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MedVet6 PeríodoCirurgia de Cães e Gatos IP1

Trato Urinário Inferior de Gatos Machos: Obstrução e Desobstrução

Os cristais de oxalato de cálcio possuem um formato espiculado característico, o que provoca lesões mecânicas iniciais na mucosa e predispõe à formação de outros cristais. Para uma análise laboratorial fidedigna de um cálculo urinário, este deve ser cortado ao meio, permitindo a

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Topicos da aula

  • Trato Urinário inferior de Gatos Machos

Obstrução do Trato Urinário Inferior em Gatos Machos

A doença do trato urinário inferior em felinos apresenta sinais clínicos iniciais frequentemente caracterizados por inflamação do trato urinário. No entanto, os gatos machos são os pacientes que apresentam a maior incidência de obstrução do fluxo urinário e sofrem as consequências clínicas mais graves.

Essa suscetibilidade elevada é explicada pela anatomia específica da espécie, em que o diâmetro da porção distal da uretra masculina é reduzido, medindo aproximadamente entre 0,5 mm e 0,6 mm.

Principais Causas e Etiologias

A doença do trato urinário inferior em gatos apresenta uma etiologia variada, sendo que grande parte dos casos de obstrução do fluxo urinário é classificada como idiopática.

Além dos fatores idiopáticos, a obstrução pode ser provocada por obstáculos físicos, como os cálculos e os tampões urinários. Os tampões, especificamente, são compostos por uma combinação de proteínas, mucoproteínas e cristais.

O quadro clínico também pode ser desencadeado por neoplasias, más formações anatômicas ou infecções bacterianas.

Fatores Anatômicos e Predisposição

  • Diâmetro Uretral: Gatos machos apresentam incidência superior de obstrução urinária em relação às fêmeas devido ao estreitamento da uretra distal, que mede entre 0,5 mm e 0,6 mm.
  • Fimose: Malformação congênita que prejudica a exposição peniana, dificultando as manobras clínicas necessárias para a desobstrução do paciente.
  • Desenvolvimento Peniano: A castração precoce pode resultar em um pênis subdesenvolvido, fator que impõe dificuldades adicionais ao planejamento da desobstrução.
  • Divertículo de Úraco: Malformação que cria um fundo de saco na bexiga, favorecendo o acúmulo de urina e o surgimento de cistites recorrentes.
  • Cistites Recorrentes: Quadros de infecção ou inflamação que se repetem a cada dois ou três meses em pacientes jovens sugerem a presença de malformações anatômicas.

Fatores Ambientais e de Estilo de Vida

  • Estresse: pode provocar espasmos na musculatura uretral em felinos, impedindo a passagem da urina.
  • Fatores emocionais: elementos do ambiente e o estado emocional podem levar à inflamação da mucosa vesical.
  • Retenção de urina: fatores comportamentais, como a introdução de estranhos, levam o gato a reter e concentrar a urina.
  • Higiene sanitária: a limpeza e a disponibilidade da caixa sanitária influenciam o comportamento de micção, podendo predispor à cistite e cálculos.
  • Manejo dietético: o uso de rações secas e o desequilíbrio entre cálcio e fósforo favorecem a agregação de cristais urinários.
  • Irritação da mucosa: a urina concentrada causa irritação e descamação da mucosa da bexiga, favorecendo quadros obstrutivos.

Manifestações Clínicas e Diagnóstico

Diferenciando Estrangúria de Constipação

A obstrução urinária em gatos machos resulta em distensão vesical severa e dor intensa, manifestada por comportamentos como vocalização ao tentar urinar, esforço excessivo e a tendência do animal se esconder. Os sinais clínicos iniciais são muito parecidos com quadros de inflamação do trato urinário inferior.

Um aspecto crítico no atendimento é que os tutores frequentemente confundem a dificuldade para urinar (estrangúria) com a dificuldade para defecar (constipação). Identificar corretamente esse esforço é fundamental para o diagnóstico precoce da obstrução.

O protocolo diagnóstico para investigar a obstrução urinária inclui a realização de exames de imagem, urinálise, cultura bacteriana e radiografia, permitindo uma avaliação completa da causa e da gravidade do quadro.

Progressão da Azotemia e Impacto Vesical

  1. Retenção Urinária: Estágio inicial que leva ao desenvolvimento da azotemia pós renal.
  2. Toxicidade Metabólica: Acúmulo de uréia e potássio circulantes, determinantes para a gravidade clínica do paciente obstruído.
  3. Manifestações Digestivas: Irritação da mucosa gástrica por níveis elevados de uréia, causando náusea intensa e anorexia.
  4. Deterioração Clínica: Evolução para vômitos, desidratação grave, hipotermia e rebaixamento do nível de consciência.
  5. Comprometimento do Detrusor: Distensão excessiva e prolongada da bexiga resultando em perda de contratilidade, falha muscular e atonia vesical.

O Choque no Paciente Obstruído

O choque decorrente da obstrução urinária em gatos é um quadro de natureza multifatorial, envolvendo componentes vasogênicos, cardiogênicos e hipovolêmicos. Clinicamente, o paciente pode apresentar sinais críticos como hipotermia, hipotensão e desidratação, além de bradicardia e arritmias. A má perfusão sistêmica leva ao desenvolvimento de acidose metabólica. A estabilização desses pacientes é auxiliada pela administração de Ringer com Lactato ou bicarbonato de sódio.

A Regra de Ouro: Estabilização Prévia

A estabilização clínica do paciente com azotemia pós renal é tecnicamente mais complexa do que a própria manobra mecânica de desobstrução, sendo o passo fundamental para garantir a sobrevivência do animal. A correção de desequilíbrios metabólicos críticos, especialmente da hipercalemia grave (excesso de potássio), deve ser realizada obrigatoriamente antes de qualquer procedimento anestésico ou tentativa de desobstrução uretral, devido ao alto risco de óbito caso o paciente não esteja estabilizado.

Descompressão e Reanimação Volêmica

  1. Cistocentese de Alívio: Realizada prontamente para reduzir a pressão vesical, auxiliando na desobstrução e na remoção de toxinas como uréia e potássio.
  2. Fluidoterapia com Cristaloides: Escolha de soro fisiológico ou Ringer com Lactato para promover a diluição do potássio sérico.
  3. Ajuste da Taxa de Infusão: Cálculo inicial entre duas a cinco vezes a taxa de manutenção, conforme a necessidade clínica do paciente.
  4. Protocolo para Pacientes em Choque: Ressuscitação volêmica com 40 ml/kg, divididos em três alíquotas aplicadas em intervalos de 15 a 20 minutos cada.

Protocolo de Manejo da Hipercalemia

FármacoMecanismo de AçãoObservações
Gluconato de CálcioEstabilizar e blindar o miocárdio contra hipercalemiaEfeito imediato e passageiro; não reduz o potássio sérico
Insulina e GlicosePromover a entrada de potássio nas célulasInício do efeito em aproximadamente 30 minutos
Vitamina B1 (Tiamina)Deslocar o potássio para o meio intracelularAuxilia no controle dos níveis de potássio

A estabilização miocárdica com gluconato de cálcio deve ser imediata, mas não substitui as manobras para redução do potássio sérico.

Complicações: Abordagem ao Uroperitônio

  • Protocolo Clínico: pacientes com ruptura vesical e uroperitônio requerem o mesmo protocolo de estabilização que pacientes obstruídos.
  • Manejo de Emergência: a estabilização sistêmica deve ser priorizada de forma idêntica ao manejo do paciente obstruído intacto.

Técnica de Sondagem e Exposição Peniana

  1. Relaxamento e anestesia: Realizar anestesia perineal para garantir o relaxamento fundamental à progressão da sonda uretral, o que pode evitar cirurgias desnecessárias.
  2. Exposição peniana: Executar um ponto na prega prepucial para expor o pênis, técnica mais efetiva e menos traumática do que a manipulação manual.
  3. Sondagem uretral: Proceder com a introdução da instrumentação aproveitando a melhor visualização e a menor resistência mecânica proporcionada pelo relaxamento.

Seleção de Materiais para Desobstrução

  • Sondas específicas: modelos mais finos e flexíveis que permitem a fixação segura sem causar danos por rigidez.
  • Cateter endovenoso (Jelco): embora possa ser tentado em locais com poucos recursos, não é a melhor opção devido ao risco de lesão na uretra.
  • Troca de cateter: após a desobstrução, a sonda rígida deve ser trocada por uma sonda flexível para os procedimentos de lavagem e manutenção.

Manejo Hospitalar e Monitorização

  • Internação e Lavagem: O gato obstruído deve permanecer internado e sondado por aproximadamente dois dias para a realização de lavagem vesical.
  • Sistema de Circuito Fechado: A sonda deve ser mantida em circuito fechado para garantir que a bexiga permaneça vazia e evitar novas distensões.
  • Monitorização Urinária: Durante o período de internação, é fundamental monitorar tanto a produção quanto a coloração da urina.
  • Protocolo de Analgesia: O suporte terapêutico durante a internação pós desobstrução deve incluir obrigatoriamente o controle da dor.
  • Estímulo do Músculo Detrusor: O uso de betanecol, um fármaco parassimpaticomimético, é indicado para estimular o funcionamento da musculatura vesical.

Cuidados Cat Friendly e Recidivas

O manejo 'cat friendly' em ambiente hospitalar é fundamental e requer silêncio e baixa circulação de pessoas para reduzir o estresse do paciente. É importante destacar que o estresse, somado à falta de alimentação durante a hospitalização, pode levar ao desenvolvimento de lipidose hepática em gatos. O risco de recidiva da obstrução urinária é alto caso o manejo ambiental e nutricional não seja corrigido, independentemente da causa base. Como parte do protocolo de avaliação pré alta, é obrigatória a realização de um ultrassom para verificar se ainda há sedimentos ou cálculos na bexiga.

Uretrostomia Perineal: A Técnica de Escolha

A uretrostomia perineal é o procedimento cirúrgico de escolha para gatos machos em casos de obstrução urinária recorrente ou quando não é possível desobstruir o paciente por métodos clínicos conservadores, como a sondagem malsucedida. A técnica clássica foi descrita originalmente em 1967 e apresenta excelentes resultados cirúrgicos.

O procedimento envolve a penectomia (remoção do pênis) e a fixação da uretra diretamente na pele, preferencialmente na altura da glândula bulbouretral, visando criar um novo fluxo urinário. Quando realizada com a técnica adequada, a uretrostomia apresenta um índice de sucesso de até 98%.

Complicações Pós Operatórias

  • Estenose uretral: complicação que pode ocorrer caso os pontos sejam removidos precocemente.
  • Colabamento e obstrução: risco associado à aplicação de tensão excessiva na uretra durante a sutura.

Técnicas de Salvamento em Cirurgia

TécnicaIndicação e ProcedimentoComplicações e Resultados
Uretrostomia Pré PúbicaSalvamento em casos de uretra seccionada ou falha na técnica perineal.Invariavelmente resulta em incontinência urinária.
CistostomiaOpção para uretra seccionada; a bexiga é suturada na pele.Saída da urina por uma abertura criada na parede abdominal (barriga).

As técnicas de salvamento são procedimentos de exceção aplicados quando a via perineal é inviável.

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas
As dosagens específicas dos fármacos utilizados não serão cobradas de forma explícita na avaliação.
Detalhes específicos contidos em tabelas apresentadas na aula servem apenas como material de consulta e não serão diretamente cobrados na prova.

O Caminho do Fluxo Livre

A uretra estreita do gato mostra como um pequeno bloqueio físico ou o estresse podem interromper o fluxo vital e intoxicar todo o corpo. Da mesma forma, as pressões e pesos que guardamos podem obstruir nossa alma, impedindo que a alegria e a paz fluam livremente. Jesus se oferece para remover esses fardos, restaurando em nós um fluxo de vida que nunca se esgota.

Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.João 7:38

Experimente hoje o alívio e a vida que só Jesus pode oferecer.

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