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Afecções do Sistema Respiratório em Cães e Gatos
Transmissão Prolongada e Impacto Sistêmico
Topicos da aula
- Afecções do Sistema Respiratório
Overview
Guia Prático de Pneumologia Veterinária
Este estudo percorre os fundamentos da pneumologia veterinária, estabelecendo a distinção essencial entre o trato respiratório anterior e posterior. Abordaremos desde as rinites e o complexo respiratório felino até as afecções obstrutivas críticas, como a paralisia de laringe, o colapso de traqueia e a síndrome braquicefálica. Exploraremos a fisiopatogenia das doenças das vias aéreas inferiores, contrastando a asma felina — frequentemente reversível — com a bronquite crônica, marcada por fibrose e lesões irreversíveis. Por fim, o manejo das pneumonias exigirá o domínio da antibioticoterapia empírica com doxiciclina e do suporte com fisioterapia respiratória. Compreender esses mecanismos é vital para diferenciar quadros infecciosos, alérgicos e degenerativos, garantindo diagnósticos precisos por meio de exames como a radiografia, tomografia e o lavado broncoalveolar.
Fundamentos e Anatomia do Aparelho Respiratório
Estrutura Geral e Trato Respiratório Anterior
Para facilitar o estudo, o aparelho respiratório de pequenos animais inicia se nas narinas e é composto pela cavidade nasal, laringe, traqueia e pelos pulmões. Didaticamente, essa organização é separada em porções anterior e posterior.
A entrada do tórax atua como a fronteira anatômica entre essas divisões. Nesse contexto, a traqueia desempenha um papel central, pois realiza a divisão entre a via aérea anterior e a via aérea posterior, servindo como a transição entre ambas. O trato respiratório anterior engloba especificamente a cavidade nasal, a laringe e a traqueia cervical.
Trato Respiratório Posterior e Desafio Clínico
O trato respiratório posterior inicia se no ponto em que a traqueia avança para o interior da caixa torácica. Essa porção compreende a traqueia torácica, os brônquios, os bronquíolos, os alvéolos e o parênquima pulmonar. Estruturalmente, o próprio pulmão é dividido entre a via aérea (composta pelos brônquios, bronquíolos e alvéolos) e o parênquima pulmonar.
Na extremidade final da traqueia, originam se os brônquios principais. Eles mantêm uma semelhança anatômica e histológica com a traqueia, diferenciando se essencialmente pelo seu diâmetro menor. É fundamental dominar essa anatomia porque doenças cardíacas e respiratórias frequentemente apresentam manifestações clínicas semelhantes, o que torna o diagnóstico diferencial entre as especialidades um passo crítico na rotina clínica.
Vias de Condução versus Parênquima Pulmonar
As patologias respiratórias podem ser divididas de forma geral entre doenças das vias aéreas e doenças do parênquima pulmonar. A via aérea respiratória envolve as estruturas de condução, como a cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios e bronquíolos. Exemplos clássicos desse grupo incluem o colapso de traqueia, e também as doenças bronquiais são classificadas como afecções da via aérea.
Já o parênquima pulmonar abrange as paredes alveolares e o interstício pulmonar, local onde a troca gasosa efetivamente ocorre. No interstício, observa se a passagem de vasos sanguíneos e linfáticos, além da sustentação dos alvéolos. Patologias como a pneumonia e o edema pulmonar são exemplos de acometimento do parênquima.
Afecções da Cavidade Nasal e Seios Paranasais
Definições e Etiologias das Afecções Nasais
A rinite é caracterizada como um processo inflamatório na cavidade nasal, enquanto a sinusite envolve a inflamação dos seios nasais ou paranasais. Ambas as condições podem apresentar caráter infeccioso ou não infeccioso, sendo fundamentais no diagnóstico diferencial das afecções do trato respiratório superior em cães e gatos.
Quanto às causas, a etiologia infecciosa pode ter origem viral, fúngica ou bacteriana. Por outro lado, as causas não infecciosas incluem processos alérgicos, neoplasias e a presença de corpos estranhos. A entrada acidental de materiais como gramíneas, fragmentos de madeira ou outras sujidades na cavidade nasal é capaz de irritar a mucosa e desencadear reações inflamatórias intensas.
Alterações Estruturais e Colonização Bacteriana
É fundamental compreender que a cavidade nasal de cães e gatos não é um ambiente estéril, pois abriga naturalmente uma população microbiológica em equilíbrio. Devido a essa característica, a ocorrência de uma rinite bacteriana primária é um evento incomum na clínica de pequenos animais.
Na prática, a etiologia bacteriana no trato nasal é tipicamente secundária. Em gatos, por exemplo, a presença de pólipo nasal ou pólipo nasofaríngeo é uma condição não infecciosa relativamente comum que altera a dinâmica local.
Tanto esses pólipos quanto as neoplasias cavitárias modificam as condições fisiológicas e o microambiente nasal. Essas alterações estruturais favorecem a proliferação desordenada e oportunista da flora bacteriana residente, agravando o quadro clínico do paciente.
Fisiopatologia e Diagnóstico da Rinite Secundária
Quando a barreira de defesa nasal é rompida, o microambiente torna se altamente favorável para o desenvolvimento de uma infecção bacteriana secundária, independentemente da etiologia inicial. Essa condição é extremamente frequente na rotina clínica e ocorre porque alterações no ambiente nasal — causadas por pólipos, neoplasias, corpos estranhos ou infecções virais prévias — permitem a proliferação desordenada da flora local.
O sinal clínico característico desse quadro é a presença de secreção nasal mucopurulenta. Para o direcionamento diagnóstico, a coleta de material é tipicamente realizada por meio de swab. A partir dessa amostra, realiza se a análise citológica para visualização da população bacteriana, utilizando a coloração de Gram ou outros métodos de coloração específicos.
Tratamento Empírico das Infecções Nasais
O diagnóstico da rinite bacteriana baseia se prioritariamente no aspecto clínico, com evolução recente e exame físico sem alterações sistêmicas. Em pacientes clinicamente estáveis, é admissível realizar o diagnóstico terapêutico mediante o uso de antimicrobianos antes mesmo da confirmação por cultura.
Nessa abordagem, a seleção empírica do antibiótico deve contemplar a eficácia contra as bactérias mais comuns da microbiota nasal. Os fármacos tipicamente escolhidos incluem betalactâmicos (como a amoxicilina ), sulfonamidas e doxiciclina, com um ciclo de tratamento que costuma durar de 7 a 10 dias.
É fundamental notar que tratar apenas a infecção sem investigar a causa de base propicia a recidiva das manifestações logo após a interrupção do fármaco. A recorrência dos sinais clínicos sugere a presença de fatores subjacentes, como corpo estranho ou neoplasia, indicando a necessidade imediata de investigação complementar via rinoscopia.
Epidemiologia e Gatilhos Alérgicos
Diferente do que ocorre em humanos, a rinite alérgica é considerada uma etiologia incomum e atípica em cães e gatos. O quadro clínico se inicia quando a inalação de um alérgeno ambiental pelo paciente desencadeia uma reação inflamatória de hipersensibilidade. Na cavidade nasal, essa resposta de hipersensibilidade é descrita como sendo mediada por IgA.
Os gatilhos envolvidos na condição podem apresentar caráter sazonal ou estar vinculados a fatores não sazonais presentes no cotidiano do animal. É fundamental investigar a exposição a fumaça de cigarro, perfumes, produtos de limpeza domésticos ou até mesmo a introdução de novos objetos e tecidos no ambiente, que atuam como fontes de alérgenos.
Apresentação Clínica e Infecção Secundária
A rinite de etiologia alérgica apresenta comportamento clínico heterogêneo, podendo manifestar se de forma aguda ou crônica. Um detalhe importante para o diagnóstico diferencial é que os pacientes com rinite alérgica tipicamente apresentam boa condição geral e ausência de consequências sistêmicas relevantes.
Clinicamente, observa se espirros e secreção cerosa, que pode tornar se mucopurulenta em casos de infecção bacteriana secundária. Essa reação inflamatória na cavidade nasal favorece a proliferação bacteriana secundária, um processo que altera o aspecto da secreção de cerosa para mais viscosa e purulenta.
Diagnóstico e Controle Terapêutico
O diagnóstico da rinite alérgica é baseado em critérios clínicos. Como suporte, o swab nasal pode ser utilizado para a realização de citologia, exame que revela um infiltrado inflamatório de característica eosinofílica. Adicionalmente, a literatura médica descreve a possibilidade de realização de biópsias da mucosa nasal como ferramenta para o diagnóstico.
O manejo do problema primário alérgico foca em evitar o contato do paciente com o alérgeno. Além disso, as manifestações clínicas da rinite alérgica podem ser controladas com o uso de anti histamínicos e corticosteroides. O prognóstico da rinite alérgica é considerado bom, desde que seja viável eliminar o alérgeno do contato com o paciente.
Infecção Respiratória Superior Felina (IRSF)
Conceito e Transmissão da IRSF
A Infecção Respiratória Superior Felina (IRSF), anteriormente denominada complexo respiratório felino, é uma condição multifatorial e altamente contagiosa que envolve a coexistência de múltiplos agentes. Trata se de uma enfermidade que envolve primordialmente a via aérea anterior, afetando a saúde respiratória dos felinos de forma direta e rápida.
A transmissão ocorre pelo contato direto com secreções de gatos doentes ou portadores assintomáticos. Além disso, o ambiente é um fator crítico: fômites (utensílios, vestimentas ou brinquedos), como vasilhas de comida, roupas e recipientes de água, atuam como carreadores físicos das secreções infecciosas para felinos saudáveis.
Entre os fatores de risco importantes, destacam se a introdução de novos gatos resgatados em um ambiente doméstico, aumentando a exposição, e o comprometimento do sistema imune por neoplasias, o que reduz drasticamente a resistência do paciente à enfermidade.
Agentes Etiológicos e Manejo Clínico
Os dois principais agentes causadores da infecção respiratória superior felina são o Herpesvírus felino e o Calicivírus felino, que juntos correspondem a 80% das ocorrências. Além destes, a bactéria Chlamydophila (também referida como Mycoplasma felis ) pode atuar na síndrome. Embora existam relatos de quadros crônicos, as manifestações clínicas são tipicamente agudas.
A infecção de origem viral é uma afecção autolimitante, o que possibilita a recuperação espontânea do paciente. Por essa razão, a realização de exames confirmatórios para identificar o agente etiológico não é necessária em atendimentos individuais, visto que o resultado não altera a conduta clínica estabelecida pelo médico veterinário.
A intervenção terapêutica é essencialmente sintomática, visando evitar a desidratação, a obstrução respiratória e complicações de uma doença que é potencialmente localizada. Nesse sentido, a realização de inalação para hidratar a via aérea é uma conduta eficaz, pois reduz os sinais de obstrução e melhora significativamente a qualidade de vida do animal.
Particularidades do Calicivírus Felino
Transmissão Prolongada e Impacto Sistêmico
O calicivírus felino (FCV) apresenta particularidades epidemiológicas cruciais que demandam atenção especializada do clínico. Diferente de outros agentes respiratórios, o calicivírus felino pode ser eliminado pelo animal por períodos prolongados, que podem chegar a um ano, havendo descrição na literatura de que essa eliminação ocorre inclusive pela urina. Essa característica torna o controle ambiental desafiador, mesmo após a resolução aparente dos sinais clínicos.
Além disso, o potencial de acometimento sistêmico deste vírus ultrapassa as vias aéreas superiores. Além dos sinais respiratórios, o calicivírus felino pode levar à evolução de pneumonia intersticial viral. O vírus também é capaz de provocar poliartrite em gatos, gerando quadros de claudicação e dor articular. Portanto, diante de um gato com febre e dificuldade de locomoção, o calicivírus deve sempre ser um diferencial considerado.
Manifestações Clínicas e Lesões da IRSF
A IRSF manifesta se com sinais que variam conforme o agente envolvido, mas frequentemente apresenta um impacto sistêmico importante, diferenciando se de rinites isoladas.
- Fatores de risco: Acomete preferencialmente animais jovens pela imaturidade imunológica e gatos em ambientes estressantes ou superlotados, como abrigos.
- Suscetibilidade aumentada: Gatos imunocomprometidos ou portadores de retroviroses, como gatinhos FeLV positivos, apresentam maior predisposição à doença.
- Comprometimento sistêmico: A IRSF causa comprometimento sistêmico, incluindo febre, que frequentemente resulta em inapetência, letargia e prostração.
- Sinais oculonasais: Caracteriza se por espirros e secreção oculonasal mucopurulenta, podendo iniciar de forma serosa.
- Calicivírus (FCV): O Calicivírus possui tropismo pelas glândulas salivares, causando cialite (sialite) e consequente sialorreia, além de estomatite e glossite.
- Herpesvírus (FHV 1): O Herpesvírus pode causar inflamação da córnea, opacidade corneal e úlcera de córnea herpética.
- Impacto reprodutivo: A infecção pelo Herpesvírus em fêmeas gestantes, aborto ou morte neonatal são desfechos possíveis.
Manejo da Inapetência e Risco de Lipidose
O diagnóstico da IRSF é essencialmente clínico e baseado no histórico, sendo a identificação viral reservada para o manejo de surtos. Como o tratamento individual é sintomático e não envolve antivirais específicos, o foco deve ser o suporte: hidratação sistêmica e da via aérea (usando apenas solução fisiológica na inalação) e, crucialmente, o estímulo alimentar, pois a inapetência predispõe o gato à lipidose hepática. Se houver suspeita de Mycoplasma felis, utilize doxiciclina, já que o agente não responde a beta lactâmicos como a amoxicilina. A prevenção exige vacinas quádruplas e controle sanitário.
Afecções da Laringe
Mecanismo Fisiopatológico do Estridor Laríngeo
Na paralisia de laringe, as cartilagens aritenoides perdem a capacidade de realizar a abdução durante a inspiração. Essa falha resulta em uma restrição física e no consequente estreitamento de uma porção calibrosa da via aérea anterior. É importante notar que nem toda paralisia compromete o fluxo aéreo da mesma forma, variando em intensidade entre os pacientes.
À medida que o ar é forçado através dessa região estreitada, ocorre a vibração das estruturas adjacentes, gerando o estridor inspiratório. Por definição, esse som ruidoso caracteriza o estreitamento de uma via aérea anterior calibrosa e pode ser ouvido perfeitamente de forma direta, sem necessidade de estetoscópio.
Diferenciando se da paralisia clássica, no colapso laríngeo, a laringe inteira apresenta se reduzida em tamanho e colapsada, gerando o estreitamento da via aérea anterior e consequente dispneia inspiratória associada ao estridor.
Etiologia e Perfil dos Pacientes Acometidos
A paralisia de laringe é observada predominantemente em cães de grande porte e de idade avançada. Embora possa acometer diversos animais, essa afecção é consideravelmente menos comum em raças pequenas, a exemplo do Pinscher, Maltês e Spitz Alemão. Na grande maioria dos pacientes diagnosticados, a etiologia é classificada como idiopática, o que significa que não se consegue isolar ou identificar a causa primária exata.
Contudo, a condição também pode ser secundária a traumas neurais — envolvendo lesões diretas na região do pescoço, processos inflamatórios ou fibrose local — e à presença de neoplasias ou pólipos laringofaríngeos. Adicionalmente, a paralisia pode decorrer de afecções sistêmicas que atingem os músculos ou o sistema nervoso periférico, sendo tecnicamente classificadas como polimiopatias ou polineuropatias.
Manifestações Clínicas e Manejo da Miastenia
Os sintomas clássicos da paralisia de laringe costumam se manifestar ou agravar significativamente durante a realização de exercícios físicos ou sob condições de estresse térmico, especialmente em dias muito quentes. A obstrução impede uma troca gasosa eficiente, o que, em momentos de intensa demanda metabólica, pode levar o animal a quadros de cianose e episódios de síncope. Além disso, é muito comum observar a disfonia, caracterizada pela alteração no tom da voz ou do latido do paciente.
Quando a paralisia é secundária a doenças neuromusculares sistêmicas, como a myasthenia gravis (uma polineuropatia periférica), o foco muda. Nesses pacientes, o tratamento da paralisia laríngea é realizado por meio do manejo da própria doença de base. Isso envolve o uso de fármacos anticolinesterásicos, que atuam evitando a degradação da acetilcolina na fenda sináptica, restabelecendo assim a comunicação neuromuscular e a função respiratória.
Laringoscopia e Plano Anestésico Ideal
Para o diagnóstico definitivo da paralisia laríngea, é fundamental que o paciente esteja anestesiado, porém o sucesso do exame depende do controle rigoroso da profundidade para não mascarar os movimentos fisiológicos.
- Etapa 1: Realizar a indução anestésica mantendo o paciente sob um plano anestésico leve para evitar a paralisia artificial da laringe e preservar os reflexos primordiais.
- Etapa 2: Monitorar a profundidade, pois o plano profundo, pois ele causa a perda do reflexo de deglutição e impossibilita a análise clínica correta.
- Etapa 3: Proceder com o exame físico laringoscópico, que permite a utilização tanto de um laringoscópio direto quanto de um endoscópio para observação das estruturas.
- Etapa 4: Concluir a avaliação ao identificar a ausência de movimentação adequada das aritenoides, além de perceber o colapso laríngeo e o prolongamento do palato mole.
O Perigo Crítico da Pneumonia Aspirativa
A pneumonia aspirativa é uma complicação grave e um fator prognóstico negativo importante para pacientes com paralisia laríngea. O comprometimento do fechamento e abertura adequados das aritenoides prejudica a proteção natural da via aérea superior, o que predispõe o paciente à broncoaspiração de saliva ou conteúdo alimentar durante o ato da deglutição.
Abordagem Terapêutica Clínica e Cirúrgica
Manejo de Suporte e Intervenção Cirúrgica
O manejo clínico inicial da paralisia laríngea foca em estabilizar o paciente através de medidas de suporte, como manter o animal em repouso absoluto em um ambiente fresco e tranquilo para evitar a exacerbação dos sintomas. Para o alívio pontual da inflamação de tecidos moles e redução do edema da mucosa laríngea, o uso de corticosteroides, como a prednisolona, é fundamental como medida inespecífica. É importante destacar que os anti inflamatórios não esteroidais (AINEs) não são eficazes no tratamento desse edema específico, sendo obrigatório o uso de fármacos esteroidais.
Em situações graves ou refratárias ao tratamento conservador, a laringoplastia é a intervenção cirúrgica de escolha. Esse procedimento consiste na lateralização da cartilagem aritenoide para garantir a patência da via aérea. Contudo, essa modificação anatômica é permanente e resulta em uma abertura fixa que aumenta significativamente o risco de broncoaspiração no paciente, exigindo cautela e monitoramento no pós operatório.
Síndrome das Vias Aéreas Braquicefálicas
Fisiopatologia da Síndrome Braquicefálica
Anormalidades Anatômicas e o Círculo Vicioso de Obstrução
A síndrome das vias aéreas braquicefálicas acomete cães braquicefálicos e se caracteriza por anomalias anatômicas congênitas que comprometem a passagem do ar. As principais alterações incluem a estenose de narinas, o prolongamento do palato mole, o colapso laríngeo e a hipoplasia de traqueia.
Essas deformidades reduzem significativamente o espaço para a ventilação, o que aumenta a resistência à passagem do ar; clinicamente, o paciente manifesta se com dispneia inspiratória. Para tentar vencer essa barreira anatômica, o animal realiza um esforço inspiratório aumentado.
Esse esforço inspiratório aumentado gera edema tecidual e inflamação secundária nas regiões da faringe e laringe. Esse processo retroalimenta a obstrução de forma contínua, agravando o quadro respiratório e perpetuando o ciclo inflamatório.
Diferenciação: Hipoplasia e Colapso Traqueal
Uma distinção clínica fundamental na rotina é entender que a hipoplasia de traqueia não é sinônimo de colapso de traqueia. A hipoplasia de traqueia é uma alteração congênita em que a traqueia se apresenta com tamanho menor que o normal de forma uniforme. Por isso, se observarmos sintomas obstrutivos em cães muito jovens, a probabilidade de estarmos diante de uma hipoplasia traqueal é significativamente maior.
Por outro lado, o colapso de traqueia é uma afecção de caráter degenerativo, progressivo e incurável. Nesse processo, a cartilagem traqueal perde sua matriz, o que altera a geometria dos anéis e estira o músculo traqueal dorsal. Embora possuam origens distintas, tanto o colapso quanto a hipoplasia de traqueia limitam o espaço disponível para a passagem do ar, comprometendo o fluxo pulmonar.
Manifestações Clínicas e Avaliação Diagnóstica
Embora a conformação anatômica seja um fator predisponente, existe muita heterogeneidade clínica entre os pacientes; por isso, nem todos os animais braquicefálicos apresentam manifestações clínicas da síndrome. É vital lembrar que o cão depende da hiperventilação como mecanismo essencial de termorregulação para o controle da temperatura corporal, o que explica a sensibilidade desses pacientes ao calor.
Na avaliação diagnóstica, a estenose das narinas externas destaca se como a única alteração física da síndrome que é visível externamente, sendo facilmente identificada por meio de inspeção física ou ectoscopia. Para investigar as anomalias internas, utiliza se o exame radiográfico para medir o diâmetro traqueal com precisão. Adicionalmente, caso seja realizada uma laringoscopia com fibroscópio ou endoscópio, o veterinário consegue alcançar a traqueia e identificar visualmente uma traqueia hipoplásica.
Manejo Clínico do Paciente com Colapso
No manejo clínico do paciente com colapso de traqueia, é vital mitigar fatores que elevam a demanda respiratória, como situações de estresse, excesso de exercícios e exposição ao calor. Além disso, a redução de peso em pacientes obesos é fundamental, uma vez que o excesso de gordura intratorácica gera uma compressão mecânica que dificulta significativamente a passagem do ar pelas vias aéreas.
Intervenções Cirúrgicas e Prognóstico
O prognóstico da Síndrome das Vias Aéreas Braquicefálicas está diretamente ligado à gravidade das anormalidades anatômicas presentes no paciente. A resolução definitiva requer correções cirúrgicas que visam ampliar o espaço físico para a passagem do ar, permitindo ampliar as narinas externas na estenose e reduzir o palato mole excessivo. O prognóstico é favorável quando há possibilidade de correção dos defeitos, como no caso do prolongamento de palato, que é perfeitamente passível de intervenção cirúrgica.
Entretanto, o colapso laríngeo e a hipoplasia de traqueia não são passíveis de correção cirúrgica. Por essa razão, pacientes acometidos por hipoplasia de traqueia apresentam um prognóstico ruim, visto que a impossibilidade de intervenção cirúrgica impede a melhora estrutural das vias aéreas inferiores.
Colapso de Traqueia
Fisiopatologia e Anatomia do Colapso Traqueal
O colapso de traqueia é uma doença degenerativa, progressiva e de caráter potencialmente genético que afeta a matriz cartilaginosa dos anéis traqueais. Essa patologia é mais comum em cães de raças pequenas e de meia idade, sendo um achado incomum em animais muito jovens.
Anatomicamente, a traqueia é estruturada como um tubo composto por anéis cartilaginosos semicirculares. Em um paciente saudável, ela exibe um diâmetro uniforme e com variação mínima ao longo de toda a sua extensão. É importante lembrar que esses anéis são incompletos, sendo fechados na porção dorsal pelo músculo traqueal dorsal.
A perda progressiva de matriz orgânica nos anéis traqueais altera a geometria dessas estruturas, promovendo o seu achatamento. Essa alteração física tensiona o músculo traqueal, deixando o excessivamente estirado e projetado (colapsado) para dentro do lúmen traqueal, o que obstrui a passagem do ar.
Classificação Anatômica e Sinais Respiratórios
A traqueia é dividida em porção cervical e porção torácica, tendo como marco divisório a entrada do tórax. Essa classificação é fundamental, pois o colapso traqueal pode ser classificado em cervical, torácico ou bronquial, podendo o processo degenerativo acometer essas regiões isoladamente ou em conjunto.
O diagnóstico de colapso cervical é sugerido por um estreitamento acentuado na entrada do tórax, enquanto o colapso torácico é definido por um estreitamento localizado internamente à cavidade torácica. Além da traqueia, os brônquios principais também podem sofrer colapso, fenômeno denominado colapso bronquial.
A localização do colapso dita a fase da respiração em que haverá maior resistência à passagem do ar. No colapso cervical, a maior dificuldade ocorre na inspiração, resultando em dispneia inspiratória e possível estridor. Já no colapso torácico, a dificuldade ocorre na expiração, gerando dispneia expiratória sem estridor.
Classificação em Graus e Prognóstico
A gravidade do colapso traqueal é estadiada em quatro níveis distintos, baseando se na porcentagem de obstrução do lúmen e na integridade estrutural dos anéis traqueais.
| Grau | Redução do Lúmen | Achados Anatômicos |
|---|---|---|
| Grau I | Até 25% | Anel cartilaginoso com formato bem circular. |
| Grau II | 25% a 50% | Anel traqueal retificado; músculo estirado e penduloso. |
| Grau III | Aproximadamente 75% | Anel quase plano (totalmente retificado); músculo estirado. |
| Grau IV | Obliteração total | Contato contínuo do músculo traqueal com a mucosa e a parede interna. |
O colapso traqueal apresenta bom prognóstico por ser uma condição de evolução lenta, clinicamente manejável e que normalmente não causa repercussão sistêmica.
Apresentação Clínica do Colapso de Traqueia
A redução do diâmetro traqueal manifesta se clinicamente por uma tosse seca típica, extremamente ruidosa e alta, frequentemente descrita como "grasnar de ganso". Esse quadro costuma ser não produtivo e sem a expulsão de secreções, sendo tipicamente exacerbado por fatores como exercício físico, calor, medo ou euforia. Na maioria das vezes, o paciente não apresenta sintomas sistêmicos relevantes além do quadro respiratório localizado.
Contudo, o aumento da resistência à passagem do ar pode inflamar a mucosa, gerando uma traqueíte concomitante que permite a expulsão ocasional de secreção. Em casos mais graves ou durante atividades físicas, podem ocorrer episódios de síncope ou desmaio. É importante notar que o edema pulmonar cardiogênico, proveniente de insuficiência cardíaca congestiva esquerda, funciona como um fator complicador que agrava o quadro clínico do colapso.
Desafios do Diagnóstico Radiográfico Traqueal
Embora a radiografia possibilite o diagnóstico do colapso de traqueia, ela apresenta baixa sensibilidade, o que pode resultar em laudos falso negativos. Devido a essa limitação, a radiografia simples não é um método adequado para realizar o estadiamento clínico da afecção, devendo o exame abranger, obrigatoriamente, as regiões cervical e torácica.
Para minimizar erros, a avaliação exige imagens em duas fases distintas: a inspiratória, necessária para visualizar o colapso cervical (que gera obstrução na entrada do ar), e a expiratória, essencial para o colapso torácico (que gera obstrução na saída do ar). A realização de imagens em ambas as fases respiratórias é fundamental para prevenir resultados falsos negativos, sendo que a aplicação de compressão traqueal durante o exame pode aumentar a sensibilidade diagnóstica.
Por fim, a visualização do lúmen traqueal obliterado na incidência tangencial ( skyline ) é considerada um indicativo positivo para o colapso de traqueia. Contudo, essa incidência específica é pouco consensual entre os radiologistas, dada a alta variabilidade e inconsistência no posicionamento do paciente durante a execução da técnica.
Exame Físico e Estadiamento Endoscópico
Manobras Clínicas e Padrão Ouro
Durante o exame clínico, a realização de uma leve massagem ou compressão na região traqueal cervical é suficiente para estimular e desencadear o reflexo de tosse característico. No entanto, o clínico não deve pressionar a traqueia com força excessiva para evitar induzir tosse em animais saudáveis. Em traqueias colapsadas, a compressão manual de baixo para cima causa a elevação do anel e a descida do músculo traqueal, intensificando a obstrução momentânea.
Para o diagnóstico definitivo e o estadiamento preciso, os métodos de escolha são a tomografia computadorizada ou exames endoscópicos. A broncoscopia é considerada uma das melhores opções, permitindo a visualização direta através da introdução de um fibroscópio pela boca, passando por faringe e laringe até a traqueia. Este método apresenta 100% de sensibilidade no reconhecimento do colapso, embora tenha como desvantagens o custo elevado, a necessidade de anestesia geral e a menor disponibilidade quando comparada à radiografia.
Limitações e Manejo do Tratamento Clínico
O manejo do paciente com colapso de traqueia é focado em medidas paliativas e de suporte, uma vez que o tratamento clínico não interrompe a progressão da doença.
- Manejo Físico: Deve se evitar o uso de coleiras cervicais, substituindo as por peitorais para reduzir a irritação traqueal.
- Terapias Farmacológicas: Não existem evidências de tratamentos que consigam reverter a degeneração traqueal já estabelecida.
- Supressores de Tosse: São utilizados para amenizar os sintomas clínicos, mas não alteram o curso progressivo da doença.
- Broncodilatadores: Não são indicados para esta afecção, pois ela não envolve um processo de bronconstrição primária.
- Condroprotetores: O sulfato de condroitina não possui eficácia cientificamente comprovada para regenerar a matriz cartilaginosa perdida.
Intervenção Cirúrgica com Stent Intraluminal
Pacientes intensamente sintomáticos com colapso severo ( Graus III e IV ) e perda de qualidade de vida podem se beneficiar de abordagens cirúrgicas. O implante de stent intraluminal é a opção atual com melhor resultado para manter a patência da via aérea. Essa intervenção é reconhecidamente eficaz para aliviar os sintomas de forma aguda, amenizando significativamente a obstrução e a tosse, embora seu benefício a longo prazo ainda seja debatido na literatura.
Atualmente, preconiza se o uso de stents longos para evitar a migração do dispositivo no lúmen traqueal. No passado, os stents eram menores e implantados apenas no local focal do colapso; contudo, esses modelos curtos podiam se deslocar, resultando no retorno do colapso e dos sinais clínicos no paciente.
Complexo Respiratório Infeccioso Canino
Etiologia e prevenção da doença
O complexo respiratório infeccioso canino é a denominação atual da enfermidade historicamente conhecida na literatura como tosse dos canis. Trata se de uma síndrome aguda e altamente contagiosa, cujos principais agentes causadores são representados por dois vírus e uma bactéria: o adenovírus canino tipo 1, o vírus da parainfluenza e a bactéria Bordetella bronchiseptica. O complexo respiratório infeccioso canino é uma doença multifatorial na qual diversos agentes patogênicos podem estar envolvidos sem a necessidade de estarem todos presentes no mesmo animal.
Algo frequentemente cobrado em provas é a composição vacinal para prevenir essa síndrome, contemplando esses agentes, destacando se que o adenovírus canino tipo 2 e o vírus da parainfluenza são antígenos presentes nas vacinas caninas polivalentes, como a V8 e a V10. Todos os principais agentes infecciosos causadores da síndrome podem ser prevenidos por meio de vacinação.
Contágio e manifestação da tosse
O contágio do complexo respiratório infeccioso canino está diretamente ligado a fatores de risco ambientais, como passeios, visitas a locais de aglomeração (hotéis, pet shops) ou contato próximo com animais de rua e domiciliados. Após essa exposição, o período de incubação é curto, com os sintomas surgindo de 3 a 5 dias após a exposição ao agente patogênico.
Clinicamente, embora a traqueia e os brônquios sejam afetados, a condição se manifesta como uma doença de via aérea anterior. O paciente apresenta uma tosse ruidosa, que transita de seca para produtiva em 24 a 48 horas. É fundamental observar que, na apresentação típica, o animal não apresenta sinais sistêmicos, mantendo seu estado geral preservado apesar da intensidade da tosse.
Evolução clínica e complicações graves
Na maioria das vezes, o complexo respiratório infeccioso canino apresenta manifestações clínicas autolimitantes, as quais tendem a evoluir de forma positiva mesmo sem intervenção médica direta. Um ponto clínico fundamental é que os pacientes acometidos geralmente não apresentam febre; a manifestação de hipertermia ocorre, via de regra, apenas nos casos que progridem para um quadro de broncopneumonia.
O desenvolvimento de uma pneumonia bacteriana secundária é uma complicação que atinge especialmente pacientes com fatores de risco adicionais. Entre os mais vulneráveis estão os filhotes — particularmente aqueles que não receberam imunização passiva pelo colostro — e os cães imunocomprometidos, que possuem maior risco de complicações infecciosas graves.
Adicionalmente, deve se manter atenção redobrada em cães que já possuem comorbidades respiratórias predisponentes. Nesses animais, o complexo respiratório pode evoluir para um quadro de pneumonia grave, exigindo suporte clínico intensivo para evitar o agravamento do prognóstico.
Abordagem Diagnóstica do Complexo Respiratório
O diagnóstico do complexo respiratório infeccioso canino baseia se prioritariamente na anamnese, com foco no histórico epidemiológico, e nos sinais clínicos apresentados pelo paciente. Em casos não complicados, exames complementares de rotina, como o hemograma e a radiografia de tórax, costumam apresentar resultados normais.
O lavado broncoalveolar é o exame complementar mais indicado para o complexo respiratório infeccioso canino, mas não é realizado na rotina de casos sem grandes comprometimentos por ser um procedimento invasivo que necessita de anestesia.
O prognóstico é excelente por se tratar de uma doença autolimitante, apresentando recuperação espontânea em poucos dias, muitas vezes mesmo sem tratamento específico.
Manejo Terapêutico e Medidas Preventivas
Foco no Conforto e Controle Bacteriano
Como os dois principais agentes do complexo são virais, não há um tratamento farmacológico específico voltado para esses patógenos. Por esse motivo, o tratamento instituído para o complexo respiratório infeccioso canino serve principalmente para atenuar o desconforto físico do paciente. Quando há o envolvimento da bactéria Bordetella bronchiseptica, os cães se beneficiam do uso de terapia antibiótica. A doxiciclina é o antibiótico de escolha no tratamento do complexo, embora antibióticos betalactâmicos e quinolonas também apresentem eficácia. Um ponto fundamental é que a terapia antibiótica deve ser mantida por uma semana após o controle completo dos sinais clínicos apresentados pelo paciente.
Além das medicações, a hidratação da via aérea é uma conduta importante no manejo do paciente. O uso de anti inflamatório esteroidal por dois a três dias não possui ampla evidência científica de benefício, mas pode atenuar o reflexo tussígeno e diminuir as crises de tosse em alguns pacientes específicos. No campo preventivo, a imunização contra a Bordetella bronchiseptica pode ser realizada de forma separada das vacinas polivalentes, permitindo um protocolo mais direcionado.
Doença Bronquial Crônica em Cães
Definição e Etiologia da Bronquite Canina
A Progressão Silenciosa da Inflamação Bronquial
A bronquite crônica em cães caracteriza se pela inflamação de longo prazo das vias aéreas, o que resulta em lesões irreversíveis, sendo mais comum em raças menores e cães de meia idade. Trata se de uma enfermidade crônica que se desenvolve de forma lenta antes de desencadear consequências clínicas.
A etiologia da bronquite crônica em cães é variável; no início da doença, o infiltrado inflamatório pode ser provocado por processos infecciosos, alérgicos ou irritativos. Dentre esses fatores, destaca se a inalação de substâncias como hidrocarbonetos aromáticos provenientes da exposição passiva ao cigarro, que atuam como irritantes capazes de causar danos crônicos à via aérea. A exposição contínua a esses fatores desencadeantes faz com que a inflamação bronquial evolua para a fase crônica, desencadeando alterações irreversíveis no sistema respiratório.
Alterações Histopatológicas e Fibrose Brônquica
A fase crônica da doença bronquial é caracterizada por mais de 3 meses de exposição e pela presença de componentes irreversíveis, representados pela ocorrência de fibrose da parede bronquial. Importante notar que a fibrose gerada na via aérea pela bronquite crônica resulta em lesões de caráter irreversível.
Essa cronicidade do processo inflamatório resulta na substituição do tecido funcional por fibrose (mencionada como hidrose) e por cicatriz, o que caracteriza definitivamente a fase irreversível da enfermidade. Fisiopatologicamente, esse processo de remodelação é o que consolida a perda de função pulmonar.
Vale ressaltar que a doença bronquial obstrutiva afeta especificamente as vias aéreas de pequeno calibre e porções mais terminais, e não a traqueia, o brônquio principal ou a faringe. Essa localização explica por que as estruturas proximais de condução permanecem preservadas enquanto a periferia sofre danos graves.
Fisiopatologia da Obstrução e Produção de Muco
No plano fisiopatológico, a cronicidade da doença cursa com alterações celulares marcantes, onde a hiperplasia do epitélio e de glândulas brônquicas resulta na produção exagerada de muco, o qual é eliminado de maneira menos eficiente pelas vias aéreas.
Assim, a obstrução da via aérea está associada tanto ao remodelamento brônquico quanto à produção e não eliminação de muco. Esse componente obstrutivo respiratório compromete significativamente o fluxo aéreo, afetando principalmente a via aérea posterior.
Manifestações Clínicas e Dinâmica da Dispneia
A tosse é a principal manifestação clínica da doença bronquial em cães e gatos, sendo originada pela estimulação de receptores localizados nas paredes internas das vias aéreas. Essa manifestação evolui de forma progressiva ao longo de meses ou anos, tornando se persistente e acompanhada de intolerância ao exercício e dispneia. Em cães, embora a tosse seja tipicamente produtiva — com presença de muco, expectoração e crepitação à ausculta —, ela pode, ocasionalmente, manifestar se como uma tosse seca ou improdutiva.
O estreitamento crônico das vias aéreas dificulta a passagem do ar, gerando quadros de dispneia. Tanto em cães quanto em gatos, a dispneia assume um caráter predominantemente expiratório, pois o paciente depende do recolhimento elástico do pulmão para vencer a resistência das pequenas vias aéreas obstruídas. Cabe destacar que a dispneia associada à asma e bronquite em felinos é tipicamente do tipo expiratório.
Hiperinsuflação Alveolar e Complicações Secundárias
Quando ocorre a obstrução contínua das pequenas vias aéreas, o esvaziamento pulmonar adequado é prejudicado, fazendo com que o paciente acumule ar e desenvolva hiperinsuflação pulmonar. O aumento da pressão intra alveolar pode destruir progressivamente as paredes dos alvéolos, o que reduz a área disponível para a troca gasosa e leva à formação de macroalvéolos na periferia pulmonar.
Esses macroalvéolos funcionam como reservatórios de secreção e muco, aumentando o risco de infecções respiratórias secundárias. Além disso, a própria presença de doença bronquial já predispõe o paciente ao desenvolvimento de quadros infecciosos, agravando o prognóstico respiratório.
Por fim, é importante notar que a ocorrência de qualquer doença bronquial concomitante — seja ela de origem infecciosa ou não — atua exacerbando os sinais clínicos de um eventual colapso de traqueia preexistente no animal.
Ausculta e Sinais Clínicos na Bronquite
No exame físico do paciente com afecção bronquial, a ausculta revela a presença de ruídos adventícios, especificamente crepitação e sibilo. O exame físico revela ruídos adventícios, principalmente sibilos e crepitações que variam conforme a quantidade de secreção e a ineficiência de sua eliminação na via aérea.
Os sibilos, conhecidos popularmente como chiados, ocorrem devido ao estreitamento das pequenas vias aéreas pela passagem do ar. Além disso, nota se que os sons pulmonares normais, como o murmúrio vesicular, apresentam se frequentemente aumentados ou exacerbados na doença bronquial crônica.
Achados Radiográficos e Tomográficos do Tórax
A radiografia de tórax apresenta baixa sensibilidade diagnóstica para a doença bronquial crônica, especialmente em gatos, podendo comumente apresentar se normal. É fundamental compreender que um exame radiográfico sem alterações não descarta a doença, configurando um falso negativo. Quando visíveis, os achados incluem os padrões broncointersticial, bronquiectasias ou o padrão bronquial clássico.
No padrão bronquial, o espessamento das paredes gera imagens características. No corte transversal, observamos donuts (ou pequenas bolinhas), enquanto no corte longitudinal surgem as linhas de trem (ou trilhos). Essas imagens refletem diretamente o espessamento das paredes brônquicas.
Devido às limitações radiográficas, a tomografia computadorizada (TC) destaca se como o melhor método diagnóstico complementar para identificar alterações bronquiais, inclusive em fases iniciais. A TC é o método de escolha na suspeita de doenças respiratórias intratorácicas em felinos.
Lavado Broncoalveolar na Identificação Etiológica
Ressalta se que a realização do lavado broncoalveolar requer a anestesia do paciente. O lavado broncoalveolar (LBA) é um procedimento complementar fundamental para caracterizar a etiologia da doença e direcionar a terapia; nele, a presença predominante de polimorfonucleares (neutrófilos) sugere etiologia bacteriana ou irritantes, enquanto a identificação de uma quantidade predominante de eosinófilos indica etiologia alérgica. Em infecções bacterianas das vias aéreas, normalmente se observa neutrófilos e neutrófilos fagocitando bactérias.
A principal desvantagem do lavado broncoalveolar é a necessidade de anestesiar e intubar o paciente para realizar o procedimento. O LBA também permite a realização de cultura e antibiograma em caso de suspeita bacteriana, o que possibilita direcionar a antibioticoterapia e garantir o uso racional de antimicrobianos. Quando a inflamação compromete o pulmão por inteiro, pode se realizar o lavado broncoalveolar não broncoscópico.
Fatores de Exacerbação e Prognóstico
O diagnóstico de bronquite crônica em cães indica uma enfermidade que não tem cura, por ser de natureza degenerativa e fibrótica. Apesar dessa característica irreversível, a afecção apresenta um bom prognóstico quando o foco é o manejo farmacológico e o controle rigoroso dos sinais clínicos para manter a estabilidade do paciente.
Para garantir esse controle, é fundamental mitigar gatilhos específicos. No histórico desses pacientes, a exposição a alérgenos e quadros infecciosos recentes são frequentemente relatados como desencadeadores de crises. Além disso, a obesidade, o estresse e a alta demanda ventilatória são fatores conhecidos que causam exacerbação da doença bronquial tanto em cães quanto em gatos.
Durante a fase instável da doença, os exercícios intensos devem ser rigorosamente evitados, pois o sistema respiratório comprometido não suporta o esforço adicional, o que pode agravar rapidamente o quadro clínico.
Terapia Inalatória e Hidratação das Vias
A medida mais eficaz para eliminar a secreção das vias aéreas é manter a via aérea hidratada. Para isso, a conduta recomendada é a nebulização do paciente utilizando apenas solução fisiológica, devendo se evitar o uso de substâncias mucolíticas.
Quanto à terapia medicamentosa, o uso de glicocorticoides é altamente benéfico quando a etiologia é alérgica. A fluticasona destaca se como um corticosteroide de ação tópica que, por meio de inalação, garante o controle local com mínimos efeitos sistêmicos.
No manejo do broncoespasmo, os broncodilatadores de curta duração — conhecidos pela sigla SABA ( short acting broncodilator agent ) — provocam broncodilatação imediata e possuem a vantagem de não apresentar efeitos adversos graves. Em casos de pacientes muito sintomáticos, são indicados os agentes de longa duração ( LABA ), como o formoterol.
Critérios e Duração da Antibioticoterapia
A antibioticoterapia na doença bronquial deve ser criteriosa, pois evidências clínicas como febre ou secreção mucopurulenta justificam o início da antibioticoterapia. Para garantir a eficácia clínica, o tratamento deve ser mantido por mais de uma semana após o sumiço dos sintomas do paciente, resultando em um ciclo de cerca de duas semanas no total.
Doença Bronquial em Gatos
Os Quatro Estágios da Doença
A doença bronquial em felinos é classicamente dividida em quatro cenários clínicos que abrangem fases reversíveis e irreversíveis: asma, bronquite aguda, bronquite crônica e enfisema. Contudo, nem todos os pacientes com afecção bronquial necessariamente evoluem por todas as fases clínicas descritas. Além disso, a inflamação pode originar se de alérgenos inalados ou de infecções bacterianas.
- Asma: Representa a primeira fase, caracterizada pela ocorrência de broncoespasmo resultante da hipertrofia da camada muscular média brônquica.
- Bronquite Aguda: Fase subsequente que apresenta um padrão inflamatório diferente da asma, com inflamação reversível de curta duração (poucos meses).
- Bronquite Crônica: Estágio clínico que se torna irreversível, frequentemente associado a processos de fibrose.
- Enfisema: Fase caracterizada pela destruição de paredes alveolares e hiperinsuflação pulmonar.
Fisiopatologia e Diagnóstico da Asma
A asma felina é fundamentalmente uma reação de hipersensibilidade imediata (tipo I) do próprio organismo frente a alérgenos inalados ou agentes infecciosos. Esse processo desencadeia a liberação local de histamina, o mediador central responsável por induzir os episódios de broncoespasmo.
Caracterizada por uma obstrução reversível das vias aéreas, a asma envolve hipersecreção de muco e uma marcante inflamação. No diagnóstico, o lavado broncoalveolar revela um infiltrado predominantemente composto por eosinófilos, achado que confirma a etiologia alérgica do quadro.
Clinicamente, os sintomas costumam surgir em fases precoces da vida do paciente. Por isso, é raro que um gato com 8 anos de idade apresente um quadro de asma clínica pela primeira vez na vida.
Complicações Crônicas e Enfisema
Evolução Crônica e Alterações Estruturais Irreversíveis
Diferente da asma aguda, as fases crônicas e irreversíveis exigem tempo para consolidar alterações estruturais. Dessa forma, não é comum observar bronquite crônica em gatos de 2 anos de idade, devido ao tempo necessário para a evolução da patologia; por outro lado, um gato de 8 anos de idade pode apresentar a condição como uma evolução natural de agressões prévias ao sistema respiratório.
O enfisema pulmonar surge como uma complicação grave, caracterizada por dilatações dos espaços aéreos periféricos resultantes do aumento da pressão na periferia da via aérea. Nesse processo, o pulmão retém mais ar do que o adequado (aprisionamento), estabelecendo um estado de hiperinsuflação pulmonar crônica. Essa pressão contínua destrói as paredes alveolares, o que reduz drasticamente a área de troca gasosa e compromete severamente a hematose.
Além do déficit respiratório, as saculações formadas retêm secreções brônquicas, tornando o paciente altamente suscetível a infecções respiratórias recorrentes. Tais condições irreversíveis na arquitetura pulmonar pioram drasticamente o quadro clínico e aumentam a frequência de exacerbações.
Manifestações Clínicas e Crise Asmática
Diferente dos cães, a manifestação clínica central da afecção bronquial em gatos é a tosse tipicamente produtiva, que frequentemente mimetiza um engasgo ou uma tentativa de vômito. Na vigência de uma crise asmática, o paciente pode exibir dispneia expiratória severa e sibilos, adotando inclusive um padrão de respiração de boca aberta em repouso.
Um ponto de atenção para o diagnóstico é que esses broncoespasmos ocorrem de forma intermitente, permitindo períodos com fluxo de ar completamente normal. Consequentemente, a auscultação pulmonar pode ser totalmente fisiológica e normal se realizada fora do momento exato da crise espasmódica.
Desafios Diagnósticos e Avaliação por Imagem
Na avaliação por imagem de gatos com suspeita de doença bronquial, o exame radiográfico apresenta limitações importantes: sua sensibilidade é baixa e a respiração rápida do paciente pode gerar artefatos de movimentação que prejudicam a nitidez. Por isso, a ausência de alterações radiográficas não exclui a enfermidade. Em contrapartida, a tomografia computadorizada oferece uma visualização superior, permitindo identificar o padrão de vidro fosco, que indica a presença de infiltrados no interstício pulmonar.
Para o diagnóstico definitivo e a diferenciação etiológica, o lavado broncoalveolar (LBA) é o método essencial. Enquanto quadros puramente alérgicos mantêm um perfil específico, a constatação de um infiltrado inflamatório agudo com predominância de neutrófilos (neutróster) e macrófagos sugere o envolvimento de agentes infecciosos ou fatores irritantes, permitindo separar a asma primária de processos secundários ou complicados.
Parasitoses Pulmonares e a Síndrome HARD
Diferenciais Parasitários na Doença Bronquial
Após a etapa subsequente à fase de asma, ocorre uma ampliação de agentes etiológicos potenciais, englobando infecções virais, bacterianas (incluindo o Micoplasma ) e agentes parasitários. Entre os mais conhecidos nos gatos estão a Capillaria aerophila e o Aelurostrongylus abstrusus, que podem funcionar como antígenos e provocar reações bronquiais e pulmonares intensas.
Nesse contexto, a síndrome HARD em felinos é caracterizada como um tipo de pneumonia parasitária cuja causa é a infecção pela Dirofilaria. A Dirofilariose no gato normalmente cursa com um ciclo biológico abortivo, o qual impede que o parasito atinja a forma adulta. Contudo, esse processo permite que as formas pré adultas realizem um ciclo pulmonar que desencadeia a síndrome, tornando a HARD uma causa relevante de processo inflamatório bronquial em gatos.
Suporte Emergencial e Técnicas de Inalação
Nas crises respiratórias agudas, o suporte imediato requer oxigenioterapia. Como os felinos raramente toleram o cateter nasal, essa terapia deve ser realizada de forma menos invasiva, utilizando máscaras ou gaiolas de oxigênio. Para o alívio rápido do broncoespasmo, o salbutamol atua como um broncodilatador de ação curta (SABA), sendo administrado via bombinha inalatória para reverter a constrição das vias aéreas.
O controle das crises também envolve o uso de corticosteroides, sendo a fluticasona o corticoide inalado de escolha. Para garantir que o paciente aproveite o medicamento, a administração por bombinha deve ser obrigatoriamente realizada com um espaçador. Vale notar que o espaçador pediátrico de uso humano possui o mesmo funcionamento do modelo específico para felinos. Após a aplicação do spray no dispositivo acoplado, deve se aguardar que o animal complete 10 ciclos respiratórios para assegurar a inalação efetiva.
Corticoterapia na Asma: Sistêmica versus Inalatória
Historicamente, o manejo da asma felina envolvia o uso de prednisolona oral até o controle total dos sinais clínicos, com redução posterior para a menor dose efetiva. Atualmente, a preferência clínica absoluta é a administração de fluticasona via bombinha inalatória em detrimento do corticoide sistêmico. Considera se que a melhor estratégia terapêutica seja o uso do medicamento tópico, embora a literatura ainda cite o uso sistêmico de hidrocortisona e do broncodilatador aminofilina.
O uso sistêmico de corticosteroides deve ser evitado a longo prazo devido aos efeitos catabólicos sistêmicos, que incluem imunossupressão, perda de massa magra e alterações hepáticas. Diferentemente dessa via, o tratamento contínuo por via tópica inalatória atua especificamente na via aérea e tende a não acarretar essas consequências sistêmicas indesejadas.
No tratamento de manutenção da doença bronquial felina, a resposta clínica varia: alguns pacientes respondem bem apenas ao uso de corticoide inalado, enquanto outros necessitam também do uso associado de um broncodilatador para o controle efetivo do quadro.
Análise Celular, Antibioticoterapia e Prognóstico
O tratamento com antibiótico está indicado caso haja evidência de infecção bacteriana. A análise citológica orienta a conduta, pois pacientes felinos com predomínio de eosinófilos no lavado broncoalveolar tendem a se beneficiar de corticosteroides inalados, enquanto aqueles com predomínio de neutrófilos podem se beneficiar de antibióticos.
Se houver componente bacteriano, na ausência de cultura e antibiograma, a doxiciclina é o antibiótico de escolha para o tratamento. O prognóstico é favorável para o controle dos sinais, embora a cura seja improvável devido à natureza intrínseca da resposta de hipersensibilidade característica da asma.
Pneumonias
Definições Básicas e Classificações da Pneumonia
A pneumonia é caracterizada como uma afecção inflamatória que acomete o parênquima e o interstício pulmonar. Didaticamente, a pneumonia pode ser desencadeada tanto por causas infecciosas quanto por causas não infecciosas. De modo semelhante, a doença intersticial pulmonar caracteriza se por um processo inflamatório, de caráter infeccioso ou não, do interstício pulmonar.
Do ponto de vista morfológico, as pneumonias podem ser classificadas em focais, quando estão restritas a uma única região do pulmão, ou lobares, que atingem a totalidade de um lobo pulmonar. Já a broncopneumonia caracteriza se pela extensão do processo inflamatório e infeccioso que se propaga seguindo o trajeto da via brônquica.
Etiologia Infecciosa Bacteriana e Viral
A maior parte das pneumonias infecciosas é de origem bacteriana. Quando essas infecções ocorrem e são adquiridas fora do ambiente clínico hospitalar, elas são denominadas pneumonias comunitárias. Em cães, os agentes com as maiores taxas de prevalência nessas condições são a Bordetella bronchiseptica (por vezes citada como bordetela proxética ) e o Mycoplasma, que é classificado como um microrganismo bacteriano intracelular.
No âmbito viral, o adenovírus canino tipo 2 pode provocar pneumonia viral em cães, ao passo que a calicivirose felina é um exemplo de infecção viral que pode progredir para um quadro grave de broncopneumonia em gatos.
Causas Não Infecciosas e Infecções Fúngicas
Além das infecções comuns, a pneumonia pode surgir por causas não infecciosas. A pneumonia aspirativa ocorre primariamente pela broncoaspiração de alimentos, líquidos ou corpos estranhos, evoluindo secundariamente para uma infecção bacteriana. Já a pneumonia irritativa é desencadeada pela inalação de substâncias irritantes, como o monóxido de carbono. Vale ressaltar que o abscesso pulmonar é uma complicação importante no curso dessa enfermidade.
Em relação aos fungos, patógenos sistêmicos profundos como Aspergillus, Paracoccidioides e Cryptococcus podem induzir afecções pulmonares graves, frequentemente relacionadas a quadros de imunossupressão. Deve se diferenciar esses agentes dos dermatófitos, que são fungos queratinofílicos restritos ao desenvolvimento na pele, pelos e unhas, sem acometer tecidos profundos.
Apresentação Clínica e Achados Radiográficos
Diferente das afecções de vias aéreas superiores, a pneumonia em cães costuma apresentar manifestações clínicas sistêmicas marcantes, como febre, inapetência, letargia e intolerância ao exercício, associadas a tosse, secreção nasal, dispneia e creptação à auscultação. O diagnóstico baseia se na avaliação integrada desses sinais clínicos e sistêmicos com os achados do exame físico. Vale notar que a pneumonia lobar gera repercussões sistêmicas e complicações mais severas comparado à pneumonia focal, e o paciente dispneico frequentemente apresenta aerofagia, causando distensão gasosa do estômago.
No hemograma de um paciente com pneumonia bacteriana típica, o achado característico é a leucocitose neutrofílica com desvio à esquerda, embora esse quadro possa não estar presente em todos os casos. Na avaliação por imagem, o padrão radiográfico mais típico é o alveolar, decorrente de áreas consolidadas, o que gera aumento da radiopacidade e visualização de broncogramas aéreos. Embora possam ocorrer padrões intersticiais ou bronquiais (comuns em afecções pré existentes), a radiografia de tórax apresenta maior precisão para diagnosticar a pneumonia do que para identificar doenças bronquiais.
Tomografia Computadorizada e Lavado Broncoalveolar
A tomografia computadorizada destaca se como o método de imagem preferencial para afecções torácicas devido à sua superior sensibilidade e especificidade. A tomografia é recomendada para maior precisão diagnóstica, embora, ao contrário da radiografia convencional, exija anestesia geral. Na tomografia computadorizada, o pulmão normal apresenta coloração escura devido à presença de ar em seu interior.
Para investigações intervencionistas, para sua execução, a realização de uma broncoscopia exige auscultação prévia do paciente ou exames de imagem para identificar o local do comprometimento pulmonar. Uma vez em curso, o LBA broncoscópico é a ferramenta diagnóstica de escolha em casos que não respondem à terapia inicial, permitindo a identificação exata do agente e seu perfil de sensibilidade, pois permite direcionar a sonda especificamente para a região pulmonar acometida.
Caso um paciente canino com pneumonia não apresente melhora clínica após uma semana de terapia com doxiciclina, a conduta indicada é realizar o lavado broncoalveolar para cultura e antibiograma, assegurando que a escolha do segundo antimicrobiano seja baseada em dados técnicos e não em uma nova tentativa empírica.
Protocolos de Antibioticoterapia para Pneumonia
A doxiciclina é consolidada como a primeira escolha para o tratamento empírico de pneumonias comunitárias caninas, apresentando alta eficácia contra agentes como Bordetella e Mycoplasma. Por apresentar essa maior probabilidade de eficácia, ela deve ser a alternativa selecionada em provas de avaliação acadêmica sobre o manejo empírico inicial. Contudo, a doxiclina não possui eficácia contra Streptococcus ou Staphylococcus; nessas situações, é indicado o uso de betalactâmicos como a amoxicilina.
Em quadros de internação hospitalar ou maior gravidade, os esquemas terapêuticos descritos incluem o uso de amoxicilina com clavulanato, carbapenêmicos ou piperacilina com tazobactam. É fundamental observar que a duração do tratamento com antibiótico para infecção respiratória na doença bronqueal é alterada quando o quadro clínico é de pneumonia: o tratamento deve ser estendido por uma semana além da resolução clínica total dos sintomas do paciente.
Fisioterapia e Técnicas de Suporte Respiratório
Otimizando a Recuperação do Paciente
No manejo da pneumonia, a hidratação sistêmica e a hidratação das vias aéreas são pilares essenciais. A inalação ou nebulização deve ser realizada obrigatoriamente apenas com solução fisiológica, auxiliando na umidificação do trato respiratório para facilitar a expulsão de exsudatos.
A fisioterapia respiratória, especificamente a tapotagem (ou coupage ), consiste na aplicação de pequenos golpes manuais na parede torácica para desprender o muco. Essa remoção é vital, pois o acúmulo de secreções atua como um meio de cultura proteico que favorece a multiplicação bacteriana.
Para animais prostrados, é necessário alternar o decúbito e incentivar a movimentação leve para prevenir a hipostase pulmonar e a estase de secreções. Se o paciente estiver inapetente, mas sem vômito ou diarreia, deve se priorizar o estímulo à alimentação oral.
Contraindicações e Cuidados no Monitoramento Clínico
No tratamento da pneumonia bacteriana, a segurança do paciente exige restrições farmacológicas rigorosas. O uso de diuréticos, antitussígenos e corticosteroides é contraindicado, pois esses fármacos podem agravar significativamente o quadro clínico. É fundamental o monitoramento clínico constante, pois o paciente pode evoluir ocasionalmente com sepse de foco respiratório.
Quanto aos broncodilatadores, seu uso é restrito, uma vez que o fármaco não apresenta efeito terapêutico no interstício pulmonar. O uso de broncodilatador pode ser benéfico para o paciente apenas quando este apresenta doença bronquial concomitante. Por fim, o prognóstico é reservado e depende da rapidez da intervenção e da resposta sistêmica do hospedeiro.
Reflexão Sion
O Fôlego do Descanso
Assim como o colapso traqueal ou as obstruções respiratórias impedem o livre fluxo de ar e geram um esforço exaustivo, a nossa alma também pode se sentir sufocada por pressões invisíveis. Espiritualmente, tentamos carregar sozinhos fardos pesados que limitam nossa capacidade de experimentar paz e alegria reais. Jesus nos convida a entregar a Ele toda essa sobrecarga, oferecendo um fôlego novo e o verdadeiro descanso que alivia o peito.
Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês.Mateus 11:28
Abra Mateus 11 e reserve alguns minutos para entregar suas ansiedades a Deus hoje.