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Aula 1 Parte 3 Farmacocinética I
Fármacos classificados como pró fármacos entram no organismo inativos e dependem de um processo de biotransformação para exercerem o seu efeito de cura. De forma análoga, nossos talentos e dons muitas vezes permanecem adormecidos até passarmos pelas pressões e mudanças que amadur
Topicos da aula
- Farmacocínetica I
Overview
Visão Geral da Farmacocinética e Absorção
Esta aula aborda a diferenciação fundamental entre a farmacocinética, que descreve os processos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção exercidos pelo organismo sobre o fármaco, e a farmacodinâmica, que estuda os efeitos e mecanismos de ação no corpo. Serão explorados os fatores que determinam a biodisponibilidade, incluindo as vias de administração, as propriedades físico químicas como a lipossolubilidade, e as interações com alimentos que modificam a taxa de absorção. Além disso, compreende se o impacto do metabolismo hepático de primeira passagem e das enzimas na ativação de compostos e na distribuição tecidual em cenários clínicos específicos.
Farmacocinética e Farmacodinâmica
Diferenças Fundamentais Entre Farmacocinética e Farmacodinâmica
A farmacocinética estuda a ação do organismo sobre o fármaco, englobando processos como a absorção, a distribuição, a biotransformação e a excreção do composto.
Por outro lado, a farmacodinâmica estuda os efeitos bioquímicos e fisiológicos dos fármacos no organismo, abrangendo a eliminação direta de patógenos por agentes antimicrobianos, antifúngicos e antivirais. Efeitos adversos como a nefrotoxicidade e a farmacodermia constituem manifestações farmacodinâmicas de toxicidade tecidual.
Ativação de Receptores e Ação da Insulina
A atuação da insulina exemplifica um fenômeno farmacodinâmico puro. Seja de origem endógena, liberada pelo pâncreas, seja de origem exógena, administrada a pacientes com diabetes mellitus, o hormônio liga se a receptores específicos localizados na superfície de células alvo, como os miócitos.
A ativação desses receptores desencadeia cascatas de sinalização intracelular que promovem o transporte e a captação da glicose presente na corrente sanguínea para o meio intracelular.
Absorção Farmacológica
Conceito de Absorção e Vias de Administração
A absorção é a passagem do fármaco do local administrado para a circulação sistêmica, sendo mensurada em porcentagem. A via de administração altera substancialmente essa taxa.
Um fármaco administrado por via intravenosa é considerado 100% absorvido e disponível na circulação. Já na via oral, a taxa de absorção é variável e depende de parâmetros físico químicos.
Propriedades Físico Químicas e Sítios Intestinais de Absorção
Portanto, características físico químicas, como a lipossolubilidade e a absorção em pH ácido ou neutro, interferem diretamente nesse processo. Fármacos mais lipossolúveis ultrapassam melhor as barreiras do organismo, acumulam se nos tecidos adiposos e prolongam a permanência do efeito farmacodinâmico.
Fármacos que necessitam de meio extremamente ácido para dissolução são absorvidos no estômago, o qual representa um sítio minoritário devido à sua menor área de superfície e espessura tecidual. Além disso, o intestino delgado é longo, extremamente fino e possui microvilosidades voltadas para a absorção de nutrientes e fármacos, sendo que a minoria dos fármacos é absorvida no estômago, pois a maior parte é absorvida no intestino delgado.
Impacto da Alimentação na Absorção do Itraconazol
O itraconazol é um antifúngico potente utilizado no tratamento de micoses em geral, infecções de unha e frieiras, exemplificando a dependência de meio ácido e da motilidade gástrica para sua absorção. Quando administrado em jejum, a taxa de absorção do itraconazol situa se entre 23,5% e 30% da dose de 100 mg.
Contudo, quando ingerido durante ou imediatamente após uma refeição principal (ou acompanhado de bebidas ácidas, como sucos cítricos ou refrigerantes à base de cola), a secreção ácida gástrica estimulada e o retardo do esvaziamento gástrico elevam sua absorção para níveis superiores a 90%. Por esse motivo, a administração acompanhada de alimentos é recomendada para a otimização do tratamento.
Interações por Quelação e Formas Farmacêuticas
Os alimentos podem alterar tanto a extensão quanto a velocidade da absorção. Determinados fármacos mantêm a quantidade total absorvida inalterada, porém apresentam retardo na taxa de absorção na presença de alimentos, estendendo o tempo para pico plasmático de 30 minutos para 2 a 3 horas.
Em contrapartida, interações por quelação reduzem drasticamente a absorção, visto que o ciprofloxacino interage com íons como cálcio, ferro e magnésio. A coadministração de ciprofloxacina com leite ou derivados lácteos reduz sua absorção sistêmica para menos de 50%.
Perfusão Tecidual e Adaptação Posológica Por Via
A taxa de absorção e a distribuição dependem da perfusão sanguínea nos tecidos de administração e de ação. Dessa forma, a perfusão sanguínea no local de absorção e nos sítios de ação determina a quantidade de fármaco que chega aos tecidos, sendo que tecidos pouco irrigados, como o tecido adiposo, requerem doses maiores. As diferenças de absorção entre vias exigem adequações posológicas, de modo que a ciprofloxacina administrada por via intravenosa possui biodisponibilidade de 100% (400 mg IV), ao passo que por via oral prescrevem se 500 mg VO para compensar a perda de aproximadamente 25% do fármaco no trato digestivo.
Na via tópica, a área exposta e as características teciduais determinam a quantidade absorvida. Em lactentes, a maior relação entre superfície corporal e peso, associada à menor espessura cutânea, resulta em absorção sistêmica substancialmente maior de corticoides tópicos, aumentando o risco de efeitos adversos graves em comparação aos adultos. Ademais, a frequência de uso do fármaco influencia diretamente a ocorrência de efeitos adversos sérios.
Biodisponibilidade e Distribuição Tecidual
Conceito e Variações Percentuais da Biodisponibilidade
A biodisponibilidade é a quantidade de fármaco inalterado que alcança a circulação sistêmica, sendo mensurada em porcentagem da dose administrada. Diferentes fármacos administrados por via oral exibem valores variados de biodisponibilidade, como opioides potentes que apresentam valores em torno de 52%, e a piridostigmina cerca de 14%.
O propranolol apresenta baixa biodisponibilidade (cerca de 26%) devido à absorção diminuída e ao efeito de primeira passagem hepática. Para compensar as frações perdidas na absorção ineficiente ou no metabolismo pré sistêmico, as formulações farmacêuticas ajustam a dose administrada.
Distribuição Tecidual e Ligação a Proteínas Plasmáticas
A distribuição é definida como a passagem do fármaco da corrente sanguínea para os tecidos. Dessa forma, a distribuição de um fármaco depende principalmente da sua lipossolubilidade, de modo que quanto mais lipossolúvel o fármaco, maior é a sua distribuição, permitindo amplo volume de acúmulo no tecido adiposo e prolongando a duração do seu efeito.
Em contrapartida, fármacos hidrossolúveis mantêm se predominantemente contidos na circulação vascular. Para permanecer predominantemente na corrente sanguínea, o fármaco não deve apresentar um volume de distribuição muito grande. Além disso, a ligação às proteínas plasmáticas altera a distribuição do fármaco, atuando como fator determinante na fração livre.
Acúmulo de Benzodiazepínicos em Infusão Contínua de UTI
O alprazolam e o diazepam são exemplos de benzodiazepínicos que atuam como ansiolíticos, sendo que a lipossolubilidade desses fármacos prolonga a permanência e o efeito farmacodinâmico no organismo. O midazolam é um fármaco muito utilizado em infusão contínua por bomba para sedação de pacientes em UTI, e o fentanil e o propofol também são fármacos utilizados em ambiente de UTI para analgesia e sedação, respectivamente.
Durante tratamentos prolongados, ocorre acúmulo significativo no tecido adiposo. Após a interrupção da infusão, o fármaco retido na gordura é liberado gradualmente na circulação, retardando o despertar e a recuperação do nível de consciência do paciente por um período de 1 a 2 dias.
Biotransformação e Efeito de Primeira Passagem
Sistemas Enzimáticos e Biotransformação Hepática P450
A biotransformação ou metabolização consiste na alteração química do fármaco em metabólitos ativos, inativos ou de maior hidrossolubilidade, facilitando sua posterior excreção. Esse processo ocorre geralmente sob ação enzimática. A biotransformação ocorre principalmente no fígado, sendo menos frequente nos rins, pulmões e sangue.
O fígado é o principal órgão e centro metabolizador de substâncias no organismo, cuja atividade é desempenhada predominantemente pelo sistema enzimático do citocromo P450 (CYP450). O citocromo P450 atua como um conjunto de enzimas hepáticas que participa ativamente da metabolização. Reações também ocorrem no plasma por meio de esterases plasmáticas.
Ativação Hepática e Mecanismo dos Pró fármacos
A biotransformação hepática também atua na ativação de alguns fármacos, que são denominados pró fármacos. O anti hipertensivo enalapril é classificado como pró fármaco, desprovido de atividade intrínseca direta; após sua absorção oral e passagem pelo fígado, é metabolizado no enalaprilato, que é o metabólito ativo gerado e exerce o efeito terapêutico pretendido.
Impacto do Efeito de Primeira Passagem Hepática
O efeito de primeira passagem ocorre quando há biotransformação do fármaco antes que ele atinja o local de ação. Esse metabolismo pré sistêmico ocorre no epitélio intestinal, no sangue mesentérico e, prioritariamente, no fígado, logo após a absorção via circulação portal.
Medicamentos submetidos a um ostensivo efeito de primeira passagem apresentam redução marcante da sua biodisponibilidade oral, como o propranolol. A adrenalina possui 100% de efeito de primeira passagem, o que impede a sua administração por via oral.
Investigação Farmacocinética na Fase Um dos Ensaios Clínicos
As propriedades farmacocinéticas dos compostos são investigadas durante a Fase 1 dos ensaios clínicos. Destaca se que esses exames ocorrem estritamente em voluntários sadios e não em pacientes.
Algo frequentemente cobrado em provas é a identificação das fases dos ensaios clínicos (como a Fase 1) a partir da apresentação de casos clínicos que descrevem a história do paciente, reações adversas ou etapas do desenvolvimento do fármaco.
Dicas Para Provas
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
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| Na prova, serão cobradas questões baseadas em casos clínicos ou histórias de pacientes para identificar a fase de desenvolvimento correspondente. |
Reflexão Sion
A Biotransformação do Propósito
Fármacos classificados como pró fármacos entram no organismo inativos e dependem de um processo de biotransformação para exercerem o seu efeito de cura. De forma análoga, nossos talentos e dons muitas vezes permanecem adormecidos até passarmos pelas pressões e mudanças que amadurecem o nosso caráter. Ao confiar essas fases de refinamento nas mãos de Jesus, Ele nos transforma em instrumentos ativados e preparados para levar restauração àqueles que sofrem.
Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.Efésios 2:10
Entregue seus processos a Deus e permita que Ele ative o seu verdadeiro propósito de vida.