Sion Academy

Ciclo Básico3 PeríodoPropedêuticaTeórica

Aula 1 Fundamentos e Prática da Anamnese

O Resgate da Memória na Prática Clínica

Duracao: 30 min

Topicos da aula

  • Fundamentos do Anamnese

O Resgate da Memória na Prática Clínica

A anamnese é a ferramenta fundamental da interação entre médico e paciente, consolidando se como o contato mais extenso e duradouro dessa relação. Sua etimologia remete ao conceito de resgate, significando literalmente 'trazer de volta à memória'.

O domínio dessa técnica é considerado uma arte que exige tempo e repetição prática constante para ser alcançado. Além disso, a condução da anamnese não segue um roteiro rígido, devendo ser adaptada à individualidade e ao perfil específico de cada paciente atendido.

Postura e Comportamento Ético

A manutenção de uma postura profissional é essencial durante a anamnese. O examinador deve evitar escorar se e procurar manter se em uma posição física ligeiramente superior à do paciente ou demonstrar altivez na postura e na fala. Além disso, por respeito à dinâmica do atendimento, o profissional não deve permanecer sentado enquanto o paciente estiver de pé.

A etiqueta e o distanciamento físico também são fundamentais para o vínculo de confiança. A distância entre o examinador e o paciente deve ser confortável para ambos, evitando a proximidade excessiva. O uso de dispositivos eletrônicos, como o celular, deve ser evitado, pois transmite falta de interesse e compromete a atenção dedicada ao relato clínico.

Por fim, a comunicação não verbal exerce grande influência na coleta de dados. Emitir julgamentos ou fazer expressões faciais negativas pode inibir o paciente, limitando a partilha de informações cruciais para o diagnóstico.

Integração do Estudante na Equipe

  • Apresentação: O estudante deve se identificar pelo nome e informar que faz parte da equipe do médico preceptor.
  • Respeito à autonomia: Caso o paciente recuse o atendimento por um estudante, a decisão deve ser respeitada sem confrontos.
  • Auxílio ao paciente: Se o paciente solicitar ajuda para ir ao banheiro, o estudante deve chamar a equipe de enfermagem em vez de realizar o auxílio diretamente.
  • Controle hídrico: O auxílio direto por estudantes pode interferir em monitoramentos médicos rigorosos, como o balanço hídrico de 24 horas.
  • Médico internista: Atua na medicina interna integrando o cuidado de pacientes hospitalizados com quadros clínicos complexos.

A Escuta e os Tipos de Pergunta

A colheita da história clínica deve ser iniciada dando a palavra ao paciente, permitindo que ele relate sua condição de forma espontânea. Fundamentalmente, a anamnese se estrutura em torno de dois tipos de respostas: abertas e fechadas. Perguntas de resposta aberta são fundamentais para estimular o paciente a fornecer detalhes e narrar sua história, sendo o ponto de partida ideal para a exploração clínica.

Por outro lado, as perguntas de resposta fechada oferecem alternativas limitadas, geralmente restringindo se a sim ou não. Embora úteis para confirmações pontuais, seu uso excessivo deve ser evitado, pois pode impedir a obtenção de informações relevantes e prejudicar o estabelecimento de um vínculo de confiança entre médico e paciente.

A dinâmica da comunicação exige que o examinador saiba gerenciar o fluxo da conversa: se o paciente devanear ou se afastar do tema pertinente, é necessário redirecionar o diálogo. Além disso, o silêncio não deve ser visto como uma falha, pois pode representar um momento de reflexão do paciente sobre sua própria condição de saúde. Em todo o processo, o médico deve adaptar seu vocabulário, evitando o uso exclusivo de termos técnicos para garantir a plena compreensão.

Raciocínio Clínico e Diagnóstico

  1. Conhecimento Prévio: O domínio de termos médicos é necessário para formular hipóteses, mas o médico deve evitar o viés de diagnósticos anteriores que podem condicionar o foco da anamnese.
  2. Fase de Investigação: O pensamento do examinador deve ser divergente durante a anamnese para explorar múltiplas hipóteses a partir da dissecação da queixa principal.
  3. Processo Hipotético Dedutivo: Consiste na geração rápida de hipóteses diagnósticas e na capacidade de eliminar diagnósticos diferenciais de forma ágil.
  4. Método Algorítmico: Utilizado para diagnósticos fechados (sim ou não), sendo funcional em situações de saúde pública e controle de surtos para agilizar o tratamento.
  5. Definição de Conduta: O raciocínio torna se convergente no momento da conduta clínica para oferecer uma solução objetiva ao paciente.

Registros e Ferramentas

Boas Práticas de Registro e Confidencialidade Anotações durante a anamnese são recomendadas para auxiliar a memória, contudo o examinador deve evitar focar excessivamente no papel para manter o vínculo com o paciente. É fundamental que a lista de medicamentos em uso pelo paciente seja registrada por escrito durante o atendimento. A gravação da anamnese não é recomendada por razões de confidencialidade e para prevenir a dependência cognitiva do médico.

Fluxo e Modelos da Consulta

  1. Identificação da Queixa: Consiste em identificar o motivo da consulta e fazer com que o paciente explique o que o motivou.
  2. Abordagem Inicial: A estrutura parte do genérico para o específico, priorizando o uso de perguntas abertas no começo da interação.
  3. Controle Narrativo: O médico assume um papel ativo na condução da história clínica para manter a funcionalidade, evitando relatos excessivamente longos e inviáveis.
  4. Afunilamento Clínico: O fluxo progride em formato de cone para conclusões específicas, onde etapas preliminares bem feitas facilitam o raciocínio clínico posterior.
  5. Modelos de Aplicação: A história completa é o método mais didático para a formação inicial, enquanto em segundas opiniões deve se reconstruir a linha do tempo desde o início dos sintomas.

Anamnese de Retorno e Modelo SOAP

  • Subjetivo: Corresponde ao relato feito pelo paciente ao médico durante o atendimento.
  • Objetivo: Refere se aos achados observados diretamente pelo examinador.
  • Avaliação ou Impressão: Representa a síntese diagnóstica fundamentada no relato do paciente e nos achados objetivos encontrados.
  • Conduta ou Procedimento: Refere se às ações planejadas pelo médico a partir da avaliação realizada.
  • Plano: Consiste na programação de condutas para consultas futuras, visando o acompanhamento após a resolução do problema atual.

Dados de Identificação

Dado SociodemográficoRelevância Clínica ou ÉticaExemplos e Observações
NomeIdentificação oficial e acadêmicaNome completo para prontuários; iniciais para relatos de caso.
Sexo BiológicoHerança genéticaInvestigação de patologias ligadas à herança cromossômica.
RaçaPrevalência epidemiológicaMaior incidência de hipertensão em negros (teoria da retenção de líquidos).
ProfissãoRiscos ocupacionaisIdentificação de agravos à saúde associados à atividade do paciente.
ReligiãoImplicações terapêuticasRelevante em restrições a procedimentos, como transfusões de sangue.
Data e HoraRegistro cronológicoA hora é obrigatória na UTI; a data deve iniciar toda anamnese.

A identificação correta dos dados sociodemográficos é fundamental para a análise epidemiológica e o planejamento ético da assistência.

Queixa Principal e HDA

A queixa principal deve ser tratada como um resumo objetivo e direto, funcionando como o título do caso clínico. Em contextos de pacientes hospitalizados, o motivo da internação pode ser adotado como a queixa principal no registro médico. Para preservar a fidelidade do relato, termos literais utilizados pelo paciente podem ser registrados entre aspas ou acompanhados da sigla SIC (segundo informações colhidas).

A História da Doença Atual (HDA) constitui o componente mais importante da anamnese. Ela deve consistir em um relato cronológico dos problemas médicos enfrentados pelo paciente, estruturado com vocabulário técnico adequado.

Considerando que a dor é o sintoma que mais frequentemente motiva a busca por atendimento médico, sua investigação deve ser rigorosa, baseando se em oito parâmetros fundamentais. Entre esses parâmetros, a localização deve ser determinada solicitando que o paciente indique fisicamente o ponto exato onde sente o sintoma.

Semiologia da Dor

  • Irradiação: Refere se ao trajeto para onde a dor se desloca a partir do ponto de origem.
  • Tipo ou Caráter: Caso o paciente não saiba descrever espontaneamente, o médico deve oferecer múltiplas opções, como dor em queimação ou rasgada.
  • Intensidade: Avaliada em uma escala de zero a dez, onde zero representa a ausência de dor e dez a pior dor já sentida pelo paciente.
  • Fatores de Melhora e Piora: O fator que causa o sintoma e o fator que o alivia são pistas cruciais para o diagnóstico, como a dor associada à ingestão de gorduras ou doces na gastrite ou cólica biliar.
  • Sintomas Associados: Manifestações concomitantes, como taquicardia e sudorese intensa após eventos emocionais, que podem sugerir ansiedade ou problemas cardíacos.
  • Critério de Descrição: Não há necessidade de ser excessivamente minucioso na descrição técnica se a localização descrita pelo paciente já for compreendida pelo médico.

Antecedentes e Hábitos

Fator ou HábitoImplicação ClínicaDetalhes e Fundamentação
Uso de AmiodaronaInterferência na tireoideA molécula possui cerca de 37% de iodo, essencial para a síntese hormonal tireoidiana.
Uso de CaptoprilTosse crônicaEste medicamento para hipertensão é uma causa conhecida do sintoma respiratório.
Mastectomia préviaRisco de derrame pleuralInvestigar metástases pulmonares e pleurais decorrentes do câncer de mama.
Dieta hiperproteicaConstipação intestinalO consumo excessivo de proteínas pode resultar em alterações do hábito intestinal.
TabagismoCâncer de pulmãoEtiologia associada a quadros oncológicos críticos; carga calculada por maços/dia x anos.
Histórico de suicídioComponente genéticoRisco aumentado de ocorrência em parentes e descendentes.
Trauma físico na mamaSem relação causalBatidas ou traumas locais não possuem relação direta com o desenvolvimento de câncer.

Sintomas Gerais e Perda de Peso

A revisão de sistemas é uma etapa da anamnese que busca identificar queixas positivas para auxiliar no diagnóstico médico. Dentre os sintomas constitucionais, a astenia é o termo clínico utilizado para descrever a fraqueza. No que se refere à termometria, a presença de febre noturna deve levantar a suspeita clínica de abscesso; contudo, se a febre for exclusivamente noturna, sem ocorrências durante o dia, o sinal clínico torna se um marcador importante para a suspeita de linfoma. A monitoração do peso corporal é essencial para o raciocínio clínico, sendo considerada clinicamente significativa uma variação de peso igual ou superior a 10% do peso corporal total em um período de seis meses ou menos. Além disso, é importante notar que reações emocionais, como choro, desânimo ou a negação do diagnóstico, são manifestações comuns do paciente durante o processo de anamnese e diagnóstico, especialmente em contextos da oncologia.

Pele e Sensibilidade

  • Dermátomos: A perda de sensibilidade em uma área da pele correspondente a um dermátomo sugere radiculopatia compressiva.
  • Hanseníase: Doença sugerida pela presença de manchas em formato de ilhas, acompanhadas de rarefação de pelos e perda de sensibilidade.
  • Prurido: Termo médico para coceira, que tem na alergia sua causa mais comum, mas pode indicar doença pancreatobiliar precocemente.
  • Sinais de Coloração: A palidez ocorre quando a pele perde a cor normal, enquanto a cianose é caracterizada pela coloração azulada.
  • Cicatrização: Feridas que não cicatrizam podem ser uma manifestação clínica da diabetes.
  • Queda de Cabelo: Alteração que pode ser causada por hipotireoidismo, anemia ou deficiência de vitaminas.

Cabeça, Olhos e Ouvidos

TermoDefinição
XerofalmiaTermo utilizado para descrever o olho seco.
Síndrome de SjögrenDoença autoimune que causa olho seco e boca seca devido ao acometimento das glândulas lacrimais e salivares.
AmauroseRefere se à cegueira, que pode ser parcial ou total.
DiplopiaPercepção de visão dupla.
FotofobiaAgressão ou sensibilidade excessiva à luz.
EscotomasPontos brilhantes que podem aparecer na frente dos olhos em situações de cansaço ou hipertensão.
OtorragiaSaída de secreção ou sangue pelo canal auditivo.
OtodiniaDor na região baixa da faringe que irradia para o ouvido, podendo ser causada por tumores avançados nessa região.

Nariz e Cavidade Oral

  • Rinorréia: Secreção de fluidos pelo nariz.
  • Epistaxe: Sangramento proveniente do nariz.
  • Cacosmia: Percepção de cheiro ruim constante.
  • Anosmia: Ausência de percepção de odores.
  • Hiperosmia: Percepção exagerada de odores.
  • Sialorreia: Excesso de salivação.
  • Halitose: Pode ocorrer em decorrência de dietas cetogênicas.
  • Unhas quebradiças: Podem ser causadas por déficits vitamínicos.

Cardiovascular e Respiratório

A diferenciação da dor torácica é fundamental no raciocínio clínico. A angina estável manifesta se tipicamente como uma dor que piora durante o esforço físico ou caminhada. Já quadros de infarto agudo do miocárdio podem cursar com dor torácica associada a sudorese profusa, tremores e sensação de desmaio. Outros sintomas cardiovasculares relevantes incluem a palpitação, que é a percepção consciente do batimento cardíaco, e a ortopneia, caracterizada pela falta de ar ao deitar se.

No sistema respiratório, a dor que intensifica à inspiração profunda sugere quadros como pneumonia, especialmente quando acompanhada de tosse e escarro catarral. Sintomas específicos de eliminação de secreções incluem a hemoptise, que é a eliminação de sangue das vias respiratórias precedida por tosse, e a vômica, que consiste na eliminação de secreção espessa das vias respiratórias pela boca. Por fim, deve se suspeitar de imunodeficiências, como a deficiência de IgA ou hipogamaglobulinemia por IgA, em casos de pneumonias de repetição em pacientes jovens.

Gastrointestinal e Urinário I

TermoDefiniçãoAssociações Clínicas
ColúriaUrina de coloração escura ou pretaIcterícia obstrutiva
AcoliaFezes esbranquiçadas ou clarasIcterícia obstrutiva
EsteatorreiaFezes ricas em gorduraProblemas pancreáticos ou biliares
TenesmoSensação de querer esvaziar a bexiga ou o reto sem sucessoSistemas intestinal e urinário
HiperperistalseAceleração dos movimentos peristálticosGastrointestinal
HipoperistalseDiminuição da peristalsePatologias de cólon e reto
CistiteInflamação da bexigaUrinário

Sinais fundamentais para a revisão de sistemas gastrointestinal e urinário.

Gastrointestinal e Urinário II

Sinais de Alerta e Semiologia Digestiva

A disfagia progressiva caracteriza se pela dificuldade de deglutição que piora gradualmente, levando o paciente a priorizar alimentos líquidos, sendo um forte indicativo de câncer de esôfago. A hematêmese, por sua vez, consiste na eliminação de sangue das vias digestivas, geralmente precedida por náuseas e vômito.

Alterações na conformação das fezes, como fezes em fita ou achatadas, ocorrem devido a patologias que modificam o canal anal ou a saída do ânus, a exemplo de tumores de reto. Adicionalmente, a proctite é definida clinicamente como a inflamação do reto.

A descrição de sangramento retal na anamnese pode ser classificada como enterorragia, hematoquezia ou melena. Nesses casos, é fundamental investigar sintomas associados como dor, perda de peso e desânimo.

Sistema Endócrino

  • Síndrome de Cushing: Caracterizada por manifestações clínicas como fácies em lua cheia, obesidade central, membros finos e giba dorsal.
  • Corticosteroides exógenos: O uso dessas substâncias inibe o funcionamento da glândula suprarrenal através de um mecanismo de feedback externo.
  • Desmame de medicação: A retirada de corticoides deve ocorrer de forma gradual, permitindo que a glândula suprarrenal recupere sua função normal.
  • Insuficiência suprarrenal: Apresenta se com sintomas como fadiga, fraqueza, hipotensão e hipoglicemia.
  • Interrupção de doses baixas: A retirada abrupta de uma dose de 10 mg de prednisona geralmente não é suficiente para desencadear um quadro de insuficiência aguda.
  • Investigação farmacológica: Durante a anamnese, deve se verificar a miligramagem exata do medicamento para garantir a interpretação correta da dose utilizada pelo paciente.

Sistema Reprodutor e Urinário

Manifestações Clínicas e Diagnóstico Diferencial

Durante a anamnese dos sistemas reprodutor e urinário, é essencial considerar as mudanças fisiológicas e patológicas. No final da gestação, a compressão exercida pelo útero gravídico frequentemente aumenta a incidência de crises de refluxo. Uma condição crítica que exige atenção é a gravidez ectópica, caracterizada pelo desenvolvimento embrionário fora da cavidade uterina, geralmente nas trompas de Falópio, o que pode levar a hemorragia interna grave na cavidade abdominal em caso de ruptura.

A terminologia utilizada pelo paciente também deve ser interpretada clinicamente; o termo 'baixo ventre' é comumente empregado para descrever dores na região pélvica. No sistema urinário, o relato de hematúria (presença de sangue) é um achado de alta relevância, independentemente da presença de dor. Historicamente, o diagnóstico diferencial entre diabetes mellitus e insípido baseava se na análise do sabor da urina, sendo doce no primeiro caso e sem sabor no segundo.

A integração entre a coleta de dados e o exame físico é fundamental para o raciocínio médico. Procedimentos como o toque vaginal são ferramentas práticas utilizadas para confirmar ou descartar as hipóteses diagnósticas geradas durante a entrevista inicial com o paciente.

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas
A tríade clínica da Síndrome de Cushing envolve fácies em lua cheia, obesidade central e giba dorsal.
A distinção histórica entre Diabetes Mellitus e Insípido baseava se no sabor da urina (doce vs insípido).
Dor torácica que piora com esforço sugere angina; se acompanhada de pleurisia e tosse, sugere pneumonia.
A distinção entre Melena (sangue digerido/fétido) e Hematoquezia (sangue vivo) localiza a origem do sangramento digestivo.

O Resgate da Memória

A anamnese é o esforço técnico de resgatar a memória para organizar o relato fragmentado do paciente em uma história com sentido clínico. Essa busca por trazer de volta o que se perdeu reflete nossa necessidade de um Mediador que organize o caos da existência e encontre a raiz da nossa desconexão interior. Jesus é quem conduz essa escuta redentora, mergulhando em nossa cronologia para curar as falhas que nem sabíamos como nomear.

Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me sento e quando me levanto; de longe percebes os meus pensamentos.Salmos 139:1 2

Explore a restauração que começa com uma conversa sincera com o Criador.

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