Sion Academy
Técnicas de Exame Vaginal e Citologia em Grandes e Pequenos Animais
Avaliação clínica multidisciplinar fundamentada no conhecimento fisiológico e nutricional.
Topicos da aula
- Exame Vaginal
Abordagem Clínica na Reprodução Veterinária
A prática clínica na reprodução veterinária demanda conhecimentos integrados em fisiologia, nutrição e manejo. Fatores sistêmicos, como o estado nutricional e a microbiota, são determinantes para a eficiência reprodutiva, sendo a reprodução a última prioridade energética do organismo.
A avaliação vaginal abrange a preparação adequada, a instrumentação correta e a análise das mudanças hormonais. Adicionalmente, o manejo clínico deve considerar particularidades de raças, como as equinas PSI e Crioulo, que exigem atenção à conformação vulvar, além de atender a mercados em crescimento, como o de reprodução canina.
Fundamentos da Avaliação Ginecológica
A avaliação ginecológica fundamenta se no exame vaginal, que engloba tanto o toque digital quanto a visualização de ocorrências clínicas. Este processo exige um conhecimento sólido em fisiologia, requisito obrigatório para a prática clínica, cirúrgica e nutricional na medicina veterinária.
É fundamental considerar que a reprodução é a última prioridade do organismo em um sistema biológico normal, sendo influenciada diretamente pela nutrição e pelo estado nutricional. Profissionais da área devem avaliar fatores como pastoreio, alimentação e ração, além do impacto da microbiota nos processos reprodutivos.
A técnica de exame deve ser adaptada à individualidade do paciente. A fisiologia e a avaliação clínica variam significativamente entre raças de cães, como Poodle Toy e Dog Alemão, o que demanda que a escolha do tamanho do espéculo seja feita estritamente de acordo com o porte do animal.
Instrumentação: Tipos de Espéculos
- Espéculo tubular: possui uma lâmpada na parte inferior para visualização da ponta, mas não é o mais indicado para exames em éguas, pois dificulta a observação da parede vaginal.
- Espéculo de Polansky: possui aberturas laterais e é a opção preferível para a visualização da parede vaginal.
- Posicionamento do Polansky: durante a introdução, a parte aberta deve estar posicionada para cima e a parte fechada voltada para baixo.
Técnica de Introdução e Obstruções Anatomicas
- Utilize o espéculo específico para pequenos animais, que é um dispositivo transparente e semelhante ao bico de papagaio utilizado na ginecologia humana.
- Realize a introdução do espéculo vaginal mantendo um ângulo de 45 graus.
- Esteja atento ao meato urinário e à dobra da mucosa na parte ventral da vagina, pois estes pontos anatômicos podem causar obstrução à passagem do espéculo.
- Interrompa o movimento caso encontre resistência e não force a introdução para evitar traumas.
Anatomia e Barreiras de Proteção em Éguas
A conformação vulvar é um aspecto de fundamental importância clínica na égua, sendo um fator mais considerado do que em outras espécies animais.
O fechamento adequado dos lábios vulvares é essencial para impedir a entrada de contaminantes no útero. Diferentemente de outras espécies que possuem musculatura transversal da cérvix, a égua carece dessa estrutura, o que permite um relaxamento cervical maior e torna o selo vulvar a principal barreira de proteção.
Para a avaliação da conformação, utiliza se o arco isquiático como ponto de referência, identificado ao palpar a lateral dos lábios vulvares. O comprimento efetivo da vulva é medido a partir do arco isquiático até a rima do lábio superior.
Avaliação Dinâmica e Má Conformação Vulvar
A avaliação vulvar em éguas deve ser realizada com o animal em movimento, pois o caminhar promove a flexão ou abertura dos lábios vulvares. Essa abertura pode permitir que a pressão negativa do útero aspire ar ou líquidos. A presença de barulho de sucção de ar durante a caminhada da égua é uma indicação clínica para o fechamento cirúrgico da vulva. Além disso, a perda de gordura perianal provoca a retração da pele e a inclinação da vulva para dentro do abdômen, condição observada com alta prevalência em animais da raça Puro Sangue Inglês (PSI). A inclinação da vulva na égua pode ser medida com o auxílio de um nível e um transferidor para verificar o ângulo, sendo relevante considerar que grande parte do plantel no sul do Brasil é composto por animais das raças Puro Sangue Inglês (PSI) e Crioulo.
Índice de Caslick: Parâmetros de Intervenção
O índice de Caslick é determinado pela multiplicação do comprimento efetivo da vulva pela sua angulação. A medição precisa da angulação vulvar pode ser realizada com auxílio de um nível e um transferidor.
| Índice de Conformação | Situação Clínica | Conduta Recomendada |
|---|---|---|
| < 100 | Boa conformação | Nenhuma intervenção necessária |
| 100 a 150 | Alerta | Monitoramento da saúde uterina |
| 150 | Conformação inadequada | Correção cirúrgica obrigatória |
A avaliação quantitativa da conformação vulvar é fundamental para a preservação da saúde reprodutiva em equinos.
Procedimento Cirúrgico de Caslick
- A cirurgia de Caslick é um procedimento rotineiro e funcional para o tratamento de conformação vulvar deficiente, sendo padrão em quase a totalidade das éguas da raça Puro Sangue Inglês.
- A técnica de sutura deve ser realizada obrigatoriamente com pontos simples.
- O uso de pontos simples em vez de sutura contínua é fundamental para evitar que toda a vulva se abra caso um único ponto se rompa.
- Em éguas gestantes submetidas ao procedimento, a abertura da vulva é necessária no momento do parto.
- A abertura da vulva pode ser realizada sob anestesia epidural baixa ou via botão anestésico local.
- Para realizar a inseminação em fêmeas com vulva fechada, recomenda se utilizar um espéculo para guiar a ponta do aplicador.
Técnicas de Pouret, Mondin e Urovagina
Procedimentos para Correção Vulvar e Urovagina
A cirurgia de Pouret, também conhecida como convento, é indicada em casos de perda de gordura perianal. O procedimento consiste em abrir o espaço entre a comissura dorsal da vulva e o ânus, impulsionando a musculatura para realizar o reposicionamento vulvar.
Para garantir a eficácia do reposicionamento, a cicatrização deve ocorrer por segunda intenção, permitindo a formação de tecido de granulação, que atua impedindo que a estrutura sofra retração novamente. Uma modificação técnica sugere o fechamento exclusivo da pele após a incisão interna, prevenindo a entrada de resíduos.
A urovagina, caracterizada pelo acúmulo de urina na vagina em vez de sua eliminação completa, é tratada pela técnica de Mondin. Este procedimento é um aperfeiçoamento do rebaixamento vaginal que realiza o prolongamento do meato urinário, visando o fechamento e o estreitamento da uretra.
Dinâmica da Mucosa Vaginal no Ciclo Equino
- Fase de Estro: O trato reprodutivo apresenta tubularidade flácida, com a mucosa vaginal umedecida e vermelha sob influência do estrógeno.
- Fase de Diestro: O trato reprodutivo encontra se contraído, podendo apresentar aspecto de biquinho, enquanto a mucosa vaginal torna se pálida e seca sob influência da progesterona.
- Gestação: A mucosa vaginal caracteriza se por ser pálida e seca, com a cérvix produzindo um tampão para vedar a passagem para o útero.
Endocrinologia Canina: O Diferencial da Espécie
A avaliação ginecológica é considerada essencial para determinar o manejo reprodutivo em cadelas. Nesse contexto, a citologia vaginal atua como o principal exame utilizado para determinar o momento ideal da inseminação artificial.
Em cerca de 80% das espécies domésticas, a dinâmica hormonal é marcada por uma queda da progesterona seguida pelo aumento do estrógeno e do hormônio luteinizante (LH). No entanto, o padrão canino é diferente, pois a cadela necessita de níveis elevados de progesterona para que a inseminação seja efetiva.
Esta espécie possui uma peculiaridade fisiológica única: a cadela é a única fêmea doméstica que permite a inseminação com níveis altos de progesterona sem a perda da fertilidade.
Maturação Oocitária e Pico de LH
As cadelas realizam a ovulação de ovócitos ainda imaturos, que permanecem estagnados na prófase I da meiose I pela ação do Fator Inibidor da Meiose (FIM). O aumento do hormônio luteinizante (LH) promove a queda do FIM, permitindo a continuidade da meiose.
Diferente de outras espécies, o pico de LH na cadela não promove a extrusão imediata do primeiro corpúsculo polar, processo necessário para que o ovócito adquira capacidade de fecundação. Já a extrusão do segundo corpúsculo polar ocorre apenas após a fecundação.
Visto que os níveis de progesterona da cadela aumentam após a ovulação, é necessário realizar exames laboratoriais de sangue para mensurar a progesterona e orientar o manejo clínico.
Ciclicidade e Manejo de Gestação
- Ciclo estral: Um dos mais longos entre as espécies, ocorrendo geralmente de uma a duas vezes por ano.
- Anestro: Fase necessária para que o ciclo reprodutivo da cadela seja considerado completo.
- Reconhecimento materno: A cadela não possui esse mecanismo; o corpo lúteo é mantido durante todo o período equivalente à gestação, independentemente de estar prenhe ou não.
- Maturação oocitária: Após a ovulação, o ovócito permanece de três a cinco dias na tuba uterina para completar a maturação.
- Inseminação artificial: O momento ideal ocorre com progesterona sérica entre 6 a 8 ng/ml; valores de 10 ng/ml ou superiores indicam oócitos envelhecidos com baixa fertilidade.
- Capacidade de fecundação: A inseminação ou cobertura realizada antes do ovócito ganhar essa capacidade não resulta em gestação.
Anatomia Vaginal e Técnicas de Inseminação
A entrada do útero da cadela apresenta uma anatomia tortuosa. Uma técnica de inseminação comum consiste em depositar o sêmen na vagina e suspender o trem posterior do animal por 5 minutos para auxiliar a migração.
Quando os níveis de progesterona atingem 10 ng/mL, o oócito já maturou e permaneceu tempo excessivo sem ser fecundado, tornando se envelhecido e incapaz de permitir a fecundação. Nesses casos, a inseminação deve ser preferencialmente cirúrgica com o depósito direto do sêmen nos cornos uterinos.
Técnica de Coleta e Coloração de Panótico
- Coleta: Utilize um swab longo para atingir o fórnix vaginal, pressionando com firmeza contra a parede vaginal para obter material celular sem lesionar a mucosa.
- Transferência: Transfira o material coletado para a lâmina através da técnica de rolagem, evitando a realização de esfregaço.
- Coloração: Realize a imersão da lâmina em cada um dos três reagentes do corante panótico (azul, vermelho e roxo) por 5 segundos.
- Finalização: Evite tempo excessivo no último corante, pois o excesso pode escurecer a amostra excessivamente.
Citologia por Fase do Ciclo Estral
| Fase ou Evento | Achado Citológico | Conduta |
|---|---|---|
| Proestro | Presença de sangramento vaginal | Iniciar o acompanhamento por citologia 10 dias após o início do sangramento |
| Estro | 70% de células superficiais | Observar a tendência de queda destas células |
| Momento Ideal para Inseminação | Cruzamento de curvas: queda de superficiais e subida de parabasais | Inseminar quando a quantidade de células parabasais estiver acima de 70% |
O intervalo entre o início do sangramento no proestro e a entrada no estro é de aproximadamente 11 dias.
Marcadores de Proestro e Estimativa Visual
- Marcadores do início do proestro: Presença de eritrócitos, neutrófilos e muco como indicadores da fase inicial.
- Dinâmica dos marcadores: A quantidade de eritrócitos e muco diminui conforme o proestro progride para o seu estágio final.
- Padrão citológico característico: Predominância de células intermediárias, poucos elementos parabasais e ausência quase total de células queratinizadas superficiais.
- Prática clínica de contagem: É comum realizar uma estimativa visual da predominância das células intermediárias em vez de realizar a contagem individual de 100 células.
- Planejamento da inseminação: O momento ideal ocorre quando as células superficiais diminuem (ex: 10%) e as parabasais aumentam (ex: 70%), com níveis de progesterona de 10 ng/ml capazes de fertilizar ovócitos em estágio avançado.
Planejamento de Retorno e Estágios de Repouso
O anestro é uma fase integrante da ciclicidade reprodutiva do animal, na qual a citologia vaginal apresenta quase que exclusivamente células parabasais.
Para o planejamento reprodutivo, quando há dúvida sobre a fase do ciclo na avaliação inicial, recomenda se que a fêmea retorne para uma nova avaliação em dois dias para observar mudanças no padrão celular.
Caso o sangramento da cadela tenha começado há dois dias, a próxima avaliação deve ser agendada para oito dias depois, visando coincidir com o início previsto do estro.
O citológico vaginal auxilia a identificar a possibilidade de inseminação da fêmea, que é considerada quando a porcentagem de células queratinizadas superficiais ultrapassa 50%, atingindo níveis de 60% a 70%.
Transferência de Embriões e Mulas Receptoras
- Evolução da técnica: Antigamente a transferência de embrião era realizada por via cirúrgica com abertura do flanco; atualmente, utiliza se a lavagem uterina para coleta e um aplicador para reinserção.
- Vantagem: O uso de mulas como receptoras é uma alternativa eficaz para reduzir os custos de manutenção de éguas receptoras na propriedade.
- Fisiologia reprodutiva: Embora sejam inférteis devido ao número ímpar de cromossomos, as mulas podem apresentar ciclos estrais, o que permite sua utilização como receptoras.
- Manejo hormonal: A indução da ciclicidade é feita com a administração de estrógeno por cinco dias, seguida de progesterona.
- Sincronização: O início da administração de progesterona ocorre no momento zero, correspondente à inseminação da égua doadora.
- Alerta clínico: Algumas mulas apresentam comprometimento no ajustamento da placenta, o que pode levar a falhas na manutenção da gestação e à ocorrência de abortos.
Ultrassonografia Ovariana e Sazonalidade
Na ultrassonografia de cadelas, os rins são os principais marcadores anatômicos utilizados para localizar os ovários. O rim direito da cadela possui um posicionamento topográfico mais cranial em relação ao rim esquerdo.
O ovário direito localiza se próximo à borda caudal do rim direito, enquanto o ovário esquerdo situa se geralmente entre o baço e a borda caudal do rim esquerdo. A visualização dessas estruturas pode ser dificultada dependendo do transdutor utilizado, do tamanho do animal e da fase do ciclo estral.
Em relação à sazonalidade, as ovelhas são animais que iniciam sua ciclicidade em períodos de frio e menor luminosidade. Diferentemente, as cadelas não dependem da luminosidade para regular seu ciclo reprodutivo.
Endoscopia e Patologias de Cistos
- Aplicação da endoscopia: recomendada em éguas para o diagnóstico e tratamento de cistos endometriais (linfáticos ou glandulares), permitindo procedimentos como a cauterização.
- Classificação de cistos: os cistos endometriais em éguas podem ser classificados como linfáticos ou glandulares.
- Tratamento por curetagem: a curetagem da mucosa endometrial em éguas é um método terapêutico para cistos, mas apresenta risco de colabamento e fechamento se não for bem manejada.
- Redução de volume de sêmen: enquanto a inseminação convencional em éguas utiliza de 15 a 60 ml de sêmen, técnicas de inseminação assistida permitem reduzir esse volume para 1 a 5 ml.
- Endoscopia em cadelas: a técnica é considerada essencial nas biotecnologias da reprodução aplicadas à espécie canina.
Microscopia e Análise Inflamatória
O aumento total no microscópio é obtido multiplicando a objetiva pela ocular, sendo que esta última pode variar de quatro a dez vezes de aumento. A contagem de células na análise citológica deve ser realizada obrigatoriamente por campo de visualização, evitando se a análise da lâmina inteira.
Embora a presença de células de defesa seja um processo fisiológico normal, a anormalidade é caracterizada por um grande número dessas células. A observação de mais de 100 células de defesa por campo de visualização é o parâmetro que indica a existência de um processo inflamatório.
Para assegurar um diagnóstico preciso, a citologia reprodutiva deve ser sempre associada à cultura. A definição de um processo infeccioso requer uma análise que englobe outros conjuntos de dados, além da citologia isolada.
Mercado e Futuro na Reprodução Canina
A reprodução de cães em Curitiba apresenta uma demanda constante por especialistas qualificados. Esse cenário de oportunidades é resultado do reduzido número de profissionais que trabalham especificamente com essa área de atuação na região.
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
|---|
| O índice de Caslick é um tema garantido na prova e exige domínio sobre o cálculo (comprimento efetivo vs angulação) e critérios de intervenção. |
| O manejo reprodutivo de animais de alto valor genético (como PSI e o garanhão Baloubet du Rouet) justifica o uso de técnicas avançadas como cirurgias corretivas vulvares e inseminação com baixo volume de sêmen. |
A Energia para Gerar Frutos
Na fisiologia, a reprodução animal é a última prioridade energética do organismo, acontecendo apenas quando o sistema biológico está perfeitamente nutrido e equilibrado. De forma semelhante, nossa capacidade de investir no bem do próximo e gerar bons frutos exige que nosso interior também seja constantemente alimentado. Quando permitimos que o amor de Jesus sacie as nossas necessidades mais profundas, cuidar dos outros deixa de ser um peso e se torna o transbordar natural de uma vida saudável.
Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma.João 15:5
Leia João 15 e reflita sobre onde você tem buscado nutrição para os frutos da sua vida.