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Doenças do Aparelho Locomotor Equino: Afecções Podais e Tendíneas
A conexão entre o casco e a falange distal do equino é realizada exclusivamente pelo tecido lamelar, sem a presença de outro tecido conjuntivo de conexão. Essa união ocorre por meio do extrato interno, que apresenta lâminas primárias e secundárias. Essas estruturas funcionam como
Topicos da aula
- Doenças do Aparelho Locomotor
Manejo Clínico de Laminite e Tendinopatias Equinas
Nesta aula, exploraremos o manejo clínico das principais afecções do aparelho locomotor distal equino, integrando o estudo da laminite, da doença podotroclear e das tendinopatias. Abordaremos como processos sistêmicos e metabólicos desencadeiam falhas estruturais no casco, levando à instabilidade da falange distal, e analisaremos a natureza degenerativa da síndrome do navicular sob a ótica da biomecânica e da imaginologia. Além disso, discutiremos as lesões de tendões e ligamentos, enfatizando a tríade fisiopatológica de sobrecarga, calor e isquemia que direciona o tratamento. O objetivo central é capacitar o clínico a transitar entre diagnósticos complexos e terapias modernas, desde a crioterapia intensiva até o uso de biotecnologias regenerativas, respeitando sempre os limites fisiológicos de reparação tecidual para a preservação da saúde e do desempenho atlético do cavalo.
Conceitos Fundamentais da Laminite no Equino
A laminite é uma das afecções de caráter clínico mais severas e devastadoras na medicina esportiva equina, consistindo na inflamação das lâminas sensitivas e insensitivas do casco. Essa patologia afeta as estruturas de união entre o casco e a falange distal e é extremamente dolorosa devido à intensa inervação local. Além disso, o tecido lamelar possui shunts arteriovenosos que auxiliam na termorregulação do casco. Frequentemente, a doença está associada à Disfunção da Pars Intermedia da Pituitária (PPID), que no cavalo envolve a porção intermédia da glândula, diferentemente do que ocorre em cães e humanos.
O impacto da inflamação é agravado pelo fato de o cavalo apoiar todo o seu peso sobre um único dígito, diferentemente dos ruminantes, que possuem dois dígitos e conseguem redistribuir o peso. Essa falha no aparato suspensório pode levar o animal à incapacidade de manter se em estação, adotando a posição de decúbito. Pela sua gravidade, o quadro pode levar muitos animais a óbito ou à indicação de eutanásia em casos de colapso estrutural.
O diagnóstico de doenças do aparelho locomotor em equinos é desafiador, uma vez que o animal não comunica a dor verbalmente, manifestando a claudicação em graus variáveis como seu principal sinal clínico. Para a identificação precisa do ponto de dor, utilizam se técnicas semiológicas fundamentais, incluindo bloqueios, testes de flexão e a avaliação sistemática durante o trote.
Suporte de Peso e Anatomia do Estojo Córneo
A conexão entre o casco e a falange distal do equino é realizada exclusivamente pelo tecido lamelar, sem a presença de outro tecido conjuntivo de conexão. Essa união ocorre por meio do extrato interno, que apresenta lâminas primárias e secundárias. Essas estruturas funcionam como invaginações que aumentam significativamente a área de contato e adesão, permitindo que o casco suporte pressões extremas, como as geradas pelo galope de um animal de 500 kg. O estojo córneo divide se em três camadas principais: o estrato externo, o estrato médio e o estrato interno. O estrato médio é uma estrutura queratinizada com espessura entre 0,5 cm e 1 cm, sendo o grande responsável por receber o peso do animal. É justamente na transição para o estrato interno que se localiza o sítio exato da inflamação na laminite. A incidência de laminite é mais frequente nos membros torácicos em comparação aos pélvicos. Essa predisposição clínica deve se ao fato de o centro de gravidade do equino estar localizado na região umbilical, o que faz com que os membros torácicos suportem a maior parte da carga, correspondendo a cerca de 60% a 65% do peso corporal total.
Vascularização e Bombeamento do Casco
O tecido das lâminas do casco do cavalo é extremamente vascularizado, o que o torna um alvo crítico em situações de crises sistêmicas. Essa região apresenta uma sensibilidade elevada a toxinas bacterianas e a alterações hemodinâmicas, como as observadas em quadros de choque. Assim, qualquer desequilíbrio circulatório ou presença de patógenos no sangue pode comprometer a integridade dessas lâminas.
Para manter a saúde lamelar, o equino depende da movimentação constante. O ciclo mecânico de colocar e retirar o casco do chão funciona como um sistema de bombeamento sanguíneo essencial para a vitalidade da região. Quando afecções infecciosas sistêmicas, como a pleuropneumonia ou a colite, surgem no organismo, o tecido lamelar sofre danos diretos que podem resultar em laminite.
Gatilhos Abdominais e Reprodutivos
A laminite aguda pode se manifestar em um ou até mesmo nos quatro membros do animal, sendo frequentemente disparada por emergências clínicas graves que comprometem o equilíbrio sistêmico. Distúrbios gastrointestinais, como as cólicas e as torções que envolvem o intestino delgado, são gatilhos críticos. Essas condições aumentam drasticamente a permeabilidade a endotoxinas, o que eleva a frequência de quadros de laminite tanto no período pré quanto no pós operatório.
No cenário reprodutivo, a retenção de placenta e de membranas fetais após o parto representa um perigo extremo. Essa falha na expulsão dos anexos causa uma endotoxemia aguda e severa, resultando em uma laminite de início rápido e evolução sistêmica perigosa, que pode acometer os quatro membros simultaneamente devido à gravidade da resposta inflamatória.
Fisiopatologia das Endocrinopatias na Saúde Lamelar
As endocrinopatias são a etiologia primária da laminite em diversos perfis, ocorrendo especialmente em animais idosos, pôneis e cavalos obesos. Nesse contexto, as duas principais condições relacionadas são a Disfunção da Pars Intermedia da Pituitária (PPID) e a Resistência à Insulina. Na PPID, também conhecida como Síndrome de Cushing Equino, ocorre o aumento dos níveis de cortisol endógeno, o que induz alterações lamelares significativas. Esse risco não se limita à produção orgânica, uma vez que o uso iatrogênico prolongado de corticosteroides exógenos também exige monitoramento rigoroso pela mesma probabilidade de desencadear o quadro.
Adicionalmente, deve se notar que a Síndrome Metabólica Equina e a desregulação da insulina são consideradas a mesma enfermidade, marcada pela dificuldade na captação de glicose. Como o tecido lamelar possui alta demanda glicolítica, essa falha na oxidação celular induz processos de apoptose e necrose. Esse mecanismo fisiopatológico é comparável ao pé diabético humano, onde a privação de energia celular compromete diretamente a integridade estrutural do dígito.
Mecanismos de Isquemia e Ativação Enzimática
A fisiopatogenia da laminite é explicada por um conjunto de teorias complementares. Uma das perspectivas clássicas foca na isquemia e trombose resultantes da abertura permanente de shunts arteriovenosos no casco durante estados de choque. Esse processo gera edema, hipóxia e a formação de trombos, o que justifica o termo popular 'aguamento', devido à efusão de líquidos observada no tecido.
Outro mecanismo fundamental envolve a ativação enzimática. A ativação de metaloproteinases (MMP 2 e MMP 9), que são enzimas proteolíticas, contribui diretamente para a destruição do tecido lamelar ao degradar as conexões de colágeno durante estados inflamatórios. Além disso, a infiltração de leucócitos no tecido também é considerada um fator relevante no processo de degradação estrutural.
Atualmente, a teoria da resistência à insulina e privação de glicose tornou se um dos principais focos de estudo, ganhando destaque nas pesquisas etiológicas modernas sobre a doença. Essa abordagem busca entender como o metabolismo sistêmico interfere na saúde das lâminas, complementando o entendimento sobre o colapso do aparato suspensório do dígito.
Diferenciação entre as Fases Prodrômica e Aguda
A laminite é segmentada em fases clínicas, sendo que na fase subclínica a estabilização do casco deve ser mantida por pelo menos 8 semanas. A fase prodrômica, ou de desenvolvimento, dura de 24 a 72 horas e apresenta sinais clínicos superficiais e extremamente discretos, o que dificulta sua identificação. Por isso, exige se uma profilaxia agressiva em pacientes com fatores de risco, como retenção de placenta ou pós operatório de cólica.
Já a fase aguda é diagnosticada por sinais cardinais claros: aumento da temperatura da muralha do casco e pulso digital palpável na artéria digital palmar ou plantar. O animal apresenta claudicação, dor à palpação com pinça e uma apresentação clínica típica de alternância de peso entre os membros torácicos, o chamado movimento de ensatilhar. Para mitigar o desconforto, o equino adota uma postura característica, adiantando os membros pélvicos em direção ao centro de gravidade e projetando os torácicos para frente, apoiando se nos talões.
A severidade da dor é classificada pela Escala de Obel, que varia de 1 a 4 conforme a gravidade. No grau 4, o nível mais crítico da escala, o animal permanece a maior parte do tempo deitado e só se move sob estímulo forte.
Mecânica do Deslocamento da Falange Distal
A fase crônica da laminite é caracterizada pelo colapso do aparato de sustentação da falange distal. Nesta etapa, a laminite é caracterizada pela rotação da falange distal, e é importante notar que a rotação da falange distal é o principal sinal clínico de laminite em casos crônicos.
Mecanicamente, a rotação da falange distal ocorre devido à necrose do tecido lamelar, permitindo que a força de tração do tendão flexor digital profundo desloque o osso. A ruptura das fibras dorsais da lamela permite a rotação da falange distal sob essa tensão. Em casos extremos, a ruptura do tendão flexor digital profundo ocorre na sua inserção na falange distal.
Além da rotação, pode ocorrer o deslocamento vertical do osso. A ruptura das lamelas laterais causa o afundamento da falange distal, que pode ser unilateral ou bilateral. Assim, as manifestações clínicas da fase crônica da laminite incluem a rotação e/ou o afundamento da falange distal.
Alterações Externas e Morfologia do Casco
Na laminite crônica, o casco perde o paralelismo com a falange distal, um sinal visível em radiografias, e passa a apresentar um crescimento desorganizado com linhas de estresse permanentes. Essas alterações ocorrem porque o colapso estrutural interno reflete se diretamente na morfologia externa e na qualidade do tecido córneo produzido.
Morfologicamente, o casco pode assumir um formato alargado e achatado, conhecido popularmente como 'bolachão'. Durante o exame físico, o clínico consegue identificar a rotação da falange distal através do estufamento da sola, enquanto o afundamento do osso é detectado pela palpação de um degrau na banda coronária.
Complicações Sépticas e Perfuração da Sola
A laminite, tecnicamente chamada de pododermatite asséptica difusa, pode progredir para um quadro séptico grave quando a pressão da falange distal torna a sola convexa, resultando em necrose e perfuração. Essa evolução para uma pododermatite séptica difusa é crítica, pois frequentemente é acompanhada de osteíte da falange distal, o que torna o prognóstico do animal muito mais grave.
Fundamentos do Diagnóstico por Imagem
A Dinâmica da 'Doença dentro de uma Caixa'
O diagnóstico da laminite é dificultado pela rigidez do casco, que isola os tecidos moles e impede o exame direto e a visualização da inflamação. Essa condição torna o tratamento complexo, uma vez que a lesão ocorre em tecido mole cercado por uma estrutura rígida, o que define a laminite como uma "doença dentro de uma caixa".
Nesse contexto, o diagnóstico por imagem, incluindo o raio X e a ultrassonografia, é extremamente importante e mandatório para o manejo clínico das doenças do aparelho locomotor equino. Para identificar a rotação e o afundamento da falange distal, o diagnóstico deve ser feito por meio de raio X, utilizando as projeções radiográficas lateromedial e dorsopalmar (ou dorsoplantar) para quantificar as alterações.
Como método complementar, o venograma é uma técnica diagnóstica invasiva utilizada em cavalos com laminite. Esse exame permite identificar áreas de necrose com interrupção do fluxo sanguíneo no casco por meio do mapeamento do fluxo sanguíneo com contraste.
Parâmetros de Gravidade e Prognóstico
A quantificação da gravidade na laminite equina é fundamentada em critérios radiográficos precisos, que permitem ao clínico classificar o dano estrutural e estabelecer o prognóstico do paciente.
| Parâmetro | Medida / Achado | Classificação ou Significado |
|---|---|---|
| Rotação da Falange Distal | Até 5 a 7 graus | Leve |
| Rotação da Falange Distal | 10 a 15 graus | Moderada |
| Rotação da Falange Distal | Acima de 15 graus | Grave |
| Afundamento (Sinking) | Distância entre o processo extensor e a banda coronária | Normal até 1,4 cm em cavalos de corrida |
| Sinal Crítico Radiográfico | Presença de gás nas lamelas | Necrose, contaminação e quebra da barreira do casco |
Observação: Rotações de 21 graus são consideradas gravíssimas e de difícil tratamento.
Objetivos Iniciais e Manejo do Ambiente
O tratamento da laminite pode ser realizado por meios sistêmicos ou por biomecânica. Na fase aguda, o foco principal é reduzir a inflamação e evitar a ação da falange distal, prevenindo seu deslocamento estrutural e minimizando danos futuros.
O manejo ambiental é uma peça chave nesse processo de estabilização. O paciente deve ser mantido em repouso em baia com cama alta e profunda; o uso de areia é especialmente benéfico, pois molda o pé do animal e melhora a distribuição do peso ao suportar a sola de maneira uniforme.
Todas as ferraduras devem ser removidas imediatamente, pois sua presença na fase aguda favorece a rotação da falange distal devido à distribuição de peso inadequada e prejudica a obtenção de uma boa imagem radiográfica. Por fim, vale lembrar que terapias históricas, como a sangria (prática antiga que visava diminuir a pressão sistêmica, provocar vasodilatação e retirar toxinas), encontram se em desuso e não são mais recomendadas.
Farmacologia Clínica e Crioterapia Prolongada
O tratamento farmacológico da laminite enfrenta um desafio crítico, pois a circulação deficiente no casco inflamado dificulta a chegada de medicações administradas por via sistêmica. Diante disso, o protocolo ideal e padrão ouro é a crioterapia contínua por pelo menos 72 horas (os três primeiros dias de sinais clínicos), medida essencial para inibir a atividade enzimática prejudicial.
Na escolha dos fármacos, a fenilbutazona é amplamente utilizada por apresentar bom efeito terapêutico sobre o casco. A pentoxifilina também é integrada ao tratamento por seu efeito de inibição de metaloproteinases e citocinas. Quanto aos corticoides, o uso de anti inflamatórios esteroidais é indicado para combater a cascata da inflamação; o palestrante defende o uso de uma dose única de corticoide na fase inicial para interromper esse processo, embora o tema permaneça de grande controvérsia.
Já a acepromazina, um fármaco da classe dos fenotiazínicos (e não um antagonista alfa 2 adrenérgico), promove vasodilatação e pode causar hipotensão. Seu uso clínico é frequentemente discutido e questionado, pois a sedação e a alteração vascular podem interferir nos efeitos da crioterapia.
Objetivos e Estabilização na Laminite Crônica
Na fase crônica da laminite, o objetivo central do tratamento é restabelecer o paralelismo entre o casco e a falange distal. Este processo de correção é longo, podendo durar de 6 meses a um ano, exigindo casqueamentos mensais em casos de rotação grave.
Todo o manejo deve ser estritamente guiado por achados de raio X e radiografias seriadas para monitorar a evolução do quadro. Para auxiliar na distribuição imediata do peso do animal, utilizam se botas ortopédicas ou a aplicação de uma botinha de gesso sintético no casco.
Suporte Biomecânico e Intervenções Cirúrgicas
O suporte ortopédico avançado utiliza a ferradura de madeira, cujo formato de cadeira de balanço facilita significativamente a andadura do cavalo. Para garantir sua eficácia biomecânica, o ponto de rolamento deve alinhar se perfeitamente à transição da coroa do casco. A fixação desse dispositivo é feita preferencialmente com parafusos em vez de cravos, e o uso de massa de silicone é fundamental para transferir o peso da muralha para a ranilha, distribuindo a carga de forma equilibrada e evitando maiores danos ao casco.
Intervenções cirúrgicas tornam se cruciais em quadros de desestabilização grave. A ressecção da muralha do casco é indicada quando há estufamento da sola ou da banda coronária, permitindo a drenagem e o alívio da dor, além de prevenir a necrose ou a queda completa do estojo córneo. Além disso, a tenotomia do tendão flexor digital profundo visa interromper a biomecânica de tração e evitar a progressão da rotação da falange distal, embora esse procedimento de salvação possa comprometer permanentemente o desempenho atlético futuro do animal.
Complexo Anatômico do Aparato Podotroclear
A doença podotroclear é definida como uma osteoartrite degenerativa crônica que afeta a região podotroclear, sendo comum em cavalos de salto. Esta patologia também é conhecida pelos nomes de podotrocleose, podotroclite, doença do navicular ou síndrome navicular. O aparato podotroclear é composto pelo osso navicular, tendão flexor digital profundo, ligamentos sesamoideos colaterais e ligamento sesamoideo distal ímpar. Antes da ressonância magnética, a doença era chamada de síndrome do navicular porque o diagnóstico era feito apenas por radiografia. A ressonância magnética demonstrou que a doença podotroclear envolve tecidos moles que formam o aparato podotroclear, e não apenas o tecido ósseo, abrangendo as estruturas adjacentes conhecidas como bursa podotroclear. Nessa anatomia, o tendão flexor digital profundo utiliza o osso navicular como apoio para facilitar a flexão da falange distal. Além disso, a bursa navicular possui líquido sinovial para amortecer o impacto entre o osso navicular e as falanges média e distal.
Fatores de Predisposição e Biomecânica de Esporte
A doença podotroclear possui uma etiologia multifatorial que envolve componentes genéticos e anatômicos, mas o fator desencadeante central é a pressão biomecânica excessiva do tendão flexor digital profundo sobre o osso navicular. Esse estresse gera traumas compressivos de repetição, sendo favorecido por conformações como o "casco achinelado", que apresenta a pinça longa e o talão baixo (escorrido).
Devido ao caráter crônico e degenerativo, a patologia incide predominantemente em cavalos de salto adultos, geralmente entre 7 e 14 anos, pois a aterrissagem após obstáculos multiplica as forças compressivas em relação a cavalos de corrida. Notavelmente, a afecção manifesta se quase exclusivamente nos membros torácicos e costuma ser bilateral, apresentando se de forma clínica assimétrica, onde um dos membros é visivelmente mais sintomático que o outro.
Osteólise e Alterações em Tecidos Moles
A compressão contínua no osso navicular desencadeia uma combinação de isquemia localizada e congestão venosa intramedular no osso navicular, induzindo uma vasodilatação compensatória e a consequente reabsorção óssea, processo conhecido como osteólise. Esse quadro degenerativo resulta em desmopatias insercionais crônicas, em que a formação de entesófitos no osso navicular decorre de processos inflamatórios crônicos ou rupturas ligamentares crônicas. Tais entesófitos nos ligamentos colateral e distal ímpar são calcificações de ligamentos do osso navicular, manifestando se como exostoses em seus sítios de fixação.
No exame de raio x, os entesófitos aparecem como pequenos chifres na lateral do osso navicular, e a formação de entófitos no osso navicular pode se manifestar como projeções laterais. A progressão da doença leva à bursite navicular, um processo inflamatório e degenerativo similar a uma osteoartrite, marcada por hipertrofia dos vilos sinoviais, efusão e congestão venosa intramedular.
O quadro clínico é agravado por lesões no tendão flexor digital profundo, que podem incluir pequenas rupturas fibrilares e a formação de fortes aderências fibrosas entre o tendão, o osso e a bursa. Esses danos teciduais aumentam substancialmente a dor, consolidando a complexidade da doença podotroclear e suas implicações na biomecânica do animal.
Quadro Clínico e Protocolo de Analgesia Diagnóstica
O quadro clínico da doença do navicular é caracterizado por uma claudicação intermitente, de início insidioso e geralmente de grau 2 a 3, que apresenta melhora quando o animal fica em repouso, mas recrudesce rapidamente ao retomar as atividades. O paciente demonstra dor exacerbada ao subir rampas ou terrenos inclinados devido ao aumento de tensão no tendão flexor digital profundo. Além da postura de alívio em estação, conhecida como pointing, os animais comumente apresentam apoio em pinça durante a locomoção para evitar o impacto na região posterior do casco.
Em casos crônicos, o talão colapsado ou fechado surge como um sinal clínico importante, resultante do desuso prolongado da região posterior por falta de carga. O diagnóstico definitivo baseia se na analgesia diagnóstica, especificamente no bloqueio do nervo digital palmar (lateral e medial), que é utilizado para remover a dor proveniente da bursa navicular e do terço palmar. Este procedimento frequentemente revela uma claudicação no membro contralateral que estava oculta pela dor predominante no membro inicialmente avaliado.
Radiografia e Ultrassonografia no Diagnóstico Podal
A radiografia é o método primário para avaliar a doença podotroclear, utilizando as projeções látero medial e dorso proximal palmar distal oblíqua para isolar o osso navicular e evitar sobreposições. No raio X, a doença podotroclear pode apresentar áreas de osteólise circulares no osso navicular conhecidas como lesões em formato de pirulitos, que são áreas radiolucentes em forma de pirulitos na borda distal. As lesões císticas do osso navicular apresentam se no raio x com aspecto radiolucente semelhante a pequenos pirulitos, sendo que cistos podem ocorrer na cortical do osso navicular e pode ocorrer um espaçamento da face flexora do osso navicular.
No entanto, a radiografia do casco permite visualizar apenas lesões e alterações na estrutura óssea do osso navicular. Para realizar ultrassom na região do casco, especificamente a ultrassonografia transcuneal, recomenda se hidratar o casco em água por 30 a 60 minutos para facilitar a passagem das ondas sonoras pelo tecido córneo.
Ressonância Magnética e Procedimentos Complementares
Avanços no Diagnóstico por Imagem
Além disso, a ressonância magnética e a tomografia podem ser utilizadas no diagnóstico locomotor de cavalos em determinados momentos. A ressonância magnética (RM) é considerada o meio diagnóstico mais eficiente para a doença do navicular e, sendo o padrão ouro, permite visualizar principalmente lesões do tendão flexor digital profundo e aderências no osso navicular. Nesse exame, processos inflamatórios na região do osso navicular aparecem como áreas esbranquiçadas devido ao acúmulo de líquido, sendo possível observar aderências específicas entre o tendão flexor digital profundo e o osso navicular.
O exame de RM pode ser realizado sob anestesia geral ou em posição quadripedal sob sedação intensa em aparelhos abertos de menor potência (0,5 a 0,75 Tesla). Complementarmente, a bursoscopia (artroscopia da bursa navicular) e o uso de contraste (bursografia) também são ferramentas aplicáveis para melhorar a visualização das estruturas de tecidos moles.
Alternativas Paliativas de Tratamento e Ferrajamento
Como não há cura definitiva para a doença podotroclear, o manejo clínico é invariavelmente paliativo, com foco em retardar a degeneração e promover analgesia. No âmbito biomecânico, o ferrajamento corretivo desempenha um papel fundamental. A utilização da ferradura oval (egg bar shoe) é indicada para estabilizar os talões e facilitar o breakover, sendo útil para evitar a compressão do osso navicular e melhorar a distribuição de peso. Além disso, a elevação do talão é empregada como estratégia específica para diminuir a tensão biomecânica exercida pelo tendão flexor digital profundo sobre as estruturas podotrocleares.
No suporte medicamentoso, destacam se substâncias com diferentes mecanismos de ação. Historicamente, a isoxsuprina é utilizada como uma substância reológica e vasodilatadora que melhora a perfusão tecidual e o fluxo sanguíneo no osso navicular. Modernamente, o tiludronato dissódico (Tildren) é empregado para inibir a atividade dos osteoclastos e estimular os osteoblastos, visando melhorar a qualidade do osso e mitigar a osteólise. Esse protocolo pode ser complementado com infiltrações intra articulares ou na bursa navicular com corticosteroides e ácido hialurônico para controle inflamatório local.
Implicações Éticas e Riscos da Neurectomia
A neurectomia é uma das terapias utilizadas para reduzir a dor em cavalos com doença podotroclear, porém seu uso exige cautela extrema, pois é considerada doping em animais de esporte. Embora a secção dos nervos digitais palmares promova a dessensibilização, ela impede que o cavalo sinta lesões agudas graves, como ferimentos por pregos, o que representa um risco fatal, além de predispor à formação de neuromas dolorosos e regeneração axonal. Já a alternativa química com Sarapin apresenta eficácia decrescente a cada aplicação, resultando em períodos de ação progressivamente menores que podem variar de meses para poucas semanas.
Conceitos e Epidemiologia das Afecções Distais
As afecções das estruturas de sustentação distal em cavalos são classificadas de acordo com o tecido afetado. Conceitualmente, as tendinopatias envolvem os tendões, que unem músculo a osso, enquanto as desmopatias atingem os ligamentos, que conectam osso a osso. No equino, essas lesões são extremamente frequentes na região abaixo do carpo e do tarso, representando um ponto crítico de atenção clínica e diagnóstico.
A prevalência dessas patologias é alta, afetando cavalos de esporte de alto desempenho, podendo atingir uma incidência de até 50% durante a vida esportiva do animal. É importante notar que não apenas corridas e saltos causam danos; exercícios de rodopio sobre os membros pélvicos em cavalos crioulos sobrecarregam tendões e ligamentos específicos, demonstrando como manobras de sobrecarga mecânica impactam diretamente a integridade dessas estruturas de sustentação.
Biomecânica e Degeneração do Colágeno
A integridade estrutural dos tendões equinos é fundamentada em fibras de colágeno do tipo 1, que se organizam em agrupamentos específicos conhecidos como fascículos. Do ponto de vista biomecânico, os tendões flexores possuem uma capacidade elástica limitada, suportando um alongamento máximo de aproximadamente 8%. Quando o esforço mecânico sobrecarrega o tecido e ultrapassa esse limiar de 8%, ocorre a falência estrutural e o consequente rompimento dos fascículos.
Com o passar do tempo, o envelhecimento natural do animal compromete essa dinâmica. Cavalos mais velhos apresentam uma perda progressiva da capacidade elástica e sofrem com o acúmulo de microtraumas de repetição ocorridos ao longo da vida. Essa perda da capacidade elástica relacionada ao envelhecimento aumenta significativamente a incidência de quadros de tendinite nessa categoria de pacientes, reduzindo a resiliência original das fibras.
Anatomia e Função dos Flexores Distais
Biomecânica e Anatomia da Região Distal
Na região distal dos membros equinos, as estruturas mais frequentemente acometidas por lesões, como tendinites ou desmites, são o ligamento suspensor do boleto (LSB) e os tendões flexores digitais superficial (TFDS) e profundo (TFDP). O tendão flexor digital superficial possui inserções específicas nas falanges proximal e média, desempenhando um papel crucial na sustentação do aparelho locomotor durante o exercício intenso.
Apesar da sua nomenclatura, o objetivo primordial do TFDS em altas velocidades não é realizar a flexão do dígito, mas sim promover a estabilização das articulações metacarpofalangiana ou metatarsofalangiana durante os momentos de hiperextensão. De fato, a flexão do dígito propriamente dita cabe ao tendão flexor digital profundo e ao ligamento suspensor do boleto, que trabalham coordenadamente para garantir a funcionalidade do membro.
Biomecânica da Lesão e Desafios Cicatriciais
A lesão do tendão flexor digital superficial (TFDS) é a mais comum em cavalos, ocorrendo frequentemente pela hiperextensão da articulação metacarpofalangiana durante o galope, quando o animal suporta o peso. No caso do salto, a dinâmica de esforço se divide: a fase de impulsão joga o peso nos membros pélvicos, enquanto a aterrissagem sobrecarrega significativamente os tendões e ligamentos dos membros torácicos. Já o tendão flexor digital profundo (TFDP) apresenta maior frequência de lesões na região da quartela.
O processo de recuperação dessas estruturas é um grande desafio clínico, pois o tendão é considerado uma estrutura que não se regenera de maneira natural no corpo. Devido à sua baixa irrigação sanguínea, a chegada de células inflamatórias para remover detritos e células cicatriciais é dificultada. Essa pouca vascularização torna o tratamento de tendinites extremamente longo e difícil, exigindo um manejo cuidadoso para lidar com uma cicatrização que tende a ser ineficiente.
Sobrecarga Mecânica e Comprometimento Vascular
A degeneração do tendão flexor digital superficial é promovida por uma tríade causada por exercícios extenuantes. Inicialmente, a sobrecarga física excede a força tensil, resultando em trauma e ruptura mecânica das fibras de colágeno. Esse processo de estresse físico intenso gera uma vasoconstrição reflexa no parênquima tendíneo, que naturalmente possui baixa vascularização.
Essa vasoconstrição induz um quadro de hipóxia vascular por meio da diminuição do aporte sanguíneo. É importante destacar que a isquemia e a necrose do tendão são consequências da diminuição do aporte sanguíneo; desse modo, a hipóxia vascular causada por vasoconstrição leva à isquemia e necrose do tendão.
Estresse Térmico e Degradação Enzimática
Durante o esforço intenso, a rápida sucessão de contração e relaxamento promove um aumento drástico da temperatura no núcleo central do tendão, causando dano térmico. Ocorre um aumento de temperatura no núcleo do tendão devido à contração e relaxamento rápidos, o que, somado à isquemia local, gera um ambiente crítico para a viabilidade celular.
Adicionalmente, a sobrecarga e o aumento de temperatura no tendão ativam enzimas proteolíticas, especificamente as metaloproteinases do tipo 2 e do tipo 9. O aumento da temperatura e a isquemia levam à ativação de enzimas proteolíticas no tendão. Por fim, as enzimas proteolíticas e os traumas mecânicos são responsáveis pela degeneração e depleção do colágeno do tendão, sendo que as metaloproteinases do tipo dois e do tipo nove são frequentes em casos de degeneração tendínea.
Apresentação Clínica e Fundamentos Ultrassonográficos
Diagnóstico Clínico e Exame Ultrassonográfico
As tendinites em equinos provocam claudicação de graus variados, sendo o diagnóstico clínico um desafio em casos sutis. Contudo, lesões tendíneas pequenas podem apresentar claudicação leve sem alterações macroscópicas como aumento de volume ou de temperatura. Nesses cenários, o uso de bloqueios perineurais, embora útil, torna se limitado devido à inervação proximal e complexa de certas estruturas, o que pode reduzir sua eficiência diagnóstica em regiões mais altas.
O exame ultrassonográfico é a principal forma de diagnóstico para tendinopatias em equinos. A execução correta requer domínio anatômico rigoroso da topografia transversal, desde a zona 1a, que é a porção mais proximal do dígito, até as porções distais. Nesses cortes transversais do metacarpo, o tendão flexor digital superficial, o tendão flexor digital profundo e o ligamento suspensor do boleto são visíveis, permitindo a identificação de lesões ativas. Tais rupturas de fibras tendíneas apresentam se como áreas hipoecóicas a anecóicas intralesionais (perda de paralelismo fibrilar e acúmulo de líquido) decorrentes de edema e fluido.
Uso de Frequências e Ultrassonografia Avançada
Para a realização de exames de tendão com precisão, o uso de equipamentos com transdutores multifrequenciais é considerado a melhor escolha. Probes de maior frequência ganham qualidade em tecidos superficiais, mas perdem resolução em tecidos profundos. Probes com frequência de 14 MHz possuem menor penetração tecidual e são ideais para imagens de tendões superficiais, enquanto as de 7,5 MHz permitem visualizar melhor o tendão profundo e o ligamento suspensor do boleto.
A tecnologia Doppler no ultrassom permite observar a capacidade de vascularização do tendão, evidenciando uma alta incidência vascular em tecidos com tendinopatia. Além disso, a elastografia ultrassonográfica é utilizada para observar o grau de elasticidade das fibras de colágeno e avaliar a consistência e a rigidez do tecido. Nesse exame, a área central da lesão é mais maleável do que o tecido saudável, sendo que a coloração vermelha indica áreas de menor resistência ou ruptura total do tendão.
Localização Anatômica e Métodos Complementares
O mapeamento rigoroso permite localizar estruturas específicas como o ligamento acessório do flexor superficial, também chamado de check ligament, situado na zona 2b. Complementarmente, a região da articulação metacarpofalangeana possui uma anatomia complexa que inclui o ligamento angular, exigindo precisão na identificação de possíveis lesões nessas áreas.
Quando o ultrassom não fornece respostas definitivas, métodos complementares de alto custo tornam se necessários. A ressonância magnética é uma ferramenta eficaz para tendões, enquanto a cintilografia identifica a inflamação ao detectar o acúmulo de contraste radioativo, embora apresente limitações específicas. Por fim, a tomografia e o PET scan são as modalidades ideais para a avaliação de tendões, mas possuem baixa disponibilidade no Brasil.
Desafios da Cicatrização e Prognóstico
A cicatrização de tendões em equinos é um processo fisiológico notavelmente lento, que pode durar entre 6 e 12 meses, sendo que a maturação completa e o retorno seguro ao nível de trabalho anterior à lesão levam cerca de um ano (52 semanas). Inicialmente, o organismo sintetiza um tecido cicatricial de baixa qualidade composto por fibras de colágeno do tipo 3, que são imaturas e menos elásticas. Ao longo do tempo, essas fibras devem ser substituídas por colágeno do tipo 2, que no contexto da cicatrização tendínea é descrito como maduro e elástico.
Devido à fragilidade do tecido em formação, o retorno precoce do animal ao trabalho, antes da resolução total da lesão, dificulta significativamente o sucesso do tratamento. A negligência no tempo de descanso adequado é um fator crítico, podendo elevar a taxa de recidiva para até 44%. Por isso, o manejo rigoroso da linha do tempo de recuperação é essencial para a preservação funcional definitiva do membro.
Manejo da Fase Inflamatória Aguda
A fase inflamatória da lesão tendínea dura cerca de duas semanas. Durante este período, o foco inicial do tratamento é reduzir a dor e a inflamação, além de evitar novos danos ao tecido.
- Etapa 1: Nas primeiras 48 horas após o trauma, recomenda se o uso de ducha e gelo (crioterapia).
- Etapa 2: Do 3º ao 4º dia, deve se alternar calor com frio entre 48 e 96 horas após a lesão para favorecer a absorção do edema.
- Etapa 3: Restringir o uso de corticoides, pois aumentam a liberação de colagenases e agravam o dano estrutural.
Suporte Biomecânico e Estabilização
Na fase inicial do tratamento de tendinopatias, o repouso total em baia é recomendado para garantir a estabilidade do membro. O suporte biomecânico, realizado por meio do uso de ataduras e talas, é indicado para evitar estímulos que possam agravar a lesão tendínea inicial.
Para uma imobilização artesanal, podem ser utilizados materiais acessíveis como cano de PVC, algodão ortopédico e ataduras. Enquanto o suporte inicial é imediato, a imobilização total com talas ou gesso pode ser iniciada aproximadamente 4 dias após a lesão.
Em casos de lesão do tendão flexor digital superficial, a desmotomia do ligamento acessório pode ser realizada para aumentar a elasticidade e reduzir riscos de novos traumas ao aliviar a tensão excessiva na estrutura afetada.
Aplicações de Células Tronco em Tendinopatias
Otimização da Cicatrização com Medicina Regenerativa
A fase reparativa das lesões tendíneas em equinos inicia se aproximadamente após o primeiro ou segundo mês da lesão, representando o momento ideal para a introdução da medicina regenerativa. Especificamente, o uso de células tronco é a biotecnologia mais aplicada na medicina equina para tratar lesões tendíneas e ligamentares, sendo indicada para a segunda fase da lesão, entre o 21º e o 45º dia após o trauma.
Essa terapia tem como objetivo melhorar a qualidade do tecido tendíneo em cicatrização, otimizando o tecido que está sendo formado. Para a obtenção dessas células, a coleta a partir da gordura é preferível à coleta de medula óssea por ser menos invasiva. No momento da aplicação, a inoculação no tendão deve ser feita com uma agulha de calibre adequado (grossa), pois agulhas finas podem romper as células e comprometer a eficácia do tratamento.
Hemoderivados: Plasma Rico e Soro Autólogo
Aplicações de Terapias Biológicas
O Plasma Rico em Plaquetas (PRP) é utilizado para reduzir a inflamação e auxiliar na cicatrização do tendão, tendo como principal objetivo a ação anti inflamatória em casos de tendinopatias. Para sua preparação, o sangue do paciente pode ser processado utilizando se uma centrífuga e tubos de coleta com citrato de sódio. Para obter resultados otimizados, o PRP deve ser aplicado na fase inicial da lesão, geralmente entre 7 a 10 dias após o trauma.
Complementarmente, o Soro Autólogo Condicionado (IRAP) possui substâncias anti inflamatórias e fatores de crescimento que inibem citocinas pró inflamatórias, como a interleucina 1, por meio de antagonistas de receptores. Esse soro é obtido através do processamento do sangue com esferas de vidro para estimular a função de proteínas anti inflamatórias. O protocolo de tratamento padrão consiste em três injeções com intervalos de uma a duas semanas entre cada aplicação.
Terapias Físicas e Considerações de Doping
As terapias físicas, como o Shockwave (ondas de choque) e a Laserterapia, são frequentemente associadas aos biológicos para otimizar a cicatrização. O Shockwave melhora a perfusão tecidual e reduz a inflamação, podendo ser utilizado em conjunto com as células tronco para potencializar sua ação reparadora.
A laserterapia também contribui para o processo, pois promove o aumento da temperatura local, da circulação e a redução do desconforto do paciente. Contudo, a terapia por ondas de choque é considerada doping por reduzir a sensibilidade à dor, o que exige cautela extrema e planejamento rigoroso ao tratar animais que participam de competições.
Protocolo de Exercícios e Remodelação de Colágeno
A fase de remodelação, ou maturação celular, é o estágio final e crítico da cicatrização tendínea, onde o objetivo é restabelecer a resiliência original da estrutura através de estímulos físicos adequados.
- Etapa: Início da Fase de Remodelação: A fase final, denominada fase de remodelação ou maturação celular, pode durar 3 meses ou mais, estendendo se por até 12 meses pós trauma.
- Etapa: Estímulo Mecânico para Maturação do Colágeno: O tendão necessita de estímulo mecânico via exercício gradual para transformar fibras de colágeno tipo 3 em fibras de colágeno tipo 1, tornando as maduras e elásticas.
- Etapa: Iniciação do Protocolo de Exercício: A fisioterapia começa com caminhadas controladas ao cabresto por cinco minutos diários, evoluindo progressivamente para trote em piso firme e uso de esteiras aquáticas.
- Etapa: Manobras de Propriocepção: Realizam se estímulos táteis nas quartelas e a manobra de puxar a cauda do animal durante as sessões de fisioterapia estimula a contração muscular e do tendão.
- Etapa: Suporte de Casqueamento e Ferrageamento: No tratamento das lesões do TFDS e do músculo interósseo, recomenda se elevar a pinça da ferradura; para rupturas do TFDP, eleva se o talão para aliviar a tensão profunda.
- Etapa: Monitoramento de Compensações e Riscos: Deve se observar que a elevação dos talões na ferradura aumenta a tensão no tendão flexor digital superficial e no ligamento suspensor do boleto.
- Etapa: Prevenção de Complicações: Retornos precipitados podem causar uma ruptura catastrófica irreversível, enquanto traumas tendíneos muito extensos podem levar à aposentadoria do animal.
Firmeza na Jornada
A laminite revela que a falha em uma pequena conexão interna pode derrubar o animal mais forte, impedindo o de sustentar seu próprio peso. Assim como o cavalo precisa de estabilidade física, nossa alma necessita de um fundamento que não ceda diante das pressões da vida. Jesus é a rocha que sustenta nossos passos, oferecendo restauração e esperança quando as nossas forças se esgotam.
Ele firmou os meus pés sobre uma rocha e deu me um lugar seguro para caminhar.Salmos 40:2
Descubra a esperança que sustenta sua caminhada nos momentos de fraqueza.