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Anemias: Fisiopatologia, Diagnóstico e Tratamento
Definição e Parâmetros Hematológicos
Topicos da aula
- Anemias em Ruminantes
Definição e Parâmetros Hematológicos
A anemia é uma manifestação clínica caracterizada pela diminuição das células do sangue, notadamente dos eritrócitos, resultando na redução da contagem global de hemácias, da concentração de hemoglobina e da taxa de hematócrito.
Na rotina clínica de ruminantes, o termo volume globular (VG) é utilizado rotineiramente como sinônimo para o parâmetro hematócrito.
Semiologia Clínica: Sinais Gerais e Sistêmicos
A anemia em ruminantes é classificada segundo a sua gravidade em leve, moderada, grave (ou severa) e muito grave. Os sinais clínicos gerais incluem apatia, redução do ganho de peso, emagrecimento e mucosas com coloração alterada, podendo ser pálidas, cianóticas ou amareladas.
Alterações cardiovasculares englobam taquicardia, arritmia e sopros sistólicos. A presença desses sopros ocorre devido à redução da viscosidade sanguínea, tornando o sangue mais fluido. O paciente pode apresentar taquipneia, especialmente ao esforço, além de episódios de síncope. Em casos de anemia muito grave, é possível observar hipotermia, especialmente sob condições climáticas frias.
A presença de edema no animal é confirmada pelo sinal de cacifo positivo. Além disso, sinais como febre podem estar associados ao quadro quando a anemia é decorrente de enfermidades como babesiose ou anaplasmose.
Avaliação de Mucosas e Coloração
- A mucosa palpebral (superior e inferior) e a mucosa vaginal são os locais indicados para a verificação da palidez das mucosas.
- A terceira pálpebra não é considerada um local adequado para a avaliação da coloração das mucosas.
- A coloração esbranquiçada das mucosas resulta da diminuição das hemácias ou da circulação periférica.
- Mucosas amareladas indicam icterícia e ocorrem em casos de anemia hemolítica, como na babesiose.
- A coloração violácea ou azulada observada em grandes perdas de sangue pode ser chamada de cianose.
- Animais da raça Nelore podem apresentar pálpebras com coloração rosa pálido em quadros clínicos específicos.
- Os sinais clínicos de anemia incluem fraqueza, aumento da frequência cardíaca e respiratória, perda de peso e diminuição da eficiência reprodutiva.
Avaliação de Mucosas e Coloração (cont. 2)
- Pele: Apresenta se seca.
- Extremidades: Apresentam se frias.
- Pelagem: Apresenta se arrepiada e sem brilho.
Alterações Urinárias: Ouro no Diagnóstico Diferencial
Em ruminantes, o exame urinário é um componente essencial no diagnóstico diferencial da urina avermelhada, que pode sinalizar condições graves. A hematúria, definida como a presença de hemácias na urina, deve ser diferenciada da hemoglobinúria, que ocorre em quadros hemolíticos devido à filtração de hemoglobina, como observado na hemoglobinúria pós parto. A mioglobinúria manifesta se com urina de coloração avermelhada ou semelhante a "Coca Cola", sendo decorrente de miopatias ou esforço físico intenso. Além disso, problemas urinários podem incluir bilirubinúria e oligúria. Sinais digestivos associados à anemia, como anorexia, disfagia, constipação e diarreia, também podem estar presentes no quadro clínico.
Raciocínio Clínico em Hematúria e Hemoglobinúria
A avaliação clínica de casos de urina avermelhada após procedimentos, como a inseminação, exige um raciocínio estruturado para determinar a causa subjacente. O examinador busca, neste contexto, o desenvolvimento correto do diagnóstico diferencial.
A hematúria, por exemplo, pode decorrer de traumas no trato urinário. Simultaneamente, a mioglobinúria deve ser considerada no diagnóstico diferencial por também alterar a coloração da urina, embora não seja tipicamente avermelhada como na hematúria.
O diagnóstico diferencial clínico depende, fundamentalmente, da correlação entre a coloração observada na urina e os dados obtidos do histórico reprodutivo do animal.
Morfologia e Parâmetros Hematológicos
| Sinal Hematológico | Definição | Significado |
|---|---|---|
| Anisocitose | Variação no tamanho das hemácias | Sinal de regeneração |
| Policromasia | Variação na coloração das hemácias | Sinal de regeneração |
| Corpúsculos de Howell Jolly | Restos nucleares nas hemácias | Indicação de regeneração |
| Pontilhado basófilo | Restos nucleares nas hemácias | Indicação de regeneração |
| Reticulócitos | Hemácias imaturas | Aumento indica regeneração |
Achados laboratoriais que evidenciam a resposta regenerativa da medula óssea.
Variações Fisiológicas e Exames Complementares
- Hemograma: O diagnóstico laboratorial inclui a contagem total de eritrócitos e a determinação da concentração de hemoglobina.
- Hematócrito: A avaliação do grau de anemia por meio deste parâmetro pode ser influenciada pelo estado de hidratação do animal.
- Proteína plasmática e fibrinogênio: Auxiliam no diagnóstico diferencial de problemas que levam à anemia, embora não façam parte integrante do hemograma.
- Contagem de hemácias: Em bovinos, o número normal varia de 5 a 10 milhões.
- Esfregaço sanguíneo: É utilizado para a pesquisa de hemoparasitas como Babesia e Anaplasma.
- Hemácias crenadas: Quando observadas no esfregaço sanguíneo, podem ser consideradas artefatos de técnica.
- Medula óssea: A análise microscópica pode identificar agrupamentos celulares denominados ninhos de hemácias.
- Reticulócitos: A sua presença no sangue periférico indica um melhor prognóstico para o animal com anemia.
Dinâmica e Vida Útil Eritrocitária por Espécie
| Espécie | Vida Útil (dias) | Tempo de Centrifugação (min) | Contagem de Hemácias (milhões/µL) |
|---|---|---|---|
| Bovinos | 160 | 5 | 5 a 10 |
| Ovinos | 100 | 9 a 15 | |
| Caprinos | 100 | 10 | 8 a 18 |
Nota: As hemácias caprinas são menores e mais numerosas em comparação a outras espécies.
Dinâmica e Vida Útil Eritrocitária por Espécie (cont. 2)
| Termo | Definição |
|---|---|
| Pancitopenia | Diminuição de vários tipos de células sanguíneas |
| Volume Globular (VG) | Sinônimo para o parâmetro hematócrito |
Definições fundamentais na análise hematológica.
Mielograma e Avaliação Hepática
Para a realização da punção de medula óssea em ruminantes, o osso esterno é um local indicado, sendo o osso coxal uma alternativa viável para o procedimento.
A avaliação da função hepática utiliza exames como a AST e a GGT, esta última especificamente em bovinos. É importante notar que o exame de ALT, embora comum para cães, não é solicitado para bovinos. Além disso, o aumento nos níveis de bilirrubinas séricas pode indicar problemas hepáticos ou a presença de crises hemolíticas.
Fisiopatologia: Anemias Hemorrágicas
As anemias podem ser classificadas por mecanismos fisiopatológicos em hemorrágica, hemolítica e proliferativa, sendo que as anemias proliferativas, também conhecidas como regenerativas, incluem as causas hemorrágicas e as hemolíticas.
A anemia hemorrágica pode manifestar se na forma aguda, caracterizada por perda súbita de sangue. Traumatismos, procedimentos cirúrgicos e neoplasias que apresentam sangramento são causas possíveis deste quadro. Além disso, a exposição a substâncias anticoagulantes, como o dicumarol e a varfarina, que é um raticida com propriedades anticoagulantes, pode provocar alterações hemostáticas que resultam em anemia.
Por outro lado, a anemia hemorrágica também pode ser do tipo crônica, sendo frequentemente causada por infestações de parasitas, como os carrapatos ou o nematódeo Haemonchus.
Anticoagulantes e Parasitismo Crônico
O nematódeo Haemonchus utiliza uma lanceta bucal para agredir a parede do abomaso, resultando em sangramento contínuo. O parasitismo gastrointestinal por Haemonchus é classificado como causa de anemia hemorrágica crônica, frequentemente caracterizada por hemácias microcíticas e hipocrômicas. Infestações maciças por ectoparasitas como piolhos (Hematopinus), carrapatos e pulgas podem ocasionar quadros de anemia em ruminantes. As anemias hemorrágicas agudas apresentam características distintas das crônicas, sendo geralmente classificadas como macrocíticas e hipocrômicas. Processos de perda de sangue implicam, simultaneamente, na perda de proteína plasmática total do animal. Caprinos podem sofrer intoxicação acidental ao ingerir rodenticidas anticoagulantes armazenados em paióis. No controle de surtos de raiva, anticoagulantes são aplicados no dorso do morcego Desmodus rotundus para intoxicar a colônia via lambedura.
Tristeza Parasitária Bovina: Anaplasmose
Aspectos Etiológicos e Patogênicos
A Tristeza Parasitária Bovina (TPB) compreende o grupo de doenças causadas por complexos de Babesia e Anaplasma, que figuram entre as principais causas de anemias hemolíticas em ruminantes.
Em relação à etiologia, o Anaplasma marginale é a espécie predominante no Brasil e no continente americano, enquanto o Anaplasma centrale está presente na África.
Na anaplasmose por Anaplasma marginale, o baço é o principal local de hemólise das hemácias infectadas.
Anaplasma: Localização e Clínica
O Anaplasma marginale é visualizado microscopicamente como um ponto basófilo na periferia da hemácia. Além da transmissão por carrapatos, a anaplasmose pode ser disseminada por moscas.
Clinicamente, a enfermidade pode apresentar febre discreta e ausência de palidez nas mucosas. É raro observar icterícia, pois a hemólise ocorre predominantemente dentro do baço, resultando em menor hemoglobinúria em comparação à babesiose e ausência de alteração na cor da urina. O termo popular 'batedeira', utilizado para novilhas com a doença, refere se ao sinal clínico de taquicardia.
É possível que um animal apresente babesiose e anaplasmose simultaneamente.
Patogenia da Babesiose e Hemólise
- Ativação do sistema complemento, fator que contribui para a destruição das hemácias parasitadas.
- Ocorrência de hemólise, processo que ocorre parcialmente no baço e pode ser intravascular.
- Desenvolvimento de hemoglobinemia, caracterizada pelo aumento de hemoglobina livre no sangue após a lise.
- Eliminação da hemoglobina livre pela urina, condição denominada hemoglobinúria.
- Infecção por Babesia bovis, considerada a mais patogênica, podendo resultar em encefalite e no aspecto de cérebro cereja no sistema nervoso.
Identificação e Impacto da Babesiose
- Classificação biológica: A Babesia é um protozoário.
- Nomenclatura histórica: O termo antigo para o gênero era Piroplasma, que remete à forma de pera do parasita ou à presença de febre.
- Sinais clínicos gerais: O bovino pode apresentar apatia, fraqueza e permanecer deitado.
- Alterações urinárias: A hemoglobinemia decorrente da babesiose leva à presença de hemoglobina na urina, caracterizando a hemoglobinúria.
- Manifestações sistêmicas: A icterícia manifesta se por mucosas amareladas devido à conversão da hemoglobina em bilirrubina, sendo também possível observar carcaça amarelada e mucosas pálidas.
Identificação e Impacto da Babesiose (cont. 2)
- Anemia hemolítica: a babesiose caracteriza se como uma anemia hemolítica, pois o parasita provoca a lise das hemácias.
- Hemólise intravascular: o rompimento das hemácias pelo parasita causa hemoglobinemia, resultando na hemoglobinúria.
- Sinais clínicos: o quadro clínico da babesiose pode apresentar a hemoglobinúria.
- Premunição: é o processo de pré imunização necessário para preparar animais antes do envio para áreas com presença de carrapatos.
Toxicologia: Samambaia e Pancitopenia
A planta Pteridium arachnoideum (anteriormente denominada Pteridium aquilinum) possui efeitos tóxicos em bovinos que variam conforme o padrão de ingestão.
A ingestão crônica leva à hematúria enzoótica bovina, caracterizada pela formação de carcinomas no trato digestório superior e diversos tumores na bexiga, como carcinoma, angioma, hemangioma ou adenoma, resultando em sangramento urinário.
O quadro agudo de intoxicação causa pancitopenia, marcada pela redução de hemácias e, principalmente, plaquetas. Essa condição provoca uma diátese hemorrágica, com sinais clínicos como hemorragias em locais de picada de carrapato, epistaxe e melena, além de hemorragia generalizada nas cavidades abdominal e torácica observada na necropsia.
Toxicologia: Samambaia e Pancitopenia (cont. 2)
A ingestão de samambaia por ruminantes pode resultar em um quadro clínico caracterizado por diátese hemorrágica, decorrente da depressão da medula óssea.
Os sinais clínicos da diátese hemorrágica em ruminantes incluem sangramento pelo nariz e pelas fezes.
Intoxicação por Cobre em Ovinos
A intoxicação por cobre é um problema frequente e relevante na rotina clínica de ovinos. Esta condição ocorre geralmente devido ao fornecimento de sal mineral formulado para bovinos, o qual contém níveis de cobre incompatíveis com a espécie ovina.
O metal ingerido em excesso é armazenado no fígado até que ocorra uma liberação súbita para a circulação, desencadeando hepatite e uma crise hemolítica grave, sendo uma condição de prognóstico desfavorável que, frequentemente, resulta no óbito do animal.
Adicionalmente, outras fontes de toxicidade incluem a ingestão de água de pé dilúvio contendo sulfato de cobre e o pastoreio em áreas pulverizadas com calda bordalesa, um fungicida à base de cobre.
Cobre, Cebola e Braquiária: Fontes e Efeitos
- Intoxicação por Cobre: O mineral acumula se no fígado antes de ser liberado na circulação e a crise hemolítica cursa com hemoglobinúria, manifestada por urina de cor âmbar escuro.
- Excesso de Cobre na dieta: O sal mineral bovino possui de 1200 a 2000 mg de cobre, valor pelo menos três vezes maior do que o recomendado para ovinos, que é de aproximadamente 400 mg.
- Efeitos do consumo de cebola: Causa anemia hemolítica em bubalinos, pois a oxidação das hemácias resulta na formação de corpúsculos de Heinz.
- Variabilidade da toxicidade por Brachiaria: A manifestação clínica em ruminantes depende de fatores ambientais específicos, incluindo solo, época do ano e umidade.
Cobre, Cebola e Braquiária: Fontes e Efeitos (cont. 2)
- Brachiaria radicans (Tanner Grass): Planta capaz de causar crises hemolíticas em ruminantes, sendo que sua toxicidade varia conforme o solo, época do ano e umidade.
- Pteridium aquilinum (Samambaia): Agente que causa pancitopenia em ruminantes, podendo ser ingerido de forma não seletiva quando brotos estão misturados à braquiária.
- Cobre: Sua intoxicação provoca aumento da frequência cardíaca e respiratória, fraqueza, decúbito e coloração amarelada ou alaranjada em peles e mucosas.
- Cebola: Agente tóxico ao qual cães e gatos apresentam maior sensibilidade do que os bovinos.
Outras Etiologias de Hemólise e Falha de Produção
Diversas condições podem resultar em anemia em ruminantes através de mecanismos de hemólise ou falha na produção eritrocitária. No grupo das causas hemolíticas, destacam se a hemoglobinúria pós parto, associada ao metabolismo do fósforo, a hemoglobinúria bacilar decorrente do Clostridium haemolyticum e infecções por leptospirose.
A falha de produção de hemácias pode ocorrer por deficiências nutricionais, visto que ferro, cobre e cobalto são essenciais para a síntese de hemoglobina, com o cobalto possuindo relação metabólica direta com a vitamina B12. Adicionalmente, estados patológicos como a insuficiência renal, que reduz a oferta de eritropoietina, doenças crônicas como abscessos hepáticos e câncer, e a fasciolose em ovelhas, também são fatores determinantes para o desenvolvimento de quadros anêmicos.
Deficiências Minerais e Fisiologia Nutricional
- Deficiência de cobre: Pode causar diarreia crônica, pelos arrepiados, sem brilho e problemas na hematopoese.
- Hipoalbuminemia: Condição que ocorre devido a falhas na síntese hepática (cirrose), deficiências nutricionais, perda de sangue ou doenças crônicas, podendo resultar em edema.
- Estrutura da hemoglobina: Composta por ferro, elemento que lhe confere a coloração vermelha.
- Estrutura da clorofila: Composta por magnésio, elemento que lhe confere a coloração verde.
- Deficiência de fósforo: Considerada a principal carência mineral em pastagens de certas regiões do país.
- Falta de sal: Provoca perversão do apetite em bovinos, induzindo o animal a lamber ou comer o cocho.
Deficiências Minerais e Fisiologia Nutricional (cont. 2)
- Deficiências nutricionais: Podem levar a quadros de anemia ao afetarem a medula óssea.
- Ingestão hídrica súbita: A ingestão rápida de grandes quantidades de água após privação causa alterações osmóticas no sangue.
- Braquiária decumbens: Pastagem de ocorrência frequente na região do Brasil Central.
Protocolos Terapêuticos Iniciais
A base da terapia para anemias em ruminantes consiste em descobrir e tratar a causa primária da enfermidade. A reposição hídrica é utilizada para restaurar a volemia em animais debilitados, enquanto a transfusão sanguínea é o procedimento ideal para casos de choques hemorrágicos.
Na falta de sangue para transfusão, uma alternativa emergencial é o uso de solução hipertônica de cloreto de sódio a 7,5%. Ao utilizar bolsas de água quente para aquecimento de animais, deve se ter cautela com o contato prolongado, evitando queimaduras na pele.
Quimioterápicos: Imidocarb e Diminazeno
| Princípio Ativo | Ação contra Babesia | Ação contra Anaplasma | Observações |
|---|---|---|---|
| Imidocarb (Imocar, Imisol, Imicarb) | Sim | Sim | Dose de 2,4 a 3 mg/kg; dose para anaplasmose é superior à da babesiose; usar dose maior para infecções mistas |
| Diaceturato de Diminazeno | Sim | Não | Atua apenas contra protozoários; não é eficaz contra Anaplasma |
Nota: A escolha do tratamento depende do agente etiológico identificado.
Quimioterápicos: Imidocarb e Diminazeno (cont. 2)
| Aspecto | Informação |
|---|---|
| Princípio Ativo | Diaceturato de diminazeno |
| Dose | 3,5 mg/kg |
| Via de Administração | Intravenosa ou intramuscular |
| Frequência (Padrão) | Dose única |
| Frequência (Babesia bovis com encefalite) | 2 a 3 aplicações a cada 24 horas |
| Nomes Comerciais | Ganazeg, Berazeg e Berozeg |
Oxitetraciclina e Suporte Mineral
- Oxitetraciclina: Dose de 10 mg/kg.
- Frequência: Aplicação a cada 24 horas durante quatro dias.
- Via: Intravenosa lenta, para prevenir o colapso do animal.
- Suporte auxiliar: Adição de substâncias hematínicas e hematopoéticas, incluindo cobre, cobalto, ferro, proteínas e vitamina B12.
Critérios para Transfusão Sanguínea
| Parâmetro | Recomendação ou Critério |
|---|---|
| Peso mínimo do doador | 80 kg |
| Volume sanguíneo total | 7% a 8% do peso vivo |
| Limite de coleta para doação | Até 10% do volume total de sangue |
| Saúde do doador | Deve ser sadio e livre de doenças como anemia ou leucose |
| Exemplo em ovino (100 kg) | Recomendado 500 ml; Máximo de 700 ml |
Nota: A desidratação do paciente pode mascarar o valor real do hematócrito, que tende a cair após a hidratação.
Execução e Monitoramento de Reações
A transfusão sanguínea em bovinos deve ser realizada de forma lenta, especialmente no início do procedimento, para possibilitar o monitoramento de possíveis reações adversas ou choque. Para maior segurança, recomenda se o uso prévio de anti histamínicos, como o fenergan. É importante ressaltar que a administração desses fármacos não é eficaz após a instalação do choque anafilático. Em caso de suspeita de choque transfusional, a transfusão deve ser imediatamente interrompida e deve se proceder com a aplicação de dexametasona, prednisolona ou adrenalina. Embora reações de incompatibilidade sejam raras na primeira transfusão, a probabilidade de choque aumenta caso uma segunda transfusão do mesmo doador seja realizada após um intervalo de 10 dias.
Execução e Monitoramento de Reações (cont. 2)
A transfusão de sangue fornece substâncias benéficas ao animal e tempo para a medula óssea responder à anemia. As hemácias transfundidas são destruídas prioritariamente pelos pulmões e pelo baço, sendo que o sangue de uma primeira transfusão dura aproximadamente 72 horas no organismo do receptor, enquanto o de uma segunda transfusão dura apenas cerca de uma hora. Procedimento inicial: iniciar a 60 gotas por minuto nos primeiros 10 a 15 minutos; após esse período de monitoramento, a velocidade pode ser duplicada ou triplicada. Sinais de choque transfusional: piloereção, fasciculação muscular, inquietação, defecação, micção, edema de pálpebras e taquicardia.
Anemias hemorrágicas podem ser causadas por perd
As anemias hemorrágicas frequentemente resultam de quadros de perda sanguínea crônica, os quais comprometem a estabilidade eritrocitária dos ruminantes.
Dentre as etiologias responsáveis por essas perdas, destacam se a ação de ectoparasitas, como carrapatos e pulgas, bem como de parasitas internos, como o Haemonchus, que induzem sangramentos persistentes nos animais afetados.
As possíveis fontes de intoxicação por cobre em
A exposição excessiva ao cobre em ruminantes pode ocorrer através de diversas fontes no ambiente e no manejo, sendo essencial monitorar esses pontos de risco.
As principais fontes identificadas de intoxicação por cobre incluem o sal mineral, a calda bordalesa, o uso de pé dilúvio e a administração de injeções de sulfato de cobre.
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
|---|
| Classificação da gravidade por hematócrito: Leve (16 20%), Moderada (14 19%), Grave (10 13%) e Muito Grave (<10%). |
| A fórmula de cálculo de dose total de sangue considera o volume do receptor e a relação entre os hematócritos do doador e receptor. |
| Diagnóstico diferencial entre Babesia e Anaplasma baseia se na presença de hemoglobinúria, mucosas amarelas e febre, mais frequentes na babesiose. |
| A dose de solução hipertônica de NaCl 7,5% para restauração da volemia é de 4 a 5 ml/kg. |
| O tetratiomolibdato de amônia é o tratamento de escolha para intoxicação cúprica. |
| O hematócrito entre 13% e 15% é o limiar comum para a indicação de transfusão sanguínea em quadros graves. |
O Doador Perfeito
Na clínica de ruminantes, a transfusão sanguínea salva animais com anemia grave ao transferir o sangue de um doador sadio para repor o que o paciente não consegue mais produzir. Nossa condição espiritual frequentemente se assemelha a esse esgotamento vital, exigindo a intervenção externa de alguém sem falhas para restaurar nossa força. Jesus Cristo se entregou como o doador perfeito, oferecendo Sua própria vida para curar nossa natureza enfraquecida e nos garantir uma regeneração verdadeira.
Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus.Efésios 1:7
Reflita sobre o sacrifício voluntário que trouxe vida onde havia esgotamento.