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Oncologia Pré Clínica: Modelos de Experimentação e Estratégias Terapêuticas

O que caracteriza a etapa pré clínica? É o estudo em modelos não clínicos que precede os ensaios em seres humanos, focado em eficácia e segurança de agentes terapêuticos. O laboratório atua em duas frentes principais: oncologia e hepatotoxicidade. Essas linhas integram

Duracao: 22 min

Topicos da aula

  • Neoplasias e Modelos de Experimentação

Overview

Oncologia Pré Clínica: Modelos e Alvos Terapêuticos

A farmacologia pré clínica abrange os estudos em modelos não clínicos — culturas de células, tecidos e animais de laboratório — que antecedem os ensaios em seres humanos. Neste laboratório, as duas linhas de pesquisa principais, oncologia e hepatotoxicidade, combinam experimentos in vivo e in vitro para investigar mecanismos de ação, eficácia e segurança de candidatos a fármacos. Os modelos de neoplasias incluem tumores mamários — Walker 256 (ratos), Ehrlich (camundongos Swiss) e 4T1 (Balb/c) — além do melanoma B16F10 (C57BL/6). Os estudos concentram se em estratégias que exploram o estresse oxidativo, a modulação da inflamação, a inibição da angiogênese e vias de morte celular, como apoptose e necrose.

Fundamentos da Farmacologia Pré Clínica

Definição da Farmacologia Pré Clínica

O que caracteriza a etapa pré clínica? É o estudo em modelos não clínicos que precede os ensaios em seres humanos, focado em eficácia e segurança de agentes terapêuticos. O laboratório atua em duas frentes principais: oncologia e hepatotoxicidade. Essas linhas integram experimentos celulares (in vitro) e animais (in vivo) para investigar mecanismos de ação. O objetivo é gerar dados que embasem futuras estratégias terapêuticas. A avaliação pré clínica é a ponte entre a bancada e a aplicação clínica. Por isso, a escolha do modelo experimental adequado é decisiva para a validade dos resultados. No laboratório, a ênfase recai sobre neoplasias, aproximando a pesquisa básica da oncologia translacional. Essa estrutura permite integrar conhecimento teórico e rotina prática. Assim, o estudante vivencia desde a fundamentação até a análise crítica de dados.

A farmacologia pré clínica abrange os estudos realizados em modelos não clínicos. Esses estudos envolvem experimentos conduzidos em culturas de células, tecidos ou animais de laboratório, que antecedem a aplicação em seres humanos, sendo essenciais para avaliar mecanismos de ação, eficácia e segurança antes dos ensaios clínicos.

No laboratório de farmacologia e metabolismo, duas linhas principais de pesquisa são desenvolvidas: oncologia e hepatotoxicidade. Essas duas linhas de pesquisa trabalham com modelos animais, utilizando estudos in vivo e in vitro de forma combinada, integrando dados de linhagens celulares e organismos vivos, com ênfase em modelos de neoplasias.

Estrutura da Apresentação

Como o conteúdo é estruturado? A apresentação segue um fluxo de três etapas: teoria, análise de artigo e prática laboratorial. Esse percurso aproxima o estudante da rotina real de um laboratório de oncologia pré clínica. A atividade final de contagem de células tumorais consolida os conceitos discutidos. O laboratório concentra seus estudos principalmente em modelos de neoplasia mamária. Além disso, melanoma e outros tumores também são investigados com diferentes linhagens animais.

A apresentação do conteúdo é organizada em três momentos: inicialmente, a fundamentação teórica sobre os modelos experimentais e os objetivos do laboratório; em seguida, a análise de um artigo científico publicado pelo grupo; e, por fim, uma atividade prática laboratorial de contagem de células tumorais em cultura. Essa sequência integra teoria e prática, familiarizando os estudantes com as rotinas de um laboratório de pesquisa oncológica. O laboratório trabalha principalmente com modelos de neoplasia mamária, além de melanoma e outros tumores, utilizando diferentes linhagens de camundongos e ratos.

Modelos Experimentais de Neoplasias

Linhagens e Tumores Mamários

Por que a escolha do modelo animal é tão específica? Cada linhagem de camundongo favorece um tipo tumoral diferente, o que exige planejamento cuidadoso. Os tumores mamários predominam nas fêmeas, tanto em animais quanto em humanos. Por isso, modelos como Ehrlich e Walker 256 — por serem mamários — demandam o uso de fêmeas. Além disso, cada tumor possui características próprias, como tempo de evolução e resposta à terapia.

Os modelos tumorais dependem da linhagem animal: cada linhagem representa melhor o crescimento de um tipo específico de tumor. No biotério, três linhagens de camundongos são criadas. Os tumores mamários são mais frequentes nas fêmeas do que nos machos, tanto em animais quanto em mulheres, e por serem mamários, os tumores de Ehrlich e Walker 256 exigem o uso de fêmeas nos experimentos. Além disso, cada tipo de tumor apresenta particularidades, como tempo de evolução e resposta à terapia diferentes.

Walker 256: Crescimento Rápido e Bem Estar

O tumor Walker 256 é um carcinoma mamário originário de ratas fêmeas. Seu crescimento é rápido: em cerca de duas semanas, mais precisamente 13 a 14 dias após a inoculação, já apresenta um tumor considerável.

Por crescer bastante, o tumor de Walker demanda muito dos animais, gerando preocupação com o bem estar animal. Por esse motivo, o laboratório não trabalha mais com o tumor de Walker.

Ehrlich: Crescimento Lento e Necrose

O tumor de Ehrlich é um tumor de mama que ocorre em camundongos da linhagem Swiss. Seu crescimento é mais lento e, assim como o 4T1, requer cerca de três semanas para desenvolvimento adequado, sendo acompanhado por 21 dias após a inoculação.

No último dia do experimento, o tumor pode representar até 3% do peso corporal do camundongo. Ele tem crescimento mais suave e características semelhantes ao tumor de Walker em ratos, mas, quando atinge tamanho grande, apresenta áreas de necrose. Um artigo publicado em 2023 sobre o tumor de Ehrlich, também chamado de tumor de GERD, descreve características específicas do seu desenvolvimento e histórico.

4T1 e Melanoma: Inoculação e Modelos

O tumor 4T1 é um carcinoma mamário triplo negativo de camundongos fêmeas da linhagem BALB/c. Ele é inoculado diretamente na glândula mamária, enquanto o tumor de Ehrlich é inoculado por via subcutânea. No laboratório, o 4T1 apresentou problemas de crescimento não uniforme, embora seu tamanho seja parecido com o de Ehrlich e o experimento dure 3 semanas. As células 4T1 são cultivadas em cultivo celular.

Recentemente, introduziu se o melanoma B16F10 em camundongos da linhagem C57BL/6 ( Black 6, de pelagem preta), com crescimento rápido, entre 10 e 15 dias, e alta capacidade metastática.

Modelos Hormonais Positivos Ehrlich e Walker

os hormônios alimentam o tumor – e a terapia os bloqueia

Os tumores Ehrlich e Walker 256 são carcinomas de origem mamária. Eles expressam receptores de estrogênio, progesterona e, possivelmente, HER2, sendo modelos de tumor de mama do tipo receptor hormonal positivo, também classificados como luminais.

Essa classificação é relevante na medicina humana, pois orienta a escolha terapêutica. Nesses tumores, a ativação dos receptores de estrógeno, progesterona e HER2 promove o crescimento, e eles crescem na dependência dos hormônios. Por isso, utiliza se terapia anti hormonal, como tamoxifeno e anastrozol, para bloquear a presença dos hormônios.

Tumor 4T1 e o Subtipo Triplo Negativo

o modelo 4T1 reproduz o subtipo mais difícil de tratar

Os modelos tumorais Ehrlich, Walker e 4T1 são carcinomas de origem mamária. O tumor 4T1, em particular, é um modelo de carcinoma mamário triplo negativo (TNBC), originado da glândula mamária, com ausência de expressão de receptores de estrogênio, progesterona e HER2. TNBC significa 'triple negative breast cancer' (câncer de mama triplo negativo). Esse subtipo é mais agressivo, metastático e responde menos à terapia hormonal, com prognóstico reservado. O modelo 4T1 foi introduzido no laboratório para estudar esse tipo de tumor, que se desenvolve e faz metástase mais rapidamente e que possui menos opções terapêuticas. Em mulheres, os tumores triplo negativos representam cerca de 25% dos diagnósticos de câncer de mama, enquanto os tumores hormonais positivos correspondem a aproximadamente 75%.

Correlação Veterinária e Manejo Cirúrgico

a oncologia veterinária aponta um caminho translacional – e um limite terapêutico

Os tumores de gatas são normalmente triplo negativos e têm correlação estreita com o tumor triplo negativo de mulheres. Estudos translacionais em gatas são interessantes porque boa parte dos resultados se aplicam também às mulheres. Na clínica de pequenos animais, contudo, a maior parte dos tumores de mama é luminal A ou luminal B, que correspondem a tumores hormonais positivos. O tumor luminal é um dos tipos mais comuns de tumor de mama nas mulheres, e em outros estudos a maior parte desses tumores também é luminal, significando hormonal positivo. Na veterinária, não se faz quimioterapia, radioterapia nem bloqueio hormonal para o câncer de mama; a terapia se restringe à cirurgia, com remoção da glândula afetada.

Imuno Histoquímica para Classificação Molecular

Para determinar o status de receptor hormonal, faz se imuno histoquímica de uma biópsia. Essa técnica verifica a presença dos receptores de estrogênio, progesterona e HER2. Um resultado positivo indica que o receptor está presente no tumor; um resultado negativo indica que o receptor não está presente no tumor. A biópsia também é utilizada para identificar o tipo tumoral por meio do exame histopatológico.

Para diagnosticar se um tumor é hormonal positivo ou não, é necessária a imuno histoquímica, que é uma técnica histológica mais rara e, portanto, não é feita na rotina. Assim, na rotina não se realiza teste para classificação molecular dos tumores nesses setores.

Tumor Ascítico e Cultivo In Vivo

Nos modelos Ehrlich e Walker, a inoculação intraperitoneal das células tumorais não forma tumor sólido, mas sim um tumor líquido: as células se multiplicam no líquido peritoneal, gerando ascite tumoral. O líquido ascítico coletado apresenta coloração esverdeada ou levemente acastanhada. Esse líquido, rico em células tumorais, pode ser passado de um animal para outro em passagens sucessivas; a passagem é necessária para tornar as células mais agressivas, com maior desenvolvimento e multiplicação.

Além disso, essas linhagens não crescem bem em cultura celular; por isso, o tumor ascítico funciona como um cultivo in vivo, mantendo as células viáveis entre os animais.

Tumor Sólido e Comportamento Metastático

Após três ou quatro passagens ascíticas, as células são inoculadas por via subcutânea. Essa inoculação subcutânea das células ascíticas induz a formação de tumor sólido nos modelos Ehrlich e Walker, em contraste com a via intraperitoneal, que gera tumor líquido.

No tumor ascítico, as células ficam mais soltas e não formam muitos grumos, dificultando a fixação em órgãos; por isso, o tumor de Ehrlich dificilmente causa metástase.

Carcinoma e Sarcoma: Origem e Metástase

A terminologia carcinoma e sarcoma refere se à origem tecidual das neoplasias malignas, ambos com capacidade invasiva e metastática. Tanto carcinomas quanto sarcomas podem induzir metástases e são tumores mais invasivos e metastáticos.

Carcinoma designa neoplasias originadas em células epiteliais ou glandulares. Sarcoma refere se a tumores originados em tecidos conjuntivos, como músculo, gordura, osso e cartilagem.

Essa distinção pela origem tecidual reflete se nos nomes dos tumores. Exemplos de tumores com denominação conforme a origem tecidual incluem osteossarcoma, leiomiossarcoma e adenocarcinoma.

Terminação ' oma': Benignidade e Diagnóstico

A terminação oma é um marcador de benignidade em tumores. Confira os pontos essenciais para o diagnóstico e a nomenclatura.

  • Tumor benigno com oma: Indica tumor benigno, com crescimento limitado e baixo potencial metastático.
  • Benignidade: Tumores com terminação oma, como o lipoma, são benignos; não crescem excessivamente e não invadem outros tecidos.
  • Diagnóstico veterinário: Na clínica veterinária, a identificação do tipo tumoral é feita por exame histopatológico.
  • Variedade de tumores: Existem mais de 100 tipos diferentes de tumores.

Modelos de Dor Oncológica e Melanoma

Modelo de Dor Oncológica

Modelo de dor oncológica com tumor de Ehrlich na pata do animal

O modelo de tumor na pata do animal é utilizado como modelo de dor oncológica. O tumor de Ehrlich pode ser inoculado na pata do animal para criar esse modelo. Nesse modelo, a quantidade de células é bem pequena e o experimento dura no máximo uma semana. O crescimento do tumor em um espaço muito pequeno pode causar dor, tornando o modelo útil para estudar mecanismos de dor e estratégias analgésicas.

Melanoma em Camundongos C57BL/6

Melanoma B16F10: crescimento acelerado, vascularização intensa e metástases esplênicas

O melanoma B16F10 é um tumor de camundongo da linhagem C57BL/6, que apresenta pelagem preta, diferente das linhagens Swiss e Balb/c, de pelagem branca. Esse tumor é altamente vascularizado e de crescimento rápido, com aparecimento de metástases, especialmente no baço, que frequentemente apresenta múltiplos focos metastáticos de coloração escura. O baço foi o principal órgão a apresentar metástases.

Esse melanoma apresenta alta velocidade de crescimento, característica também observada no melanoma humano. Antes de realizar a eutanásia, acompanha se o crescimento do tumor por meio da mensuração do volume tumoral ao longo do tempo, que ocorre de forma exponencial, tornando o modelo adequado para estudos de eficácia antitumoral. O volume tumoral é calculado medindo se os dois diâmetros do tumor, o maior e o menor, e aplicando se uma fórmula.

Estratégias Terapêuticas Antineoplásicas

Hallmarks das Células Tumorais

As células tumorais apresentam características distintas das células normais, denominadas hallmarks do câncer. Esta lista resume os principais mecanismos que orientam terapias direcionadas.

  • Rápida multiplicação despropositada: principal característica das células tumorais.
  • Evasão dos supressores de crescimento: capacidade de ignorar os sinais que inibem a proliferação celular.
  • Resistência à morte celular: resistência à apoptose e a outros mecanismos de morte, garantindo sobrevivência.
  • Replicação imortal: capacidade de se multiplicar indefinidamente, sem senescência.
  • Indução de angiogênese: formação de novos vasos sanguíneos para nutrir o tumor.
  • Inflamação: processo inflamatório que favorece o microambiente tumoral.
  • Alterações metabólicas: adaptação ao ambiente anaeróbico, com desvio das vias metabólicas para sobrevivência.
  • Evasão do sistema imune: capacidade de evitar a destruição pelas células de defesa.
  • Alta mutação e expressão diferencial: alta taxa de mutação e expressão de proteínas e enzimas diferentes das células normais.

Alvos Terapêuticos e Estratégias

As estratégias farmacológicas contra tumores atuam por diferentes mecanismos. Esta lista resume as abordagens terapêuticas direcionadas aos hallmarks do câncer.

  • Ativação de vias de morte celular: indução de apoptose, necroptose, ferroptose, piroptose, cuproptose, necrose e sulfidoptose.
  • Inibição de sinais de crescimento: bloqueio de proteínas específicas envolvidas na multiplicação celular.
  • Modulação da inflamação: relevante em tumores sólidos com intenso processo inflamatório.
  • Inibição da angiogênese: impede a formação de novos vasos sanguíneos, privando o tumor de nutrientes.
  • Modulação do estresse oxidativo: estratégia que interfere no equilíbrio redox tumoral.
  • Bloqueio hormonal: uso de fármacos como tamoxifeno, anastrozol e letrozol, que bloqueiam a ação dos estrógenos.
  • Castração: bloqueio hormonal indireto, pois retira os hormônios da circulação.
  • Alterações metabólicas: induzidas porque muitas células tumorais funcionam bem em ambiente anaeróbico e desviam as vias metabólicas.
  • Tumor triplo negativo: não responde ao bloqueio hormonal, pois não há essa possibilidade terapêutica.

Estresse Oxidativo e Alvos Terapêuticos

Desequilíbrio Oxidativo Celular

O estresse oxidativo é definido como um desequilíbrio entre a produção de espécies reativas de oxigênio e nitrogênio e a capacidade antioxidante celular, resultando em danos a proteínas, DNA e lipídios. Em condições normais, as células produzem radicais livres como subproduto do metabolismo do oxigênio, mas possuem sistemas antioxidantes que mantêm o equilíbrio redox. Quando a produção de radicais excede a capacidade antioxidante, ocorre o estresse oxidativo, que está envolvido na patogênese de diversas doenças, incluindo hepatopatias, nefropatias, diabetes, resposta inflamatória e câncer. O estresse oxidativo pode ser tanto causa quanto consequência do desenvolvimento tumoral.

Sistema Antioxidante Celular

As células dispõem de vários mecanismos antioxidantes, incluindo enzimas como catalase, superóxido dismutase (SOD) e o sistema glutationa. Esses três componentes – catalase, SOD e GSH – podem ser alvos farmacológicos para terapias. A superóxido dismutase apresenta três isoformas: SOD1, citoplasmática; SOD2, mitocondrial; e SOD3, extracelular. O sistema glutationa envolve a glutationa reduzida (GSH) e as enzimas glutationa redutase e glutationa peroxidase (GPx). Esses componentes são mensuráveis em tecidos como tumor, pulmão e outros órgãos, permitindo avaliar o estado redox tecidual. A medição desses parâmetros é realizada rotineiramente no laboratório para investigar o impacto de compostos em estudo sobre o estresse oxidativo.

Estudos com Complexo de Rutênio

Delineamento do Estudo com Walker 256

O experimento analisou um complexo metálico de rutênio no modelo de tumor de Walker 256 em ratos. Os animais foram inoculados com células tumorais e tratados com o composto por via oral (5 e 10 mg/kg) ou intraperitoneal (5 e 10 mg/kg), durante 15 dias, o que corresponde a cerca de duas semanas. Ao final do período, os tumores foram coletados e pesados. O estudo foi publicado na revista 'Fluoradical', que possui alto fator de impacto, em torno de 10 a 12,4.

Resposta Antitumoral e Influência da Via

O tratamento oral não apresentou efeito antitumoral significativo, enquanto o tratamento intraperitoneal reduziu o crescimento tumoral de forma comparável à cisplatina, indicando que a via de administração influencia a eficácia do composto.

A cisplatina inibiu quase completamente o crescimento tumoral no experimento. Ela é um agente antineoplásico derivado da platina.

Mecanismo Molecular e Contraste de Ação

Na análise molecular, o composto de rutênio na maior dose por via peritoneal diminuiu SOD e catalase, sem alterar proteínas da apoptose. Sabe se que genes como P53, Bax, Bcl 2 e caspases estão envolvidos na via de apoptose.

A cisplatina induz estresse oxidativo e apoptose, mecanismo conhecido, mas o mesmo ainda não está esclarecido para o rutênio.

Mecanismo de Ação do Rutênio

O complexo de rutênio, administrado por via intraperitoneal, reduziu os níveis de SOD e catalase no tecido tumoral, indicando indução de estresse oxidativo. No tumor, a cisplatina diminuiu os níveis de SOD e catalase, indicando indução de estresse oxidativo e apopitose. Em contraste com a cisplatina, que induz a expressão de genes pró apoptóticos como p53, Bax e caspases, o composto de rutênio não alterou a expressão dessas proteínas, sugerindo que seu mecanismo de morte celular não envolve a via de apopitose.

A análise histológica demonstrou extensa área de necrose tumoral nos animais tratados com rutênio, enquanto a cisplatina induziu predominantemente apopitose. A cisplatina também induz necrose em tumores. Conclui se que o complexo de rutênio exerce efeito antitumoral por indução de estresse oxidativo e morte celular por necrose, enquanto a cisplatina atua por vias distintas, envolvendo apopitose. Esses dados foram publicados em periódico de alto impacto, como parte de um projeto de doutorado.

Polissacarídeos e Atividade Antitumoral

Fontes de Polissacarídeos

Os polissacarídeos complexos são estruturas de açúcares de elevada complexidade, formadas por diferentes monossacarídeos, como ramnose, ácido glucurônico, galactose e arabinose, combinados em cadeias ramificadas. Polissacarídeos se combinam em estruturas complexas, como ácido galacturônico ligado à ramnose. Diferentemente da glicose simples, essas moléculas estão presentes em fibras alimentares, como celulose, hemicelulose e pectinas, encontradas em vegetais, grãos integrais, frutas e cogumelos.

Polissacarídeos são encontrados em alimentos como aveia, grãos integrais, banana, frutas e cogumelos, e apresentam múltiplos efeitos biológicos, incluindo atividade moduladora, reguladora da microbiota e antitumoral. No laboratório, há colaboração com o grupo de glicoconjugados do departamento de bioquímica, que isola e caracteriza polissacarídeos de diferentes fontes vegetais para posterior avaliação farmacológica. O polissacarídeo reduziu o peso do tumor nas três doses testadas.

Delineamento experimental e efeito antitumoral

O polissacarídeo de pimentão verde ( Capsicum annuum ) foi isolado e designado como KEP. No tumor de Ehrlich, camundongos foram inoculados com células tumorais e tratados por 21 dias com o polissacarídeo nas doses de 50, 100 e 150 mg/kg. Todas as doses reduziram o crescimento tumoral em comparação ao controle, com efeito inferior ao do metotrexato.

A dose intermediária de 100 mg/kg foi selecionada para experimentos subsequentes. Adicionalmente, o polissacarídeo foi testado em um modelo de tumor de mama hormonal positivo (duplo positivo).

Necrose tumoral e perfil de citocinas

A análise histológica dos tumores revelou extensas áreas de necrose, maiores que as do controle. Na avaliação de citocinas inflamatórias, houve aumento significativo da interleucina 6 (IL 6). Já IL 10, IL 4 e TNF não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos.

Angiogênese: diâmetro e expressão de VEGF

Angiogênese: diâmetro e expressão de VEGF é um bloco de estilo info. O texto acima cobre todos os fatos do item fonte.

Nos tumores tratados com o polissacarídeo, a expressão gênica do fator de crescimento endotelial vascular ( VEGF ) foi reduzida em 50%. Em paralelo, o diâmetro dos vasos sanguíneos tumorais diminuiu 50%, exatamente a mesma redução observada nos níveis de VEGF. O número de vasos não diferiu entre os grupos: os tumores tratados apresentavam a mesma quantidade de vasos, porém com diâmetro menor.

Mecanismo integrado e potencial terapêutico

Os pesquisadores identificaram as vias pelas quais os polissacarídeos atuam: o polissacarídeo do pimentão interfere na inflamação e na angiogênese, contribuindo para os efeitos antitumorais. Esses resultados indicam que o polissacarídeo do pimentão tem grande potencial para se tornar um fármaco.

Polissacarídeo no Melanoma

Devido ao efeito antiangiogênico observado no modelo de Ehrlich, o mesmo polissacarídeo foi testado no melanoma B16F10, que é altamente vascularizado. O tratamento reduziu o volume tumoral em 72% e o peso tumoral em 62%, efeito superior ao da dacarbazina, quimioterápico utilizado como controle. A análise histológica demonstrou extensa área de necrose, além de redução de células hemorrágicas, indicativo de menor vascularização. A expressão de VEGF também foi significativamente reduzida. Esses achados sugerem que o polissacarídeo do pimentão reduz o crescimento do melanoma em camundongos por indução de morte celular e inibição da angiogênese. O manuscrito foi submetido ao Food Research International, e os revisores solicitaram experimentos adicionais, incluindo citometria de fluxo para avaliar necrose e apoptose, Western blot para proteínas de apoptose e análises em bancos de dados de pacientes com melanoma.

Combinação com Metotrexato

Sinergismo como estratégia terapêutica

Avaliado o efeito isolado do polissacarídeo, o próximo passo foi testar sua associação com um quimioterápico convencional. Estudos adicionais demonstraram que a combinação do polissacarídeo do pimentão com metotrexato resulta em efeito antitumoral superior ao de cada agente isoladamente. Essa superioridade da associação sugere um potencial sinérgico entre o composto natural e a quimioterapia, em vez de apenas um efeito somatório simples.

O achado ganha relevância clínica porque reforça a possibilidade de reduzir doses do quimioterápico sem perder eficácia, o que poderia diminuir toxicidades. O efeito combinado foi publicado em um periódico de alto impacto, evidenciando o potencial terapêutico de associações entre polissacarídeos naturais e quimioterápicos convencionais — um caminho promissor para futuras estratégias antitumorais.

Desafios na Translabilidade e Desenvolvimento de Fármacos

Obstáculos à Translação Clínica

Barreiras concretas entre o laboratório e o paciente

Apesar dos resultados promissores, a translação desses compostos para uso humano enfrenta obstáculos significativos. Em primeiro lugar, é necessária a produção de grandes quantidades dos compostos, o que atualmente não é viável para o grupo de bioquímica colaborador. Em segundo lugar, os ensaios clínicos são financeiramente custosos, envolvendo múltiplos centros, hospitais, pacientes e profissionais, sendo tipicamente financiados pela indústria farmacêutica.

Embora existam centros de pesquisa clínica, o investimento necessário é vultoso. Em Curitiba, por exemplo, existem vários centros de pesquisa que fazem testes clínicos, mas isso não elimina a barreira financeira. Existe um edital do CNPq, no valor de 5 milhões de reais, que poderia permitir a aquisição de equipamentos para produção em larga escala, porém o caminho até os testes clínicos é longo e incerto.

Desafios de Patenteamento

Publicar ou patentear? O dilema da pós graduação

Além da escala de produção e dos custos clínicos, o patenteamento impõe dilemas próprios. A universidade possui um centro de pesquisa, anteriormente denominado Agência de Inovação, responsável pelo processo de depósito de patentes. No entanto, o custo do depósito e manutenção da patente é elevado, e a universidade arca apenas com o início do processo, cabendo ao pesquisador o pagamento das taxas subsequentes. Se o pagamento não for realizado, o depósito é perdido.

Há ainda uma tensão estrutural: para patentear um composto, é necessário não o ter publicado previamente, pois a publicação torna o conhecimento de domínio público, inviabilizando a patente. Como a publicação é essencial na pós graduação, muitos pesquisadores optam pela divulgação científica em detrimento do patenteamento. No caso dos polissacarídeos, alguns compostos já foram depositados, aguardando interesse comercial — e se uma empresa quiser comprar uma patente, é possível, desde que o processo de depósito esteja iniciado.

Perspectivas Futuras e Próximas Etapas

Polissacarídeo de Tucum do Cerrado

Um artigo recente do laboratório, originado de um projeto de mestrado, investiga o polissacarídeo extraído do tucum do cerrado, uma fruta de palmeira típica do cerrado brasileiro, no modelo de tumor de Ehrlich. Esse trabalho segue a linha de pesquisa do grupo em polissacarídeos e será analisado em detalhe, com os estudantes divididos em equipes para leitura e discussão. Na sequência, a atividade prática envolverá o cultivo e a avaliação da viabilidade das células tumorais, sob a supervisão de um aluno de mestrado.

Síntese da Pesquisa Oncológica

O processo de pesquisa em oncologia pré clínica envolve um caminho complexo: geração de hipóteses, execução de projetos, aprovação pelo comitê de ética, experimentação animal e celular e publicação dos resultados. Nesse percurso, a persistência é essencial, pois os artigos frequentemente retornam com solicitações de experimentos adicionais. O laboratório busca continuamente identificar alvos terapêuticos e mecanismos de ação de novos compostos, sempre integrando conhecimentos de estresse oxidativo, morte celular, inflamação e angiogênese. Essa abordagem integrada é fundamental para avançar no desenvolvimento de novas terapias antineoplásicas.

Reflexão Sion

A via que a ciência busca

A pesquisa pré clínica mostra que cada composto antineoplásico age por uma via específica — apose, necrose ou inibição da angiogênese — e que a eficácia depende de encontrar a rota certa até o tumor. Assim como um fármaco precisa da via adequada para alcançar seu alvo, nossa vida também carece da via certa para tratar a raiz do nosso mal mais profundo, que nenhuma descoberta humana consegue resolver. Jesus não é apenas uma possibilidade entre muitas — Ele é a via única e eficaz que trata a nossa condição mais grave, oferecendo cura e vida plena onde os recursos humanos se esgotam.

Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.João 14:6

Descubra na Bíblia por que Jesus é a via que nenhum laboratório consegue reproduzir.

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