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Questões de Infectologia para ENARE

3 questões comentadas de Infectologia para revisar ENARE, com resposta, explicação e tópicos de alta incidência.

Questões
3
Matérias
1
Tópicos
3
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1

Tópicos desta amostra

  • Aracnídeos
  • Hanseníase
  • Infecção pelo HIV

Questões de Infectologia para revisar temas frequentes do ENARE com alternativas, resposta comentada e pontos de alta incidência em prova.

Aracnídeos

Questão 1: Loxoscelismo Cutâneo: Placa Marmórea e Evolução Tardia

Homem de 34 anos procura a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com queixa de uma mancha na coxa esquerda. Relata que, há cerca de 48 horas, vestiu uma calça que estava guardada no armário há vários meses. Afirma não ter sentido dor, ardência ou qualquer incômodo no momento em que vestiu a peça, percebendo a lesão cutânea apenas de forma tardia. Ao exame físico, observa se na coxa esquerda uma lesão caracterizada por uma área pálida e livedoide mesclada com regiões violáceas e equimóticas. Não há registro de febre ou urina escura até o momento. Qual é o diagnóstico mais provável e a característica evolutiva compatível com essa condição?

Ver resposta comentada

Resposta: B. Loxoscelismo; a picada costuma ser pouco dolorosa ou imperceptível no início, com a lesão amadurecendo progressivamente ao longo de horas a dias.

O quadro descrito ilustra o perfil clássico do acidente por aranha marrom (loxoscelismo). O paciente apresenta a epidemiologia típica (vestir roupa guardada), a história de uma picada indolor ou quase imperceptível e a procura médica após percepção tardia da alteração na pele. O exame físico revela a lesão característica da doença, conhecida como placa marmórea (área pálida ou livedoide com regiões violáceas e equimóticas). A dinâmica do quadro é progressiva, com a lesão cutânea amadurecendo ao longo de horas a dias.

Alta incidência: A placa marmórea de evolução tardia (horas a dias) associada a uma picada inicialmente imperceptível, frequentemente após vestir roupas guardadas, é o principal discriminador diagnóstico do loxoscelismo.

Explicação do tópico: O estudo dos acidentes por aracnídeos exige reconhecer padrões clínicos distintos, que variam de lesões teciduais de evolução lenta e complicações sistêmicas até quadros imediatos de intensa tempestade neuroautonômica. A gravidade possui base clínica e é diretamente influenciada pela massa corporal do paciente. O manejo foca em suporte adequado, exclusão de intervenções locais lesivas e na indicação criteriosa de soroterapia hospitalar direcionada às apresentações mais graves.

Análise detalhada: O loxoscelismo (acidente por aranha marrom) apresenta características clínicas e epidemiológicas fundamentais que o diferenciam de outros acidentes por animais peçonhentos. Perfil Epidemiológico e Sintomas Iniciais O cenário clássico de prova descreve um paciente que veste uma roupa guardada ou manuseia objetos de depósito. Diferente de outros acidentes aracnídeos, a picada da aranha marrom é tipicamente imperceptível ou pouco dolorosa. Por conta da ausência de dor intensa, o paciente costuma perceber o acidente de forma tardia. Evolução da Lesão Cutânea A principal marca do loxoscelismo é o desenvolvimento e amadurecimento progressivo da lesão cutânea ao longo de horas a dias. O achado característico é a placa marmórea, que consiste em uma área central pálida ou livedoide, mesclada com regiões violáceas e equimóticas. Com o passar do tempo, essa lesão progressiva pode evoluir para a formação de bolhas hemorrágicas e áreas de necrose. Forma Cutâneo Hemolítica Embora a forma cutânea seja a manifestação inicial e mais frequente, é imprescindível monitorar o paciente para sinais sistêmicos. O desenvolvimento de urina escura e icterícia alerta para a ocorrência da forma cutâneo hemolítica, que denota maior gravidade do quadro.

Análise das alternativas

  1. A. Incorreta: Incorreta. A placa marmórea, descrita como uma área pálida e livedoide mesclada com equimoses, é o achado cutâneo característico do loxoscelismo, e não do escorpionismo. Além disso, a progressão no loxoscelismo se dá ao longo de dias, não subitamente.
  2. B. Correta: Correta. O quadro descrito ilustra o perfil clássico do acidente por aranha marrom (loxoscelismo). O paciente apresenta a epidemiologia típica (vestir roupa guardada), a história de uma picada indolor ou quase imperceptível e a procura médica após percepção tardia da alteração na pele. O exame físico revela a lesão característica da doença, conhecida como placa marmórea (área pálida ou livedoide com regiões violáceas e equimóticas). A dinâmica do quadro é progressiva, com a lesão cutânea amadurecendo ao longo de horas a dias.
  3. C. Incorreta: Incorreta. Achados como icterícia e urina escura ocorrem na forma cutâneo hemolítica do loxoscelismo, acompanhando a evolução da lesão de pele progressiva. Tais achados, somados à picada inicial indolor e ao perfil de roupas guardadas, não caracterizam o latrodectismo.
  4. D. Incorreta: Incorreta. O perfil epidemiológico de contato com roupas guardadas, associado a uma picada imperceptível e ao desenvolvimento tardio de uma lesão em placa marmórea, é a marca do loxoscelismo, não do foneutrismo.
  5. E. Incorreta: Incorreta. Embora o diagnóstico de loxoscelismo esteja correto para a lesão descrita, a afirmativa erra na dinâmica evolutiva. A picada da aranha marrom é tipicamente pouco dolorosa ou imperceptível, e a lesão não surge de forma aguda e completa nas primeiras horas, mas amadurece ao longo de horas a dias.
Hanseníase

Questão 2: Sinais Cardinais e Diagnóstico Clínico

Um homem de 35 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde (UBS) com queixa de uma mancha no antebraço esquerdo que surgiu há cerca de 8 meses. Ele relata que, ocasionalmente, encosta o braço em panelas quentes sem perceber o calor no local afetado, mas nega dor, prurido ou descamação. Ao exame físico dermatoneurológico, observa se uma única mácula eritematosa, de aproximadamente 5 cm de diâmetro, no antebraço esquerdo. O teste de sensibilidade revela ausência de percepção térmica e dolorosa sobre a lesão. A palpação dos troncos nervosos periféricos não evidencia dor ou espessamento. Diante da suspeita diagnóstica, a equipe de saúde debate os próximos passos na condução do caso. Qual é a conduta médica mais apropriada neste momento?

Ver resposta comentada

Resposta: B. Iniciar o tratamento específico imediatamente, pois a apresentação clínica é suficiente para estabelecer o diagnóstico definitivo.

O caso ilustra o principal pilar diagnóstico da hanseníase: a presença de mancha cutânea (eritematosa ou hipocrômica) acompanhada de perda de sensibilidade, que segue a ordem de acometimento térmica, dolorosa e tátil. Diante desse achado clínico cardinal, o diagnóstico pode e deve ser fechado imediatamente, sendo dispensável aguardar ou solicitar baciloscopia para iniciar o tratamento. A conduta precoce é essencial para prevenir complicações neurológicas.

Alta incidência: Mancha cutânea hipocrômica ou eritematosa com alteração de sensibilidade é o achado soberano para o diagnóstico de hanseníase; uma baciloscopia negativa não afasta a doença.

Explicação do tópico: A hanseníase é um desafio clínico e epidemiológico essencial nas provas. O estudo deste tema exige compreender a base do seu diagnóstico eminentemente clínico e a classificação operacional que norteia a poliquimioterapia. Para o sucesso nas questões, é fundamental focar também na identificação e manejo das reações imunológicas, nas toxicidades do tratamento, na avaliação das incapacidades neurológicas e nas estratégias preventivas voltadas aos contatos do paciente.

Análise detalhada: O diagnóstico da hanseníase assenta se em bases puramente clínicas, com o exame dermatoneurológico desempenhando o papel central. A doença caracteriza se por uma tríade cardinal frequentemente avaliada em provas: a presença de lesão cutânea (mancha hipocrômica ou eritematosa) acompanhada de alteração de sensibilidade, o acometimento de troncos nervosos periféricos (que pode cursar com espessamento ou dor à palpação) e a premente necessidade de tratamento precoce para evitar as temidas incapacidades físicas. A avaliação da sensibilidade na mancha deve investigar as modalidades térmica, dolorosa e tátil. A perda costuma ocorrer exatamente nessa ordem. Constatada a mancha com qualquer grau de anestesia ou hipoestesia, o diagnóstico clínico está firmado. Um erro recorrente em avaliações médicas é subestimar o diagnóstico puramente clínico e condicionar a conduta a exames complementares, como a baciloscopia de linfa. É crucial lembrar que a baciloscopia negativa não exclui a hanseníase, especialmente nas formas de baixa carga bacilar (paucibacilares), nas quais o sistema imunológico restringe a proliferação do bacilo, mas causa lesão tecidual e neural. Por isso, a regra de ouro em provas é direta: mancha com perda de sensibilidade é tratada como hanseníase até prova em contrário.

Análise das alternativas

  1. A. Incorreta: Incorreta. O diagnóstico da hanseníase é eminentemente clínico e se sustenta no exame dermatoneurológico bem conduzido. Aguardar o laudo histopatológico retarda o tratamento precoce e contraria a premissa de que os achados físicos objetivos apresentados pelo paciente já são conclusivos.
  2. B. Correta: Correta. O caso ilustra o principal pilar diagnóstico da hanseníase: a presença de mancha cutânea (eritematosa ou hipocrômica) acompanhada de perda de sensibilidade, que segue a ordem de acometimento térmica, dolorosa e tátil. Diante desse achado clínico cardinal, o diagnóstico pode e deve ser fechado imediatamente, sendo dispensável aguardar ou solicitar baciloscopia para iniciar o tratamento. A conduta precoce é essencial para prevenir complicações neurológicas.
  3. C. Incorreta: Incorreta. O uso de corticoide tópico atrasa o diagnóstico correto e o tratamento oportuno. No contexto de provas de residência e da prática clínica em atenção primária, uma mancha com perda de sensibilidade é considerada hanseníase até que se prove o contrário, não devendo ser manejada empiricamente como uma dermatite inespecífica.
  4. D. Incorreta: Incorreta. Embora o acometimento de nervos periféricos seja um dos pilares da tríade diagnóstica prática da doença, a sua ausência ao exame físico inicial não invalida o diagnóstico. A alteração de sensibilidade circunscrita à lesão cutânea já reflete o dano neural em terminações finas, sendo suficiente para firmar o diagnóstico clínico.
  5. E. Incorreta: Incorreta. Condicionar o início da terapia ao resultado da baciloscopia é um erro clínico comum. A baciloscopia negativa não exclui o diagnóstico de hanseníase, especialmente nas formas paucibacilares, que tendem a apresentar poucos bacilos e são frequentemente diagnosticadas apenas pelos achados clínicos.
Infecção pelo HIV

Questão 3: Síndrome Retroviral Aguda: Manifestações e Diagnóstico Diferencial

Um homem de 25 anos comparece à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com queixa de mal estar geral, febre e dor de garganta intensa há cerca de 5 dias. O exame físico revela temperatura de 38,6 °C, faringite acentuada, linfadenopatia cervical palpável e dolorosa, além de exantema maculopapular distribuído pelo tronco. Nota se também a presença de ulcerações dolorosas localizadas na mucosa oral e na base do pênis. Durante a anamnese, o paciente relata uma exposição sexual desprotegida com uma nova parceria há aproximadamente três semanas. Com base nas características clínicas, qual é o diagnóstico mais provável para o quadro apresentado?

Ver resposta comentada

Resposta: C. Síndrome retroviral aguda

O quadro descrito é a apresentação clássica da síndrome retroviral aguda (infecção aguda pelo HIV). O raciocínio clínico exige reconhecer inicialmente a síndrome mononucleose like (febre, faringite e linfadenopatia). O dado decisivo para diferenciar esta condição de outras causas de mononucleose é a presença simultânea de exantema, ulcerações mucocutâneas (orais e genitais) e a história de exposição sexual recente, o que aponta diretamente para o HIV agudo no diagnóstico diferencial.

Alta incidência: A presença de síndrome mononucleose like com febre e faringite, quando acompanhada de exantema, úlceras mucocutâneas (orais/genitais) e exposição sexual recente, sela o diagnóstico clínico da síndrome retroviral aguda.

Explicação do tópico: O manejo da infecção pelo HIV exige uma abordagem dinâmica, englobando desde o reconhecimento da fase aguda e o diagnóstico ágil na porta de entrada até o início rápido da terapia antirretroviral. A seguir, exploraremos como os protocolos equilibram essa urgência com exceções neurológicas, ajustes terapêuticos perante interações ou falhas virológicas, e a aplicação estratégica das profilaxias pré e pós exposição para a prevenção da transmissão.

Análise detalhada: A síndrome retroviral aguda (SRA) ocorre semanas após a exposição inicial ao HIV, correspondendo a um período de altíssima viremia e grande transmissibilidade. Mecanismo e Quadro Clínico: A doença se manifesta como uma intensa resposta imunológica à replicação viral maciça, levando a um quadro classicamente descrito como mononucleose like. Os sintomas cardinais incluem febre alta, faringite e linfadenopatia. Achados Discriminatórios: Em provas e na prática clínica, o grande diferencial da SRA para outras síndromes mononucleares (como as causadas pelo EBV ou CMV) é a presença concomitante de exantema e de ulcerações mucocutâneas. Estas úlceras podem ser encontradas nas regiões oral, genital ou anal. A história de exposição sexual recente é a peça final que deve imediatamente levantar a suspeita de infecção primária pelo HIV. Armadilhas Diagnósticas: É comum o candidato atribuir quadros de faringite e adenopatia exclusivamente à mononucleose infecciosa. No entanto, sempre que houver úlceras genitais/orais ou risco sexual explícito, o HIV agudo deve ser a hipótese principal. Além disso, por ocorrer na janela imunológica, os testes rápidos para anticorpos podem ser falsamente não reagentes, sendo a detecção direta do vírus (Carga Viral) frequentemente necessária para o diagnóstico definitivo nesta fase.

Análise das alternativas

  1. A. Incorreta: Incorreta. A sífilis secundária cursa com exantema e linfadenopatia generalizada, podendo apresentar lesões mucosas. No entanto, o paciente apresenta uma síndrome febril aguda com faringite intensa (mononucleose like) e úlceras genitais (mais compatíveis com o cancro duro da fase primária), sendo a síndrome retroviral aguda a entidade que engloba perfeitamente todo o cortejo clínico.
  2. B. Incorreta: Incorreta. A faringite estreptocócica justifica a febre, a dor de garganta e a adenopatia cervical. No entanto, não cursa com ulcerações em mucosa genital, nem é precedida por contexto de risco sexual, o que afasta este diagnóstico como a causa principal das múltiplas queixas.
  3. C. Correta: Correta. O quadro descrito é a apresentação clássica da síndrome retroviral aguda (infecção aguda pelo HIV). O raciocínio clínico exige reconhecer inicialmente a síndrome mononucleose like (febre, faringite e linfadenopatia). O dado decisivo para diferenciar esta condição de outras causas de mononucleose é a presença simultânea de exantema, ulcerações mucocutâneas (orais e genitais) e a história de exposição sexual recente, o que aponta diretamente para o HIV agudo no diagnóstico diferencial.
  4. D. Incorreta: Incorreta. O herpes simplex primário pode causar ulcerações orais ou genitais dolorosas e febre. Contudo, não explica o quadro completo de síndrome mononucleose like (com faringite e linfadenopatia cervical difusa) associado a um exantema disseminado pelo tronco.
  5. E. Incorreta: Incorreta. Embora a mononucleose infecciosa (vírus Epstein Barr) seja a causa mais clássica de faringite, febre e adenopatia, ela tipicamente não se manifesta com ulcerações mucocutâneas genitais associadas à exposição sexual recente, tornando o HIV agudo a melhor hipótese para o caso.

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