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Questões de Psiquiatria para ENARE
3 questões comentadas de Psiquiatria para revisar ENARE, com resposta, explicação e tópicos de alta incidência.
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Tópicos desta amostra
- Transtornos do Humor
Questões de Psiquiatria para revisar temas frequentes do ENARE com alternativas, resposta comentada e pontos de alta incidência em prova.
Questão 1: Pistas Clínicas no Diagnóstico Diferencial de Depressão Unipolar e Bipolar
Uma paciente de 29 anos é atendida em consulta ambulatorial em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) com queixa de desânimo, tristeza e perda de interesse pelas atividades diárias há 6 semanas. Durante a anamnese, ela relata que tem dormido cerca de 12 horas por dia (hipersonia) e apresentando um aumento expressivo de apetite (hiperfagia). Refere que seu primeiro episódio depressivo ocorreu logo após o nascimento de seu filho (depressão pós parto) e menciona que seu pai possui diagnóstico de transtorno bipolar. Considerando as pistas clínicas descritas no caso e o diagnóstico diferencial entre depressão unipolar e depressão bipolar, qual das seguintes características adicionais, se presente, favoreceria ainda mais a hipótese de depressão bipolar nessa paciente?
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Resposta: B. O surgimento de episódios de agitação, irritabilidade e pensamentos acelerados durante o quadro depressivo.
A agitação, a irritabilidade e os pensamentos acelerados são manifestações clínicas indicativas de depressão bipolar. No contexto da paciente — que já apresenta outras pistas clínicas de bipolaridade como início no pós parto, sintomas atípicos (hipersonia e hiperfagia) e histórico familiar de bipolaridade —, a presença desses sintomas adicionais reforça significativamente a hipótese de depressão bipolar em detrimento da depressão unipolar.
Alta incidência: Sintomas de hipersonia, hiperfagia, agitação, irritabilidade, pensamentos acelerados, depressão pós parto, história familiar de bipolaridade ou virada maníaca com antidepressivos favorecem a depressão bipolar, enquanto a resposta prévia estável a antidepressivos favorece a depressão unipolar.
Explicação do tópico: O manejo dos transtornos do humor exige precisão no diagnóstico diferencial entre quadros unipolares e bipolares, além de rigor na avaliação de cronicidade e riscos agudos. Compreender a transição entre episódios, os limites terapêuticos de antidepressivos e estabilizadores, e o rastreamento ativo de emergências psiquiátricas é fundamental para guiar decisões farmacológicas seguras e intervenções estruturadas, preparando você para reconhecer essas nuances em cenários clínicos complexos.
Análise detalhada: A diferenciação clínica entre a depressão unipolar e a depressão bipolar é fundamental para evitar tratamentos inadequados e iatrogenias. Os seguintes elementos servem como pistas diagnósticas essenciais: Pistas Sintomáticas: Sintomas como hipersonia, hiperfagia, agitação, irritabilidade e pensamentos acelerados são indicativos que favorecem o diagnóstico de depressão bipolar. Histórico Clínico e Pessoal: A ocorrência de depressão pós parto é um fator clínico que corrobora a suspeita de depressão bipolar. Histórico Familiar: A presença de história familiar de bipolaridade é um importante fator de predisposição que favorece a hipótese de depressão bipolar. Resposta Farmacológica: A resposta ao tratamento farmacológico prévio é um divisor importante. O uso de antidepressivo que causa virada maníaca favorece o diagnóstico de depressão bipolar, ao passo que a resposta prévia estável a antidepressivos favorece o diagnóstico de depressão unipolar.
Análise das alternativas
- A. Incorreta: Incorreta. Tanto a ocorrência de depressão pós parto quanto a presença de história familiar de bipolaridade são fatores que favorecem o diagnóstico de depressão bipolar. A ausência de ambos os elementos tornaria o diagnóstico de depressão bipolar menos provável.
- B. Correta: Correta. A agitação, a irritabilidade e os pensamentos acelerados são manifestações clínicas indicativas de depressão bipolar. No contexto da paciente — que já apresenta outras pistas clínicas de bipolaridade como início no pós parto, sintomas atípicos (hipersonia e hiperfagia) e histórico familiar de bipolaridade —, a presença desses sintomas adicionais reforça significativamente a hipótese de depressão bipolar em detrimento da depressão unipolar.
- C. Incorreta: Incorreta. A resposta prévia estável ao uso de antidepressivos é um fator clínico que favorece o diagnóstico de depressão unipolar, e não de depressão bipolar. Pacientes bipolares tendem a apresentar instabilidade ou virada maníaca com o uso dessas medicações.
- D. Incorreta: Incorreta. O uso de antidepressivo que causa virada maníaca é o fator que favorece o diagnóstico de depressão bipolar. A resposta estável com melhora sustentada e sem virada maníaca aponta clinicamente para o diagnóstico de depressão unipolar.
- E. Incorreta: Incorreta. A hipersonia e a hiperfagia são sintomas que favorecem o diagnóstico de depressão bipolar. Portanto, a ausência de tais manifestações diminuiria a probabilidade clínica de bipolaridade em comparação com a apresentação atual da paciente.
Questão 2: Riscos e Contraindicação do Uso de Antidepressivos em Monoterapia no Transtorno Bipolar
Uma paciente de 28 anos, acompanhada por familiares, é atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) apresentando humor deprimido, apatia e perda de energia de início há quatro semanas. Durante a avaliação, colhe se uma história clínica detalhada que revela uma forte suspeita de transtorno bipolar subjacente. Diante dessa suspeita clínica, qual é a conduta farmacológica mais adequada?
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Resposta: C. Prescrever estabilizadores de humor ou antipsicóticos, evitando o uso isolado de antidepressivos.
Na abordagem do transtorno bipolar (incluindo o tipo I), a conduta indicada envolve o uso de estabilizadores de humor ou antipsicóticos, sendo fundamental evitar o uso isolado de antidepressivos, que é contraindicado tanto na depressão bipolar quanto na suspeita clínica da doença.
Alta incidência: O uso isolado de antidepressivos no transtorno bipolar é um erro clássico de prova; a conduta correta requer estabilizadores de humor ou antipsicóticos.
Explicação do tópico: O manejo dos transtornos do humor exige precisão no diagnóstico diferencial entre quadros unipolares e bipolares, além de rigor na avaliação de cronicidade e riscos agudos. Compreender a transição entre episódios, os limites terapêuticos de antidepressivos e estabilizadores, e o rastreamento ativo de emergências psiquiátricas é fundamental para guiar decisões farmacológicas seguras e intervenções estruturadas, preparando você para reconhecer essas nuances em cenários clínicos complexos.
Análise detalhada: Abordagem Diagnóstica e Terapêutica Tratar todos os episódios depressivos como depressão unipolar é uma pegadinha diagnóstica frequente em exames. Diante de qualquer paciente com sintomas depressivos, é obrigatória a investigação de um possível histórico de oscilações patológicas do humor, buscando afastar a suspeita de transtorno bipolar. Riscos da Monoterapia com Antidepressivos Deve se evitar o uso de antidepressivos em monoterapia quando houver qualquer suspeita de transtorno bipolar. O uso isolado de antidepressivos no tratamento do transtorno bipolar é considerado um erro clássico em provas de residência médica, pois pode desencadear episódios de virada maníaca ou instabilidade grave do humor. Portanto, os antidepressivos não devem ser utilizados isoladamente no tratamento da depressão bipolar. Manejo Farmacológico Correto A conduta terapêutica recomendada para pacientes com transtorno bipolar (como o tipo I) envolve a prescrição de estabilizadores de humor ou antipsicóticos. O uso isolado de antidepressivos deve ser expressamente evitado em todas as etapas de manejo desse grupo de pacientes.
Análise das alternativas
- A. Incorreta: Incorreta. O uso isolado de antidepressivos no tratamento do transtorno bipolar é considerado um erro clássico em provas de residência médica, independentemente de estarem associados entre si ou em monoterapia.
- B. Incorreta: Incorreta. Tratar todos os episódios depressivos como depressão unipolar é uma pegadinha diagnóstica comum em provas. Quando há suspeita de transtorno bipolar, a monoterapia com antidepressivos deve ser rigorosamente evitada.
- C. Correta: Correta. Na abordagem do transtorno bipolar (incluindo o tipo I), a conduta indicada envolve o uso de estabilizadores de humor ou antipsicóticos, sendo fundamental evitar o uso isolado de antidepressivos, que é contraindicado tanto na depressão bipolar quanto na suspeita clínica da doença.
- D. Incorreta: Incorreta. O uso isolado de antidepressivos é contraindicado de forma absoluta na depressão bipolar ou sob suspeita de transtorno bipolar, independentemente da dosagem utilizada.
- E. Incorreta: Incorreta. Antidepressivos não devem ser utilizados isoladamente no tratamento da depressão bipolar. Aguardar a ocorrência de uma virada maníaca para intervir é uma conduta inadequada e perigosa.
Questão 3: Diferenciação Clínica entre Episódio de Mania e Hipomania
Um homem de 32 anos é trazido para consulta por sua esposa, que relata uma mudança expressiva em seu comportamento nos últimos 5 dias. O paciente apresenta se com aumento notável de energia, diminuição da necessidade de sono e planejamento de múltiplos projetos de forma concomitante. A esposa destaca que não se trata de uma mera melhora de humor ou felicidade, mas sim de uma alteração complexas de sua energia e de seu funcionamento habitual. Apesar dessas alterações, o paciente mantém suas atividades diárias, não apresenta sintomas psicóticos, não demonstra prejuízo funcional grave e não necessitou de internação hospitalar. Considerando os critérios de diferenciação clínica entre os episódios de ativação do humor, qual é a caracterização correta do quadro apresentado pelo paciente?
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Resposta: B. Episódio de hipomania, pois o quadro dura pelo menos quatro dias, apresenta alteração complexa de energia e funcionamento, e ocorre sem psicose, prejuízo funcional grave ou necessidade de hospitalização, sendo a diferenciação em relação à mania baseada na gravidade e não apenas na duração.
O paciente apresenta um quadro compatível com hipomania. A hipomania dura pelo menos quatro dias e consiste em uma alteração complexa de energia e funcionamento, não sendo apenas uma melhora de humor ou felicidade. A diferenciação clínica fundamental entre a hipomania e a mania reside na gravidade (e não apenas na duração): a hipomania ocorre sem psicose, sem prejuízo funcional grave e sem necessidade de internação, enquanto a mania é caracterizada pela presença de psicose, hospitalização ou prejuízo funcional marcante.
Alta incidência: A distinção entre mania e hipomania baseia se na gravidade e não apenas na duração: a presença de psicose, hospitalização ou prejuízo funcional marcante define a mania, enquanto a hipomania dura pelo menos quatro dias sem esses critérios de gravidade.
Explicação do tópico: O manejo dos transtornos do humor exige precisão no diagnóstico diferencial entre quadros unipolares e bipolares, além de rigor na avaliação de cronicidade e riscos agudos. Compreender a transição entre episódios, os limites terapêuticos de antidepressivos e estabilizadores, e o rastreamento ativo de emergências psiquiátricas é fundamental para guiar decisões farmacológicas seguras e intervenções estruturadas, preparando você para reconhecer essas nuances em cenários clínicos complexos.
Análise detalhada: A diferenciação clínica entre os episódios de mania e hipomania é um ponto crucial na avaliação dos transtornos do humor e baseia se fundamentalmente na gravidade do quadro, e não apenas no tempo de duração dos sintomas.\n\nCritérios da Hipomania\nA hipomania não deve ser confundida com um simples estado de felicidade ou melhora do humor. Ela se caracteriza por uma alteração complexa de energia e de funcionamento do indivíduo. Para o diagnóstico de um episódio hipomaníaco, os sintomas semelhantes aos da mania devem ter uma duração mínima de pelo menos quatro dias. Além disso, a hipomania ocorre obrigatoriamente sem a presença de sintomas psicóticos e sem causar prejuízo funcional grave ou a necessidade de hospitalização.\n\nCritérios da Mania\nO episódio de mania possui uma duração mínima de pelo menos uma semana. A única exceção a essa regra de tempo ocorre quando o paciente necessita de hospitalização, situação na qual o episódio de mania pode ter qualquer duração. A mania é classificada como grave quando há presença de sintomas psicóticos, necessidade de hospitalização ou quando acarreta um prejuízo funcional marcante no cotidiano do indivíduo.\n\nPontos de Diferenciação Prática\n Gravidade: É o divisor de águas mais importante. A presença de psicose, hospitalização ou prejuízo funcional marcante define a gravidade da mania, enquanto sua ausência aponta para a hipomania.\n Duração: A hipomania requer pelo menos quatro dias de sintomas. A mania requer pelo menos uma semana (exceto se houver hospitalização).
Análise das alternativas
- A. Incorreta: Incorreta. Para ser classificado como episódio de mania, o quadro deve durar pelo menos uma semana (exceto em casos de hospitalização, onde pode ter qualquer duração) e apresentar gravidade caracterizada por prejuízo funcional marcante, psicose ou hospitalização. O paciente apresenta sintomas há 5 dias com funcionamento preservado e sem psicose, o que afasta a mania.
- B. Correta: Correta. O paciente apresenta um quadro compatível com hipomania. A hipomania dura pelo menos quatro dias e consiste em uma alteração complexa de energia e funcionamento, não sendo apenas uma melhora de humor ou felicidade. A diferenciação clínica fundamental entre a hipomania e a mania reside na gravidade (e não apenas na duração): a hipomania ocorre sem psicose, sem prejuízo funcional grave e sem necessidade de internação, enquanto a mania é caracterizada pela presença de psicose, hospitalização ou prejuízo funcional marcante.
- C. Incorreta: Incorreta. A mania é classificada como grave apenas na presença de psicose, hospitalização ou prejuízo funcional marcante. Além disso, um episódio de mania dura pelo menos uma semana, a menos que ocorra hospitalização (caso em que pode ter qualquer duração). No caso apresentado, o paciente não possui esses critérios de gravidade nem de duração mínima para mania.
- D. Incorreta: Incorreta. A hipomania não é definida meramente como uma melhora do humor ou felicidade. Ela constitui uma alteração complexa de energia e do funcionamento habitual do paciente.
- E. Incorreta: Incorreta. A diferenciação entre hipomania e mania baseia se principalmente na gravidade do quadro (presença de psicose, hospitalização ou prejuízo funcional grave), e não apenas na duração dos sintomas.
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