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Ciclo Básico4 PeríodoAnatomia PatológicaCapítulo 2

Aula 6 Patologias do Trato Urinário

A rota ascendente é a principal via de infecção do trato urinário e a mais frequente na pielonefrite, embora a via hematogênica também possa ocorrer de forma menos comum, inclusive em pacientes debilitados sob imunossupressores.

Duracao: 23 min

Topicos da aula

  • Trato Urinário

Overview

Da Infecção Ascendente à Perda Renal

As infecções do trato urinário originam se majoritariamente de patógenos entéricos que ascendem pela uretra até a bexiga, onde a estase urinária e falhas no clearance favorecem a proliferação bacteriana. Quando associado ao refluxo vesicoureteral ou a quadros obstrutivos, como a urolitíase, esse processo infeccioso ascende aos rins, culminando em pielonefrite aguda. Episódios inflamatórios recorrentes e não investigados danificam progressivamente o parênquima renal e desencadeiam fibrose corticomedular, evoluindo para pielonefrite crônica e eventual perda funcional definitiva do órgão. Compreender essa cadeia patogenética, desde a colonização inicial até a lesão tecidual irreversível, é essencial para intervir precocemente com orientações de hidratação, hábitos miccionais adequados e investigação diagnóstica oportuna por imagem.

Infecção do Trato Urinário: Etiologia e Rota Ascendente

E. coli e Origem Intestinal da ITU

Cerca de 85% dos casos de infecção do trato urinário são causados por bacilos gram negativos provenientes do trato gastrointestinal, estabelecendo uma relação direta entre o quadro infeccioso e os hábitos intestinais do paciente.

Na investigação clínica, a anamnese deve avaliar a ingesta hídrica, o hábito intestinal e a frequência de evacuações, já que os principais patógenos habitam o intestino e o agente mais importante é a Escherichia coli.

Rota Ascendente do Períneo ao Rim

A rota ascendente é a principal via de infecção do trato urinário e a mais frequente na pielonefrite, embora a via hematogênica também possa ocorrer de forma menos comum, inclusive em pacientes debilitados sob imunossupressores.

  1. Colonização perineal: a infecção ascendente pode iniciar com a colonização da uretra distal e do intróito por coliformes fecais, sobretudo em mulheres, de onde a bactéria alcança a região perineal.
  2. Passagem uretral: o patógeno progride e pode passar da uretra para a bexiga.
  3. Proliferação vesical: no interior da bexiga, a bactéria prolifera e se replica.
  4. Ascensão renal: uma alteração na junção vesicoureteral pode permitir que o patógeno ascenda da bexiga pelo ureter até o rim.
  5. Prevenção e higiene: a ingesta hídrica e a higiene adequada são fundamentais, pois a higiene inadequada pode contribuir para infecções recorrentes, devendo a higiene íntima ser feita da frente para trás.

Sonda Vesical e Vigilância do Acamado

O cateterismo uretral prolongado constitui um fator relevante em pacientes acamados, pois o uso de cateter ou sonda vesical pode facilitar a proliferação de bactérias e favorecer a infecção ascendente.

Nas visitas domiciliares, a equipe de saúde deve monitorar a cor da urina, o nível de consciência quanto a rebaixamento ou sonolência, além de vigiar a presença de febre ou hipotermia.

Em condições anatômicas normais, os esfíncteres vesicoureterais se ocluem durante o enchimento vesical, impedindo que a urina com bactérias reflua aos rins no momento que antecede a micção.

Micção como Clearance da Mucosa Vesical

A micção regular associada a uma ingesta hídrica adequada contribui diretamente para o clearance e a limpeza da mucosa vesical.

Esse mecanismo de fluxo contínuo impede a proliferação bacteriana e dificulta a colonização e a ascensão dos patógenos, tornando a avaliação da hidratação um item obrigatório na anamnese.

Passos Patogenéticos da Infecção do Trato Urinário e Fatores Predisponentes

Multiplicação Vesical e Ascensão ao Rim

Após a colonização da uretra, o patógeno realiza a ascensão bacteriana para a bexiga e passa a se multiplicar no interior vesical. A ingesta hídrica em quantidade adequada atua na remoção mecânica dos microrganismos estacionados na mucosa, impedindo a progressão do quadro infeccioso.

Se houver uma disfunção da junção vesicoureteral, a bactéria pode alcançar o ureter e progredir até o rim, culminando no desenvolvimento de pielonefrite.

Fímbrias Bacterianas e Aderência à Mucosa

A colonização da uretra distal e do intróito depende diretamente da aderência bacteriana. A Escherichia coli apresenta filamentos semelhantes a cabelos denominados fímbrias ou pili, que favorecem sua adesão à mucosa.

Para eliminar as bactérias aderidas, o paciente precisa manter hidratação e realizar o esvaziamento vesical completo, pois a urina remove o patógeno. Adicionalmente, o uso de sonda vesical favorece a proliferação de patógenos, motivo pelo qual as sondas devem ser trocadas regularmente.

Por Que a Mulher Tem Mais ITU

Três fatores anatômicos e fisiológicos explicam a maior frequência de infecção urinária nas mulheres:

  • Anatomia uretral: A uretra feminina é mais curta e localizada muito próxima da região anal, facilitando o alcance bacteriano ao intróito.
  • Propriedades antibacterianas prostáticas: As mulheres apresentam ausência das propriedades antibacterianas da secreção prostática presentes no homem, além de maior vulnerabilidade ao trauma no intercurso sexual.
  • Trauma mecânico: O trauma durante o intercurso sexual atua facilitando a introdução e a ascensão de microrganismos no trato urinário feminino.

Estase Urinária e Volume Residual

A multiplicação bacteriana na bexiga é facilitada por obstrução ao fluxo urinário ou por disfunção vesical. Essas alterações provocam o esvaziamento incompleto ou o aumento do volume residual, reduzindo a depuração natural pela micção. A estase urinária resultante no interior da bexiga favorece ativamente a proliferação dos patógenos.

Pacientes com hiperplasia prostática, neoplasias ou cálculos (litíase) apresentam grande propensão a desenvolver infecções urinárias de repetição. A obstrução ao fluxo urinário amplia a proliferação bacteriana e favorece a ascensão da infecção até o rim.

Técnica Miccional com Apoio dos Pés

A orientação da técnica miccional reduz o volume residual e previne infecções de repetição:

  1. Posicionamento: permitir que a criança apoie os pés em um banquinho, caixa ou outro apoio para conseguir realizar a prensa abdominal.
  2. Micção inicial: realizar a prensa abdominal e urinar.
  3. Segundo esforço: após urinar, aguardar cerca de 10 segundos e fazer novo esforço para esvaziar mais a bexiga.

Hidratação Programada no Ambulatório Pediátrico

A ingestão hídrica regular e a micção frequente constituem práticas fundamentais na prevenção de infecções urinárias recorrentes. No ambulatório de nefropediatria, a rotina de conduzir os presentes ao bebedouro a cada hora reforça a necessidade de hidratação contínua e esvaziamento vesical programado.

Cistite Hemorrágica e Passagem ao Ureter

A cistite hemorrágica pode ocorrer em pacientes com sonda vesical não trocada na frequência recomendada, gerando extenso comprometimento da bexiga. A paciente com cistite hemorrágica utilizava cateter vesical sem a periodicidade de troca indicada.

Na evolução patogenética, a passagem da bactéria da bexiga para o ureter é favorecida pelo refluxo vesicoureteral, condição na qual os esfíncteres não ocluem completamente quando a bexiga se enche.

Refluxo Vesicoureteral e Investigação por Imagem

Urina Refluindo da Bexiga ao Ureter

O refluxo vesicoureteral consiste no retorno da urina da bexiga para o ureter, transportando bactérias que deveriam ser eliminadas.

Esse fluxo retrógrado conduz a urina infectada pelo ureter até o rim, estabelecendo a via de ascensão da infecção e favorecendo o comprometimento renal.

Graduação do Refluxo e Conduta

Após identificar o refluxo vesicoureteral, deve se determinar seu grau. Nos graus iniciais, o tratamento clínico com medicação pode permitir que a válvula passe a se fechar. Graus de refluxo vesicoureteral associados a deformidade acentuada podem exigir cirurgia para restabelecer o fechamento do esfíncter.

Investigar Sempre, Mesmo no Primeiro Episódio

O refluxo vesicoureteral deve ser identificado durante a infância, e a investigação por imagem permite identificar o refluxo vesicoureteral. Tratar a infecção urinária apenas com antibiótico sem investigação constitui um erro. Sem o diagnóstico precoce, infecções urinárias recorrentes podem levar à pielonefrite crônica com perda renal. A investigação por imagem da infecção urinária é recomendada independentemente do sexo, da idade ou de ser o primeiro episódio.

Da Cistite à Pielonefrite nos Polos

A chegada da bactéria ao rim reflete a ascensão a partir dos segmentos inferiores pelo refluxo vesicoureteral. Nesse processo, a infecção sobe da bexiga pelo ureter e atinge com maior frequência os polos renais. Uma infecção urinária baixa, como a cistite, pode ascender e originar a pielonefrite, que se inicia de forma aguda e evolui para a cronicidade.

Dados Clínicos da Infecção do Trato Urinário Baixo

Bacteriúria Assintomática: Tratar Só na Gestante

A infecção urinária pode ser assintomática e identificada apenas em exame de rotina. A bacteriúria assintomática só é tratada na gestante, porque a infecção urinária na gestação é uma das principais causas de aborto. Durante o pré natal, o exame de urina é solicitado a cada trimestre e, se houver bactérias, o tratamento é obrigatório mesmo sem queixas como ardência. Fora da gestação, a bacteriúria assintomática não precisa ser tratada.

Cistite e Uretrite como Quadro Predominante

O refluxo vesicoureteral pode permitir o acometimento renal, mas a maioria dos pacientes com infecção urinária aguda ou de repetição apresenta cistite e uretrite, com manifestações restritas ao trato urinário baixo. Esse quadro de infecção do trato urinário baixo pode causar disúria, caracterizada por ardor ou queimação ao urinar, além de urgência miccional.

Pielonefrite Aguda

Urgência, Disúria e Evolução Tratada

Os sintomas da infecção baixa incluem a urgência miccional, em que o paciente corre ao banheiro sentindo que eliminará grande volume, mas urina apenas pequena quantidade com ardência e queimação por disúria, sentindo necessidade de retornar logo após sair. Quando o quadro progride para os rins, a pielonefrite pode afetar os túbulos, o interstício e o tecido perirrenal.

A pielonefrite aguda pode ter evolução benigna quando recebe tratamento adequado. Para a prevenção de recorrências, exige se orientar sobre ingestão hídrica e higiene, além de investigar a causa da pielonefrite aguda. Em contrapartida, na pielonefrite crônica, pode haver perda da delimitação ou diminuição do volume urinário.

Pielonefrite Aguda: Inflamação Supurativa Renal

A pielonefrite aguda instala se quando a bactéria coloniza a uretra, atinge a bexiga, ascende pelo ureter e alcança o rim. Essa condição é definida como uma inflamação aguda supurativa do rim, causada por infecção bacteriana que pode se disseminar por via hematogênica ou ascendente, sendo a via ascendente a mais comum e associada ao refluxo, cuja detecção deve ocorrer na infância. Nesse processo infeccioso, o acometimento atinge os túbulos, o interstício e a pelve renal.

Infiltrado Neutrofílico e Glomérulos Poupados

O estudo microscópico da pielonefrite aguda revela infiltrado inflamatório neutrofílico intersticial, focal e supurativo, além de necrose tubular, utilizando também o lúmen tubular como via de propagação. Nesse cenário agudo, os glomérulos permanecem poupados até fases tardias, de modo que o rim continua funcionando enquanto ductos coletores, vasos e arteríolas mantêm sua atividade.

A identificação precoce das causas de infecções urinárias recorrentes e o manejo terapêutico adequado impedem o comprometimento glomerular tardio, que se desenvolve caso o quadro evolua para a forma crônica.

Comparação entre Inflamação Aguda e Crônica

CaracterísticaPielonefrite agudaPielonefrite crônica
DuraçãoMinutos, horas ou poucos diasProcesso prolongado
AlteraçõesExsudação fluida com proteínas plasmáticas, edema e migração de neutrófilosInflamação com fibrose e necrose tissular
GlomérulosÍntegros e funcionantesAcometidos, com perda de função

Quadro comparativo das características temporais, alterações teciduais e estado glomerular entre pielonefrite aguda e crônica.

Necrose Papilar, Pionefrose e Abscesso

As complicações graves e os desfechos associados ao curso da pielonefrite aguda abrangem:

  • Necrose papilar: complicação da pielonefrite aguda que ocorre especialmente em pacientes com diabetes ou obstrução, sendo mais frequente nesses grupos e em usuários de sonda vesical, com acometimento bilateral, focal ou difuso.
  • Pionefrose: complicação que ocorre com obstrução total ou subtotal pelo bloqueio da drenagem, com pus acumulado cujo tratamento frequentemente exige internação.
  • Abscesso perinéfrico: complicação que resulta da extensão da infecção às estruturas adjacentes.
  • Resolução com sequelas: desfecho que pode deixar fibrose, retração cicatricial da cápsula e deformidade renal.

Episódios Repetidos e Dano Acumulado

O acúmulo de dano renal ocorre quando os episódios infecciosos não são controlados. Em pacientes com crises a cada 4 ou 5 meses, sem adequação da ingesta hídrica ou com refluxo não investigado, cada novo episódio compromete progressivamente a estrutura renal até que o glomérulo deixe de funcionar.

Episódios recorrentes de pielonefrite aguda levam ao surgimento de complicações e podem evoluir para pielonefrite crônica, com risco de perda do rim. Cálculos renais podem estar presentes em pacientes com pielonefrite, enquanto na necrose papilar observam se áreas claras envolvendo as papilas e perda progressiva da definição renal.

Cálculos como Reservatório de Bactérias

O desenvolvimento da pielonefrite está associado a fatores de risco como obstrução urinária não aliviada, diabetes e redução da imunidade. Entre os patógenos urinários, a Escherichia coli é uma bactéria associada à pielonefrite.

A avaliação de um paciente com infecção renal deve considerar o histórico de litíase urinária. Por meio de suas fímbrias, as bactérias, principalmente a E. coli, podem aderir aos cálculos urinários, permitindo que os cálculos urinários abriguem bactérias que ficam alojadas em sua estrutura.

Recorrência, Manejo da Litíase e Prognóstico

O tratamento antibiótico pode melhorar parcialmente o quadro clínico, mas a litíase não tratada permanece como um problema associado. Quando a litíase não é tratada, as bactérias abrigadas nos cálculos podem voltar a se multiplicar após o tratamento e proliferar novamente, causando a recorrência da infecção.

O manejo adequado do paciente exige que a litíase urinária associada a infecções seja diagnosticada e tratada adequadamente, sendo o seu tratamento essencial. Sem a resolução do quadro, a pielonefrite pode ter como consequências a necrose papilar e a insuficiência renal, levando a um prognóstico pouco satisfatório.

Condições a Pesquisar na Anamnese

A anamnese de pacientes com suspeita de pielonefrite aguda deve investigar ativamente diversas condições clínicas predisponentes:

  • Obstrução urinária: a avaliação de um paciente com pielonefrite aguda deve considerar a presença de obstrução urinária congênita ou adquirida.
  • Procedimentos urológicos: o uso de sonda vesical, instrumentação do trato urinário e cateterização são condições associadas à pielonefrite aguda.
  • Refluxo vesicoureteral: alteração que deve ser investigada já no primeiro episódio de infecção urinária.
  • Gravidez: situação clínica na qual a infecção sempre deve ser tratada por ser causa de aborto.
  • Sexo e faixa etária: a infecção é mais comum no sexo masculino antes do primeiro ano de vida e após os 40 anos, enquanto nas idades intermediárias há predomínio em mulheres.
  • Comorbidades e imunidade: lesões renais preexistentes, diabetes, instrumentação frequente, imunossupressão e imunodeficiência são condições associadas à pielonefrite.

Fimose Fisiológica sem Retração Forçada

A maior ocorrência de infecção em lactentes decorre do fato de que os meninos nascem com fimose fisiológica. Embora no passado se recomendassem massagens e trações, forçar a retração do prepúcio pode causar microtraumas, cuja cicatrização dificulta ainda mais a abertura posterior. Além disso, a retração forçada do prepúcio também pode causar parafimose com edema que exige intervenção.

A orientação atual preconiza que a higiene da extremidade peniana deve ser feita com água e sabão seguida de enxágue, sem tração. Esse manejo conservador é seguro porque a fimose fisiológica tende a se resolver espontaneamente até os 4 ou 5 anos. Ao passar a usar o sanitário sozinho, a criança deve aprender a usar o papel higiênico e realizar a higiene correta.

Punho Percussão Lombar: Sinal de Giordano

No exame físico propedêutico, a pesquisa do sinal de Giordano avalia o comprometimento da loja renal e auxilia no reconhecimento da pielonefrite. Esse achado semiológico é pesquisado por meio da punho percussão da loja renal na região lombar, permitindo identificar precocemente o sofrimento inflamatório agudo do parênquima renal.

Febre, Dor Costovertebral e Queda do Estado

A pielonefrite aguda manifesta se tipicamente com início súbito e dor localizada no ângulo costovertebral. Diferentemente das infecções urinárias baixas, que produzem sintomas restritos como ardência, disúria e urgência miccional, a pielonefrite determina um acometimento orgânico superior. Por refletir uma afecção renal mais extensa, a pielonefrite acrescenta febre, mal estar e vômitos, acompanhados de acentuada queda do estado geral.

Mesmo com essa repercussão sistêmica, os sinais de irritação uretral, a disúria e o aumento da frequência miccional persistem ao longo do quadro.

Cilindros Leucocitários Indicam Origem Renal

A piúria, isoladamente, não diferencia infecção urinária alta de infecção urinária baixa, pois o pus pode surgir tanto na bexiga quanto no rim, de modo que a piúria pode estar presente na pielonefrite.

A presença de cilindros urinários pode indicar infecção do trato urinário alto, pois essas estruturas indicam origem renal e contam com uma mucoproteína que serve de matriz para unir os cilindros leucocitários. Dessa forma, a análise sedimentar fornece indícios para diferenciar o nível do acometimento.

Pielonefrite Crônica

Cultura, Prevenção e Nefropatia de Refluxo

O manejo da pielonefrite aguda envolve a realização de cultura para identificação do patógeno bacteriano, apresentando curso benigno quando tratada corretamente. Além de tratar o episódio infeccioso, é necessário investigar a etiologia e orientar higiene e ingestão hídrica, considerando a hidratação adequada fundamental na avaliação do paciente com afecção renal para prevenir a progressão crônica.

A evolução compreende pielonefrite aguda, pielonefrite crônica e pielonefrite crônica avançada. Nesse contexto, a nefropatia de refluxo pode causar dano tubular e redução da capacidade de concentrar a urina, provocando poliúria e noctúria. A nefropatia de refluxo também se destaca como a causa mais comum de hipertensão em crianças. Adicionalmente, alguns pacientes podem apresentar glomerulonefrite segmentar.

Fibrose Tubulointersticial e Rim Terminal

Após episódios repetidos de pielonefrite aguda sem investigação causal ou orientação preventiva, instala se lesão tecidual progressiva. A pielonefrite crônica é definida como inflamação crônica tubulointersticial e fibrose renal associada ao envolvimento dos cálices e da pelve.

Essa evolução representa a causa mais importante de rim terminal e conduz o paciente à hemodiálise.

Obstrução Crônica e Atrofia Renal

A obstrução crônica favorece infecções de repetição, pois qualquer barreira ao fluxo urinário facilita a proliferação bacteriana e sua ascensão até o parênquima renal. A própria persistência obstrutiva pode gerar atrofia renal, aspecto que se soma à fibrose infecciosa.

O quadro pode se apresentar de forma bilateral, quando associado a alterações valvares, ou unilateral, decorrente principalmente de cálculos.

Papel do Generalista na Pesquisa do Refluxo

A pielonefrite crônica associada ao refluxo vesicoureteral representa a forma mais comum da doença. Nesse contexto, infecções urinárias desde a infância não investigadas podem preceder episódios recorrentes de pielonefrite aguda na vida adulta, frequentemente observados em pacientes de 25 a 30 anos.

Como a espera para uma criança encaminhada do interior chegar ao especialista pode levar 4 a 5 anos, o médico generalista ou de saúde da família deve solicitar exames para evitar atrasos no diagnóstico. Diante de infecção urinária em uma criança de 3 anos, por exemplo, cabe solicitar a ultrassonografia de rins e vias urinárias para pesquisar refluxo, além da uretrocistografia miccional.

Refluxo Intrarrenal Mesmo Quando Estéril

O refluxo vesicoureteral costuma ser identificado na infância devido a episódios repetidos de infecção urinária, sendo geralmente intrarrenal e podendo apresentar acometimento unilateral.

Esse retorno retrógrado da urina eleva a pressão nas estruturas renais e nos glomérulos. Mesmo quando estéril, o aumento pressórico resultante é prejudicial e pode, por si só, causar pielonefrite crônica.

Inflamação Difusa, Fibrose Intimal e Comorbidades

Ao exame microscópico, a pielonefrite crônica caracteriza se por inflamação crônica difusa em toda a extensão corticomedular, com graus variados de inflamação crônica, fibrose e atividade da doença. Observam se polimorfonucleares no interstício e cilindros, podendo restar alguns glomérulos normais.

Nos casos com hipertensão e arteriosclerose, os vasos arqueados e interlobulares exibem fibrose intimal. Em pacientes de 30 a 50 anos, placas de aterosclerose e doença pulmonar obstrutiva crônica podem coexistir com a afecção renal, destacando se que a presença de placa de ateroma também agrava a situação renal.

Hipertensão Agravando a Função Renal

As alterações vasculares decorrentes da hipertensão incluem a camada íntima espessada por colágeno e a hialinização glomerular. Nesse cenário, a hipertensão agrava a pielonefrite crônica porque o rim já não filtra adequadamente. Com a placa de ateroma elevando a pressão e exigindo maior trabalho cardíaco, a pressão intrarrenal e a pressão sistêmica aumentada somam se, e ambas pioram a função renal.

Evolução Insidiosa até a Hemodiálise

O curso clínico da pielonefrite crônica é insidioso e se desenvolve ao longo do tempo a partir de episódios recorrentes de pielonefrite aguda, que apresentam dor lombar, febre, piúria e bacteriúria frequentes e não resolvidas. Em geral, o quadro associa se ao refluxo vesicoureteral não investigado na infância.

Em muitos casos, o refluxo vesicoureteral é descoberto apenas por volta dos 40 anos, já na fila de hemodiálise, quando o diagnóstico aos 3 ou 4 anos teria evitado a perda renal. Outros pacientes procuram atendimento diretamente por insuficiência renal e hipertensão, ou têm a afecção detectada em exames de rotina que revelam piúria e bacteriúria, momento em que descobrem simultaneamente as alterações associadas.

Urolitíase

Litíase Urinária: Conceito e Frequência

A urolitíase, também chamada de litíase urinária, consiste na formação ou presença de cálculos no trato urinário. Embora possa acometer qualquer segmento desse sistema, o cálculo é mais comumente encontrado no rim, podendo descer pelo ureter, lesionando o, alcançar a bexiga e ser eliminado pela uretra.

Nos Estados Unidos, a litíase afeta de 5 a 10% da população ao longo da vida, com predomínio no sexo masculino e na faixa etária de 20 a 30 anos. Além disso, é comum encontrar relato de familiares ou conhecidos acometidos pela enfermidade.

Gota, Cistinúria e Histórico Familiar

A predisposição familiar e hereditária desempenha papel relevante na formação de cálculos, manifestando se em condições como gota, cistinúria e hiperoxalúria. Diante da suspeita de litíase, a anamnese deve investigar antecedentes na família, como pais com internações repetidas pela doença. A identificação precoce e o tratamento adequado são fundamentais, pois a litíase constitui um fator de risco para pielonefrite aguda e crônica, podendo levar a comprometimento renal crônico.

Supersaturação, pH e Bactérias

O determinante mais importante da urolitíase é a concentração aumentada do constituinte do cálculo, geralmente um mineral, o que impede sua solubilidade.

Esse constituinte em excesso não é solubilizado nem filtrado adequadamente, tornando se supersaturado e depositando se no rim, o que torna a ingesta hídrica adequada fundamental.

Outros fatores que favorecem a formação de cálculos incluem a alteração do pH urinário e a presença de bactérias.

Frequência dos Cálculos e Refrigerantes

Tipo de cálculoFrequência
Oxalato de cálcio75%
Fosfato de amônio15%
Ácido úrico6%
Cistina2%

Distribuição dos cálculos: oxalato de cálcio (75%), fosfato de amônio (15%), ácido úrico (6%) e cistina (2%). O consumo excessivo de refrigerante favorece cálculos de oxalato de cálcio, e tratar a litíase sem corrigir a causa não é eficaz.

Radiopacidade e Associações de Cada Cálculo

Principais associações clínicas e características radiológicas de cada tipo de cálculo urinário:

  • Oxalato de cálcio: associa se a hipercalcemia, hipercalciúria, hiperoxalúria e aumento da excreção de ácido úrico, sendo um cálculo radiopaco que aparece branco na radiografia.
  • Fosfato de amônio: surge comumente após infecção por Proteus, formando cálculos maiores, coraliformes e radiopacos.
  • Ácido úrico: associa se à gota, embora a maioria não tenha hiperuricemia nem excreção aumentada, caracterizando se por ser radiotransparente.
  • Cistina: decorre de um defeito genético.

Espículas que Ferem o Ureter

O cálculo urinário arranha e lesiona o ureter ao se mover por causa das espículas, causando sangramento.

Essa movimentação desencadeia dor intensa, e a urina pode conter sangue.

Obstrução, Hidronefrose e Infecção Recorrente

A presença de cálculos no trato urinário pode desencadear complicações obstrutivas, estruturais e infecciosas:

  • Obstrução com estase urinária: o cálculo no ureter impede a drenagem e faz a urina se acumular e refluir para o rim conforme seu tamanho e localização.
  • Ulceração e sangramento: lesões que ocorrem durante a descida do cálculo pelo trato urinário.
  • Atrofia renal com hidronefrose: lesão renal decorrente da evolução obstrutiva.
  • Infecção recorrente: persistência de bactérias no cálculo que voltam a se multiplicar em um ou dois meses após o tratamento.

Litotripsia Extracorpórea Passo a Passo

A litotripsia extracorpórea é o método avançado de tratamento para cálculos urinários:

  1. Avaliação prévia: avaliam se o tamanho e o tipo do cálculo para definir a quantidade de ondas.
  2. Aplicação de ondas: o aparelho emite ondas que atingem o rim e fragmentam o cálculo até o tamanho de grãos de areia.
  3. Eliminação dos fragmentos: o paciente ingere grande volume de água para expelir os fragmentos.
  4. Conduta de exceção: a cirurgia aberta fica reservada aos casos mais graves e complicados.

Como a litíase gera sintomas ou silencia

Na litíase urinária, os cálculos podem causar obstrução, ulcerar e sangrar ao passar pelo trato urinário. A litíase urinária pode causar obstrução, ulceração e sangramento ao passar pelo trato urinário, ou permanecer assintomática e silenciosa.

Uma pessoa pode conviver com um cálculo renal por vários anos sem sintomas aparentes. O cálculo pode ficar parado por anos antes de se mover ou de destruir grande parte do rim.

Cálculos pequenos migram, grandes ficam parados

Tamanho do cálculoComportamento e migraçãoLocais de sangramento e permanência
Cálculos pequenosPodem migrar pelo ureter e sangram nessa passagemNa bexiga, também podem sangrar quando movimentados pela urina
Cálculos grandesEm geral ficam paradosCostumam permanecer parados no próprio rim

Comportamento e repercussões dos cálculos urinários de acordo com a dimensão.

Cólica, hematúria indolor e risco infeccioso

A dor da litíase pode se manifestar como cólica intensa, típica da passagem de cálculos pequenos, enquanto cálculos grandes podem se associar a hematúria sem dor.

Cálculos pequenos também podem se associar a hematúria, enquanto cálculos grandes em geral não causam dor.

Cálculos de qualquer tamanho, pequenos ou grandes, predispõem à infecção porque abrigam bactérias.

Pouca Urina Favorece Supersaturação

A redução do volume urinário, mesmo em pacientes metabolicamente normais, favorece a supersaturação.

O paciente que não ingere água suficiente, além de estar sujeito a infecções de repetição e à pielonefrite crônica, não consegue eliminar adequadamente os constituintes urinários, que se acumulam e favorecem a formação de cálculos.

Reflexão Sion

O Valor do Fluxo Contínuo

No trato urinário, a hidratação abundante e o fluxo constante são vitais para lavar as vias e impedir que infecções e cálculos se instalem. Da mesma forma, a estagnação interior acumula impurezas e desgastes que comprometem silenciosamente a nossa vida espiritual. Jesus Se revela como a fonte de água viva, purificando diariamente o nosso coração e renovando nossa caminhada a partir de dentro.

Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.João 7:38

Leia João 4 hoje e descubra o renovo profundo que a água viva traz ao seu coração.

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