Sion Academy

Sion Academy

Questões de Cardiologia para ENARE

3 questões comentadas de Cardiologia para revisar ENARE, com resposta, explicação e tópicos de alta incidência.

Questões
3
Matérias
1
Tópicos
3
Provas
1

Tópicos desta amostra

  • Doenças da Aorta
  • Doenças da Valva Aórtica
  • Doenças da Valva Mitral

Questões de Cardiologia para revisar temas frequentes do ENARE com alternativas, resposta comentada e pontos de alta incidência em prova.

Doenças da Aorta

Questão 1: Classificação Anatômica de Dissecção (Stanford e DeBakey)

Um paciente de 61 anos é admitido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com quadro clínico de síndrome aórtica aguda. O exame de imagem de dissecção de aorta revela um acometimento que se inicia na aorta ascendente e apresenta extensão para além do arco aórtico. Diante desse achado anatômico e das diretrizes de classificação, qual é a caracterização correta do quadro?

Ver resposta comentada

Resposta: A. Classificação de Stanford A e DeBakey tipo I, sendo correto utilizar o critério de Stanford para classificar as imagens de dissecção de aorta.

A dissecção é classificada como Stanford A porque envolve a aorta ascendente (para fins de prova, qualquer envolvimento da aorta ascendente é classificado como Stanford A). Além disso, classifica se como DeBakey tipo I porque se inicia na aorta ascendente e se estende além do arco aórtico. Por fim, é correto afirmar que as imagens de dissecção de aorta devem ser classificadas utilizando o critério de Stanford.

Alta incidência: Qualquer envolvimento da aorta ascendente define a dissecção como Stanford A, e o início na porção descendente caracteriza o tipo III de DeBakey.

Explicação do tópico: As doenças da aorta representam condições críticas que exigem diagnóstico rápido e manejo hemodinâmico preciso para evitar desfechos fatais. Compreender a correlação entre a apresentação clínica, a avaliação por imagem e as classificações anatômicas é essencial para guiar a estabilização imediata e definir as indicações de intervenção cirúrgica ou acompanhamento clínico. Esse conhecimento diferencia essas emergências de outros quadros dolorosos, garantindo a segurança do paciente.

Análise detalhada: A classificação anatômica das dissecções de aorta é fundamental para a definição e padronização do diagnóstico por imagem. Os dois sistemas amplamente utilizados são as classificações de Stanford e DeBakey: Classificação de Stanford Baseia se estritamente no envolvimento ou não da aorta ascendente: Stanford A: Caracterizada pelo envolvimento da aorta ascendente. Para fins de prova, qualquer envolvimento da aorta ascendente é classificado como Stanford A. Imagens de dissecção de aorta devem ser classificadas utilizando o critério de Stanford. Stanford B: Ocorre quando a dissecção não envolve a aorta ascendente. Classificação de DeBakey Foca na origem anatômica e na extensão da dissecção pela aorta: DeBakey Tipo I: Inicia se na aorta ascendente e estende se além do arco aórtico. DeBakey Tipo III: Inicia se na aorta descendente.

Análise das alternativas

  1. A. Correta: Correta. A dissecção é classificada como Stanford A porque envolve a aorta ascendente (para fins de prova, qualquer envolvimento da aorta ascendente é classificado como Stanford A). Além disso, classifica se como DeBakey tipo I porque se inicia na aorta ascendente e se estende além do arco aórtico. Por fim, é correto afirmar que as imagens de dissecção de aorta devem ser classificadas utilizando o critério de Stanford.
  2. B. Incorreta: Incorreta. Embora a classificação de Stanford A esteja correta (devido ao envolvimento da aorta ascendente), a classificação de DeBakey tipo III está incorreta, pois ela se caracteriza por iniciar se na aorta descendente, enquanto o caso clínico descreve uma dissecção com início na aorta ascendente.
  3. C. Incorreta: Incorreta. Esta alternativa erra em todos os pontos: a classificação de Stanford B está incorreta porque há envolvimento da aorta ascendente; a classificação de DeBakey tipo III está incorreta porque esta se inicia na aorta descendente; e as imagens de dissecção devem, sim, ser classificadas utilizando o critério de Stanford.
  4. D. Incorreta: Incorreta. A classificação de DeBakey tipo III é incorreta porque a dissecção do paciente inicia se na aorta ascendente (a de tipo III se inicia na aorta descendente). Além disso, é incorreto afirmar que não se deve utilizar o critério de Stanford para imagens, pois as imagens de dissecção de aorta devem ser classificadas utilizando esse critério.
  5. E. Incorreta: Incorreta. A classificação de Stanford B ocorre apenas quando a dissecção não envolve a aorta ascendente, o que contradiz o caso clínico apresentado, no qual a dissecção se inicia nessa porção. Além disso, as imagens de dissecção de aorta devem ser classificadas utilizando o critério de Stanford.
Doenças da Valva Aórtica

Questão 2: Critérios de Gravidade e Parâmetros de Estenose Aórtica

Um paciente de 72 anos é submetido a uma avaliação por apresentar queixas de dor torácica aos esforços. Durante a investigação, realiza uma avaliação ecocardiográfica que revela os seguintes achados na valva aórtica: velocidade máxima (Vmax) de 4,2 m/s, gradiente médio de 45 mmHg, área valvar de 0,8 cm² e área valvar indexada de 0,5 cm²/m². Considerando os achados descritos e os limiares de gravidade estabelecidos pelas diretrizes, qual é a classificação correta da gravidade da estenose aórtica deste paciente e quais os parâmetros que definem essa condição?

Ver resposta comentada

Resposta: C. Estenose aórtica grave clássica de alto gradiente, cujos critérios de definição incluem velocidade máxima maior ou igual a 4,0 m/s, gradiente médio maior ou igual a 40 mmHg e área valvar menor ou igual a 1,0 cm².

O paciente apresenta estenose aórtica grave clássica de alto gradiente. Os critérios estabelecidos para essa classificação são velocidade máxima maior ou igual a 4,0 m/s, gradiente médio maior ou igual a 40 mmHg e área valvar menor ou igual a 1,0 cm². Como o paciente apresenta velocidade máxima de 4,2 m/s, gradiente médio de 45 mmHg e área valvar de 0,8 cm², ele preenche perfeitamente todos os critérios definidores.

Alta incidência: A estenose aórtica grave clássica é definida por velocidade máxima maior ou igual a 4,0 m/s, gradiente médio maior ou igual a 40 mmHg, área valvar menor ou igual a 1,0 cm² ou área indexada menor ou igual a 0,6 cm²/m².

Explicação do tópico: As doenças da valva aórtica, abrangendo a estenose e a insuficiência, exigem a identificação de suas etiologias, manifestações clínicas e parâmetros de gravidade. Compreender a transição de pacientes assintomáticos para o desenvolvimento de sintomas ou disfunção ventricular é crucial para determinar o momento exato da intervenção intervencionista ou cirúrgica, além de guiar o manejo hemodinâmico seguro em apresentações agudas e crônicas.

Análise detalhada: A avaliação da gravidade da estenose aórtica baseia se em parâmetros ecocardiográficos específicos que quantificam o grau de obstrução ao fluxo de saída do ventrículo esquerdo. A definição clássica de estenose aórtica grave é estabelecida quando estão presentes simultaneamente: velocidade máxima (Vmax) maior ou igual a 4,0 m/s, gradiente médio maior ou igual a 40 mmHg e área valvar menor ou igual a 1,0 cm². Adicionalmente, a área valvar indexada pela superfície corporal menor ou igual a 0,6 cm²/m² também é utilizada para definir a gravidade do quadro. O reconhecimento preciso desses limites quantitativos é fundamental para diferenciar a estenose grave de alto gradiente de apresentações moderadas ou leves, permitindo a indicação correta de intervenções valvares.

Análise das alternativas

  1. A. Incorreta: Incorreta. Uma área valvar indexada menor ou igual a 0,6 cm²/m² define estenose aórtica grave. O paciente apresenta 0,5 cm²/m², o que se enquadra na faixa de gravidade, invalidando a alternativa que sugere estenose moderada com base em um limite incorreto de 0,4 cm²/m².
  2. B. Incorreta: Incorreta. A área valvar que define a gravidade clássica da estenose aórtica é menor ou igual a 1,0 cm², e não 0,75 cm². Com uma área valvar de 0,8 cm², o paciente apresenta, na verdade, uma estenose grave.
  3. C. Correta: Correta. O paciente apresenta estenose aórtica grave clássica de alto gradiente. Os critérios estabelecidos para essa classificação são velocidade máxima maior ou igual a 4,0 m/s, gradiente médio maior ou igual a 40 mmHg e área valvar menor ou igual a 1,0 cm². Como o paciente apresenta velocidade máxima de 4,2 m/s, gradiente médio de 45 mmHg e área valvar de 0,8 cm², ele preenche perfeitamente todos os critérios definidores.
  4. D. Incorreta: Incorreta. A velocidade máxima necessária para caracterizar a estenose aórtica grave clássica e de alto gradiente é maior ou igual a 4,0 m/s, e não 4,5 m/s. Como o paciente apresenta velocidade máxima de 4,2 m/s, ele já preenche esse critério de gravidade.
  5. E. Incorreta: Incorreta. O gradiente médio que define a estenose aórtica grave clássica é maior ou igual a 40 mmHg, caracterizando o alto gradiente. O paciente apresenta gradiente médio de 45 mmHg, o que preenche o critério clássico de alto gradiente.
Doenças da Valva Mitral

Questão 3: Escore de Wilkins Block: Critérios e Seleção de Pacientes

Durante a avaliação ecocardiográfica de uma paciente com estenose mitral reumática, o escore de Wilkins Block é utilizado para auxiliar na seleção de candidatos à valvotomia mitral percutânea por balão. Com base nas diretrizes de avaliação anatômica e nos critérios estabelecidos por esse escore, qual das seguintes afirmações descreve corretamente a conduta ou a interpretação do exame?

Ver resposta comentada

Resposta: C. A presença de uma comissura muito calcificada pode contraindicar a valvotomia mitral por balão, mesmo que a soma do escore de Wilkins Block pareça razoável.

A calcificação comissural significativa é um fator anatômico de extrema relevância que pode contraindicar o procedimento percutâneo por balão, mesmo se o escore global de Wilkins Block sugerir uma anatomia aceitável.

Alta incidência: Um escore de Wilkins Block de até 8 sugere anatomia favorável para valvotomia por balão, mas uma comissura muito calcificada pode contraindicar o procedimento independentemente da pontuação total.

Explicação do tópico: O estudo das doenças da valva mitral exige compreender a diferenciação entre estenose e insuficiência, avaliando suas etiologias primárias ou secundárias. A semiologia clássica e a ecocardiografia definem a gravidade e guiam as decisões terapêuticas. Compreender quando indicar o manejo clínico otimizado, intervenções percutâneas ou cirúrgicas, com base em critérios anatômicos e funcionais, é fundamental para a condução desses pacientes.

Análise detalhada: O Escore de Wilkins Block é uma ferramenta de avaliação ecocardiográfica indispensável para a seleção de pacientes com estenose mitral para a valvotomia mitral percutânea por balão. O escore avalia quatro domínios anatômicos específicos da valva mitral: a mobilidade dos folhetos, o espessamento dos folhetos, o grau de calcificação e o acometimento do aparelho subvalvar. Cada parâmetro é pontuado de 1 a 4, gerando um total que varia de 4 a 16 pontos. Um escore menor ou igual a 8 sugere uma anatomia favorável com alta chance de sucesso no procedimento. Pontuações superiores a 11 indicam menor chance de ganho de área valvar e risco aumentado de insuficiência mitral pós procedimento. Além da pontuação geral, a análise de contraindicações anatômicas específicas, como a presença de uma comissura muito calcificada, é mandatória, pois pode contraindicar o procedimento por balão mesmo em pacientes com escores totais aceitáveis.

Análise das alternativas

  1. A. Incorreta: Incorreta. O escore de Wilkins Block avalia especificamente quatro domínios ecocardiográficos bem definidos: mobilidade dos folhetos, espessamento dos folhetos, calcificação e acometimento subvalvar.
  2. B. Incorreta: Incorreta. Um escore de Wilkins Block maior que 11 indica o oposto: menor chance de ganho de área valvar e um risco aumentado de desenvolvimento de insuficiência mitral após o procedimento.
  3. C. Correta: Correta. A calcificação comissural significativa é um fator anatômico de extrema relevância que pode contraindicar o procedimento percutâneo por balão, mesmo se o escore global de Wilkins Block sugerir uma anatomia aceitável.
  4. D. Incorreta: Incorreta. Na prática de prova, considera se que um escore de Wilkins Block menor ou igual a 8 (ou de até 8) é o que sugere uma anatomia verdadeiramente favorável para a realização da valvotomia mitral percutânea.
  5. E. Incorreta: Incorreta. Embora um escore de até 8 sugira uma anatomia favorável, valores acima disso não são contraindicações absolutas imediatas automáticas; a redução acentuada do sucesso ocorre de forma mais evidente com escore maior que 11, e a presença de comissura muito calcificada é um fator limitante que se sobrepõe ao escore global.

Estude a aula relacionada

Use esta amostra para revisar o raciocínio de prova e continue pela trilha pública de aulas da mesma matéria.

Ver aulas de Cardiologia

Pratique no app gratuito

As amostras acima são públicas. No app, você pode resolver sessões completas, acompanhar desempenho e revisar pontos fracos.

Abrir QBank gratuito