Sion Academy
Aula 5 Revisão
O desenvolvimento de medicamentos segue uma sequência que vai da avaliação pré clínica ao acompanhamento após a entrada no mercado.
Topicos da aula
- Revisão
Overview
Mapa da revisão farmacológica
Esta aula organiza a revisão farmacológica a partir de uma ideia central: transformar conceitos em decisões clínicas seguras. O percurso começa pela classificação dos medicamentos e pelos ensaios clínicos, avança pelos processos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção e chega à interpretação de meia vida, clearance, volume de distribuição e monitorização sérica. Em seguida, relaciona função renal, ligação proteica e estado de equilíbrio ao ajuste de doses, incluindo situações em que a função renal oscila. A farmacodinâmica conecta receptores, seletividade, dose e efeito, enquanto os antimicrobianos exigem interpretar potência e sensibilidade. Por fim, os sistemas colinérgicos e os bloqueadores neuromusculares aproximam os mecanismos farmacológicos da escolha terapêutica.
Princípios da revisão e aplicação clínica
Prioridades da revisão farmacológica
A revisão farmacológica deve priorizar conteúdos relevantes para a prova e para a futura prática profissional. Também é importante estudar o significado das fases 1, 2, 3 e 4 dos estudos clínicos, pois esse conteúdo pode ser cobrado na prova.
Informações estruturais sobre determinados receptores, como a ligação a grupos específicos, servem como base conceitual, mas não necessariamente modificam a conduta profissional. Por isso, a avaliação deve privilegiar a aplicação do conhecimento em situações clínicas, especialmente a interpretação, a escolha terapêutica e o ajuste de doses.
Ajuste clínico de doses renais
Um paciente com insuficiência cardíaca crônica, pneumonia e insuficiência renal utilizaria um antimicrobiano excretado pela via renal. Nesse contexto, é necessário avaliar a função renal e determinar o ajuste de dose apropriado, abordando também a excreção de fármacos.
Em um caso com creatinina sérica de 2,9 mg/dL, foi calculado o clearance de creatinina, e a dose do fármaco foi escolhida com base nesse parâmetro. A questão pode fornecer diretamente o clearance, exigindo apenas a interpretação e o ajuste correspondente. No hospital, um aplicativo pode auxiliar em circunstâncias clínicas relacionadas à farmacoterapia.
Fases do desenvolvimento de fármacos
O desenvolvimento de medicamentos segue uma sequência que vai da avaliação pré clínica ao acompanhamento após a entrada no mercado.
- Etapa: Escolha o fármaco considerando a necessidade de saúde e a possibilidade de a população pagar pelo tratamento.
- Etapa: Considere que, quando a população não consegue arcar com o custo, os laboratórios podem assumir a produção por meio de serviços públicos.
- Etapa: Realize a fase pré clínica, na qual o fármaco é estudado antes da administração em seres humanos e antes dos testes em seres humanos.
- Etapa: Após a solicitação e a autorização dos órgãos reguladores, iniciam se as fases clínicas 1, 2, 3 e 4.
- Etapa: Avalie, nos ensaios clínicos, a segurança e a eficácia dos medicamentos.
- Etapa: Conduza a fase 1 em voluntários saudáveis.
- Etapa: Realize na fase 2 a primeira avaliação de um medicamento em pacientes.
- Etapa: Reconheça que a fase 4 ocorre após o registro do medicamento e sua entrada no mercado.
Vocabulário e equivalência dos medicamentos
- Conceitos fundamentais: Incluem droga, fármaco, medicamento, remédio e forma farmacêutica.
- Classificação em prova: Uma questão pode solicitar a classificação de uma substância ou produto como remédio, droga ou fármaco.
- Categorias de medicamentos: Também devem ser diferenciados medicamento de referência, genérico, similar e similar intercambiável.
- Medicamento original: Um medicamento original produzido por determinada indústria pode originar outro produto após a quebra da patente.
- Classificação do produto: Depende das informações relativas à demonstração de equivalência e à análise de concentração sérica.
Farmacocinética
Percurso do fármaco no organismo
Acompanhe o fármaco desde sua entrada no organismo até a compreensão de sua ação.
- Definir: A farmacocinética compreende os processos de absorção, distribuição, metabolização e eliminação dos fármacos, abrangendo os processos de biotransformação e excreção.
- Diferenciar: A farmacodinâmica, por sua vez, descreve a ação do fármaco no organismo ou no patógeno.
- Identificar: A absorção corresponde à passagem do fármaco do local de administração para a circulação sistêmica e é expressa em porcentagem.
Via de administração e biodisponibilidade
A absorção é a passagem do fármaco do local de administração para a circulação sistêmica. Na administração intravenosa, não ocorre absorção, pois o fármaco é diretamente introduzido na circulação e apresenta biodisponibilidade completa.
Nas vias oral, cutânea, retal e injetável não intravenosa, existe processo de absorção, mas nem sempre todo o fármaco administrado alcança a circulação sistêmica. A biodisponibilidade oral é influenciada pela capacidade de o fármaco atravessar a barreira intestinal e pelo efeito de primeira passagem, que reduz a quantidade de diversos fármacos administrados por via oral.
Propriedades que modulam a absorção
A absorção depende das características físico químicas do fármaco e também do veículo, da perfusão sanguínea local, da área de exposição e da via de administração. Fármacos altamente hidrossolúveis apresentam dificuldade para atravessar o epitélio gastrointestinal; por isso, medicamentos altamente hidrossolúveis são administrados por via intravenosa.
Para a absorção oral, o fármaco precisa apresentar algum grau de lipossolubilidade. De modo geral, quanto maior a lipossolubilidade, maior tende a ser a absorção e a distribuição.
Primeira passagem e perda de dose
O efeito de primeira passagem é variável entre os fármacos. Alguns apresentam elevada metabolização quando passam pelo fígado após a absorção intestinal, enquanto outros sofrem pouca metabolização inicial. Assim, fármacos com alta metabolização hepática sofrem maior interferência desse efeito.
O propranolol constitui um exemplo de fármaco cuja absorção é marcadamente reduzida: apenas aproximadamente um quarto da dose é absorvido, em razão da passagem pela parede intestinal e do metabolismo de primeira passagem.
Distribuição e fração livre
A distribuição depende de fatores fisiológicos, das características do fármaco e da relação entre o fármaco e o local de ação. Quanto maior a ligação do fármaco às proteínas plasmáticas, especialmente à albumina, menor é a fração livre e menor é sua distribuição.
Essa elevada ligação pode dificultar a distribuição, embora esse efeito também dependa do tamanho da molécula. A lipossolubilidade também interfere nesse processo, e os fármacos apresentam comportamentos diferentes conforme suas características.
Biotransformação e pró fármacos ativos
A biotransformação pode inativar um fármaco ou ativá lo em alguns casos. Ainda assim, a maioria dos fármacos metabolizados no fígado é inativada; depois, um fármaco pode ser eliminado pelo rim.
Alguns medicamentos são administrados como pró fármacos e precisam ser transformados em compostos ativos. O clopidogrel é um antiagregante plaquetário utilizado em pacientes com risco de trombose e precisa passar pelo fígado para ser transformado em um fármaco ativo.
Rotas hepática e renal
A metabolização não corresponde apenas à eliminação ou à inativação. Após entrar na circulação sistêmica, alguns fármacos passam repetidamente pelo fígado e sofrem metabolização gradual. O fármaco mencionado no material passa pelo fígado, sofre um efeito metabólico e é metabolizado e eliminado por via hepática.
As rotas variam conforme o fármaco: alguns passam pelo fígado sem alterações importantes e depois são excretados pelos rins; outros sofrem transformação hepática e são eliminados pela urina. Aminoglicosídeos e fosfomicina podem ser eliminados pela urina sem metabolismo hepático significativo.
Eliminação conforme propriedades do fármaco
Eliminação e excreção correspondem à retirada do fármaco do organismo na forma inalterada ou como metabólitos ativos ou inativos. A eliminação dos fármacos ocorre por diferentes vias, conforme suas características físico químicas.
Um fármaco pode ser eliminado pelos rins, pelo fígado, pelo suor ou por outras vias, mas precisa deixar o organismo na forma original ou metabolizada.
Insuficiência renal e ajuste de doses
Ajuste inicial na insuficiência renal
Siga o caso clínico relacionando o tipo de insuficiência renal à necessidade e ao momento do ajuste da dose.
- Etapa: Reconheça que uma questão de prova pode apresentar um caso clínico com insuficiência renal aguda ou crônica.
- Etapa: Na insuficiência renal aguda, considere que a função renal pode oscilar.
- Etapa: Pode ser necessário atrasar o ajuste da dose e aguardar de 48 a 72 horas.
- Etapa: Considere uma conduta diferente quando o fármaco é muito tóxico.
Dose de ataque e monitorização sérica
Em situações específicas, uma dose de ataque de meropenem pode ser de 3 ou 4 gramas na primeira administração, acima da dose convencional. O cálculo dessa dose pode considerar a massa magra ou o peso ideal do paciente.
Na passagem pelo rim, o fármaco ou seus metabólitos podem ser captados e excretados na urina. Para obter uma dosagem sérica representativa do regime, deve se esperar pelo menos quatro a cinco tempos de meia vida; cinco tempos é uma opção mais segura. Assim, se a meia vida for de 10 horas, a dosagem sérica no steady state deve ser realizada aproximadamente após 50 horas.
Manutenção na insuficiência renal crônica
Na insuficiência renal crônica, a função renal tende a permanecer reduzida. Geralmente, administra se a primeira dose completa e reduzem se as doses subsequentes quando necessário.
A dose de manutenção é a dose indicada na bula para manter o tratamento crônico. Em determinadas situações, essa dose deve ser mantida por três dias na maioria dos casos. A redução da dose busca evitar toxicidade quando o paciente não consegue eliminar adequadamente o fármaco.
Sequência entre doses terapêuticas
A primeira dose de um paciente com insuficiência renal não deve ser reduzida automaticamente. A chamada dose cheia corresponde à dose máxima prevista em bula, enquanto a dose de ataque é superior à dose habitual e tem como objetivo alcançar rapidamente a concentração terapêutica.
Dose cheia não é sinônimo de dose de ataque: a dose de ataque é maior que a dose cheia convencional. Por exemplo, meropenem pode ser administrado na dose de 2 g a cada 8 horas como dose máxima usual, enquanto uma dose de ataque pode ser superior. Após a dose de ataque, utiliza se a dose de manutenção para conservar o paciente em tratamento.
Tempo até o estado de equilíbrio
O estado de equilíbrio, também chamado steady state, é alcançado após aproximadamente quatro a cinco tempos de meia vida. Portanto, um fármaco com meia vida de 30 horas pode levar entre 120 e 150 horas para atingir esse estado.
Uma dose de ataque cuidadosamente calculada pode antecipar a obtenção da concentração terapêutica. Depois, utiliza se a dose de manutenção para conservar a concentração do fármaco durante o tratamento crônico.
Clearance renal e hepático
Clearance é a depuração ou remoção de um fármaco do organismo. Todos os fármacos apresentam algum clearance, independentemente do local de excreção.
O clearance de creatinina é utilizado para avaliar a função renal porque a creatinina é eliminada pelos rins. Não se deve usar esse parâmetro para avaliar a excreção hepática. Fármacos eliminados predominantemente pelo fígado podem exigir avaliação do clearance hepático, pois existem clearances hepáticos para fármacos excretados pela via hepática.
Faixas do clearance de creatinina
- Clearance normal: Valores entre 90 e 120 mL/min são considerados normais.
- Redução leve: Valores entre 60 e 89 mL/min indicam redução leve.
- Estadiamento: O estadiamento da insuficiência renal aguda e crônica utiliza parâmetros semelhantes.
- Insuficiência renal aguda: A insuficiência renal aguda pode retornar quando sua causa é corrigida.
- Creatinina sérica: Quanto maior a creatinina sérica, menor tende a ser a função renal.
- Ajuste de dose: A maior creatinina sérica aumenta a necessidade de reduzir a dose de fármacos eliminados pelos rins.
Quando a função renal oscila
Quando a creatinina diminui rapidamente, isso pode indicar melhora da filtração renal e maior eliminação do fármaco. O ajuste da dose pela creatinina é relevante quando o medicamento é eliminado por via renal; nesse cenário, pode ser necessário aumentar a dose para evitar concentração subterapêutica.
Se a função renal voltar a melhorar após a redução da dose, aumenta o risco de subdose. Essa interpretação não se aplica da mesma forma aos fármacos eliminados por via hepática. Na insuficiência renal aguda, a oscilação da função exige cautela para evitar tanto toxicidade quanto subdose.
Ligação proteica e volume de distribuição
Fração livre e toxicidade
Nem todos os fármacos se ligam às proteínas plasmáticas; existem fármacos raros que não apresentam essa ligação. Entre os que se ligam, uma ligação de 93% às proteínas plasmáticas é alta, assim como valores acima de 70%. A fração que exerce ação farmacológica é a fração livre.
O fármaco livre é predominantemente filtrado pelos rins e metabolizado pelo fígado. Pelos rins, a fração livre do fármaco é a principal fração excretada. A redução da concentração de albumina pode aumentar a fração livre e sua excreção, além de aumentar a metabolização do fármaco, a ação farmacológica e o risco de toxicidade.
Hipoalbuminemia e risco farmacológico
A concentração habitual de albumina situa se aproximadamente entre 4,5 e 5 g/dL. Em um paciente com albumina de 1,8 g/dL, um fármaco altamente ligado às proteínas apresentará maior fração livre; essa concentração é considerada muito baixa.
Fármacos com mais de 90% de ligação às proteínas plasmáticas apresentam uma grande proporção ligada à albumina. Isso pode intensificar sua ação e aumentar a toxicidade. Por essa razão, a albumina sérica é um marcador relevante em pacientes críticos, especialmente quando são utilizados fármacos com elevada ligação proteica.
Albumina em sepse e cirrose
Na sepse, a albumina administrada por via intravenosa pode deslocar se para o terceiro espaço, levando água consigo. Esse deslocamento pode piorar a queda da pressão arterial e aumentar a fração livre de determinados fármacos, por isso a reposição não deve ser interpretada de maneira uniforme.
Na cirrose hepática, a hipoalbuminemia decorre da redução da produção hepática, pois o fígado é o principal produtor de albumina. Nesse contexto, a reposição pode ser considerada conforme a situação clínica e, em algumas situações, pode ser necessária porque a produção hepática está reduzida.
Volume de distribuição e compartimentos
O volume de distribuição indica o quanto o fármaco se distribui pelo organismo. Quanto maior esse volume, maior a quantidade de fármaco que deixa a circulação e alcança outros compartimentos.
Fármacos com baixo volume de distribuição permanecem predominantemente no compartimento central, como ocorre com a gentamicina, cujo volume de distribuição é aproximadamente 18 litros em um paciente de 70 kg. Sua hidrossolubilidade contribui para essa distribuição limitada.
Gentamicina versus azitromicina
| Item | Volume de distribuição | Implicação clínica |
|---|---|---|
| Azitromicina | A azitromicina apresenta volume de distribuição muito maior, aproximadamente 31,1 L/kg, o que corresponde a cerca de 2.177 litros em um paciente de 70 kg. | Essa diferença demonstra que as características de cada fármaco determinam sua distribuição. |
| Infecção da corrente sanguínea | Pequeno volume de distribuição | No tratamento de uma infecção da corrente sanguínea, devem ser utilizados antimicrobianos com pequeno volume de distribuição para permanecerem na corrente sanguínea e combaterem as bactérias. |
Comparação entre volume de distribuição e aplicação clínica.
Parâmetros farmacocinéticos
Área sob a curva
A área sob a curva representa quanto do fármaco foi absorvido ou está biodisponível ao longo do tempo. Para um fármaco intravenoso, a área sob a curva representa a quantidade administrada ao paciente. Quanto maior a área sob a curva, maior tende a ser a dose ou a absorção. A alimentação pode aumentar ou reduzir a absorção, conforme o medicamento envolvido.
Alimentos alterando a absorção
A levotiroxina deve ser administrada em jejum, pelo menos uma hora antes do café da manhã, para favorecer sua absorção. Quando ingerida junto com o café da manhã, a alimentação reduz a absorção e diminui a área sob a curva. Em outros fármacos, alimentos gordurosos podem aumentar a absorção; portanto, a influência da alimentação depende das características específicas do medicamento.
Meia vida e coleta sérica
O tempo de meia vida é o tempo necessário para que a concentração do fármaco caia pela metade. Se a meia vida for de quatro horas, a concentração cai pela metade a cada intervalo de quatro horas. A coleta de concentração sérica deve ocorrer após aproximadamente quatro a cinco tempos de meia vida, preferencialmente cinco, quando o fármaco já alcançou o estado de equilíbrio.
Lítio: janela de monitorização
O lítio exige monitorização sérica porque concentrações elevadas podem causar toxicidade, enquanto concentrações baixas podem não produzir efeito terapêutico. Por isso, a concentração deve ser avaliada quando o paciente já estiver próximo do estado de equilíbrio.
Se a meia vida do lítio for de dez horas, deve se aguardar aproximadamente 50 horas para a dosagem sérica, período correspondente a cinco tempos de meia vida.
Vancomicina no estado de equilíbrio
A vancomicina é um antimicrobiano intravenoso utilizado contra bactérias Gram positivas multirresistentes. Após o início do tratamento, é necessário aguardar o tempo adequado para avaliar sua concentração sérica.
A dosagem é realizada quando o fármaco atinge o estado de equilíbrio, permitindo verificar se a concentração está apropriada para o paciente.
Farmacodinâmica
Seletividade beta e efeito cardíaco
A farmacodinâmica descreve a ação do fármaco e os resultados produzidos após sua ligação aos receptores. Um exemplo envolve o propranolol e o metoprolol. O propranolol bloqueia receptores beta 1 e beta 2, enquanto o metoprolol é mais seletivo para os receptores beta 1.
O coração apresenta maior quantidade de receptores beta 1, e os pulmões apresentam maior quantidade de receptores beta 2. Além disso, um fármaco cardiotônico pode aumentar a força da musculatura cardíaca na insuficiência cardíaca.
Efeitos dos receptores beta
No pulmão, a ativação dos receptores beta 2 pela adrenalina promove relaxamento da musculatura e broncodilatação, enquanto o bloqueio desses receptores produz o efeito oposto. No coração, a adrenalina estimula os receptores beta 1, aumentando a frequência cardíaca, a força de contração e o débito cardíaco.
O bloqueio beta 1 reduz a frequência, a força de contração, o débito cardíaco e a pressão arterial.
Curvas de dose e resposta
A relação dose–efeito é uma característica de cada fármaco e pode apresentar padrões distintos. Alguns fármacos produzem aumento progressivo do efeito conforme a dose é elevada. Outros aumentam o efeito, mas também elevam o risco de toxicidade.
Há ainda fármacos que atingem um teto de resposta e deixam de produzir aumento adicional do efeito quando a dose continua sendo elevada. A relação dose–efeito pode incluir a eficácia e as reações adversas, e a janela terapêutica pode ser solicitada na prova.
A eficácia terapêutica e os efeitos tóxicos podem ser representados em curvas distintas.
Agonismo e antagonismo farmacológico
Os fármacos podem atuar como agonistas, agonistas inversos ou antagonistas. Entre os antagonistas, os tipos competitivos, não competitivos e alostéricos apresentam mecanismos diferentes de interferência na ação de outros fármacos.
A naloxona é um antagonista utilizado como reversor de opioides em pacientes intoxicados por morfina ou fentanil. Esse uso também se aplica a situações relacionadas ao uso indevido dessas substâncias.
Farmacodinâmica dos antimicrobianos
Concentração inibitória mínima
A farmacodinâmica dos antimicrobianos baseia se na medida da ação contra bactérias, fungos ou vírus. Para antibacterianos, a concentração inibitória mínima é um parâmetro importante para avaliar essa atividade.
Quanto menor a concentração necessária para inibir o crescimento bacteriano, maior é o poder farmacodinâmico do antimicrobiano contra aquela bactéria.
Comparando concentrações contra Pseudomonas
| Bactéria | Antimicrobiano | Concentração inibitória mínima | Interpretação |
|---|---|---|---|
| Pseudomonas aeruginosa | Ceftazidima | 0,1 | Menor quantidade para inibir: mais potente |
| Pseudomonas aeruginosa | Piperacilina tazobactam | 0,7 | Concentração intermediária no exemplo |
| Pseudomonas aeruginosa | Ciprofloxacina | 1,5 | Maior quantidade para inibir: menos potente |
A concentração inibitória mínima indica inibição do crescimento, não necessariamente morte bacteriana; bactericida demonstra eliminação do microrganismo.
Sensibilidade no antibiograma
- Antibiograma: Teste que pode ser realizado pela medida do halo em placa ou pela determinação da concentração inibitória mínima em meio de cultura.
- Concentração inibitória mínima: Quando a concentração necessária é menor, a bactéria é mais sensível ao antimicrobiano.
- Menor sensibilidade: Quando a concentração necessária é maior, a bactéria é menos sensível ou resistente.
- Sensibilidade no exemplo: Valores menores ou iguais a dois foram considerados sensíveis, e o maior valor observado, 1,5, ainda permaneceu nessa faixa.
- Eficácia no exemplo: Assim, todos os antimicrobianos foram classificados como eficazes contra a bactéria porque apresentaram valores menores que 2.
- Classificação: Uma avaliação em sensível, intermediário e resistente também pode ser cobrada na prova.
Sistema colinérgico
Reconhecimento e tratamento da intoxicação
Siga a sequência: reconheça a exposição, identifique o tratamento e relacione a ação da atropina aos efeitos observados.
- Intoxicação: A ingestão de inseticidas pode ocorrer em tentativas de suicídio ou em trabalhadores que manipulam esses produtos sem equipamentos de proteção individual adequados.
- Tratamento: O tratamento apresentado utiliza atropina e pralidoxima.
- Mecanismo: A atropina atua como antagonista competitivo nos receptores muscarínicos e reverte os efeitos da acetilcolina em excesso.
- Uso adicional: A atropina pode ser utilizada para aliviar cólicas intestinais por bloquear efeitos colinérgicos.
Atropina contra excesso colinérgico
Nos organofosforados, ocorre bloqueio irreversível da acetilcolinesterase. Esses compostos ligam se à enzima de maneira que não se dissociam espontaneamente; depois da inibição, o organismo produz novas enzimas. O resultado é acúmulo de acetilcolina e ativação parassimpática excessiva.
A atropina é utilizada no tratamento da intoxicação por organofosforados. Ela compete com a acetilcolina pelos receptores e impede seus efeitos, sendo necessárias doses elevadas no início. Mesmo diante de grande quantidade de acetilcolina, a atropina consegue deslocá la dos receptores.
Subtipos de receptores colinérgicos
Os receptores muscarínicos podem produzir efeitos opostos: M1, M3 e M5 apresentam ação excitatória, enquanto M2 e M4 apresentam ação inibitória. Entre os receptores nicotínicos, N1 está localizado na suprarrenal, e N2 é encontrado na musculatura esquelética.
Essa localização torna os receptores N2 relevantes para a compreensão dos bloqueadores neuromusculares.
Anticolinesterásicos na doença de Alzheimer
Um dos mecanismos relacionados à doença de Alzheimer envolve redução da acetilcolina. Para aumentar sua disponibilidade no sistema nervoso central, esses fármacos não estimulam diretamente o receptor: eles inibem a acetilcolinesterase, impedindo a degradação da acetilcolina.
Galantamina, neostigmina, piridostigmina e rivastigmina são agonistas colinérgicos indiretos ou anticolinesterásicos. A rivastigmina bloqueia reversivelmente a acetilcolinesterase no sistema nervoso central e precisa ser administrada diariamente.
Agonistas muscarínicos e indicações
Os agonistas muscarínicos podem atuar de forma direta ou indireta. Betanecol e pilocarpina são exemplos de fármacos de ação direta. Esses medicamentos podem ser relacionados ao tratamento da retenção urinária, da hiperplasia prostática e do glaucoma.
A pilocarpina é um agonista colinérgico utilizado no glaucoma. A acetilcolina estimula o músculo responsável por facilitar a drenagem do humor aquoso pelo canal de Schlemm, enquanto a estimulação do músculo ocular pela pilocarpina favorece a drenagem do humor vítreo pelo canal de Schlemm.
Pilocarpina e via tópica
A pilocarpina não é administrada por via oral porque produziria efeitos colinérgicos generalizados, sem direcionamento adequado. Na forma de colírio, sua ação é concentrada no olho, reduzindo a exposição sistêmica.
Assim, a escolha da via de administração direciona o efeito para o local desejado e limita reações adversas.
Antagonistas colinérgicos e bloqueadores neuromusculares
Anticolinérgicos para broncodilatação
Entre os antagonistas colinérgicos estão atropina, ipratrópio, homatropina e N butilbrometo de escopolamina. O ipratrópio é utilizado por inalação em pacientes com dificuldade respiratória.
Seu mecanismo envolve relaxamento da musculatura brônquica, broncodilatação e redução da secreção, porque bloqueia a ação colinérgica nas vias respiratórias. Ao relaxar a musculatura lisa dos brônquios, o ipratrópio melhora a ventilação e reduz a quantidade de secreção.
Bloqueio neuromuscular em procedimentos
Os bloqueadores neuromusculares são utilizados em cirurgias e na intubação para produzir relaxamento da musculatura e facilitar a ventilação mecânica. Como o bloqueio impede a resposta muscular, o paciente deve receber sedação adequada.
Esses fármacos atuam nos receptores nicotínicos N2 da musculatura esquelética.
Succinilcolina: início e reversão
Siga a sequência para diferenciar a succinilcolina quanto à classificação, velocidade, eliminação e reversão.
- Etapa: Classifique os bloqueadores neuromusculares em não despolarizantes e despolarizantes.
- Etapa: Identifique a succinilcolina como um bloqueador neuromuscular despolarizante.
- Etapa: Reconheça a succinilcolina como o bloqueador neuromuscular de ação mais rápida e de eliminação mais rápida, especialmente útil quando a intubação exige relaxamento imediato.
- Etapa: Relacione a metabolização da succinilcolina à pseudocolinesterase e a ação da neostigmina à acetilcolinesterase.
- Etapa: Conclua que o efeito da succinilcolina não é revertido pela neostigmina.
Recuperação após succinilcolina
A succinilcolina geralmente desaparece do organismo em aproximadamente oito a dez minutos. Como não é revertida pela neostigmina, deve se aguardar a recuperação espontânea, mantendo as condições de segurança e suporte ventilatório do paciente. Essa característica pode ser útil em situações de intubação difícil, nas quais a curta duração reduz o tempo de bloqueio caso a intubação não seja concluída.
Escolha entre bloqueadores neuromusculares
Rocurônio, atracúrio e cisatracúrio diferem quanto ao início de ação, à duração e às vias de eliminação. O rocurônio tem início de ação rápido, mas permanece aproximadamente 30 minutos no organismo do paciente. Rocurônio e atracúrio podem apresentar eliminação renal e hepática.
A escolha deve considerar o procedimento e as condições clínicas do paciente. Alguns bloqueadores dependem da eliminação renal ou hepática, enquanto outros sofrem eliminação de Hofmann ou hidrólise. A eliminação de Hofmann e a hidrólise são formas de metabolismo que não dependem dos rins nem do fígado.
Reversão dos bloqueadores não despolarizantes
A neostigmina pode ser utilizada para reverter grande parte dos bloqueadores neuromusculares não despolarizantes. Para selecionar o fármaco mais adequado, é necessário considerar a via de eliminação, o metabolismo hepático, a eliminação renal e a duração do efeito.
Essa avaliação também se aplica a pacientes com insuficiência renal ou hepática, pois essas condições fazem parte dos fatores clínicos relevantes para a escolha.
Dicas Para Provas
Ajuste De Dose Renal
Uma questão de prova pode apresentar um caso clínico com insuficiência renal aguda ou crônica. O valor do clearance pode ser fornecido para que o estudante faça o ajuste de dose adequado.
O ajuste de dose com base no clearance de creatinina pode ser cobrado em uma questão de prova; por isso, diante desses dados, é necessário interpretar o clearance e realizar o ajuste correspondente.
Relações Dose Efeito
| Aspecto | Informação |
|---|---|
| Estado de equilíbrio farmacocinético | |
| Conteúdos cobrados na prova | |
| A janela terapêutica pode ser solicitada na prova. | |
| Relação dose efeito | |
| Classificação |
Categorias De Medicamentos
Para a prova, revise as classificações de substâncias ou produtos e as categorias de medicamentos.
- Classificação: Uma questão pode solicitar a classificação de uma substância ou produto como remédio, droga ou fármaco.
- Categorias de medicamentos: Os conceitos de medicamento de referência, medicamento genérico, medicamento similar e medicamento similar intercambiável podem ser cobrados na prova.
Fases Dos Ensaios Clínicos
As fases dos estudos clínicos seguem marcos distintos, desde as pesquisas anteriores à avaliação em seres humanos até a análise após a entrada no mercado.
- Etapa: Estudar o significado das fases 1, 2, 3 e 4 dos estudos clínicos, pois esse conteúdo pode ser cobrado na prova.
- Etapa: Diferenciar ensaios pré clínicos e clínicos: os pré clínicos são realizados antes, e os clínicos, em seres humanos.
- Etapa: Considerar que esse conteúdo foi cobrado na prova do semestre passado.
- Etapa: Identificar a fase 1 como realizada em voluntários saudáveis e a fase 2 como a primeira avaliação em pacientes.
- Etapa: Reconhecer que a fase 4 ocorre após o registro do medicamento e sua entrada no mercado.
- Etapa: Associar a fase 5 à avaliação dos medicamentos em milhões de pacientes.
Ajuste de Dose na Insuficiência Renal
O ajuste de dose pode ser cobrado com base no clearance de creatinina. A questão pode fornecer o valor do clearance para que o estudante determine o ajuste adequado.
Também pode apresentar um caso clínico de insuficiência renal aguda ou crônica, exigindo a interpretação do cenário clínico para orientar o ajuste.
Categorias e Classificações de Medicamentos
As classificações abaixo organizam conceitos e resultados que podem ser cobrados na avaliação.
- Remédio, droga ou fármaco: classificação possível de uma substância ou produto em uma questão de prova.
- Medicamentos: podem ser classificados como medicamento de referência, genérico, similar e similar intercambiável.
- Resultados: podem ser classificados como sensível, intermediário ou resistente; uma avaliação com essas categorias pode ser cobrada na prova.
Parâmetros da Resposta Farmacológica
São necessários aproximadamente quatro a cinco tempos de meia vida para atingir o estado de equilíbrio farmacocinético. A janela terapêutica pode ser solicitada na prova.
Um gráfico de relação dose efeito também pode ser cobrado, inclusive em mais de uma questão.
Fases dos Ensaios Clínicos
A sequência das fases ajuda a organizar o desenvolvimento e a avaliação dos medicamentos.
- Etapa: Estude o significado das fases 1, 2, 3 e 4 dos estudos clínicos, pois esse conteúdo pode ser cobrado na prova.
- Etapa: Diferencie os ensaios pré clínicos dos clínicos: os pré clínicos são realizados antes, e os clínicos, em seres humanos.
- Etapa: Relembre que o tema dos ensaios pré clínicos e clínicos foi cobrado na prova do semestre passado.
- Etapa: Identifique a fase 1, realizada em voluntários saudáveis, e a fase 2, que corresponde à primeira avaliação em pacientes.
- Etapa: Reconheça a fase 4 como a etapa que ocorre após o registro do medicamento e sua entrada no mercado.
- Etapa: associe a fase 5 à avaliação dos medicamentos em milhões de pacientes.
Reflexão Sion
Cuidado que considera cada detalhe
A farmacologia mostra que a dose precisa ser ajustada ao caminho do fármaco no corpo, especialmente quando a função renal muda. Isso lembra que cuidar de alguém exige atenção à sua condição real, e não aplicar uma medida igual para todos. Em Jesus, encontramos esperança de um cuidado que conhece cada pessoa e oferece vida plena.
Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.João 10:10
Leia e reflita sobre o cuidado que considera cada detalhe.