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MedVet7 PeríodoSuinoculturaP1

Tipos de Granja, Biossegurança e Ciclos Produtivos na Suinocultura

A classe sanitária resulta da relação entre o nível de biossegurança e a pontuação obtida nos critérios avaliados.

Duracao: 39 min

Topicos da aula

  • Tipos de Granja IIl e Ciclos (Matriz, Matriz em Formação e Cevado)

Overview

Biossegurança e ciclos produtivos

Esta aula apresenta a organização das granjas multiplicadoras e os fundamentos da certificação sanitária. O ponto de partida é distinguir a finalidade produtiva da multiplicadora, voltada à produção de reprodutores, da granja comercial, e compreender como o controle sanitário, o registro zootécnico e o melhoramento genético se articulam. Em seguida, a classificação em classes A, B e C relaciona se à pontuação de biossegurança e aos prazos de renovação. A aula percorre as barreiras físicas e sanitárias, o controle de veículos, pessoas, ração, resíduos e dejetos, além da organização em sítios e dos ciclos produtivos. Ao longo desse percurso, o plano de biosseguridade integra rotinas, respostas a emergências e registros para sustentar a segurança e a rastreabilidade da produção.

Granjas multiplicadoras e certificação sanitária

Multiplicadora versus comercial

A granja multiplicadora tem como finalidade a produção de animais reprodutores, enquanto a granja comercial pode abranger todas as etapas e fases da produção. Portanto, a diferença central está no objetivo produtivo e na exigência de certificação.

A granja multiplicadora precisa ser certificada como GRSC (Granja de Reprodutores Suídeos Certificada), cadastrada na Secretaria de Defesa Agropecuária para controle sanitário.

Registros sanitários e zootécnicos

A GRSC deve manter o registro dos animais e o controle zootécnico, assegurando a identificação da genealogia e da superioridade genética. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) realiza esse registro e controle zootécnico para garantir o pedigree e a superioridade genética.

Para manter esse controle, devem ser informados eventos como incluindo coberturas, partos, nascimentos, repetições e desempenho zootécnico. Todos os acontecimentos da granja, incluindo dados reprodutivos e desempenho zootécnico, devem ser reportados à ABCS para controle.

Melhoramento versus rastreabilidade genética

O melhoramento genético é uma atividade distinta do controle realizado pela associação. O geneticista mede, analisa e estuda os animais para definir quais indivíduos devem ser cruzados.

A associação, por sua vez, verifica e registra se os procedimentos foram efetivamente realizados, garantindo a rastreabilidade e a comprovação das informações genéticas e produtivas.

Norma e renovação da certificação

A organização sanitária das granjas de reprodutores é regulamentada por portaria da Secretaria de Defesa Agropecuária vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Foi mencionada a Portaria nº 1.358, de 14 de agosto de 2025. O domínio dessa norma é necessário para o registro, a monitoria, a vistoria e a renovação dos registros de uma granja de reprodutores suínos.

Classificação sanitária das granjas

Classes por nível de biossegurança

A classe sanitária resulta da relação entre o nível de biossegurança e a pontuação obtida nos critérios avaliados.

  • Classes sanitárias: As granjas de reprodutores de suínos são classificadas nas classes A, B ou C de acordo com o nível de biossegurança apresentado.
  • Pontuação: A classificação baseia se na pontuação obtida em um formulário com diversos itens avaliados.
  • Critérios avaliados: O formulário considera a qualidade das barreiras físicas, do alambrado e a distância das instalações.
  • Monitoramento: Além desses itens, a avaliação de biossegurança monitora a qualidade da barreira física, do embarcador e as distâncias de isolamento.
  • Pontuação máxima: Quando todos os itens são atendidos, a granja pode atingir 100% da pontuação possível.

Pontuações das classes sanitárias

A classificação sanitária relaciona a soma dos pontos de biossegurança às classes A, B e C.

  • Classe A: A granja de reprodutores suídeos é classificada como Classe A quando atinge pontuação de biossegurança maior ou igual a 70%.
  • Classe B: A granja classificada como Classe B obtém pontuação de biossegurança entre 40% e menos de 70%.
  • Classe C: A granja classificada como Classe C deve obter pontuação de biossegurança de pelo menos 40%.
  • Classificação: A classificação depende da soma dos pontos obtidos nos diferentes itens de biossegurança avaliados.

Renovação conforme a classe

O prazo de renovação da licença varia conforme a classificação sanitária.

  • Classe A: Para a classe A, a renovação ocorre a cada 24 meses.
  • Classe B: Para a classe B, a renovação ocorre a cada 18 meses.
  • Classe C: A licença de funcionamento da granja classificada como Classe C deve ser renovada a cada 12 meses.
  • Relação sanitária: Esses períodos estão relacionados à classificação da granja e ao nível de biossegurança demonstrado.

Estrutura básica de biossegurança

Biossegurança e sistemas ao ar livre

Toda granja suinícola comercial deve manter alto nível de biossegurança. Mesmo com avanços em genética e nutrição, a ambiência continua essencial para que os suínos expressem seu potencial produtivo. Além disso, reduzir os desafios sanitários diminui o uso de medicamentos e melhora os resultados econômicos e zootécnicos.

Uma granja multiplicadora pode operar pelo SISCAL, Sistema Intensivo de Suínos Criados ao Ar Livre. Nesse sistema, maternidade, gestação e reprodução podem ser manejadas em piquetes. Já a creche deve permanecer em local mais protegido, pois sua instalação em piquetes causa perdas de desempenho.

Barreiras e infraestrutura da granja

Os pássaros são atraídos aos galpões pelo consumo da ração e podem transmitir diversas doenças aos suínos. Por isso, toda granja precisa de uma barreira física de proteção. Em granjas com piquetes, a cerca delimitadora deve ficar afastada deles, funcionando como a delimitação de um galpão. Recomenda se que sua base sólida penetre de 10 a 20 centímetros no solo para impedir a passagem de animais escavadores.

Uma barreira natural ou biológica, como árvores, não é obrigatória. A infraestrutura básica inclui galpões, cercas, vestiário, escritório, embarcador e instalações para ração. A granja também deve contar com depósito externo específico para coleta e destinação do lixo.

Barreira física simples ou dupla

A barreira física é uma cerca perimetral que delimita a área da granja e impede a aproximação e o ingresso de outros animais e de pessoas não autorizadas junto aos galpões. Ela pode ser simples, constituída por uma cerca, ou dupla, constituída por duas cercas.

A barreira dupla aumenta a segurança, embora também eleve o custo de implantação. Assim, a escolha da configuração envolve relacionar o nível de proteção desejado ao custo de construção.

Barreira natural e localização

Uma barreira natural, como uma fileira de árvores, pode aumentar a segurança sanitária, mas não substitui a barreira física exigida. Ela funciona como um reforço do isolamento, enquanto a cerca perimetral permanece necessária para controlar o acesso à granja.

Na escolha do local para instalação de uma granja multiplicadora, deve se preferir uma área distante de outras criações de suínos, abatedouros e estradas que conduzam a abatedouros. Esse isolamento reduz a possibilidade de introdução de agentes infecciosos.

Altura, malha e base

A cerca da barreira física da granja deve ser de alambrado, com altura mínima de 1,8 metro. A malha do alambrado não deve ultrapassar 7 centímetros de abertura, medida de canto a canto do losango formado pela tela.

Na cerca perimetral, essa base deve contar com uma estrutura sólida e rígida, como concreto ou viga, de pelo menos 10 centímetros de altura. Recomenda se aprofundar essa estrutura no solo, pois alguns animais podem escavar e passar por baixo da cerca.

Distância entre cerca e galpão

A altura de 1,8 metro é medida desde o chão até o ponto superior da cerca, incluindo a base. Além disso, a cerca da barreira física da granja deve ser instalada a pelo menos 5 metros de distância do galpão, mantendo distanciamento adequado.

A barreira precisa ser funcional, e não meramente decorativa, impedindo efetivamente a passagem de animais por baixo ou através dela.

Alojamento em galpões ou piquetes

A granja deve possuir instalações destinadas ao alojamento dos animais. Embora não seja um galpão, o piquete também constitui um local adequado para o alojamento dos animais, desde que sua área seja devidamente delimitada.

Uma granja multiplicadora pode trabalhar em sistema ao ar livre quando o objetivo é produzir animais rústicos para sistemas rústicos. Nesse caso, deve manter a seleção baseada na rusticidade e delimitar adequadamente a área dos piquetes.

Telamento dos galpões

Os galpões de criação de suínos devem ser telados. As telas dos galpões de suínos devem possuir malha de 1 polegada, correspondente a 2,54 cm de canto a canto, medida equivalente a 2,54 centímetros.

A finalidade principal é impedir a entrada de pássaros. Roedores ainda podem ingressar por portas ou aberturas, mas o telamento reduz especificamente o acesso de aves ao ambiente interno e à ração.

Ração protegida nos piquetes

Em sistemas com piquetes, o local de arraçoamento deve ser protegido do acesso de pássaros sempre que possível; porém, essa medida não elimina todo o risco de contato, pois as aves continuam frequentando o piquete e podem defecar no ambiente. A contenção completa do contato entre suínos e aves não é possível nos piquetes.

Instalações complementares necessárias

Além das barreiras físicas e dos alojamentos, a granja deve contar com sistemas de coleta de dejetos, condução, limpeza e manejo dos resíduos. Esses componentes estruturais organizam o fluxo de limpeza e o manejo dos materiais produzidos na atividade.

Também são necessárias barreira sanitária, escritório, embarcador, depósito de ração, sistema de destinação de cadáveres, sistema de tratamento de dejetos e depósito para resíduos produzidos na atividade. A destinação de cadáveres constitui um sistema específico, distinto do sistema de tratamento de dejetos.

Barreira sanitária

Função e etapas da barreira

A barreira sanitária organiza a entrada na granja em sequência e controla tanto o fluxo de pessoas quanto o de equipamentos.

  1. Etapa: Antes de entrar na granja, a pessoa deve passar pela barreira sanitária, local destinado à troca de roupa e ao banho de quem entra nas instalações. Nessa estrutura, também ocorre a colocação dos equipamentos fornecidos pela própria granja.
  2. Etapa: Organizar a barreira com vestiários masculino e feminino, sanitários nas áreas suja e limpa e uma área intermediária destinada ao banho. A barreira deve possuir vestiários masculino e feminino. A barreira deve possuir sanitários nas áreas suja e limpa.
  3. Etapa: Estruturar a barreira sanitária em três compartimentos: área suja, área intermediária e área limpa. Não é permitido o retorno ou trânsito direto entre os sanitários da área limpa e da área suja na barreira sanitária.
  4. Etapa: Localizar a estrutura de fumigação em área externa junto à área suja da barreira sanitária.
  5. Etapa: Realizar a fumigação, altamente eficaz na eliminação de microrganismos e desinfecção ambiental, adicionando 30 a 40 ml de formaldeído a 37% sobre 10 a 15 g de permanganato de potássio, liberando vapor de formaldeído no ambiente.
  6. Etapa: Submeter todos os equipamentos que entram na granja à fumigação, sem que haja corrosão ou danos aos materiais.
  7. Etapa: Controlar a aquisição de permanganato de potássio para laboratórios, que requer autorização e controle de órgãos militares.

Da área suja à limpa

O percurso pela barreira sanitária segue uma sequência única, da área suja à área limpa.

  1. Etapa: Na área suja, a pessoa entra, retira os sapatos e os deixa no local apropriado, dirigindo se aos armários para retirar as roupas externas.
  2. Etapa: Em seguida, passa para a área intermediária, constituída pelo chuveiro.
  3. Etapa: Depois do banho, chega à área limpa.
  4. Etapa: Manter a circulação em sentido controlado, impedindo o retorno da área limpa para a área suja; por essa razão, devem existir sanitários em ambas as áreas.

Desinfecção de objetos externos

Objetos trazidos do exterior, como brincos, anéis, carteira, chaveiro, caneta, agenda e computador, não devem entrar na área de banho ou na área limpa sem passar por um sistema de desinfecção. Para isso, deve existir um compartimento externo destinado à fumigação dos equipamentos que serão utilizados dentro da granja. A sala de fumigação é o ambiente destinado à desinfecção de equipamentos e materiais que entrarão na granja.

Fumigação de equipamentos

A fumigação consiste na desinfecção de equipamentos em uma sala ou compartimento próprio. Foi relatado o uso anterior de formaldeído a 37% associado ao permanganato de potássio. A reação entre os produtos libera vapor de formaldeído no ambiente.

Atualmente, a utilização desses produtos pode exigir controle e autorização específicos, e os laboratórios devem manter controle sobre sua aquisição e uso.

Roupas fornecidas pela granja

O visitante não deve entrar com seus próprios sapatos ou roupas. A granja deve fornecer toalha, roupas e equipamentos destinados ao uso interno. Assim, após o banho, a pessoa veste as roupas da granja e ingressa na área limpa.

Caso necessite utilizar o sanitário, deve utilizar aquele localizado na área correspondente, sem retornar à área suja.

Localização da barreira sanitária

A barreira sanitária deve ser construída junto à barreira física, pois é a entrada de pessoas na granja. Ninguém deve entrar, independentemente de ser funcionário, morador da propriedade ou visitante, sem passar por esse sistema. Para controlar esse acesso, a estrutura deve incluir vestiários, banheiros, áreas suja e limpa, banho e fumigação, além das demais instalações necessárias ao controle de acesso.

Entrada e desinfecção de veículos

Pulverização no arco sanitário

A entrada de veículos deve seguir uma sequência de controle sanitário que cubra todo o veículo e proteja a ração durante a desinfecção.

  1. Etapa: Associar a entrada de veículos à barreira física.
  2. Etapa: Utilizar um arco ou zona de desinfecção para promover a pulverização completa do veículo.
  3. Etapa: Quando não houver arco, pode ser utilizada uma bomba costal ou equipamento de alta pressão capaz de pulverizar todo o caminhão.
  4. Etapa: Manter fechados os caminhões que transportam ração para a granja, impedindo que a ração seja molhada durante a desinfecção.

Rodolúvio e acesso controlado

Depois da pulverização completa, o veículo passa pelo rodolúvio e segue por uma entrada de acesso controlado.

  1. Etapa: Fazer as rodas do veículo entrarem em contato com uma solução desinfetante no rodolúvio durante uma volta completa.
  2. Etapa: Manter os pneus imersos na solução desinfetante durante um giro completo.
  3. Etapa: Manter fechado o ponto de desinfecção para impedir a passagem de pessoas.
  4. Etapa: Permitir essa entrada apenas aos veículos autorizados, após a pulverização completa e a passagem pelo rodolúvio.

Bomba de alta pressão

Geralmente, utiliza se uma bomba de alta pressão com recalque, semelhante à bomba de um lava jato. O equipamento puxa a solução desinfetante de um tanque e a pulveriza sobre o caminhão. Assim, o procedimento permite lavar e desinfetar o veículo antes de sua entrada na granja.

Veículos autorizados na granja

Podem entrar veículos pertencentes à própria propriedade ou à granja, incluindo tratores e veículos utilizados para transportar animais entre setores internos. Também podem entrar caminhões de ração, embora essa prática não seja a ideal. Em contrapartida, veículos externos destinados a transportar animais para dentro da granja não devem ingressar na área interna.

Transporte interno entre setores

Em uma granja de ciclo completo, um trator pode transportar leitões da maternidade para uma creche situada em outro local da propriedade. Um caminhão interno também pode transportar animais da creche para a terminação. Esses veículos pertencem à estrutura interna e não são veículos externos que trazem animais de outras propriedades.

Desinfecção para manutenção

Veículos utilizados para manutenção das instalações, como reparo de gaiolas, soldagem ou conserto de galpões, devem passar pelo sistema de desinfecção. O ideal é existir um ponto de desinfecção na entrada da propriedade e outro próximo aos galpões, garantindo uma camada adicional de proteção sanitária.

Embarcador e circulação de motoristas

Embarcador junto à barreira

A granja deve possuir um embarcador para o embarque e o desembarque dos animais. Essa estrutura deve ser construída junto à barreira física. Em uma granja de ciclo completo, o setor de terminação é geralmente o galpão mais próximo do embarcador, pois os animais destinados à saída se encontram nessa fase.

Distância mínima do embarcador

A distância entre a extremidade do galpão e a ponta externa do embarcador deve ser de pelo menos 10 metros. Assim, a normativa preconiza 10 metros como distância mínima entre esses pontos. Essa distância pode parecer pequena, mas corresponde ao valor estabelecido na normativa mencionada. O embarcador deve ser planejado para facilitar o manejo e evitar lesões nos animais.

Limite de circulação do motorista

No embarque, mantenha uma separação clara entre o fluxo dos funcionários e a atuação do motorista.

  1. Etapa: Permaneça no veículo sempre que possível; o motorista não pode entrar na granja.
  2. Etapa: Use uma marcação para delimitar a área até a qual o motorista pode atuar.
  3. Etapa: Os funcionários da granja levam os animais até esse limite, enquanto o motorista organiza a carga no caminhão, sem ultrapassar a barreira física.

Retorno após contato externo

Depois do contato com o caminhão, o retorno à granja exige uma sequência de higienização.

  1. Etapa: O funcionário que teve contato com o caminhão deve retornar à granja pelo vestiário, trocar de roupa e tomar banho antes de entrar novamente.
  2. Etapa: Embora o veículo deva estar limpo, caminhões utilizados rotineiramente não permanecem em vazio sanitário.
  3. Etapa: Passe pela barreira sanitária como medida adicional de segurança; assim, os procedimentos rigorosos de biosseguridade no embarque são obrigatórios tanto para Granjas de Reprodutores Suídeos Certificadas (GRSC) quanto para granjas comerciais.

Depósito de ração

Silos junto à barreira física

O depósito de ração deve ser construído próximo à barreira física e aos galpões. O sistema ideal utiliza silos, e o caminhão descarrega a ração pelo lado externo da cerca, sem precisar entrar no perímetro interno da granja.

A partir do silo, uma rosca sem fim conduz a ração do silo até o galpão, reduzindo o contato com aves e evitando o armazenamento ensacado. O armazenamento e transporte automatizado de ração via silo a granel impede o contato com aves e elimina o uso de ração ensacada. Quando é necessária a entrada de caminhões dentro da granja para entregar ração ensacada, a avaliação e a pontuação de biossegurança do estabelecimento são reduzidas.

Silos e ração ensacada

Uma granja pode possuir dois ou três silos, conforme os tipos de ração utilizados nas fases de creche, crescimento, terminação, maternidade e gestação. Também pode utilizar uma sala ou barracão para armazenar ração ensacada.

Embora o armazenamento ensacado seja admitido, o silo oferece maior nível de segurança, pois reduz a necessidade de entrada de caminhões na granja. Assim, a escolha do sistema de armazenamento se relaciona diretamente à biossegurança do estabelecimento.

Níveis de automação produtiva

As granjas podem ser classificadas em níveis tecnológico alto, médio e baixo, conforme o grau de mecanização e automação empregado. No nível alto, a maior parte das atividades é mecanizada ou automatizada, enquanto no nível baixo há pouca mecanização.

Mesmo quando existe um silo em uma granja de baixo nível tecnológico, o trabalhador pode precisar empurrar um carrinho até a saída, liberar a ração, fechar o sistema e conduzi la manualmente até o galpão. Em contraste, a automação reduz a necessidade de mão de obra.

Destinação de cadáveres e resíduos

Cadáveres, placentas e resíduos

A granja deve possuir um sistema específico para animais mortos, cadáveres, placentas e materiais semelhantes. Essas estruturas devem estar localizadas no limite ou fora da barreira física, nunca no interior da granja. Preferencialmente, as composteiras devem ser instaladas no limite ou externamente à barreira física. Esse fluxo é diferente do tratamento de dejetos, embora ambos possam estar associados. No tratamento de dejetos, o biofertilizante proveniente do biodigestor pode ser aplicado em pastagens, lavouras e por meio de pulverização.

Para carcaças e placentas, as alternativas incluem compostagem, incineração, congelamento ou armazenamento refrigerado para posterior coleta por caminhão licenciado. A destinação de carcaças e placentas na granja pode ser realizada por meio de compostagem, incineração ou refrigeração/congelamento. O recolhimento e transporte externo de cadáveres de animais deve ser efetuado por empresa autorizada com licenciamento ambiental e veículo credenciado.

Transporte licenciado de cadáveres

O transporte de cadáveres deve ser realizado por veículo apropriado, pertencente a empresa licenciada e credenciada. Não pode ser qualquer caminhão: o transporte exige registro e autorização específicos.

O sistema pode permanecer no limite da barreira física, mas sua localização externa é preferível.

Higienização de máquinas e equipe

Siga o fluxo de movimentação, higienização e retorno seguro.

  1. Etapa: Transportar cadáveres até o limite da propriedade com um trator ou outra máquina interna; depois, outro veículo pode realizar o transporte externo.
  2. Etapa: Limpar a máquina que entrou em uma área de desafio sanitário antes de retornar à granja.
  3. Etapa: Fazer o funcionário responsável pelo transporte retornar pelo banho e pela troca de roupas.

Trituração e processamento

Em algumas granjas, uma máquina para triturar ossos e fragmentar o animal inteiro pode fragmentar o animal completo. O material resultante pode ser encaminhado para uma composteira ou para um biodigestor, conforme a alternativa de processamento escolhida.

Quando destinado à compostagem, esse material produz composto orgânico. O material não deve ser utilizado como farinha para alimentação animal.

Uso seguro do composto orgânico

A compostagem proporciona segurança sanitária por meio da fermentação, que destrói muitos patógenos, embora não assegure destruição total. O composto pode ser utilizado como adubo em reflorestamentos de eucalipto, lavouras e plantas frutíferas, como laranjeiras. Não deve ser utilizado em hortas. Já o esterco tratado em biodigestor pode ser aplicado em hortas, pastagens e lavouras, conforme a normatização aplicável aos adubos orgânicos.

Desidratação antes da compostagem

A incineração pode ser empregada para desidratar o material antes da compostagem, tornando o processo mais rápido e facilitando o manejo. Nesse contexto, não se trata necessariamente de queimar completamente o cadáver, mas de reduzir sua umidade para favorecer a compostagem.

Tratamento de dejetos

Tratamento externo de dejetos

O sistema de tratamento de dejetos deve permanecer fora da área principal da granja. Os dejetos não podem ser lançados diretamente em córregos, como ocorria anteriormente em algumas propriedades. Entre as alternativas estão biodigestores, lagoas de decantação e composteiras a céu aberto.

Retenção dos efluentes

A retenção deve ser definida a partir da última entrada de dejetos e ajustada conforme o clima.

  1. Etapa: Inicie a contagem do período de retenção após a última entrada de dejetos.
  2. Etapa: Garanta o tempo mínimo de retenção de efluentes em lagoas de decantação: 40 dias após a última entrada de dejetos.
  3. Etapa: Considere que regiões quentes promovem degradação mais rápida, enquanto regiões frias exigem maior período de retenção; a faixa mencionada é de 40 a 60 dias após a última entrada de dejetos.
  4. Etapa: Em regiões mais frias, aumente o período de retenção, que pode alcançar cerca de 120 dias.

Cálculo da capacidade de retenção

O cálculo combina a produção diária, o período de coleta e os fatores climáticos que aumentam ou reduzem a capacidade necessária.

  1. Etapa: Calcule a vazão diária da granja e determine a capacidade necessária para o período de coleta.
  2. Etapa: Para um tanque projetado para 100 dias, multiplique a vazão diária por 100 e acrescente margem de segurança.
  3. Etapa: Considere o volume das chuvas e a maior precipitação registrada em período de pelo menos 10 anos.
  4. Etapa: Inclua, quando aplicável, a taxa de evaporação no cálculo.
  5. Etapa: Para esterqueiras a céu aberto, dimensione a capacidade para comportar a maior precipitação pluviométrica registrada no histórico de 10 a 50 anos.

Biofertilizante e esterco fresco

O material proveniente do biodigestor pode ser utilizado diretamente, pois não apresenta o mesmo odor, não atrai moscas e não queima as plantas. Esse biofertilizante efluente também atua como repelente. Em contraste, O esterco fresco, quando aplicado diretamente, pode danificar ou matar as plantas. Por isso, deve passar por período suficiente de degradação antes do uso agrícola.

Resíduos e operação especializada

A granja deve possuir um depósito externo para resíduos, incluindo seringas, agulhas, papéis, vidros e embalagens de medicamentos. Esses materiais precisam receber destinação adequada. Além disso, a existência de instalações para o manejo de cadáveres, dejetos e resíduos integra as exigências de biossegurança e da normatização sanitária. Para a operação e o controle, A granja pode contar com uma equipe exclusiva para operar e controlar o sistema de tratamento de dejetos e carcaças de animais.

Quarentena, vazio sanitário e funcionários

Três dias para visitantes

Organize o acesso dos visitantes pela linha do tempo do vazio sanitário: primeiro, confirme o período sem contato com animais; depois, programe a visita.

  1. Etapa: Identifique visitantes externos que não fazem parte do fluxo contínuo da granja.
  2. Etapa: Visitantes externos que não fazem parte do fluxo contínuo da granja devem cumprir um período de três dias de vazio sanitário, sem contato prévio com outros animais.
  3. Etapa: Inclua nesse período as pessoas que trabalham em hospital veterinário ou mantêm contato com animais.
  4. Etapa: Durante esse intervalo, permaneça em hotel ou trabalhe em regime remoto, sem contato com animais.

Rotina sanitária dos funcionários

Funcionários da própria granja pertencem à estrutura interna, mas ainda devem tomar banho ao entrar e ao sair, trocar de roupa e utilizar vestimentas próprias da granja. Essas medidas mantêm a separação entre a rotina pessoal e o ambiente produtivo.

Em granjas de alto nível sanitário, devem ser fornecidas botas e múltiplos conjuntos de roupas para a troca dos funcionários. Algumas propriedades possuem lavanderia própria para higienizar essas roupas; em outras, os funcionários levam as peças para casa. A organização depende do sistema adotado pela propriedade. Para indivíduos vinculados à própria pirâmide sanitária da granja, o vazio sanitário exigido é de, no máximo, um dia.

Sítios segregados e organização produtiva

Ciclo completo e destino seletivo

O ciclo completo concentra todas as fases da produção e organiza o destino dos animais conforme a testagem e a classificação.

  1. Etapa: Reunir reprodução, gestação, maternidade, creche, crescimento e terminação em uma granja multiplicadora de ciclo completo.
  2. Etapa: Concentrar, em um único local, todas as fases, setores e categorias da produção suína. A granja também pode possuir uma zona de testagem de reprodutores.
  3. Etapa: Testar os reprodutores suínos. Na granja multiplicadora de reprodutores suínos, os animais não testados também são destinados ao abate.
  4. Etapa: Destinar os animais aprovados para reprodução e encaminhar os eliminados, não classificados ou excedentes para o abate.

Sítio 1 produtor de reprodutores

Na suinocultura, o Sítio 1 corresponde a uma Unidade Produtora de Leitões (UPL) voltada para reprodução. Essa unidade pode ser configurada como UPL de leitão desmamado ou de leitão descrechado, produzindo leitões que saem após o desmame ou que permanecem até a saída da creche.

Sua estrutura inclui setores de reprodução, gestação e maternidade, com a possibilidade de incluir, ou não, o setor de creche. Independentemente da configuração, os animais destinados a se tornar reprodutores devem estar vinculados a uma GRSC.

Sítio 2 e seus destinos

O Sítio 2 recebe leitões do Sítio 1, desmamados ou já saídos da creche. Diferentemente do Sítio 1, não possui setores de reprodução, gestação ou maternidade; pode conter creche, crescimento e terminação.

Sua organização varia conforme o fluxo produtivo: pode ser estruturado como crechário, como unidade de terminação — com crescimento e terminação — ou no sistema wean to finish, reunindo creche, crescimento e terminação. Quando trabalha com suínos destinados à reprodução, deve ser certificado como Granja de Reprodutores Suídeos Certificada (GRSC).

Testagem e seleção no Sítio 3

O Sítio 3 concentra a avaliação final dos animais, conectando seu destino produtivo à reprodução ou ao abate.

  1. Etapa: Receber animais do sítio 2 e realizar crescimento e terminação.
  2. Etapa: Testar e selecionar os suínos durante as fases de crescimento e terminação, destinando os à reprodução ou ao descarte para abate.
  3. Etapa: Integrar o fluxo produtivo: o sítio 1 realiza uma pré seleção, o sítio 2 mantém os animais destinados à reprodução e o sítio 3 conduz a fase final de avaliação.
  4. Etapa: Concluir a testagem e seleção de marrãs e o teste de reprodutores machos inteiros durante a fase de terminação.
  5. Etapa: Manter a certificação e a estrutura corretas: o Sítio 3 deve ser uma Granja de Reprodutores Suídeos Certificada (GRSC) e não possui setores de reprodução, gestação ou maternidade.
  6. Etapa: Considerar o tempo de permanência: os animais permanecem aproximadamente até 140, 150, 160 ou, em alguns casos, 170 dias, conforme o destino produtivo.
  7. Etapa: Encaminhar para abate: na suinocultura, os animais destinados ao abate são comumente enviados entre 160 e 180 dias de idade.

Sítio 4 preparador de marrãs

O Sítio 4 constitui uma Unidade Preparadora de Marrãs Gestantes (UPMG) e deve possuir certificação como Granja de Reprodutores Suídeos Certificada (GRSC). Possui setor de reprodução e setor de gestação, mas não possui maternidade. A marrã é coberta no setor de reprodução e permanece na gestação até a confirmação da prenhez, geralmente até aproximadamente 60 dias.

Essa configuração costuma estar associada a integrações ou cooperativas que fornecem marrãs gestantes aos produtores.

Origens dos animais do Sítio 4

O Sítio 4 pode receber animais do ciclo completo ou do sítio 3, geralmente com aproximadamente 140 dias de idade. O sítio 2 também pode enviar animais quando funciona como crechário ou quando conduz as fases de creche, crescimento e terminação. Assim, existem diferentes configurações de fluxo entre os sítios, conforme a organização produtiva.

Produtos e reposição genética

O produto do Sítio 3 pode ser uma marrã ou um marrote destinados à reprodução. Os animais de reposição comercializados nas unidades de ciclo completo, Sítio 2 ou Sítio 3 são marrãs e marrotes adquiridos em condição pré púbere. O termo marrã pré púbere é tecnicamente utilizado para designar a fêmea suína que ainda não atingiu a puberdade na idade de aquisição.

Os sítios de ciclo completo, Sítio 2 e Sítio 3 atuam como unidades preparadoras de marrãs pré púberes. O produto gerado por esses sítios consiste em fêmeas suínas pré púberes que ainda não atingiram a puberdade. O trabalho de induzir a puberdade e preparar a fêmea para a gestação ocorre posteriormente na granja. O sítio 4 recebe a marrã pré púbere e entrega uma marrã gestante.

Plano de biosseguridade

Barreira versus plano

A GRSC deve possuir um plano de biosseguridade, o qual se diferencia de um plano sanitário e não se confunde com a barreira sanitária. A barreira sanitária é uma estrutura física de entrada e saída, enquanto o plano de biosseguridade reúne as diretrizes e os procedimentos executados dentro dessa estrutura. Além disso, a GRSC deve ser livre de peste suína clássica, peste suína africana, doença de Aujeszky, brucelose, febre aftosa e PRRS (síndrome respiratória e reprodutiva suína), e a granja de reprodutores certificados deve ser livre de doenças de controle obrigatório sem a utilização de vacinas.

O plano deve estabelecer regras para entrada de pessoas, troca de roupas, banho, uso de luvas, colocação de placas e resposta a doenças. Os registros de movimentação e contatos técnicos servem para o monitoramento epidemiológico e a implementação de barreiras sanitárias.

O técnico da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) é responsável por realizar a coleta de material biológico de 33 animais na granja. Os materiais coletados incluem sangue, fezes, saliva, swab nasal e swab oral. Essa coleta destina se à avaliação clínico patológica e ao monitoramento sorológico dos suínos.

Resposta documentada a surtos

Diante de um surto ou problema sanitário em setores como terminação ou unidade preparadora de marrãs, o plano deve indicar quais medidas serão adotadas, quem deve ser comunicado e quais registros precisam ser consultados. Trata se de um conjunto de diretrizes documentadas para orientar a conduta diante de situações previamente definidas.

Doenças de notificação obrigatória

A granja deve ser livre de peste suína clássica, peste suína africana, doença de Aujeszky, febre aftosa e síndrome respiratória e reprodutiva suína. A síndrome respiratória e reprodutiva suína foi mencionada como presente no exterior, mas não como problema existente no Brasil. As doenças de notificação obrigatória devem ser comunicadas quando identificadas.

Doenças controladas e indicadores

A granja pode apresentar micoplasma, pneumonia, diarreia e parvovirose, desde que essas condições permaneçam sob controle. Para acompanhar esse controle, o plano de biosseguridade deve incluir monitoramento de taxas de aborto, repetição de cio e mortalidade nas diferentes fases.

Uma mortalidade de aproximadamente 3% na creche, quando se eleva para 10%, indica a existência de um desafio sanitário que precisa ser investigado.

Registros para auditoria epidemiológica

  • Disponibilidade: Os prontuários e registros devem estar disponíveis para inspeção e auditoria.
  • Registros: Devem ser registrados o controle zootécnico, a entrada de pessoas, a entrada de caminhões, o embarque e a chegada de animais.
  • Finalidade: Os registros não têm finalidade punitiva, mas epidemiológica, permitindo identificar possíveis fontes de introdução ou disseminação de doenças.

Amostragem na renovação

  • Momento: Durante a renovação da licença ou da classificação, geralmente são coletadas amostras biológicas de 33 animais.
  • Distribuição: Os 33 animais são distribuídos entre os diferentes setores da granja.
  • Abrangência: Na renovação da certificação sanitária da granja, essa coleta de material biológico considera a propriedade como um todo.
  • Interpretação: Não se trata necessariamente de 33 animais da gestação ou 33 da maternidade, mas de animais da granja como um todo, independentemente do sítio ou da configuração produtiva.

Coleta e identificação biológica

Na coleta de material biológico, o técnico responsável deve registrar os animais e coletar amostras para avaliação clínico patológica. Conforme o procedimento de monitoramento, podem ser obtidos sangue e soro, secreção nasal e secreção oral. A identificação dos animais permite localizar cada indivíduo caso algum resultado apresente alteração ou seja necessário investigar um problema sanitário.

Tipos econômicos de granja multiplicadora

Filial e propriedade genética

A multiplicadora filial é a granja pertencente diretamente à empresa detentora da genética. Granjas pertencentes à própria empresa de genética, como a Agroceres PIC, são classificadas como multiplicadoras filiais, mesmo que estejam localizadas em sítios diferentes. Como a empresa é proprietária e administra a produção dos animais, essa granja geralmente atua como granja núcleo na organização da produção genética suína.

Parceria da multiplicadora contratada

A multiplicadora contratada é um modelo de parceria usado quando a empresa deseja ampliar sua área de fornecimento de matrizes em determinado país ou estado. Em vez de construir uma nova granja, a empresa estabelece parceria com uma granja existente ou com uma unidade que será construída para ampliar sua área de fornecimento de matrizes. O proprietário contratado conduz os animais da empresa, mas não pode vendê los por conta própria. A comercialização cabe à empresa detentora da genética, enquanto o produtor responsável realiza apenas a entrega dos animais.

Responsabilidade comercial contratada

Na multiplicadora contratada, o produtor conduz os animais, mas a responsabilidade comercial permanece com a empresa proprietária da genética: o multiplicador contratado entrega os animais à empresa. Para o dono da granja, a remuneração pode se assemelhar à obtida com a venda de animais para abate, acrescida de um valor relacionado à maior complexidade do trabalho. Assim, a empresa contratante mantém o valor genético e a propriedade comercial dos animais.

Multiplicador tradicional independente

Na suinocultura, a estrutura de multiplicação inclui o multiplicador contratado, o multiplicador filial e o multiplicador tradicional. Entre esses modelos, o multiplicador tradicional é um suinocultor independente, sem vínculo com contratos de integração de empresas de genética.

Esse produtor geralmente possui genética pura, realiza cruzamentos e conduz alguma seleção genética. Pode vender reprodutores e, quando os animais não são comercializados como reprodutores, encaminhá los para a produção de cevados.

Seleção genética tradicional

A principal diferença entre o multiplicador tradicional e os multiplicadores filial ou contratado está no poder de melhoramento e seleção genética. A empresa pode utilizar marcadores genéticos para selecionar os animais, ampliando o uso de avaliações genéticas no processo.

Já o multiplicador tradicional tende a utilizar fichas, médias, desvios padrão e programas estatísticos. Sua seleção vai se concentrando mais em características físicas e produtivas do animal do que em avaliações genômicas.

Núcleo, avós e matrizes

O núcleo trabalha com bisavós e produz avós, incluindo machos e fêmeas. Para produzir avós, precisa possuir bisavós. A granja núcleo também pode disponibilizar machos terminadores.

Na estrutura de multiplicação, o multiplicador contratado atua como multiplicador comercial na estrutura de produção e produz matrizes, como marrãs e machos terminadores. Já a multiplicadora tradicional pode produzir avós, animais puros, animais mestiços e indivíduos F1, conforme os cruzamentos realizados.

Ciclo da matriz

Matriz em produção

O termo matriz designa a fêmea que já está em produção, independentemente da ordem de parto. Pode ser uma primípara, uma secundípara ou uma plurípara. O ciclo produtivo da matriz dentro da granja compreende os setores de reprodução, gestação e maternidade.

Durante a lactação na maternidade, o ciclo estral da matriz suína permanece bloqueado. Ao sair da maternidade para a reprodução e receber o estímulo do cachaço, a matriz suína volta a ciclar. Na suinocultura, o intervalo entre partos (IEP) compreende a somatória dos períodos de cobertura, gestação e lactação até a repetição do ciclo. Após passar pelo primeiro parto, a fêmea suína deixa de ser denominada marrã e passa a ser classificada como matriz primípara.

Fases entre desmame e cobertura

A sequência produtiva começa no desmame e termina com a preparação para uma nova cobertura.

  1. Desmame: Após o desmame, a matriz encontra se vazia ou em fase pré gestante.
  2. Reprodução: Em seguida, passa pelo setor de reprodução e é coberta.
  3. Gestação: Após a cobertura, torna se gestante.
  4. Maternidade: Depois, permanece na maternidade como lactante.
  5. Nova cobertura: O intervalo entre o desmame e a nova cobertura corresponde ao intervalo desmame cobertura, geralmente de aproximadamente 4 a 7 dias quando o manejo é adequado.

Gestação, lactação e ciclo

A duração de cada fase organiza a linha do tempo produtiva da matriz.

  1. Gestação: A gestação da matriz suína dura aproximadamente de 114 a 115 dias, podendo variar até 116 ou 117 dias.
  2. Parto: O parto deve ocorrer na maternidade, e não antes do período previsto.
  3. Lactação: A lactação é considerada, como padrão, de 21 dias, podendo variar aproximadamente entre 21 e 28 dias.
  4. Ciclo total: Somando se os períodos de intervalo, gestação e lactação, o ciclo da matriz dura aproximadamente 142 a 145 dias.

Intervalo e partos anuais

O intervalo entre partos permite estimar o potencial anual de partos da matriz.

  1. Intervalo: O intervalo entre partos corresponde ao período entre uma cobertura e a cobertura seguinte após o parto.
  2. Referência produtiva: Em uma granja eficiente, esse intervalo pode permanecer próximo de 140 a 150 dias.
  3. Cálculo: O potencial biológico de partos por ano é calculado dividindo se 365 pelo intervalo entre partos.
  4. Resultado: Essa divisão resulta em aproximadamente 2,57 partos por ano, ou cerca de 2,6 partos anuais.

Retorno ao estro após cobertura

A sequência do retorno ao estro mostra como uma perda gestacional no início pode ampliar o intervalo entre partos e reduzir a produção anual.

  1. Etapa: Após a cobertura, se a matriz perde a gestação no início do desenvolvimento embrionário, o intervalo até o retorno ao estro pode aumentar.
  2. Etapa: Considere que o retorno regular pode ocorrer aproximadamente entre 18 e 25 dias, com média próxima de 21 dias, podendo chegar a 26 ou até 35 dias.
  3. Etapa: Se a fêmea não for reconhecida como gestante após 21 dias e repetir o estro, acrescente aproximadamente um ciclo estral ao intervalo.
  4. Etapa: Nesse caso, somam se 21 dias ao intervalo entre partos, reduzindo a taxa produtiva para cerca de 2,23 partos por porca ao ano.

Custo produtivo do cio repetido

Uma repetição de cio aumenta o intervalo entre partos e pode reduzir o potencial anual para aproximadamente 2,23 partos. Uma única falha reprodutiva já compromete a produtividade anual da matriz, mostrando como esse evento afeta diretamente a produtividade da granja.

Quando a repetição ocorre em mais de aproximadamente 10% a 15% das fêmeas pode comprometer gravemente a sustentabilidade econômica da granja. Portanto, a frequência dessas falhas deve ser acompanhada com atenção, pois seu impacto acumulado ultrapassa o desempenho individual da matriz e ameaça a sustentabilidade econômica do sistema.

Ciclo de formação da matriz

Da leitora à marrã

A formação da matriz acompanha uma sequência de categorias: da leitora selecionada à marrã pré púbere e, depois, à marrã púbere.

  1. Etapa: Inicie com a leitora: o ciclo de formação da matriz inicia se com a leitora, que pode permanecer nessa categoria até o desmame ou até a saída da creche, conforme o sistema e o momento das pré seleções.
  2. Etapa: Faça a pré seleção na creche: a pré seleção deve ocorrer, necessariamente, na creche.
  3. Etapa: Realize a pré seleção na descreche: na fase de saída da creche (descreche), é obrigatória a realização de uma pré seleção das fêmeas suínas em formação.
  4. Etapa: Classifique o animal selecionado como marrã pré púbere: depois, o animal selecionado passa à categoria de marrã pré púbere.
  5. Etapa: Reconheça a puberdade: após atingir a puberdade, torna se marrã púbere.
  6. Etapa: Use a denominação técnica: o termo em inglês "gilt" designa a marrã, isto é, a leitoa jovem para reprodução ou não.

Transição pré púbere e púbere

A marrã pré púbere ainda não atingiu a puberdade. A puberdade ocorre, em geral, depois de aproximadamente 140 a 160 dias de idade. Após atingir a puberdade, a fêmea pode ser classificada como marrã púbere e iniciar a preparação para a reprodução.

Cobertura até primípara

Acompanhe a transição da marrã até a classificação após o primeiro parto.

  1. Etapa: Após a cobertura e a gestação, a marrã torna se uma marrã gestante e, posteriormente, uma marrã lactante.
  2. Etapa: Ao realizar o primeiro parto, passa a ser classificada como primípara.
  3. Etapa: Durante a permanência na maternidade, ainda pode ser chamada de marrã, mesmo durante a primeira lactação.
  4. Etapa: Após o desmame e o retorno ao setor de reprodução, deve ser considerada primípara e receber manejo específico dessa categoria.

Primípara, secundípara e plurípara

A ordem de parto organiza a progressão da matriz e orienta a leitura de seu desenvolvimento.

  1. Etapa: Depois do primeiro ciclo reprodutivo, a primípara pode tornar se secundípara.
  2. Etapa: Após três partos, passa a ser plurípara.
  3. Etapa: Separar as fases de formação da matriz permite controlar melhor a eficiência produtiva durante a vida da fêmea.
  4. Etapa: O crescimento continua até aproximadamente o terceiro parto, quando a matriz atinge uma fase importante de desenvolvimento corporal.

Manejo por ordem de parto

O manejo conforme a ordem de parto deve considerar as diferenças entre primíparas, secundíparas e pluríparas. Embora todas passem pelas fases de crescimento, gestação e lactação, o desempenho pode ser prejudicado quando não há atenção adequada ao segundo parto. A formação correta da fêmea após o primeiro parto e o cuidado nas fases seguintes influenciam diretamente a eficiência da granja.

Ciclo do cevado

Percurso do cevado ao abate

O percurso do cevado segue fases produtivas sucessivas, da maternidade ao abate.

  1. Etapa: O suíno cevado é o animal criado especificamente com destino ao abate.
  2. Etapa: Iniciar na maternidade, com a fase de leitão lactente na maternidade.
  3. Etapa: Após o desmame, seguir para a creche como leitão desmamado na creche.
  4. Etapa: Após a saída da creche, avançar para crescimento e terminação; e, posteriormente, crescimento e terminação.
  5. Etapa: Permanecer na fase de crescimento e terminação até atingir a idade ou o peso definidos para o abate.

Termos para animais de abate

Em alguns locais, animais destinados ao abate recebem outras denominações. O termo inglês barrow designa o suíno macho castrado destinado ao abate, enquanto gilt se refere à fêmea jovem, destinada ou não à reprodução. Já o termo cevado é utilizado para indicar o animal que se encontra na terminação e cujo destino é o abate.

Idades até a terminação

Acompanhe as fases produtivas em sequência, da maternidade até a terminação.

  1. Etapa: Mantenha o leitão na maternidade até aproximadamente 21 dias.
  2. Etapa: Após o desmame, encaminhe o para a creche até cerca de 63 dias.
  3. Etapa: No sistema em que permanece até a saída da creche, o animal pode chegar aproximadamente a 119 dias antes de iniciar o crescimento.
  4. Etapa: A terminação pode seguir até aproximadamente 154, 160 ou 170 dias, conforme o sistema e o destino do animal.

Confirmação de prenhez e manejo reprodutivo

Teste de prenhez com cachaço

Use o período esperado de retorno ao estro para organizar a confirmação de prenhez.

  1. Etapa: Considere as fêmeas cobertas nos dias 2 e 4 de agosto.
  2. Etapa: Avalie as no dia 24, com aproximadamente 20 a 22 dias de gestação.
  3. Etapa: Relacione esse período ao intervalo esperado para o retorno ao estro, entre 18 e 25 dias.
  4. Etapa: Submeta as fêmeas à confirmação de prenhez, pois esse período coincide com o intervalo esperado para o retorno ao estro.
  5. Etapa: Realize a confirmação de prenhez em fêmeas suínas mediante teste de rufiagem com o cachaço.

Manejo do cachaço detector

Organize a detecção do estro com o cachaço diante das baias.

  1. Etapa: Utilize o manejo de detecção do estro com o cachaço.
  2. Etapa: Identifique e teste as fêmeas que demonstrarem comportamento de repetição.
  3. Etapa: Conduza o cachaço ao setor de reprodução e solte o à frente das portas das baias.
  4. Etapa: Não coloque o cachaço dentro da baia das fêmeas, pois sua retirada posterior pode ser difícil.

Ultrassonografia sem retorno ao estro

A ultrassonografia complementa a avaliação das fêmeas sem retorno ao estro, seguindo uma sequência de confirmação e novo teste.

  1. Etapa: Avaliar por ultrassonografia as fêmeas que não demonstrarem comportamento de repetição, pois podem estar gestantes sem apresentar sinais evidentes.
  2. Etapa: Indicar o exame quando não há retorno ao estro no período esperado, para confirmar a gestação ou detectar pseudogestação.
  3. Etapa: Considerar que existem diferentes modelos e formas de utilização do aparelho.
  4. Etapa: Direcionar a fêmea ao setor de reprodução, onde recebe o estímulo do cachaço.
  5. Etapa: Submeter posteriormente a fêmea a novo teste de prenhez, quando necessário.

Destino da fêmea vazia

Quando a fêmea não demonstra retorno ao estro, mas permanece vazia após a confirmação, deve ser encaminhada para descarte. Confirmada como vazia (não gestante) e sem retorno à atividade reprodutiva, a fêmea é destinada ao descarte e abate. O estímulo do cachaço altera o ambiente reprodutivo e pode fazer com que a fêmea manifeste ou não o retorno ao estro. No setor de reprodução, o contato com os feromônios do cachaço proporciona estímulo hormonal para induzir a manifestação ou o retorno ao estro na fêmea. Caso permaneça vazia, seu destino produtivo deixa de ser a reprodução.

Reflexão Sion

Cuidado que protege

Na suinocultura, barreiras físicas, banho, desinfecção e registros reduzem a entrada e a propagação de doenças, preservando a saúde do rebanho e a produtividade. Assim como uma granja precisa de cuidado constante e escolhas concretas para proteger a vida, nós também precisamos reconhecer o que ameaça nosso interior. Jesus oferece essa proteção e renovação, convidando nos a confiar nele e a viver com vigilância e esperança.

Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.João 10:10

Leia e reflita sobre como cuidado e vigilância moldam sua vida.

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