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MedVet6 PeríodoFisiopatologia da ReproduçãoP1

Fisiologia Reprodutiva da Fêmea

A Hierarquia da Sobrevivência e a Reprodução

Duracao: 15 min

Topicos da aula

  • Fisiologia Reprodutiva da Fêmea

A Hierarquia da Sobrevivência e a Reprodução

A Fisiopatologia da Reprodução dedica se ao estudo da complexidade do sistema reprodutivo, abrangendo as particularidades tanto do macho quanto, de forma mais extensa, da fêmea.

A função reprodutiva depende diretamente do status fisiológico e metabólico global do animal. Devido ao alto custo energético envolvido, a reprodução é classificada como a última prioridade funcional do organismo.

Isso implica que a ativação da capacidade reprodutiva só ocorre após a garantia de que todas as outras necessidades fisiológicas básicas para a sobrevivência do indivíduo foram supridas.

O Comando Hipotalâmico: GnRH

  1. Início do ciclo: O processo tem origem na liberação de GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) pelo hipotálamo.
  2. Conexão: O GnRH é transportado através do sistema porta hipofisário, que realiza a ligação direta entre o hipotálamo e a hipófise.
  3. Ação: O GnRH estimula especificamente a adenoipófise.
  4. Resposta hormonal: A adenoipófise, após estimulada, secreta as gonadotrofinas LH (hormônio luteinizante) e FSH (hormônio folículo estimulante).

Estrutura Bioquímica das Gonadotrofinas

O LH (hormônio luteinizante) e o FSH (hormônio folículo estimulante) são classificados como glicoproteínas, sendo compostos por uma base proteica associada a uma base de carboidratos.

O FSH é responsável pelo recrutamento folicular e pelo estímulo à aromatase. Estruturalmente, o FSH é formado por uma subunidade alfa e uma subunidade beta. A subunidade alfa é comum a todos os hormônios FSH, enquanto a subunidade beta é responsável pela especificidade de espécie.

Cinética e Meia vida Hormonal

HormônioMeia vida (aprox.)
GnRH5 minutos
LH15 minutos
FSH1,5 horas

Tempos de vida média comparativos dos hormônios do eixo hipotalâmico hipofisário.

Mecanismos de Feedback

O eixo hipotálamo hipófise gonadal é regulado por uma rede de mecanismos de feedback positivo e negativo, essenciais para a coordenação da reprodução. A inibina e a folistatina exercem feedback negativo, com a inibina exercendo feedback negativo exclusivo sobre o FSH e apresentando maior potência inibitória quando comparada à polistatina. Em contrapartida, a ativina exerce feedback positivo.

Existem duas formas principais de liberação para o FSH e o LH. O FSH é modulado durante todo o período do ciclo reprodutivo, embora seja também descrito como continuamente produzido e liberado pelo organismo.

Modulação Folicular e Progesterona

  • Feedback da Inibina: a inibina exerce feedback negativo especificamente sobre o FSH para controlar a população folicular, sendo que seus níveis se elevam proporcionalmente ao aumento do estrógeno.
  • Regulação do FSH: o hormônio FSH apresenta uma queda expressiva em seus níveis quando ocorre o aumento do estrógeno.
  • Ação da Progesterona: o recrutamento folicular ocorre mesmo na presença de progesterona, pois ela não bloqueia o FSH, mas bloqueia a liberação de LH e GnRH, impedindo a ovulação.
  • Influência Metabólica: animais em privação alimentar podem apresentar crescimento folicular, porém sem ocorrência de ovulação, evidenciando que a fisiologia sistêmica exerce interferência direta no status reprodutivo.
  • Variabilidade biológica: o coeficiente de variação de uma resposta biológica tende a ser maior conforme aumenta a influência hormonal envolvida.
  • Cinética hormonal: hormônios glicoproteicos e hormônios esteroidais possuem diferentes velocidades de ação no organismo.

Reserva e Senescência de Oócitos

Momento ou ProcessoStatus na Fêmea (Vaca)Comparação com o Macho
Nascimento400.000 oócitos (programados na vida fetal)Não ocorre a maturação contínua
Puberdade175.000 oócitosProdução contínua de células germinativas
Perda anual (ciclicidade)~1.000 oócitosNão aplicável (produção mantida)
Senescência reprodutivaPrecoce (fim do ciclo)Tardia (produção vitalícia)

As fêmeas atingem a senescência reprodutiva de forma precoce, enquanto os machos mantêm a capacidade de produzir células germinativas até o final de sua vida.

Estágios da Vida Folicular

  1. Folículo primordial: estágio inicial das células germinativas que não depende da ação de LH ou FSH para seu desenvolvimento.
  2. Folículo primário: fase que ocorre em resposta a fatores de crescimento, período em que a nutrição pode interferir no desenvolvimento.
  3. Folículo secundário: etapa definida pelo progresso na maturidade das células que compõem o folículo.
  4. Folículo terciário: estágio antral integrante da onda de crescimento, compreendendo as fases de recrutamento, divergência e dominância folicular.

Dinâmica de Crescimento e Líquido Folicular

  • Folículo primário: Aumenta de tamanho em resposta ao FSH, sem interferência do LH nesta fase inicial.
  • Folículo secundário: Apresenta resposta hormonal associada tanto ao FSH quanto ao LH.
  • Folículo terciário: Representa o estágio final do desenvolvimento folicular, sendo conhecido como pré ovulatório e responsivo especificamente ao LH.
  • Antro folicular: Estrutura interna preenchida por líquidos que contêm estrógeno.
  • Dinâmica de crescimento: A fêmea apresenta crescimento folicular durante quase toda a vida, exceto nos períodos pré púbere e de pré morte.

A Onda de Crescimento Folicular

  1. Recrutamento: fase inicial da onda folicular onde, na vaca, são recrutados entre 25 a 55 folículos para cada um que ovula.
  2. Divergência: etapa marcada pelo aumento do IGF 1, o fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1, que possui ação mitogênica e esteroidogênica.
  3. Dominância: momento em que o folículo selecionado sobrevive à queda dos níveis de FSH por possuir moléculas de resistência que o diferenciam dos demais.
  4. Ovulação: etapa final da dinâmica da onda de crescimento folicular.

Esteroidogênese: A Teoria das Duas Células

A esteroidogênese tem como base o colesterol, molécula fundamental para a síntese de hormônios esteroidais. A partir dele, forma se a pregnenolona, que atua como precursora de todos os hormônios sexuais.

O folículo ovariano é composto pela teca externa, teca interna e células da granulosa, sendo seu interior preenchido por um líquido que contém estrógeno.

Na teoria das duas células, o hormônio LH liga se às células da teca interna para produzir hormônio masculino. Simultaneamente, o FSH liga se às células da granulosa, que ativam a P450 para transformar o hormônio masculino em estrógeno.

Equilíbrio Andrógeno Estrógeno

  • Ação do LH: O hormônio LH liga se às células da teca interna ovariana, estimulando a produção de androstenediona, um hormônio masculino.
  • Ativação enzimática: O hormônio folículo estimulante (FSH) é responsável por ativar a enzima P450 aromatase.
  • Conversão hormonal: A enzima P450 aromatase, presente no ovário, converte hormônios masculinos (andrógenos) em hormônios femininos (estrógenos).
  • Presença hormonal fisiológica: Fisiologicamente, tanto machos quanto fêmeas possuem hormônios do sexo oposto, sendo que as glândulas adrenais produzem um resquício de hormônios sexuais mesmo na ausência de gônadas.

Patologias da Aromatase e Infertilidade

A enzima P450 aromatase, presente no ovário e ativada pelo FSH, é responsável pela conversão de andrógenos, como a androstenediona, em estrógeno. Patologias podem inibir a ação dessa enzima, resultando no acúmulo de hormônios masculinos dentro do folículo ovariano. A concentração elevada de hormônios masculinos no folículo atua como um contraceptivo, levando a fêmea a um estado de infertilidade, cenário que pode estar associado ao ovário policístico. O organismo tenta corrigir o excesso de andrógenos estimulando o FSH para ativar a enzima P450 e converter o hormônio.

A Sobrevivência do Folículo Dominante

A Proteína Plasmática Associada tipo A (PAPP A) atua como uma protease no ambiente folicular, sendo a molécula de resistência que diferencia e permite a sobrevivência do folículo dominante, o qual apresenta uma maior concentração dessa enzima. A PAPP A promove a quebra da proteína carregadora do IGF, liberando o IGF 1 no folículo. Esse fator de crescimento possui ações mitogênicas e esteroidogênicas, sendo responsável por aumentar a expressão de receptores de LH nas células da granulosa. Com o aumento da expressão de receptores de LH nas células da granulosa, o folículo torna se independente do FSH, consolidando sua dominância.

A Ruptura Folicular: Ovulação

  1. Preparação: O folículo pré ovulatório desencadeia a resposta final para a ovulação sob influência do pico de estrógeno.
  2. Ativação: O Hormônio Luteinizante (LH) é o principal responsável por desencadear a ovulação, sendo chamado de hormônio ovulante.
  3. Estrutura: O cúmulus oophorus realiza a ligação entre a parede do folículo e o oócito.
  4. Liberação: A ovulação é caracterizada pela ruptura da parede folicular e a saída do oócito.
  5. Finalização: Após a ovulação, o folículo rompido é preenchido por sangue, formando um corpo hemorrágico.

Arquitetura do Corpo Lúteo

Diferenciação e Maturação

O corpo lúteo é uma estrutura composta por dois tipos principais de células: as células luteínicas grandes e as células luteínicas pequenas.

A origem dessas células está diretamente ligada aos componentes do folículo pré ovulatório: as células da granulosa dão origem às células luteínicas grandes, enquanto as células da teca interna contribuem para a formação das células luteínicas pequenas.

O processo de transformação do corpo hemorrágico em corpo lúteo ocorre por ação do hormônio luteinizante (LH) e leva, em média, cinco dias para ser concluído.

Fisiologia da Progesterona

  • Produção: O corpo lúteo é o responsável pela produção da progesterona.
  • Função: A principal função do corpo lúteo é a secreção de progesterona.
  • Início da secreção: A progesterona começa a aumentar após a ovulação, a partir da luteinização do corpo lúteo.
  • Plenitude funcional: O corpo lúteo atinge sua plenitude funcional a partir do quinto dia de sua formação.
  • Persistência: A secreção de progesterona ocorre enquanto houver a presença do corpo lúteo.

Luteólise e Sensibilidade à Prostaglandina

O corpo lúteo precisa sofrer lise para que ocorra um novo ciclo reprodutivo na ausência de gestação. Caso não haja prenhez, o corpo lúteo regride por meio de apoptose por volta do 15º dia do ciclo. É fundamental destacar que o corpo lúteo é irresponsivo à ação da prostaglandina antes do quinto dia de sua formação, pois não possui receptores para esse hormônio nesse período.

Fases e Estrutura do Ciclo Estral

O ciclo estral é definido como o intervalo entre uma ovulação e a ovulação subsequente, sendo estruturado em quatro fases distintas agrupadas em dois períodos principais: a fase folicular e a fase luteal.

Fase PrincipalFases ComponentesPrincipais Eventos
FolicularProestro e EstroCrescimento folicular e ovulação
LutealMetaestro e DiestroFormação e manutenção do corpo lúteo

A divisão temporal do ciclo estral em fases folicular e luteal.

Ciclicidade e Hormônios Determinantes

O ciclo reprodutivo da vaca possui duração média de 21 dias, sendo estruturado em uma fase folicular e fases subsequentes.

O crescimento folicular ocorre em múltiplas ondas por ciclo, sendo a progesterona o determinante da quantidade de ondas que ocorrerão.

A queda da progesterona é um evento crítico, pois possibilita a liberação de LH e garante a responsividade necessária para a ovulação.

O estrógeno é o hormônio diretamente responsável pelos sinais comportamentais de estro na fêmea.

Sazonalidade e Melatonina

  • Classificação da sazonalidade: A reprodução divide se em espécies de dias curtos e dias longos, conforme a dependência do fotoperíodo.
  • Animais de dias curtos: Espécies como ovelhas, cabras e búfalas dependem de períodos de escuridão para a reprodução.
  • Mecanismo hormonal em dias curtos: Nestas espécies, a melatonina é necessária para estimular a liberação de GnRH, sendo que o bloqueio da melatonina pela luz regula esse processo.
  • Mecanismo da luz: A luz bloqueia a produção de melatonina na glândula pineal por meio de estímulo nervoso.
  • Animais de dias longos: Éguas dependem da claridade para ciclar, possuindo um ciclo estral de 21 dias, onde a melatonina exerce ação negativa na liberação de GnRH.

Particularidades das Espécies Domésticas

EspécieDuração do Ciclo (dias)Observação
Vaca21Ocorre apenas uma ovulação por ciclo
Ovelha17
CadelaVariável2 ciclos por ano com período de anestro

Tabela comparativa da fisiologia reprodutiva básica em fêmeas de espécies domésticas.

Bovinos: Bos Taurus vs Bos Indicus

CaracterísticaBos taurusBos indicus
Protocolos hormonaisDesenvolvidos especificamenteRequerem adaptação específica
Sensibilidade ao estímulo hormonalMaior necessidade de estímuloMenor necessidade de estímulo
Tamanho folicular ovulatórioFolículos maioresFolículos menores (aprox. 16,1 mm)
Concentração de IGF 1 intrafolicularMenorMaior

Comparativo das diferenças fisiológicas e reprodutivas fundamentais entre subespécies de bovinos.

Metabolismo e Reprodução Leiteira

  • Demanda metabólica: A produção de 1 litro de leite requer a circulação de 400 a 500 litros de sangue na glândula mamária.
  • Metabolismo hormonal: Vacas de alta produção apresentam um metabolismo acelerado de hormônios sexuais, como a progesterona, devido ao elevado fluxo sanguíneo.
  • Déficit de progesterona: Níveis reduzidos de progesterona podem ser insuficientes para bloquear a maturação folicular, resultando na persistência do folículo.
  • Dinâmica folicular: A condição metabólica interfere diretamente no número de ondas foliculares, sendo que vacas de leite apresentam, geralmente, menos ondas em comparação às vacas de corte.
  • Cistos ovarianos: A persistência folicular torna o cisto folicular um problema comum em vacas de leite, sendo raramente observado em vacas de corte.

Fecundação e Taxas de Gemelaridade

O percentual de partos gemelares em bovinos é de aproximadamente 1%. Devido a essa taxa, espera se o nascimento de 101 bezerros vivos a cada 100 partos na espécie. A gemelaridade em vacas é um fenômeno pouco comum, em grande parte devido à limitação de espaço físico no útero.

Quanto à origem dos gêmeos, os univitelinos originam se da mesma concepção e sofrem um processo de divisão embrionária. Já os gêmeos não univitelinos, chamados de bivitelinos, ocorrem quando há duas ovulações e ambos os ovócitos resultantes são fecundados.

A base biológica para esse evento é a codominância folicular, que ocorre em cerca de 1% dos casos em vacas. É importante notar que a codominância folicular é um fenômeno comum em outras espécies, como porcas e cadelas.

Gestação Assíncrona e Multi paternidade

  • Gestação assíncrona em éguas: pode ocorrer uma segunda fecundação com intervalo de até cinco dias ou mais em relação à primeira, permitindo prenhezes assíncronas.
  • Multi paternidade: cadelas e gatas têm a capacidade de gerar filhotes de diferentes machos em uma mesma fase reprodutiva.
  • Mecanismo da codominância folicular: a ausência de uma divergência entre folículos, que normalmente exige uma diferença de 0,1 para determinar o folículo dominante, permite que ambos se tornem responsivos ao LH simultaneamente.

Desenvolvimento Embrionário Inicial

  1. Penetração espermática: ocorre com auxílio das zonas pelúcidas ZP1, ZP2 e ZP3, que permitem a entrada do espermatozoide no ovócito.
  2. Herança genética: a transmissão mitocondrial em mamíferos é estritamente materna, pois a cauda do espermatozoide, contendo as mitocôndrias paternas, não penetra no ovócito.
  3. Mórula: estágio de desenvolvimento celular que compreende as fases de mórula compacta e mórula expandida.
  4. Blastocisto: formação da cavidade central, denominada blastocele, através do preenchimento do embrião com líquido.

As divisões celulares do embrião seguem a sequência

As divisões celulares iniciais do embrião ocorrem de forma ordenada, progredindo através dos estágios de 2, 4, 8, 16 e 32 células.

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas
A dosagem de progesterona é um indicador de gestação: valores ≤ 1 ng indicam ausência de prenhez.
O corpo lúteo possui um período de refratariedade à prostaglandina nos primeiros 5 dias após a ovulação.
O LH atua na teca interna (andrógenos) enquanto o FSH atua na granulosa (aromatização para estrógenos).
Vacas Zebuínas (Bos indicus) apresentam maior sensibilidade hormonal, ovulando com folículos menores que as Taurinas.

Nutridos para Gerar Vida

Na fisiologia sistêmica, a reprodução é a última prioridade do organismo, acontecendo apenas quando todas as necessidades vitais e metabólicas básicas já estão supridas. De forma semelhante, nossa capacidade de gerar frutos e investir genuinamente no próximo depende do nosso próprio preenchimento interior. Quando somos nutridos de forma profunda pela graça e presença de Jesus, deixamos qualquer estado de escassez e passamos a transbordar vida abundante por onde caminhamos.

Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma.João 15:5

Reflita sobre sua verdadeira fonte de nutrição.

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