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Lei nº 5.517/1968: Exercício da Medicina Veterinária e Sistema de Fiscalização
O conselho de classe não é um conselho de alunos. Por isso, é ilegal usar recursos do Conselho Regional para financiar uma semana acadêmica organizada por centro acadêmico estudantil. O conselho pode apoiar investimentos e capacitação de médicos veterinários, mas não at
Topicos da aula
- Lei 5.517 II
Overview
Panorama da lei e fiscalização
A aula parte da função central da Lei nº 5.517/1968: regulamentar o exercício da medicina veterinária no Brasil, delimitar áreas privativas e estruturar a fiscalização profissional. O exercício legal exige diploma reconhecido pelo MEC e registro no conselho de classe. A partir desse quadro, distinguem se atividades exclusivas, atribuições compartilhadas e situações de sombreamento com outras profissões, sempre considerando a responsabilidade técnica e as possíveis controvérsias de interpretação. Também serão apresentados o papel hierárquico do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais, sua natureza autárquica, as regras de registro, eleições, mandatos e o percurso de processos e recursos até a justiça comum.
Finalidade e áreas privativas
Finalidade regulatória da lei
A Lei Federal nº 5.517, promulgada em 1968, regulamenta o exercício da profissão de médico veterinário no Brasil. Seu conteúdo fundamental é caracterizar as áreas privativas do médico veterinário, discriminar e regulamentar a profissão e constituir o sistema de fiscalização de seu exercício.
Por isso, seu escopo principal é caracterizar e delimitar as áreas de atuação privativas do médico veterinário.
Requisitos para exercer legalmente
O sistema de fiscalização da Medicina Veterinária é constituído pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, sediado em Brasília, e pelos Conselhos Regionais de Medicina Veterinária, sediados nos estados brasileiros. A fiscalização do exercício da Medicina Veterinária é exercida por esse sistema.
Para exercer legalmente a profissão, o profissional deve possuir diploma emitido por instituição de ensino superior reconhecida pelo MEC e registro junto ao conselho de classe. Após cumprir esses requisitos, pode exercer a profissão em todas as suas especialidades.
Controvérsias sobre áreas privativas
A definição das áreas privativas pode gerar controvérsias, especialmente porque a prática clínica não está discriminada em todos os seus detalhes. Em processos jurídicos, cada parte pode apresentar uma interpretação favorável aos próprios interesses.
Esses processos podem tramitar no conselho de classe, como processos ético profissionais, ou na justiça comum. Assim, podem coexistir as interpretações da acusação, da defesa e do juiz, além da reconstrução dos fatos efetivamente ocorridos, sem que todas necessariamente coincidam.
Competências privativas do médico veterinário
Peritagem veterinária em animais
Integra a competência privativa do médico veterinário a peritagem sobre animais, incluindo a identificação de defeitos e vícios redibitórios, além de outras condições relevantes. Essa atividade relaciona se especialmente aos seguros: quando um animal é segurado, a empresa seguradora pode solicitar a atuação de um perito médico veterinário.
Na fase de contratação ou entrada do seguro animal, outros profissionais, além do médico veterinário, podem participar da avaliação. Se houver questionamento entre direitos, podem ser designados peritos de lados distintos, cabendo ao juiz interpretar os respectivos pareceres. Nos processos judiciais que envolvem animais, a atuação pericial é privativa e exclusiva do médico veterinário.
Perícias contra fraude e doping
Também são abrangidas as perícias e os exames de pesquisa destinados à revelação de fraude. Na área esportiva, como no caso de cavalos de corrida, cabe ao médico veterinário avaliar a ocorrência de doping.
A realização de perícias e exames para detecção e controle de dopagem em animais atletas, no âmbito esportivo, é atribuição privativa do médico veterinário. O profissional que atua em uma entidade hípica pode coletar sangue, urina ou outros materiais biológicos do cavalo atleta para verificar o uso de produtos ou substâncias ilícitas.
Responsabilidade técnica nos exames
A amostra coletada pode ser encaminhada a laboratório cujo responsável pela execução técnica não seja médico veterinário. Entretanto, a avaliação relacionada ao animal permanece sob responsabilidade técnica de médico veterinário. A exclusividade refere se à responsabilidade pela avaliação veterinária, ainda que determinadas etapas materiais do exame sejam realizadas por outros profissionais.
Nas amostras de controle de dopagem animal, a responsabilidade técnica pela avaliação e pelos laudos recai sempre sobre médico veterinário, mesmo quando a execução laboratorial envolve outros profissionais.
Direção dos serviços de inseminação
Na inseminação artificial animal, é essencial separar a execução prática da responsabilidade pelo serviço. A execução prática da inseminação pode ser realizada por diferentes pessoas, como peão de fazenda, zootecnista, agrônomo ou veterinário.
O ensino, a direção técnica e o controle dos serviços de inseminação artificial animal constituem atividades privativas de médicos veterinários. Assim, a formação, a direção e o controle devem permanecer sob responsabilidade de médico veterinário, embora essa área produza conflitos com outras profissões de sombreamento.
Regência do ensino veterinário
A regência de cadeiras ou disciplinas especificamente veterinárias deve ser realizada por médico veterinário. A distinção está no conteúdo: disciplinas comuns a diversas profissões, como anatomia geral, podem ser ministradas por veterinário, médico, biólogo ou outro professor habilitado.
Já em anatomia veterinária, o professor responsável deve ser médico veterinário. O descumprimento dessa exigência pode gerar denúncia e anulação do crédito da disciplina, obrigando os alunos a cursá la novamente.
Direção e fiscalização do ensino
A direção e a fiscalização do ensino veterinário, bem como do ensino agrícola médio realizado em estabelecimentos destinados exclusivamente à indústria animal, constituem atribuições do médico veterinário.
A regra depende do foco da escola: uma escola agrícola que ofereça agricultura e pecuária pode ter direção exercida por agrônomo. Entretanto, se for exclusivamente voltada à pecuária, a direção deve ser exercida por médico veterinário.
Responsabilidade técnica em eventos
A organização de congressos, comissões, seminários, jornadas e outros eventos voltados à medicina veterinária deve contar com um responsável técnico. Esses eventos técnico científicos, como jornadas, congressos e seminários, exigem a designação de um responsável técnico. Para formalizar essa atuação, deve ser realizada a Anotação de Responsabilidade Técnica junto ao conselho de classe.
A responsabilidade técnica é uma obrigação legal, deve ser formalizada mediante contrato e envolve cobrança de valores regulamentados para custear o serviço. Além disso, há emissão de documento comprobatório, mediada pelo conselho de classe.
Responsabilidade técnica
Responsabilidade em fábricas animais
Fábricas de ração e alimentos para animais devem possuir obrigatoriamente um médico veterinário como responsável técnico. Já em uma fábrica de medicamentos, também pode haver responsável técnico veterinário, embora determinadas atividades possam ser atribuídas a farmacêutico.
O produto lançado no mercado permanece abrangido pela responsabilidade técnica do profissional identificado. Mesmo que o responsável não esteja fisicamente presente, o produto é comercializado com sua identificação e seu número de registro no conselho.
Manual e responsabilidade contínua
O responsável técnico deve elaborar o manual de boas práticas do estabelecimento e fiscalizar sua aplicação e cumprimento. Portanto, essa fiscalização cabe ao próprio profissional responsável.
A responsabilidade técnica acompanha o produto e permanece atribuída ao profissional durante todo o período correspondente, ainda que ele não esteja presente no estabelecimento no momento da execução. A alegação de que determinado procedimento de envase ou outra etapa ultrapassava a carga horária do profissional não elimina sua responsabilidade. Assim, o responsável técnico responde tecnicamente pelo produto vinte e quatro horas por dia.
Competências não exclusivas
Atribuições compartilhadas entre profissões
As atribuições indicadas na lei como áreas de atuação do médico veterinário não são necessariamente exclusivas. A expressão legal “compete ainda” indica áreas de atuação que não são necessariamente exclusivas, permitindo o sombreamento com outras profissões. Entre as competências compartilhadas estão pesquisa, planejamento, direção técnica, fomento, orientação e execução de trabalhos de produção animal.
Também fazem parte desse conjunto a aplicação de medidas de saúde pública relacionadas a doenças transmissíveis dos animais ao homem, que pode ser realizada tanto por médicos veterinários quanto por médicos, e a avaliação ou peritagem de animais para fins administrativos, de crédito e de seguro.
Registros e produtos não exclusivos
A padronização e a classificação de produtos de origem animal constituem áreas em que o médico veterinário pode atuar, mas não de modo exclusivo. O mesmo vale para a responsabilidade sobre determinadas ações, para os exames de animais para inscrição em sociedades de registro genealógico e para o registro genealógico.
No caso das rações, a responsabilidade técnica sobre rações pode ser assumida por zootecnistas, médicos veterinários e outros profissionais. Nos registros, distinguem se animais PC, puro por cruza, e PO, puro de origem. O animal puro por cruza, sem antecedentes genealógicos registrados, pode iniciar um processo de pedigree, cuja avaliação pode ser realizada por técnico, geralmente não veterinário.
Outras atribuições compartilhadas
Entre as demais atribuições compartilhadas estão os exames periciais, tecnológicos e sanitários de produtos de origem animal, além de pesquisas relacionadas à bromatologia, zootecnia e zoologia. Essas atividades integram as atribuições do médico veterinário, embora também possam ser realizadas por outras categorias profissionais.
O mesmo caráter não exclusivo se aplica a trabalhos de economia e estatística ligados à profissão, à defesa da fauna contra a exploração de animais silvestres e à organização e educação rural relativa à pecuária.
Fauna e impacto ambiental
O levantamento de fauna pode ser utilizado para avaliar o impacto ambiental de empreendimentos como estradas, barragens e linhas de trem. Antes da implantação, deve ser identificada a fauna existente e estimado o que poderá ser prejudicado.
A mesma atividade ocorre em unidades de conservação. No Parque Nacional do Iguaçu, por exemplo, o conhecimento da fauna é necessário para estabelecer o plano de manejo, conectando o diagnóstico da fauna à organização da área protegida.
Disputas no levantamento de fauna
O levantamento de fauna pode ser realizado por médico veterinário, zootecnista, agrônomo ou biólogo. Embora existam disputas sobre a competência para essa atividade, a norma legal reconhece a possibilidade de atuação veterinária.
A norma veterinária é anterior à norma que reconheceu a biologia como profissão no país, circunstância considerada juridicamente relevante para a permanência dessa atribuição. Assim, a anterioridade da norma veterinária sustenta a continuidade dessa atuação compartilhada.
Conselhos Federal e Regionais
Origem do sistema fiscalizador
A lei possui duas funções prioritárias: estabelecer a medicina veterinária, suas áreas privativas e suas áreas de atuação, e constituir o sistema de fiscalização. O Decreto nº 33, associado ao governo de Getúlio Vargas, havia regulamentado a medicina veterinária, mas não criara órgão fiscalizador. Por esse motivo, o dia 9 de setembro é relacionado à edição daquele decreto e é celebrado como o Dia do Médico Veterinário.
A Lei nº 5.517/1968 criou posteriormente o Conselho Federal e os Conselhos Regionais. O pagamento da anuidade ao conselho profissional é requisito obrigatório para o exercício legal da Medicina Veterinária. Cada Conselho Regional de Medicina Veterinária é responsável por fiscalizar e regulamentar o exercício profissional no âmbito do seu território.
Em atividades de atuação multiprofissional compartilhada, como o levantamento de fauna, cada profissional recolhe anuidade ao conselho da sua respectiva categoria. A regra relaciona o exercício legal à fiscalização territorial e à vinculação de cada profissional ao conselho correspondente.
Finalidade das anuidades profissionais
A fiscalização do exercício profissional é exercida pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária e pelos Conselhos Regionais. Nesse sistema, a anuidade tem uma finalidade coletiva: financiar a regulamentação, a normatização e a fiscalização da profissão, e não oferecer um benefício individual ao profissional.
Quando o profissional trabalha em dois estados, paga anuidade aos dois Conselhos Regionais, mas não paga integralmente duas anuidades: no segundo estado, paga 50% do valor correspondente.
Hierarquia federal e regional
A organização dos conselhos segue uma hierarquia clara: o Conselho Federal possui poder superior, e os Conselhos Regionais não podem adotar medidas conflitantes com suas determinações. Essa estrutura combina unidade nacional e adaptação local.
O Código de Ética Médica Veterinária possui abrangência e vigência nacional, e suas atualizações são elaboradas pelo Conselho Federal em conjunto com os Conselhos Regionais. Já o Manual de Responsabilidade Técnica pode ser elaborado por cada Conselho Regional, considerando particularidades vocacionais do estado, como regulamentações relacionadas ao abate de jacarés de vida livre na Amazônia.
Fiscalização em todo território
A fiscalização alcança as pessoas referidas na lei, inclusive estrangeiros no exercício de suas funções. Algumas dessas disposições perderam aplicação prática porque correspondiam às condições existentes em 1968.
Em escala nacional, o Conselho Federal de Medicina Veterinária tem por finalidade orientar, supervisionar e disciplinar as atividades relativas à profissão do médico veterinário em todo o território nacional, além de fiscalizar o exercício profissional.
Apoio regional e consulta institucional
Os Conselhos Regionais podem manter estruturas em cidades importantes para facilitar o fluxo de informações e o acesso dos veterinários. Essas estruturas funcionam como escritórios ou braços regionais dos conselhos, aproximando a atuação institucional dos profissionais de cada região. O Conselho Federal e os Conselhos Regionais também são órgãos de consulta. Órgãos públicos municipais ou estaduais podem consultá los diante de problemas de saúde pública, como uma epidemia de raiva com envolvimento de pessoas, para obter informações veterinárias e orientações normativas.
Natureza jurídica das autarquias
Autonomia jurídica dos conselhos
Cada Conselho Federal ou Regional é uma autarquia, dotada de autonomia jurídica, patrimônio e receita próprios. Uma autarquia é uma entidade autônoma com patrimônio e receita próprios, criada por lei para executar, de forma descentralizada, atividades típicas da administração pública. No âmbito da Medicina Veterinária, tanto o Conselho Federal quanto os Conselhos Regionais possuem natureza jurídica de autarquia.
Os conselhos são órgãos públicos, mas possuem administração eleita. A responsabilidade por uma despesa irregular pode recair pessoalmente sobre o presidente que a autorizou, inclusive mediante seu CPF, e não necessariamente sobre o conselho como instituição.
Gestão e responsabilidade administrativa
Cada Conselho Regional possui independência financeira. Se o presidente de um Conselho Regional desviar recursos, poderá responder pessoalmente, sujeitando se a multa, prisão, devolução do dinheiro e restrições políticas. A administração é formada por presidente, vice presidente, secretário, tesoureiro e conselheiros. Esses cargos são eletivos e temporários. Nos Conselhos de Medicina Veterinária, os mandatos de presidente, vice presidente, secretário e conselheiro são temporários e não remunerados.
Os funcionários do conselho, como fiscais, secretárias e motoristas, são funcionários públicos; os membros eleitos da administração não ocupam cargos permanentes de carreira. O setor jurídico do Conselho Regional é composto por funcionários públicos concursados de carreira, distinguindo se dos cargos administrativos eletivos.
Recursos públicos e apoio estudantil
O conselho de classe não é um conselho de alunos. Por isso, é ilegal usar recursos do Conselho Regional para financiar uma semana acadêmica organizada por centro acadêmico estudantil. O conselho pode apoiar investimentos e capacitação de médicos veterinários, mas não atividades destinadas exclusivamente a estudantes de medicina veterinária. Se o presidente autorizar irregularmente a liberação, poderá ser obrigado a devolvê los pessoalmente.
Sede, composição e eleições
Sedes e composição dos conselhos
A organização territorial começa pela sede do Conselho Federal: A capital da República é a sede do Conselho Federal, cuja jurisdição abrange todo o território nacional. Os Conselhos Regionais são sediados nas capitais dos Estados, do Distrito Federal e dos territórios. O Distrito Federal possui Conselho Regional próprio, além de sediar o Conselho Federal. A estrutura mencionada compreende 26 Conselhos Regionais, correspondentes aos estados e ao Distrito Federal.
Na eleição da diretoria do Conselho Federal de Medicina Veterinária, participam 27 entidades eleitoras, representando os 26 Estados e o Distrito Federal. A chapa administrativa, tanto no Conselho Federal quanto em cada Conselho Regional de Medicina Veterinária, é constituída por presidente, vice presidente, secretário geral, tesoureiro e seis conselheiros.
Votação federal por delegados
A eleição do Conselho Federal ocorre por delegados, em uma sequência que combina a indicação regional e a soma dos votos.
- Etapa: Indicar três delegados por Conselho Regional para votar na eleição da chapa administrativa federal; a votação não é realizada diretamente por todos os médicos veterinários.
- Etapa: Contabilizar os votos: considerando 26 Conselhos Regionais, são 78 votos, aos quais se soma a representação do Distrito Federal, totalizando 81 votos.
- Etapa: Reconhecer a consequência do sistema: pode haver representação desproporcional, pois regiões com poucos profissionais possuem o mesmo número de conselheiros eleitorais que regiões com grande concentração de veterinários.
Limites do sistema indireto
O sistema eleitoral permite que um presidente federal mal intencionado direcione recursos a conselhos com poucos profissionais para obter seus três votos e assegurar continuidade política. Por isso, existem propostas para que todos os veterinários votem diretamente na eleição do Conselho Federal. Essa mudança, entretanto, exige alteração da lei, que permanece vigente desde 1968. A discordância filosófica em relação à lei não modifica sua aplicação prática enquanto ela não for alterada.
Composição da administração federal
O Conselho Federal é constituído por presidente, vice presidente, secretário geral, tesoureiro e seis conselheiros. A eleição ocorre em reunião de delegados dos Conselhos Regionais: cada Conselho Regional indica três delegados para a reunião eleitoral. Assim, a escolha da chapa diretiva é feita por esses representantes, em escrutínio secreto e maioria absoluta de votos.
Se necessário, realizam se tantos escrutínios quantos forem necessários até a formação do corpo administrativo. Na mesma reunião, são eleitos seis suplentes.
Contraste entre eleições profissionais
A diferença entre as eleições está no mecanismo de escolha: Enquanto o Conselho Federal é eleito por delegados representantes dos Conselhos Regionais, os Conselhos Regionais são eleitos diretamente pelos profissionais inscritos.
| Conselho | Forma de eleição | Participação mencionada | Resultado e contexto |
|---|---|---|---|
| Conselho Federal | Por delegados representantes dos Conselhos Regionais | 81 delegados responsáveis pela eleição federal | Eleição indireta pelos representantes regionais |
| Conselhos Regionais | Diretamente pelos profissionais inscritos | 11.994 eleitores em uma eleição regional mencionada | Aproximadamente 47,5% contra 39%; elegeu a primeira médica veterinária presidente do Conselho Regional do Paraná, em momento histórico diante da crescente predominância feminina na profissão |
A eleição regional mencionada teve aproximadamente 47,5% contra 39%.
Composição e voto regional
Os Conselhos Regionais são constituídos à semelhança do Conselho Federal, com no mínimo seis e no máximo 17 membros. A eleição é direta e exige maioria absoluta, fazendo com que a administração regional seja escolhida pelos profissionais inscritos.
O voto é obrigatório, salvo em situações previstas, como doença ou ausência justificada. Essa escolha direta diferencia a administração regional da administração federal, formada mediante votação dos delegados.
Verificação antes do apoio financeiro
Antes de conceder apoio financeiro para eventos científicos, o Conselho Regional deve conferir a regularidade da associação solicitante.
- Regularidade da direção: verificar se todos os membros de sua direção estão em dia com o conselho. Devem estar quitadas as anuidades e cumpridas as obrigações eleitorais.
- Punição ética: verifica se a existência de punição decorrente de processo ético.
- Período de análise: A análise considera o período de cinco anos, após o qual a situação correspondente deixa de produzir efeitos.
Multas eleitorais e anuidades
A lei estabelece percentuais fixos para a ausência eleitoral injustificada e para a falta de pagamento da anuidade.
- Ausência injustificada: gera multa correspondente a 20% do salário mínimo da região.
- Segundo pleito: se houver segundo pleito e o profissional também não votar, poderá ocorrer acréscimo da multa.
- Falta de pagamento: a falta de pagamento da anuidade também corresponde a 20%.
- Referência legal: embora normas posteriores tenham adotado a progressividade diária de multas, a Lei nº 5.517/1968 prevê esses percentuais fixos e, por ser anterior, permanece como referência para essa situação.
Da cédula à votação eletrônica
A adoção da votação remota fez com que as regras antigas para eleitores fora da sede, recebimento de cédulas pelo correio, sobrecarta, violação e contagem de votos perdessem aplicação prática. Antes, havia postos de votação em universidades e diretórios regionais, que funcionavam como braços dos Conselhos Regionais. No Conselho Regional do Paraná, os dois pleitos mais recentes mencionados utilizaram votação eletrônica.
Assembleias e mandatos
Quórum e sessões plenárias
A assembleia reúne se, em primeira convocação, com a presença da maioria dos profissionais veterinários da respectiva região; em segunda convocação, pode funcionar com qualquer número. Essa estrutura corresponde às plenárias dos conselhos. Nas sessões plenárias do Conselho, os votos ordinários são de competência dos conselheiros. Denúncias e processos éticos tramitam no conselho e são apreciados no âmbito da plenária, administrada pelo presidente e pelos conselheiros eleitos.
Mandato honorífico e despesas
Os componentes do Conselho Federal, dos Conselhos Regionais e seus suplentes são eleitos para mandato de três anos, com natureza de título honorífico. Isso significa que presidente, vice presidente, secretário e conselheiros não recebem salário ou pro labore pelo exercício do cargo. Entretanto, as despesas necessárias ao desempenho da função, como deslocamento, retorno e permanência em Brasília, são custeadas pelo conselho correspondente.
Desempate na decisão plenária
O presidente do conselho possui apenas o voto de desempate, denominado voto de Minerva. Na plenária, o voto de desempate proferido pelo presidente é denominado voto de Minerva. Essa regra se aplica a decisões sobre processos éticos e a outros assuntos submetidos à plenária: se houver empate, o presidente poderá decidir a questão. Ainda assim, o empate é descrito como uma ocorrência rara.
Por que assumir um mandato
O caráter honorífico do mandato pode influenciar a candidatura. O funcionário público pode solicitar dispensa do trabalho para exercer o mandato e manter o salário. Já o profissional autônomo ou proprietário de clínica precisa conciliar o tempo dedicado ao conselho com a manutenção do empreendimento, sem receber remuneração do órgão. A candidatura pode, contudo, proporcionar vantagem política ou visibilidade pública, funcionando eventualmente como etapa para futuras disputas eleitorais.
Registro e desligamento profissional
Credenciamento durante o exercício
O profissional responsável técnico por instituição deve ser credenciado pelo conselho. A mesma exigência se aplica ao clínico, cirurgião, ortopedista, oftalmologista, professor e a qualquer profissional que responda por laudo, atuação ou responsabilidade técnica. O credenciamento permanece necessário enquanto houver exercício profissional, independentemente da natureza específica da atividade desempenhada.
Desligamento e retomada profissional
- Etapa: Decidir interromper o exercício da medicina veterinária e solicitar o desligamento do conselho, interrompendo o pagamento correspondente.
- Etapa: Retornar posteriormente à profissão e solicitar a retomada do registro.
- Etapa: Formalizar o cancelamento e a reativação, pois essas mudanças não ocorrem automaticamente.
Isenção por idade e contribuição
A isenção reúne requisitos objetivos e depende de um pedido formal do profissional.
- Condição semelhante à de sócio remido: Profissionais que atingem os requisitos de idade e tempo de contribuição continuada podem obter condição semelhante à de sócio remido.
- Requisitos de idade e contribuição: Foi mencionada a idade superior a 60 anos para mulheres e 65 anos para homens, associada a mais de 35 anos de contribuição.
- Direitos mantidos: Nessa condição, o profissional mantém direitos como votar e exercer a profissão, mas deixa de pagar anuidades.
- Solicitação: A concessão depende de solicitação; se o pedido não for realizado, o pagamento continuará sendo cobrado.
Conflitos entre conselhos profissionais
Registro conforme a categoria
Cada profissional deve pagar a anuidade do conselho correspondente à própria categoria. Assim, agrônomos, biólogos, zootecnistas, engenheiros de alimentos e outros profissionais vinculados a atribuições compartilhadas permanecem registrados e pagam o conselho de sua profissão, não o Conselho Regional de Medicina Veterinária. O fato de uma atividade também estar prevista entre as atribuições veterinárias não obriga o profissional de outra categoria a registrar se no conselho veterinário.
As controvérsias referentes a atividades afins entre diferentes categorias profissionais são resolvidas por meio de entendimentos firmados exclusivamente no âmbito dos Conselhos Federais, entre as respectivas entidades reguladoras. Existe uma defasagem temporal entre a evolução dos costumes sociais e a atualização formal da legislação. O Conselho de Engenharia congrega diversas categorias profissionais, incluindo engenharias civil, mecânica, elétrica, agronomia, engenharia de pesca, agrimensura e áreas técnicas correlatas. Os engenheiros agrônomos são vinculados e fiscalizados pelo Conselho de Engenharia e Agronomia.
Conflitos ainda sem decisão definitiva
Quando duas categorias reivindicam a mesma atribuição, pode haver conflito entre os respectivos conselhos. A controvérsia é conduzida pelos setores jurídicos das entidades profissionais e pode prolongar se por muitos anos. No caso citado da anestesia de animais silvestres, o Conselho de Biologia autoriza a atuação de biólogos, enquanto o Conselho de Medicina Veterinária a questiona. Enquanto não houver decisão definitiva, ambas as categorias podem continuar exercendo a atividade segundo as autorizações existentes.
Atribuições do Conselho Federal
Organização e autoridade federal
Na organização do sistema, Compete ao Conselho Federal organizar seu próprio regimento interno. Cada Conselho Regional elabora seu regimento, que deve ser submetido à apreciação do Conselho Federal para harmonização do funcionamento do sistema. Compete ao Conselho Federal aprovar os regimentos internos de todos os Conselhos Regionais e tomar conhecimento das dúvidas e questões surgidas neles. O Conselho Federal funciona como instância recursal superior e final para dirimir dúvidas e julgar questões oriundas dos Conselhos Regionais. A má instrução ou montagem inadequada do processo pode acarretar um ajuizamento ou julgamento incorreto.
Além da função recursal, o Conselho Federal exerce papel normativo e administrativo: O Código de Ética Profissional é elaborado pelo Conselho Federal, e seu cumprimento é obrigatório para médicos veterinários e zootecnistas. Os Conselhos Regionais e o Conselho Federal têm a obrigação de elaborar e divulgar periodicamente relatórios com o balanço financeiro e o número de profissionais registrados. Durante o período de defeso eleitoral, há vedações legais para contratações públicas e alterações na legislação, enquanto os representantes dos Conselhos Regionais possuem assento garantido nas reuniões plenárias com o Conselho Federal.
Recursos após julgamento regional
O percurso do processo regional ao recurso federal segue uma sequência de instrução, julgamento e apelação.
- Etapa: Na instauração do processo, um conselheiro organiza os autos.
- Etapa: O conselheiro ouve as partes mediante oitivas, colhe a defesa e a acusação e estrutura o procedimento.
- Etapa: O Conselho Federal funciona como instância recursal em processos julgados pelos Conselhos Regionais.
- Etapa: Se uma das partes permanecer insatisfeita com o julgamento regional, poderá apelar ao Conselho Federal dentro do prazo previsto.
Análise federal sem novas oitivas
No Conselho Federal, examina se o processo encaminhado pelo Conselho Regional. Em regra, não são convocadas novas testemunhas nem realizadas novas oitivas; por isso, a montagem inicial do processo é fundamental. Um processo mal estruturado pode produzir ajuizamento inadequado, comprometendo o prosseguimento da análise.
Após a análise regional e federal, ainda pode haver recurso à Justiça comum. Enquanto aguarda essa apreciação, o processo permanece sem prosseguimento, o que evidencia a importância de autos bem constituídos desde a etapa inicial.
Percurso recursal até a justiça
Em situações envolvendo outras profissões regulamentadas, o percurso pode seguir uma sequência regional, federal e judicial.
- Etapa: Iniciar o julgamento no conselho regional da categoria quando a situação envolver outra profissão regulamentada, como no exemplo de um engenheiro relacionado ao desabamento de um prédio.
- Etapa: Encaminhar o caso ao Conselho Federal, que geralmente mantém a conclusão dos Conselhos Regionais, embora possa modificá la.
- Etapa: Levar o caso, por fim, à justiça comum. A justiça comum, por sua vez, geralmente considera as determinações dos conselhos profissionais.
Transparência e interpretação normativa
Compete ao Conselho Federal julgar, em última instância, os recursos provenientes dos Conselhos Regionais. Além disso, deve publicar periodicamente relatório de seus trabalhos, com prazo de cinco anos mencionado para essa prestação. Esse relatório deve informar o número de profissionais registrados, a situação financeira e o balanço financeiro dos conselhos.
Para completar sua função normativa, o Conselho Federal ainda deve expedir resoluções necessárias à interpretação e à aplicação da lei.
Ética e deontologia profissional
O Conselho Federal elabora o Código de Ética dos médicos veterinários e o código de ética dos zootecnistas. O código veterinário possui abrangência nacional e é elaborado com a participação dos Conselhos Regionais.
A organização do código de deontologia é uma atribuição federal, embora sua formulação conte com o apoio dos conselhos regionais.
Como a lei pode ser alterada
Também compete ao Conselho Federal solicitar ao governo federal a alteração da Lei nº 5.517/1968. Os Conselhos Regionais insatisfeitos com algum aspecto da legislação não podem propor diretamente a mudança, mas podem articular se entre si para pressionar o Conselho Federal.
A alteração depende de movimentação política e jurídica, inclusive de lobby profissional. Períodos eleitorais podem dificultar a tramitação das mudanças legislativas, e a adequação da nova administração regional também pode retardar essa mobilização.
Deliberação sobre atividades afins
O Conselho Federal deve deliberar sobre questões relativas ao exercício de atividades afins. Essas questões envolvem biólogos, zootecnistas, engenheiros de alimentos e engenheiros de pesca, além de outras profissões com áreas de sombreamento.
A regulamentação ocorre por meio do serviço jurídico do Conselho Federal. Esse serviço jurídico pode ser composto por advogados funcionários públicos, por escritório externo contratado ou por ambas as estruturas, conforme a complexidade do caso.
Diretrizes diante das transformações sociais
As reuniões conectam a organização dos conselhos à atualização das diretrizes profissionais.
- Etapa: Reunir se periodicamente com conselheiros federais e regionais para fixar diretrizes.
- Etapa: Considerar que, antigamente, as reuniões eram predominantemente presenciais e exigiam o deslocamento de representantes dos 26 Conselhos Regionais para Brasília.
- Etapa: Realizar as reuniões remotamente, possibilidade disponível atualmente.
- Etapa: Discutir interesses gerais da profissão e adequar as normas às transformações da cultura, da moral e dos hábitos, que podem modificar se mais rapidamente do que a legislação.
Entendimento entre entidades reguladoras
Questões referentes às atividades afins de outras profissões são resolvidas por entendimentos entre as respectivas entidades reguladoras, especialmente os conselhos federais. Assim, a articulação institucional é o caminho para tratar conflitos entre categorias profissionais distintas.
O engenheiro agrônomo, por exemplo, integra o sistema de engenharia, que também reúne engenheiros civis, mecânicos, elétricos, de pesca, agrimensores, técnicos e outras categorias. A capacidade financeira e a representação jurídica de cada conselho podem influenciar as disputas entre categorias, especialmente quando uma profissão com menor estrutura enfrenta outra com maior número de integrantes e maior capacidade de contratação jurídica.
Dicas Para Provas
Dicas Para Provas
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| A Lei Federal nº 5.517, promulgada em 1968, regulamenta o exercício da profissão de médico veterinário no Brasil. |
Reflexão Sion
Responsabilidade que permanece
A Lei nº 5.517/1968 mostra que a responsabilidade técnica acompanha o produto e permanece com o médico veterinário, mesmo quando ele não está fisicamente no estabelecimento. Isso revela que responsabilidade não é apenas estar presente, mas responder com integridade pelo que foi confiado às nossas mãos. Em Jesus, encontramos esperança e um convite a viver com fidelidade, sabendo que nossa vida também pode ser entregue ao cuidado de alguém plenamente digno de confiança.
Quem é fiel no pouco também é fiel no muito.Lucas 16:10
Leia e examine o que sua responsabilidade revela.