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Princípios da Eletrocardiografia Veterinária
Em condições normais, o percurso começa no nó sinusal e segue de maneira previsível pelo miocárdio atrial.
Topicos da aula
- Princípios da Eletrocardiografia Veterinária
Overview
Mapa da eletrocardiografia veterinária
A eletrocardiografia veterinária acompanha a atividade elétrica que coordena o coração: o impulso nasce no nó sinusal, percorre os átrios, sofre retardo atrioventricular e alcança os ventrículos pelo sistema de His Purkinje. Esse percurso se traduz no traçado pelas ondas P, pelo complexo QRS e pela onda T, permitindo avaliar despolarização, repolarização, frequência e ritmo. A interpretação depende da aquisição adequada, da calibração, do posicionamento dos eletrodos e da observação das diferentes derivações e planos. A partir desse registro, investigam se arritmias e outros sinais clínicos, calcula se o eixo elétrico médio e, quando o exame pontual é insuficiente, utiliza se o Holter para relacionar o ritmo cardíaco à rotina do paciente.
Fundamentos da Eletrofisiologia Cardíaca
Importância histórica da eletrocardiografia
A eletrocardiografia é uma técnica diagnóstica de grande importância na cardiologia geral e na cardiologia veterinária. Trata se de um dos métodos mais antigos de avaliação cardíaca, e a eletrofisiologia cardíaca é estudada há mais de um século. O exame eletrocardiográfico moderno é realizado desde 1902.
Willem Einthoven, médico e eletrofisiologista holandês, executou esse exame pela primeira vez em 1902 e conceituou a eletrocardiografia no formato em que é utilizada atualmente. Einthoven aprimorou conceitos estudados anteriormente por Lippmann, relacionados ao galvanômetro de corda, além de contribuições de outros pesquisadores que culminaram no desenvolvimento da eletrocardiografia. Além disso, estudos prévios sem relação direta com a eletrofisiologia, como o desenvolvimento do galvanômetro e do eletrômetro de Lippmann, serviram de base para a eletrocardiografia. Nesse contexto, o impulso elétrico cardíaco propaga se do nó sinusal para o nó atrioventricular e deste para os ventrículos através do feixe de His.
Origem e propagação do impulso
Em condições normais, o percurso começa no nó sinusal e segue de maneira previsível pelo miocárdio atrial.
- Etapa: Origine o impulso elétrico cardíaco no nó sinusal, estrutura composta por células com propriedades automáticas, capazes de iniciar o impulso elétrico cardíaco.
- Etapa: Localize o nó sinusal na porção dorsal do átrio direito, na região denominada faixa intercaval.
- Etapa: Propague o impulso de maneira previsível pelo miocárdio atrial, utilizando fibras especializadas. Essa propagação inclui os feixes internodais e o feixe de Bachmann, que corresponde à via interatrial superior.
Retardo na condução atrioventricular
Na região de transição entre os átrios e os ventrículos, encontra se o nó atrioventricular. Essa estrutura retarda a propagação do impulso elétrico, permitindo que os átrios completem a despolarização e a contração antes de o impulso alcançar os ventrículos. Esse intervalo favorece o enchimento ventricular completo.
Após ultrapassar a porção compacta do nó atrioventricular, o impulso alcança o feixe atrioventricular, também denominado feixe de His, que conduz o impulso ao miocárdio ventricular.
Ramos e fascículos ventriculares
O feixe atrioventricular apresenta uma porção única e, posteriormente, divide se em dois ramos: o ramo direito, que conduz o impulso ao miocárdio ventricular direito, e o ramo esquerdo, direcionado ao miocárdio ventricular esquerdo. O ramo esquerdo apresenta os fascículos anterossuperior e posteroinferior.
Essa divisão relaciona se à maior massa ventricular esquerda, permitindo distribuir de maneira mais uniforme a propagação do impulso elétrico. O ventrículo esquerdo possui maior massa muscular do que o ventrículo direito.
Função coordenadora da condução
O sistema especializado de condução elétrica permite que o impulso se propague rapidamente pelo coração. Dessa forma, promove uniformidade no processo elétrico e, consequentemente, no processo mecânico cardíaco.
A propagação ordenada do impulso possibilita a sequência coordenada de despolarização, contração, repolarização e reinício do ciclo cardíaco.
Registro Eletrocardiográfico
Registro superficial dos potenciais cardíacos
A eletrocardiografia registra de forma gráfica e superficial os potenciais elétricos gerados pelo miocárdio. Sempre que o impulso elétrico percorre o coração, ocorre produção de um potencial elétrico. Essa atividade elétrica cardíaca é captada na periferia por meio de eletrodos, e o traçado mostra as variações elétricas que acontecem durante os ciclos cardíacos.
O eletrocardiograma permite realizar a avaliação e a mensuração das ondas eletrocardiográficas. Essas ondas representam graficamente o vetor de propagação do impulso elétrico no miocárdio, permitindo relacionar o registro à direção da atividade elétrica cardíaca.
Eixos temporal e de voltagem
O traçado eletrocardiográfico organiza duas dimensões fundamentais: o eixo X representa o tempo, enquanto o eixo Y representa a voltagem. No eixo temporal, os ciclos cardíacos repetem se sucessivamente; no eixo da voltagem, observam se as variações produzidas quando o impulso elétrico atravessa estruturas específicas do coração.
Essa organização permite extrair informações sobre a despolarização, a repolarização e o tempo necessário para que o impulso percorra determinadas estruturas cardíacas.
Onda P e despolarização atrial
A presença da onda P indica que o impulso elétrico se originou no nó sinusal e se propagou pelo miocárdio atrial. A onda P representa a despolarização dos átrios e corresponde ao vetor elétrico médio da propagação dos impulsos pelo miocárdio atrial.
Assim, a despolarização do miocárdio atrial gera no eletrocardiograma um vetor elétrico registrado como onda P. No traçado eletrocardiográfico, a onda P representa a despolarização atrial.
Duração e amplitude da onda P
A mensuração da onda P avalia o processo elétrico de despolarização atrial. No eixo X do eletrocardiograma, a duração da onda P indica o tempo gasto para ocorrer a despolarização atrial. Já sua altura, ou amplitude, representa a voltagem gerada durante esse processo de despolarização atrial.
Propagação e componentes do traçado
O impulso elétrico atrial propaga se em sentido crânio caudal, de cima para baixo. A despolarização cardíaca segue do nó sinusal em direção ao nó atrioventricular e ao sistema de His Purkinje, onde prossegue para despolarizar os ventrículos. No registro eletrocardiográfico, essa sequência integra os principais componentes do traçado: onda P, complexo QRS e onda T.
Despolarização ventricular no QRS
Após o retardo eletrofisiológico no nó atrioventricular, o impulso alcança o sistema de condução ventricular e propaga se rapidamente pelo miocárdio ventricular. O fascículo posteroinferior do feixe de His conduz o impulso elétrico para a parede posterior e em direção ao ápice cardíaco. A propagação ocorre por diferentes frentes, incluindo trajetos superior inferior e inferior superior.
Os múltiplos vetores elétricos da despolarização ventricular originam o conjunto de ondas denominado complexo QRS, que representa a despolarização ventricular. O complexo QRS é formado pela onda Q, geralmente negativa, pela onda R, positiva, e pela onda S, negativa.
Repolarização ventricular na onda T
Após a despolarização ventricular, ocorre a contração dos ventrículos, responsável pela ejeção do sangue para a aorta e para a artéria pulmonar. Em seguida, inicia se a repolarização ventricular, processo necessário para que as células deixem o período refratário e possam participar de um novo ciclo elétrico.
A repolarização celular cardíaca envolve atividade elétrica e gasto de energia. O vetor elétrico resultante da repolarização ventricular é registrado no traçado eletrocardiográfico como a onda T. Assim, a onda T no traçado eletrocardiográfico representa a repolarização ventricular.
Repolarização atrial encoberta
Os átrios também sofrem repolarização, mas essa atividade geralmente não é observada no eletrocardiograma de superfície. A repolarização atrial apresenta baixa amplitude e ocorre posteriormente à onda P, durante o período em que se inicia o complexo QRS, e costuma ficar encoberta pela atividade elétrica ventricular, que apresenta maior amplitude. Excepcionalmente, pode ser identificada como onda TA, ou onda T atrial, cuja orientação é oposta à da onda P.
Equipamentos e Aquisição do Traçado
Evolução dos equipamentos eletrocardiográficos
Desde 1902, o princípio do registro eletrocardiográfico permanece essencialmente o mesmo, embora os equipamentos tenham passado por intenso processo de miniaturização. Os primeiros aparelhos eram rudimentares, pesados e, por permanecerem fixos em salas específicas, não podiam ser transportados.
Posteriormente, foram desenvolvidos equipamentos portáteis capazes de registrar o traçado em fita de papel. Embora esses aparelhos ainda possam ser utilizados, os equipamentos digitais são predominantes por facilitarem a aquisição, a interpretação e o armazenamento das informações.
Conectividade dos sistemas digitais
Atualmente, muitos eletrocardiógrafos são constituídos por módulos conectados a computadores por meio de porta USB ou por comunicação Bluetooth, enquanto o software específico registra e decodifica as informações. O eletrocardiograma digital gera arquivos eletrônicos que podem ser integrados a prontuários eletrônicos.
Os módulos modernos são pequenos, leves e transportáveis, característica especialmente útil na manipulação de animais. A comunicação Bluetooth e a redução do número de fios facilitam o procedimento e diminuem a interferência durante o manejo do paciente.
Recursos digitais de interpretação
Os sistemas computadorizados permitem ampliar o traçado na tela, facilitando a identificação do início e do final das ondas, e posicionar linhas coloridas para calcular suas medidas. Assim, o equipamento pode medir automaticamente os parâmetros temporais e de voltagem, reduzindo a necessidade de contar manualmente quadrados milimetrados.
Alguns programas identificam as ondas de forma automática e solicitam apenas a confirmação do operador, enquanto outros permitem o posicionamento manual das linhas coloridas para calcular as medidas.
Indicações Clínicas
Frequência e ritmo alterados
A principal indicação do eletrocardiograma é investigar alterações da frequência cardíaca e do ritmo cardíaco. O exame é indicado para pacientes que apresentem alterações de frequência cardíaca à ausculta, como bradicardia ou taquicardia: frequência muito baixa caracteriza bradicardia, enquanto frequência muito alta, caracterizando taquicardia.
Também é indicado quando se identifica ritmo irregular, padrão de batimentos anormal ou falta de sincronia entre pulsos periféricos e batimentos cardíacos.
Déficits de pulso e sopros
O eletrocardiograma é indicado em pacientes com déficits de pulso, nos quais alguns batimentos são acompanhados por pulsos mais fracos, ou com variações no volume do pulso. Essas alterações ajudam a direcionar a investigação do ritmo cardíaco.
A presença de sopro cardíaco também constitui uma indicação clínica para a realização do eletrocardiograma. Embora o exame possa ser usado nessa avaliação, ele é particularmente relevante quando existe suspeita associada de alteração do ritmo.
Síncope e sinais de cardiopatia
Pacientes com histórico de síncope podem ser submetidos ao exame. A síncope é caracterizada pela perda súbita da consciência e do tônus postural. Na maioria das vezes, a síncope apresenta relação com arritmias cardíacas, embora existam outras causas.
A causa mais comum de síncope é a síncope cardiogênica, provocada pela redução do débito cardíaco. Dispneia, tosse, cansaço fácil, prostração e outras manifestações clínicas inespecíficas também podem justificar a investigação eletrocardiográfica quando houver possibilidade de doença cardíaca.
Avaliação perioperatória e pericardiocentese
O exame pode ser empregado na avaliação pré anestésica de pacientes idosos, com o objetivo de identificar alterações do ritmo capazes de aumentar o risco de complicações durante a anestesia. Também pode ser utilizado durante e após procedimentos cirúrgicos e anestésicos, acompanhando o paciente em diferentes momentos do cuidado perioperatório.
A pericardiocentese também é uma indicação, pois envolve a remoção do líquido acumulado no saco pericárdico. Nesse procedimento, o líquido acumulado no saco pericárdico é removido por aspiração mecânica, pois não pode ser retirado por meio de diuréticos.
Monitorização durante a pericardiocentese
Acompanhe o traçado continuamente e responda imediatamente a alterações provocadas pelo contato do cateter com o coração.
- Etapa: Realize a monitorização eletrocardiográfica contínua durante a pericardiocentese para identificar uma contração prematura caso o cateter toque acidentalmente o coração.
- Etapa: Observe o traçado e, ao identificar essa alteração, o operador deve retirar ligeiramente o cateter e interromper seu avanço, reduzindo o risco de provocar lesão cardíaca.
- Etapa: Priorize a investigação de alterações da frequência e do ritmo. Entre todas as indicações, a investigação de alterações da frequência e do ritmo permanece a aplicação mais relevante do eletrocardiograma.
Análise Vetorial
Base Vetorial Do Eletrocardiograma
A interpretação eletrocardiográfica começa pela análise vetorial da propagação dos impulsos elétricos. Nessa abordagem, cada vetor é definido por direção, sentido e magnitude. Para estudar essa atividade elétrica, Willem Einthoven criou o modelo do triângulo equilátero de Einthoven.
Modelo Eletrocardiográfico Em Perspectiva
Nas demonstrações de captação do impulso elétrico cardíaco, Augustus Waller utilizou seu próprio cão buldogue. A pata torácica direita, a pata torácica esquerda e a pata pélvica esquerda eram colocadas em recipientes separados com solução condutora. No modelo de Einthoven, o coração fica no centro, permitindo observar sua atividade elétrica a partir da base, da face direita e da face esquerda do órgão.
Perspectivas Eletrocardiográficas Eletrodos
O modelo organiza três perspectivas eletrocardiográficas que formam o triângulo equilátero de Einthoven. A primeira perspectiva orienta se da direita para a esquerda. A segunda perspectiva orienta se de cima para baixo passando pela face direita. A terceira perspectiva orienta se de cima para baixo passando pela face esquerda. Os eletrodos possuem identificação por cores para evitar a troca de posicionamento entre eles.
Perspectiva inicial: derivação I
As derivações do triângulo de Einthoven oferecem três perspectivas distintas da mesma propagação do impulso elétrico cardíaco. Na derivação I (D1), o eletrodo negativo está no membro torácico direito e o eletrodo positivo está no membro torácico esquerdo. Na derivação I, a propagação é avaliada do membro torácico direito, onde fica o eletrodo negativo, para o membro torácico esquerdo, onde fica o eletrodo positivo. A derivação I é formada entre os eletrodos do membro torácico direito e do membro torácico esquerdo.
| Derivação | Eletrodo negativo | Eletrodo positivo | Sentido avaliado |
|---|---|---|---|
| I (D1) | Membro torácico direito | Membro torácico esquerdo | Do torácico direito para o torácico esquerdo |
A derivação I observa o impulso no sentido do membro torácico direito para o membro torácico esquerdo.
Completação do triângulo de Einthoven
As duas perspectivas seguintes completam os três vetores bipolares do sistema de Einthoven. Na derivação II (D2), o eletrodo negativo está no membro torácico direito e o eletrodo positivo está no membro pélvico esquerdo. Na derivação II, a propagação é avaliada do membro torácico direito, onde está o eletrodo negativo, para o membro pélvico esquerdo, onde está o eletrodo positivo. Na derivação III, o eletrodo negativo está no membro torácico esquerdo e o eletrodo positivo está no membro pélvico esquerdo. Na derivação III, a propagação é registrada do membro torácico esquerdo, onde está o eletrodo negativo, para o membro pélvico esquerdo, onde está o eletrodo positivo. Os três vetores bipolares do sistema de Einthoven orientam se do membro torácico direito para o esquerdo, do torácico direito para o pélvico esquerdo e do torácico esquerdo para o pélvico esquerdo.
| Derivação | Eletrodo negativo | Eletrodo positivo | Sentido avaliado |
|---|---|---|---|
| II (D2) | Membro torácico direito | Membro pélvico esquerdo | Do torácico direito para o pélvico esquerdo |
| III | Membro torácico esquerdo | Membro pélvico esquerdo | Do torácico esquerdo para o pélvico esquerdo |
As derivações II e III completam os três vetores bipolares do sistema de Einthoven.
Demonstração eletrogênica de Waller
Antes dos estudos de Einthoven, acreditava se que as ondas registradas poderiam estar relacionadas ao movimento do tórax. Augustus Waller, médico inglês, demonstrou que essas ondas eram de origem eletrogênica, e não resultavam da movimentação torácica.
Para isso, utilizou um cão da raça bulldogue chamado Jimmy, posicionando as patas em recipientes contendo solução salina e mantendo os eletrodos afastados do tórax. A repetição cíclica das ondas demonstrou que o registro não dependia da movimentação torácica.
Contribuição de Einthoven ao método
Após conhecer os dados apresentados por Waller em um congresso médico, Willem Einthoven passou a estudar e aprimorar o método. Desenvolveu filtros e cálculos matemáticos que aperfeiçoaram a captação das ondas.
Waller não acreditava que sua descoberta pudesse produzir informações relevantes de forma ampla e, quando morreu, a eletrocardiografia ainda não havia se tornado uma técnica popular. Por isso, a atribuição de Einthoven como pai da eletrocardiografia relaciona se à sua capacidade de interpretar e popularizar o método para o estudo da atividade elétrica cardíaca.
Derivações aumentadas e referências
As derivações aumentadas observam o mesmo sistema elétrico por perspectivas distintas. Na derivação aVF, o referencial negativo é obtido pela média dos eletrodos dos dois membros torácicos, enquanto o referencial positivo está no membro pélvico esquerdo. Na derivação aVL, o referencial negativo corresponde à média dos eletrodos do membro torácico direito e do membro pélvico esquerdo, e o referencial positivo está no membro torácico esquerdo. Na derivação aVR, o referencial negativo corresponde à média dos eletrodos do membro torácico esquerdo e do membro pélvico esquerdo, e o referencial positivo está no membro torácico direito.
| Derivação | Referencial negativo | Referencial positivo |
|---|---|---|
| aVF | Média dos eletrodos dos dois membros torácicos | Membro pélvico esquerdo |
| aVL | Média dos eletrodos do membro torácico direito e do membro pélvico esquerdo | Membro torácico esquerdo |
| aVR | Média dos eletrodos do membro torácico esquerdo e do membro pélvico esquerdo | Membro torácico direito |
Siglas e orientações das derivações
As derivações aVR, aVL e aVF são chamadas de derivações aumentadas, expressão associada a augmented vector. A sigla aVL refere se a vetor aumentado esquerdo ( augmented vector left ), a sigla aVR refere se a vetor aumentado direito ( augmented vector right ) e a sigla aVF provém de vetor aumentado pé ( augmented vector foot ).
A letra R indica a orientação para a direita, a letra L indica a orientação para a esquerda e a letra F indica a orientação para os pés. Assim, as seis derivações permitem analisar direção, sentido e magnitude do mesmo vetor elétrico a partir de diferentes perspectivas.
Troca de eletrodos distorce o traçado
Não troque os eletrodos: O equipamento realiza automaticamente as combinações necessárias entre os eletrodos. A responsabilidade do operador consiste em posicionar cada eletrodo no local correto. Caso os eletrodos sejam trocados, o aparelho não reconhece o erro e realiza os cálculos como se o posicionamento estivesse correto. O resultado será um traçado distorcido e incompatível com a propagação real do impulso elétrico, comprometendo a interpretação.
Derivação como perspectiva elétrica
As seis perspectivas são denominadas derivações eletrocardiográficas. Cada derivação representa uma maneira diferente de observar a propagação do mesmo impulso elétrico. Em outras palavras, as diferentes perspectivas de observação do impulso elétrico cardíaco são denominadas derivações, e o termo derivação eletrocardiográfica define a perspectiva específica utilizada para observar a propagação desse impulso no coração. A situação pode ser comparada à observação de uma escultura tridimensional a partir de diferentes pontos de uma sala: a escultura permanece inalterada, mas sua aparência varia conforme a posição do observador. Da mesma forma, o impulso não se modifica, embora as características das ondas variem conforme a perspectiva utilizada.
Planos de Observação
Plano horizontal e derivações pré cordiais
Também é possível analisar uma perspectiva perpendicular, denominada plano horizontal ou transversal. Esse plano é analisado a partir de uma perspectiva ortogonal e perpendicular em relação ao plano frontal. As derivações pré cordiais avaliam a propagação da atividade elétrica cardíaca no plano transversal (ou horizontal).
As derivações pré cordiais são obtidas posicionando se eletrodos ao redor do tórax do paciente. Essas derivações acrescentam perspectivas diferentes da propagação elétrica. Como estão mais próximas do coração, registram ondas de maior amplitude, pois ocorre menor dissipação elétrica durante o percurso até os eletrodos.
Posições das derivações pré cordiais
Na medicina veterinária, o sistema de Wilson é o sistema de derivações precordiais mais conhecido. O conjunto frequentemente utilizado inclui RV2, V2, V4 e V10.
| Derivação | Posicionamento | Observação |
|---|---|---|
| RV2 | A derivação RV2 é posicionada no quinto espaço intercostal direito, junto ao bordo esternal | A letra R vem de right; é a única no lado direito do tórax. |
| V2 | A derivação V2 é posicionada no sexto espaço intercostal esquerdo, também junto ao bordo esternal | — |
| V4 | A derivação V4 é posicionada no sexto espaço intercostal esquerdo, na altura da junção costocondral | — |
| V10 | A derivação V10 é posicionada no dorso, aproximadamente na altura do sétimo processo espinhoso torácico | Aproximadamente na altura do sétimo processo espinhoso torácico. |
Sistema pré cordial veterinário frequentemente utilizado: RV2, V2, V4 e V10.
Aplicação das derivações pré cordiais
As derivações pré cordiais permitem analisar a propagação dos impulsos no sentido base ápice e dorsoventral. Em animais pequenos, como filhotes e gatos, o posicionamento pode ser mais difícil porque os eletrodos ficam muito próximos.
Em algumas situações, essas derivações são dispensadas, mas essa conduta não corresponde integralmente à técnica padronizada e pode impedir a identificação de determinadas características, especialmente alterações do sistema de condução.
Predominância da derivação II
A derivação II é normalmente utilizada para as mensurações porque seu vetor está relativamente alinhado à propagação fisiológica do impulso, desde o nó sinusal, passando pelo nó atrioventricular, até o ápice cardíaco.
Como o ápice é levemente direcionado para a esquerda e o ventrículo esquerdo apresenta maior massa, a derivação II tende a registrar as maiores amplitudes entre as derivações dos membros. As derivações pré cordiais, por sua proximidade com o coração, podem apresentar amplitudes ainda maiores.
Calibração do Eletrocardiograma
Papel milimetrado e medidas
O papel milimetrado fornece referenciais para quantificar tempo e voltagem. Ele é dividido em quadrados pequenos e grandes: cada quadrado pequeno mede 1 milímetro por 1 milímetro, e cinco quadrados pequenos formam um quadrado maior, com 5 milímetros de lado.
As ondas P, o complexo QRS e a onda T são mensurados com base nesses quadrados, de acordo com a calibração temporal e a calibração de voltagem. Na interpretação do eletrocardiograma, os parâmetros temporais — como a duração das ondas — são avaliados no eixo X, enquanto os parâmetros de voltagem — como a amplitude ou altura das ondas — são avaliados no eixo Y.
Intervalo PR ou PQ
O intervalo PR, atualmente também denominado intervalo PQ, estende se do início da onda P ao início do complexo QRS. Ele inclui a despolarização atrial e o período de retardo eletrofisiológico no nó atrioventricular. O intervalo PR ou PQ representa o tempo desde a geração do impulso no nó sinusal até a entrada efetiva do impulso no sistema ventricular.
A área isoelétrica após a onda P retrata esse retardo eletrofisiológico da condução do impulso na junção atrioventricular. Esse retardo no nó atrioventricular permite que os átrios completem a contração antes da condução do estímulo aos ventrículos. Em termos de condução, o intervalo vai da geração do impulso no nó sinusal até a conclusão do retardo eletrofisiológico na junção atrioventricular e a entrada efetiva do impulso no sistema ventricular. Alterações que retardem a condução pela junção atrioventricular prolongam esse intervalo.
Segmento ST no traçado
O segmento ST situa se entre o final do complexo QRS e o início da onda T. Essa posição ajuda a identificá lo no traçado: ele sucede o complexo QRS e antecede a onda T.
O segmento ST corresponde ao início do processo de repolarização ventricular, embora ainda não represente a repolarização completa. A onda T corresponde propriamente ao processo de repolarização ventricular. Por isso, a mensuração da onda T fornece informações sobre a repolarização dos ventrículos.
Intervalo QT e frequência
O intervalo QT estende se do início do complexo QRS ao final da onda T. Ele compreende toda a atividade elétrica ventricular, incluindo despolarização e repolarização. Assim, o intervalo QT acompanha o conjunto da atividade elétrica dos ventrículos, e não apenas uma de suas fases.
O intervalo QT apresenta relação inversamente proporcional à frequência cardíaca. A elevação da frequência cardíaca encurta o intervalo QT, enquanto a redução da frequência cardíaca prolonga o intervalo QT, porque o processo elétrico ventricular precisa ocorrer mais rapidamente quando a frequência aumenta.
Velocidade de registro por espécie
A velocidade de registro retrata a rapidez de deslocamento do papel no equipamento. Assim, para cães e gatos, o padrão de velocidade do papel no exame eletrocardiográfico é de 50 milímetros por segundo, devido à frequência cardíaca mais elevada dessas espécies. Em equinos, bovinos e seres humanos, que apresentam frequências menores, é mais comum utilizar 25 milímetros por segundo. Assim, para equinos, bovinos e seres humanos, a velocidade de registro padrão no eletrocardiograma é de 25 milímetros por segundo, devido às suas frequências cardíacas menores. Em velocidades maiores, o papel percorre o equipamento mais rapidamente; em velocidades menores, o traçado fica mais compacto.
| Espécies | Frequência cardíaca | Velocidade de registro | Efeito no traçado |
|---|---|---|---|
| Cães e gatos | Mais elevadas | 50 milímetros por segundo | O papel percorre o equipamento mais rapidamente |
| Equinos, bovinos e seres humanos | Menores | 25 milímetros por segundo | O traçado fica mais compacto |
A velocidade de registro calibra o eixo temporal.
Conversões a 50 milímetros por segundo
- Etapa: Na velocidade de 50 milímetros por segundo, 1 segundo corresponde a 5 centímetros de registro.
- Etapa: Como cada quadrado grande mede 5 milímetros, dois quadrados grandes correspondem a 1 centímetro.
- Etapa: Na velocidade de 50 milímetros por segundo, cada 1 centímetro (dois quadrados grandes) equivale a 0,2 segundos no eletrocardiograma, e cada quadradinho pequeno de um milímetro do papel equivale a 0,02 segundos (20 milissegundos) de duração.
- Etapa: Três segundos de traçado eletrocardiográfico equivalem a 15 centímetros de registro na velocidade de 50 mm/s. Assim, três ciclos cardíacos registrados em 1 segundo correspondem a uma frequência de 180 batimentos por minuto.
Conversões a 25 milímetros por segundo
Na velocidade de 25 milímetros por segundo, percorrem se 2,5 centímetros de papel em 1 segundo. No registro eletrocardiográfico de bovinos e equinos, pode se utilizar uma velocidade de papel de 2,5 centímetros por segundo (25 mm/s). Na velocidade de calibração de 25 milímetros por segundo, cada quadradinho pequeno do eletrocardiograma equivale a 40 milissegundos. Como essa velocidade corresponde à metade de 50 milímetros por segundo, cada quadradinho representa o dobro do tempo. Em cães e gatos, o padrão habitual de registro é 50 milímetros por segundo.
Calibração no padrão normal
A sensibilidade é a calibração da voltagem na altura dos quadradinhos do eletrocardiograma e corresponde aos parâmetros de voltagem. O padrão convencional é chamado de normal ou N. Na sensibilidade normal (N), cada 1 milivolt captado pelo equipamento gera uma deflexão ou onda com 1 centímetro de altura. Na sensibilidade normal (N), uma deflexão de 1 centímetro de altura corresponde à extensão de dois quadrados grandes no papel milimetrado. Cada quadradinho pequeno, ou microquadradinho vertical, representa 0,1 milivolt.
Efeitos dos ajustes de sensibilidade
Ajustar a sensibilidade altera a altura registrada para a mesma voltagem. Compare os dois ajustes:
| Sensibilidade | Relação entre 1 milivolt e a onda | Valor de cada divisão vertical |
|---|---|---|
| N/2 | cada 1 milivolt produz uma onda de 0,5 centímetro | cada microquadradinho vertical passa a valer 0,2 milivolts |
| 2N | cada 1 milivolt gera uma onda de 2 centímetros | cada quadradinho na altura passa a valer 0,05 milivolts |
A sensibilidade modifica a relação entre voltagem captada e altura da onda.
Quando alterar a sensibilidade
A sensibilidade pode ser aumentada quando as ondas apresentam baixa amplitude e são difíceis de visualizar. Nos gatos, as ondas eletrocardiográficas frequentemente apresentam baixa amplitude, o que dificulta a visualização das deflexões. Em pacientes que geram voltagens elétricas muito baixas, dobrá la para duas vezes o normal ( 2N ) amplifica a visualização das ondas eletrocardiográficas; no eletrocardiograma de gatos, isso facilita a visualização das ondas de baixa amplitude, como a onda P e o complexo QRS.
Quando as ondas são muito grandes e ultrapassam a largura disponível no papel, a sensibilidade pode ser reduzida à metade ( N/2 ) para compactar o traçado e registrá lo integralmente. Nos sistemas digitais, essa limitação é menos relevante porque o papel é virtual, mas a alteração da sensibilidade continua modificando o valor de voltagem correspondente a cada quadradinho na altura do papel; esse valor deve ser considerado durante a interpretação.
Mensuração das Ondas
Sequência para medir a onda P
Siga esta sequência para medir a onda P de forma padronizada.
- Etapa: Determine previamente o ritmo e a frequência cardíaca. A mensuração das ondas eletrocardiográficas é realizada após a determinação prévia do ritmo e da frequência cardíaca.
- Etapa: Avalie na onda P a duração e a amplitude.
- Etapa: Meça a duração do início ao término da onda.
- Etapa: Meça a amplitude, também entendida como voltagem ou altura, desde a linha de base até o ponto de maior deflexão, geralmente o pico da onda P.
Comparando repolarização e despolarização
Na avaliação da repolarização ventricular, compara se a amplitude da onda T com a voltagem produzida pela despolarização ventricular no complexo QRS. A amplitude, ou altura, do QRS expressa a magnitude dessa voltagem.
Quando o traçado não apresenta deflexões positivas nem negativas, ele contém uma linha ou área isoelétrica.
Estabilidade da linha de base
Em cães, gatos, equinos e bovinos que permanecem bem parados, a linha de base tende a ficar mais estável. Mesmo assim, nos animais ela costuma ser mais oscilante que nos seres humanos por causa da movimentação e do ciclo respiratório.
Qualquer movimento, inclusive uma respiração mais exacerbada, interfere nessa estabilidade. Por isso, variações na amplitude das ondas entre ciclos cardíacos são relativamente comuns. Na espécie humana, a linha de base tende a ser mais uniforme porque a pessoa permanece mais estática durante o exame.
Medição do intervalo PQ
O intervalo PQ é medido do início da onda P ao início do complexo QRS. Em um registro a 50 milímetros por segundo, três quadrados pequenos correspondem a três vezes 20 milissegundos, resultando em 60 milissegundos.
Esse intervalo inclui a despolarização atrial e o retardo na junção atrioventricular.
Medição do complexo QRS
A duração do complexo QRS é medida do início da primeira deflexão ao final da última deflexão do complexo. Em um traçado registrado a 50 milímetros por segundo, dois quadrados pequenos correspondem a 40 milissegundos.
Além da duração temporal, o complexo QRS também é avaliado quanto à sua voltagem. A duração do complexo QRS expressa o tempo necessário para a propagação do impulso pelo miocárdio ventricular e para a despolarização dos ventrículos.
Amplitude da onda R
A amplitude do complexo QRS é avaliada principalmente pela onda R, que corresponde à maior deflexão positiva do complexo. A mensuração é realizada da linha de base até o pico da onda R, correspondendo à amplitude do complexo QRS.
Em um exemplo com 14,5 quadrados e sensibilidade normal, o cálculo é 14,5 × 0,1 milivolt, resultando em 1,45 milivolt.
Amplitude e morfologia da onda T
A onda T é avaliada quanto à amplitude, e não quanto à duração. A mensuração é realizada da linha de base até o ponto mais distante, que pode ser positivo ou negativo. Sua morfologia pode ser positiva, negativa ou bifásica.
No cão, sua amplitude pode alcançar até 25% da amplitude da onda R. Valores superiores a esse limite estão associados a alterações da repolarização ventricular, geralmente relacionadas à hipoxemia do miocárdio. No eletrocardiograma de gatos, a amplitude da onda T é avaliada pela voltagem absoluta, tolerando se até 0,3 milivolts.
Mensurações e sobrecarga cardíaca
A mensuração das ondas eletrocardiográficas pode ser utilizada para o estudo de padrões de sobrecarga cardíaca. O aumento da onda P no eletrocardiograma pode estar relacionado à sobrecarga atrial, enquanto o aumento do complexo QRS no eletrocardiograma pode estar relacionado ao aumento ventricular.
Interpretação do Ritmo
Determinação inicial do ritmo
A determinação do ritmo organiza o início da análise eletrocardiográfica.
- Etapa: Inicie pela determinação do ritmo cardíaco: a eletrocardiografia é a técnica mais apropriada para identificar arritmias.
- Etapa: Considere que o ritmo é a informação mais importante da análise; ele corresponde à regularidade dos batimentos e dos ciclos elétricos e pode ser avaliado em tempo real durante o registro.
- Etapa: Verifique se o ritmo é regular ou irregular, classificando os ritmos cardíacos em ritmos regulares ou ritmos irregulares.
Frequência e regularidade do traçado
Após determinar o ritmo, a frequência cardíaca é avaliada em segundo lugar porque influencia a classificação e a nomenclatura do ritmo. A frequência cardíaca é um parâmetro importante para classificar e nomear o ritmo cardíaco e, além disso, é fundamental para caracterizá lo.
Ainda assim, a frequência cardíaca não é a informação mais importante do traçado eletrocardiográfico. Para determinados autores, a interpretação do exame pode ser concluída quando o ritmo está adequadamente caracterizado. A análise pontual da frequência é aceitável em ritmos regulares, enquanto ritmos irregulares exigem uma análise mais prolongada. O intervalo de 3 segundos corresponde a 1/20 de um minuto.
Derivações, arritmia e eixo
Posteriormente, mensuram se a duração e a amplitude das ondas, geralmente na derivação II. Também se avaliam as derivações I, III, aVR, aVL e aVF, que podem fornecer informações diagnósticas importantes, sobretudo diante de ectopias cardíacas ou despolarizações anormais.
Ao identificar arritmia sinusal em cães ou gatos, deve se explicar ao proprietário que ela pode ser uma condição normal. Para tutores e leigos, o termo arritmia costuma soar como algo patológico ou desfavorável. Em situações de calma e tranquilidade, predomina a atividade parassimpática. Por fim, o eixo elétrico médio permite analisar a direção e possíveis desvios do vetor elétrico cardíaco.
Critério de regularidade do ritmo
Um ritmo é considerado regular quando a repetição dos ciclos não apresenta variação superior a 10%. A regularidade pode ser avaliada visualmente pela comparação dos intervalos entre as ondas R, que são utilizadas por apresentarem grande amplitude e facilitarem a análise.
Se a variação entre os intervalos RR não ultrapassar 10%, o ritmo será classificado como regular.
Critérios do ritmo sinusal
O ritmo sinusal começa com o impulso no nó sinusal e apresenta um padrão previsível de propagação: onda P, retardo eletrofisiológico, complexo QRS e onda T. O impulso elétrico gerado no nó sinusal propaga se em direção à junção atrioventricular, gerando a onda P, sofre retardo na junção e segue pelo sistema de His Purkinje até o miocárdio ventricular.
O ritmo sinusal é caracterizado por três critérios: impulso com origem no nó sinusal, com sequência previsível PQRST; ritmo regular, com variação entre ciclos inferior a 10%; e frequência cardíaca normal para a espécie. Tanto no ritmo sinusal quanto na arritmia sinusal são necessários um impulso de origem sinusal com propagação previsível e frequência cardíaca normal para a espécie.
Variação da arritmia sinusal
Na arritmia sinusal, o impulso continua originando se no nó sinusal e mantém a sequência previsível de ondas, mas os intervalos RR variam de forma cíclica. Por isso, o ritmo é denominado regularmente irregular.
Quando a frequência é normal para a espécie, essa condição é considerada uma variação normal e reflete alterações cíclicas do equilíbrio autonômico, com alternância entre predominância simpática e parassimpática.
Quando chamar arritmia respiratória
Use arritmia sinusal respiratória apenas quando a variação do ritmo estiver correlacionada ao ciclo respiratório. A arritmia sinusal fisiológica associada ao ciclo respiratório é denominada por alguns autores como arritmia sinusal respiratória, mas seu emprego requer a correlação clínica direta das variações dos intervalos eletrocardiográficos com o ciclo respiratório do paciente. Durante a inspiração, a frequência cardíaca aumenta e os complexos se aproximam. Durante a expiração, a frequência diminui e os complexos se afastam. Essa alternância cíclica entre os tônus simpático e parassimpático ocorre em sincronia com as fases do ciclo respiratório. Na análise isolada do traçado eletrocardiográfico, sem avaliação presencial do paciente, não é possível utilizar a denominação de 'arritmia sinusal respiratória' devido à impossibilidade de comprovar a correlação respiratória; nesse caso, deve se utilizar o termo arritmia sinusal sem qualificá la como respiratória.
Mecanismo inspiratório da arritmia
Durante a inspiração, o diafragma desloca se em direção ao abdômen e reduz o estímulo sobre o nervo vago. Nessa fase, há maior preponderância simpática sobre o coração, com redução da atividade vagal.
A redução da atividade vagal faz o nó sinusal disparar mais rapidamente e eleva a frequência cardíaca. A maior taxa de disparo do nó sinusal diminui o intervalo entre os complexos eletrocardiográficos. Sob estímulo simpático, o impulso elétrico utiliza uma via de saída dorsal no nó sinusal, gerando um vetor mais dorsoinferior e aumentando a amplitude da onda P.
Mecanismo expiratório e onda P
Durante a expiração, o diafragma desloca se em direção à caixa torácica e estimula o nervo vago, aumentando o componente parassimpático. Essa dominância parassimpática reduz a taxa de disparo do nó sinusal, diminui a frequência cardíaca e aumenta o intervalo entre os complexos eletrocardiográficos.
O impulso elétrico sai do nó sinusal em direção ao miocárdio atrial por uma via inferior. Assim, o vetor de propagação nos átrios torna se mais inferior, lateral e direcionado da direita para a esquerda. Essa alteração do vetor elétrico atrial reduz a amplitude da onda P.
Marca passo migratório no traçado
O marca passo migratório é decorrente da variação do equilíbrio autonômico sobre o nó sinusal. Variações cíclicas na amplitude da onda P no eletrocardiograma indicam a presença de marca passo migratório. A presença de marca passo migratório no eletrocardiograma é considerada um achado normal e o marca passo migratório é frequentemente observado em cães que apresentam arritmia sinusal.
Com exceção de situações como o marca passo migratório, espera se que as variações eletrocardiográficas atribuídas ao movimento torácico sejam discretas. Discrepâncias de 20% a 40% na amplitude de uma onda de um ciclo cardíaco para outro não são esperadas fisiologicamente e sugerem outras alterações clínicas.
Arritmia sinusal sem correlação respiratória
As arritmias sinusais não respiratórias não apresentam correlação evidente com o ciclo respiratório e devem ser investigadas quanto à possibilidade de condição patológica. Essa ausência de relação respiratória é o dado que orienta a investigação clínica.
Podem estar relacionadas ao aumento do tônus parassimpático. Entre as situações mencionadas encontram se massas mediastinais que comprimem o nervo vago e doenças respiratórias crônicas, incluindo doença bronquial crônica, capazes de provocar hiperativação parassimpática.
Cálculo da frequência cardíaca
A frequência cardíaca pode ser calculada a partir da velocidade de registro e, em ritmos irregulares, pela contagem de complexos QRS em uma amostra padronizada.
- Etapa: Identifique a velocidade de registro. Em um traçado a 50 milímetros por segundo, três ciclos em 1 segundo correspondem a três vezes 60, ou 180 batimentos por minuto.
- Etapa: Avalie a regularidade do ritmo. Em ritmos irregulares, recomenda se utilizar uma amostra de 3 segundos, equivalente a 15 centímetros de registro.
- Etapa: Conte os complexos QRS na amostra. O número de complexos QRS observado em 3 segundos é multiplicado por 20.
- Etapa: Confira o cálculo. Nove complexos em 3 segundos também correspondem a 180 batimentos por minuto.
Bradicardia sinusal e contexto clínico
A bradicardia sinusal é uma variante do ritmo sinusal na qual a frequência cardíaca é inferior à esperada para a espécie. A ocorrência de baixa frequência cardíaca em um ritmo regular originado no nó sinusal caracteriza a bradicardia sinusal. Uma frequência aproximada de 40 batimentos por minuto em um cão não corresponde à frequência normalmente aceitável para a espécie.
O contexto modifica a interpretação: em um animal dormindo e tranquilo em casa, essa condição pode ser fisiológica. Já em ambiente hospitalar, onde se espera maior estímulo simpático pela manipulação e pelo estresse, pode apresentar conotação patológica, incluindo possibilidades como hipotireoidismo e hipercalemia.
Taquicardia sinusal e contexto
A taquicardia sinusal é uma variante do ritmo sinusal, definida por impulsos de origem sinusal e padrão regular e previsível de propagação, porém com frequência cardíaca elevada. Uma frequência próxima de 200 batimentos por minuto pode estar acima do aceitável para um cão.
O contexto ajuda a distinguir uma resposta fisiológica de uma alteração persistente: a taquicardia pode ser fisiológica em animais correndo, brincando, assustados, eufóricos ou submetidos ao estresse hospitalar. Também pode ser patológica quando persiste em ambiente calmo, durante repouso, sono ou avaliação domiciliar.
Causas de taquicardia persistente
Na insuficiência cardíaca congestiva, a descarga catecolaminérgica e a liberação de catecolaminas deslocam o equilíbrio autonômico em direção ao componente simpático, podendo produzir taquicardia persistente. O feocromocitoma é uma neoplasia que atua secretando catecolaminas.
Em quadros de hipoxemia decorrentes de doença respiratória grave, o organismo aumenta a resposta simpática, a perfusão periférica e o débito cardíaco. Assim, tanto a bradicardia sinusal quanto a taquicardia sinusal podem ser fisiológicas ou patológicas.
Doenças respiratórias e ritmo
A dispneia pode modificar o eletrocardiograma, e a intensidade dessa alteração depende do padrão respiratório. As mudanças de pressão intratorácica entre inspiração e expiração influenciam o retorno venoso, a hemodinâmica e potencialmente a atividade elétrica, por interferirem no equilíbrio simpático e parassimpático.
Doenças respiratórias crônicas podem aumentar a atividade parassimpática e exacerbar a arritmia sinusal, produzindo discrepância maior entre intervalos RR curtos e longos.
Eixo Elétrico Médio
Conceito e representação do eixo
O eixo elétrico médio é o vetor que representa a direção da despolarização e da propagação do impulso pelo miocárdio. No traçado eletrocardiográfico, essa direção é expressa pelo ângulo alfa.
Para representá lo, o sistema triaxial utiliza as derivações 1, 2 e 3. A D2 corresponde a 60 graus e se alinha aproximadamente ao vetor elétrico cardíaco médio.
Desvios e particularidades felinas
O vetor elétrico médio costuma orientar se de forma semelhante à derivação II, dentro de uma faixa aceitável de desvio compatível com os padrões biológicos normais. Um eixo posicionado em 90 graus é completamente alterado.
No gato, a posição anatômica do coração, deitado e tangenciando o esterno, torna o vetor mais disperso. Por isso, desvios para a direita ou para a esquerda podem estar associados ao aumento da massa ventricular ou a bloqueios de ramo do feixe de His.
Métodos para determinar o eixo
Os dois métodos mais utilizados para determinar o eixo elétrico médio são a determinação pela amplitude líquida do complexo QRS e a identificação do complexo QRS mais isoelétrico. A amplitude líquida fornece um valor exato em graus.
O método do complexo mais isoelétrico é semiquantitativo e fornece uma aproximação suficiente para avaliações rotineiras. Nesses casos, geralmente não é necessário distinguir valores muito próximos, como 61, 62 ou 63 graus.
Amplitude líquida do QRS
Para determinar a amplitude líquida, selecionam se duas derivações, geralmente I e III, porque os ângulos possíveis já foram tabelados e simplificam o cálculo. Mede se a quantidade de quadrados acima da linha de base e subtrai se a quantidade de quadrados abaixo dela.
No exemplo, a derivação I apresentou 14 quadrados positivos e nenhum quadrado negativo, resultando em amplitude líquida de +14. A derivação III apresentou 17 quadrados positivos e 1 quadrado negativo, resultando em amplitude líquida de +16.
Construção geométrica do eixo
Para construir o eixo, plote as amplitudes líquidas e siga a sequência geométrica até localizar a direção resultante.
- Etapa: Plotar os valores das amplitudes líquidas em um sistema cartesiano baseado no sistema triaxial.
- Etapa: Marcar, na derivação I, 14 unidades em direção ao polo positivo e traçar uma reta perpendicular nesse ponto.
- Etapa: Marcar, na derivação III, 16 unidades em direção ao polo positivo e traçar outra reta perpendicular.
- Etapa: Identificar a intersecção das duas retas, que corresponde ao eixo elétrico médio.
- Etapa: Medir o ângulo diretamente com um transferidor ou obtê lo pela consulta a uma tabela previamente calculada.
Referência do eixo no cão
No cão, o eixo elétrico médio aceitável situa se aproximadamente entre +40 e +100 graus. Valores inferiores a +40 graus caracterizam desvio do eixo para a esquerda, enquanto valores superiores a +100 graus caracterizam desvio para a direita.
Pequenas diferenças entre os limites mencionados não alteram a aplicação prática do método, desde que a direção geral permaneça dentro da faixa aceitável. Em torno de 60°, o eixo elétrico médio está dentro da faixa aceitável de normalidade. No eletrocardiograma de cães, o eixo elétrico médio cardíaco normal situa se entre +40° e +100°, e valores maiores que +100° indicam desvio do eixo para a direita.
Referência do eixo no gato
No gato, o eixo elétrico médio apresenta uma faixa mais ampla, aproximadamente entre 0 e +160 graus. No eletrocardiograma felino, a faixa de 0° a +160° corresponde à variação normal do eixo elétrico médio cardíaco e é considerada aceitável.
Essa maior variação relaciona se à posição mais horizontalizada do coração e à distribuição mais variável do vetor no plano frontal. Valores inferiores a zero grau indicam desvio para a esquerda, enquanto valores superiores a +160 graus indicam desvio para a direita.
Método do complexo isoelétrico
O método semi quantitativo exige a avaliação simultânea das derivações I, II, III, aVR, aVL e aVF. A derivação mais isoelétrica é aquela em que as amplitudes positivas e negativas do QRS são semelhantes.
O eixo elétrico médio localiza se aproximadamente a 90 graus da derivação mais isoelétrica. Assim, se a derivação I for a mais isoelétrica, o eixo médio estará aproximadamente a 90 graus positivos.
Causas dos desvios do eixo
Por que o eixo se desvia
O desvio do eixo pode relacionar se ao aumento da massa ventricular direita ou esquerda ou a alterações do sistema de condução ventricular. Desvios do eixo elétrico podem ser provocados por alterações no sistema de condução elétrica dos ventrículos. Quando há aumento da massa ventricular, a predominância elétrica pode deslocar o eixo para um dos lados.
Um bloqueio de ramo ocorre quando, apesar de o impulso alcançar o sistema de condução pela junção atrioventricular, parte da propagação ventricular ocorre fora desse sistema. A propagação do impulso elétrico fora do sistema de condução nos ventrículos resulta em desvio do eixo elétrico médio. A alteração da via de condução modifica o vetor elétrico médio e pode deslocá lo para a direita ou para a esquerda.
Valores de Referência e Posicionamento
Valores de referência por espécie
A frequência cardíaca normal varia conforme a espécie e o porte. A duração e a amplitude da onda P ajudam a comparar o traçado entre cães e gatos. | Duração da onda P | A duração da onda P deve ser inferior a 0,04 segundo, equivalente a 40 milissegundos, tanto no cão quanto no gato. | Inferior a 0,04 segundo (40 milissegundos) | Inferior a 0,04 segundo (40 milissegundos) | Amplitude máxima da onda P | 0,4 milivolt | 0,2 milivolt
| Parâmetro | Cão | Gato |
|---|---|---|
| Frequência cardíaca | ||
| No cão, raças gigantes podem apresentar frequência de 60 a 140 batimentos por minuto; raças pequenas de 70 a 180; filhotes de até 220 batimentos por minuto. | ||
| — |
A frequência cardíaca varia conforme a espécie e o porte; os valores da onda P são referências do traçado eletrocardiográfico.
Exames laboratoriais de referência
Exames laboratoriais como hematócrito, leucócitos globais, contagem de neutrófilos, ALT e creatinina possuem padrões de referência para comparação.
Decúbito e paralelismo dos membros
O registro eletrocardiográfico deve ser realizado com o cão ou gato em decúbito lateral direito, posição utilizada para a padronização do exame. A mudança de decúbito altera a posição do coração dentro do tórax por efeito da gravidade e pode modificar o vetor elétrico.
Para manter o posicionamento adequado, os dois membros torácicos devem permanecer paralelos entre si, assim como os dois membros pélvicos.
Afastamento dos eletrodos torácicos
Os eletrodos devem ser acoplados na altura do cotovelo ou do joelho, afastados do tórax. Os eletrodos periféricos do eletrocardiograma devem ser acoplados na altura das articulações do cotovelo e do joelho.
A movimentação do tórax provocada pela respiração do paciente oscila a posição dos eletrodos durante o exame eletrocardiográfico. O posicionamento próximo ao tórax aumenta a oscilação causada pelos movimentos respiratórios e contribui para a flutuação da linha de base. As variações na amplitude das ondas eletrocardiográficas atribuídas à movimentação respiratória são consideradas pequenas.
Manter os eletrodos afastados do tórax diminui a oscilação da linha de base e reduz a flutuação da amplitude das ondas ciclo a ciclo.
Código de cores dos eletrodos
Não existe um sistema universal de cores para os eletrodos. Nos equipamentos brasileiros, o código convencional é organizado por membro:
| Eletrodo | Posicionamento | Observação |
|---|---|---|
| Amarelo | o eletrodo amarelo no membro torácico esquerdo | — |
| Vermelho | o vermelho no membro torácico direito | — |
| Verde | o verde no membro pélvico esquerdo | Participa da triangulação principal |
| Preto | o preto, correspondente ao terra, no membro pélvico direito | Poderia ser colocado em qualquer local, pois não participa da triangulação principal |
A triangulação principal envolve os dois eletrodos torácicos e o eletrodo verde.
Monitorização Holter
Limitações do ECG de rotina
O eletrocardiograma é a técnica mais apropriada para identificar arritmias, mas o exame de rotina oferece uma amostra pontual: sua duração geralmente corresponde a poucos minutos, frequentemente cerca de três minutos. Embora apresente alta especificidade quando uma arritmia é registrada, sua sensibilidade para arritmias infrequentes é baixa; uma alteração não constante pode não ocorrer durante a curta amostragem. Nesse cenário, o monitoramento por Holter confere maior precisão diagnóstica por avaliar 24 horas contínuas de amostragem em diversos cenários comportamentais do paciente, em contraste com a amostra de 3 minutos do eletrocardiograma convencional.
Holter como monitorização prolongada
O Holter consiste em um exame eletrocardiográfico de longa duração, realizado de forma ambulatorial. O equipamento é colocado no paciente e registra a atividade elétrica por, no mínimo, 24 horas. Na medicina veterinária, esse monitoramento registra a atividade cardíaca por no mínimo 24 horas, período considerado padrão. O registro também pode durar 48 ou 72 horas e, em seres humanos, pode alcançar sete dias; o aumento do período de monitorização melhora a possibilidade de detectar arritmias infrequentes e permite quantificar sua ocorrência.
Quantificação ambulatorial das arritmias
A quantificação costuma ser realizada em 24 horas. Nesse período, o exame possibilita quantificar arritmias em momentos de exacerbação tanto do tônus simpático quanto do parassimpático, situações comportamentais que habitualmente não ocorrem no ambiente hospitalar. Assim, podem ser determinados o número de arritmias ventriculares, supraventriculares e pausas, além do ritmo predominante e das frequências máxima, mínima e média.
A avaliação ambulatorial também pode mudar a interpretação do caso: um paciente pode apresentar muitas arritmias no consultório devido ao estresse e deixar de apresentá las em casa. Por isso, o registro ambulatorial permite avaliação mais representativa da rotina do paciente.
Miniaturização e portabilidade do Holter
O uso de cartões digitais de memória permite que os aparelhos modernos de Holter sejam compactos. Esses aparelhos são portáteis e podem pesar cerca de 40 gramas, viabilizando o uso em cães pequenos e gatos, o que tornou a monitorização mais confortável e viável em animais de menor porte. Em contraste, os aparelhos antigos eram grandes e pesados, semelhantes a gravadores de fita, e poderiam alterar significativamente o comportamento do animal. Esse volume e peso inviabilizavam a monitorização em animais menores, como gatos.
Fixação confortável do equipamento
Após a colocação dos eletrodos, o equipamento é protegido por um colete. Há coletes confeccionados com diferentes materiais, incluindo tecidos mais espessos, materiais plastificados e couro. Os modelos mais antigos eram pesados e tinham como principal finalidade impedir que o animal destruísse o equipamento; atualmente, utilizam se sistemas mais confortáveis, com o objetivo de reduzir a interferência sobre o comportamento normal do paciente.
Diário e correlação do Holter
Organize o registro domiciliar para que a rotina e os sinais do paciente possam ser relacionados ao traçado.
- Etapa: Envie o paciente para casa com o equipamento, para que o registro represente sua vida cotidiana.
- Etapa: Utilize o exame de Holter para realizar avaliação eletrocardiográfica domiciliar do paciente.
- Etapa: Oriente o tutor a anotar os horários e as principais atividades, incluindo alimentação, sono, passeio, brincadeiras, interação e latidos, além de desmaios e outros sinais ou sintomas. O tutor é incumbido de registrar essas informações em um diário.
- Etapa: Após 24 horas, o aparelho de Holter é retirado para correlacionar o traçado com os registros do diário. Essas informações permitem correlacionar atividades comportamentais e manifestações clínicas com eventuais arritmias identificadas no traçado.
Revisão humana da leitura automatizada
Embora um software realize a leitura do registro e automatize parte da interpretação, a análise não deve ser exclusivamente automatizada: nos gatos, a baixa amplitude das ondas pode dificultar a leitura; nos cães, a arritmia sinusal intensa pode ser interpretada equivocadamente como complexos prematuros, especialmente quando a frequência aumenta e os complexos ficam mais próximos. No cão, a arritmia sinusal é consideravelmente mais exacerbada do que no ser humano, provocando frequentes erros de leitura nos softwares; por isso, é necessária intervenção humana para revisar e confirmar a classificação dos eventos.
Conteúdo quantitativo do relatório
O software pode utilizar cores para classificar diferentes morfologias e identificar complexos ventriculares, que são largos e distintos dos demais batimentos. Ao final da análise, fornece relatório com a quantidade de arritmias ventriculares e supraventriculares, o número de pausas, o ritmo predominante e as frequências máxima, mínima e média.
Como o Holter permite avaliar 24 horas de atividade elétrica, esses dados podem ser relacionados aos diferentes estados comportamentais e autonômicos do paciente.
Reflexão Sion
Quando o coração encontra direção
O eletrocardiograma mostra que um impulso elétrico, nascido no nó sinusal, precisa seguir uma sequência ordenada para que o coração se contraia com eficiência, embora possa ser observado por diferentes perspectivas. Assim também, nem tudo o que vemos de uma vida revela sua realidade inteira: precisamos de humildade para reconhecer nossos limites e de alguém que conheça o coração por completo. Jesus oferece essa esperança — ele não apenas observa de fora, mas pode trazer direção e vida ao que está desordenado.
Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas!Salmos 139:14
Leia e descubra como diferentes perspectivas revelam um só coração.