Burch são citados como responsáveis por uma contribuição importante à experimentação animal. O primeiro R é a Redução: consiste em utilizar o menor número possível de animais para alcançar resultados cientificamente válidos.
Cálculo do tamanho amostral
O G Power é um programa estatístico usado para calcular quantos animais são necessários em cada grupo. No cálculo, inserem se a doença estudada e os desfechos avaliados no animal, relacionando o tamanho amostral ao poder estatístico e à possibilidade de detectar uma diferença significativa entre os grupos.
Em algumas situações, oito ratos por grupo podem ser suficientes para obter poder estatístico e detectar diferença significativa entre os grupos. O programa também considera uma margem de garantia, pois pode ocorrer a morte de algum rato durante o estudo.
Evolução do teste de toxicidade
Sequência do teste de toxicidade.
- Etapa: Modelo antigo: Antigamente, o teste de toxicidade usava 15 ratos em cada grupo e testava todas as doses possíveis.
- Etapa: Início pelas diretrizes atuais: Nas diretrizes atuais, o teste de toxicidade começa com a dose de 300 mg em três ratos; se não houver alteração clínica, trata se mais três ratos com 300 mg.
- Etapa: Interpretação da ausência de alteração clínica: Se não houver alteração clínica com a dose de 300 mg, considera se que doses abaixo dessa são seguras.
- Etapa: Elevação da dose: Depois, a dose pode ser elevada para 2.000 mg, tratando se apenas três ratos e, se não houver alteração clínica, mais três.
- Etapa: Conclusão: Nesse teste, pode se concluir que a DL50 da substância é acima de 2 gramas por quilo.
Triagem e demais princípios
Na triagem de 10 plantas medicinais, testam se inicialmente as 10 no peixe zebra; as cinco promissoras seguem para o rato e, se uma continuar promissora, faz se a extrapolação.
Essa estratégia se relaciona aos demais Rs. Replace significa Substituição, mas, em algum momento da pesquisa pré clínica, é necessário utilizar roedores. A substituição pode ser feita com modelos anatômicos e estudos in vitro. Já o refinamento inclui melhorar as condições da sala.
Reduzindo animais em toxicidade
A redução do número de animais pode ser aplicada progressivamente, com avaliação clínica e ajuste da dose ao longo do protocolo.
- Etapa: Reconheça que, antigamente, os testes de toxicidade utilizavam vários grupos de animais expostos a numerosas doses.
- Etapa: Inicie o protocolo atual com três animais em determinada dose.
- Etapa: Se não houver alterações clínicas, avalie outros três animais e, posteriormente, aumente a dose.
- Etapa: Considere que a DL50 corresponde à dose letal mediana, embora os métodos atuais busquem evitar a necessidade de conduzir o experimento até a morte dos animais.
- Etapa: Após o teste de toxicidade aguda, são realizados estudos de toxicidade crônica.
Substituir espécies e modelos
Substituição consiste em empregar métodos alternativos ou espécies menos complexas quando isso for cientificamente possível. O peixe zebra pode substituir modelos de roedores em determinadas etapas. O peixe zebra também sofre, mas é menos complexo que o roedor em termos de desenvolvimento.
Também existem estudos pré clínicos realizados em moscas e em vermes, como Caenorhabditis elegans. Existem pesquisas pré clínicas feitas no verme C. elegans. Também existem estudos pré clínicos de Parkinson realizados em moscas. Uma estratégia possível é testar inicialmente várias plantas em modelos mais simples e avançar para roedores apenas com as substâncias mais promissoras.
Refinamento das técnicas e condições
O princípio dos três Rs inclui o Refinamento, que corresponde à melhoria das técnicas, dos equipamentos, das instalações e das condições de manutenção, com o objetivo de reduzir dor, estresse e sofrimento. Assim, o Refinamento é um dos Rs da experimentação animal e exige condições adequadas para o trabalho.
O pesquisador deve ser treinado antes de manipular animais, e técnicas cirúrgicas devem ser praticadas previamente em materiais apropriados. Além disso, os procedimentos devem utilizar equipamentos adequados, programas estatísticos atualizados e instalações compatíveis com as normas vigentes.
Bem estar e sofrimento animal
Sofrimento e manejo alteram resultados
O cuidado ético parte de uma questão central: A questão central é se os animais podem sofrer, não se podem raciocinar ou falar. O animal de pesquisa sofre e, mesmo com enriquecimento ambiental, existe um sofrimento basal.
Esse sofrimento também tem impacto científico: o estresse do rato altera os resultados da pesquisa. Uma captura inadequada pode estressá lo e provocar liberação de corticosterona, o hormônio do estresse, modificando os resultados. Por isso, se o pesquisador não se sente confortável com o experimento, é melhor não trabalhar do que manipular mal o animal.
Respostas fisiológicas e sinais de dor
O estresse ativa o sistema nervoso autônomo simpático e libera adrenalina, aumentando a frequência cardíaca, a vasoconstrição e a disponibilidade de glicose. Em situação de estresse, o animal também aumenta o cortisol, um marcador usado na veterinária.
Essa resposta pode ter consequências importantes: nos modelos de doença metabólica, a ativação simpática pode deixar o rato muito mais doente. Para reconhecer a dor, a escala de grimace avalia a expressão facial do animal. Em roedores, seus itens incluem apertar os olhos, achatar as orelhas, enrugar o nariz e eriçar os bigodes.
Qualidade científica e responsabilidade
O sofrimento altera o resultado da pesquisa; esse argumento foi proposto pelo fisiologista doutor Edmund O'Griand. Em um grupo de 10 ratos, dois animais estressados ou com dor podem se tornar outliers e interferir na interpretação do estudo.
Esse impacto ajuda a explicar por que muitos cientistas cuidam do rato por causa do gráfico e do resultado, e não por respeito ao rato. Se a pesquisa com animais não for bem feita, o gráfico fica ruim e não é possível defender o doutorado. Na avaliação da professora, os ratos dos modelos do laboratório são ratos felizes.
Supervisão veterinária e treinamento
Deveria haver um veterinário supervisor para a cirurgia, pois, para a professora, o veterinário tem o bem estar animal como cuidado inerente. Na prática, porém, é impossível a veterinária supervisionar todas as eutanásias e cirurgias.
Por isso, o treinamento cirúrgico é transmitido de um doutorando para outro ou pelo professor. Geralmente, quem treina o aluno para fazer a cirurgia é o doutorando.
Manipulação inadequada e seus riscos
Manipulações inadequadas comprometem o bem estar animal e a validade do procedimento. Há grupos de pesquisa que ainda hoje anestesiam ratos com éter. No método caseiro de anestesia inalatória, um chumaço de algodão embebido em éter é colocado dentro de um tubo Falcon, e a cirurgia é realizada enquanto o rato fica exposto ao éter; esse procedimento causa desconforto ao animal mesmo anestesiado. Em um relato, um rato que estava virado no giral não conseguia ser pego para a gavagem; uma pessoa acabou pegando o pela cauda e rodando o até o animal ficar completamente atordoado antes de realizar a gavagem. A gavagem mal feita pode machucar a boca do rato. O comitê de ética apertou a legislação e exige treinamento para pesquisa com animais, mas a fiscalização pode ser limitada quando o pesquisador trabalha sozinho. Procedimentos dolorosos devem ser evitados ou realizados com técnicas apropriadas. Alguns modelos experimentais usados no laboratório são bem agressivos e envolvem cirurgia. Existem modelos de ferida, modelos químicos e modelos em que o animal sente dor.
Contexto E Procedimento Cirúrgico
O caso do Terrier Marrom ocorreu por volta de 1900, em uma escola de medicina em Londres. Na ocasião, o professor levou o cachorro para uma aula prática de cirurgia. O animal foi anestesiado com éter e submetido a uma laparotomia.
A demonstração aconteceu em um anfiteatro com arquibancada, com o professor no meio e os estudantes ao redor. Esse cenário reúne o contexto histórico e a organização da aula cirúrgica, elementos essenciais para compreender o episódio.
Conflito Sobre A Anestesia
Havia duas ativistas infiltradas entre os alunos. As ativistas relataram que o cachorro estava com dor, se movimentando e se contorcendo durante o procedimento. Na opinião do palestrante, o cachorro não estava anestesiado.
O professor negou as acusações e afirmou que o animal estava anestesiado. Depois, o professor foi inocentado após os alunos afirmarem que o cão não se mexia e estava anestesiado. O episódio evidencia o conflito entre relatos sobre dor e imobilidade durante o procedimento.
Repercussão E Legado Ético
O caso do cachorro Terrier Marrom mobilizou o mundo quando aconteceu. O caso do Terrier Marrom gerou protestos nas ruas em favor do cachorro, mostrando a repercussão pública do episódio.
Uma estátua do animal existe até hoje em uma praça em frente à universidade em Londres. A estátua era originalmente de ouro e depois foi trocada por uma de latão. O caso é usado por professores em aulas de ética, mantendo o episódio como referência para discutir responsabilidade e cuidado com animais.
Eutanásia: critérios e métodos
A Resolução Normativa nº 37 de 2018 do CONCEA dispõe sobre a eutanásia. A eutanásia deve ser realizada por médico veterinário, conforme a RN 37 de 2018 do CONCEA, e feita de forma a minimizar a dor e o sofrimento. A avaliação da dor é um dos critérios para a decisão de eutanásia quando a dor não pode ser controlada ou o animal está sofrendo. Os métodos aceitos de eutanásia incluem overdose de anestésico e depois a confirmação da morte por parada cardíaca, parada respiratória e perda de reflexos. A Resolução Normativa nº 1000 não existe.
Modelos animais e particularidades biológicas
Diferenças entre rato e camundongo
A escolha do modelo depende de particularidades observáveis, sobretudo tamanho, uso e quantidade de amostra disponível.
| Aspecto | Rato | Camundongo |
|---|---|---|
| Tamanho e peso | O rato pesa 300 a 400 gramas. | O camundongo é menor que o rato. O camundongo pesa em média 30 a 35 gramas, enquanto o rato pesa 300 a 400 gramas. |
| Uso em pesquisa | No Brasil, usa se mais o rato. | No mundo, o camundongo é mais usado em ciências biomédicas, especialmente pela disponibilidade de linhagens geneticamente modificadas. |
| Coleta de amostras | O maior tamanho do rato permite coletar sangue e tecidos suficientes para várias análises em um único experimento. | Com o camundongo, pode ser necessário repetir o experimento duas ou três vezes para obter tecido suficiente para todas as análises. |
| Anatomia | Anatomicamente, os roedores de laboratório são bastante parecidos com os humanos. | A cavidade torácica dos animais tem arquitetura bastante parecida em termos de pulmões e artérias. |
As particularidades de tamanho, uso e anatomia orientam a escolha do modelo experimental.
Modelos animais de aterosclerose
Na aterosclerose, o modelo escolhido modifica a dificuldade de indução e o tipo de achado observável.
| Modelo | Indução e dificuldade | Achado observável |
|---|---|---|
| Coelho | O coelho é o modelo padrão ouro e clássico para fazer aterosclerose. No coelho, a indução de aterosclerose é feita adicionando 0,5% de colesterol na ração. É muito raro conseguir induzir aterosclerose em coelhos porque eles são HDL positivo. | A orelha do coelho possui uma artéria bem grande. Nas artérias da orelha do coelho, é possível ver trombo olhando de fora. |
| Rato | É muito difícil fazer aterosclerose em rato: é preciso mudar a dieta e usar uma droga por 10 semanas. | A placa formada é pequena. |
A facilidade de indução e o tamanho da placa diferem entre os modelos.
Biologia e modelos metabólicos
As particularidades biológicas dos ratos influenciam a escolha e a interpretação dos modelos experimentais. Uma característica dos roedores é roer; os ratos são considerados animais HDL positivo na natureza, gostam muito de água doce e consumiriam continuamente esse líquido açucarado se pudessem. Além disso, têm vida curta.
Uma forma de induzir doenças no rato em laboratório é modificar a dieta. No modelo de síndrome metabólica em ratos, isso envolvia hipertensão, resistência à insulina e uma dieta enriquecida com colesterol, preparada no laboratório com adição de gema de ovo à ração comercial.
Limitações e incompatibilidades do rato
Ratos e camundongos não devem ser misturados no mesmo ambiente. Em um mesmo ambiente, o rato fica desesperado porque sente o cheiro do camundongo como cheiro de refeição; na natureza, o rato pode ser predador do camundongo. A escolha da espécie envolve limitações fisiológicas: o rato não tosse. O rato não tem reflexo de tosse. O rato não é o melhor modelo para estudar doenças respiratórias que têm reflexo de tosse. O camundongo tem vesícula biliar; o rato não tem vesícula biliar. O rato não é o melhor modelo para estudar uma doença que envolve a vesícula biliar.
Linhagens de ratos e diferenças
- Linhagens principais: As principais linhagens de ratos incluem Long Evans, Wistar e Sprague Dawley.
- Long Evans: É chamado de capa preta por apresentar a parte frontal do corpo preta; é mais resistente à cirurgia, com menor chance de morrer durante o procedimento.
- Wistar e Sprague Dawley: São muito parecidos, diferenciando se principalmente pela região da cabeça.
- Wistar: O Wistar é albino e foi desenvolvido no Instituto Wistar, na Filadélfia.
- Sprague Dawley: Foi desenvolvida por dois pesquisadores, e seu nome reúne os sobrenomes deles.
Camundongos usados na instituição
- Camundongo suíço: Tem pelagem branca; o camundongo branco é chamado de suíço.
- Camundongo Black: Tem pelagem preta e é identificado pelo código C57BL6; o camundongo preto é chamado de Black e tem o código C57BL6.
- Uso mais comum: Os camundongos mais comumente usados são o suíço e o Black.
- Animais trabalhados: No prédio da instituição, trabalham se três tipos de animais: rato Wistar, camundongo suíço e camundongo Black.
Mecanismo da hipertensão renovascular
Nas pessoas, a hipertensão é sistêmica, diferentemente da hipertensão renovascular experimental. No rato Wistar, esse modelo utiliza um procedimento agressivo: anestesia, laparotomia, exposição da artéria renal e colocação de um clipe de prata sobre ela.
A redução do fluxo sanguíneo no rim ativa um sistema que retém sódio e água e aumenta a pressão arterial. Por isso, trata se de hipertensão renovascular: o clipe mimetiza uma placa de gordura em uma artéria do rim.
Desfechos e variações cirúrgicas
No modelo com clipe de prata na artéria renal, o rato desenvolve hipertensão após quatro semanas, mas muitos ratos morrem no pós operatório. Quando permanece com um rim cuja artéria foi clipada, a pressão sobe muito e a mortalidade pós cirúrgica é alta; esse é um importante alerta sobre o desfecho do procedimento.
Uma variação combina anestesia, laparotomia, colocação do clipe em uma artéria renal e remoção do outro rim por nefrectomia. De modo geral, o modelo de hipertensão renovascular envolve anestesiar o rato e clipar a artéria de um rim.
Alternativas ao modelo renovascular
Além do modelo renovascular, outra linhagem empregada em estudos de hipertensão é o rato espontaneamente hipertenso. O rato espontaneamente hipertenso é chamado de SHR. Há grupos em Itajaí, São Paulo e Mato Grosso do Sul que mantêm ratos espontaneamente hipertensos, e a linhagem SHR é produzida na Univali, em Itajaí.
Também é possível induzir hipertensão em ratos Wistar com dieta enriquecida com sal por várias semanas, embora a elevação da pressão não seja extrema. Assim, a escolha entre a linhagem SHR e a indução por sal define alternativas experimentais com características distintas.
Linhagens geneticamente modificadas
Existem mais de 500 linhagens de camundongos geneticamente modificados no mundo. No mundo, há muito mais animais geneticamente modificados para pesquisa do que no Brasil. O biotério da instituição não produz nenhum animal geneticamente modificado; todos os animais são heterogêneos.
Esses modelos permitem relacionar uma alteração específica a uma doença: o camundongo geneticamente modificado nocaute para o receptor de LDL desenvolve aterosclerose sem necessidade de dieta especial. Outro modelo apresenta ausência do receptor de leptina. Como a leptina participa da sensação de saciedade, esse animal permanece com fome, come continuamente e desenvolve obesidade e alterações metabólicas associadas. O animal geneticamente modificado tem um custo maior; sua vantagem é conseguir estudar mais facilmente a doença.
Sociabilidade e Ritmo Noturno
Ratos e camundongos são sociáveis, curiosos e inteligentes, com hábitos predominantemente noturnos e maior atividade no ciclo escuro, característica relacionada ao fato de serem presas na natureza.
Como são animais sociais, o alojamento solitário pode favorecer agressividade; por isso, é interessante mantê los juntos, especialmente os camundongos, que permanecem bastante próximos. Essa organização social deve ser considerada no manejo e na interpretação de comportamentos observados no modelo experimental.
Traços Corporais e Comportamentais
Além dos hábitos sociais, os roedores apresentam características corporais e comportamentais próprias: são coprófagos e ingerem fezes, seus dentes crescem continuamente, e as presas dos camundongos são bem finas.
Ratos normalmente não ficam de barriga para cima, enquanto os animais de laboratório são facilmente treináveis. Conhecer esses traços ajuda a orientar a manipulação e o enriquecimento ambiental, adequando o cuidado às características observáveis de cada modelo.
Dominância e barbering
Na organização social, os ratos podem ser mais tolerantes à mistura entre grupos. Na colônia, há sempre um animal que é o alfa. Geralmente há um macho dominante na caixa, mas os animais se adaptam. Nos camundongos, essa questão de dominância é muito forte; por isso, não se deve ficar misturando os animais: indivíduos de caixas diferentes podem brigar quando são misturados.
Assim, barbering é um comportamento de camundongo em que o dominante arranca os pelos em volta do focinho do dominado. O animal com a pelagem preservada tende a ser o dominante, enquanto aquele sem pelos ao redor do focinho é geralmente o dominado. Enquanto os animais não estiverem brigando, o barbering não é um problema; ainda assim, a ausência de pelo causada pelo barbering pode ser confundida com fungo.
Critérios para identificar o sexo
A identificação do sexo combina uma medida anatômica, a observação dos testículos e a comparação entre animais.
- Distância anogenital: A sexagem é feita pela avaliação da distância anogenital, entre o ânus e a papila genital; nos machos, essa distância é maior e, nas fêmeas, menor.
- Testículos: A presença dos testículos também auxilia na identificação do sexo.
- Filhotes pequenos: Em filhotes de roedores pequenos, como hamsters, os testículos podem ainda não ter descido ao nascimento.
- Animais maiores: Em animais maiores, os testículos ficam bem evidentes.
- Comparação: A comparação entre um animal de cada sexo facilita a sexagem.
Procedimento e escolha dos animais
O procedimento de sexagem inclui erguer a cauda do animal e separar machos e fêmeas em caixas diferentes. Uma pessoa treinada do biotério realiza a tarefa rapidamente.
A maioria dos estudos de pesquisa é feita com machos. Entre os fatores relacionados a essa escolha, as fêmeas dos roedores são mais agressivas e mais estressadas do que os machos.
Hormônios e reprodução das fêmeas
As diferenças hormonais entre os sexos têm impacto amplo: os hormônios influenciam toda a função metabólica, e os machos apresentam muitas alterações hormonais. Nas fêmeas, o estrógeno tem efeito cardioprotetor, e a fêmea é mais resistente para desenvolver doença cardiovascular.
O ciclo estral das roedoras é curto, com duração média de cinco dias; em média, a rata completa esse ciclo a cada cinco dias. Uma rata pode ter até 18 filhotes por ninhada. As fêmeas que não serão utilizadas em experimentos são encaminhadas para a reprodução ou para a eutanásia.
Gestação e composição da caixa
A gestação é curta, durando aproximadamente 19 a 23 dias, com média em torno de 19, 20 ou 21 dias.
Após o parto, não se deve manter macho e fêmea na mesma caixa: a fêmea deve permanecer sozinha com a ninhada, sem machos, porque a presença do macho no período pós parto pode levar a uma nova gestação. Quando duas fêmeas estão na mesma caixa, uma pode auxiliar a outra no cuidado dos filhotes.
Manejo da ninhada e desmame
O transporte e a troca da caixa exigem cuidado com odores e manipulação. Carregar os filhotes pela boca é um comportamento natural, mas o manipulador deve evitar encostar diretamente neles. A mãe pode interpretar o cheiro deixado nos filhotes como uma ameaça e abandonar a ninhada.
Durante a troca, os filhotes devem ser colocados sobre parte da maravalha e transportados sem que o manipulador encoste diretamente neles. Usar um pouco de maravalha suja na troca da caixa com ninhada não é um problema. Aos 14 dias, o camundongo já apresenta pelagem, olhos abertos e consome alimento sólido; o desmame ocorre aos 21 dias.
Manejo dos animais
Rato e camundongo: diferenças de manejo
Na comparação entre espécies, o camundongo tende a ser mais rápido e agitado: pode fugir da mão, pular ou morder e geralmente não aprecia o contato humano. O rato costuma ser maior, mais calmo, tranquilo e mais fácil de manejar, apreciando carinho, contato humano e ser colocado no colo.
- Camundongo: é mais complexo de manusear: rápido e agitado, pode fugir da mão, pular ou morder e geralmente não aprecia o contato humano.
- Rato: costuma ser maior, mais calmo, tranquilo e fácil de manejar; geralmente aprecia carinho, contato humano e ser colocado no colo.
Transferência calma entre caixas
Siga a transferência entre caixas em uma sequência curta e tranquila.
- Etapa: A transferência entre caixas deve ser feita com calma, porque movimentos bruscos e pressa aumentam o estresse.
- Etapa: Retire o rato da caixa suja e coloque o em uma caixa limpa.
- Etapa: Se estiver estressado, tente pegá lo, deixe o se acalmar e prossiga tentando com os outros animais.
Pega corporal e riscos da cauda
No manejo do rato, a sustentação deve permanecer no corpo. Ratos não devem ser suspensos nem carregados pela cauda: isso causa desconforto e pode provocar fraturas, especialmente quando são segurados pela ponta. A pega correta apoia o tórax e o abdômen com uma mão, sem apertar, enquanto a outra atua na base da cauda; a sustentação permanece no corpo. Pegar o rato pela ponta da cauda pode causar desenluvamento da cauda, porque a pele pode deslizar sob o peso do animal. Ratos devem ser pegos pelo corpo, não pela cauda.
Também é possível segurá lo na mão soltando a pele, como com um filhote de cachorro. Não aperte a barriga: a compressão das vísceras pode prejudicar a respiração, estressar o animal e provocar mordidas. A outra mão atua na base da cauda, não na ponta, e nunca se deve pegar o rato pelo pescoço. Se for apertado, ele morde; uma queda pode levar à morte.
Como conter o camundongo
O camundongo deve ser manipulado de maneira diferente do rato. Recomenda se segurá lo pela cauda, evitando a contenção direta do corpo, pois ele pode morder. A pega correta do camundongo é pela ponta da cauda. O camundongo é mais agressivo que o rato e morde se for pego pelo corpo; por isso, camundongos devem ser pegos sempre pela ponta da cauda e nunca pelo corpo, porque mordem.
Em termos de morder, o camundongo suíço já é ruim para trabalhar, mas o camundongo preto é campeão. O camundongo preto tende a ser mais agressivo que o suíço. Jalecos com mangas excessivamente longas também podem permitir que o animal entre na roupa e dificultar sua retirada segura.
Preparação e posicionamento da cânula
Na gavagem, a sequência depende da imobilização adequada, do preparo da cânula e da via correta de introdução.
- Etapa: Garanta uma boa imobilização do animal, pois ela é o segredo para realizar os procedimentos de administração.
- Etapa: Use uma cânula de gavagem própria para o tratamento do rato. A cânula de gavagem apresenta uma curvatura.
- Etapa: Na gavagem, puxa se o fármaco e ele fica acoplado à cânula.
- Etapa: Para realizar a gavagem, segure o rato pela pele da região do pescoço e pela cauda, mantendo a cabeça bem mobilizada.
- Etapa: Introduza a cânula pelo canto da boca, sobre a língua, seguindo em direção ao esôfago e até perto do estômago.
- Etapa: Na gavagem em camundongos, segure a pele atrás e prenda a cauda; como o animal é pequeno, é possível fazer tudo com a mão.
Prevenção da falsa via
Risco crítico: Na gavagem, a agulha deve começar em uma posição que evite a traqueia. Se a cânula for inserida na posição errada, ela pode ir para o céu da boca e para a parte superior, com risco de falsa via. Se a cânula alcançar a traqueia, o medicamento pode ser administrado no pulmão em vez do estômago. Se o medicamento for administrado no pulmão durante a gavagem, o líquido sai pelo nariz e o animal pode morrer por falsa via. Após administrar o fármaco pela cânula de gavagem, retira se a cânula.
Outras vias com contenção adequada
Com o animal corretamente imobilizado, também é possível realizar aplicações por via intramuscular e subcutânea. Na via subcutânea, pode se segurar a pele na lateral para facilitar a aplicação. A via intraperitoneal pode ser usada com o animal imobilizado e mimetiza a via intravenosa nos animais.
Em ratos, as vias de administração incluem oral, intraperitoneal, subcutânea, intramuscular, intravenosa e intracerebroventricular.
Volumes máximos recomendados
Em ratos, as vias de administração incluem oral, intraperitoneal, subcutânea, intramuscular, intravenosa e intracerebroventricular. Os volumes máximos recomendados são de 0,3 ml por ponto de injeção para a via intramuscular, 5 ml/kg para a via subcutânea, 10 ml/kg para a via intraperitoneal, 10 ml/kg para a via oral e 5 ml/kg, administrado lentamente, para a via intravenosa. Para a via intracerebroventricular, recomenda se no máximo 5 microlitros por animal, mas a professora não tinha certeza desse valor.
| Via de administração | Volume máximo recomendado | Observação |
|---|---|---|
| Intramuscular | 0,3 ml por ponto de injeção | — |
| Subcutânea | 5 ml/kg | — |
| Intraperitoneal | 10 ml/kg | — |
| Oral | 10 ml/kg | — |
| Intravenosa | 5 ml/kg | Administrado lentamente |
| Intracerebroventricular | 5 microlitros por animal | A professora não tinha certeza desse valor |
Os valores são específicos para ratos; o valor intracerebroventricular foi apresentado com ressalva de incerteza.
Indução e limites do modelo
No rato, a estreptozotocina é injetada por via intraperitoneal para destruir as células beta produtoras de insulina, causando hiperglicemia. Nos modelos do laboratório, o rato não fica 100% normal: ratos diabéticos perdem peso, de forma muito parecida com um paciente diabético.
Ratos diabéticos urinam tanto que a caixa fica molhada de urina, exigindo o dobro de maravalha e troca diária. Essa artificialidade é necessária porque, na natureza, um rato não desenvolve doenças crônicas como Parkinson, Alzheimer ou doença de Crohn.
Como o Parkinson é induzido
O modelo de Parkinson em rato é induzido pela injeção de uma substância neurotóxica na região dos neurônios dopaminérgicos, matando os neurônios que produzem dopamina.
Em outro procedimento, remove se a calota craniana e coloca se a substância neurotóxica no sistema nervoso central. A professora ajudou em um modelo de Parkinson.
Modelos de úlcera gástrica
A úlcera gástrica pode ser induzida por álcool ou por anti inflamatório. O modelo por álcool produz uma lesão aguda e é realizado por gavagem com 1 mL de álcool puro.
Já o modelo de úlcera crônica é feito pela instilação de ácido acético na parte externa do estômago.
Tumores sólidos e consequências
O Walker 256 é um tumor sólido estudado pela professora Alexandra no tecido subcutâneo da coxa. Em outro modelo da professora Juliana, crescia um tumor sólido gigante na boca dos animais.
O crescimento tumoral oral tinha consequências importantes: o animal não conseguia comer e ficava muito agressivo.
Modelos hepático e infeccioso
No mestrado, a professora trabalhou com um modelo de doença hepática alcoólica. Nesse modelo, a doença induzida era a esteatose alcoólica. Os camundongos recebiam álcool com a dieta modificada.
No modelo de toxoplasmose, era realizada triagem de anticorpos.
Modelo experimental de psoríase
O camundongo black é considerado o padrão ouro como modelo de psoríase. Para induzir a doença, aplica se uma substância na pele do camundongo.
Uma das principais características da psoríase é a coceira, também chamada de prurido.
Sepse: modelo agressivo e suas consequências
O modelo de sepse realizado no estudo é um modelo clássico, usado no mundo inteiro. No modelo clássico de sepse, utiliza se um rato alimentado, sob anestesia e submetido a laparotomia; o ceco é perfurado com agulha de grande calibre, com extravasamento de fezes para a cavidade abdominal. O animal desenvolve infecção generalizada e apresenta grande debilidade. Esse modelo é utilizado para testar intervenções terapêuticas, mas é considerado agressivo e provoca importante sofrimento; o animal submetido ao modelo de sepse morre. A escolha do modelo deve considerar a necessidade científica e a capacidade emocional da equipe.
Manutenção e alojamento
Identificação e manejo compartilhado
A identificação das caixas é essencial em biotérios compartilhados. Cada caixa deve apresentar o nome e o telefone do pesquisador, além de avisos relevantes, como “ Animais em jejum ”. O jejum pode ser necessário para coletar sangue no dia seguinte, e colocar ração nos ratos de outro pesquisador pode comprometer um experimento que exige jejum.
Ninguém deve alterar o manejo de animais pertencentes a outro grupo; diante de qualquer problema, deve se contatar o responsável.
Sistemas e tipos de caixas
Os animais podem ser mantidos em diferentes sistemas de caixas. No sistema isolado, todas as caixas são conectadas a uma máquina que controla temperatura, exaustão e umidade, mantendo condições uniformes. Um sistema desse tipo custa cerca de 150 mil reais; na prática, quase todos trabalham com caixas conectadas. Aproximadamente 99% das caixas são brancas por serem mais baratas.
A caixa transparente pode reduzir o estresse ao permitir que o animal observe o ambiente quando não há ameaça. Diante de uma ameaça, a caixa branca pode oferecer maior sensação de proteção. Há também um sistema, mais utilizado para ratos, que controla temperatura e umidade dentro da caixa; um conjunto com 12 caixas custava 89 mil reais cinco anos atrás.
Condições ambientais e segurança
A rotina do biotério depende de condições ambientais e manutenção adequadas. A sala deve controlar temperatura, umidade, ventilação, iluminação, ciclo claro escuro e pressão positiva ou negativa conforme o tipo de biotério. Em salas de experimentação, os animais geralmente ficam em caixas sobre estantes de metal, e os pesquisadores podem trabalhar com 40 a 50 caixas.
A cama deve ser trocada na frequência correta: trocas excessivas estressam o animal, enquanto poucas trocas acumulam amônia tóxica. A frequência depende do número de animais, do tamanho da caixa e do fluxo de ar. A ventilação pode ser verificada observando um barbante ser puxado para dentro com o exaustor ligado. No biotério, devem se evitar brincos e anéis, pois podem cair na caixa e ser comidos pelos animais; também se deve usar roupa e sapatos fechados.
Tipos de biotério e quarentena
Organize o fluxo do animal desde sua finalidade e seu tipo de biotério até a quarentena e a adaptação antes do experimento.
- Etapa: O biotério tem a finalidade de criar animais para pesquisa.
- Etapa: O biotério é o local onde os animais são criados e mantidos, e pode ser de três tipos: biotério de criação, biotério de manutenção e biotério de experimentação.
- Etapa: O biotério de criação é onde os animais são reproduzidos e nascem; o de manutenção é onde ficam até a idade de uso; e o de experimentação é onde ficam durante o experimento.
- Etapa: Animais novos que chegam ao biotério devem passar por quarentena para observar doenças e evitar a disseminação delas para os outros animais.
- Etapa: O animal recém chegado ao biotério precisa de um período de adaptação de no mínimo 5 dias, às vezes 7 dias ou mais, antes de ser usado no experimento.
Espaço, agrupamento e estresse
- Dimensão das caixas: Caixas pequenas podem ser utilizadas apenas para transporte; para manutenção, os ratos necessitam de caixas maiores, que permitam movimentação e interação social.
- Número de animais: O número de animais deve ser compatível com o espaço disponível, pois o excesso de indivíduos impede a exploração, as brincadeiras e o descanso adequado.
- Alojamento individual: Deixar o animal sozinho causa estresse, o que é uma interferência maior no experimento.
- Convivência: Animais alojados juntos empurram uns aos outros na hora de comer e de tomar água.
- Capacidade: Em uma caixa cabem dois ou três ratos do tamanho mostrado; colocar quatro já fica apertado.
- Consumo de ração: Para acompanhar exatamente o consumo de ração de cada rato, o ideal seria o animal ficar sozinho.
Temperatura e viés de posição
- Temperatura ideal: A temperatura ideal para ratos situa se em torno de 22 °C ± 2 °C, entre 20 °C e 24 °C.
- Viés de posição: Mesmo em uma mesma sala, diferentes posições podem apresentar condições distintas.
- Rodízio das caixas: Para reduzir esse viés, as caixas devem ser deslocadas periodicamente, permitindo que todos os grupos passem pelas mesmas regiões da sala durante o experimento.
Cama segura e riscos ambientais
A maravalha é a cama mais comum e deve ser autoclavada para evitar contaminação por ácaros e outros agentes. A maravalha também pode trazer sarna; já houve um surto no departamento. Alguns grupos do Sul usam casca de arroz como alternativa.
A decomposição da urina produz amônia, que pode causar problemas respiratórios. Por isso, a cama exige atenção tanto à contaminação quanto aos efeitos ambientais. Quando a autoclave quebrou, foi usada maravalha sem autoclavar, e os animais precisaram receber banho de tiurã.
Água filtrada e higiene rotineira
Embora muitos grupos usem água da torneira, a normativa do CONCEA exige água filtrada. Água destilada não deve ser usada em roedores porque pode causar diarreia. Filtros instalados na própria torneira podem fornecer a água filtrada.
A água deve ser trocada aproximadamente três vezes por semana. Ao trocar a água, é preciso descartar o restante, colocar água limpa e lavar o bebedouro com escovinha. A limpeza deve incluir o bico do bebedouro, que acumula sujeira.
Bebedouros: materiais e proteção
Há bebedouros de polipropileno e de vidro, mas o polipropileno é mais utilizado. O polipropileno é mais utilizado por ter menor custo no dia a dia, enquanto a garrafa de vidro quebra facilmente, especialmente quando a luva está molhada. Quando a garrafa de vidro se quebra, precisa ser reposta com frequência.
Os roedores podem roer o bico de borracha; em geral, ingerir a borracha não causa problemas, mas o bico precisa ser trocado com o tempo. Uma gradinha pode proteger o bico de borracha, e algumas grades de bebedouro têm uma tampa com essa função.
Estímulos que Elevam o Estresse
Ratos e camundongos têm olfato e audição mais apurados que os humanos, por isso percebem com maior intensidade os estímulos do biotério. Barulhos, inclusive o choque entre garrafas de vidro, aumentam o estresse; devem ser evitados sapatos ruidosos e outras fontes de ruído.
Odores intensos também estressam os animais. Não se deve usar perfume, e a limpeza do chão deve ser feita com álcool e detergente neutro, evitando produtos de cheiro forte.
Ciclo Claro Escuro e Temporizadores
O biotério mantém um ciclo claro escuro de 12 horas, importante para o bem estar dos animais. A inversão desse ciclo causa estresse, por isso a regularidade da iluminação deve ser preservada.
O controle é feito por um timer instalado na tomada, que acende e apaga as luzes automaticamente. O dispositivo é programado com dentinhos para definir os horários de ligação e desligamento.
Quando o ambiente sai do controle
Falhas em temporizadores, sistemas de exaustão ou equipamentos de climatização podem modificar significativamente o ambiente. Os animais ficam em sala com o ar condicionado ligado o tempo inteiro e a exaustão ligada. Temperatura, umidade e ventilação da sala do biotério devem ser controladas para manter o bem estar animal. Animais mantidos sob luz contínua podem desenvolver estresse. Um sistema de exaustão instalado ao contrário pode trazer ar contaminado para dentro da sala. Por essa razão, as condições ambientais devem ser verificadas regularmente.
Idade animal e duração da pesquisa
Animais de laboratório são considerados adultos a partir de 2 meses; 60 a 90 dias já são considerados animais adultos. Como o biotério não entrega ratos de um ano de idade para pesquisa, estudos com ratos idosos exigem planejamento antecipado: o pesquisador deve pegar animais jovens com 30 a 45 dias (às vezes 60 dias) e mantê los no biotério até envelhecerem.
Essa manutenção até a velhice inclui cuidados em finais de semana, feriados e férias, e o pesquisador arca com os custos desse animal. Uma crítica comum às pesquisas com animais de laboratório é fazer tudo com animais da mesma idade, em torno de 90 dias.
Enriquecimento ambiental
Fundamentos do enriquecimento
O bem estar animal é favorecido pela melhoria e pelo enriquecimento do ambiente. Uma caixa transparente já constitui enriquecimento ambiental, pois permite que os animais explorem o ambiente; o algodão também é utilizado para esse fim.
A cama amplia as possibilidades de comportamento: o animal pode fazer ninho, se esconder e cavar. Já a grade elevada permite que os animais fiquem em pé e vejam o que acontece fora da caixa. A contenção física pode ser uma forma de enriquecimento ambiental quando o animal associa o manuseio a uma experiência boa.
Brincadeiras, materiais e riscos
Os animais gostam de brincar de lutinha, mas os brinquedos devem ser colocados na caixa de acordo com a quantidade de animais; se houver muitos indivíduos, eles não conseguem brincar. Além disso, a brincadeira de lutinha entre os animais pode fazer a caixa bater e andar.
O papel de jornal usado como enriquecimento pode ser comido e causar alergia ou diarreia nos animais. Já os rolinhos de papel higiênico foram coletados com um bilhete e uma sacola no banheiro da universidade. Em Dourados, um experimento com 300 ratos utilizou rolinhos de papel higiênico como enriquecimento.
Tubos, roedura e manutenção
Os animais de laboratório roem os enriquecimentos, inclusive tubos de material de construção, e usam esses tubos para se esconder, entrando com a cabeça. Esse enriquecimento custa cerca de 3 a 4 reais e é reutilizado há 10 anos, mostrando que uma solução simples pode ser mantida por longo período.
A manutenção exige planejamento: cada caixa precisa de um par de enriquecimentos, porque um permanece com o animal enquanto o outro é lavado. Assim, para 20 caixas, são necessários 40 tubos, um par por caixa, sendo um em uso e outro lavado na troca.
Opções específicas e avaliação
Em caixas com poucos animais e mais espaço, pode haver mais de um brinquedo ou enriquecimento. Uma opção é a máscara amarrada no interior da caixa: ela funciona como uma rede exclusiva para camundongos, que sobem e ficam balançando como numa rede. Essa máscara não pode ser usada com ratos, porque eles são mais pesados e a redinha cai no chão.
Quando fica suja, a máscara deve ser descartada e substituída. A bolinha também é uma opção de enriquecimento. Para avaliar outro recurso, no teste de construção de ninho, no dia seguinte fotografa se o resultado e comparam se os ninhos entre os grupos.
Materiais seguros e reutilizáveis
Os enriquecimentos ambientais podem incluir toquinha, papel picado, rolinho e tirinhas de papel. Também foram comprados tubos de material de construção, como joelhos, curvas e retos, além de brinquedinhos e toquinhas para colocar dentro da caixa. O rolinho de papel higiênico é uma opção de enriquecimento ambiental de custo zero.
O material precisa ser higienizável e seguro, além de ser substituído quando contaminado. Na troca da caixa, os tubos sujos de fezes e urina são retirados, lavados e substituídos por um limpo. Embora seja uma forma de enriquecimento que os animais adoram, o papel picado não é muito utilizado: como o experimento dura oito semanas e a caixa é trocada três vezes por semana, gera muito resíduo, trazendo um problema de sustentabilidade.
Por que separar ratos e camundongos
Ratos e camundongos não devem ser alojados no mesmo ambiente: o rato pode interpretar o camundongo como presa, enquanto o camundongo pode perceber o rato como ameaça. Em um mesmo ambiente, o camundongo fica desesperado porque sente o cheiro do rato como um cheiro de perigo. Por isso, os biotérios devem manter separação entre as espécies, evitando estresse e risco de agressão.
Dicas Para Provas
Como Funciona a Avaliação
A disciplina não tem prova nem avaliação escrita teórica; a avaliação é realizada por outras modalidades, especialmente por seminários. Os seminários serão realizados em 25 de setembro e 27 de novembro.
Os primeiros seminários serão apresentados em grupos de quatro alunos, geralmente com quatro ou cinco integrantes. Como a turma tem 15 alunos, formam se grupos de 4 e um grupo de 3. A nota dos alunos será basicamente a dos seminários, e a nota final corresponderá à média entre os seminários.
Preparação dos Seminários
No primeiro seminário, cada grupo escolhe um tema entre os assuntos já ministrados, preferencialmente sem repetir o tema de outro grupo. No segundo seminário, a escolha se refere ao segundo bloco de aulas.
A apresentação deve se basear em um artigo científico de boa qualidade, podendo incluir uma introdução mais elaborada com dados de livros e de outros artigos. Farmacologia da dor foi citada como exemplo de tema.
Ética E Legislação Essenciais
O comitê de ética é um tópico que pode cair em prova. No Brasil, a criação e o uso de animais em ensino e pesquisa científica são regulamentados pela Lei Arouca, Lei 11.794 de 2008. A Resolução Normativa nº 15 de 2013 do CONCEA regulamenta essa lei.
CONCEA significa Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal, enquanto CEUA significa Comitê de Ética no Uso de Animais. A Resolução Normativa nº 37 de 2018 do CONCEA dispõe sobre a eutanásia.
A eutanásia deve ser realizada por médico veterinário, conforme a RN 37 de 2018 do CONCEA.
Contenção Segura Dos Roedores
A contenção depende da espécie. Camundongos devem ser pegos pela ponta da cauda e nunca pelo corpo, porque mordem. Essa regra evita uma pega inadequada durante o manejo.
Para ratos, a pega correta é pela base da cauda, não pela ponta. Pegar um rato pela ponta pode causar lesão e desenluvamento da cauda, pois seu peso é maior e a pele pode deslizar. A técnica adequada usa uma mão na base da cauda e a outra apoiando o tórax e o abdômen, sem apertar.
Volumes Máximos Por Via
Em ratos, o volume máximo recomendado deve ser ajustado à via de administração. Na via intravenosa, a administração deve ser lenta.
| Via de administração | Volume máximo recomendado |
|---|---|
| Via oral | 10 ml/kg |
| Via intraperitoneal | 10 ml/kg |
| Via subcutânea | 5 ml/kg |
| Via intramuscular | 0,3 ml por ponto de injeção |
| Via intravenosa | 5 ml/kg, administrado lentamente |
Avaliação e Datas dos Seminários
A disciplina não tem prova nem avaliação escrita teórica; a avaliação ocorre principalmente por seminários. As apresentações estão previstas para 25 de setembro e 27 de novembro.
Os primeiros seminários serão feitos em grupos de quatro alunos, geralmente com quatro ou, no máximo, cinco integrantes. Como a turma tem 15 alunos, a divisão em grupos de quatro resulta em grupos de 4 e um grupo de 3.
Estrutura e Nota dos Seminários
No primeiro seminário, cada grupo escolherá um tema entre os assuntos já ministrados, preferencialmente sem repetir o tema de outro grupo. No segundo seminário, os grupos também escolherão um tema referente ao segundo bloco de aulas.
A apresentação deve abordar um artigo científico de boa qualidade, podendo incluir uma introdução mais elaborada baseada em livros e outros artigos; farmacologia da dor foi citada como exemplo de tema. A nota dos alunos será basicamente a dos seminários, e a nota final corresponderá à média dessas apresentações.
Manejo Seguro de Roedores
Não confunda os pontos de pega. Para camundongos, a pega correta é pela ponta da cauda, e eles não devem ser pegos pelo corpo porque podem morder.
Para ratos, a pega deve ser pela base da cauda, nunca pela ponta. Segura se a base da cauda com uma mão e apoia se o tórax e o abdômen com a outra, sem apertar. Pegar o rato pela ponta pode causar lesão, pois seu peso é maior e a pele da cauda pode deslizar, provocando desenluvamento.
Legislação e Ética Animal
Pontos essenciais sobre legislação e ética no uso de animais.
- Comitê de ética: O comitê de ética é um tema que pode ser cobrado em prova.
- Lei Arouca: No Brasil, a criação e o uso de animais em ensino e pesquisa são regulamentados pela Lei Arouca, Lei 11.794 de 2008.
- Resolução Normativa nº 15: A Resolução Normativa nº 15 de 2013 do CONCEA regulamenta essa lei.
- CONCEA: CONCEA significa Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal.
- CEUA: CEUA significa Comitê de Ética no Uso de Animais.
- Resolução Normativa nº 37: A Resolução Normativa nº 37 de 2018 do CONCEA trata da eutanásia.
- Eutanásia: A eutanásia deve ser realizada por médico veterinário.
Volumes Máximos por Via
Em ratos, o volume máximo recomendado depende da via de administração:
| Via de administração | Volume máximo recomendado em ratos |
|---|---|
| Oral | 10 ml/kg |
| Intraperitoneal | 10 ml/kg |
| Subcutânea | 5 ml/kg |
| Intramuscular | 0,3 ml por ponto de injeção |
| Intravenosa | 5 ml/kg, administrado lentamente |
Reflexão Sion
Cuidar também é ciência
O estresse e a dor alteram a resposta dos animais e podem comprometer a validade dos resultados, por isso os três Rs orientam reduzir, substituir e refinar seu uso. Cuidar bem de uma criatura vulnerável não é apenas proteger um protocolo, mas reconhecer que conhecimento sem responsabilidade perde seu propósito. Em Jesus, vemos o chamado para servir com compaixão e esperança, tratando cada vida sob nossa responsabilidade com respeito.
O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram.Mateus 25:40
Leia e reflita sobre o cuidado que sua ciência revela.