Sion Academy
Aula 7 Saúde do Adulto
A pirâmide etária brasileira ilustra a evolução demográfica da população. Na pirâmide etária, a base representa os grupos mais jovens e o ápice representa os grupos mais velhos. O achatamento da base e o alargamento do ápice indicam que as pessoas estão vivendo mais e nascendo em
Topicos da aula
- Saúde Do Adulto
Overview
Visão Geral da Saúde do Adulto
A transição demográfica no Brasil, impulsionada pela queda da fecundidade e pela urbanização, intensificou o envelhecimento populacional e redefiniu a atenção à saúde entre 18 e 60 anos. Esse período de maior capacidade produtiva apresenta um perfil epidemiológico contrastante: nos adultos jovens, observa se o predomínio das causas violentas, enquanto na maturidade ganham destaque as doenças crônicas não transmissíveis, diretamente relacionadas aos hábitos de vida. Paralelamente, fatores culturais e estigmas geram disparidades na busca por assistência entre homens e mulheres. Diante dessa realidade, o cuidado integral fundamenta se na promoção da saúde, no estímulo a comportamentos saudáveis e em rastreamentos bem indicados, prevenindo agravos e complicações ao longo do curso de vida.
Panorama Demográfico Brasileiro e Fecundidade
Fecundidade de 1,76 no Censo 2022
No censo brasileiro de 2022, a taxa de fecundidade estimada foi de 1,76 filho por mulher. Esse indicador corresponde ao número médio de filhos por mulher em idade fértil, faixa definida entre 15 e 49 anos.
Uma taxa inferior a dois filhos por mulher indica que nascem cada vez menos pessoas. A médio e longo prazo, a consequência é o envelhecimento da população brasileira. O envelhecimento populacional e a redução dos nascimentos alteram a estrutura etária da população brasileira.
Desaceleração do Crescimento Populacional Brasileiro
O crescimento da população brasileira mostra que, na década de 1950, o país contava com cerca de 50 milhões de habitantes. Vinte anos depois, na década de 1970, esse contingente chegou a cerca de 100 milhões e alcançou aproximadamente 150 milhões por volta de 1991.
No Brasil, o intervalo necessário para a população crescer em 50 milhões de habitantes aumentou: após o crescimento de 50 para 100 milhões e depois para 150 milhões, foram necessários mais de 30 anos para o crescimento seguinte de 50 milhões. Se essa tendência continuar, o próximo acréscimo de 50 milhões levará ainda mais de 30 anos e provavelmente só ocorrerá depois de 2050.
Urbanização, Mecanização e Êxodo Rural
O processo de urbanização e os fluxos de migração associam se diretamente à desaceleração demográfica no Brasil. No Brasil, o processo de urbanização envolveu diretamente a migração de pessoas do campo para as cidades. No passado, a maior parte da população vivia no meio rural e, como não havia mecanização do trabalho no campo, as famílias precisavam de muitos filhos como mão de obra.
Com o desenvolvimento dos grandes centros, a melhoria dos índices de saneamento básico e o crescimento da indústria configuraram se como fatores diretamente associados à migração do campo para a cidade. Ao mesmo tempo, a mecanização do campo reduziu a demanda de mão de obra para o trabalho rural, constituindo um fator associado à migração de pessoas para as cidades.
Novo Perfil de Mortalidade e Reprodução
Hoje a maior parte da população vive em ambiente urbano, contexto em que o perfil de mortalidade exibe padrões bem delimitados. Na população adulta, as doenças crônicas não transmissíveis estão entre as causas de morte. Nas faixas etárias mais próximas da senilidade, as mortes violentas praticamente desaparecem, e quase todos os óbitos decorrem de doenças crônicas não transmissíveis e de condições ligadas a déficits de educação e saúde.
Simultaneamente, observa se uma mudança cultural na qual um número crescente de mulheres prioriza a carreira e a vida profissional em detrimento de ter filhos, casar e formar família. Esses fatores, em conjunto, vêm modificando a pirâmide etária brasileira.
Conceito e Subdivisões da Vida Adulta
Faixas Etárias da Vida Adulta
A vida adulta no Brasil compreende o indivíduo entre 18 e 60 anos, intervalo que corresponde a cerca de 50% do tempo de vida. A partir dos 60 anos, a pessoa passa a integrar a população idosa, embora em países desenvolvidos os critérios etários sejam diferentes. Essa etapa apresenta subdivisões próprias: o adulto jovem, dos 18 aos 21 anos; uma faixa intermediária que se estende até os 45 anos; e a meia idade, delimitada dos 45 aos 60 anos.
Cada uma dessas faixas etárias enfrenta problemas de saúde que se manifestam em maior ou menor proporção. O envelhecimento tem início logo no nascimento e progride continuamente, mantendo ao longo de todo o curso biológico um equilíbrio constante entre os processos de saúde e doença.
Principais Condições e Causas de Morte no Adulto
Agravos Mais Comuns no Adulto
- Doenças crônicas não transmissíveis: patologias prolongadas que figuram entre as condições que mais afetam a população adulta.
- Doenças transmissíveis: afecções que atingem a população adulta de forma direta ou indireta.
- Alcoolismo e dependência química: distúrbios pelo abuso de substâncias que comprometem com frequência a saúde do adulto.
- Violência: agressões e traumas interpessoais que exercem forte impacto na morbimortalidade adulta.
- Doenças ambientais e ocupacionais: afecções associadas à fase de maior capacidade produtiva do ser humano no ambiente de trabalho.
- Neoplasias: proliferações tumorais frequentes no perfil epidemiológico da população adulta.
Causas de Morte: 20 24 vs 45 49 Anos
| Grupo populacional | Causa predominante | Principais causas destacadas | Perfil de mortalidade violenta |
|---|---|---|---|
| 20 a 24 anos | No Brasil em 2019, para ambos os sexos entre 20 e 24 anos, predominam as causas violentas. | A primeira causa é a violência interpessoal, sobretudo homicídios; a segunda são os acidentes de trânsito. | Predomínio expressivo de causas violentas na mortalidade da faixa jovem. |
| 45 a 49 anos | Doenças cardiovasculares, sendo a cardiopatia isquêmica a principal causa isolada. | O acidente vascular cerebral e o infarto destacam se como principais causas de morte nessa faixa de 45 a 49 anos no Brasil em 2019. | As mortes violentas representam uma parcela menor das causas de morte no grupo de 45 a 49 anos do que no grupo de 20 a 24 anos. |
| Adultos (todas as idades) | Considerando todas as idades no Brasil em 2019, as doenças crônicas não transmissíveis predominam sobre as causas violentas de morte. | Homicídios e violência doméstica figuram entre as causas de morte de adultos de modo geral. | Os acidentes de trânsito e as doenças psiquiátricas associadas ao suicídio figuram entre as causas de morte de adultos. |
Distribuição das causas de morte por faixa etária no Brasil com base em dados da OMS de 2019.
Saúde do Trabalhador, Violência e Doenças Transmissíveis
Hábitos Superando as Mortes Violentas
As doenças crônicas não transmissíveis predominam, em média, sobre as mortes violentas quando se consideram todas as idades e ambos os sexos no Brasil em 2019. Na faixa de 45 a 49 anos, o acidente vascular cerebral e o infarto figuram como as principais causas de morte, momento em que as mortes violentas perdem espaço.
Hábitos como o consumo de alimentos processados e a falta de atividade física pesam mais nos índices de mortalidade do que as causas violentas.
Riscos Ocupacionais na Fase Produtiva
A vida adulta representa a fase de maior capacidade e produtividade do ser humano, estimando se que cerca de 50% do tempo de vida transcorra no período dos 18 aos 60 anos. Por essa razão, tornam se mais comuns os acidentes de trabalho e os agravos relacionados à insalubridade. Problemas relacionados ao trabalho podem afetar músculos, tendões e o sistema musculoesquelético.
Pessoas que trabalham em determinadas atividades podem estar mais expostas a riscos ocupacionais. Quanto maior a exposição a esses riscos, maior a probabilidade de adoecimento.
Violência e Suicídio no Adulto Jovem
Na vida adulta, homicídios, violência doméstica, transtornos psiquiátricos associados ao suicídio e acidentes de trânsito constituem causas importantes de morte. No adulto jovem, as principais causas de morte incluem os homicídios, a violência doméstica, os transtornos psiquiátricos que levam ao suicídio, além de acidentes de trabalho e de trânsito.
Transmissão Direta Versus Indireta
As doenças transmissíveis dividem se em dois grupos fundamentais. As enfermidades de transmissão direta incluem as doenças infectocontagiosas passadas de pessoa a pessoa, por contato direto ou por meio da saliva. O comportamento sexual na vida adulta pode estar associado a maior risco de adquirir doenças.
As arboviroses constituem exemplo de doenças transmitidas indiretamente, sem contato direto de pessoa a pessoa.
Doenças Crônicas Relacionadas ao Comportamento
Hábitos de Vida e Doenças Crônicas
As patologias ligadas ao comportamento decorrem fundamentalmente do estilo de vida, embora a genética também exerça sua contribuição. Os fatores comportamentais associados à saúde englobam o nível de atividade física, a dieta, o tabagismo, o uso de álcool e de drogas, além do comportamento sexual, no qual adultos assumem maiores riscos por apresentarem menor receio de adoecer. Entre as principais doenças relacionadas a esses hábitos estão a hipertensão arterial sistêmica, o diabetes, as doenças neuropsiquiátricas, as doenças respiratórias e a obesidade, condições que mantêm estreita inter relação.
No Brasil, estima se que cerca de 75% das mortes e 75% dos gastos com cuidados de saúde estejam relacionados a essas patologias crônicas. Diante desse impacto, a adoção de hábitos saudáveis beneficia tanto a saúde individual quanto o sistema de saúde como um todo.
Caso: Diabetes Não Controlado e Amputação
A evolução clínica do diabetes não controlado evidencia se no caso de uma mulher de 52 anos, hipertensa e diabética. Essa paciente teve diabetes gestacional na última gestação, quadro que desapareceu após o nascimento do bebê, mas a doença reapareceu pouco tempo depois. Diante da ausência de autocuidado, a condição progrediu para dependência de insulina. Posteriormente, a paciente descrita desenvolveu nefropatia diabética e passou a fazer diálise, sofrendo ainda a amputação dos dois pés.
O filho da paciente, de 23 anos, nunca havia buscado avaliação médica e já apresenta obesidade grau 2, comparecendo ao serviço de saúde apenas para acompanhar a mãe após as amputações. Ele foi orientado a cuidar da saúde, praticar exercícios e melhorar a alimentação tendo o caso materno como alerta, visto que a disciplina precoce propicia melhor qualidade de vida futura.
Homens Procuram Menos o Cuidado
A procura por atendimento no sistema de saúde ocorre com mais frequência entre as mulheres do que entre os homens. O homem tende a se considerar invulnerável e a achar que não precisa ir ao médico, sob a influência de estigmas que o afastam do cuidado com a própria saúde.
Fatores de Risco Mamário
A avaliação do risco para câncer de mama envolve aspectos reprodutivos, biológicos e comportamentais.
- Não ter filhos: condição reprodutiva de não ter filhos que atua como fator de risco para o câncer de mama.
- Ter filhos e não amamentar: histórico no qual a mulher tem filhos e não amamenta, elevando o risco de câncer de mama.
- Genética: componente biológico hereditário apontado entre os principais determinantes de risco da neoplasia.
- Idade: fator biológico relacionado ao tempo citado entre os riscos principais para o câncer de mama.
- Hábitos de vida: fatores comportamentais que também contribuem para o risco da doença.
Saúde da Mulher: Rastreamento do Câncer de Colo do Útero e de Mama
Orientar Hábitos Saudáveis aos Homens
A orientação sobre hábitos saudáveis de vida é fundamental para os pacientes, sobretudo para a população masculina, visto que muitos homens acreditam que sua saúde é inabalável e que nunca vão envelhecer, independentemente do que façam.
O machismo e estigmas podem fazer com que homens percebam a procura por atendimento médico como sinal de vulnerabilidade.
Condições Específicas da Mulher Adulta
As condições específicas da saúde da mulher englobam neoplasias, climatério e menopausa, planejamento familiar e gestação. No grupo das neoplasias, destacam se as de mama e as de colo do útero, enquanto o climatério e a menopausa representam o momento em que a mulher deixa a vida adulta e entra na senilidade.
O planejamento familiar envolve a abordagem dos métodos contraceptivos no cuidado integral. Embora nem todas essas condições sejam problemas propriamente ditos, todas podem apresentar consequências para a saúde, ressaltando se que a gestação não é uma doença, mas parte da fisiologia e da capacidade reprodutiva da mulher.
Preventivo Citopatológico dos 25 aos 64
O rastreamento do câncer do colo do útero é indicado para mulheres entre 25 e 64 anos que já tiveram relação sexual, sendo realizado por meio do exame citopatológico, conhecido como exame preventivo. A infecção pelo HPV está associada à maioria dos casos de câncer do colo do útero, sendo apontada como responsável por cerca de 98% dos casos no Brasil.
O procedimento deve ser realizado anualmente. Após dois exames citopatológicos anuais consecutivos sem alterações, o intervalo de rastreamento pode passar a três anos.
Mamografia Conforme Idade e Risco
O rastreamento do câncer de mama avalia o risco individual e a faixa etária da paciente. Homens também podem desenvolver câncer de mama, embora isso seja raro, visto que cerca de 99% dos casos ocorrem em mulheres. Essa detecção precoce no câncer de mama é essencial porque, quanto mais cedo o problema é detectado, mais fácil é o tratamento e melhor a recuperação.
- Acima de 35 anos com fatores de risco: realizar exame clínico anual e mamografia anual.
- Entre 40 e 49 anos sem fatores de risco: realizar apenas exame clínico, sem mamografia.
Saúde do Homem e Rastreamento do Câncer de Próstata
Machismo e Exposição Masculina a Riscos
O machismo e outros estigmas fazem com que procurar cuidado ou ajuda médica seja visto pelo homem como sinal de vulnerabilidade. Por essa razão, proporcionalmente, bem menos homens que mulheres realizam exames e cuidam da saúde.
Esse comportamento associa se a uma maior exposição a riscos desde a infância, além de fatores como alcoolismo e tabagismo. Nesse contexto, os homens também ocupam com mais frequência trabalhos de maior risco, como a atividade policial e a construção civil.
Próstata: Sem Rastreamento Populacional
O rastreamento populacional do câncer de próstata não é indicado pelo Ministério da Saúde, pois o rastreio não se justifica pelo número de mortes por essa doença. Além disso, o tratamento traz com frequência complicações piores do que a evolução sem tratamento, motivando cirurgias e intervenções que trazem novos problemas e não justificam o número de procedimentos. Estudos de autópsia mostraram que mais de 50% dos homens que morreram de outras causas, como o diabetes, já tinham câncer de próstata, sem que ele fosse a causa da morte.
Novembro Azul como Porta de Entrada
O Novembro Azul é mantido pelo Ministério da Saúde com o propósito de sensibilizar os homens a procurar atendimento médico. A campanha começou voltada à próstata, mas hoje abrange a saúde do homem como um todo.
Nesse período, muitos homens a partir dos 35 anos procuram os serviços de saúde pedindo exames de próstata. Essa procura serve como porta de entrada para investigar problemas mais relevantes, como obesidade, tabagismo, uso de drogas, hipertensão e diabetes.
Prevenção, Promoção da Saúde e Redução de Danos
Pilares da Promoção da Saúde
As estratégias de promoção da saúde no adulto orientam intervenções para a melhoria da qualidade de vida e a prevenção de agravos.
- Atividade física: estimular a prática regular de atividade física.
- Rastreamentos bem indicados: orientar sobre os rastreamentos bem indicados, sem rastrear tudo em todos.
- Cultura da paz: promover a cultura da paz, já que as causas violentas são a principal causa de morte nos homens jovens.
- Redução de danos: aplicar a redução e o controle de danos quando a doença já está instalada.
Prevenção Antes, Redução de Danos Depois
Os pacientes precisam ser alertados de que os agravos acontecem de fato, visto que as intervenções já não revertem o quadro depois de instalada uma sequela. A prevenção é sempre o melhor caminho para cuidar da saúde. Quando a doença já se desenvolveu, aplica se a redução de danos.
Esse princípio é válido também para o câncer de próstata: o rastreio não se justifica pela mortalidade da doença, e os estudos de autópsia mostraram sua alta prevalência em homens que morreram de outras causas.
Reflexão Sion
O Limite das Nossas Forças
Grande parte dos agravos crônicos na vida adulta surge da negligência e da ilusão de que nosso vigor físico é inabalável. Da mesma forma, nossa alma adoece silenciosamente quando tentamos carregar as demandas da existência em total autossuficiência. Reconhecer nossos limites nos conduz ao acolhimento de Jesus, que recebe nossa vulnerabilidade e nos oferece verdadeiro descanso.
Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.Mateus 11:28
Descubra como reconhecer suas fraquezas pode ser o início do seu verdadeiro descanso.