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MedVet6 PeríodoMedicina de Cães e GatosP2

Doenças do Pâncreas Exócrino e Afecções do Trato Gastrointestinal em Cães e Gatos

Fisiopatologia e Definições Essenciais

Duracao: 31 min

Topicos da aula

  • Doenças do Pâncreas Exócrino

Fisiopatologia e Definições Essenciais

O pâncreas exócrino desempenha um papel vital na digestão, sendo responsável pela secreção de enzimas e bicarbonato para o duodeno. A sua fisiopatologia está intimamente ligada à ativação precoce de zimogênios, como o tripsinogênio, no interior da glândula.

Dentro das afecções pancreáticas, a pancreatite é definida como uma inflamação ou lesão do pâncreas. Já a insuficiência pancreática exócrina (IPE) ocorre quando o pâncreas não produz enzimas em quantidade suficiente para as necessidades do organismo.

Visão Geral das Doenças Pancreáticas (cont. 2)

A insuficiência pancreática exócrina (IPE) resulta na incapacidade do pâncreas de produzir enzimas digestivas. Essa condição compromete a digestão e absorção de nutrientes, levando a sinais clínicos de má absorção, como a polifagia acompanhada de perda de peso.

No contexto clínico da IPE, as fezes costumam apresentar se volumosas, amareladas e com odor rançoso, caracterizando a esteatorreia. Essa síndrome de má absorção é frequentemente associada à atrofia acinar pancreática, condição observada especialmente em raças como o Pastor Alemão.

Fatores Predisponentes e Causas da Pancreatite

A Dinâmica da Autodigestão e Gatilhos Sistêmicos

A pancreatite é definida pelo processo de inflamação decorrente da ativação precoce de enzimas digestivas no interior da própria glândula, o que resulta na autodigestão pancreática. Quando o animal apresenta episódios de recidiva ou sintomas prolongados, a condição é classificada como pancreatite crônica.

Diversos fatores metabólicos e dietéticos predispõem o paciente ao quadro, com destaque para a obesidade e o consumo de dietas ricas em gordura. Além do teor lipídico, o manejo alimentar inadequado, como a realimentação súbita com grandes quantidades de comida após jejum prolongado, pode atuar como gatilho. No âmbito das endocrinopatias e desordens metabólicas, a hiperlipidemia, o hipercorticismo, o diabetes e o hipotireoidismo são causas potenciais documentadas.

A genética também desempenha um papel crucial, especialmente no Schnauzer miniatura, que possui uma predisposição específica associada a um gene próprio e à hiperlipidemia. Somam se a isso causas mecânicas e externas, como a obstrução do ducto pancreático por cálculos ou massas, além de traumatismos abdominais, exemplificados por quedas de prédios em gatos.

Por fim, a etiologia pode ser farmacológica, uma vez que o uso de certos medicamentos pode causar ou agravar a inflamação. Entre os fármacos de risco estão as sulfas, a azatioprina, o brometo de potássio e a furosemida.

Sinais Clínicos e Diferenças entre Espécies

  • Classificação: A pancreatite pode ser aguda ou crônica, sendo que a forma crônica se manifesta por episódios agudos de dor intercalados com períodos de melhora parcial.
  • Sinais Clínicos Gerais: Os quadros costumam incluir vômito, anorexia (interrupção da alimentação) e dor abdominal.
  • Posição de Prece: Sinal clínico adotado especificamente por cães como uma estratégia para o alívio da dor abdominal intensa.
  • Perfil Felino: Gatos frequentemente apresentam sinais mais inespecíficos, como letargia, inapetência, anorexia, desidratação e perda de peso.
  • Dor Abdominal em Gatos: Ao contrário dos cães, os felinos muitas vezes não manifestam dor abdominal evidente durante o exame físico.
  • Icterícia: É uma manifestação possível na espécie felina, ocorrendo em uma variação de 6% a 37% dos casos.

Protocolo de Diagnóstico da Pancreatite

  1. Exame de Ultrassonografia: O ultrassom auxilia na identificação do processo inflamatório, onde o pâncreas apresenta se mais escuro (hipoecoico).
  2. Mensuração da Lipase Pancreática Sérica: Utilização de teste laboratorial específico para o diagnóstico da pancreatite.
  3. Análise do Leucograma: Avaliação de sinais de inflamação; na ausência de sintomas clínicos de infecção, o uso de antibióticos pode não ser exigido.
  4. Restrição de Biópsia Pancreática: O procedimento não é recomendado rotineiramente por causa dos riscos de inflamação e complicações pós operatórias.

Terapia de Suporte e Manejo Dietético

Estabilização Hemodinâmica, Analgesia e Nutrição Gradual

A fluidoterapia é um pilar essencial no tratamento da pancreatite, atuando na manutenção da hidratação e na garantia da perfusão adequada do pâncreas. Para o controle álgico, o protocolo geralmente envolve o uso de medicamentos opioides. Sintomas acessórios são manejados com o antiemético maropitant e protetores gástricos, como omeprazol ou pantoprazol.

O uso de antibióticos não é adotado de forma rotineira, sendo indicado apenas em situações criteriosas como febre, melena, presença de abscessos ou neutrófilos tóxicos. É importante ressaltar que antibióticos do grupo das sulfas devem ser evitados no tratamento desses pacientes.

No manejo dietético, priorizam se rações com baixo teor de gordura (low fat). A introdução alimentar de pacientes internados deve ser feita de forma cautelosa, limitando se a no máximo um terço da necessidade calórica total no primeiro dia de realimentação.

Complicações e Prognóstico

O prognóstico da pancreatite é variável e depende diretamente da gravidade de cada caso. É fundamental ressaltar que a taxa de mortalidade pode chegar a 30%, mesmo quando o tratamento adequado é instituído. Por essa razão, o risco de óbito deve ser comunicado de forma transparente ao tutor do animal, independentemente da complexidade dos cuidados intensivos aplicados. As complicações sistêmicas e crônicas são riscos reais: a inflamação severa do pâncreas pode comprometer as ilhotas de Langerhans, levando ao desenvolvimento de diabetes mellitus, ou cessar a produção enzimática, evoluindo para um quadro de insuficiência pancreática exócrina (IPE). Além disso, um animal que já enfrentou a doença apresenta riscos elevados de sofrer episódios recidivantes. O manejo clínico envolve o controle de sintomas e a dieta rigorosa. É possível associar o uso de antieméticos, como o maropitant, com protetores gástricos, como o omeprazol. Durante a recuperação, deve se evitar alimentos muito gordurosos para acelerar a melhora, priorizando uma dieta de alta digestibilidade. Para animais obesos, a manutenção de uma dieta com baixa gordura torna se um pilar central para evitar novos agravamentos.

Protocolos de Analgesia Avançada

  • Atualização de protocolos: medida necessária devido ao surgimento contínuo de novos fármacos no mercado.
  • Fentanil: fármaco utilizado como opção para infusão contínua no controle efetivo da dor.
  • Associação analgésica: uso de opioides combinados com lidocaína em infusão contínua intravenosa.
  • Consultoria especializada: colaboração frequente com profissionais de anestesia para o manejo da dor em doenças pancreáticas.

Anatomia e Fisiologia Enzimática

A Cascata de Ativação no Duodeno

O pâncreas é uma glândula composta predominantemente por sua porção exócrina, que ocupa a maior parte do volume do órgão em comparação à parte endócrina, representada pelas ilhotas de Langerhans (produtoras de insulina e glucagon). A principal função do pâncreas exócrino é a secreção de enzimas digestivas e de bicarbonato.

O bicarbonato é essencial para neutralizar o pH ácido do conteúdo estomacal assim que ele chega ao intestino delgado. Embora o pâncreas seja o responsável pela secreção dessa substância para o trato digestório, ele atua apenas no armazenamento do bicarbonato, não sendo o local de sua produção.

As enzimas pancreáticas, como a tripsina, a amilase e a lipase, são fundamentais para a digestão de proteínas, amido e lipídios. Para proteger o próprio órgão contra a autodigestão, essas enzimas são mantidas dentro do pâncreas em sua forma inativa, utilizando se o termo zimogênios para designar esse conjunto de precursores.

A ativação enzimática ocorre de forma segura no duodeno. Nesse local, a enzima enterocinase (também chamada de enteropeptidase), produzida pelos próprios enterócitos, transforma o tripsinogênio em sua forma ativa, a tripsina. Uma vez ativada no duodeno, a tripsina torna se o gatilho central responsável pela ativação em cascata de todas as outras enzimas pancreáticas.

Etiopatogenia da IPE no Pastor Alemão e Outros

No Pastor Alemão, a Insuficiência Pancreática Exócrina (IPE) é causada predominantemente pela atrofia acinar pancreática, manifestando se precocemente entre 1,5 a 2 anos de idade. Já em gatos e outras raças de cães, a patologia geralmente ocorre de forma idiopática ou secundária a processos crônicos de pancreatite.

A ausência das enzimas pancreáticas compromete a digestão, levando à má absorção de nutrientes, desnutrição e perda de peso progressiva. Um sinal marcante da doença é a polifagia, onde o animal demonstra fome excessiva; curiosamente, apesar de estarem magros e debilitados, esses pacientes costumam permanecer alertas e ativos na busca constante por alimento.

As alterações gastrointestinais são características: as fezes tornam se volumosas, pastosas e exalam um odor rançoso, similar a comida estragada. A esteatorreia, que consiste na presença de gordura nas fezes, é comum em quadros crônicos. Além disso, a carência nutricional severa reflete se na pelagem, que perde o brilho e assume um aspecto feio.

Sinais Clínicos Distintivos da IPE

  • Alterações nas fezes: o volume fecal é considerado excessivo e incompatível com o tamanho do animal, apresentando tipicamente coloração amarelada devido aos restos de alimento não digeridos.
  • Manifestações digestivas: a flatulência excessiva é um sinal clínico comum e os pacientes podem desenvolver disbiose intestinal secundária.
  • Alterações de apetite e comportamento: a polifagia ocorre com frequência e pode levar à coprofagia decorrente da fome constante, embora gatos com IPE possam ou não apresentar aumento do apetite.
  • Espectro clínico e comorbidades: a enfermidade pode estar associada a problemas hepáticos e icterícia, mas casos de deficiência enzimática leve podem ser assintomáticos.
  • Classificação diagnóstica: utiliza se o termo idiopático quando a causa primária da insuficiência não pode ser esclarecida.

Comorbidades e Progressão da IPE

Fora da predisposição racial do Pastor Alemão, a Insuficiência Pancreática Exócrina (IPE) manifesta se predominantemente em animais de meia idade a idosos. No entanto, a literatura registra ocorrências em felinos jovens, como em relatos de casos envolvendo gatos de apenas 4 anos, demonstrando que a idade não deve ser um fator excludente no diagnóstico.

A progressão da doença leva a alterações estruturais e funcionais significativas. O pâncreas pode apresentar atrofia visível em exames de imagem, resultando na incapacidade de secreção enzimática. Consequentemente, o paciente desenvolve esteatorreia — a presença de gordura nas fezes decorrente da má digestão e má absorção. Além disso, o acúmulo de fezes não digeridas no trato gastrointestinal é uma causa frequente de desconforto abdominal nesses animais.

Em gatos, a apresentação clínica pode ser mais complexa devido a comorbidades. A detecção simultânea de polifagia e icterícia é um sinal de alerta importante, sugerindo que a IPE pode não estar ocorrendo isoladamente, mas sim em conjunto com outras doenças distintas ou complicações sistêmicas coexistentes.

Diagnóstico Padrão Ouro: Teste TLI

  1. Realização de exames de rotina: hemograma, bioquímica e urinálise costumam apresentar resultados normais, sendo importantes para excluir doenças associadas à suspeita de IPE.
  2. Seleção do teste padrão ouro: a dosagem da imunorreatividade da tripsina (TLI) é considerada o exame definitivo para o diagnóstico da insuficiência pancreática exócrina.
  3. Preparo do paciente: para a realização do teste de TLI, o paciente deve estar obrigatoriamente em jejum de 12 horas.
  4. Análise laboratorial: o teste TLI mensura as concentrações de tripsina e de tripsinogênio presentes na corrente sanguínea.
  5. Confirmação diagnóstica: o diagnóstico de IPE é fechado quando os resultados do teste de TLI estão muito abaixo dos valores de referência normais.

Testes de Função Enzimática e Triagem Caseira

Diagnóstico Não Invasivo e Funcional

O diagnóstico da Insuficiência Pancreática Exócrina (IPE) não depende de procedimentos invasivos como a laparotomia, fundamentando se em métodos que avaliam a capacidade secretora do órgão. O exame coprofuncional, por exemplo, é utilizado para avaliar a função das enzimas proteases, lipases e amilases diretamente nas fezes do animal.

Além dos exames laboratoriais, existe um teste de triagem que utiliza fezes frescas e uma tira de filme de raio X analógico antigo. Nesse teste prático, a manutenção da cor preta no filme após o contato com a amostra fecal sugere a falta de enzimas pancreáticas, uma vez que a ausência de digestão da gelatina do filme mantém o pigmento intacto.

Tratamento e Reposição Vitamínica

O manejo clínico da Insuficiência Pancreática Exócrina (IPE) tem como base a restauração da capacidade digestiva do paciente. O tratamento principal consiste na reposição de enzimas pancreáticas, que deve ser incorporada à dieta em cada refeição realizada pelo animal.

A escolha da dieta é igualmente importante, sendo indicado o uso de rações comerciais específicas para problemas gastrointestinais, como as linhas da Royal Canin, Premier e Hills. Essas dietas auxiliam no controle dos sinais clínicos e na absorção de nutrientes.

Devido à má absorção intestinal característica da IPE, os pacientes frequentemente apresentam deficiência de vitamina B12 (cobalamina). Para corrigir essa carência, a suplementação de vitamina B12 em cães e gatos pode ser realizada por via subcutânea ou oral.

Além da deficiência vitamínica, pacientes com IPE podem desenvolver disbiose da flora intestinal. Nesses casos, o uso de prebióticos e probióticos é benéfico para auxiliar no equilíbrio da microbiota e na saúde digestiva global.

Retenção de Dentes Decíduos e Genética

A retenção de dentes decíduos ocorre quando os dentes de leite persistem na cavidade oral após o nascimento dos dentes permanentes. Diferente do processo fisiológico esperado, esses dentes não caem espontaneamente se o dente permanente correspondente já estiver em erupção.

Esta condição possui um forte caráter genético e hereditário, sendo observada com maior frequência em raças de cães pequenos, embora possa ocorrer em qualquer animal. Devido a essa base hereditária, recomenda se que animais com retenção de dentes decíduos não sejam utilizados para reprodução.

A permanência desses dentes retira o espaço necessário para a dentição permanente, o que pode resultar em gengivite local, má oclusão e o deslocamento de dentes. Em situações mais graves, esse desalinhamento pode levar à perfuração do palato do animal. O manejo clínico consiste na extração cuidadosa dos dentes retidos, com atenção especial à anatomia da raiz.

Doença Periodontal e Placa Bacteriana

A periodontite é definida como a inflamação do periodonto, a estrutura composta pela gengiva e pelo osso alveolar que envolve e sustenta o dente. Clinicamente, essa condição pode levar o paciente a apresentar sinais como inapetência e halitose.

No manejo preventivo, é importante diferenciar a placa bacteriana do cálculo dentário (tártaro). A placa bacteriana é facilmente removível através da escovação dentária regular. Já o cálculo dentário não sai com a escovação, exigindo procedimentos de anestesia e raspagem subgengival para sua remoção.

A progressão da periodontite crônica resulta na perda do osso alveolar e da sustentação, tornando o dente mole. Quando o dente perde sua condição clínica e não há possibilidade de recuperação, a extração torna se o procedimento necessário.

Estomatite e Lesões de Reabsorção Felina

A estomatite refere se à inflamação da boca, diferenciando se clinicamente da gastrite, que atinge o estômago. Em gatos, o complexo gengivite estomatite causa uma inflamação severa da cavidade oral, exigindo uma abordagem terapêutica que pode incluir a limpeza de cálculos dentários, o uso de antibióticos e corticoides. Para facilitar o manejo desses pacientes, existem formulações de corticoides injetáveis específicas para felinos com duração de duas semanas.

Em casos graves e refratários de estomatite, a extração de dentes molares e pré molares é a indicação terapêutica recomendada. Além disso, a lesão de reabsorção odontoclástica dos felinos é uma condição frequente, caracterizada pela perda progressiva da estrutura dentária. O diagnóstico definitivo dessa lesão muitas vezes só é alcançado por meio de radiografia e, devido à dor intensa que provoca, os dentes afetados devem ser extraídos.

Granuloma Eosinofílico e Diferenciais

Atenção ao Diagnóstico Diferencial

O granuloma eosinofílico em gatos é uma manifestação comum que ocorre frequentemente no queixo ou nos lábios, podendo também se manifestar nos membros do animal.

O tratamento padrão para o granuloma eosinofílico é realizado com a administração de corticoides. Contudo, a precisão diagnóstica é vital para o sucesso terapêutico.

É expressamente contraindicado administrar corticoides para um gato com esporotricose. Caso ocorra um erro de diagnóstico, confundindo a infecção fúngica com o granuloma eosinofílico, o uso de corticoides prejudicará o paciente.

Sialocele e Afecções das Glândulas Salivares

A sialocele é caracterizada como uma obstrução da glândula salivar que se manifesta clinicamente como uma massa pendurante, mole e indolor.

Para o diagnóstico diferencial, deve se observar que a sialocele difere significativamente dos quadros de abscesso. Enquanto a sialocele apresenta essa consistência macia, massas firmes e dolorosas na região da glândula salivar são indicativas de abscesso.

O tratamento indicado para a sialocele é cirúrgico, consistindo na retirada da glândula salivar afetada para a resolução do quadro.

Neoplasias Orais e Papilomatose

Nódulos neoplásicos na cavidade oral de animais podem ser classificados como benignos ou malignos e exigem rapidez na resolução clínica para evitar que as lesões se tornem inoperáveis. Entre as afecções comuns, destaca se a papilomatose viral em cães, uma doença autolimitante e não considerada zoonose. Macroscopicamente, o papiloma oral canino é identificado por apresentar um aspecto característico semelhante a uma couve flor.

No grupo das neoplasias malignas, o melanoma oral é frequente em cães e pode se manifestar de forma pigmentada ou não pigmentada (amelanótico). O diagnóstico e planejamento cirúrgico adequado dependem do uso de raio X para avaliar o grau de comprometimento ósseo. Para o controle dessas neoplasias malignas, recomenda se o tratamento cirúrgico com margens de segurança extensas, podendo incluir a ressecção de parte do tecido ósseo ou procedimentos como a mandibulectomia.

Neoplasias Orais e Papilomatose (cont. 2)

Investigação Precoce e o Melanoma Canino

A detecção de massas ou neoplasias na cavidade oral exige uma abordagem diagnóstica imediata. O uso de citologia ou biópsia é indispensável para a identificação rápida da patologia, visando impedir que o crescimento tecidual alcance um estágio inoperável.

Um exemplo relevante é o melanoma oral em cães, uma neoplasia que pode se manifestar clinicamente através de lesões pigmentadas, o que auxilia na suspeição visual durante o exame físico.

Disfagia e Alterações Neurológicas Orais

A disfagia é definida como a dificuldade do animal em realizar a deglutição, podendo ser desencadeada por fatores mecânicos ou neurológicos. Entre as causas de origem mecânica e estrutural, destacam se as doenças dentárias, fraturas de mandíbula, miosite dos músculos mastigatórios e a presença de massas orais. Além disso, anomalias congênitas como a fenda palatina de grandes proporções em filhotes impõem um prognóstico difícil para a sobrevivência devido à gravidade da lesão.

No que tange às alterações neurológicas, o comprometimento de nervos específicos é determinante para a função oral. A paralisia do nervo facial resulta em dificuldades motoras e na aparência de boca caída, enquanto lesões nos nervos da faringe ou da língua também provocam disfagia. O dano ao nervo lingual, especificamente, pode causar o quadro de língua caída no animal.

Para um diagnóstico preciso, o exame minucioso da cavidade oral pode exigir sedação ou anestesia. Nos casos em que a disfagia por lesão oral impede a ingestão espontânea, a passagem de uma sonda esofágica torna se uma intervenção necessária para assegurar a alimentação do paciente.

Lesões Orais Diversas e Necrose

  • Necrose lingual em cães: Frequentemente associada a quadros de insuficiência renal aguda, que pode ter a leptospirose como etiologia.
  • Queimaduras por choque elétrico: Ocorrem por mordedura de fios elétricos, afetando a língua e a mucosa oral de cães e gatos.
  • Necrose da polpa dentária: Lesão decorrente de choques elétricos na boca que requer a realização de tratamento endodôntico.

Diagnóstico e Manejo da Miosite Mastigatória

  1. Caracterização da doença: A miosite dos músculos mastigatórios, também conhecida como miosite atrófica, é marcada pela inflamação e consequente atrofia dos músculos da mastigação.
  2. Identificação do sinal clínico: O principal sinal clínico apresentado pelo paciente é a incapacidade de abrir a boca.
  3. Diagnóstico padrão ouro: A confirmação diagnóstica é obtida por meio da pesquisa de anticorpos específicos para fibras musculares do tipo 2M.
  4. Manejo terapêutico: O tratamento fundamenta se no uso de corticoides, com um protocolo que pode se estender por aproximadamente seis meses.

Regurgitação vs Vômito e Megaesôfago

Diferente do vômito, a regurgitação é um processo passivo em que o alimento retido no esôfago é expelido. Durante o episódio, o animal costuma esticar o pescoço e não apresenta contração abdominal, o que indica que o conteúdo não atingiu o estômago devido a obstruções esofágicas ou gástricas.

O megaesôfago é uma das causas centrais desse sinal clínico, podendo ser classificado como congênito ou adquirido. Nessa condição, o alimento pode permanecer retido no órgão por um período de 4 a 6 horas antes de ocorrer a regurgitação.

O manejo clínico desses pacientes exige que o animal permaneça em estação vertical por 15 minutos após a alimentação para facilitar o trajeto do alimento. Essa medida é crucial para prevenir a pneumonia aspirativa, causada por regurgitações que fazem falsa via, sendo esta a principal causa de morte em animais com megaesôfago.

Persistência do 4º Arco Aórtico (PRAA)

A Persistência do 4º Arco Aórtico (PRAA) é uma anomalia vascular caracterizada pela permanência de um vaso na base do coração que deveria ter regredido durante o desenvolvimento embrionário.

Essa condição resulta em uma compressão extrínseca do esôfago, gerando uma obstrução mecânica que dificulta a passagem de alimentos sólidos. Consequentemente, observa se uma dilatação esofágica característica localizada antes da base do coração.

O manejo definitivo para essa afecção é o tratamento cirúrgico, que consiste na secção ou rompimento do ligamento arterioso para aliviar a constrição sobre o esôfago.

Investigação de Megaesôfago Adquirido

  • Distúrbios sistêmicos: a Miastenia Gravis, como condição neuromuscular, e doenças endócrinas como o hipotireoidismo e o hipoadrenocorticismo devem ser investigados.
  • Obstrução mecânica e compressão: o leiomioma é um tumor que pode obstruir o esôfago, enquanto massas torácicas externas ao órgão podem causar regurgitação por compressão extrínseca.
  • Classificação idiopática: o megaesôfago adquirido pode ser classificado como idiopático quando não se identifica uma causa primária.
  • Limitação do ultrassom: o uso da ultrassonografia não é considerado uma técnica eficaz para a avaliação do esôfago.

Corpos Estranhos Gastresofágicos

A abordagem de corpos estranhos exige atenção redobrada, especialmente em animais que já apresentaram esse comportamento anteriormente, pois possuem maior probabilidade de repetição. Em casos esofágicos, se a remoção por endoscopia falhar, recomenda se empurrar o objeto para o estômago, uma vez que a realização de uma gastrotomia é clinicamente preferível à esofagotomia para a retirada do material. Para objetos presentes no estômago, a indução do vômito é uma alternativa terapêutica viável utilizando fármacos como xilazina ou morfina (esta última em pacientes hígidos), desde que respeitado o tempo máximo de duas horas após a ingestão. No entanto, essa conduta possui contraindicações críticas dependendo do material ingerido. A ingestão de pilhas é considerada uma emergência tóxica grave, com alto risco de óbito caso o objeto se rompa no trato gastrointestinal. Por esse motivo, nunca se deve induzir o vômito em casos de ingestão de pilhas; a remoção deve ser realizada obrigatoriamente por meio de endoscopia ou cirurgia de emergência.

Torção Gástrica (GDV): Emergência Crítica

A dilatação vólvulo gástrica (GDV) é uma emergência crítica que acomete com maior frequência cães de grande porte e tórax profundo, sendo o Dog Alemão e o Fila Brasileiro raças classicamente predispostas. Diversos fatores de risco contribuem para a ocorrência desse quadro, como alimentar o animal apenas uma vez ao dia, a prática de exercício físico ou a ingestão excessiva de água logo após a refeição. No exame físico, a percussão abdominal em um cão com dilatação gástrica resulta em um som timpânico. Como medida de manejo emergencial para a descompressão de gases, a passagem de uma sonda orogástrica pode ser tentada, especialmente em casos de torção gástrica parcial.

Diarreia de Intestino Delgado vs Grosso

Diferenciação Clínica das Enteropatias

A classificação temporal da diarreia define quadros agudos como aqueles com duração de até três semanas. Na prática clínica, a distinção entre o acometimento do intestino delgado e do intestino grosso é fundamental para o direcionamento diagnóstico. A diarreia crônica de intestino delgado é frequentemente acompanhada por sinais sistêmicos como a perda de peso, além da ocorrência comum de vômitos.

Em relação ao aspecto das fezes, sangramentos no intestino delgado ou trato digestório superior manifestam se como melena, caracterizada por sangue digerido de cor escura (preto). Já no intestino grosso, o sangramento é identificado como hematoquezia, que consiste na presença de sangue vivo. Outros sinais típicos de alterações colônicas incluem a urgência para defecar, defecação em locais inapropriados e a presença de muco, que confere uma aparência gelatinosa ao redor do bolo fecal, sendo um marcador relevante em casos de colite.

Parasitoses Intestinais e Giardíase

Estratégias de Diagnóstico e Controle da Giardíase

O parasitismo intestinal é uma causa recorrente de perda de nutrientes em pequenos animais. Entre os agentes mais comuns, destaca se a Giardia, que provoca diarreias frequentemente intermitentes, com odor fétido e presença de muco e sangue. Devido a esse caráter intermitente, o quadro clínico pode ser confundido com desordens de origem alimentar.

Para a identificação do agente, o diagnóstico pode ser realizado de forma prática através de testes rápidos (SNAP) utilizando amostras de fezes. Uma vez confirmado, o tratamento de escolha é o fenbendazol, embora o metronidazol tenha sido amplamente utilizado no passado. É crucial que todos os animais contactantes recebam o tratamento simultaneamente para garantir o controle da infecção no ambiente.

A giardíase é classificada como uma zoonose, exigindo atenção à saúde pública; em seres humanos, a infecção causa fortes dores estomacais e diarreia de odor fétido. Outros parasitas, como o Toxocara, embora localizados no intestino delgado, podem ser expelidos via vômito pelo animal em cenários de alta carga parasitária.

Em pacientes com infestações massivas, o manejo terapêutico deve ser cauteloso. A administração do vermífugo deve ser feita de forma gradual, iniciando se com um quarto ou metade da dose máxima. Essa abordagem visa prevenir complicações decorrentes da morte em massa dos vermes no lúmen intestinal.

Parasitoses Intestinais e Giardíase (cont. 2)

O manejo terapêutico da coccidiose, especificamente a causada pelo agente Isospora, é realizado com a utilização de sulfonamidas.

No contexto clínico de animais filhotes, é fundamental que a verminose seja incluída como um diagnóstico diferencial relevante em casos que envolvam a perda de proteína.

Enteropatia com Perda Proteica (PLE)

A enteropatia com perda proteica (PLE) ocorre quando o trato intestinal não consegue reter proteínas adequadamente, permitindo que elas sejam perdidas pelo lúmen. Essa perda proteica resulta em um quadro de hipoalbuminemia que, ao reduzir a pressão oncótica do plasma, leva ao desenvolvimento de ascite.

Clinicamente, as doenças intestinais que provocam ascite por hipoproteinemia geralmente apresentam diarreia associada. Para o diagnóstico preciso, é necessário diferenciar a PLE de outras condições que também causam hipoproteinemia e ascite, como a cirrose (doença hepática) e as doenças renais glomerulares, que resultam na falha de retenção ou síntese proteica.

Diagnóstico de Parvovirose e PCR Intestinal

  1. Coleta de fezes: A amostra fecal é o material de escolha para o diagnóstico, pois as fezes representam o local com a maior concentração de vírus no organismo.
  2. Teste rápido para Parvovirose: Utiliza as fezes para a detecção de antígenos; contudo, deve se atentar para possíveis falsos positivos causados por reação cruzada com o antígeno da vacina.
  3. Uso do PCR em quadros crônicos: O teste de PCR é indicado especialmente em casos de diarreia crônica que apresentaram resultados negativos em triagens anteriores.
  4. Painel de PCR Felino: Em gatos, este painel permite a investigação ampla de agentes como Campylobacter, Clostridium, Cryptosporidium, Giardia, Salmonella, Tritrichomonas, Coronavírus e Panleucopenia felina.

Diferenciais Sistêmicos e Medicamentosos

  • Diagnósticos Diferenciais Sistêmicos: a insuficiência pancreática exócrina, a doença hepática e a doença renal crônica são causas extraintestinais importantes a serem consideradas em quadros de diarreia.
  • Hipertiroidismo em gatos idosos: esta condição clínica pode se manifestar sistemicamente através de sinais como perda de peso, polifagia e diarreia.
  • Neutropenia no hemograma: a presença deste achado em pacientes com diarreia sugere um processo de origem viral ou um estado de imunossupressão.
  • Giardíase: exemplo de enfermidade que pode provocar, simultaneamente, sinais de diarreia de intestino delgado e de intestino grosso.
  • Estresse: fator capaz de desencadear diarreia em alguns pacientes, ocorrendo inclusive em situações sem aversão ao estímulo, como durante passeios.
  • Colite: processo inflamatório ou irritativo que resulta em alterações intestinais, não sendo obrigatoriamente de origem parasitária.
  • Tilosina: antibiótico utilizado em desordens digestivas que, embora bem aceito por cães, pode causar sialorreia em gatos por conta de seu sabor amargo.
  • Corticoides: medicamentos utilizados no tratamento da doença intestinal inflamatória, geralmente prescritos após a exclusão de outras causas possíveis.

Diferenciais Sistêmicos e Medicamentosos (cont. 2)

  • Causas extraintestinais de melena: as doenças hepáticas e a pancreatite são exemplos de condições sistêmicas que podem resultar na presença de sangue digerido nas fezes.

Intussuscepção e Imagem em Alvo

A intussuscepção intestinal caracteriza se pelo deslizamento de uma alça do intestino para o interior de outra. Clinicamente, essa condição manifesta se na palpação abdominal através de uma sensação táctil característica, assemelhando se a uma salsicha tanto em consistência quanto em tamanho.

Para a confirmação diagnóstica, a ultrassonografia revela uma imagem patognomônica conhecida como "imagem em alvo" ou "rocambole", que demonstra as camadas intestinais sobrepostas. O manejo terapêutico para a intussuscepção em cães e gatos é exclusivamente cirúrgico, exigindo intervenção imediata para a correção do segmento afetado.

Corpo Estranho Linear

Risco de Laceração e Plicamento Intestinal Em felinos, o corpo estranho linear frequentemente fica ancorado na base da língua. Com a progressão do quadro, o edema local pode fazer com que o fio fique enterrado no tecido, dificultando sua visualização durante o exame físico. Clinicamente, o animal pode apresentar anorexia e episódios de ânsia de vômito. No trato gastrointestinal, a presença desse material promove o plicamento ou aspecto plissado das alças intestinais. É crucial que o examinador nunca puxe o fio ao identificá lo sob a língua, pois a tração pode causar lacerações graves ou rasgar a mucosa do paciente. A conduta correta envolve o corte do fio e a resolução cirúrgica por meio de múltiplas enterotomias.

Doenças dos Sacos Anais e Impactação

As glândulas ou sacos anais estão localizados anatomicamente nas posições de 4 e 8 horas em relação ao ânus. Processos patológicos nessas estruturas, como inflamações e fístulas, costumam causar dor intensa e secreção purulenta ou sanguinolenta. No caso específico das fístulas, pode se observar uma secreção lenta com presença de sangue.

O comportamento de arrastar o bumbum no chão, conhecido como scooting, é um sinal clínico comum que motiva a investigação. Para o diagnóstico, a palpação retal é um exame útil, embora possa ser dolorosa em casos de inflamação. É fundamental diferenciar a impactação de outros diagnósticos, como parasitoses, alergias, tumores e presença de corpos estranhos, que também podem causar o scooting.

Quanto ao manejo clínico, a expressão manual das glândulas anais deve ser restrita a casos de impactação ou problemas clínicos confirmados, não sendo recomendada de forma preventiva. Em situações de inflamação persistente que não respondem ao tratamento conservador, a remoção cirúrgica dos sacos anais pode ser necessária.

Hérnia Perineal e Prolapso Retal

A hérnia perineal é uma afecção comum em cães machos idosos, resultante da atrofia e fraqueza da musculatura pélvica. O conteúdo herniado pode variar, incluindo o reto com saculação, alças de intestino ou a bexiga.

A presença da bexiga na hérnia perineal é considerada uma emergência clínica. Para o diagnóstico desse quadro, a sondagem uretral é uma ferramenta útil, pois o esvaziamento da urina promove a redução do volume da hérnia, confirmando o envolvimento vesical.

Diferentemente da hérnia, o prolapso retal ocorre devido ao esforço excessivo, sendo frequentemente secundário a quadros de diarreia, parto ou obstrução uretral. Quando o tecido prolapsado ainda se encontra saudável, o tratamento inicial preconizado é a redução manual seguida pela confecção de uma sutura em bolsa de tabaco.

Neoplasias Anais e Hipercalcemia

As neoplasias das glândulas anais podem apresentar comportamento benigno ou maligno e possuem uma implicação metabólica relevante: a produção de PTHrP. Essa substância, similar ao paratormônio, promove a retirada de cálcio dos ossos, resultando em um quadro de hipercalcemia. Devido a esse potencial paraneoplásico, a dosagem de cálcio sérico é fortemente recomendada em animais que apresentem nódulos palpáveis na região das glândulas anais.

O Tumor Venéreo Transmissível (TVT) é outra condição que pode ocorrer na região anal, manifestando se em qualquer local onde ocorra o contato com células neoplásicas. O diagnóstico é comumente realizado através de citologia por impressão (imprint) com lâmina, e o tratamento preconizado é a quimioterapia com Vincristina.

Adicionalmente, a presença de pólipos retais deve ser investigada em pacientes com hematoquezia, caracterizada pelo sangue vermelho vivo nas fezes. Deve se ter atenção especial a pólipos localizados na transição pélvica, pois estes podem não ser detectáveis por meio de ultrassonografia ou palpação retal digital.

Neoplasias Anais e Hipercalcemia (cont. 2)

Manifestações Metabólicas e Diagnóstico do TVT

A hipercalcemia funciona como um indício da presença de tumores que simulam o paratormônio, produzindo uma substância que induz a retirada de cálcio dos ossos. No processo investigativo, o ultrassom pode ser utilizado para avaliar a presença de neoplasias nos sacos anais.

O Tumor Venéreo Transmissível (TVT) é outra neoplasia que pode ocorrer na região anal de cães, com relatos de localização subcutânea. O diagnóstico pode ser feito via imprint ou, caso necessário, com o uso de um suabe (swab) para coleta de material. O protocolo terapêutico envolve a Vincristina, medicamento de administração intravenosa.

Afecções Congênitas: Atresia Anal

  • Atresia anal: trata se de uma condição congênita em que o animal apresenta o ânus imperfurado.
  • Manifestações clínicas: filhotes acometidos costumam chegar ao atendimento veterinário por volta de um mês de vida, apresentando dor e abdômen distendido.
  • Exame físico em felinos: a realização de palpação retal não é recomendada como procedimento de rotina em gatos sem o auxílio de sedação.

Constipação, Megacólon e Risco Dietético

A constipação é caracterizada pela retenção de fezes que pode progredir para a formação de um fecaloma. Diversos fatores contribuem para esse quadro, desde causas dietéticas, como a ingestão excessiva de ossos e pequenos fragmentos ósseos que causam desconforto abdominal, até o uso de fármacos como o Tramadol. Além disso, obstruções mecânicas decorrentes de fraturas de pelve ou a dor associada à displasia coxofemoral — que impede o animal de adotar a posição adequada para defecar — são causas comuns de retenção fecal.

O megacólon é uma condição que acomete tanto cães quanto gatos, e seu diagnóstico radiográfico é auxiliado pela comparação entre o diâmetro do cólon e o comprimento de uma vértebra lombar. No raio x, o fecaloma manifesta se como fezes super compactadas com densidade radiopaca similar à densidade óssea. O manejo clínico dessa enfermidade envolve a mudança da dieta e o uso de lactulose.

Constipação, Megacólon e Risco Dietético (cont. 2)

Além dos componentes dietéticos, a constipação pode ser influenciada por fatores anatômicos e comportamentais. O aumento prostático, por exemplo, provoca a compressão do reto, o que frequentemente resulta na eliminação de fezes em formato de fita. Aspectos comportamentais também são relevantes, como o estresse da hospitalização que leva o animal a recusar a defecação na gaiola.

O diagnóstico deve considerar ainda que dores na região sacral da coluna podem mimetizar problemas intestinais devido à dificuldade mecânica e dolorosa de defecar. No manejo clínico, o uso de enemas para remover fezes impactadas por ossos deve ser cuidadoso para evitar lesões teciduais. Em casos graves que exigem colectomia, o risco cirúrgico é considerado alto em função da elevada contaminação bacteriana inerente ao intestino grosso.

Protocolo de Triagem Laboratorial

  • Exame Físico e Sinais Clínicos: O atendimento deve sempre priorizar o exame físico completo antes dos complementares, focando em sinais como vômito (expulsão de conteúdo com mímica abdominal), diarreia, constipação e dor.
  • Perfil de Proteínas e Metabólitos: O check up laboratorial básico para triagem digestória inclui a avaliação de proteínas totais (albuminas e globulinas), além da ureia e creatinina.
  • Enzimas de Triagem: As enzimas ALT e FA são componentes fundamentais incluídos na avaliação laboratorial do sistema digestório.
  • Contexto Ambiental: O histórico sobre o acesso à rua ou vida em apartamento auxilia na identificação de riscos para doenças infecciosas, ingestão de corpo estranho e intoxicações.
  • Avaliação de Peso e Apetite: A perda de peso pode decorrer de anorexia ou inapetência causadas por gastrite ou doença intestinal inflamatória, manifestando se por alterações como hiporexia ou polifagia.
  • Urinálise: Este exame é utilizado de forma complementar para fornecer um acompanhamento geral sobre o estado fisiológico do paciente.

Princípios de Tratamento Sistêmico

O manejo terapêutico do sistema digestório deve ser direcionado prioritariamente à identificação e ao tratamento da doença de base, observando que a causa primária nem sempre é originária do próprio trato gastrointestinal.

Simultaneamente, o tratamento sintomático deve ser realizado de forma independente da etiologia principal. Essa intervenção foca no controle de manifestações clínicas como dor, processos infecciosos ou desidratação, assegurando a estabilização do paciente.

O tratamento para a obstrução da glândula salivar

O tratamento indicado para os casos de obstrução da glândula salivar consiste essencialmente na sua retirada cirúrgica.

Essa intervenção é a conduta definitiva para o manejo clínico de afecções obstrutivas que acometem as glândulas salivares em pequenos animais.

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas
A tríade felina envolve a inflamação concomitante do pâncreas, fígado e intestino, facilitada pela união dos ductos biliar e pancreático.
O diagnóstico diferencial entre prolapso retal e intussuscepção é clinicamente vital e pode ser feito pelo teste da sonda.
O sinal de 'prece' é patognomônico para dor abdominal intensa, frequentemente associada à pancreatite em cães.

Restauração Interior

A pancreatite mostra como enzimas essenciais podem se voltar contra o próprio corpo quando perdem sua função original. Essa desordem interna nos lembra que, sem um propósito claro, nossas próprias forças podem acabar nos sobrecarregando emocionalmente. Jesus se apresenta como o restaurador que organiza nosso interior, devolvendo nos a paz e a verdadeira saúde espiritual.

Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.João 10:10

Abra seu coração para a leitura de hoje e encontre verdadeiro descanso.

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