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Dermatologia e Oncologia Equina: Diagnóstico e Condutas Clínicas
A avaliação dermatológica requer atenção a sinais sistêmicos e fatores ambientais.
Topicos da aula
- Dermatologia Equina
Abordagem Geral em Dermatologia Equina
A clínica dermatológica equina apresenta uma alta frequência de lesões cutâneas, causadas por diversos agentes etiológicos. Muitas dessas lesões possuem apresentações macroscópicas similares e podem sofrer contaminações secundárias, o que desafia a prática clínica.
Adicionalmente, em quadros de piodermites, o prurido secundário pode mascarar o quadro clínico inicial, dificultando a obtenção de um diagnóstico preciso.
Fundamentos do Exame Físico e Triagem
Ao avaliar equinos com queixas dermatológicas, é recomendado realizar um exame físico geral em vez de limitar a avaliação apenas à área afetada. Essa prática é fundamental, pois algumas lesões cutâneas podem ser reflexos de doenças sistêmicas.
Lesões cutâneas macroscópicas em cavalos frequentemente apresentam aspectos semelhantes entre si, o que dificulta o diagnóstico imediato. A alopecia, ou perda de pelo, é uma alteração clássica que costuma chamar a atenção dos proprietários, sendo frequente a observação de lesões na base da cauda.
No contexto microbiológico, o Staphylococcus aureus é um componente abundante da flora bacteriana da pele. Além disso, infecções por leveduras como a Malassezia podem causar alterações no tom de pele. O uso de capas que mantêm a umidade favorece o desenvolvimento e a proliferação desses microrganismos.
Prurido e Contaminações Secundárias
- Piodermites: Infecções bacterianas em cavalos costumam ser pruriginosas e, frequentemente, apresentam contaminação bacteriana secundária.
- Desafio diagnóstico: O prurido secundário pode dificultar a identificação clínica de lesões que não eram originalmente pruriginosas.
- Sinais clínicos: Lesões de piodermite ou dermatofilose costumam apresentar pus, enquanto queda de pelos e lesões são comuns na região da crina.
- Comportamento: É frequente observar o animal coçando a base da cauda em estruturas como paredes ou cercas.
Citologia e Histopatologia em Equinos
O diagnóstico preciso em dermatologia equina é fundamental, sendo a citologia e a histopatologia as principais ferramentas laboratoriais utilizadas na rotina clínica. A citologia destaca se por ser o método diagnóstico mais barato e frequentemente empregado, sendo eficaz para a identificação de células neoplásicas e servindo como uma alternativa viável quando a biópsia é impedida, seja pelo temperamento do equino ou pela sensibilidade da área afetada. Em muitos casos, uma citologia bem executada pode ser suficiente para a confirmação diagnóstica.
Por outro lado, é importante reconhecer que os resultados da citologia podem ser limitados, ocorrendo frustrações quando o exame é negativo ou revela apenas células inflamatórias. Nestes cenários, a histopatologia consolida se como a ferramenta mais precisa no diagnóstico dermatológico, desempenhando um papel crucial no diagnóstico diferencial de lesões cutâneas.
Ferramentas Diagnósticas Complementares
- Raspado de pele: exame indicado para o diagnóstico de ácaros e sarnas em cavalos.
- Biópsias: método eficaz para a avaliação de lesões dermatológicas em equinos.
- Análise de pelos: ferramenta utilizada para o diagnóstico de dermatofitose.
- Culturas microbiológicas: solicitadas para a identificação de fungos e bactérias, sendo importante notar que alguns pseudofungos, como o agente da pitiose (Pythium insidiosum), não crescem em meios tradicionais.
- PCR: metodologia moderna indicada para o diagnóstico de pitiose, superando limitações de crescimento em culturas convencionais.
- Lâmpada de Wood: ferramenta raramente útil na rotina dermatológica equina, embora possa apresentar fluorescência em infecções por Microsporum canis.
Visão Geral das Etiologias Oncológicas
Panorama das Afecções Dermatológicas Equinas
As lesões cutâneas em cavalos apresentam etiologias diversas, sendo as causas neoplásicas e alérgicas fundamentais na rotina clínica. As neoplasias figuram como o grupo de afecções mais frequente na pele equina, que é o sítio primário de ocorrência das principais lesões tumorais nesta espécie.
Além das neoplasias, condições como a habronemose, a pitiose e a dermatofilose são causas frequentes de lesões dermatológicas. No espectro oncológico, a ordem decrescente de prevalência das neoplasias cutâneas inclui o sarcoide, seguido pelo carcinoma de células escamosas, o melanoma e o linfosarcoma.
Predisposição e Etiopatogenia do CCE
O desenvolvimento do Carcinoma de Células Escamosas (CCE) tem como principal fator contribuinte a exposição crônica aos raios ultravioletas, associada à alta incidência de raios solares.
Há uma clara predisposição em animais com pelagens claras e áreas de pele despigmentada (pele rósea). Raças como o Paint Horse, em suas variações overo ou tobiano, e o Crioulo, possuem maior propensão a lesões perioculares devido à despigmentação facial.
A prevalência desta neoplasia é maior em equinos com idade avançada, situando se geralmente entre 10 e 12 anos, enquanto a manifestação em animais jovens de 1 a 2 anos é considerada incomum.
Afecções do Trato Genital por CCE
O Carcinoma de Células Escamosas (CCE) apresenta predileção pela genitália masculina, especialmente o pênis e o prepúcio, áreas que frequentemente exibem despigmentação.
O surgimento desta neoplasia em machos está frequentemente associado à irritação crônica local. Fatores como a falta de higiene e o acúmulo de esmegma em cavalos castrados favorecem esse processo.
Além da irritação, o papilomavírus equino está associado ao desenvolvimento de CCE na região do pênis.
Embora menos frequente que nos machos, o CCE também pode ocorrer na vulva e na vagina de éguas. Vale ressaltar que a metástase do carcinoma na região do prepúcio costuma ser lenta.
Progressão, Metástases e Pneumovagina
O carcinoma de células escamosas costuma apresentar se como uma lesão única em uma área específica, diferenciando se do sarcoide. Em casos crônicos, a neoplasia pode metastatizar para linfonodos regionais, sendo frequente o enfartamento do linfonodo submandibular em tumores localizados na região da cabeça. Além da progressão tumoral, casos crônicos podem estar acompanhados de síndromes paraneoplásicas. No que diz respeito à localização genital em fêmeas, a conformação anatômica pode permitir a entrada de ar na vagina, caracterizando a pneumovagina.
Manejo Clínico e Diagnóstico do CCE
Desafios no Diagnóstico e Manejo Terapêutico
O diagnóstico definitivo do carcinoma de células escamosas exige exame histopatológico, já que a avaliação macroscópica por si só não é conclusiva. O uso prévio de medicamentos pelo proprietário, como corticoides e antibióticos, pode retardar o diagnóstico e a cura.
O manejo cirúrgico apresenta desafios em locais como a região periocular e o focinho, devido à dificuldade de obtenção de margens de segurança adequadas, sendo que o CCE exige margens maiores que as do sarcoide. Em lesões perioculares onde a cirurgia é difícil, a radioterapia surge como alternativa.
Dentre os diagnósticos diferenciais, destacam se o sarcoide e lesões granulomatosas proliferativas. Em cirurgias vulvares, é crucial manter a integridade anatômica para evitar a pneumovagina. Lesões menores e detectadas precocemente apresentam maiores taxas de sucesso.
Manejo Clínico e Diagnóstico do CCE (cont. 2)
A amputação do pênis ou prepúcio em animais castrados apresenta uma alta possibilidade de cura para lesões nessas regiões.
Etiologia Viral do Sarcóide Equino
A causa do sarcoide equino é a infecção pelo Papilomavírus Bovino, sendo o único exemplo descrito de contaminação cruzada natural entre duas espécies. O vírus causa infecções virais cutâneas, possuindo um componente viral determinante na etiologia dessas lesões neoplásicas.
O DNA do papilomavírus bovino integra se ao DNA da célula hospedeira, podendo permanecer em estado latente no animal por um período antes do início da lesão neoplásica.
A transmissão do sarcoide ocorre principalmente por vetores mecânicos ou biológicos, sendo as moscas frequentemente associadas ao processo. Tais vetores possuem predileção pelas regiões periocular e genital para a transmissão do vírus.
Recidiva e Malignização do Sarcóide
Riscos da Intervenção Inadequada A reincidência de um sarcoide equino após intervenção inadequada torna o tratamento subsequente mais difícil e frustrante. A remoção cirúrgica incompleta do sarcoide estimula a multiplicação de células contaminadas pelo vírus, podendo fazer com que a lesão retorne com maior agressividade local, caracterizando uma forma maligna. Traumas repetitivos na lesão também podem desencadear esse comportamento agressivo. Por esses motivos, o primeiro tratamento deve ser realizado com precisão, priorizando a remoção total para evitar que a lesão se torne maligna após recidiva.
Formas Clínicas: Oculto, Verrucoso e Nodular
- Sarcóide Oculto: Apresenta se como uma pequena região alopécica e hiperqueratinizada, sendo uma forma não proliferativa da doença, frequentemente encontrada nas regiões do pescoço e do peito, podendo conter pequenas lesões verrucosas ou papilomatosas.
- Sarcóide Verrucoso: Possui aspecto hiperqueratósico grosseiro que se assemelha a uma verruga, sendo rara a sua ocorrência nos membros.
- Comportamento Biológico: Diferente do carcinoma, o sarcóide equino é classificado como um tumor benigno, que, embora localmente invasivo, não produz metástases.
Distribuição e Localização do Sarcóide
- Incidência principal: Cerca de 50% das lesões concentram se na cabeça e orelhas, embora a afecção possa ocorrer em todo o corpo do animal.
- Região periocular: As lesões na cabeça concentram se predominantemente nesta área.
- Outras localizações na cabeça: O tumor pode acometer a mandíbula, a região perilabial e o focinho.
- Membros e tronco: A região distal dos membros é um local frequente de ocorrência, assim como o pescoço e a região ventral do abdômen.
- Região da virilha: O sarcoide verrucoso é comumente observado nesta área.
- Multicentricidade: A condição frequentemente apresenta lesões múltiplas no mesmo animal.
- Facilidade de tratamento: Procedimentos na região da orelha são considerados mais acessíveis em comparação à região periocular.
Epidemiologia e Fatores de Risco
O sarcoide equino apresenta uma predisposição racial variável conforme a região geográfica. Na América do Norte, as raças Quarto de Milha e Puro Sangue Árabe são relatadas como predispostas. No contexto local, observa se maior ocorrência na raça Crioulo.
A epidemiologia da doença está ligada ao manejo, sendo que a proximidade de cavalos com bovinos aumenta a chance de ocorrência de sarcoide, fato observado especialmente na raça Crioulo devido à lida com gado. A enfermidade também pode ser diagnosticada em cavalos de hípica e em animais de instituições militares.
Independente do histórico, o sarcoide possui a característica clínica de apresentar múltiplas lesões neoplásicas no corpo do equino.
Diagnóstico e Imunoterapia no Sarcóide
O diagnóstico do sarcóide equino pode ser realizado clinicamente, contudo, a confirmação histopatológica é recomendada para maior segurança. Entre os diagnósticos diferenciais, destacam se a granulação exuberante, papilomas, hiperqueratose linear e melanoma. O tratamento cirúrgico apresenta resultados excelentes se a lesão for identificada em estágio inicial, enquanto lesões extensas possuem menor sucesso devido à invasão local da massa neoplásica. Tratamentos na região periocular são considerados tecnicamente mais difíceis.
Em relação à imunoterapia, o tratamento com BCG perilesional, que visa o estímulo da imunidade humoral, apresenta uma taxa de sucesso média em torno de 50%. A utilização dessa vacina é desafiadora, pois exige aplicação imediata após sua abertura. Outras abordagens incluem a autovacina, cujo objetivo é criar imunidade contra o vírus, e o implante autólogo. Este último consiste em fragmentar o tumor em pedaços pequenos, mantê los em líquido por 24 horas e realizar o implante no subcutâneo do animal.
Genética e Pelagem Tordilha no Melanoma
O melanoma equino é considerado uma neoplasia genética associada à pelagem do animal e representa a terceira neoplasia mais comum em cavalos. O cavalo tordilho caracteriza se por nascer com pelos pretos que tornam se esbranquiçados ou cinzas ao longo da vida, um processo de clareamento que ocorre devido à apoptose dos melanócitos.
Apesar do clareamento dos pelos, a pele do cavalo tordilho permanece pigmentada. Cavalos tordilhos da raça Puro Sangue Lusitano são frequentemente acometidos, assim como animais com pelagens do tipo cremeiro ou isabel, que também apresentam propensão à ocorrência de melanoma. Em contrapartida, a neoplasia é considerada rara em animais de pelagem castanha.
Manifestações Clínicas do Melanoma
O melanoma equino apresenta se classicamente como nódulos de aspecto liso e arredondado. Em cavalos de pelagem tordilha, a chance de ocorrência é muito alta, especialmente em animais com idade superior a 10 a 12 anos.
A maioria dos melanomas equinos inicia se de forma benigna e pode evoluir para a forma maligna. Enquanto melanomas em cavalos jovens são geralmente não invasores e de fácil tratamento, a doença pode se desenvolver em diversas regiões do corpo.
As localizações anatômicas frequentes incluem a região da parótida e a região genital, incluindo o pênis. Devido à origem em células dendríticas da neuroectoderme, as lesões podem ocorrer em regiões nervosas. Por outro lado, a ocorrência em áreas como pescoço, orelhas e a região ocular é considerada rara ou pouco comum.
Malignidade e Complicações Sistêmicas
As formas malignas de melanoma em equinos possuem alto risco de metástase, sendo extremamente agressivas em animais idosos e frequentemente associadas a metástases em órgãos internos, o que pode resultar em magreza progressiva. As regiões perianal e do períneo são os locais mais comuns para a ocorrência de lesões, que podem ser extensas e de difícil tratamento. Lesões localizadas no períneo podem interferir no processo de defecação do cavalo. Além disso, melanomas podem ser extremamente vascularizados e liberar muito sangue ao serem pulsionados, e a presença de múltiplas lesões dificulta a remoção cirúrgica.
Diagnóstico do Melanoma Equino
O diagnóstico de melanoma equino é confirmado principalmente através da realização de citologia, utilizando lâminas de amostras do tecido, e de exame histopatológico.
O exame histopatológico é indispensável para diferenciar entre formas benignas e lesões que apresentam caráter de malignidade.
Biologia dos Pseudofungos
As oomicoses, que incluem a pitiose (causada pelo Pythium insidiosum), a conidiobolomicose e a basidiobolomicose, são causadas por pseudofungos de natureza saprófita. Esses agentes, que podem causar lesões cutâneas e subcutâneas, pertencem à classe dos zigomicetos.
Diferente dos fungos verdadeiros, cuja estrutura permite que antifúngicos tradicionais atuem ligando se ao colesterol da membrana para destruir a célula, os pseudofungos possuem uma parede de celulose. Esta característica física cria uma barreira eficaz que impede a entrada e a ação de antifúngicos convencionais, como o cetoconazol.
Dinâmica de Infecção da Pitiose
- Ambiente propício: A pitiose ocorre em regiões tropicais e subtropicais com água parada e matéria orgânica, sendo endêmica em áreas como o Nordeste brasileiro e o Pantanal.
- Contato com o agente: A infecção ocorre ao entrar em contato com água contaminada, momento em que o animal busca água ou alimento.
- Atuação dos zoósporos: Os zoósporos, forma móvel do agente, possuem capacidade de atração pela queratina e pela pele do equino.
- Penetração e manifestação: O zoósporo possui a capacidade de penetrar a pele íntegra, sendo a região distal dos membros o local de maior frequência de acometimento devido ao contato constante com a água.
Dinâmica de Infecção da Pitiose (cont. 2)
- Exposição ambiental: Cavalos transitam em áreas de planícies alagadiças.
- Contexto epidemiológico: O ambiente favorece a pitiose, tornando a doença endêmica na região do Pantanal brasileiro.
Apresentações Nasais e Atípicas
A pitiose nasal pode manifestar se com secreção abundante, de aspecto serossanguinolento, podendo estar associada a linfonodos submandibulares infartados ipsilateralmente à lesão.
Em locais atípicos, como a região periocular, a pitiose pode mimetizar a habronemose. Nesses casos, as lesões tendem a ser mais ulcerativas, não apresentando o aspecto granulomatoso clássico da doença.
Independentemente da localização, a pitiose causa prurido intenso, que pode levar o animal ao autotraumatismo.
Apresentações Nasais e Atípicas (cont. 2)
As lesões de pitiose em equinos ocorrem preferencialmente na parte distal dos membros, no focinho e na região ventral, áreas expostas a águas contaminadas, especialmente em regiões endêmicas.
As manifestações clínicas da enfermidade incluem prurido intenso, presença de 'kunkers' (grãos de enxofre) e uma produção abundante de pus no local da lesão.
O tratamento da pitiose é desafiador, pois a parede celular do agente é composta de celulose, característica que torna os antifúngicos convencionais ineficazes contra esse patógeno.
Conidiobolomicose e Basidiobolomicose
A conidiobolomicose é uma enfermidade de incidência muito baixa em equinos, sendo considerada uma causa rara de lesão cutânea ou mucosa quando comparada à pitiose. O fungo causador habita o ambiente em materiais em decomposição no solo e em plantas, e a contaminação nos cavalos ocorre predominantemente por meio da aspiração do agente durante o processo de alimentação.
As manifestações clínicas da conidiobolomicose concentram se frequentemente na região da cabeça e pescoço, com uma predileção marcante pelo interior das narinas e condutos nasais, apresentando lesões tipicamente granulomatosas e proliferativas. Em quadros clínicos avançados, o equino pode apresentar estridor respiratório inspiratório, epistaxe e presença de conteúdo serosanguinolento.
Abordagem Diagnóstica em Rinofitomicoses
O diagnóstico de rinofitomicoses em equinos requer uma abordagem sequencial, integrando avaliação clínica e métodos laboratoriais para garantir a diferenciação correta entre as patologias.
- Exame clínico e endoscópico: A endoscopia é a ferramenta diagnóstica utilizada para observar lesões nasais internas, as quais podem mimetizar o hematoma etmoidal e, devido à limitação anatômica do prumo nasal, costumam ser menores e menos proliferativas.
- Exame histopatológico: As lesões nasais devem ser submetidas à histopatologia, embora a diferenciação microscópica entre pitiose e conidiobolomicose seja desafiadora, pois as lesões são muito parecidas e os grânulos de enxofre são mais difíceis de visualizar nesta forma clínica.
- Diagnóstico definitivo: A confirmação do diagnóstico diferencial entre pitiose e conidiobolomicose é realizada obrigatoriamente por meio de cultivo ou PCR.
Abordagem Diagnóstica em Rinofitomicoses (cont. 2)
- Classificação das três principais oomicoses em equinos: pitiose, conidiobolomicose e basidiobolomicose.
- Avaliação da gravidade: a basidiobolomicose é considerada a mais grave entre as três principais oomicoses citadas em equinos.
Métodos Laboratoriais para Pitiose
| Método Diagnóstico | Características e Observações |
|---|---|
| Histopatológico | Método de escolha, preferencial em relação à cultura. |
| PCR | Opção diagnóstica amplamente utilizada. |
| Cultura Fúngica | Demorada e frustrante; o agente não cresce em meios convencionais como ágar Sabouraud. |
| Imunohistoquímica | Método com custo elevado e acesso difícil. |
| Difusão em ágar gel | Opção diagnóstica disponível. |
O exame histopatológico é o método de preferência para o diagnóstico de pitiose.
Métodos Laboratoriais para Pitiose (cont. 2)
| Método Diagnóstico | Aplicação na Pitiose |
|---|---|
| Histopatologia | Solicitar coloração de GMS (Grocott Gomori Methenamine Silver) ao suspeitar de pitiose |
A coloração de GMS é um método recomendado para auxiliar na identificação durante o exame histopatológico de suspeita de pitiose.
Diagnóstico Diferencial e Clínico
A pitiose é causada por um pseudofungo que exige meios de cultura específicos, como o ágar Sabouraud. A infecção ocorre frequentemente na região distal dos membros ou condutores.
Embora a suspeita possa ser baseada em sinais clínicos consistentes, o diagnóstico diferencial é recomendado, visto que a aparência da lesão de pitiose na região nasal pode remeter ao carcinoma de células escamosas. Para confirmação, além da análise clínica, solicitam se exames histopatológicos e de imunohistoquímica.
Deve se estar atento a lesões de pele que não cicatrizam, pois podem indicar infecções mistas, como a associação entre habronemose cutânea e pitiose.
Confirmação por PCR e Imunohistoquímica
A pitiose é a oomicose mais frequente observada em equinos. O diagnóstico definitivo requer precisão clínica e laboratorial, uma vez que a realização da cultura fúngica para este agente é reconhecidamente difícil.
Para a confirmação diagnóstica, prioriza se o exame histopatológico, sendo recomendada a associação com a PCR ou a imunohistoquímica. Estes métodos são fundamentais para realizar o diagnóstico diferencial e excluir outras condições, como o tecido de granulação exuberante, a habronemose e neoplasias, tais como o carcinoma.
Farmacoterapia: Iodetos e Anfotericina B
- Associação terapêutica: O tratamento da pitiose combina a excisão cirúrgica com terapia farmacológica.
- Anfotericina B: Fármaco eficaz, mas exige monitoramento devido à toxicidade renal e hepática.
- Infusão regional: Indicada para lesões distais, utiliza doses menores para reduzir o risco de toxicidade sistêmica.
- Protocolo de infusão regional: Utiliza 50 mg de anfotericina B diluídos em 10 ml e rediluídos em 50 ml de Ringer Lactato.
- Administração sistêmica: Realizada com anfotericina B diluída em glicose por pelo menos 7 dias.
- Dificuldade de difusão: A presença de tecidos necróticos na lesão dificulta a difusão da anfotericina B.
- Iodetos orais: O iodeto de potássio ou de sódio é administrado na dose de 60 mg por kg por período prolongado.
- Riscos dos iodetos: O uso dessas substâncias em doses altas apresenta riscos de intoxicação.
- Antifúngicos tradicionais: Drogas que agem no colesterol de membrana não são eficazes no tratamento da pitiose.
Cirurgia e Imunoterapia na Pitiose
- Tratamento Cirúrgico: A incisão de lesões de pitiose apresenta sangramento intenso devido à alta vascularização do tecido, sendo a hemostasia realizada com ferro quente e garrote.
- Desafios Anatômicos: A região nasal é considerada uma área difícil para a realização de intervenções cirúrgicas na pitiose.
- Imunoterapia (Pitumba BAC): Apresenta eficácia quando combinada com a incisão cirúrgica e deve ser utilizada como recurso terapêutico, e não preventivo.
- Efeitos Adversos da Imunoterapia: O uso da Pitumba BAC pode causar dor local, edema local ou abscessos no sítio de aplicação.
- Terapia com Iodetos: Representa uma opção de tratamento barata, contudo, possui risco de intoxicação.
- Anfotericina B: É considerada uma opção tóxica no protocolo de tratamento da pitiose.
- Uso de Corticoides: O emprego de doses altas de triancinolona ainda requer mais estudos para a confirmação de sua eficácia no tratamento da pitiose.
A Vacina Pitumba BAC e Casos Específicos
- Imunoterapia Pitumba BAC: Desenvolvida por pesquisadores da UFSM e Embrapa RS, esta vacina, também conhecida como Pitiu Vac, é utilizada no tratamento da pitiose equina.
- Opções terapêuticas: O tratamento para pitiose pode envolver incisão cirúrgica, anfotericina B ou iodeto de potássio.
- Lesões de mucosa nasal: Devem seguir o mesmo protocolo de tratamento da pitiose cutânea.
- Lesões pedunculadas: Podem não necessitar de tratamento medicamentoso adicional após a remoção cirúrgica.
- Grânulos de enxofre: As massas causadas por conidiobolomicose ou pitiose podem apresentar a presença de grânulos de enxofre.
Habronemose Cutânea: Ciclo e Vetores
A habronemose cutânea, popularmente denominada 'ferida de verão', é uma enfermidade que ocorre com maior frequência durante o verão, devido à maior concentração de moscas no ambiente.
O ciclo do parasita envolve a eliminação de larvas nas fezes do cavalo, que são ingeridas por larvas de moscas. As larvas de Habronema são eliminadas pela probóscide da mosca adulta durante a alimentação, causando uma lesão cutânea quando depositadas fora do trato digestório, o que provoca uma reação de hipersensibilidade por corpo estranho.
A região periocular é uma localização muito comum para a habronemose, que se baseia em um ciclo errático. A ocorrência da enfermidade está frequentemente associada a programas de vermifugação deficientes em equinos.
Habronemose Cutânea: Ciclo e Vetores (cont. 2)
A habronemose cutânea é causada por nematódios parasitas do estômago. Os agentes etiológicos que provocam essa enfermidade são Habronema muscae, Habronema majus e Draschia megastoma.
Sinais Clínicos da 'Ferida de Verão'
A habronemose cutânea, popularmente conhecida como 'ferida de verão', é uma condição caracterizada por lesões crônicas e pruriginosas, resultado de uma reação de hipersensibilidade. O parasita possui predileção por regiões úmidas do corpo do animal, como os lábios, a genitália masculina e a região periocular, onde as moscas vetores frequentemente se alimentam. As manifestações clínicas variam conforme a localização da lesão. Na região periocular, o acometimento do canto lacrimal pode resultar em epífora devido à obstrução do ducto nasolacrimal. Nos machos, a habronemose é comum no prepúcio — onde pode evoluir com miíase secundária ou sangramento, muitas vezes passando despercebida inicialmente — e, em menor frequência, no pênis, podendo causar disúria. Dada a sua variabilidade, a condição pode ser confundida clinicamente com outras afecções dermatológicas.
Acometimento de Olhos e Genitália
- Região Periocular: Local de ocorrência frequente, podendo resultar em blefarospasmo, epífora e fotofobia.
- Região do Prepúcio: Área comum devido ao acúmulo de umidade e atração de moscas, manifestando se como aumento de volume granulomatoso, especialmente em áreas despigmentadas.
- Características das Lesões: A reação à larva de Habronema produz tecido de granulação exuberante ou áreas ulceradas, sendo a lesão caracteristicamente mais seca do que a da pitiose.
- Localizações Adicionais: Pode ocorrer em feridas nas extremidades distais dos membros ou no lábio, exigindo diagnóstico diferencial com neoplasias como o carcinoma em casos de feridas crônicas.
Diagnóstico Definitivo por Biópsia
- Limitação da citologia: A citologia é considerada um método pouco eficiente e frustrante para o diagnóstico de habronemose.
- Indicação da biópsia: O diagnóstico definitivo da habronemose deve ser feito preferencialmente por biópsia, sendo um método mais fidedigno.
- Achados histopatológicos: O exame revela a presença de larvas de Habronema sp. e reação inflamatória eosinofílica.
- Causa do prurido: A reação inflamatória eosinofílica é a responsável pelo prurido intenso observado na ferida.
Terapia Medicamentosa e Tópica
- Lactonas macrocíclicas: Ivermectina e moxidectina são efetivas no tratamento da habronemose cutânea e gástrica.
- Abordagem sistêmica: O tratamento pode envolver o uso de anti helmínticos, associados ou não a corticoides.
- Remoção cirúrgica: Procedimento realizado para a retirada do tecido lesionado em regiões de fácil acesso.
- Pomada tópica: Formulação composta por corticoide, organofosforado e DMSO, cujas concentrações podem ser consultadas no livro do professor Armando Macena.
- Ação do corticoide: Presente na pomada com o objetivo de diminuir o prurido.
- Ação do organofosforado: Presente na pomada para atuar na eliminação das larvas vivas na ferida.
- Ação do DMSO: Aumenta a capacidade de absorção do corticoide e do organofosforado no tecido durante o tratamento tópico.
Sarnas Equinas e Ectoparasitoses
Características das Sarnas e Ectoparasitoses
As sarnas equinas são enfermidades parasitárias altamente contagiosas, causadas por ácaros dos gêneros Chorioptes, Sarcoptes, Psoroptes e Demodex. Embora apresentem alta frequência em países de clima frio e locais com aglomeração de animais, sua ocorrência é considerada pouco comum na experiência clínica local. Ácaros, sarnas e habronemose compõem as principais causas parasitárias de lesões cutâneas nessa espécie.
Os sinais clínicos típicos incluem pápulas, prurido intenso, alopecia, esfoliações e crostas, podendo ocorrer a quebra de pelo na região da crina e da cauda. É fundamental incluir a sarna no diagnóstico diferencial sempre que múltiplos animais apresentarem lesões semelhantes, lembrando que a pediculose, ou infestação por piolhos, também deve ser considerada.
A transmissão ocorre predominantemente por contato direto entre animais ou de forma indireta, através do compartilhamento de selas e arreios contaminados.
Diagnóstico e Terapia da Sarna
Na dermatologia equina, a sarna e a hipersensibilidade à picada de insetos são reconhecidas como as duas principais enfermidades parasitárias cutâneas. Embora a literatura aponte uma alta ocorrência de sarna, sua observação clínica pode ser menos frequente na rotina prática quando comparada à hipersensibilidade. A sarna psoróptica, especificamente, tende a acometer as regiões da crina e da cauda do animal.
A contaminação bacteriana secundária é frequente na sarna equina, podendo dificultar o diagnóstico ao mascarar os sinais clínicos. Para o diagnóstico, utilizam se o raspado de pele e a biópsia. O manejo terapêutico de ectoparasitoses, incluindo sarnas, exige o isolamento dos animais infectados e a limpeza rigorosa do ambiente, especialmente dos piquetes.
Em relação à farmacoterapia, a ivermectina injetável não é recomendada para cavalos devido ao risco de efeitos colaterais. A alternativa eficaz consiste na administração de ivermectina por via oral, feita uma vez por semana durante um ciclo de seis semanas.
Hipersensibilidade à Picada (IBH)
A hipersensibilidade à picada de inseto (IBH) é uma reação alérgica parasitária, classificada como uma resposta imunológica do tipo I e do tipo IV à saliva dos insetos. É reconhecida mundialmente como a principal causa de prurido e urticária em equinos.
Os insetos do gênero Culicoides são os agentes mais comuns nesta afecção. Contudo, outros insetos como Simulium, Haematobia irritans, Stomoxys calcitrans e Tabanídeos também podem desencadear esse processo alérgico.
A frequência dos quadros está associada às condições climáticas: regiões com clima quente apresentam maior incidência, podendo ocorrer casos durante o ano todo, enquanto em locais com invernos rigorosos, a incidência diminui. Vale ressaltar que as manifestações clínicas podem ser visualmente confundidas com sarna.
Sinais Clínicos e Complicações da IBH
- Manifestações dermatológicas: a hipersensibilidade à picada de insetos resulta em quebra de pelos na cauda, orelha e crina.
- Distribuição das lesões: as regiões do peito e do pescoço são as mais atacadas pelos insetos devido à dificuldade do animal em espantá los nesses locais.
- Infecções bacterianas: representam complicações comuns que dificultam o tratamento, pois a ferida pode não melhorar apenas com a terapia específica para a hipersensibilidade.
- Sinais de infecção: a alteração no tom da pele em áreas de alopecia sugere contaminação bacteriana secundária.
- Impacto sistêmico: a degranulação de mastócitos e a liberação de histamina podem causar broncoconstrição e sinais respiratórios semelhantes à asma.
- Contaminações por leveduras: podem ocorrer nas lesões, embora sejam menos frequentes que as contaminações bacterianas.
Sinais Clínicos e Complicações da IBH (cont. 2)
- Regiões acometidas: A virilha e o peito são áreas frequentemente afetadas pela hipersensibilidade à picada de insetos em cavalos.
Estratégias de Controle Ambiental
O pilar fundamental do tratamento da hipersensibilidade a picadas de insetos é evitar o contato direto entre o inseto e o cavalo. Adicionalmente, o controle rigoroso desses vetores auxilia a prevenir que lesões dermatológicas sejam erroneamente confundidas com picadas, facilitando o diagnóstico diferencial.
Para o manejo ambiental nas baias, o uso de telas finas e ventiladores ajuda a espantar insetos picadores. Outra estratégia eficaz consiste em manter o cavalo confinado durante o dia e soltá lo apenas à noite para reduzir a exposição ao ataque de insetos.
Quanto aos métodos repelentes, o óleo de nim é indicado para repeler insetos como os Culicoides. O alcatrão também atua como um bom repelente, porém apresenta consistência de graxa e deixa o animal com aspecto escurecido. Já a permetrina possui boa eficácia contra insetos, embora apresente risco de criar resistência em ectoparasitas. Por fim, a citronela tem utilidade limitada devido ao seu curto tempo de duração, de aproximadamente 30 minutos.
Dermatite Atópica Equina
Compreendendo a Dermatite Atópica Equina
A dermatite atópica em cavalos é uma condição frequente, resultante de uma interação entre fatores genéticos e a sensibilidade a alérgenos ambientais, como pólen, ácaros, bolores e plantas.
A característica clínica mais marcante da enfermidade é o prurido de início súbito, que se apresenta acompanhado de pápulas e aumentos de volume inflamatórios na pele.
O processo fisiopatológico central envolve a liberação de histamina devido à degranulação de mastócitos. À medida que a condição progride, as crises tornam se progressivamente mais frequentes e severas.
Devido à sua natureza alérgica, a atopia pode manifestar se além da pele, apresentando lesões respiratórias e crises de dificuldade respiratória semelhantes à asma.
Fisiopatologia e Diagnóstico Alérgico
- Fisiopatologia: Alterações genéticas na barreira cutânea ou menor oleosidade na pele favorecem a penetração de substâncias desencadeantes.
- Progresso clínico: A dermatite atópica geralmente se inicia em animais jovens e tende a piorar com o passar do tempo.
- Manifestações clínicas: Pode apresentar sinais como áreas de alopecia e hiperceratose.
- Localização das lesões: As regiões de axila, antebraço, face, região inguinal e pescoço são locais comuns de acometimento.
- Complicações: Infecções bacterianas secundárias ocorrem frequentemente devido à deficiência na proteção da pele.
- Fatores ambientais: Fatores como feno, gramíneas e pó de plantas podem desencadear o quadro alérgico.
- Diagnóstico: O diagnóstico de dermatite atópica em cavalos é realizado por meio de diagnósticos diferenciais de exclusão, devendo incluir a hipersensibilidade à picada de inseto.
- Manejo: Alterações nas práticas de manejo podem reduzir a incidência das lesões.
Fisiopatologia e Diagnóstico Alérgico (cont. 2)
- Testes intradérmicos: São recursos existentes para identificar causas da dermatite atópica, no entanto, apresentam acesso limitado e complexidade na realização rotineira, tanto no Brasil quanto em outros países.
Hierarquia do Tratamento Alérgico
- Avaliação inicial: A infecção bacteriana secundária frequentemente mascara o problema primário, como a dermatite atópica, impossibilitando um diagnóstico histopatológico preciso.
- Tratamento da piodermite: Inicie a conduta terapêutica tratando a infecção bacteriana secundária com o uso de antibióticos, como a trimetoprima administrada por via oral por um período de 15 a 20 dias.
- Diferenciação clínica: O controle prévio da infecção bacteriana é fundamental para distinguir se o quadro dermatológico é apenas uma piodermite ou uma dermatose alérgica subjacente.
- Diagnóstico definitivo: Apenas após a resolução da infecção secundária deve se repetir o exame histopatológico para obter um diagnóstico dermatológico definitivo.
Imunoterapia e Melhoria Ambiental
A imunoterapia específica para dermatite atópica atua estimulando o organismo a produzir anticorpos contra alérgenos previamente identificados por testes cutâneos. Em grande parte dos equinos, observa se uma melhora clínica significativa após seis meses de tratamento.
O controle ambiental representa uma das medidas mais eficientes no manejo de dermatopatias equinas. Estratégias como a mudança de piquete, a limitação de acesso a áreas específicas e a alteração no manejo de materiais, como a substituição da serragem da baia ou a troca do fornecedor de feno, são fundamentais para promover a melhora clínica do paciente.
Manejo do Prurido e Pênfigo Foliáceo
O controle do prurido em cavalos representa o maior incômodo para o animal. Anti histamínicos, como a hidroxizina e a pirilamina, apresentam baixa eficácia clínica e são dispendiosos devido ao alto volume de doses necessário, não sendo tão eficazes quanto em outras espécies. O uso de corticoides possui efeito paliativo na dermatite atópica, apesar dos efeitos colaterais, enquanto ácidos graxos como ômega 3 e ômega 6 melhoram a condição da pele, embora possuam custo elevado.
O pênfigo foliáceo é uma dermatopatia autoimune frequente, grave e de difícil tratamento, muitas vezes confundida com sarna ou lesões fúngicas. Shampoos com polissulfeto de cálcio a 2% são eficientes como banho terapêutico para dermatoses equinas.
Manejo do Prurido e Pênfigo Foliáceo (cont. 2)
O diagnóstico diferencial para prurido com alopecia em equinos inclui a pediculose, a hipersensibilidade à picada de insetos, alergias e o pênfigo foliáceo. O tratamento dermatológico nestes animais torna se frustrante quando a causa do problema não é identificada.
Para casos de prurido intenso ou situações de automutilação, recomenda se o uso de corticoides. É importante observar que, no Brasil, existe dificuldade de acesso a certas substâncias e testes diagnósticos dermatológicos facilmente encontrados na literatura internacional.
Fármacos e Imunoterápicos Oncológicos
Opções Terapêuticas e Desafios no Manejo Oncológico
O tratamento de neoplasias equinas enfrenta desafios significativos devido ao alto custo e à baixa disponibilidade de medicamentos antineoplásicos, além da necessidade de equipamentos especializados para modalidades como a radioterapia e a quimioterapia.
Diversas substâncias antineoplásicas são empregadas na rotina clínica, incluindo cisplatina, fluoracil e mitomicina. Frequentemente, a estratégia terapêutica envolve uma terapia adicional combinada à incisão cirúrgica para otimizar os resultados.
Entre as opções imunoterápicas, o Imiquimod destaca se no tratamento do sarcoide equino, embora seja um medicamento de alto custo e ação lenta, exigindo mais de seis meses para um resultado adequado. O aciclovir também é utilizado em lesões neoplásicas, como no sarcoide ou naquelas com envolvimento viral, a exemplo das localizadas no prepúcio.
Paralelamente, avançam estudos sobre o uso de vacinas para estimular o sistema imune contra o papilomavírus e outras neoplasias em equinos, buscando novas alternativas para o controle dessas enfermidades.
Fármacos e Imunoterápicos Oncológicos (cont. 2)
O tratamento de sarcoides equinos pode envolver a utilização de fármacos antivirais, como o aciclovir. Contudo, em casos de lesões muito extensas, a aplicação desta terapia torna se onerosa, apresentando um custo elevado que deve ser considerado durante a escolha do protocolo terapêutico.
Cimetidina e Piroxicam em Cavalos
- Cimetidina: Utilizada como terapia única ou adjuvante no tratamento do melanoma equino, exercendo efeito antineoplásico por meio da inibição de receptores histaminérgicos.
- Cimetidina: Não possui eficácia documentada para o tratamento de gastrite em cavalos.
- Piroxicam: Anti inflamatório não esteroidal (AINE) que possui efeito antineoplásico via bloqueio da enzima COX.
- Piroxicam: Frequentemente associado à incisão cirúrgica para aumentar a eficácia do tratamento.
- Riscos do Piroxicam: O uso oral de doses elevadas pode causar efeitos colaterais como gastrite e lesões renais.
- Melanoma e Quimioterapia: A quimioterapia geralmente apresenta baixa eficácia neste tipo de neoplasia, com o uso de cisplatina frequentemente associado a um prognóstico ruim.
Enucleação e Neoplasias Invasivas
A enucleação ocular é necessária quando a neoplasia invade o globo ocular, resultando na perda de aproximadamente 50% do campo visual do animal. Consequentemente, o cavalo perde a função esportiva, sendo mantido apenas para funções reprodutivas ou como animal de estimação.
O tratamento de lesões grandes na região periocular é frequentemente frustrante devido à ausência de margens de segurança. Nestes casos, quando a possibilidade de cirurgia é limitada, a terapia clínica é a alternativa indicada.
Para outras condições oncológicas, como a presença de múltiplas lesões de melanoma na base da cauda, a amputação desta estrutura pode ser realizada como conduta.
Crioterapia e Hipertermia Terapêutica
- A crioterapia utiliza nitrogênio líquido, armazenado em garrafas térmicas específicas, para congelar células neoplásicas.
- O protocolo de crioterapia deve ser realizado em três ciclos de congelamento e descongelamento.
- Deve se manter um intervalo de 15 minutos entre os ciclos de congelamento e descongelamento.
- A morte das células neoplásicas ocorre pelo rompimento destas durante o processo de descongelamento.
- O procedimento de crioterapia pode causar sangramento devido a uma vasodilatação rebote após a vasoconstrição provocada pelo frio.
- O tratamento cirúrgico pode ser associado a terapias como crioterapia, laser de CO2 ou hipertermia.
- A hipertermia terapêutica baseia se na maior sensibilidade das células neoplásicas ao calor em comparação às células normais.
- O procedimento de hipertermia consiste na inserção de eletrodos dentro do tumor para aumentar a temperatura interna da lesão.
- O uso de hipertermia com eletrodos pode causar miosite no pós operatório devido à estimulação elétrica e contração muscular.
Crioterapia e Hipertermia Terapêutica (cont. 2)
O mecanismo de morte das células neoplásicas na crioterapia é o processo de congelamento e descongelamento.
- Congelamento: Primeira etapa do mecanismo de morte das células neoplásicas.
- Descongelamento: Segunda etapa do mecanismo de morte das células neoplásicas.
Outras Intervenções e Diagnósticos
- Aciclovir: tem efeito antiviral e pode ser usado como terapia adicional à incisão cirúrgica em lesões pequenas.
- BCG: existe um tratamento para sarcoide equino realizado com injeção local de BCG.
- Implante autólogo: o implante de fragmentos de tumor no subcutâneo pode causar o crescimento de novos tumores no local do implante.
- Autovacina: é utilizada no tratamento da papilomatose bovina, sendo o material inativado com formalina.
- Análise patológica: a massa neoplásica removida cirurgicamente deve ser enviada para patologia para confirmação do problema.
- Imiquimod: seu uso em sarcoides pode causar a formação de crostas e queimar a lesão.
- Cirurgia e Crioterapia: a combinação de cirurgia com crioterapia é frequentemente utilizada e funciona muito bem no tratamento de sarcoides.
Prognóstico e Mastocitoma Equino
O mastocitoma em cavalos é menos comum do que em cães e frequentemente apresenta comportamento benigno.
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
|---|
| Kunkers (grãos de enxofre) são sinais patognomônicos macroscópicos de pitiose equina. |
| A localização em junções mucocutâneas aumenta drasticamente a suspeita de Carcinoma de Células Escamosas. |
| A associação entre pelagem tordilha e melanoma é um fator genético determinante na rotina equina. |
A Raiz da Restauração
Na dermatologia equina, a remoção cirúrgica incompleta de um sarcoide estimula as células contaminadas pelo vírus, fazendo com que a lesão retorne de forma ainda mais agressiva. De modo semelhante, quando tentamos resolver nossas falhas mascarando comportamentos superficiais, sem permitir que Deus acesse nosso interior, o problema sempre reaparece. Cristo atua como o verdadeiro médico da alma, removendo pela raiz aquilo que nos destrói para nos oferecer uma restauração profunda e definitiva.
Cura me, Senhor, e serei curado; salva me, e serei salvo, pois tu és aquele a quem eu louvo.Jeremias 17:14
Permita uma cura profunda