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Aula 4 Urologia
A parafimose ocorre quando o prepúcio é retraído, expondo a glande, mas não pode ser reposicionado. O anel estreito pode comprimir a região e causar comprometimento progressivo, em um quadro comparável a uma hérnia que não retorna, com risco de encarceramento e estrangulam
Topicos da aula
- Urologia
Overview
Mapa clínico das patologias urológicas
Esta aula percorre um mapa clínico das patologias urológicas, integrando alterações do pênis, prepúcio, testículos, escroto, rins e trato urinário. O foco está em reconhecer padrões de apresentação, relacionar mecanismos aos achados e diferenciar condições semelhantes, como epididimite e hidrocele, síndromes nefrótica e nefrítica ou cistite e pielonefrite. Ao longo do percurso, ganham destaque situações que exigem decisão rápida, como parafimose, torção testicular e cálculo obstrutivo associado à infecção, além da escolha adequada de exames e vias cirúrgicas. A interpretação clínica deve permanecer ampla: dor ou aumento escrotal podem ter origem extratesticular, enquanto alterações urinárias podem sinalizar desde disfunção renal até doença glomerular ou tumoral.
Doença de Peyronie
Placas, dor e curvatura peniana
A curvatura peniana acentuada deve levantar a hipótese de doença de Peyronie, uma patologia de causa incerta que cursa com a formação de placas fibrosas no pênis. Essas placas alteram a elasticidade peniana e podem provocar desvio para determinado lado durante a ereção. As placas geralmente não são dolorosas à palpação, mas as ereções podem causar dor.
A presença de pênis muito curvo, placas e dor à palpação sugere doença de Peyronie. A penetração com um pênis bastante curvo aumenta a chance de fratura peniana. Esse evento pode desencadear processo inflamatório adicional, formação de novas placas fibrosas e maior curvatura.
Cirurgia e função sexual preservada
Na doença de Peyronie, existem técnicas cirúrgicas que podem melhorar significativamente a autoestima e a função sexual do homem. A associação entre pênis muito curvo, placas penianas e ereções dolorosas constitui um conjunto de achados compatível com essa doença.
Fimose e parafimose
Prepúcio estreito e higiene difícil
A fimose e a parafimose são patologias que podem ocorrer em meninos. Em condições habituais, o prepúcio pode ser retraído até expor completamente a glande; na fimose, porém, o orifício prepucial permanece estreito e impede sua exposição adequada.
Apesar disso, a criança geralmente consegue urinar e poderá ter filhos normalmente. O espaço residual sob o prepúcio pode ser suficiente para essas funções, mas a dificuldade de realizar a higiene da glande favorece o acúmulo de secreções, aumentando o risco de câncer de pênis e de inflamações denominadas balanopostite.
Da retração espontânea à cirurgia
- Etapa: Observe a evolução na infância: muitas fimoses podem resolver se espontaneamente.
- Etapa: Considere as ereções noturnas, que promovem retrações progressivas do prepúcio, contribuindo para sua abertura natural.
- Etapa: Se a resolução espontânea não ocorrer, podem ser utilizados cremes à base de corticosteroides.
- Etapa: Avalie também o tratamento cirúrgico para corrigir o anel prepucial estreito.
Parafimose: emergência urológica
A parafimose ocorre quando o prepúcio é retraído, expondo a glande, mas não pode ser reposicionado. O anel estreito pode comprimir a região e causar comprometimento progressivo, em um quadro comparável a uma hérnia que não retorna, com risco de encarceramento e estrangulamento. A parafimose constitui uma emergência urológica e requer avaliação imediata por urologista.
Testículos, criptorquidia e atrofia testicular
Temperatura adequada para espermatogênese
Durante o desenvolvimento embrionário, os testículos descem da cavidade abdominal para o escroto, ocupando uma posição próxima à região correspondente aos ovários. Essa descida ocorre porque os testículos precisam de uma temperatura aproximadamente um grau abaixo da corporal para funcionar adequadamente.
Quando aquecido, o testículo pode produzir espermatozoides de forma inadequada. Por isso, o aumento da temperatura testicular constitui causa frequente de infertilidade, sendo a varicocele mais comum que a permanência do testículo fora de sua posição habitual e, nesse contexto, a causa mais comum do aumento da temperatura testicular.
Testículo ectópico e risco tumoral
A presença do testículo fora do saco escrotal aumenta a possibilidade de degeneração tumoral do testículo. Nessa localização, a incidência de câncer testicular encontra se aumentada em aproximadamente 10% a 50%. A posição pode ser definitiva ou retrátil; no testículo retrátil, o órgão pode sair do escroto e retornar posteriormente à posição habitual.
Observação do testículo retrátil
- Conduta: Os testículos retráteis podem ser acompanhados por observação; até a puberdade, muitos pacientes podem ser observados.
- Mecanismo: A hipertrofia testicular no início da puberdade pode fazer o testículo ficar maior que o anel inguinal pelo qual ele sai.
- Evolução: Com o crescimento testicular durante a puberdade, o testículo pode deixar de sair de sua posição.
Klinefelter: sinais de atrofia testicular
Entre as causas genéticas de atrofia testicular, a síndrome de Klinefelter é a doença mais comumente associada a essa alteração e está relacionada à presença de um cromossomo X adicional. O indivíduo apresenta pênis e testículos reduzidos, além de distribuição de pelos pubianos com padrão feminino, ginecomastia e características sexuais intermediárias.
A disfunção hormonal associa se à redução da testosterona e à atrofia testicular, definida por tamanho inferior a 3 cm.
Cirrose, ginecomastia e atrofia
A cirrose hepática também pode provocar atrofia testicular. O fígado participa do metabolismo de hormônios femininos e masculinos; na cirrose, ocorre aumento relativo dos hormônios femininos.
Esse desequilíbrio pode justificar a ginecomastia e o eritema palmar. O eritema palmar está relacionado à dilatação vascular nas mãos.
Hormônio exógeno reduz volume testicular
O uso indevido de hormônios masculinos também pode levar à atrofia testicular. A administração exógena de testosterona suprime o eixo hipotálamo hipófise testículo e, após sua interrupção, a produção hormonal endógena pode não retornar aos parâmetros anteriores.
Após a suspensão da testosterona, o paciente pode permanecer com testículos aumentados por anabolizantes e atróficos. Assim, embora a testosterona exógena produza aumento muscular, pode ocorrer redução do volume testicular.
Epididimite e hidrocele
Dor, calor e bacteriúria na epididimite
Reconheça o padrão inflamatório da epididimite aguda e relacione o aos exames e agentes identificados.
- Epididimite aguda: pode causar dor, aumento de volume, calor e vermelhidão em um dos testículos, levando a aumento doloroso do volume testicular.
- Causas inflamatórias: algumas cursam com dor, aumento da temperatura local e vermelhidão na região escrotal.
- Local da inflamação: a epididimite é uma inflamação da região do epidídimo.
- Ultrassonografia: pode demonstrar inflamação na região do epidídimo.
- Exame de urina: pode revelar bacteriúria intensa; a epididimite aguda é uma das causas de bacteriúria em homens.
- Escherichia coli: pode ser identificada em casos de epididimite aguda.
- Clamídia: é outra causa frequente de epididimite aguda.
- Cobertura antimicrobiana: deve considerar o germe identificado.
Hidrocele e desconforto escrotal
A hidrocele é o acúmulo de líquido na túnica vaginal. Esse acúmulo pode causar dor na região testicular, e o desconforto costuma estar mais relacionado ao tamanho da coleção; quando é muito grande, a hidrocele pode ser dolorosa e aumentar o volume escrotal.
Contraste inflamatório entre patologias
Na epididimite, a região afetada tende a apresentar vermelhidão e calor mais marcados. A hidrocele geralmente não apresenta componente inflamatório ou infeccioso, não costuma ser causada por infecção bacteriana e geralmente não apresenta grande quantidade de bactérias.
Variação espontânea da hidrocele
Algumas hidroceles oscilam de tamanho durante o dia e podem apresentar esvaziamento espontâneo. O acúmulo de líquido e o esvaziamento da hidrocele foram mencionados como fenômenos espontâneos, embora o mecanismo descrito permaneça incompleto; a hidrocele também pode ser autolimitada.
Varicocele e infertilidade
Drenagem venosa favorece varicocele esquerda
A varicocele é a dilatação das veias do cordão espermático e ocorre com frequência muito maior no testículo esquerdo. Essa predominância se relaciona à drenagem venosa: a veia gonadal esquerda desemboca em ângulo reto na veia renal, enquanto a veia gonadal direita desemboca em ângulo oblíquo na veia renal ou na veia cava. Essa diferença anatômica dificulta mais o fluxo venoso do lado esquerdo.
Clinicamente, a varicocele é outra causa de aumento do volume escrotal, geralmente indolor, e pode ser descoberta durante a investigação de infertilidade.
Varicocele, motilidade e infertilidade
A varicocele é frequentemente descoberta durante a investigação de infertilidade conjugal. Nesse contexto, o espermograma pode mostrar formas inviáveis e espermatozoides imóveis ou com motilidade reduzida.
A correção da varicocele reduz a temperatura testicular e pode melhorar parcialmente a função espermática. Entretanto, quando o testículo permanece aquecido por longo período, podem ocorrer calcificações intratesticulares e dano já estabelecido.
Torção testicular
Dor referida na isquemia testicular
A torção testicular pode ocorrer após um movimento amplo da perna. O testículo gira e a perfusão através do cordão espermático fica comprometida, causando isquemia. Inicialmente, a dor pode ser intensa, mas tende a tornar se progressivamente insuportável.
A dor pode ser mal localizada na região abdominal inferior ou inguinal, em vez de ser percebida diretamente no testículo. Ela pode ser acompanhada de náusea, vômitos, fraqueza e sensação de desmaio.
Doppler, viabilidade e orquiectomia
Reconheça a emergência, confirme o diagnóstico pelo fluxo sanguíneo e defina a conduta conforme a viabilidade testicular.
- Emergência: A torção testicular constitui motivo para chamar o urologista à sala de emergência.
- Confirmar: O diagnóstico da torção testicular é avaliado por ultrassonografia com Doppler, método que avalia o fluxo sanguíneo.
- Interpretar: Quando o fluxo está ausente e o testículo se encontra isquêmico e inviável, pode ser necessária uma orquiectomia.
- Tratar: A orquiectomia por via escrotal pode ser utilizada na torção testicular e em outras causas não tumorais.
Câncer de testículo e via cirúrgica
Tumor testicular exige via inguinal
Na suspeita de tumor testicular, a orquiectomia deve ser realizada por via inguinal, preservando uma margem de tecido saudável ao redor do tumor. Essa margem cirúrgica funciona como um envelope de proteção. A cirurgia deve evitar a manipulação direta do tumor, que pode deixar células na região operada; ainda assim, pode haver doença microscópica. O câncer de testículo não deve ser operado por via escrotal, e os tumores testiculares drenam linfaticamente para os linfonodos retroperitoneais.
Via cirúrgica conforme a doença
| Natureza da doença | Via cirúrgica | Indicação ou cuidado |
|---|---|---|
| Oncológica | Via inguinal | Indicada para o câncer testicular; a incisão deve evitar a contaminação dos tecidos escrotais, pois a borda cirúrgica do escroto pode tornar se uma fonte de recorrência local. |
| Não oncológica | Via escrotal | Pode ser utilizada em causas como torção testicular e transição sexual. |
A escolha da via depende da natureza da doença; na cirurgia oncológica, evita se a contaminação dos tecidos escrotais para reduzir o risco de recorrência local.
Câncer de pênis
Higiene peniana e lesão ulcerosa
O câncer de pênis está relacionado à má higiene peniana e, geralmente, apresenta se como lesão ulcerosa. A higiene adequada constitui a principal medida mencionada para reduzir sua incidência, enquanto a transcrição relaciona a multiparidade sexual à menor frequência de câncer de pênis.
A limpeza do pênis é considerada uma estratégia mais simples que medidas destinadas à conservação de alimentos. A conservação de alimentos, especialmente carne, em gordura era associada na aula ao desenvolvimento de câncer.
Mudanças históricas nos padrões tumorais
No período histórico mencionado, o câncer de estômago era o câncer mais comum, mas a popularização da geladeira reduziu sua incidência. A redução da atividade física e o aumento da obesidade foram descritos como mudanças associadas à evolução dos padrões de câncer.
O aumento da expectativa de vida masculina foi relacionado ao câncer de próstata, enquanto o aumento do tabagismo foi relacionado ao desenvolvimento de câncer de pulmão. O aumento do peso corporal e a maternidade mais tardia foram relacionados ao câncer de mama; já o consumo de alimentos crus e conservantes foi relacionado na transcrição ao câncer de colo.
Metástases precoces e cirurgia conservadora
Os tumores penianos podem produzir metástases precocemente para os linfonodos inguinais. Quando esses linfonodos estão muito aumentados, pode ser necessário iniciar o tratamento do câncer de pênis com quimioterapia. O carcinoma de pênis pode responder bem à quimioterapia inicialmente, com redução importante dos linfonodos e do tumor peniano.
No tratamento cirúrgico do câncer de pênis, busca se reduzir ao máximo a agressividade da cirurgia. Em situações avançadas, o pênis pode apresentar grande bloco tumoral e evoluir para autoamputação parcial, restando apenas pequena porção do órgão; trata se de situação clínica dramática.
Patologias escrotais de origem extratesticular
Dor escrotal de origem urinária
O saco escrotal pode apresentar manifestações causadas por doenças que não se originam nos órgãos escrotais. Cálculos renais, hérnias e outras patologias podem causar dor, desconforto ou aumento de volume nessa região, mostrando que a investigação deve considerar origens extratesticulares.
Cálculos localizados em diferentes pontos do trato urinário podem produzir dor irradiada para o saco escrotal e, nas mulheres, para os grandes lábios. Quando estão impactados no segmento médio do ureter, os cálculos podem causar dor irradiada para o saco escrotal ou para os grandes lábios.
Alça intestinal no saco escrotal
Em crianças pequenas, as hérnias são uma causa comum de aumento do volume escrotal. Na hérnia inguinoescrotal, a alça do intestino delgado pode ocupar o saco escrotal, produzindo aumento volumoso.
A correção consiste na redução da hérnia inguinoescrotal. Diante de dor ou aumento do volume escrotal, a causa nem sempre está localizada no testículo ou no próprio escroto.
Ampliando as hipóteses escrotais
- Avaliação clínica: As queixas escrotais exigem avaliação com hipóteses amplas.
- Doenças à distância: O saco escrotal pode manifestar doenças à distância, mesmo quando os sintomas parecem relacionados a órgãos próximos.
- Investigação: A investigação não deve permanecer restrita ao escroto.
- Origens possíveis: Dor, desconforto e aumento de volume escrotal podem decorrer de patologias testiculares, urinárias, herniárias ou de outras origens.
Infecções sexualmente transmissíveis
HPV versus glândulas da glande
O papilomavírus humano (HPV) pode causar lesões localizadas na região peniana. Para reconhecê las, compare sua aparência com a das glândulas presentes ao longo da coroa da glande.
Não confunda as lesões penianas causadas pelo HPV com as glândulas hipertrofiadas da coroa da glande: estas podem tornar se mais marcadas e posteriormente involuir.
Vesículas dolorosas versus úlcera limpa
O herpes genital é causado pelo herpesvírus tipo 2. Na infecção genital, a primoinfecção causa dor, enquanto as recorrências não causam dor. A lesão começa como vesículas preenchidas por líquido, evolui para crostas e depois para lesões planas que desaparecem.
A sífilis primária pode manifestar se como lesão ulcerada, limpa e brilhante, acompanhada de linfadenopatia inguinal precoce, que pode ser dolorosa.
Insuficiência renal
Aguda ou crônica pelo contexto
As duas síndromes renais básicas descritas são a disfunção renal aguda e a disfunção renal crônica. Como são diagnósticos sindrômicos, é necessário investigar a causa subjacente.
A insuficiência renal aguda corresponde à perda rápida da função renal. Para auxiliar na distinção entre as condições, observe o tamanho renal: na insuficiência renal crônica, os rins geralmente são pequenos, embora existam exceções.
Perfusão, obstrução ou lesão renal
Para interpretar a insuficiência renal aguda, siga a sequência: classifique o mecanismo e relacione o ao dado clínico correspondente.
- Etapa: Classifique a insuficiência renal aguda em três grupos: pré renal, pós renal e renal ou parenquimatosa.
- Etapa: Identifique a forma pré renal quando a perfusão renal está reduzida. Náuseas, vômitos e diarreia podem provocar insuficiência pré renal por redução da pressão e da perfusão renal.
- Etapa: Reconheça a forma pós renal quando a saída da urina é obstruída. A próstata aumentada pode causar insuficiência pós renal por obstrução urinária.
- Etapa: Considere também a obstrução por tumores uterinos que invadem o ureter, os quais podem provocar insuficiência pós renal.
- Etapa: Identifique a forma renal ou parenquimatosa quando existe dano direto ao rim.
Sódio urinário orienta a causa
A fração de excreção do sódio urinário ajuda a diferenciar a redução da perfusão renal da lesão tubular.
- Insuficiência renal aguda pré renal: Na insuficiência renal aguda pré renal, a fração de excreção de sódio urinário é menor que 1%.
- Retenção de sódio e água: Como a perfusão renal está reduzida, o organismo tenta preservar volume mediante retenção de sódio e água.
- Lesão renal: Na lesão renal, a fração de excreção do sódio é superior a 1%, pois o túbulo renal perde a capacidade de selecionar adequadamente o que deve ser reabsorvido.
Necrose tubular versus anemia crônica
O protótipo da insuficiência renal aguda parenquimatosa é a necrose tubular aguda. Ela pode ocorrer após uma causa pré renal prolongada ou por uma agressão diretamente relacionada ao túbulo renal.
A anemia é uma diferença importante entre a insuficiência pré renal e a doença renal crônica. Na doença renal crônica, a redução da produção de eritropoietina contribui para o desenvolvimento de anemia.
Escórias nitrogenadas e dimensões renais
A azotemia e as dimensões renais ajudam a organizar a interpretação clínica da insuficiência renal.
- Azotemia: Quadro clínico causado pelo excesso de escórias nitrogenadas, incluindo ureia.
- Sintomas associados: Pode associar se a náusea, vômitos, anorexia, cãibras, irritabilidade e dor nas pernas.
- Tamanho renal normal: No ultrassom, o rim normal apresenta aproximadamente 12 × 6 × 3 cm, admitindo se variações aproximadas, como 10 × 5 × 2 cm.
- Tamanho renal na insuficiência renal crônica: Na insuficiência renal crônica, os rins geralmente medem menos de 9 cm, frequentemente 8 cm ou menos, exceto nas condições mencionadas como exceções.
Síndromes glomerulares
Síndromes Glomerulares e Proteinúria
As duas grandes síndromes glomerulares são a síndrome nefrótica e a síndrome nefrítica. Uma síndrome reúne sinais e sintomas que podem ter causas diferentes. Na síndrome nefrótica, o principal elemento é a proteinúria, superior a 1,73 g por metro quadrado de superfície corporal por dia e, na prática, acima de 3,5 g de proteína por dia.
A perda urinária de proteínas reduz a albumina e pode produzir edema, que também é comum à síndrome nefrítica.
Origem da Hematúria e Alerta
A hematúria pode ter origem glomerular ou não glomerular. Na doença glomerular nefrítica, o glomérulo inflamado permite a passagem de sangue durante a filtração, e a glomerulonefrite difusa aguda geralmente ocorre após infecção estreptocócica da garganta ou da pele. Na hematúria não glomerular, o dismorfismo eritrocitário é reduzido. O câncer de bexiga pode causar hematúria por sangramento para o interior da urina. Todo paciente com hematúria macroscópica, especialmente fumante e com 60 anos ou mais, deve ser considerado portador de câncer de bexiga até prova em contrário.
Hematúria dismórfica na síndrome nefrítica
O principal achado da síndrome nefrítica é a hematúria, especialmente quando acompanhada de dismorfismo eritrocitário. A hematúria dismórfica ocorre quando as hemácias presentes na urina apresentam formatos diferentes entre si.
A análise da morfologia eritrocitária ajuda a avaliar a origem do sangue urinário: hemácias provenientes de um tumor vesical tendem a ter formato semelhante, enquanto aquelas que atravessam um glomérulo inflamado podem sofrer deformações.
Glomerulopatias e hematúria infantil
Entre as lesões glomerulares mencionadas estão a doença de lesões mínimas, a esclerose segmentar, a doença de membrana e a doença membranoproliferativa.
O tipo mais comum de síndrome nefrítica é a glomerulonefrite difusa aguda. É mais frequente em crianças, e a urina pode apresentar aspecto compatível com hematúria macroscópica.
Hematúria: criança versus adulto
| Situação | Possibilidade a considerar | Avaliação |
|---|---|---|
| Na criança com hematúria | síndrome nefrítica | considerar essa possibilidade |
| Em um adulto com hematúria | câncer de bexiga | considerar essa causa |
| Todo paciente com hematúria macroscópica, especialmente com 60 anos ou mais e histórico de tabagismo | câncer de bexiga | deve ser avaliado para essa possibilidade |
Comparação das principais possibilidades diagnósticas e da avaliação indicada conforme a apresentação.
Cálculo renal
Cálculo obstrutivo com infecção
A associação entre cálculo urinário obstrutivo e infecção é especialmente importante; quando há pielonefrite, trata se de uma emergência urológica. O aumento da pressão intrarrenal ocorre porque o rim continua produzindo urina, mas ela não consegue sair, reduzindo a perfusão do parênquima renal e dificultando a chegada do antibiótico pelo sangue. Sem derivação urinária, a pressão não diminui, o antibiótico não alcança adequadamente o local e a infecção pode não melhorar. A coexistência de infecção renal e cálculo obstrutivo exige desobstrução urológica.
Localização do cálculo e irradiação
Localize a obstrução pelo padrão da dor, pelos achados do exame e pela irradiação.
- Etapa: Identifique três pontos de possível impactação do cálculo renal no trato urinário.
- Etapa: Avalie a região proximal, onde a dor costuma ser muito intensa, o paciente permanece inquieto e a punho percussão lombar pode ser positiva.
- Etapa: Reconheça o nível intermediário pela possibilidade de punho percussão positiva e pela irradiação importante para a região testicular.
- Etapa: Suspeite de obstrução distal diante de dor suprapúbica, geralmente sem punho percussão lombar e sem irradiação significativa.
- Etapa: Considere que, em conjunto, a dor relacionada ao cálculo urinário apresenta sinal de punho percussão lombar positivo na maior parte dos casos.
Composição do cálculo orienta prevenção
Quando o paciente elimina o cálculo, recomenda se, sempre que possível, recolhê lo e analisá lo para identificar sua composição. A maioria dos cálculos renais é composta por sais de cálcio.
A identificação da composição pode orientar medidas destinadas a reduzir a formação de novos cálculos. A litíase renal ocorre predominantemente em homens entre 20 e 40 anos.
Tomografia e ultrassom na litíase
A tomografia computadorizada de abdômen é considerada o padrão ouro para a avaliação do cálculo renal e é o melhor exame para diagnosticá lo.
A ultrassonografia frequentemente permite identificar o cálculo e estabelecer o diagnóstico inicial. A escolha do exame depende da apresentação clínica e da avaliação realizada.
Anti inflamatórios na cólica renal
Na fase aguda da cólica renal, o tratamento da dor deve ser realizado com anti inflamatórios. A dor aguda causada pelo cálculo renal é tratada com anti inflamatórios.
Antiespasmódicos, como o butilbrometo de escopolamina, não funcionam adequadamente para a dor do cálculo renal porque o ureter não possui os receptores necessários para essa ação. A melhora observada com algumas formulações pode decorrer da dipirona associada, e não do antiespasmódico.
Quando o paciente não pode utilizar anti inflamatórios por alergia, imunidade ou outra contraindicação, pode ser utilizado um opioide.
Infecção urinária
Anatomia feminina e infecção urinária
A infecção urinária é mais comum em mulheres do que em homens. A infecção urinária também é mais comum em mulheres do que em crianças. Essa diferença relaciona se às características anatômicas, incluindo a uretra mais curta e a exposição da região ginecológica. A proximidade facilita a migração de bactérias até a bexiga, favorecendo infecções urinárias baixas.
Uma espécie bacteriana não especificada no trecho é o agente mais comum de infecção urinária. O antibacteriano de dose única mencionado no trecho teria posologia de 7 gramas, mas essa informação permanece incerta por possível erro de transcrição.
A causa mais comum de bacteriúria em mulheres é a cistite aguda. A pielonefrite aguda ocorre quando uma cistite ascende da bexiga até o rim. Atualmente, o sulfametoxazol trimetoprima não é mais utilizado nesse contexto. Seu tratamento deveria ser mantido por 3 a 5 dias, embora os sintomas melhorassem no segundo dia; esse antibiótico era uma opção de escolha para a cistite aguda e também era chamado de Bactrim. O tratamento de uma condição é empírico, enquanto o da outra é dirigido conforme um critério não especificado.
Quando tratar bacteriúria assintomática
A presença de bactérias na urina não implica obrigatoriamente necessidade de tratamento.
- Bacteriúria assintomática: Presença de bactérias na urina sem sintomas; geralmente não deve ser tratada.
- Bacteriúria significativa: Contagem tradicional superior a 100 mil colônias, ou 10 5 colônias.
- Tratamento indicado: Gravidez ou cirurgia urológica; em pacientes diabéticos, essa possibilidade também pode ser considerada.
Cistite: frequência sem febre
A cistite é o diagnóstico mais comum entre as infecções urinárias e causa mais polaciúria do que poliúria. O sintoma predominante é a polaciúria, caracterizada pelo aumento da frequência urinária, enquanto a poliúria corresponde ao aumento do volume total de urina.
A cistite não causa febre. O diagnóstico pode ser clínico, reservando se exames complementares para os casos que não apresentam melhora.
Fosfomicina no tratamento da cistite
Anteriormente, o sulfametoxazol trimetoprima, também denominado cotrimoxazol, era utilizado como antibiótico de escolha, com tratamento por vários dias. Alguns pacientes interrompiam o uso quando apresentavam melhora.
Atualmente, foi mencionada a utilização de um antibacteriano em dose única, identificado como fosfomicina, com posologia registrada no material como 7 g em uma única administração. Nesse contexto, a fosfomicina é mencionada como tratamento da cistite.
Febre e punho percussão na pielonefrite
A pielonefrite aguda corresponde à infecção que ascende da bexiga até o rim. Diferentemente da cistite, a pielonefrite costuma produzir dor mais intensa, enquanto a cistite apresenta desconforto menos intenso.
A pielonefrite costuma produzir dor mais intensa, febre e punho percussão lombar positiva, enquanto a cistite geralmente não causa febre e não produz esse sinal. A cistite tem diagnóstico clínico, enquanto a pielonefrite necessita de complementação com exame de urina; seu tratamento deve ser dirigido conforme a avaliação clínica e laboratorial.
Dicas Para Provas
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
|---|
| Cálculos renais podem causar dor referida em regiões distantes do rim. |
| Em pacientes com dor e aumento do volume escrotal, a causa nem sempre está localizada no saco escrotal. |
| Patologias à distância podem causar dor, desconforto e aumento do volume na região escrotal. |
| A avaliação de sintomas escrotais deve considerar hipóteses diagnósticas além das patologias localizadas no saco escrotal. |
| Na insuficiência renal aguda pré renal, a fração de excreção de sódio urinário é menor que 1%. |
| Na insuficiência renal aguda renal ou parenquimatosa, a fração de excreção de sódio urinário é maior que 1%. |
| O protótipo da insuficiência renal aguda parenquimatosa é a necrose tubular aguda. |
| A infecção urinária é mais comum em mulheres do que em crianças. |
| A cistite não causa febre. |
Reflexão Sion
Quando a causa está além do sintoma
Na propedêutica urológica, dor ou aumento do escroto podem vir de cálculos, hérnias ou outras doenças distantes, exigindo uma avaliação ampla. Isso nos lembra que nem tudo que nos afeta revela sua origem imediatamente, e que reconhecer nossa necessidade é parte do caminho para o cuidado. Jesus oferece vida plena a quem se aproxima dele com honestidade e esperança.
Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.João 10:10
Leia e reflita sobre o cuidado que alcança causas ocultas.