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Ciclo Básico4 PeríodoFarmacologiaCapítulo 1

Aula 5 Revisão

O desenvolvimento de medicamentos segue uma sequência que vai da avaliação pré clínica ao acompanhamento após a entrada no mercado.

Duracao: 24 min

Topicos da aula

  • Revisão

Overview

Mapa da revisão farmacológica

Esta aula organiza a revisão farmacológica a partir de uma ideia central: transformar conceitos em decisões clínicas seguras. O percurso começa pela classificação dos medicamentos e pelos ensaios clínicos, avança pelos processos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção e chega à interpretação de meia vida, clearance, volume de distribuição e monitorização sérica. Em seguida, relaciona função renal, ligação proteica e estado de equilíbrio ao ajuste de doses, incluindo situações em que a função renal oscila. A farmacodinâmica conecta receptores, seletividade, dose e efeito, enquanto os antimicrobianos exigem interpretar potência e sensibilidade. Por fim, os sistemas colinérgicos e os bloqueadores neuromusculares aproximam os mecanismos farmacológicos da escolha terapêutica.

Princípios da revisão e aplicação clínica

Prioridades da revisão farmacológica

A revisão farmacológica deve priorizar conteúdos relevantes para a prova e para a futura prática profissional. Também é importante estudar o significado das fases 1, 2, 3 e 4 dos estudos clínicos, pois esse conteúdo pode ser cobrado na prova.

Informações estruturais sobre determinados receptores, como a ligação a grupos específicos, servem como base conceitual, mas não necessariamente modificam a conduta profissional. Por isso, a avaliação deve privilegiar a aplicação do conhecimento em situações clínicas, especialmente a interpretação, a escolha terapêutica e o ajuste de doses.

Ajuste clínico de doses renais

Um paciente com insuficiência cardíaca crônica, pneumonia e insuficiência renal utilizaria um antimicrobiano excretado pela via renal. Nesse contexto, é necessário avaliar a função renal e determinar o ajuste de dose apropriado, abordando também a excreção de fármacos.

Em um caso com creatinina sérica de 2,9 mg/dL, foi calculado o clearance de creatinina, e a dose do fármaco foi escolhida com base nesse parâmetro. A questão pode fornecer diretamente o clearance, exigindo apenas a interpretação e o ajuste correspondente. No hospital, um aplicativo pode auxiliar em circunstâncias clínicas relacionadas à farmacoterapia.

Fases do desenvolvimento de fármacos

O desenvolvimento de medicamentos segue uma sequência que vai da avaliação pré clínica ao acompanhamento após a entrada no mercado.

  1. Etapa: Escolha o fármaco considerando a necessidade de saúde e a possibilidade de a população pagar pelo tratamento.
  2. Etapa: Considere que, quando a população não consegue arcar com o custo, os laboratórios podem assumir a produção por meio de serviços públicos.
  3. Etapa: Realize a fase pré clínica, na qual o fármaco é estudado antes da administração em seres humanos e antes dos testes em seres humanos.
  4. Etapa: Após a solicitação e a autorização dos órgãos reguladores, iniciam se as fases clínicas 1, 2, 3 e 4.
  5. Etapa: Avalie, nos ensaios clínicos, a segurança e a eficácia dos medicamentos.
  6. Etapa: Conduza a fase 1 em voluntários saudáveis.
  7. Etapa: Realize na fase 2 a primeira avaliação de um medicamento em pacientes.
  8. Etapa: Reconheça que a fase 4 ocorre após o registro do medicamento e sua entrada no mercado.

Vocabulário e equivalência dos medicamentos

  • Conceitos fundamentais: Incluem droga, fármaco, medicamento, remédio e forma farmacêutica.
  • Classificação em prova: Uma questão pode solicitar a classificação de uma substância ou produto como remédio, droga ou fármaco.
  • Categorias de medicamentos: Também devem ser diferenciados medicamento de referência, genérico, similar e similar intercambiável.
  • Medicamento original: Um medicamento original produzido por determinada indústria pode originar outro produto após a quebra da patente.
  • Classificação do produto: Depende das informações relativas à demonstração de equivalência e à análise de concentração sérica.

Farmacocinética

Percurso do fármaco no organismo

Acompanhe o fármaco desde sua entrada no organismo até a compreensão de sua ação.

  1. Definir: A farmacocinética compreende os processos de absorção, distribuição, metabolização e eliminação dos fármacos, abrangendo os processos de biotransformação e excreção.
  2. Diferenciar: A farmacodinâmica, por sua vez, descreve a ação do fármaco no organismo ou no patógeno.
  3. Identificar: A absorção corresponde à passagem do fármaco do local de administração para a circulação sistêmica e é expressa em porcentagem.

Via de administração e biodisponibilidade

A absorção é a passagem do fármaco do local de administração para a circulação sistêmica. Na administração intravenosa, não ocorre absorção, pois o fármaco é diretamente introduzido na circulação e apresenta biodisponibilidade completa.

Nas vias oral, cutânea, retal e injetável não intravenosa, existe processo de absorção, mas nem sempre todo o fármaco administrado alcança a circulação sistêmica. A biodisponibilidade oral é influenciada pela capacidade de o fármaco atravessar a barreira intestinal e pelo efeito de primeira passagem, que reduz a quantidade de diversos fármacos administrados por via oral.

Propriedades que modulam a absorção

A absorção depende das características físico químicas do fármaco e também do veículo, da perfusão sanguínea local, da área de exposição e da via de administração. Fármacos altamente hidrossolúveis apresentam dificuldade para atravessar o epitélio gastrointestinal; por isso, medicamentos altamente hidrossolúveis são administrados por via intravenosa.

Para a absorção oral, o fármaco precisa apresentar algum grau de lipossolubilidade. De modo geral, quanto maior a lipossolubilidade, maior tende a ser a absorção e a distribuição.

Primeira passagem e perda de dose

O efeito de primeira passagem é variável entre os fármacos. Alguns apresentam elevada metabolização quando passam pelo fígado após a absorção intestinal, enquanto outros sofrem pouca metabolização inicial. Assim, fármacos com alta metabolização hepática sofrem maior interferência desse efeito.

O propranolol constitui um exemplo de fármaco cuja absorção é marcadamente reduzida: apenas aproximadamente um quarto da dose é absorvido, em razão da passagem pela parede intestinal e do metabolismo de primeira passagem.

Distribuição e fração livre

A distribuição depende de fatores fisiológicos, das características do fármaco e da relação entre o fármaco e o local de ação. Quanto maior a ligação do fármaco às proteínas plasmáticas, especialmente à albumina, menor é a fração livre e menor é sua distribuição.

Essa elevada ligação pode dificultar a distribuição, embora esse efeito também dependa do tamanho da molécula. A lipossolubilidade também interfere nesse processo, e os fármacos apresentam comportamentos diferentes conforme suas características.

Biotransformação e pró fármacos ativos

A biotransformação pode inativar um fármaco ou ativá lo em alguns casos. Ainda assim, a maioria dos fármacos metabolizados no fígado é inativada; depois, um fármaco pode ser eliminado pelo rim.

Alguns medicamentos são administrados como pró fármacos e precisam ser transformados em compostos ativos. O clopidogrel é um antiagregante plaquetário utilizado em pacientes com risco de trombose e precisa passar pelo fígado para ser transformado em um fármaco ativo.

Rotas hepática e renal

A metabolização não corresponde apenas à eliminação ou à inativação. Após entrar na circulação sistêmica, alguns fármacos passam repetidamente pelo fígado e sofrem metabolização gradual. O fármaco mencionado no material passa pelo fígado, sofre um efeito metabólico e é metabolizado e eliminado por via hepática.

As rotas variam conforme o fármaco: alguns passam pelo fígado sem alterações importantes e depois são excretados pelos rins; outros sofrem transformação hepática e são eliminados pela urina. Aminoglicosídeos e fosfomicina podem ser eliminados pela urina sem metabolismo hepático significativo.

Eliminação conforme propriedades do fármaco

Eliminação e excreção correspondem à retirada do fármaco do organismo na forma inalterada ou como metabólitos ativos ou inativos. A eliminação dos fármacos ocorre por diferentes vias, conforme suas características físico químicas.

Um fármaco pode ser eliminado pelos rins, pelo fígado, pelo suor ou por outras vias, mas precisa deixar o organismo na forma original ou metabolizada.

Insuficiência renal e ajuste de doses

Ajuste inicial na insuficiência renal

Siga o caso clínico relacionando o tipo de insuficiência renal à necessidade e ao momento do ajuste da dose.

  1. Etapa: Reconheça que uma questão de prova pode apresentar um caso clínico com insuficiência renal aguda ou crônica.
  2. Etapa: Na insuficiência renal aguda, considere que a função renal pode oscilar.
  3. Etapa: Pode ser necessário atrasar o ajuste da dose e aguardar de 48 a 72 horas.
  4. Etapa: Considere uma conduta diferente quando o fármaco é muito tóxico.

Dose de ataque e monitorização sérica

Em situações específicas, uma dose de ataque de meropenem pode ser de 3 ou 4 gramas na primeira administração, acima da dose convencional. O cálculo dessa dose pode considerar a massa magra ou o peso ideal do paciente.

Na passagem pelo rim, o fármaco ou seus metabólitos podem ser captados e excretados na urina. Para obter uma dosagem sérica representativa do regime, deve se esperar pelo menos quatro a cinco tempos de meia vida; cinco tempos é uma opção mais segura. Assim, se a meia vida for de 10 horas, a dosagem sérica no steady state deve ser realizada aproximadamente após 50 horas.

Manutenção na insuficiência renal crônica

Na insuficiência renal crônica, a função renal tende a permanecer reduzida. Geralmente, administra se a primeira dose completa e reduzem se as doses subsequentes quando necessário.

A dose de manutenção é a dose indicada na bula para manter o tratamento crônico. Em determinadas situações, essa dose deve ser mantida por três dias na maioria dos casos. A redução da dose busca evitar toxicidade quando o paciente não consegue eliminar adequadamente o fármaco.

Sequência entre doses terapêuticas

A primeira dose de um paciente com insuficiência renal não deve ser reduzida automaticamente. A chamada dose cheia corresponde à dose máxima prevista em bula, enquanto a dose de ataque é superior à dose habitual e tem como objetivo alcançar rapidamente a concentração terapêutica.

Dose cheia não é sinônimo de dose de ataque: a dose de ataque é maior que a dose cheia convencional. Por exemplo, meropenem pode ser administrado na dose de 2 g a cada 8 horas como dose máxima usual, enquanto uma dose de ataque pode ser superior. Após a dose de ataque, utiliza se a dose de manutenção para conservar o paciente em tratamento.

Tempo até o estado de equilíbrio

O estado de equilíbrio, também chamado steady state, é alcançado após aproximadamente quatro a cinco tempos de meia vida. Portanto, um fármaco com meia vida de 30 horas pode levar entre 120 e 150 horas para atingir esse estado.

Uma dose de ataque cuidadosamente calculada pode antecipar a obtenção da concentração terapêutica. Depois, utiliza se a dose de manutenção para conservar a concentração do fármaco durante o tratamento crônico.

Clearance renal e hepático

Clearance é a depuração ou remoção de um fármaco do organismo. Todos os fármacos apresentam algum clearance, independentemente do local de excreção.

O clearance de creatinina é utilizado para avaliar a função renal porque a creatinina é eliminada pelos rins. Não se deve usar esse parâmetro para avaliar a excreção hepática. Fármacos eliminados predominantemente pelo fígado podem exigir avaliação do clearance hepático, pois existem clearances hepáticos para fármacos excretados pela via hepática.

Faixas do clearance de creatinina

  • Clearance normal: Valores entre 90 e 120 mL/min são considerados normais.
  • Redução leve: Valores entre 60 e 89 mL/min indicam redução leve.
  • Estadiamento: O estadiamento da insuficiência renal aguda e crônica utiliza parâmetros semelhantes.
  • Insuficiência renal aguda: A insuficiência renal aguda pode retornar quando sua causa é corrigida.
  • Creatinina sérica: Quanto maior a creatinina sérica, menor tende a ser a função renal.
  • Ajuste de dose: A maior creatinina sérica aumenta a necessidade de reduzir a dose de fármacos eliminados pelos rins.

Quando a função renal oscila

Quando a creatinina diminui rapidamente, isso pode indicar melhora da filtração renal e maior eliminação do fármaco. O ajuste da dose pela creatinina é relevante quando o medicamento é eliminado por via renal; nesse cenário, pode ser necessário aumentar a dose para evitar concentração subterapêutica.

Se a função renal voltar a melhorar após a redução da dose, aumenta o risco de subdose. Essa interpretação não se aplica da mesma forma aos fármacos eliminados por via hepática. Na insuficiência renal aguda, a oscilação da função exige cautela para evitar tanto toxicidade quanto subdose.

Ligação proteica e volume de distribuição

Fração livre e toxicidade

Nem todos os fármacos se ligam às proteínas plasmáticas; existem fármacos raros que não apresentam essa ligação. Entre os que se ligam, uma ligação de 93% às proteínas plasmáticas é alta, assim como valores acima de 70%. A fração que exerce ação farmacológica é a fração livre.

O fármaco livre é predominantemente filtrado pelos rins e metabolizado pelo fígado. Pelos rins, a fração livre do fármaco é a principal fração excretada. A redução da concentração de albumina pode aumentar a fração livre e sua excreção, além de aumentar a metabolização do fármaco, a ação farmacológica e o risco de toxicidade.

Hipoalbuminemia e risco farmacológico

A concentração habitual de albumina situa se aproximadamente entre 4,5 e 5 g/dL. Em um paciente com albumina de 1,8 g/dL, um fármaco altamente ligado às proteínas apresentará maior fração livre; essa concentração é considerada muito baixa.

Fármacos com mais de 90% de ligação às proteínas plasmáticas apresentam uma grande proporção ligada à albumina. Isso pode intensificar sua ação e aumentar a toxicidade. Por essa razão, a albumina sérica é um marcador relevante em pacientes críticos, especialmente quando são utilizados fármacos com elevada ligação proteica.

Albumina em sepse e cirrose

Na sepse, a albumina administrada por via intravenosa pode deslocar se para o terceiro espaço, levando água consigo. Esse deslocamento pode piorar a queda da pressão arterial e aumentar a fração livre de determinados fármacos, por isso a reposição não deve ser interpretada de maneira uniforme.

Na cirrose hepática, a hipoalbuminemia decorre da redução da produção hepática, pois o fígado é o principal produtor de albumina. Nesse contexto, a reposição pode ser considerada conforme a situação clínica e, em algumas situações, pode ser necessária porque a produção hepática está reduzida.

Volume de distribuição e compartimentos

O volume de distribuição indica o quanto o fármaco se distribui pelo organismo. Quanto maior esse volume, maior a quantidade de fármaco que deixa a circulação e alcança outros compartimentos.

Fármacos com baixo volume de distribuição permanecem predominantemente no compartimento central, como ocorre com a gentamicina, cujo volume de distribuição é aproximadamente 18 litros em um paciente de 70 kg. Sua hidrossolubilidade contribui para essa distribuição limitada.

Gentamicina versus azitromicina

ItemVolume de distribuiçãoImplicação clínica
AzitromicinaA azitromicina apresenta volume de distribuição muito maior, aproximadamente 31,1 L/kg, o que corresponde a cerca de 2.177 litros em um paciente de 70 kg.Essa diferença demonstra que as características de cada fármaco determinam sua distribuição.
Infecção da corrente sanguíneaPequeno volume de distribuiçãoNo tratamento de uma infecção da corrente sanguínea, devem ser utilizados antimicrobianos com pequeno volume de distribuição para permanecerem na corrente sanguínea e combaterem as bactérias.

Comparação entre volume de distribuição e aplicação clínica.

Parâmetros farmacocinéticos

Área sob a curva

A área sob a curva representa quanto do fármaco foi absorvido ou está biodisponível ao longo do tempo. Para um fármaco intravenoso, a área sob a curva representa a quantidade administrada ao paciente. Quanto maior a área sob a curva, maior tende a ser a dose ou a absorção. A alimentação pode aumentar ou reduzir a absorção, conforme o medicamento envolvido.

Alimentos alterando a absorção

A levotiroxina deve ser administrada em jejum, pelo menos uma hora antes do café da manhã, para favorecer sua absorção. Quando ingerida junto com o café da manhã, a alimentação reduz a absorção e diminui a área sob a curva. Em outros fármacos, alimentos gordurosos podem aumentar a absorção; portanto, a influência da alimentação depende das características específicas do medicamento.

Meia vida e coleta sérica

O tempo de meia vida é o tempo necessário para que a concentração do fármaco caia pela metade. Se a meia vida for de quatro horas, a concentração cai pela metade a cada intervalo de quatro horas. A coleta de concentração sérica deve ocorrer após aproximadamente quatro a cinco tempos de meia vida, preferencialmente cinco, quando o fármaco já alcançou o estado de equilíbrio.

Lítio: janela de monitorização

O lítio exige monitorização sérica porque concentrações elevadas podem causar toxicidade, enquanto concentrações baixas podem não produzir efeito terapêutico. Por isso, a concentração deve ser avaliada quando o paciente já estiver próximo do estado de equilíbrio.

Se a meia vida do lítio for de dez horas, deve se aguardar aproximadamente 50 horas para a dosagem sérica, período correspondente a cinco tempos de meia vida.

Vancomicina no estado de equilíbrio

A vancomicina é um antimicrobiano intravenoso utilizado contra bactérias Gram positivas multirresistentes. Após o início do tratamento, é necessário aguardar o tempo adequado para avaliar sua concentração sérica.

A dosagem é realizada quando o fármaco atinge o estado de equilíbrio, permitindo verificar se a concentração está apropriada para o paciente.

Farmacodinâmica

Seletividade beta e efeito cardíaco

A farmacodinâmica descreve a ação do fármaco e os resultados produzidos após sua ligação aos receptores. Um exemplo envolve o propranolol e o metoprolol. O propranolol bloqueia receptores beta 1 e beta 2, enquanto o metoprolol é mais seletivo para os receptores beta 1.

O coração apresenta maior quantidade de receptores beta 1, e os pulmões apresentam maior quantidade de receptores beta 2. Além disso, um fármaco cardiotônico pode aumentar a força da musculatura cardíaca na insuficiência cardíaca.

Efeitos dos receptores beta

No pulmão, a ativação dos receptores beta 2 pela adrenalina promove relaxamento da musculatura e broncodilatação, enquanto o bloqueio desses receptores produz o efeito oposto. No coração, a adrenalina estimula os receptores beta 1, aumentando a frequência cardíaca, a força de contração e o débito cardíaco.

O bloqueio beta 1 reduz a frequência, a força de contração, o débito cardíaco e a pressão arterial.

Curvas de dose e resposta

A relação dose–efeito é uma característica de cada fármaco e pode apresentar padrões distintos. Alguns fármacos produzem aumento progressivo do efeito conforme a dose é elevada. Outros aumentam o efeito, mas também elevam o risco de toxicidade.

Há ainda fármacos que atingem um teto de resposta e deixam de produzir aumento adicional do efeito quando a dose continua sendo elevada. A relação dose–efeito pode incluir a eficácia e as reações adversas, e a janela terapêutica pode ser solicitada na prova.

A eficácia terapêutica e os efeitos tóxicos podem ser representados em curvas distintas.

Agonismo e antagonismo farmacológico

Os fármacos podem atuar como agonistas, agonistas inversos ou antagonistas. Entre os antagonistas, os tipos competitivos, não competitivos e alostéricos apresentam mecanismos diferentes de interferência na ação de outros fármacos.

A naloxona é um antagonista utilizado como reversor de opioides em pacientes intoxicados por morfina ou fentanil. Esse uso também se aplica a situações relacionadas ao uso indevido dessas substâncias.

Farmacodinâmica dos antimicrobianos

Concentração inibitória mínima

A farmacodinâmica dos antimicrobianos baseia se na medida da ação contra bactérias, fungos ou vírus. Para antibacterianos, a concentração inibitória mínima é um parâmetro importante para avaliar essa atividade.

Quanto menor a concentração necessária para inibir o crescimento bacteriano, maior é o poder farmacodinâmico do antimicrobiano contra aquela bactéria.

Comparando concentrações contra Pseudomonas

BactériaAntimicrobianoConcentração inibitória mínimaInterpretação
Pseudomonas aeruginosaCeftazidima0,1Menor quantidade para inibir: mais potente
Pseudomonas aeruginosaPiperacilina tazobactam0,7Concentração intermediária no exemplo
Pseudomonas aeruginosaCiprofloxacina1,5Maior quantidade para inibir: menos potente

A concentração inibitória mínima indica inibição do crescimento, não necessariamente morte bacteriana; bactericida demonstra eliminação do microrganismo.

Sensibilidade no antibiograma

  • Antibiograma: Teste que pode ser realizado pela medida do halo em placa ou pela determinação da concentração inibitória mínima em meio de cultura.
  • Concentração inibitória mínima: Quando a concentração necessária é menor, a bactéria é mais sensível ao antimicrobiano.
  • Menor sensibilidade: Quando a concentração necessária é maior, a bactéria é menos sensível ou resistente.
  • Sensibilidade no exemplo: Valores menores ou iguais a dois foram considerados sensíveis, e o maior valor observado, 1,5, ainda permaneceu nessa faixa.
  • Eficácia no exemplo: Assim, todos os antimicrobianos foram classificados como eficazes contra a bactéria porque apresentaram valores menores que 2.
  • Classificação: Uma avaliação em sensível, intermediário e resistente também pode ser cobrada na prova.

Sistema colinérgico

Reconhecimento e tratamento da intoxicação

Siga a sequência: reconheça a exposição, identifique o tratamento e relacione a ação da atropina aos efeitos observados.

  1. Intoxicação: A ingestão de inseticidas pode ocorrer em tentativas de suicídio ou em trabalhadores que manipulam esses produtos sem equipamentos de proteção individual adequados.
  2. Tratamento: O tratamento apresentado utiliza atropina e pralidoxima.
  3. Mecanismo: A atropina atua como antagonista competitivo nos receptores muscarínicos e reverte os efeitos da acetilcolina em excesso.
  4. Uso adicional: A atropina pode ser utilizada para aliviar cólicas intestinais por bloquear efeitos colinérgicos.

Atropina contra excesso colinérgico

Nos organofosforados, ocorre bloqueio irreversível da acetilcolinesterase. Esses compostos ligam se à enzima de maneira que não se dissociam espontaneamente; depois da inibição, o organismo produz novas enzimas. O resultado é acúmulo de acetilcolina e ativação parassimpática excessiva.

A atropina é utilizada no tratamento da intoxicação por organofosforados. Ela compete com a acetilcolina pelos receptores e impede seus efeitos, sendo necessárias doses elevadas no início. Mesmo diante de grande quantidade de acetilcolina, a atropina consegue deslocá la dos receptores.

Subtipos de receptores colinérgicos

Os receptores muscarínicos podem produzir efeitos opostos: M1, M3 e M5 apresentam ação excitatória, enquanto M2 e M4 apresentam ação inibitória. Entre os receptores nicotínicos, N1 está localizado na suprarrenal, e N2 é encontrado na musculatura esquelética.

Essa localização torna os receptores N2 relevantes para a compreensão dos bloqueadores neuromusculares.

Anticolinesterásicos na doença de Alzheimer

Um dos mecanismos relacionados à doença de Alzheimer envolve redução da acetilcolina. Para aumentar sua disponibilidade no sistema nervoso central, esses fármacos não estimulam diretamente o receptor: eles inibem a acetilcolinesterase, impedindo a degradação da acetilcolina.

Galantamina, neostigmina, piridostigmina e rivastigmina são agonistas colinérgicos indiretos ou anticolinesterásicos. A rivastigmina bloqueia reversivelmente a acetilcolinesterase no sistema nervoso central e precisa ser administrada diariamente.

Agonistas muscarínicos e indicações

Os agonistas muscarínicos podem atuar de forma direta ou indireta. Betanecol e pilocarpina são exemplos de fármacos de ação direta. Esses medicamentos podem ser relacionados ao tratamento da retenção urinária, da hiperplasia prostática e do glaucoma.

A pilocarpina é um agonista colinérgico utilizado no glaucoma. A acetilcolina estimula o músculo responsável por facilitar a drenagem do humor aquoso pelo canal de Schlemm, enquanto a estimulação do músculo ocular pela pilocarpina favorece a drenagem do humor vítreo pelo canal de Schlemm.

Pilocarpina e via tópica

A pilocarpina não é administrada por via oral porque produziria efeitos colinérgicos generalizados, sem direcionamento adequado. Na forma de colírio, sua ação é concentrada no olho, reduzindo a exposição sistêmica.

Assim, a escolha da via de administração direciona o efeito para o local desejado e limita reações adversas.

Antagonistas colinérgicos e bloqueadores neuromusculares

Anticolinérgicos para broncodilatação

Entre os antagonistas colinérgicos estão atropina, ipratrópio, homatropina e N butilbrometo de escopolamina. O ipratrópio é utilizado por inalação em pacientes com dificuldade respiratória.

Seu mecanismo envolve relaxamento da musculatura brônquica, broncodilatação e redução da secreção, porque bloqueia a ação colinérgica nas vias respiratórias. Ao relaxar a musculatura lisa dos brônquios, o ipratrópio melhora a ventilação e reduz a quantidade de secreção.

Bloqueio neuromuscular em procedimentos

Os bloqueadores neuromusculares são utilizados em cirurgias e na intubação para produzir relaxamento da musculatura e facilitar a ventilação mecânica. Como o bloqueio impede a resposta muscular, o paciente deve receber sedação adequada.

Esses fármacos atuam nos receptores nicotínicos N2 da musculatura esquelética.

Succinilcolina: início e reversão

Siga a sequência para diferenciar a succinilcolina quanto à classificação, velocidade, eliminação e reversão.

  1. Etapa: Classifique os bloqueadores neuromusculares em não despolarizantes e despolarizantes.
  2. Etapa: Identifique a succinilcolina como um bloqueador neuromuscular despolarizante.
  3. Etapa: Reconheça a succinilcolina como o bloqueador neuromuscular de ação mais rápida e de eliminação mais rápida, especialmente útil quando a intubação exige relaxamento imediato.
  4. Etapa: Relacione a metabolização da succinilcolina à pseudocolinesterase e a ação da neostigmina à acetilcolinesterase.
  5. Etapa: Conclua que o efeito da succinilcolina não é revertido pela neostigmina.

Recuperação após succinilcolina

A succinilcolina geralmente desaparece do organismo em aproximadamente oito a dez minutos. Como não é revertida pela neostigmina, deve se aguardar a recuperação espontânea, mantendo as condições de segurança e suporte ventilatório do paciente. Essa característica pode ser útil em situações de intubação difícil, nas quais a curta duração reduz o tempo de bloqueio caso a intubação não seja concluída.

Escolha entre bloqueadores neuromusculares

Rocurônio, atracúrio e cisatracúrio diferem quanto ao início de ação, à duração e às vias de eliminação. O rocurônio tem início de ação rápido, mas permanece aproximadamente 30 minutos no organismo do paciente. Rocurônio e atracúrio podem apresentar eliminação renal e hepática.

A escolha deve considerar o procedimento e as condições clínicas do paciente. Alguns bloqueadores dependem da eliminação renal ou hepática, enquanto outros sofrem eliminação de Hofmann ou hidrólise. A eliminação de Hofmann e a hidrólise são formas de metabolismo que não dependem dos rins nem do fígado.

Reversão dos bloqueadores não despolarizantes

A neostigmina pode ser utilizada para reverter grande parte dos bloqueadores neuromusculares não despolarizantes. Para selecionar o fármaco mais adequado, é necessário considerar a via de eliminação, o metabolismo hepático, a eliminação renal e a duração do efeito.

Essa avaliação também se aplica a pacientes com insuficiência renal ou hepática, pois essas condições fazem parte dos fatores clínicos relevantes para a escolha.

Dicas Para Provas

Ajuste De Dose Renal

Uma questão de prova pode apresentar um caso clínico com insuficiência renal aguda ou crônica. O valor do clearance pode ser fornecido para que o estudante faça o ajuste de dose adequado.

O ajuste de dose com base no clearance de creatinina pode ser cobrado em uma questão de prova; por isso, diante desses dados, é necessário interpretar o clearance e realizar o ajuste correspondente.

Relações Dose Efeito

AspectoInformação
Estado de equilíbrio farmacocinético
Conteúdos cobrados na prova
A janela terapêutica pode ser solicitada na prova.
Relação dose efeito
Classificação

Categorias De Medicamentos

Para a prova, revise as classificações de substâncias ou produtos e as categorias de medicamentos.

  • Classificação: Uma questão pode solicitar a classificação de uma substância ou produto como remédio, droga ou fármaco.
  • Categorias de medicamentos: Os conceitos de medicamento de referência, medicamento genérico, medicamento similar e medicamento similar intercambiável podem ser cobrados na prova.

Fases Dos Ensaios Clínicos

As fases dos estudos clínicos seguem marcos distintos, desde as pesquisas anteriores à avaliação em seres humanos até a análise após a entrada no mercado.

  1. Etapa: Estudar o significado das fases 1, 2, 3 e 4 dos estudos clínicos, pois esse conteúdo pode ser cobrado na prova.
  2. Etapa: Diferenciar ensaios pré clínicos e clínicos: os pré clínicos são realizados antes, e os clínicos, em seres humanos.
  3. Etapa: Considerar que esse conteúdo foi cobrado na prova do semestre passado.
  4. Etapa: Identificar a fase 1 como realizada em voluntários saudáveis e a fase 2 como a primeira avaliação em pacientes.
  5. Etapa: Reconhecer que a fase 4 ocorre após o registro do medicamento e sua entrada no mercado.
  6. Etapa: Associar a fase 5 à avaliação dos medicamentos em milhões de pacientes.

Ajuste de Dose na Insuficiência Renal

O ajuste de dose pode ser cobrado com base no clearance de creatinina. A questão pode fornecer o valor do clearance para que o estudante determine o ajuste adequado.

Também pode apresentar um caso clínico de insuficiência renal aguda ou crônica, exigindo a interpretação do cenário clínico para orientar o ajuste.

Categorias e Classificações de Medicamentos

As classificações abaixo organizam conceitos e resultados que podem ser cobrados na avaliação.

  • Remédio, droga ou fármaco: classificação possível de uma substância ou produto em uma questão de prova.
  • Medicamentos: podem ser classificados como medicamento de referência, genérico, similar e similar intercambiável.
  • Resultados: podem ser classificados como sensível, intermediário ou resistente; uma avaliação com essas categorias pode ser cobrada na prova.

Parâmetros da Resposta Farmacológica

São necessários aproximadamente quatro a cinco tempos de meia vida para atingir o estado de equilíbrio farmacocinético. A janela terapêutica pode ser solicitada na prova.

Um gráfico de relação dose efeito também pode ser cobrado, inclusive em mais de uma questão.

Fases dos Ensaios Clínicos

A sequência das fases ajuda a organizar o desenvolvimento e a avaliação dos medicamentos.

  1. Etapa: Estude o significado das fases 1, 2, 3 e 4 dos estudos clínicos, pois esse conteúdo pode ser cobrado na prova.
  2. Etapa: Diferencie os ensaios pré clínicos dos clínicos: os pré clínicos são realizados antes, e os clínicos, em seres humanos.
  3. Etapa: Relembre que o tema dos ensaios pré clínicos e clínicos foi cobrado na prova do semestre passado.
  4. Etapa: Identifique a fase 1, realizada em voluntários saudáveis, e a fase 2, que corresponde à primeira avaliação em pacientes.
  5. Etapa: Reconheça a fase 4 como a etapa que ocorre após o registro do medicamento e sua entrada no mercado.
  6. Etapa: associe a fase 5 à avaliação dos medicamentos em milhões de pacientes.

Reflexão Sion

Cuidado que considera cada detalhe

A farmacologia mostra que a dose precisa ser ajustada ao caminho do fármaco no corpo, especialmente quando a função renal muda. Isso lembra que cuidar de alguém exige atenção à sua condição real, e não aplicar uma medida igual para todos. Em Jesus, encontramos esperança de um cuidado que conhece cada pessoa e oferece vida plena.

Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.João 10:10

Leia e reflita sobre o cuidado que considera cada detalhe.

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