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Aula 9 Parte 1 AINEs
A sequência parte da membrana celular e segue por duas vias enzimáticas, gerando mediadores com efeitos distintos.
Topicos da aula
- AINEs
Overview
Farmacologia dos AINEs
A aula apresenta como os eicosanoides participam da dor, febre, vasodilatação, broncoconstrição e agregação plaquetária. A síntese começa no ácido araquidônico, liberado da membrana celular e metabolizado pelas vias da ciclooxigenase ou da lipooxigenase. A comparação entre COX 1 e COX 2 explica tanto os efeitos terapêuticos dos anti inflamatórios quanto riscos como lesão gástrica, retenção de líquidos, sangramento e trombose. Ao longo do conteúdo, medicamentos como ácido acetilsalicílico, cetorolaco, coxibes, paracetamol e dipirona são relacionados a indicações, mecanismos, contraindicações e efeitos adversos, permitindo compreender como escolher opções analgésicas e antitérmicas com maior segurança.
Eicosanoides e resposta inflamatória
Características gerais dos eicosanoides
Os eicosanoides são derivados principalmente do ácido araquidônico e exercem funções locais. São sintetizados rapidamente, sob demanda, a partir da membrana celular, em resposta a estresse, lesões e estímulos químicos. Atuam diretamente nos tecidos próximos e são degradados em poucos minutos. Prostaglandinas, tromboxanos e leucotrienos são exemplos de eicosanoides.
Essas substâncias estão presentes em quase todos os tecidos e líquidos corporais. Sua produção aumenta diante de lesão tecidual, cirurgia, entorse, lesão articular, infecção, bronquite e asma. O processo inflamatório envolve dor, febre, vasodilatação e quimiotaxia de leucócitos.
Via metabólica do ácido araquidônico
A sequência parte da membrana celular e segue por duas vias enzimáticas, gerando mediadores com efeitos distintos.
- Etapa: Inicie nos fosfolipídios da membrana celular.
- Etapa: Libere o ácido araquidônico: O ácido araquidônico é formado a partir dos fosfolipídios de membrana pela ação da fosfolipase.
- Etapa: Direcione o ácido araquidônico para a via da ciclooxigenase: As ciclooxigenases COX 1 e COX 2 participam da produção de prostaglandinas, e essa via também produz tromboxanos.
- Etapa: Ative a via da lipoxigenase: A lipoxigenase participa principalmente da formação de leucotrienos, que exercem ação broncoconstritora.
- Etapa: Relacione os mediadores aos efeitos: As prostaglandinas participam da febre, da contração muscular e da vasodilatação.
- Etapa: Interprete os tromboxanos: Os tromboxanos estão relacionados à agregação plaquetária e à formação de trombos.
Leucotrienos nas afecções respiratórias
Os leucotrienos atuam principalmente no músculo liso brônquico, promovendo broncoconstrição. Essa ação broncoconstritora está presente na asma, na bronquite e em outras afecções das vias aéreas inferiores. Além disso, estimulam a secreção de muco, contribuindo para tosse e broncoespasmo.
Eles participam da inflamação aguda pulmonar e aumentam a hiper responsividade brônquica, a produção de muco, o edema da mucosa e a permeabilidade vascular. Os bloqueadores de leucotrienos são importantes no tratamento da asma, embora não integrem o grupo dos anti inflamatórios convencionais abordados.
Ciclooxigenases
Função farmacológica das ciclooxigenases
As ciclooxigenases são uma família de enzimas envolvidas na síntese de eicosanoides. Elas catalisam a conversão do ácido araquidônico em prostaglandinas, precursoras diretas dos tromboxanos. Os anti inflamatórios não esteroidais bloqueiam principalmente a produção dessas substâncias, reduzindo dor, febre, vasodilatação e recrutamento de células brancas durante a resposta inflamatória.
A COX 2 exerce ação vasodilatadora e está associada à inibição da proliferação do músculo liso vascular. A COX 1 está associada à agregação plaquetária, à vasoconstrição e à proliferação do músculo liso vascular. Por isso, COX 1 e COX 2 exercem efeitos opostos sobre a agregação plaquetária. A COX 2 está presente em macrófagos, monócitos, músculo liso, endotélio vascular, epitélio e neurônios.
Funções constitutivas da COX 1
A COX 1 está mais relacionada a funções constitutivas do organismo, necessárias ao funcionamento normal e não exclusivamente à inflamação. Por ser constitutiva, participa da proteção da mucosa gástrica. A COX 1 produz prostaglandinas importantes para essa proteção; no estômago, as prostaglandinas aumentam a produção de muco, modulam o pH e estimulam a liberação de bicarbonato quando não há necessidade de produção de ácido clorídrico durante a digestão.
A COX 1 também participa da agregação plaquetária por meio dos tromboxanos. Além disso, contribui para a proteção renal e para o funcionamento adequado do trato gastrointestinal.
Funções induzidas da COX 2
A COX 2 é geralmente induzida por citocinas, incluindo a interleucina 1, a interleucina 2 e o fator de necrose tumoral. Fatores de crescimento e endotoxinas também podem induzir a COX 2 em processos inflamatórios. Por isso, a COX 2 é chamada de induzida.
Essa enzima participa da dor e da inflamação, mas também exerce funções constitutivas no rim, no sistema nervoso central e no endotélio vascular. No sistema plaquetário, relaciona se à ação antiagregante, em oposição à ação agregante associada à COX 1.
Distribuição celular das ciclooxigenases
As ciclooxigenases estão presentes em macrófagos, monócitos, músculo liso, endotélio vascular, epitélio e neurônios. Os anti inflamatórios podem bloquear simultaneamente COX 1 e COX 2 ou apresentar maior seletividade por uma das isoformas, o que produz diferenças entre seus efeitos.
No sistema nervoso central, o bloqueio da produção de prostaglandinas reduz a febre quando impede a ação da prostaglandina sobre o hipotálamo.
Prostaglandinas, tromboxanos e prostaciclina
Efeitos sistêmicos das prostaglandinas
As principais funções relacionadas às ciclooxigenases incluem indução da resposta inflamatória, controle da pressão arterial, participação na agregação ou inibição da agregação plaquetária e estimulação da contração da musculatura lisa. A prostaciclina ( PGI2 ) faz parte do grupo das prostaglandinas.
A PGE2 e a PGI2 sensibilizam as terminações nervosas e causam dor nas fibras nociceptoras. No sistema nervoso central, a PGE2 atua no centro termorregulador e causa febre. Na mucosa gástrica, PGE2 e PGI2 exercem ação citoprotetora, reduzem a produção de ácido clorídrico, aumentam o muco e estimulam o bicarbonato.
Ação vascular da prostaciclina
A prostaciclina, produzida pelas células endoteliais, promove vasodilatação e inibe a agregação plaquetária. Durante uma entorse ou outra lesão, participa da vasodilatação local junto a outros mediadores inflamatórios.
Essa ação aumenta o fluxo sanguíneo e contribui para as alterações vasculares observadas no local lesionado.
Efeitos plaquetários da tromboxana
O tromboxano mobiliza o cálcio intracelular e promove agregação plaquetária, contração do músculo liso e vasoconstrição. A tromboxana A2, produzida nas plaquetas, participa da agregação plaquetária, em oposição à ação vasodilatadora da prostaciclina.
O ácido acetilsalicílico exerce ação antiagregante ao bloquear a produção de tromboxana nas plaquetas.
Efeitos terapêuticos e adversos
Analgesia e controle da febre
O bloqueio da produção de prostaglandinas pode causar analgesia e reduzir a febre. O bloqueio de PGE2 e PGI2 nas terminações nervosas produz analgesia, enquanto um anti inflamatório não seletivo pode produzir analgesia no local que está causando dor.
Ibuprofeno, paracetamol e dipirona apresentam ação antitérmica. Dipirona e paracetamol também produzem analgesia predominantemente central, sendo a dipirona considerada mais eficaz nesse aspecto. O cetorolaco bloqueia prostaglandinas periféricas e apresenta excelente ação analgésica, especialmente em dores intensas e no período pós operatório.
Relaxamento da musculatura lisa
A dipirona apresenta boa ação sobre a musculatura lisa e, por isso, integra a formulação do Buscopan composto. O butilbrometo de escopolamina bloqueia a acetilcolina e promove relaxamento uterino.
A dipirona bloqueia prostaglandinas envolvidas na contração uterina. Assim, a associação bloqueia tanto a acetilcolina quanto prostaglandinas envolvidas na contração uterina, produzindo relaxamento mais amplo do que o Buscopan isoladamente. Por isso, o butilbrometo de escopolamina associado à dipirona é utilizado para cólica uterina.
Como ocorre a lesão gástrica
Os anti inflamatórios não seletivos podem bloquear prostaglandinas em diferentes tecidos. Na mucosa gástrica, esse bloqueio reduz a ação citoprotetora e interfere na produção de muco e bicarbonato gástricos. Com menos muco e bicarbonato, o epitélio fica exposto à pepsina e ao ácido gástrico.
O aumento do pH gástrico reduz a ação da pepsina. A pepsina funciona em pH 2,5, e elevar o pH gástrico para 4 ou 4,5 reduz sua ação. A redução da citoproteção pode causar epigastralgia e, a longo prazo, gastrite e úlcera.
Risco renal dos anti inflamatórios
Os anti inflamatórios também bloqueiam prostaglandinas que protegem os rins. Esse bloqueio pode causar retenção de sódio e líquidos, edema e aumento da pressão arterial, podendo evoluir para insuficiência renal.
O uso contínuo e sem controle aumenta o risco de lesão renal.
Limites e alertas do uso
Podem ocorrer efeitos adversos graves gastrointestinais e renais, além de sangramento. O uso de anti inflamatórios deve ser feito pelo menor tempo possível: para analgesia, o ideal é limitar o uso a até três dias; cinco dias já constituem um período prolongado. Pacientes que usam anticoagulantes não devem tomar anti inflamatórios sem avaliação médica, devido ao risco de sangramento.
Efeitos prostaglandínicos renais e uterinos
No rim, a PGE2 contribui para a vasodilatação e para a manutenção do fluxo sanguíneo renal. O bloqueio de PGE2 pode causar retenção de sódio e líquidos, edema e aumento da pressão arterial.
No útero, a PGE2 participa da contração uterina durante a gestação, e a inibição de sua produção pode dificultar o trabalho de parto. A PGF2α também causa contração uterina e está relacionada à dismenorreia; nessa situação, o ácido mefenâmico apresenta boa ação analgésica.
Febre e anti inflamatórios
Cadeia causal da febre
A febre resulta de uma sequência inflamatória que conecta citocinas, PGE2 hipotalâmica e elevação da temperatura corporal.
- Etapa: Um processo inflamatório, como uma infecção ou amigdalite, estimula a liberação de citocinas inflamatórias, especialmente interleucina 1.
- Etapa: Essas citocinas aumentam a síntese de PGE2 no hipotálamo, elevam o AMP cíclico hipotalâmico e estimulam o aumento da temperatura corporal.
- Etapa: A dipirona e o paracetamol reduzem a febre ao inibir a ação relacionada à PGE2 no sistema nervoso central.
- Etapa: A dipirona é apresentada como um antitérmico de elevada eficácia.
Ácido acetilsalicílico
Irreversibilidade do ácido acetilsalicílico
O ácido acetilsalicílico é um inibidor irreversível da ciclooxigenase e liga se irreversivelmente à ciclooxigenase das plaquetas. Os demais anti inflamatórios ligam se à enzima de forma reversível. Nas plaquetas, o ácido acetilsalicílico impede a produção de tromboxana e reduz a agregação plaquetária, diminuindo o risco de formação de trombos.
É antipirético, analgésico, anti inflamatório, antiagregante plaquetário e antitrombótico, sendo utilizado profilaticamente em situações relacionadas ao infarto agudo do miocárdio. Em doses mais elevadas, o ácido acetilsalicílico exerce efeito antiagregante plaquetário e pode causar sangramento.
Doses e renovação plaquetária
| Aplicação ou situação | Dose ou intervalo | Implicação |
|---|---|---|
| Analgésica | ||
| 0,3 a 0,6 g por dia | ||
| — | ||
| Anti inflamatória | ||
| 3 a 6 g por dia | ||
| — | ||
| Antiagregante | ||
| 81 a 200 mg por dia ou 325 mg em dias alternados | ||
| Dose habitual de 100 mg; 75 mg podem ser suficientes. | ||
| Suspensão por apenas um dia | ||
| — | ||
| Não permite o retorno imediato da agregação. | ||
| Renovação plaquetária | ||
| — | ||
| Aguardar a eliminação das plaquetas afetadas e a produção de novas plaquetas. |
O efeito depende da dose diária.
Manejo perioperatório do AAS
- Etapa: Planejar o procedimento cirúrgico e aguardar pelo menos sete dias após a suspensão do ácido acetilsalicílico, permitindo a renovação das plaquetas.
- Etapa: Conduzir cirurgias de emergência considerando que pode ser necessário utilizar plasma fresco e concentrado de plaquetas durante o ato operatório.
- Etapa: Realizar o procedimento após o período necessário para a formação de novas plaquetas, com menor interferência do medicamento.
Derivados do ácido propiônico
Comparação dos derivados propiônicos
| Fármacos | Ações | Indicações | Perfil de segurança |
|---|---|---|---|
| Ibuprofeno, cetoprofeno e naproxeno | Analgésica, antipirética e anti inflamatória, não necessariamente na mesma intensidade | São indicados para artrite, dor inflamatória, dismenorreia primária e dores musculoesqueléticas | O ibuprofeno é considerado o mais seguro em pediatria; o naproxeno é apresentado como opção mais segura para pacientes idosos, que frequentemente apresentam redução fisiológica da função renal |
As ações analgésica, antipirética e anti inflamatória podem ocorrer em intensidades diferentes.
Escolha pediátrica e paracetamol
Entre os anti inflamatórios, o ibuprofeno é destacado para crianças, enquanto a dipirona pode ser utilizada e apresenta ação predominantemente central. O paracetamol, também comercializado como Tylenol, não é classificado como anti inflamatório. Sua ação anti inflamatória é muito fraca, mas seus principais efeitos são analgésico e antipirético.
Fenamatos e oxicans
Papel dos fenamatos na dismenorreia
Os fenamatos, representados pelo ácido mefenâmico, apresentam ações semelhantes às de outros anti inflamatórios, com destaque para o tratamento da dismenorreia primária. Comercializado como Ponstan, o ácido mefenâmico é considerado uma opção eficaz para a analgesia da dor menstrual.
Perfil terapêutico dos oxicans
| Grupo ou fármaco | Ações e indicações | Tolerabilidade gastrointestinal | Observações |
|---|---|---|---|
| Oxicans | Piroxicam, tenoxicam e meloxicam são oxicans com ações analgésica, antipirética e anti inflamatória. | — | São indicados para artrite reumatoide, osteoartrite e distúrbios musculoesqueléticos agudos. |
| Piroxicam | — | O piroxicam apresenta efeitos gastrointestinais importantes. | Não deve ser administrado a idosos ou a pacientes com gastrite ou história de gastrite. |
| Tenoxicam | — | O tenoxicam e o meloxicam apresentam menor ocorrência de efeitos adversos gastrointestinais do que o piroxicam. | — |
| Meloxicam | — | Entre esses fármacos, o meloxicam é descrito como o que oferece maior proteção gástrica relativa, por ser um pouco mais seletivo para COX 2. | — |
Comparação entre os principais oxicans quanto a ações, indicações e tolerabilidade gastrointestinal.
Seletividade do meloxicam
O meloxicam apresenta certa seletividade para COX 2, embora não seja totalmente seletivo. Essa característica reduz parcialmente os efeitos gastrointestinais em comparação com fármacos menos seletivos. A dose mencionada varia de 240 a 400 mg, com analgesia pós operatória durante seis a oito horas.
Também pode ser utilizado em dose única para osteoartrite, artrite reumatoide e dor leve a moderada. Apresenta certa ação anti inflamatória e é bem tolerado; a interrupção do tratamento por efeitos gastrointestinais ocorre em aproximadamente 5% dos pacientes.
Cetorolaco
Potência analgésica do cetorolaco
O cetorolaco é o anti inflamatório não esteroidal com ação analgésica mais potente. Embora também apresente ação anti inflamatória e antipirética, seu principal efeito é analgésico; não é tão eficaz como anti inflamatório ou antitérmico. O cetorolaco é o princípio ativo da marca Toragesic.
É utilizado com frequência no período pós operatório para dores intensas, podendo reduzir a necessidade de opioides. Em caso de dor de escape, pode ser associado a dipirona e a um opioide, como tramadol; se necessário, pode se utilizar morfina.
Limites de segurança do cetorolaco
O cetorolaco deve ser utilizado por período limitado, geralmente cinco dias ou menos. É considerado um dos anti inflamatórios mais agressivos para o trato gastrointestinal e, entre os anti inflamatórios não esteroidais mencionados, o mais ulcerogênico. Deve ser evitado em pacientes com gastrite, gastrite ativa, doença ulcerativa ou história importante de desconforto gástrico. O etodolaco pode ser uma alternativa com menor potência analgésica, associado a um opioide como codeína ou tramadol.
Estratégias de proteção gástrica
O inibidor da bomba de prótons atua como medicamento gastroprotetor: reduz a produção de ácido clorídrico ao bloquear a bomba responsável pela produção de ácido gástrico. Ele pode ser associado a um anti inflamatório e a um opioide de reserva ou de uso concomitante, conforme a intensidade da dor.
Essa proteção não elimina completamente os danos relacionados ao cetorolaco. Em pacientes com doença gástrica, deve se evitar o anti inflamatório agressivo e utilizar outras estratégias analgésicas; o inibidor da bomba de prótons é apropriado para pacientes com história de gastrite.
Eventos adversos do cetorolaco
O cetorolaco é normalmente utilizado no pós operatório, exceto em obstetrícia, devido ao risco de sangramento.
Entre os efeitos adversos, pode causar sonolência, tontura, cefaleia, epigastralgia e dispneia. Também pode provocar eventos adversos graves gastrointestinais, renais e hemorrágicos.
Equilíbrio entre COX 1 e COX 2
Balanço entre COX 1 e COX 2
| Enzima | Principais funções | Efeito plaquetário | Implicação do desequilíbrio |
|---|---|---|---|
| COX 2 | Vasodilatação; inibição da agregação plaquetária; inibição da proliferação do músculo liso vascular | Ação antiagregante | Pode influenciar o risco de trombose e sangramento |
| COX 1 | Proteção da mucosa gástrica; agregação plaquetária; vasoconstrição; proliferação do músculo liso vascular | Promove agregação plaquetária | Pode influenciar o risco de trombose e sangramento |
O equilíbrio entre COX 1 e COX 2 influencia os riscos de trombose e sangramento.
Seletividade e proteção gastrointestinal
Os anti inflamatórios não seletivos bloqueiam COX 1 e COX 2. Assim, reduzem a inflamação, mas também diminuem a proteção gástrica e podem causar lesões gastrointestinais.
Os inibidores seletivos da COX 2 preservam a COX 1 e mantêm maior proteção da mucosa gástrica, podendo ser uma opção para pacientes com problemas gástricos. Entretanto, ao reduzir a ação antiagregante da COX 2 e deixar predominante a ação agregante da COX 1, podem aumentar o risco de trombose.
Riscos cardiovasculares da seletividade
O uso prolongado de inibidores seletivos da COX 2, especialmente por quinze dias ou mais, pode aumentar o risco de formação de trombos, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral isquêmico e embolia pulmonar. Já os anti inflamatórios que bloqueiam as duas isoformas podem aumentar o risco de sangramento e lesão gástrica; pacientes em uso de anticoagulantes devem evitá los, salvo em situações específicas e sob decisão médica cuidadosa.
Mapa de seletividade farmacológica
A seletividade farmacológica distribui os AINEs conforme sua ação sobre as isoformas da ciclo oxigenase. O cetorolaco bloqueia COX 1 e COX 2, enquanto o etodolaco apresenta maior ação sobre COX 2; ibuprofeno, cetoprofeno e naproxeno inibem ambas as isoformas.
Quanto maior a seletividade por COX 2, maior a preservação gástrica relativa, mas também maior o risco potencial de eventos trombóticos. Já os anti inflamatórios não seletivos podem aumentar o risco de sangramento por reduzirem de forma mais ampla a função plaquetária.
Coxibes
Perfil clínico dos coxibes
Os coxibes são inibidores mais seletivos da COX 2 e produzem ações analgésica, antipirética e anti inflamatória. Entre os medicamentos citados estão rofecoxibe, celecoxibe, etoricoxibe, valdecoxibe e parecoxibe. O parecoxibe é administrado por via intravenosa, enquanto o valdecoxibe é administrado por via oral.
Esses fármacos foram desenvolvidos para produzir analgesia e ação anti inflamatória com menor interferência na proteção gástrica. Os anti inflamatórios mais novos mencionados são mais caros e mais seguros. Os coxibes devem ser evitados em jovens e idosos, além de pacientes com doenças vasculares ou cardiovasculares; quando utilizados, devem ser administrados pelo menor tempo possível.
Benefício gastrointestinal dos coxibes
Em estudo comparativo, pacientes que utilizaram um inibidor seletivo da COX 2 apresentaram redução superior a 50% nos problemas gastrointestinais em comparação com pacientes que utilizaram anti inflamatórios não seletivos.
Foram considerados eventos como epigastralgia, gastrite, úlcera e sangramento gástrico. Esse resultado estimulou o desenvolvimento de medicamentos capazes de manter a analgesia com menor ocorrência de efeitos gástricos, que constituíam importante causa de abandono do tratamento prolongado.
Complicações tromboembólicas dos coxibes
O uso prolongado de coxibes estava associado a maior risco de trombose e de doenças tromboembólicas. Entre essas complicações estavam embolia pulmonar, acidente vascular cerebral isquêmico e infarto agudo do miocárdio. Também foi observada maior mortalidade por doenças tromboembólicas; por isso, o desenvolvimento de novos inibidores seletivos da COX 2 foi reduzido e a prescrição passou a exigir maior controle.
Restrições para uso dos coxibes
Os coxibes devem ser evitados em pacientes jovens ou idosos que apresentem doenças vasculares ou cardiovasculares; quando não houver alternativa, devem ser utilizados pelo menor tempo possível, sob prescrição médica e acompanhamento profissional.
Paracetamol
Ação central do paracetamol
O paracetamol é analgésico e antipirético e atua predominantemente no sistema nervoso central. Não é classificado como anti inflamatório e, nos tecidos periféricos, exerce menor efeito sobre as ciclooxigenases.
Por isso, apresenta maior segurança gastrointestinal, não interfere significativamente na função plaquetária nem aumenta o tempo de sangramento. Pode substituir anti inflamatórios como analgésico e antitérmico em pacientes com risco de sangramento ou problemas gástricos. Além disso, não causa problemas gástricos relevantes e é o analgésico e antitérmico de escolha para crianças com infecções virais ou varicela.
Segurança do paracetamol em crianças
Em crianças com infecções virais ou varicela, o paracetamol é considerado o analgésico e antipirético de escolha. O ácido acetilsalicílico deixou de ser utilizado em crianças devido ao risco de síndrome de Reye.
Trata se de uma doença rara, grave e potencialmente fatal que acomete principalmente o cérebro e o fígado. Ela pode manifestar se com vômitos, sonolência, irritabilidade, convulsões, perda de consciência, coma, fraqueza muscular e paralisia.
Metabolismo e doses do paracetamol
O paracetamol é rapidamente absorvido pelas células luminais do intestino. Nos hepatócitos, sofre significativa biotransformação de primeira passagem e, em doses usuais, é conjugado no fígado, formando metabólitos glicuronizados ou sulfatados inativos.
A dose máxima mencionada é de 4 g por dia. Os comprimidos podem conter 500 ou 750 mg; quando se utilizam comprimidos de 500 mg, é possível administrar 1 g a cada seis horas, e podem ser usadas até cinco doses de 750 mg.
Cascata da hepatotoxicidade
A hepatotoxicidade segue uma sequência: formação do metabólito reativo, perda da proteção hepática e lesão celular.
- Etapa: Uma parte do paracetamol é hidroxilada, gerando a N acetil p benzoquinona imina, também chamada NAPQI.
- Etapa: Esse metabólito pode reagir com grupos sulfidrila das proteínas e causar lesão hepática.
- Etapa: Em condições normais, o NAPQI é neutralizado pela glutationa hepática.
- Etapa: Em doses elevadas, a glutationa disponível se esgota, permitindo que o metabólito reaja com proteínas hepáticas.
- Etapa: A reação com proteínas hepáticas pode provocar necrose hepática potencialmente fatal.
Antídoto na intoxicação por paracetamol
Na intoxicação por paracetamol, a conduta depende do antídoto e do momento da assistência.
- Etapa: O antídoto da intoxicação por paracetamol é a N acetilcisteína.
- Etapa: Ela contém grupos sulfidrila capazes de se ligar aos metabólitos tóxicos.
- Etapa: A N acetilcisteína também é utilizada como mucolítico para facilitar a expectoração.
- Etapa: Em concentrações elevadas, pode ser administrada por via intravenosa em unidades de terapia intensiva para tratar pacientes intoxicados.
- Etapa: O intervalo entre a ingestão e a chegada ao hospital é decisivo: quando o paciente chega em boas condições, o tratamento pode reverter o quadro; quando chega em estado grave, a lesão hepática pode já estar estabelecida.
Cautela na doença hepática
Pacientes com doença hepática, hepatite viral ou história de alcoolismo apresentam risco aumentado de hepatotoxicidade induzida por paracetamol. Como o metabolismo depende do fígado, qualquer doença hepática exige cautela na utilização do medicamento.
Dipirona
Ações e metabolismo da dipirona
A dipirona possui alto poder analgésico, antitérmico e espasmolítico. É transformada em metabólitos ativos, incluindo 4 metilaminoantipirina e 4 aminoantipirina. Sua meia vida é curta, aproximadamente 14 minutos, o que permite a utilização de doses elevadas. A dose habitual mencionada é de 1 g a cada seis horas em pacientes com mais de 15 anos; em ambiente hospitalar, podem ser utilizadas doses de até 10 g por dia em situações de febre intensa.
Mecanismo analgésico da dipirona
A dipirona exerce efeitos por meio da inibição da síntese de prostaglandinas no sistema nervoso central e da redução da sensibilização de nociceptores periféricos. Esses mecanismos relacionados ao óxido nítrico contribuem para reduzir a sensibilização dos nociceptores periféricos. A inibição de outra forma de ciclooxigenase, denominada COX 3, também foi relacionada à ação central.
A dipirona raramente causa lesão gástrica e pode ser associada a um anti inflamatório inibidor da COX 2.
Contraindicações e efeitos adversos da dipirona
Risco hematológico da dipirona
A dipirona deve ser evitada em pacientes com antecedente de agranulocitose, função medular comprometida, tratamento citostático ou doença do sistema hematopoético. Também exige cautela em pessoas que apresentaram broncoespasmo ou reações anafiláticas causadas por salicilatos, paracetamol ou diclofenaco. A agranulocitose induzida pela dipirona é uma reação adversa grave, de origem imunoalérgica, não dependente da dose e potencialmente fatal.
Sinais de agranulocitose
A agranulocitose caracteriza se por queda acentuada dos neutrófilos, febre, calafrios, dor de garganta e ulcerações na cavidade oral. Pode evoluir rapidamente e exige acompanhamento médico, especialmente quando o tratamento ocorre em ambiente hospitalar. A reação pode surgir mesmo após uma dose, embora sua ocorrência seja descrita como rara.
Deficiência de G6PD e hemólise
Pacientes com deficiência congênita de glicose 6 fosfato desidrogenase devem evitar a dipirona. Essa enzima produz NADPH, que mantém níveis adequados de glutationa dentro das hemácias e protege contra substâncias oxidativas. Como a dipirona apresenta potencial oxidante, sua utilização na deficiência de G6PD pode causar dano às hemácias, rompimento celular e perda de hemoglobina. Sulfametoxazol e trimetoprima também devem ser evitados nessa condição.
Hipotensão após dipirona
A dipirona pode causar reação hipotensiva independente da dose, especialmente após administração intravenosa. Como a queda da pressão pode ser rápida, mantenha o paciente deitado ou sentado e bem apoiado durante a administração. A dipirona não deve ser utilizada durante a gravidez e a lactação nas situações mencionadas.
Dicas Para Provas
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
|---|
| A interleucina 1, principalmente, aumenta a síntese de PGE2 no hipotálamo durante o processo inflamatório da febre. |
Reflexão Sion
Alívio com cuidado
Os AINEs reduzem dor e febre ao bloquear prostaglandinas, mas esse mesmo bloqueio pode diminuir a proteção do estômago e dos rins. Assim como o tratamento exige equilíbrio entre aliviar o sofrimento e preservar o organismo, a vida também pede cuidado que não ignore suas fragilidades. Em Jesus, encontramos esperança para atravessar a dor sem desespero e somos convidados a confiar nele com toda a nossa vida.
De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados.2 Coríntios 4:8 9
Reflita sobre o equilíbrio entre alívio e cuidado.