Sion Academy
Urolitíase em Ruminantes: Fisiopatologia, Diagnóstico e Manejo Terapêutico
Dinâmica de Formação de Cálculos
Topicos da aula
- Doenças do Sistema Urinário
Introdução à Urolitíase Ruminante
A urolitíase em ruminantes refere se à formação de cálculos, também conhecidos como pedras, no trato urinário. Trata se de uma condição grave, com potencial fatal decorrente de obstruções.
Embora o diagnóstico seja considerado relativamente simples, a abordagem terapêutica apresenta complexidade elevada.
Mecanismos de Formação e pH Urinário
Dinâmica de Formação de Cálculos
A urolitíase inicia se com a formação de um nidus, geralmente constituído por células epiteliais descamadas. Esse núcleo serve de suporte para a adesão de substâncias e a deposição de solutos.
Em ruminantes, a urina possui naturalmente um pH alcalino, ambiente que favorece a formação de cálculos. Nessas condições, a precipitação de cristais é facilitada.
Para prevenir esse processo, a urina contém coloides protetores, que evitam a precipitação de eletrólitos (solutos saturados). Além disso, a hidratação adequada é essencial, visto que a baixa ingestão de água torna a urina concentrada, aumentando o risco de urolitíase.
Manejo Nutricional e Fatores de Risco
- Relação cálcio e fósforo: A proporção ideal na dieta de ruminantes deve ser de aproximadamente 2 para 1.
- Desequilíbrio mineral: Dietas com excesso de fósforo em relação ao cálcio favorecem a alta incidência de cálculos de estruvita, atingindo até 80% ou mais dos animais.
- Alimentos de risco: O rolão de milho e os farelos de trigo ou arroz possuem níveis de fósforo muito superiores aos de cálcio, tornando se fatores predisponentes quando não balanceados.
- Rações concentradas: O uso de ração concentrada para promover crescimento rápido em bovinos, cordeiros e reprodutores é um fator de risco primário para a urolitíase.
- Ingestão hídrica: A restrição no consumo de água, decorrente de seca ou congelamento, leva à formação de urina concentrada, o que predispõe à ocorrência de cálculos.
Manejo Nutricional e Fatores de Risco (cont. 2)
- Alimentação concentrada: O fornecimento de ração concentrada para ganho rápido de peso é um fator de risco para a urolitíase.
- Espécies predispostas: Bovinos, cordeiros e reprodutores apresentam maior risco de desenvolver a condição quando submetidos a dietas para acelerar o crescimento.
Fatores Hormonais e Aspectos Legais
Altos níveis de estrógeno ou deficiência de vitamina A favorecem a urolitíase pelo aumento da descamação epitelial da uretra e da bexiga, criando um núcleo (nidus) para a formação de cálculos. No Brasil, o uso de hormônios como o dietilestilbestrol, que predispõe à formação de cálculos urinários, é proibido. Adicionalmente, a legislação brasileira veda a utilização de cama de frango na alimentação de ruminantes.
Tipificação e Geocronologia dos Cálculos
| Tipo de Cálculo | Composição e Características | Distribuição Geográfica e Contexto |
|---|---|---|
| Estruvita | Fosfato de amônio e magnésio; assemelha se a areia ou sal grosso | Ovinos e caprinos com dieta rica em fósforo |
| Oxalato de cálcio e Carbonato de cálcio | Cálculos minerais | Pernambuco (Brasil) |
| Sílica e Oxalato de cálcio | Cálculos minerais | Estados Unidos e Austrália |
Tabela de referência sobre a composição, características físicas e ocorrência dos principais urólitos em ruminantes.
Quadro Clínico e Reconhecimento de Dor
A urolitíase obstrutiva em machos ruminantes apresenta um quadro clínico caracterizado por inquietação, apatia e manifestações evidentes de dor, que ocorrem em 72% dos animais. Os sinais de dor incluem bruxismo (odontoprise), gemidos e a característica postura de cavalete, indicativa de desconforto urinário.
Sinais físicos adicionais abrangem esforço abdominal, aumento de volume e tensão abdominal, além de alterações miccionais como disúria, com micção em gotas, ou anúria, podendo apresentar urina com sangue. A palpação da região do prepúcio pode revelar a presença de cristais, percebidos como uma sensação de areia.
Durante o exame clínico de machos ovinos e caprinos, é fundamental verificar a capacidade de micção, considerando que a postura de cavalete e outros sinais de dor visceral são elementos chave para o reconhecimento precoce da obstrução.
Diagnóstico Diferencial e Parâmetros Vitais
A desidratação é um achado clínico em 95% dos animais com urolitíase, enquanto a frequência cardíaca aumentada é observada em 93% dos casos. É importante estar atento, pois o aumento da frequência cardíaca e da frequência respiratória pode levar ao diagnóstico equivocado de pneumonia em pequenos ruminantes.
Complicações Graves: Rupturas
- Azotemia pós renal: Complicação sistêmica decorrente da obstrução urinária.
- Ruptura da bexiga: Evento que gera alívio imediato da dor e dos sintomas, seguido de uma piora clínica grave e fatal.
- Ruptura da uretra: Condição que provoca o extravasamento de urina para o tecido subcutâneo do abdômen e do trajeto peniano.
- Sinal do cacifo: Manifestação de edema subcutâneo por urina, identificada quando a marca do dedo permanece após a palpação.
- Obstrução por urólitos: Complicação grave da urolitíase que pode ser fatal para o animal.
Protocolos de Intervenção Inicial
Embora o diagnóstico das afecções por cálculos urinários seja relativamente fácil, a terapia é complexa. As intervenções iniciais devem ser cautelosas para evitar complicações iatrogênicas graves.
- Amputação do processo uretral: realizada como tentativa inicial de desobstrução em pequenos ruminantes, caso a obstrução esteja localizada na ponta do pênis.
- Uso de diuréticos: contraindicado no tratamento, devido ao risco elevado de ruptura da bexiga.
- Passagem de sondas uretrais: desaconselhada, visto que agrava a inflamação e o edema, dificultando a expulsão natural dos cálculos.
Manejo Cirúrgico Avançado e Sucesso Clínico
- Cistotomia com cateter de Foley: procedimento que envolve a colocação de um cateter para drenagem e lavagem diária da bexiga, permitindo a remoção de sedimentos e cálculos destruídos.
- Acidificação terapêutica: técnica de lavagem da bexiga com solução fisiológica e ácido acético para auxiliar na dissolução total ou parcial dos cálculos.
- Uretrostomia perineal: procedimento que possibilita a micção por uma abertura abaixo do ânus, resultando na perda da função reprodutora e podendo causar lesões de pele ou assaduras devido ao gotejamento constante de urina.
- Taxa de sucesso: o manejo clínico e cirúrgico da urolitíase obstrutiva grave apresenta uma taxa de sucesso de aproximadamente 50%.
Estratégias de Prevenção e Controle
Para prevenir a urolitíase em ruminantes, é essencial realizar o balanceamento rigoroso da ração, mantendo a relação entre cálcio e fósforo em 2:1.
Adicionalmente, a inclusão de cloreto de amônio na dieta é uma estratégia preventiva eficaz. Este composto atua na acidificação da urina, reduzindo o pH urinário e diminuindo a possibilidade de formação de cálculos.
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
|---|
| A presença de cristais no prepúcio é um sinal patognomônico de urolitíase, sentindo se como areia à palpação. |
| As estatísticas clínicas mostram que a dor (bruxismo e gemidos) atinge 72% dos casos, enquanto a anúria ou disúria ocorre em 50%. |
| Para o diagnóstico prático, técnicas de estímulo como massagem prepucial ou apneia temporária são recomendadas para induzir a micção. |
| Pontos críticos de obstrução incluem o arco isquiático, flexura sigmoide e o processo uretral (especialmente em pequenos ruminantes). |
O Perigo do Endurecimento
Na urolitíase, a restrição de água e o desequilíbrio nutricional formam pedras que bloqueiam o sistema do animal e causam intenso sofrimento. Da mesma forma, quando privamos nossa alma da presença de Deus e acumulamos pequenas mágoas diárias, desenvolvemos um endurecimento interno que paralisa a nossa vida. Cristo é o único capaz de intervir e remover essas pedras emocionais, devolvendo a sensibilidade e restaurando a saúde do nosso coração.
Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne.Ezequiel 36:26
Deixe Deus transformar seu interior