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Aula 4 Cabeça e Pescoço
As fontanelas, popularmente conhecidas como moleiras, são marcos clínicos fundamentais na avaliação pediátrica. Elas permitem monitorar o estado de hidratação e a pressão intracraniana do lactente. Alterações na morfologia da fontanela exigem atenção imediata: uma fontanela estu
Topicos da aula
- Aula Cabeça e Pescoço
Introdução ao Exame de Cabeça e Pescoço
O exame físico de cabeça e pescoço constitui uma etapa fundamental da propedêutica médica, abrangendo a avaliação sistemática do couro cabeludo, olhos, orelhas, nariz, boca e pescoço.
Para complementar o exame, a anamnese direcionada deve investigar o estado nutricional do paciente e seus hábitos de vida, incluindo o tabagismo, o etilismo e o histórico de uso de drogas.
Morfologia e Inspeção Craniana
- Posicionamento: Avaliação da cabeça para observar se ela está verticalizada, deslocada ou com desvio transversal.
- Normocefalia: Parâmetro de normalidade avaliado em relação ao tamanho, formato e simetria do crânio.
- Microcefalia: Alteração caracterizada pelo crânio reduzido, podendo apresentar uma face de tamanho normal.
- Síndrome de Apert: Condição descrita como uma acrocefalossindactilia
Técnica de Palpação do Crânio
- Direção da Manobra: Realizar a palpação de forma sistemática, partindo da frente para trás.
- Avaliação de Estruturas e Sensibilidade: Verificar a presença de massas, deformidades, depressões, edema e sensibilidade, observando que os ossos do crânio devem ser indistinguíveis à palpação.
- Mobilidade do Couro Cabeludo: Avaliar se o couro cabeludo apresenta mobilidade adequada sobre a calota craniana.
- Exame das Artérias Temporais: Palpar as artérias quanto à presença de dor, espessamento e endurecimento, especialmente em pacientes idosos.
Avaliação de Fontanelas na Pediatria
As fontanelas, popularmente conhecidas como moleiras, são marcos clínicos fundamentais na avaliação pediátrica. Elas permitem monitorar o estado de hidratação e a pressão intracraniana do lactente. Alterações na morfologia da fontanela exigem atenção imediata: uma fontanela estufada é sinal indicativo de hipertensão intracraniana, enquanto uma fontanela deprimida sugere um quadro de desidratação. Além disso, o acompanhamento do desenvolvimento cefálico é crucial para identificar condições como a microcefalia, que pode ser induzida por infecções como a febre chikungunya, e a hidrocefalia, caracterizada pela dilatação do sistema ventricular e tratada via derivação ventrículo peritoneal com válvula.
Simetria Facial e Fácies Patológicas
Identificação de Estigmas Endocrinológicos e Estruturais
A avaliação da face deve observar atentamente a simetria de estruturas como pálpebras, sobrancelhas, boca e o sulco nasolabial. Alterações nesses padrões podem indicar condições neurológicas ou sistêmicas subjacentes.
A fácies cushingóide é caracterizada pelo aspecto de face em lua cheia, acompanhada de eritema, acne e, em alguns casos, hirsutismo. Diferentemente, o hipotireoidismo manifesta se com edema facial, pele seca e cabelos secos e quebradiços, frequentemente associados ao ganho de peso.
O hirsutismo facial é identificado pela presença de penugem e pelos aumentados, podendo ocorrer em conjunto com acne e sinais de virilização.
Diferenciação das Paralisias Faciais
| Característica | Paralisia Facial Central | Paralisia Facial Periférica |
|---|---|---|
| Classificação | Lesão pré nuclear | Lesão pós nuclear (Paralisia de Bell) |
| Extensão da paralisia | Pode poupar a parte superior da face | Paralisia integral da hemiface |
| Mecanismo da lesão | Inervação contralateral preservada | Ocorre na emergência do nervo facial |
Alterações de Cor e Pele da Face
O melasma consiste em uma pigmentação cutânea que se manifesta principalmente em mulheres durante a gestação ou que fazem uso de anticoncepcionais.
No exame físico da face, é essencial diferenciar a icterícia da hipercarotenemia. A icterícia é caracterizada pelo amarelamento das conjuntivas oculares, enquanto a hipercarotenemia causa o amarelamento da pele e das palmas das mãos, mantendo a coloração da conjuntiva normal.
Quanto aos anexos faciais, o hirsutismo clínico na mulher é identificado pelo crescimento de pelos ou barba seguindo padrões de distribuição masculinos.
Estruturas Externas do Olho e Pálpebras
- Estruturas do globo ocular: Composta por córnea, esclera, úvea e retina.
- Exame das pálpebras: Avaliação da posição, cor, curvatura e distribuição dos cílios.
- Posição palpebral normal: Com os olhos abertos, a pálpebra superior deve cobrir uma porção da íris, mas nunca a pupila.
- Fasciculações palpebrais: Devem ser observadas durante a avaliação com os olhos fechados.
- Região orbitária: Verificação da presença de edemas e lesões.
Patologias Palpebrais e Posicionamento
A avaliação da fenda palpebral permite identificar condições como a ptose, em que a pálpebra superior não consegue se manter acima da pupila com o olho aberto, e a lagoftalmia, definida pelo fechamento incompleto das pálpebras.
As alterações no posicionamento da margem palpebral incluem o ectrópio, que é a eversão da margem para fora, e o entrópio, caracterizado pela inversão da margem para dentro.
O entrópio pode ser causado pela infecção por Chlamydia trachomatis e representa um risco significativo à saúde ocular. O contato crônico dos cílios com a córnea devido à inversão palpebral pode causar lesões permanentes e levar à cegueira.
Conjuntiva, Hordéolo e Xantelasma
- Hiperemia conjuntival: Frequentemente representa um sinal de conjuntivite.
- Hordéolo: Termo médico para o popular terçol, cujo tratamento com aumento da temperatura local visa ampliar a vasculatura e a resposta imunológica.
- Xantelasma: Depósito de gordura no tecido subcutâneo das pálpebras, comum em quadros de hipertrigliceridemia.
- Risco cardiovascular: A presença de xantelasma é um fator de risco para doença cardíaca coronária.
- Alterações nos cílios: Presença de caspas na raiz dos cílios pode indicar infecção crônica de difícil tratamento.
- Sintomas e sinais sensoriais: Incluem queimação, prurido, olho seco, sensação de corpo estranho, fotofobia e dor ocular.
Motilidade Ocular e Alinhamento
- Inervação: Os músculos oculares são inervados por diferentes pares de nervos cranianos.
- Estrabismo: Alteração no alinhamento dos olhos.
- Lesão do Reto Lateral: Uma lesão no nervo que inerva este músculo pode causar estrabismo convergente ipsilateral.
- Nistagmo: Refere se a movimentos involuntários dos olhos.
- Exoftalmia: Projeção do globo ocular para fora da órbita.
- Enoftalmia: Posicionamento do globo ocular mais profundo ou para dentro da órbita.
Campos Visuais e Trato Óptico
| Defeito no Campo Visual (Olho Direito) | Localização Anatômica da Lesão |
|---|---|
| Campo visual interno | Lado direito (ipsilateral) |
| Campo visual externo | Lado esquerdo (contralateral) |
| Cruzamento das fibras centrais da retina | Quiasma óptico |
O trato óptico projeta a informação visual da retina para interpretação na região occipital; lesões podem ocorrer em qualquer ponto desse trajeto, incluindo retina e nervo óptico.
Sintomas Visuais e Erros de Refração
- Miopia e Hipermetropia: Erros de refração comuns observados em adolescentes.
- Presbiopia: Alteração visual característica do processo de envelhecimento no idoso.
- Xeroftalmia: Síndrome do olho seco que pode se manifestar, paradoxalmente, com lacrimejamento excessivo como resposta de feedback compensatório.
- Xantopsia: Percepção de visão amarelada, configurando um sinal clássico de intoxicação por digitálicos, como a digoxina.
- Diplopia: Termo que designa a visão dupla, devendo levantar a suspeita de lesão cerebral quando presente.
Manifestações Visuais Complexas e Acuidade
- Escotomas: Descritos como "moscas volantes" na visão.
- Hemianopsia: Manifestação que pode ser comum na aura de enxaqueca.
- Nictalopsia e hemeralopsia: Alterações da visão relacionadas à luminosidade.
- Glaucoma e catarata precoce: Patologias oculares que devem ser lembradas no exame.
- Funcionalidade visual: Depende da integridade dos elementos da estrutura ocular ou do trato óptico.
- Avaliação clínica: Deve distinguir entre lesões externas e lesões neurológicas mais complexas.
- Tabela de Snellen: Instrumento padrão utilizado para avaliar a acuidade visual e a integridade funcional da visão.
Exame do Pavilhão Auricular e Ouvido Externo
- Inspeção: Avaliação de tamanho, forma, simetria, cor e presença de sinais como edema, hiperemia ou assimetrias.
- Consistência e Mobilidade: O pavilhão auricular deve apresentar consistência firme e ser móvel devido à sua estrutura cartilaginosa.
- Sinais de Dor: A dor à compressão do trago é indicativa de otite, enquanto a dor à palpação do processo mastoide sugere mastoidite.
- Implantação: A presença de orelhas com implantação mais baixa que o padrão normal é observada na Síndrome de Down (Trissomia do 21).
- Lesões e Neoplasias: Podem ocorrer queloides ou cicatrizes decorrentes de traumas (como furos de brincos e piercings) e o carcinoma basocelular, uma neoplasia maligna.
- Sintomas Otológicos: Durante o exame, devem ser investigadas queixas de otalgia, secreção e vertigem.
Avaliação Clínica da Audição
- Observação comportamental: Avaliar a resposta do paciente a perguntas e a possível necessidade de repetição de falas durante a anamnese.
- Teste da voz sussurrada: Posicionar se lateralmente ao paciente em uma distância de 30 a 60 centímetros, solicitando que ele tape o ouvido que não está sendo testado.
- Avaliação por condução óssea: Utilizar o diapasão encostado no crânio ou na mastoide para verificar a tradução do estímulo sonoro através do osso.
- Avaliação por condução aérea: Posicionar o diapasão próximo ao ouvido, sem encostar, para avaliar a condução do som pelas estruturas físicas da orelha.
Sintomas Auditivos e Sistêmicos
O uso do medicamento furosemida pode apresentar ototoxicidade como efeito colateral. Além disso, o zumbido no ouvido pode estar associado a condições clínicas sistêmicas, como hipertensão, diabetes e aneurisma de carótida. O prurido auricular pode indicar infecções fúngicas, sendo comum em nadadores ou pacientes diabéticos. Já a percepção contínua da própria pulsação no ouvido pode ser referida por pacientes com ateromatose.
Exame Nasal e Mucosas
- Rinite Aguda Viral: Apresenta mucosa avermelhada, inchada e com presença de secreção.
- Rinite Crônica: Caracteriza se por uma mucosa nasal atrófica e pálida.
- Secreção Purulenta: Indica a existência de um quadro de origem bacteriana.
- Saudação Alérgica: Hábito de esfregar o nariz para cima que pode causar uma prega nasal característica.
- Exame do Nariz e Ossos da Face: Deve incluir a avaliação sistemática de epistaxe e secreção nasal.
Avaliação dos Seios da Face
Exame Físico e Sinais Clínicos
A palpação dos seios frontais, maxilares e das glândulas salivares é um componente essencial na investigação diagnóstica, sendo caracteristicamente dolorosa nos casos de sinusopatia inflamatória.
Nos exames de imagem, o velamento ou o espessamento mucoso dos seios maxilares indicam o acúmulo de secreção. Além disso, a presença de edema e o espessamento da mucosa sinusal podem sugerir uma evolução do quadro para sinusopatia crônica.
Inspeção de Lábios e Mucosa Bucal
- Avaliação clínica: Compreende a inspeção e palpação para verificar cor, simetria, hidratação e lesões, com padrão de normalidade úmido e simétrico.
- Alterações de cor: Devem ser observadas para identificar palidez, cianose ou avermelhamento excessivo.
- Sinais de imunossupressão: A queilite angular e a monilíase oral podem sugerir doenças de base como HIV ou neoplasias em pacientes imunocomprometidos.
- Herpes simples: Caracteriza se por formigamento e vesículas com conteúdo líquido, apresentando remissão espontânea e sem cicatriz em casos não complicados.
- Herpes zoster: Diferencia se por poder deixar cicatrizes, inclusive neurológicas.
- Lesões neoplásicas: Tumores labiais podem ter aspecto ulcerado, útero infiltrativo e consistência endurecida, enquanto o câncer de mucosa jugal situa se na parte interna da bochecha.
- Angioedema: Pode ser induzido por hipersensibilidade a alimentos ácidos, como o limão.
Inspeção de Lábios e Mucosa Bucal (cont. 2)
- Estomatite: Caracteriza se pela presença de múltiplas lesões aftosas extensas que acometem a boca, a garganta e a língua. Em quadros de dor severa, pode ser necessária a hospitalização para administração de hidratação e nutrição por via endovenosa.
Língua e Estado de Hidratação
A língua é um instrumento fundamental na propedêutica para a avaliação do estado de hidratação do paciente. Em seu estado normal, apresenta uma coloração vermelho fosca, com superfície dorsal levemente rugosa e bordas laterais lisas. A face ventral é caracterizada por ser intensamente vascularizada e apresentar pregas. É fundamental, durante o exame da cavidade oral, inspecionar também o assoalho bucal e confirmar a presença de saliva.
Existem variações morfológicas que, apesar de chamativas, não possuem significado patológico. A língua geográfica é uma condição idiopática e temporária, enquanto a língua fissurada é assintomática. A língua pilosa também não está relacionada a doenças ou falta de higiene. Diferentemente dessas, a língua saburrosa exibe um aspecto esbranquiçado devido ao acúmulo de detritos celulares e alimentares, podendo ser eliminada através da raspagem.
Dentes e Gengivas
| Condição ou Achado | Características Clínicas | Fatores Associados |
|---|---|---|
| Gengivite | Processo inflamatório com sangramento fácil; pode evoluir para reabsorção óssea e exposição de raízes | Higiene oral e evolução para doença periodontal |
| Dentes de Hutchinson | Alteração na morfologia dentária | Sífilis congênita (Treponema pallidum) |
| Bruxismo | Desgaste da face oclusal dental | Hábito parafuncional |
| Próteses dentárias | Devem ser avaliadas durante a inspeção da orofaringe | Práticas de higiene oral |
A avaliação sistemática deve incluir o questionamento sobre o uso de próteses e práticas de higiene oral para contextualizar os achados físicos.
Palato, Orofaringe e Amígdalas
- Palato duro e mole: A avaliação deve observar cor, formato, textura, proeminências, tumorações e depressões.
- Parede posterior da faringe: Deve apresentar coloração rosa e aspecto brilhante.
- Técnica de inspeção: É considerado um erro de técnica pedir ao paciente que coloque a língua para fora para examinar a faringe.
- Reflexo faríngeo: O reflexo de vômito pode ser utilizado durante o exame para facilitar a visualização em pacientes pouco colaborativos.
- Etiologia viral: Sugerida pela ausência de exsudato (pus) em amígdalas hipertróficas e hiperemiadas.
- Mononucleose: Pode manifestar se através de placas brancas distribuídas nas amígdalas.
- Cáseo amigdaliano: Formado pelo depósito de restos celulares e alimentares nas criptas das amígdalas, sendo uma causa de halitose.
Lesões Cancerizáveis e Imunossupressão
A leucoplasia manifesta se como placas brancas que não saem à raspagem, pois fazem parte da estrutura da mucosa. Essas lesões podem ter origem em condições pré cancerosas ou em reações a processos inflamatórios repetidos com depósito de imunocomplexos. O câncer bucal pode ocorrer na mucosa da bochecha, gengiva, assoalho da boca, língua, palato, úvula ou palato mole, tendo o etilismo e o tabagismo como importantes fatores de risco. A presença de monilíase oral deve ser tratada como um sinal de alerta, pois trata se de uma infecção oportunista que levanta suspeita de estados de imunossupressão, como nos casos de diabetes, linfomas ou infecção pelo HIV.
Inspeção Dinâmica e Estruturas do Pescoço
- Estruturas cervicais: Compostas por pele, tecido subcutâneo, anexos, músculos, glândulas salivares, gânglios linfáticos, tireoide e o arcabouço laríngeo.
- Aspectos da inspeção: Devem ser avaliados critérios de simetria, presença de massas, edemas, cicatrizes e gânglios linfáticos visíveis.
- Expectativa de normalidade: O pescoço deve estar centralizado, verticalizado e distribuído de forma simétrica.
- Mobilidade e simetria: A amplitude de movimento deve ser testada para identificar possíveis quadros de dor e contratura muscular.
- Alterações de posicionamento: Lesões nos músculos esternocleidomastóideos, fraturas cervicais e traumas de canal de parto podem causar desvios na posição vertical da cabeça.
- Condições crônicas: Doenças degenerativas, a exemplo do parkinsonismo, podem induzir posições fixas e persistentes da cabeça.
- Hipercinesias: Caracterizam se por movimentos involuntários observados durante a avaliação clínica.
Exame das Glândulas Salivares
Avaliação Clínica e Sinais Inflamatórios
A palpação das glândulas salivares é uma das etapas fundamentais do exame físico de cabeça e pescoço. Durante a inspeção da cavidade oral, deve se identificar o ducto da glândula parótida, que desemboca na mucosa bucal na altura entre o primeiro e o segundo molar.
A presença de glândulas dolorosas à palpação pode indicar sialadenite. Esta condição pode ser causada por cálculos formados pela deposição de cálcio, processo favorecido por salivas mais ácidas.
A parotitite epidêmica, um processo inflamatório viral das parótidas, manifesta se com aumento de volume glandular, dor, febre e mal estar. Clinicamente, a doença costuma iniciar se de forma unilateral, mas apresenta uma tendência característica de evoluir para o acometimento bilateral.
Técnicas de Palpação da Tireoide
- Posicionamento: O examinador pode realizar o exame posicionado de frente para o paciente ou por trás dele.
- Manobra de deglutição: Solicita se que o paciente realize o ato de engolir para que o examinador sinta o deslocamento da glândula passando pelos dedos.
- Técnica frontal: A mão direita do examinador avalia o lado direito do paciente, enquanto a mão esquerda avalia o lado esquerdo.
- Técnica posterior: Uma das mãos é utilizada para estabilizar a laringe, enquanto a outra mão realiza a palpação do lobo contralateral.
- Tensionamento muscular: Pode ser necessário tensionar o músculo esternocleidomastoideo para garantir uma melhor percepção da estrutura.
- Critérios de avaliação: Durante o procedimento, devem ser analisados o tamanho, a forma, a consistência, a presença de nódulos e a sensibilidade.
Avaliação de Nódulos e Arcabouço Laríngeo
- Nódulos tireoidianos: Nódulos únicos apresentam maior risco de malignidade em comparação à presença de múltiplos nódulos.
- Diferenciação de cistos: O cisto tireoglosso possui localização central no pescoço, enquanto o cisto branquial apresenta localização lateral.
- Exame do arcabouço laríngeo: Consiste na avaliação da mobilidade e da presença de crepitação.
- Crepitação laríngea: Representa a sensação de vibração percebida ao realizar a movimentação lateral da laringe.
- Sinais de alerta em tumores: A perda da crepitação laríngea pode ocorrer em pacientes com tumor de laringe.
Traqueia e Sinais Patognomônicos
- Avaliação: Verificação da integridade, mobilidade, posicionamento na linha média e presença de anéis cartilaginosos.
- Anéis cartilaginosos: Devem ser percebidos de forma distinta à palpação e não devem apresentar dor.
- Impactos da intubação: Procedimentos prolongados podem causar necrose dos anéis cartilaginosos e colabamento da traqueia, podendo exigir o uso de próteses para restaurar a respiração.
- Sinal de Oliver Cardarelli: Tração da traqueia para baixo durante a sístole, associada à presença de aneurisma da crossa da aorta.
Exame do Sistema Linfático Cervical
- Etiologia: Os linfonodos aumentados na cabeça e pescoço podem ser de natureza reativa, inflamatória ou tumoral.
- Critérios de Avaliação: O exame físico deve considerar obrigatoriamente a dor, a consistência, o tamanho e a presença de coalescência.
- Características Clínicas: Processos inflamatórios costumam cursar com dor. Já os linfonodos tumorais nem sempre são dolorosos e apresentam consistência distinta dos inflamatórios.
- Padrões de Drenagem: A localização dos linfonodos obedece a áreas específicas; os retroauriculares e cervicais posteriores drenam o couro cabeludo e o dorso superior, enquanto o assoalho da boca, a língua e a hipofaringe drenam para grupos cervicais específicos.
- Investigação de Linfonodopatias: Em casos de aumento linfonodal cervical, especialmente o posterior em crianças, recomenda se a triagem laboratorial com sorologias para toxoplasmose, citomegalovírus, Epstein Barr, HIV e rubéola.
Vasos e Articulação Temporomandibular
O exame físico do pescoço inclui a avaliação das estruturas vasculares, sendo a turgência ou estase jugular um sinal clínico de grande importância tanto para a semiologia cervical quanto para a cardiovascular. Esse achado pode estar associado a condições como insuficiência cardíaca e alterações valvares.
Para avaliar corretamente a estase jugular, o paciente deve estar posicionado em um ângulo de 45 graus. Além da parte vascular, o exame da articulação temporomandibular (ATM) é essencial, pois disfunções nessa articulação são causas frequentes de cefaleia.
Nervos e Membrana
Os nervos oculomotor, abducente e troclear estão envolvidos na movimentação ocular. Uma membrana timpânica considerada saudável deve apresentar coloração rosácea, transparência que permita a visualização das estruturas internas e a presença característica do triângulo luminoso.
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
|---|
| A palpação do crânio deve identificar proeminências normais e a indistinguibilidade dos ossos. |
| O reflexo 'olho de gato' (leucocoria) em pediatria é um sinal de alerta crítico para retinoblastoma e exige encaminhamento imediato. |
| A turgência jugular deve ser avaliada com o paciente a 45 graus, sendo sinal relevante tanto para o exame do pescoço quanto cardiovascular. |
| A diferenciação entre paralisia facial central (pré nuclear) e periférica (pós nuclear/Bell) baseia se no comprometimento integral da hemiface ou preservação da parte superior. |
| O torcicolo pode ter origem congênita por trauma de parto ou adquirida por encurtamento do esternocleidomastoideo. |
Interface e Identidade
A propedêutica de cabeça e pescoço demonstra que falhas sensoriais mínimas, como um reflexo pupilar ausente, desestruturam nossa conexão plena com o ambiente externo. Analogamente, nossas disfunções interiores bloqueiam a percepção da realidade espiritual, exigindo uma intervenção que restaure a visão e a audição da nossa alma. Jesus age como esse médico definitivo, alinhando nossa interface com o Criador e devolvendo o sentido profundo à nossa existência.
Então se abrirão os olhos dos cegos e se destaparão os ouvidos dos surdos.Isaías 35:5
Quer entender como Jesus restaura os sentidos da alma? Leia o capítulo 9 de João.