Sion Academy

Ciclo Básico4 PeríodoPASS IVCapítulo I

Aula 5 Saúde da Gestante

O pré natal de risco habitual organiza o cuidado da gestante e o acompanhamento materno fetal.

Duracao: 26 min

Topicos da aula

  • Saúde da Gestante

Overview

Jornada da saúde gestante

A jornada da saúde gestante começa antes da concepção e se estende até o puerpério, articulando planejamento reprodutivo, diagnóstico, acompanhamento pré natal, parto, amamentação e cuidado após o nascimento. O pré natal busca promover segurança materna, acompanhar o crescimento fetal, prevenir e identificar precocemente doenças, infecções e sinais de alarme, além de garantir acolhimento e continuidade do cuidado. A captação precoce, as consultas regulares, os registros adequados, a vacinação, a suplementação e a busca ativa conectam a unidade de saúde à maternidade. Ao longo dessa trajetória, a avaliação individual orienta a classificação de risco, as decisões sobre o parto e o suporte à saúde física, emocional e social da gestante e da puérpera.

Objetivos e importância do pré natal

Finalidades do atendimento pré natal

O pré natal de risco habitual organiza o cuidado da gestante e o acompanhamento materno fetal.

  • Público: Gestantes sem sintomas ou fatores de alto risco gestacional.
  • Local: Unidade de Saúde da Família.
  • Equipe: Médicos de família e profissionais de enfermagem.
  • Proteção: Garantir a segurança materna.
  • Acompanhamento fetal: Acompanhar o potencial de crescimento e desenvolvimento fetal.
  • Maternidade: Estabelecer bases para uma maternidade saudável.
  • Humanização: Oferecer cuidado humanizado e centrado na gestante e em sua família.
  • Apoio: Criar oportunidades de apoio social, cultural e emocional.
  • Prevenção: Evitar condições crônicas que possam afetar o bebê.

Impactos do peso inadequado

Ao nascimento, considera se baixo peso quando o peso é inferior a 2.500 gramas. Essa condição está associada ao aumento do risco de desnutrição infantil, síndrome metabólica, distúrbios do perfil lipídico e doenças cardíacas. Essas repercussões também são relacionadas aos bebês muito grandes.

O bebê pequeno para a idade gestacional pode resultar de restrição do crescimento intrauterino causada por desnutrição materna, tabagismo, consumo de álcool, abuso de drogas ou hipertireoidismo não controlado. Por isso, o acompanhamento pré natal monitora o crescimento e busca peso ao nascer entre 2.500 e 4.000 gramas.

Crescimento intrauterino e vida adulta

Quanto maior a possibilidade de promover o crescimento fetal adequado durante a vida intrauterina, melhores tendem a ser os resultados posteriores. O aumento de 1 cm no comprimento ao nascer poderia relacionar se a um aumento de 0,7 a 1 cm na estatura adulta; entretanto, bebês nascidos com comprimento muito pequeno também poderiam não alcançar a altura geneticamente esperada.

Além disso, cada quilograma a mais no peso de nascimento de uma menina aumentaria, em geral, o peso de nascimento da geração futura. Esse dado indica influência do histórico gestacional familiar sobre as gestações subsequentes.

Início e acompanhamento do pré natal

Captação precoce da gestante

O momento ideal para iniciar o pré natal situa se em torno da décima semana gestacional, considerada o limite máximo para a captação no primeiro trimestre. Algumas gestantes iniciam o acompanhamento mais tardiamente, inclusive com 26 semanas, aproximadamente seis meses e quinze dias de gestação. A idade gestacional corresponde a quarenta semanas, descritas no material como dez meses gestacionais, e não nove meses.

O acompanhamento deve registrar consultas, avaliações, vacinação e acontecimentos do período gestacional, além da assistência durante o trabalho de parto ativo. Ainda assim, somente 21% das pacientes receberam assistência pré natal da forma recomendada.

Consultas e mortalidade materna

O acompanhamento pré natal deve incluir, segundo o material, no mínimo, oito consultas com profissionais de saúde, incluindo médicos e profissionais de enfermagem. Também é mencionado o parâmetro mínimo de seis consultas, enquanto ter menos de cinco está associado a piores desfechos maternos e perinatais.

A frequência adequada ajuda a acompanhar o batimento cardíaco fetal e o crescimento da altura uterina. Quando há poucas consultas, podem ser perdidos diagnósticos de diabetes gestacional, hipotireoidismo, hipertireoidismo, baixo peso fetal, restrição do crescimento, macrossomia e insuficiência placentária. O estudo mencionado encontrou redução de mortes perinatais por até 8.000 nascidos vivos quando havia maior quantidade de consultas.

Busca ativa e continuidade

A ausência da gestante em consultas, exames ou ultrassonografias deve motivar busca ativa pela equipe de saúde, uma medida que contribui para evitar a perda de gestantes durante o acompanhamento. O contato telefônico é utilizado quando ela falta, não realiza exames ou não comparece ao agendamento ultrassonográfico.

Mesmo quando encaminhada ao pré natal de alto risco, a gestante permanece vinculada à equipe de medicina de família de sua região. Também é preconizada uma visita domiciliar no último mês da gestação, embora o material informe que essa atividade nem sempre seja possível na prática.

Cuidados pré concepcionais

Cuidados antes da concepção

No período pré concepcional, devem ser orientados o planejamento reprodutivo, a prevenção e o manejo das infecções sexualmente transmissíveis. Esses cuidados têm o objetivo de reduzir o risco de infecção congênita durante a gravidez.

Gestantes com doenças crônicas, como hipertensão arterial e diabetes, também devem receber orientação sobre os riscos gestacionais antes da concepção.

Investigação do histórico gestacional

A avaliação pré concepcional deve conhecer todo o histórico obstétrico da paciente e investigar o histórico familiar de abortamentos, malformações e parto prematuro.

Além dos antecedentes gestacionais, a investigação deve abordar situações de violência e saúde mental. O histórico gestacional familiar interfere de forma importante na gestação atual.

Situações específicas e incertezas

Na transcrição, o HIV e o herpes genital ativo são apresentados como contraindicações absolutas para o parto natural ou a amamentação.

Em caso de histórico de defeito do tubo neural, o trecho afirma que se inicia uma conduta específica, embora o termo transcrito como “admissão” seja incerto. A encefalocele é descrita como uma malformação relacionada à exteriorização de tecido através de uma falha no fechamento da calota craniana.

O trecho menciona incerteza sobre a relação da anencefalia com o ácido fólico ou com uma malformação congênita.

Ácido fólico e tubo neural

No planejamento familiar, o ácido fólico deve ser iniciado antes do começo da gestação, idealmente três meses antes. A suplementação deve ser mantida até o final do primeiro trimestre, com referência à 12ª semana. A medida é indicada para auxiliar o fechamento do tubo neural, formado principalmente no primeiro trimestre da gestação.

A deficiência de ácido fólico está associada ao risco de defeitos do tubo neural, incluindo anencefalia e mielomeningocele. A deficiência intrauterina de ácido fólico aumenta o risco de mielomeningocele, associada a risco de paralisia, paraplegia, meningite neonatal e infecções graves.

Também foram citadas microcefalia, alterações encefálicas, encefalocele e anencefalia, sem definição, no material, sobre a causa específica de cada caso.

Acolhimento na gravidez não planejada

Diante de uma gravidez indesejada, não cabe à equipe realizar juízo de valor ou induzir a gestante ao abortamento. O papel da equipe é auxiliar a paciente com acolhimento, apoio psicossocial e psicoterapia; quando necessário, também pode ser feito tratamento medicamentoso para condições psiquiátricas.

A possibilidade de doação para adoção pode ser discutida, especialmente porque há risco de depressão pós parto e violência contra o bebê. Após abortamento provocado, a assistência deve concentrar se na prevenção e no tratamento de complicações, como abortamento retido e infecção.

Sinais de alarme após abortamento

Após aborto provocado, febre, dor abdominal intensa e sangramento vaginal com odor fétido ou aspecto purulento são sinais de alarme; qualquer sangramento vaginal durante a gestação exige urgência. Na avaliação especular, mulheres que nunca tiveram passagem de conteúdo pelo colo tendem a apresentar orifício arredondado; após passagem de conteúdo, inclusive em abortamento, o colo pode apresentar formato em fenda.

Rastreamento e suplementação durante a gestação

Triagem das doenças maternas

No pré natal, realiza se a triagem de doenças maternas, incluindo hipertensão, diabetes e anemia. As doenças hipertensivas da gestação são chamadas de DEG.

É importante diferenciar essas categorias: nem toda doença hipertensiva da gestação é pré eclâmpsia, e nem toda pré eclâmpsia evolui para eclâmpsia.

Suplementação e rastreamento contínuo

O pré natal inclui suplementação de ferro, ácido fólico e cálcio, além da imunização. A suplementação de ferro é iniciada habitualmente entre a 12ª e a 16ª semana gestacional; atualmente, também se realiza suplementação de cálcio durante a gestação.

Também são rastreadas infecções e diabetes. As infecções sexualmente transmissíveis devem ser rastreadas em todos os trimestres da gestação.

Acompanhamento do crescimento fetal

Nas consultas de pré natal, a altura uterina é medida para acompanhar o crescimento fetal. Realiza se também a ausculta dos batimentos cardíacos fetais.

Os valores devem ser interpretados em relação à idade gestacional. Uma altura uterina de 22 cm em uma gestante de 30 semanas pode indicar um feto muito pequeno. Já uma altura uterina de 36 cm na mesma idade gestacional pode indicar um feto muito grande ou diabetes gestacional não diagnosticada.

Doenças hipertensivas da gestação

As doenças hipertensivas da gestação constituem causa importante de mortalidade materno infantil. A hipertensão gestacional corresponde ao surgimento de picos pressóricos durante a gestação, enquanto a pré eclâmpsia surge quando esses picos se associam a alterações laboratoriais. As alterações incluem proteinúria, hemólise, elevação de bilirrubina e aumento de enzimas hepáticas.

A evolução para a síndrome HELLP envolve alterações hemolíticas, hepáticas e plaquetárias. Já a eclâmpsia ocorre quando o estado hipertensivo associado aos sinais de pré eclâmpsia produz crises convulsivas. A hipertensão pré gestacional também classifica a gestante como de alto risco.

Hemorragia e violência obstétrica

As hemorragias pós parto são outra causa importante de mortalidade. Entre as práticas consideradas prejudiciais estão determinadas manobras e o uso rotineiro de episiotomia, que não deve ser realizado sem indicação.

Em situações específicas, a episiotomia pode ser considerada preferível a uma laceração de quarto grau. Entretanto, a realização sem consentimento da paciente é caracterizada como violência obstétrica.

Rede de atenção materna

Regionalização e hospitais de referência

O programa mencionado foi criado em 2011 para qualificar a assistência à gestante, mas seu nome permanece incerto. Em Cascavel, cada unidade de saúde pertence a uma região, e essa região determina o hospital de referência da gestante.

A divisão regional dos encaminhamentos busca evitar a sobrecarga de um único serviço hospitalar, distribuindo o atendimento conforme a área de cada unidade.

Encaminhamentos por região

A regionalização define o encaminhamento conforme a área de residência: na região norte, a maioria das gestantes é encaminhada ao Hospital São Lucas, enquanto as regiões Sul e Oeste, incluindo 14 de Novembro, Guarujá e Pioneiros, são encaminhadas ao Hospital Universitário. Anteriormente, o Hospital São Lucas não aceitava gestantes de alto risco porque não dispunha de leito de UTI neonatal.

Integração e lacunas hospitalares

A integração entre as unidades de saúde e as maternidades reduziu os problemas de comunicação e continuidade do cuidado. Em Cascavel, não há Casa da Gestante, Bebê e Puérpera nem centro de parto normal; nos dois casos, o atendimento é intra hospitalar.

Ainda permanecem lacunas assistenciais: a maior defasagem foi observada entre pacientes mais jovens, mulheres negras e mulheres multíparas. Um estudo concluiu que apenas 20% das gestantes estavam realmente assistidas, embora o significado exato de “assistidas” não seja especificado. A continuidade do atendimento puerperal integra a assistência à gestante e à puérpera, e o partograma é utilizado na atenção qualificada ao parto.

Componentes e continuidade assistencial

A assistência à gestante começa com captação precoce, planejamento reprodutivo e acolhimento. Ela também inclui a continuidade do atendimento puerperal para a gestante e a puérpera, além do uso do partograma na atenção qualificada ao parto.

A maior defasagem na assistência foi observada entre pacientes mais jovens, mulheres negras e mulheres multíparas. Um estudo mencionado concluiu que apenas 20% das gestantes estavam realmente assistidas, embora o significado exato de “assistidas” não seja especificado.

Emergência e alto risco gestacional

Em situações de emergência, a gestante pode procurar diretamente hospitais do Sistema Único de Saúde com atendimento aberto. Estão incluídos o São Lucas, o Hospital Universitário e, em Toledo, o Bom Jesus.

A rede prevê ampliação e qualificação de leitos para gestantes de alto risco e de unidades de terapia intensiva neonatal. Após a ampliação hospitalar, o São Lucas passou a receber gestantes de alto risco com maior frequência; anteriormente, muitas eram encaminhadas ao Hospital Universitário pela indisponibilidade de leitos neonatais.

Sífilis congênita e desigualdades

A incidência de sífilis congênita aumentou nos últimos dez anos. Essa infecção pode ocorrer com lesões neurológicas, surdez, cegueira e outras deficiências neurológicas; por isso, o rastreamento durante o pré natal é considerado essencial.

A defasagem na assistência foi descrita sobretudo entre gestantes mais jovens, negras e multirraciais. Um estudo citado relata que mulheres negras receberiam quase 50% menos anestesia durante o trabalho de parto do que mulheres brancas, mesmo quando solicitam analgesia, e também seriam menos ouvidas diante de possíveis complicações, situação relacionada ao racismo estrutural.

Princípios da assistência materna

Os princípios assistenciais começam com a captação precoce, o acolhimento no pré natal e a identificação de gestantes de alto risco. Incluem ainda visita domiciliar, busca ativa e transporte seguro pré hospitalar, conectando a gestante aos cuidados necessários.

A assistência obstétrica também depende do acesso a leitos especializados, da atenção qualificada ao parto e do cuidado no puerpério. Em regiões periféricas, as unidades podem apresentar maior necessidade de atuação da medicina de família.

Após a morte de gestantes ou bebês, a vigilância epidemiológica analisa informações do prontuário, incluindo o estado vacinal e a suscetibilidade à toxoplasmose.

Licença maternidade como direito

A licença maternidade é um direito garantido desde 1988. Ela pode ser solicitada no posto de saúde.

Parto e acompanhamento fetal

Escolha Segura da Via

O parto vaginal é a primeira opção por ser fisiológico. A cesárea deve ser considerada quando o parto vaginal não for seguro, para reduzir riscos maternos e fetais; entre seus motivos está a redução da mortalidade.

Em um caso relatado, a redução dos batimentos cardíacos fetais foi seguida de insuficiência respiratória neonatal, reforçando a necessidade de escolher a via mais segura.

Avaliação Fetal às 40 Semanas

A duração esperada de uma gestação normal é de 40 semanas. Ao atingir esse período, a gestante deve ser encaminhada ao hospital para avaliação fetal, realizada preferencialmente por ultrassonografia.

Quando a ultrassonografia não é possível, a avaliação pode incluir movimentos fetais, batimentos cardíacos fetais e altura uterina.

Tempo, Partograma e Riscos

Acompanhe a evolução do parto relacionando sua duração aos riscos da gestação prolongada.

  1. Etapa: Considere que o trabalho de parto pode ultrapassar 36 horas.
  2. Etapa: Utilize o partograma para acompanhar a evolução, registrando o grau de De Lee, que representa a descida do bebê.
  3. Etapa: Se o feto ainda não nasceu, acompanhe a gestação até 42 semanas.
  4. Etapa: Após esse período, reconheça o aumento do risco de insuficiência placentária.

Registros e progressão do partograma

O partograma organiza os registros essenciais e permite acompanhar a progressão do trabalho de parto vaginal.

  1. Etapa: Utilize o partograma como instrumento para acompanhar a gestante durante o trabalho de parto vaginal.
  2. Etapa: Registre horários, frequência das contrações, batimentos cardíacos fetais e sinais vitais maternos.
  3. Etapa: Acompanhe a descida do bebê: o grau 2 indica que ele está mais alto, enquanto o grau +2 indica que está mais baixo.
  4. Etapa: Observe a progressão do parto, pois a descida do bebê acompanha a intensificação das contrações.
  5. Etapa: Mantenha o preenchimento contínuo; o partograma constitui documento oficial de demonstração do acompanhamento do parto vaginal, inclusive em eventual judicialização.

Classificação de risco

Risco habitual e intermediário

A classificação considera antecedentes obstétricos, condições clínicas e hábitos, com atenção especial às pontuações dos testes de dependência.

  • Acompanhamento na unidade de saúde: Pode incluir gestantes com ameaça de abortamento, hipotireoidismo, tabagismo em menor grau e anemia leve.
  • Obesidade grau 1 ou 2: Classifica a gestante como de risco habitual no contexto apresentado.
  • Teste de Fagerström: Avalia a dependência de nicotina.
  • Pontuação acima de 6 ou 7: Foi relacionada ao encaminhamento para alto risco devido ao risco de restrição do crescimento intrauterino.
  • Teste CAGE: É utilizado para avaliar o etilismo.
  • Pontuação igual ou superior a 2: Indica maior dependência de álcool e possibilidade de classificação como alto risco.
  • Investigação de hábitos: A avaliação de gestantes inclui tabagismo e etilismo.

Encaminhamento por nível de risco

Use os fatores clínicos e sociais para definir o nível de encaminhamento da gestante.

  1. Etapa: Reconheça os fatores de risco intermediário: idade, baixa escolaridade e ser estrangeira. Esses fatores podem justificar encaminhamento à ginecologia da unidade básica, sem necessidade de encaminhamento direto ao serviço de alto risco.
  2. Etapa: Direcione a avaliação intermediária conforme o fluxo local. No município de Cascavel, gestantes encaminhadas para avaliação ginecológica de risco intermediário são direcionadas ao ginecologista da Unidade Básica de Saúde.
  3. Etapa: Classifique como alto risco quando houver três ou mais abortamentos, diabetes mellitus tipo 2 pré gestacional ou doenças hipertensivas da gestação.
  4. Etapa: Considere também alto risco diante de abuso de álcool ou drogas, violência, histórico de abortamento, hipertireoidismo, doenças renais, transplante e HIV.

Ácido acetilsalicílico no tempo certo

Na atenção primária, é necessário avaliar a indicação de iniciar ácido acetilsalicílico entre 12 e 16 semanas para reduzir o risco de pré eclâmpsia. Não confunda: o risco de pré eclâmpsia é diferente da classificação geral de risco gestacional. Um fator de risco importante ou dois fatores moderados podem justificar a indicação, incluindo histórico de pré eclâmpsia, gestação múltipla, obesidade grave, hipertensão, diabetes, doença renal crônica e doença autoimune. Após 16 semanas de gestação, o ácido acetilsalicílico é descrito como sem benefício clínico para ser iniciado.

Consulta pré natal

Prontuário essencial da gestante

O plano de cuidados da gestante deve registrar idade gestacional, data da última menstruação, data provável do parto, tipo sanguíneo e IMC inicial. Também devem ser incluídos os testes rápidos para sífilis, HIV e hepatites B e C, além dos dados pessoais.

O IMC inicial é o índice de massa corporal aferido no primeiro trimestre, na primeira consulta da gestante. A anamnese deve investigar tabagismo, consumo de álcool e uso de drogas ou outras substâncias. Também devem ser documentados estado civil, escolaridade, ocupação e local de moradia, além dos medicamentos utilizados e das comorbidades. Esse registro detalhado reduz perdas de informação, facilita a continuidade do atendimento e apoia a avaliação pela vigilância epidemiológica.

Trimestres e ganho ponderal

A gestação é dividida em três períodos: o primeiro trimestre compreende o período até 13 semanas e 6 dias; o segundo vai de 14 semanas até 27 semanas e 6 dias; e o terceiro vai de 28 até 42 semanas. A duração esperada é de 40 semanas, podendo se acompanhar o bebê até 42 semanas em determinadas situações.

Após 42 semanas, aumenta o risco de sofrimento fetal, insuficiência placentária e comprometimento do suprimento de nutrientes. O ganho ponderal também deve ser acompanhado: gestantes com IMC baixo podem ter meta aproximada de 500 g por semana, enquanto gestantes com obesidade podem ter meta de aproximadamente 200 g por semana. A manutenção adequada do peso é importante durante a gestação, tanto para evitar baixo peso quanto excesso de peso.

Periodicidade das consultas

A periodicidade aumenta conforme a gestação avança, permitindo acompanhar a saúde materno fetal e identificar complicações.

  1. Etapa: Realizar as consultas pré natais mensalmente até 28 semanas.
  2. Etapa: Passar para consultas a cada quinze dias entre 28 e 36 semanas.
  3. Etapa: Realizar consultas semanalmente a partir de 37 semanas.
  4. Etapa: A partir de 40 semanas, a avaliação pode ocorrer a cada 48 horas pelo risco relacionado à chegada das 42 semanas.
  5. Etapa: Encaminhar ao hospital ao completar 40 semanas para avaliação fetal.
  6. Etapa: Usar essa frequência para acompanhar crescimento, batimento cardíaco fetal, altura uterina, sinais maternos e surgimento de complicações.

Plano de cuidados e vacinação

O plano de cuidados deve ser ajustado à necessidade individual e pode incluir ácido fólico, sulfato ferroso, cálcio, medicações para dor e tratamento de náuseas ou vômitos. A dipirona não é apresentada como proibida na gestação; o paracetamol pode ser escolhido por questões culturais, de adesão e vínculo.

No registro do pré natal, o estado vacinal deve incluir as vacinas contra influenza, COVID 19 e dTpa. A dTpa, contra difteria, tétano e coqueluche, é indicada para proteger o bebê, inclusive quando a gestante já recebeu a vacina em gravidez anterior. A dTpa deve ser registrada e pode ser administrada a partir de 20 semanas de gestação.

Cuidados odontológicos e citopatológicos

Durante o pré natal, recomenda se pelo menos uma consulta odontológica. A coleta citopatológica deve considerar a idade e o histórico sexual: em uma gestante de 16 anos com primeira relação sexual recente, ela pode não ser necessária; em gestantes com mais de 25 anos, o pré natal pode ser uma oportunidade para realizá la.

Foi mencionado protocolo de coleta pela enfermagem até 23 semanas e 6 dias. Após esse período, aumentariam os riscos de estimular o colo, favorecer infecção ou desencadear trabalho de parto prematuro. No acompanhamento, os toques vaginais devem ser reduzidos ao mínimo necessário e não são realizados de rotina. A avaliação ginecológica é indicada quando há queixa de corrimento vaginal e não é obrigatória em todas as consultas de pré natal.

Sinais de alarme no pré natal

Devem ser orientados uso de repelente e prevenção de dengue, zika e chikungunya. A gestante deve procurar o hospital de referência diante de contrações, sangramento vaginal, perda de líquido, corrimento ou alterações urinárias, pois esses achados podem indicar trabalho de parto prematuro ou infecção. O teste do pezinho também é mencionado entre as orientações relacionadas à saúde da criança.

Orientações pré concepcionais e hábitos de vida

Álcool e cuidados no SUS

Durante o planejamento reprodutivo, deve se orientar a suspensão do consumo de álcool, pois não existe dose segura durante a gestação. A exposição materna pode levar o recém nascido a apresentar síndrome de abstinência alcoólica, enquanto a exposição fetal pode causar lesão neurológica. No SUS, segundo o protocolo apresentado, entre os exames citados realiza se apenas a sorologia para toxoplasmose.

Quando o exercício é permitido

A atividade física é permitida para gestantes de risco habitual quando não há contraindicações. Entretanto, o descolamento de placenta e o sangramento importante contraindicam o exercício durante a gestação.

Na gestação gemelar em fase mais avançada, o risco para a prática de atividade física é um pouco maior, exigindo atenção individualizada ao contexto clínico.

Benefícios do exercício na gestação

A orientação pré concepcional inclui a prática de atividade física. Durante a gestação, o exercício ajuda a manter o corpo saudável e pode fortalecer a musculatura do assoalho pélvico.

O fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico foi relacionado à diminuição do risco de laceração durante o trabalho de parto.

Alimentação, peso e toxicidade

Não é necessário comer por dois durante a gestação, pois o excesso alimentar pode favorecer diabetes gestacional. A manutenção do peso é importante para evitar tanto baixo ganho quanto excesso de peso.

A obesidade materna aumenta os riscos gestacionais e os riscos durante a cesariana. Entre as complicações estão alterações da frequência cardíaca e picos hipertensivos.

Também se recomenda evitar progressivas, tinturas de cabelo e outras exposições potencialmente tóxicas durante os dez meses gestacionais.

Exames e imunização pré concepcionais

No período pré concepcional, podem ser realizados testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C na paciente e no parceiro. No Sistema Único de Saúde, foram citados exames para toxoplasmose; em protocolos particulares, podem ser acrescentadas rubéola e citomegalovírus.

A avaliação da imunidade deve considerar principalmente hepatite B e rubéola. Na hepatite B, a sorologia, incluindo o marcador HBs, auxilia a avaliar a necessidade de nova dose; a rubéola é avaliada de modo semelhante quanto à imunidade.

Diagnóstico da gestação

Sinais iniciais da gestação

Os sinais iniciais da gestação podem ser discretos: o atraso menstrual nem sempre é evidente. Náuseas, principalmente matinais, aumento da frequência urinária, sonolência e cansaço também são manifestações possíveis.

A nidação, isto é, a implantação do trofoblasto no útero, pode causar pequeno sangramento de escape e cólica. Embora cólicas possam ocorrer durante a gestação sem necessariamente indicarem um problema, o sangramento durante toda a gestação não é habitual e deve ser avaliado conforme o contexto clínico.

Confirmação por beta hCG e ultrassom

Não interprete o beta hCG isoladamente. O beta hCG é utilizado para o diagnóstico da gestação, mas não se eleva apenas na gestação, pois também pode aumentar em tumores uterinos, como a mola hidatiforme; por isso, acompanha se sua elevação até a realização de ultrassonografia capaz de identificar saco gestacional, embrião e batimento cardíaco fetal. O teste urinário também pode auxiliar; diante de resultado positivo do beta hCG e negativo no teste urinário, deve se considerar o beta hCG como referência, pois o teste de farmácia pode produzir resultado falso positivo. Em situações de abortamento indeterminado, pode ser necessário acompanhar a paciente por várias semanas com dosagens de beta hCG.

Queixas comuns da gestação

Náuseas no Primeiro Trimestre

As náuseas e os vômitos são mais frequentes no primeiro trimestre, período associado à elevação da progesterona e do beta hCG. Essas alterações hormonais são apontadas como relacionadas aos sintomas.

A hiperêmese gravídica corresponde à forma mais grave de náuseas e vômitos durante a gestação.

Gravidade e Manejo da Hiperêmese

A hiperêmese gravídica pode provocar vômitos intensos e perda de peso importante, incluindo perda de 3 kg ou mais. Casos intensos podem exigir internação ou medicação intravenosa frequente.

Para ajudar nas náuseas matinais, recomenda se ingerir um copo de água e uma bolacha salgada ao acordar. O material menciona um medicamento como primeira opção, mas o nome transcrito como “plazio” não pode ser corrigido com alta confiança. Também são mencionados dor de cabeça e outros sintomas nas consultas de pré natal, embora alguns termos estejam ininteligíveis.

Cefaleia e sinais de pré eclâmpsia

A cefaleia deve ser avaliada com atenção para sintomas de pré eclâmpsia, especialmente quando persistente. Gestantes com histórico de enxaqueca podem apresentar aumento das crises.

Foram mencionados paracetamol, dipirona, butilbrometo de escopolamina e cafeína como opções utilizadas, enquanto os triptanos foram associados, no material, à preocupação com malformações fetais. A avaliação deve considerar a intensidade, a persistência e a presença de outros sinais clínicos.

Edema, varizes e cãibras

Varizes e dores nas pernas são frequentes durante a gestação. Para aliviar esses sintomas, orienta se manter os membros elevados e utilizar meias elásticas.

As cãibras estão relacionadas à fadiga muscular e ao aumento da demanda metabólica. A prática de atividade física ajuda a evitar cãibras durante a gestação, enquanto o acompanhamento deve observar a intensidade do desconforto e sua relação com outras manifestações clínicas.

Alterações cutâneas esperadas

O cloasma corresponde ao aparecimento de máculas hiperpigmentadas, especialmente na linha alba, região umbilical e face.

O escurecimento de axilas e mamilos também é comum e está relacionado às alterações hormonais da gestação. Essas mudanças podem persistir como manchas e constituem motivo de queixa, embora sejam manifestações esperadas desse período.

Sangramento e classificação do abortamento

O sangramento vaginal na gestação é uma urgência e exige avaliação para diferenciar ameaça de abortamento, abortamento em curso, abortamento incompleto, completo, retido ou de classificação indeterminada. No abortamento incompleto, pode permanecer conteúdo retido no útero; no completo, todo o conteúdo é eliminado. No abortamento indeterminado, a evolução não pode ser definida imediatamente, podendo ser necessário acompanhamento por várias semanas com beta hCG e outros exames. A dor e a cólica podem ocorrer na gestação, mas o sangramento deve ser sempre investigado.

Puerpério

Consultas e avaliação puerperal

O acompanhamento puerperal inclui uma consulta na primeira semana após o nascimento, geralmente junto à avaliação do bebê, e outra consulta tardia em torno de trinta dias, dentro do período de até 45 dias. A consulta puerperal pode ocorrer imediatamente após o parto, na primeira semana ou no período tardio, até 45 dias depois.

Na avaliação, devem ser avaliados método contraceptivo, mamas, sangramento vaginal, alimentação, feridas operatórias, lacerações e condições gerais da puérpera. Também é necessário acompanhar se o diabetes gestacional evoluiu para diabetes mellitus tipo 2 e se a hipertensão gestacional se tornou hipertensão primária.

Complicações e alertas puerperais

A vigilância puerperal deve incluir hemorragia pós parto, pré eclâmpsia, convulsões, tromboembolismo e infecção. Dor, febre e falta de ar são sinais de alerta. Convulsões após o nascimento do bebê ainda podem estar relacionadas à pré eclâmpsia e ao estado hipertensivo gestacional. A falta de ar súbita pode indicar tromboembolismo, que foi associado à morte de uma puérpera 21 dias após o parto; por isso, a vigilância deve continuar mesmo depois do nascimento. A incontinência urinária é comum no puerpério e geralmente tende a regredir espontaneamente, e a fisioterapia uroginecológica pode ajudar em seu tratamento.

Baby blues e saúde mental

O baby blues é um período fisiológico do pós parto, relacionado à queda hormonal, que pode durar até 14 dias após o parto. Nesse período, podem ocorrer crises de choro, tristeza, irritabilidade e insônia. Para rastrear a depressão pós parto, utiliza se a Escala de Edinburgh, composta por dez questões sobre como a puérpera está se sentindo; conforme o resultado, pode haver indicação de psicoterapia, tratamento antidepressivo ou outra abordagem psiquiátrica.

Contracepção e intervalo pós parto

Recomenda se abstinência sexual durante os primeiros 40 dias após o parto. Mesmo após parto vaginal, o colo uterino permanece dilatado, podendo haver maior risco de infecção, atonia uterina, sangramento e hemorragia puerperal. A amamentação isolada não impede nova gestação, que pode ocorrer cerca de 45 dias após o parto.

Deve se orientar a contracepção pós parto, considerando o uso de DIU imediatamente após o nascimento quando houver desejo e organização prévia; em alguns hospitais, esse dispositivo pode ser inserido nesse momento. Um intervalo curto entre gestações pode não permitir que o útero retorne à sua conformação normal, e um intervalo de apenas um ano entre partos aumenta o risco de hemorragia e óbito materno.

Amamentação

Substâncias e contraindicações à amamentação

O HIV, o consumo de álcool e o uso de drogas, incluindo maconha, foram citados como contraindicações à amamentação. Substâncias psicoativas atravessam o leite materno. Na gestação, o consumo de álcool pode levar o bebê a nascer com síndrome de abstinência alcoólica e lesões neurológicas. Por isso, a puérpera deve receber orientação clara sobre o uso de substâncias e, quando necessário, tratamento para insônia, dependência e outras condições associadas.

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas
A duração do trabalho de parto pode ultrapassar 36 horas.
Para o parceiro, os exames citados incluem HIV, hepatite C e hepatite B.
Gestantes com doenças crônicas, como hipertensão arterial e diabetes, devem ser orientadas sobre os riscos gestacionais no período pré concepcional.
A suplementação de ácido fólico deve ser iniciada três meses antes da gestação.
O cálculo da idade gestacional deve ser realizado manualmente na prova de ginecologia e obstetrícia e na prova de residência.
A consulta de pré natal deve registrar a idade gestacional, a data da última menstruação e a data provável do parto.
Durante o puerpério, é necessário avaliar hemorragia pós parto, pré eclâmpsia, convulsões e tromboembolismo.

Reflexão Sion

Cuidar até o fim

O pré natal iniciado cedo e mantido com consultas, exames e busca ativa ajuda a detectar riscos e proteger a mãe e o bebê. Esse cuidado mostra que pessoas vulneráveis não devem ser esquecidas quando faltam a uma consulta ou enfrentam desigualdades. Em Jesus, encontramos acolhimento e esperança para cuidar uns dos outros com atenção, dignidade e perseverança.

Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.João 10:10

Leia pensando em quem precisa ser acompanhado até o fim.

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