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MedVet6 PeríodoMedicina de RuminantesP1

Urolitíase em Ruminantes: Fisiopatologia, Diagnóstico e Manejo Terapêutico

Dinâmica de Formação de Cálculos

Duracao: 7 min

Topicos da aula

  • Doenças do Sistema Urinário

Introdução à Urolitíase Ruminante

A urolitíase em ruminantes refere se à formação de cálculos, também conhecidos como pedras, no trato urinário. Trata se de uma condição grave, com potencial fatal decorrente de obstruções.

Embora o diagnóstico seja considerado relativamente simples, a abordagem terapêutica apresenta complexidade elevada.

Mecanismos de Formação e pH Urinário

Dinâmica de Formação de Cálculos

A urolitíase inicia se com a formação de um nidus, geralmente constituído por células epiteliais descamadas. Esse núcleo serve de suporte para a adesão de substâncias e a deposição de solutos.

Em ruminantes, a urina possui naturalmente um pH alcalino, ambiente que favorece a formação de cálculos. Nessas condições, a precipitação de cristais é facilitada.

Para prevenir esse processo, a urina contém coloides protetores, que evitam a precipitação de eletrólitos (solutos saturados). Além disso, a hidratação adequada é essencial, visto que a baixa ingestão de água torna a urina concentrada, aumentando o risco de urolitíase.

Manejo Nutricional e Fatores de Risco

  • Relação cálcio e fósforo: A proporção ideal na dieta de ruminantes deve ser de aproximadamente 2 para 1.
  • Desequilíbrio mineral: Dietas com excesso de fósforo em relação ao cálcio favorecem a alta incidência de cálculos de estruvita, atingindo até 80% ou mais dos animais.
  • Alimentos de risco: O rolão de milho e os farelos de trigo ou arroz possuem níveis de fósforo muito superiores aos de cálcio, tornando se fatores predisponentes quando não balanceados.
  • Rações concentradas: O uso de ração concentrada para promover crescimento rápido em bovinos, cordeiros e reprodutores é um fator de risco primário para a urolitíase.
  • Ingestão hídrica: A restrição no consumo de água, decorrente de seca ou congelamento, leva à formação de urina concentrada, o que predispõe à ocorrência de cálculos.

Manejo Nutricional e Fatores de Risco (cont. 2)

  • Alimentação concentrada: O fornecimento de ração concentrada para ganho rápido de peso é um fator de risco para a urolitíase.
  • Espécies predispostas: Bovinos, cordeiros e reprodutores apresentam maior risco de desenvolver a condição quando submetidos a dietas para acelerar o crescimento.

Fatores Hormonais e Aspectos Legais

Altos níveis de estrógeno ou deficiência de vitamina A favorecem a urolitíase pelo aumento da descamação epitelial da uretra e da bexiga, criando um núcleo (nidus) para a formação de cálculos. No Brasil, o uso de hormônios como o dietilestilbestrol, que predispõe à formação de cálculos urinários, é proibido. Adicionalmente, a legislação brasileira veda a utilização de cama de frango na alimentação de ruminantes.

Tipificação e Geocronologia dos Cálculos

Tipo de CálculoComposição e CaracterísticasDistribuição Geográfica e Contexto
EstruvitaFosfato de amônio e magnésio; assemelha se a areia ou sal grossoOvinos e caprinos com dieta rica em fósforo
Oxalato de cálcio e Carbonato de cálcioCálculos mineraisPernambuco (Brasil)
Sílica e Oxalato de cálcioCálculos mineraisEstados Unidos e Austrália

Tabela de referência sobre a composição, características físicas e ocorrência dos principais urólitos em ruminantes.

Quadro Clínico e Reconhecimento de Dor

A urolitíase obstrutiva em machos ruminantes apresenta um quadro clínico caracterizado por inquietação, apatia e manifestações evidentes de dor, que ocorrem em 72% dos animais. Os sinais de dor incluem bruxismo (odontoprise), gemidos e a característica postura de cavalete, indicativa de desconforto urinário.

Sinais físicos adicionais abrangem esforço abdominal, aumento de volume e tensão abdominal, além de alterações miccionais como disúria, com micção em gotas, ou anúria, podendo apresentar urina com sangue. A palpação da região do prepúcio pode revelar a presença de cristais, percebidos como uma sensação de areia.

Durante o exame clínico de machos ovinos e caprinos, é fundamental verificar a capacidade de micção, considerando que a postura de cavalete e outros sinais de dor visceral são elementos chave para o reconhecimento precoce da obstrução.

Diagnóstico Diferencial e Parâmetros Vitais

A desidratação é um achado clínico em 95% dos animais com urolitíase, enquanto a frequência cardíaca aumentada é observada em 93% dos casos. É importante estar atento, pois o aumento da frequência cardíaca e da frequência respiratória pode levar ao diagnóstico equivocado de pneumonia em pequenos ruminantes.

Complicações Graves: Rupturas

  • Azotemia pós renal: Complicação sistêmica decorrente da obstrução urinária.
  • Ruptura da bexiga: Evento que gera alívio imediato da dor e dos sintomas, seguido de uma piora clínica grave e fatal.
  • Ruptura da uretra: Condição que provoca o extravasamento de urina para o tecido subcutâneo do abdômen e do trajeto peniano.
  • Sinal do cacifo: Manifestação de edema subcutâneo por urina, identificada quando a marca do dedo permanece após a palpação.
  • Obstrução por urólitos: Complicação grave da urolitíase que pode ser fatal para o animal.

Protocolos de Intervenção Inicial

Embora o diagnóstico das afecções por cálculos urinários seja relativamente fácil, a terapia é complexa. As intervenções iniciais devem ser cautelosas para evitar complicações iatrogênicas graves.

  1. Amputação do processo uretral: realizada como tentativa inicial de desobstrução em pequenos ruminantes, caso a obstrução esteja localizada na ponta do pênis.
  2. Uso de diuréticos: contraindicado no tratamento, devido ao risco elevado de ruptura da bexiga.
  3. Passagem de sondas uretrais: desaconselhada, visto que agrava a inflamação e o edema, dificultando a expulsão natural dos cálculos.

Manejo Cirúrgico Avançado e Sucesso Clínico

  • Cistotomia com cateter de Foley: procedimento que envolve a colocação de um cateter para drenagem e lavagem diária da bexiga, permitindo a remoção de sedimentos e cálculos destruídos.
  • Acidificação terapêutica: técnica de lavagem da bexiga com solução fisiológica e ácido acético para auxiliar na dissolução total ou parcial dos cálculos.
  • Uretrostomia perineal: procedimento que possibilita a micção por uma abertura abaixo do ânus, resultando na perda da função reprodutora e podendo causar lesões de pele ou assaduras devido ao gotejamento constante de urina.
  • Taxa de sucesso: o manejo clínico e cirúrgico da urolitíase obstrutiva grave apresenta uma taxa de sucesso de aproximadamente 50%.

Estratégias de Prevenção e Controle

Para prevenir a urolitíase em ruminantes, é essencial realizar o balanceamento rigoroso da ração, mantendo a relação entre cálcio e fósforo em 2:1.

Adicionalmente, a inclusão de cloreto de amônio na dieta é uma estratégia preventiva eficaz. Este composto atua na acidificação da urina, reduzindo o pH urinário e diminuindo a possibilidade de formação de cálculos.

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas
A presença de cristais no prepúcio é um sinal patognomônico de urolitíase, sentindo se como areia à palpação.
As estatísticas clínicas mostram que a dor (bruxismo e gemidos) atinge 72% dos casos, enquanto a anúria ou disúria ocorre em 50%.
Para o diagnóstico prático, técnicas de estímulo como massagem prepucial ou apneia temporária são recomendadas para induzir a micção.
Pontos críticos de obstrução incluem o arco isquiático, flexura sigmoide e o processo uretral (especialmente em pequenos ruminantes).

O Perigo do Endurecimento

Na urolitíase, a restrição de água e o desequilíbrio nutricional formam pedras que bloqueiam o sistema do animal e causam intenso sofrimento. Da mesma forma, quando privamos nossa alma da presença de Deus e acumulamos pequenas mágoas diárias, desenvolvemos um endurecimento interno que paralisa a nossa vida. Cristo é o único capaz de intervir e remover essas pedras emocionais, devolvendo a sensibilidade e restaurando a saúde do nosso coração.

Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne.Ezequiel 36:26

Deixe Deus transformar seu interior

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